Este blog tem como propósito sincero esclarecer as notícias e novidades sem confundir.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Tempo de vida de uma notícia
Um destes é a meia vida de uma publicação. Uma publicação com meia vida longa pode significar importância do seu conteúdo.
Mas será que podemos analisar algo similar com relação a notícias? Na realidade uma notícia dada pode ter duas métricas não inteiramente simulares: a quantidade de notícias derivadas e a repetição da mesma notícia em diversos sites.
No caso o interesse é justamente na meia vida ou seja a evolução da notícia com o passar do tempo. O problema é que isto é difícil de medir com os instrumentos atuais.
Mas é possível encontrar algo que seria similar a uma taxa média - número de publicações relacionadas por unidade de tempo.
Vamos tentar calcular alguns exemplos retirados das páginas da folha de São Paulo:
- acidente TAM 3054
Número de notícias em julho de 2009: 11
Número de notícias em junho de 2009: 1
Número de notícias em maio de 2009: 1
Número de notícias em abril de 2009: 0
Número de notícias em março de 2009: 1
Número de notícias em fevereiro de 2009: 0
Número de notícias em janeiro de 2009: 0
Número de notícias em dezembro de 2008: 0
Número de notícias em novembro de 2008: 10
Número de notícias em outubro de 2008: 0
Número de notícias em setembro de 2008: 4
Número de notícias em agosto de 2008: 1
Número de notícias em julho de 2008: 15
Número de notícias em junho de 2008: 1
Número de notícias em maio de 2008: 1
Número de notícias em abril de 2008: 2
Número de notícias em março de 2008: 3
Número de notícias em fevereiro de 2008: 6
Número de notícias em janeiro de 2008: 4
Número de notícias em dezembro de 2007: 3
Número de notícias em novembro de 2007: 4
Número de notícias em outubro de 2007: 12
Número de notícias em setembro de 2007: 31
Número de notícias em agosto de 2007: 118
Somando tudo isto temos: 230 notícias - destas cerca de 118 foram dadas em agosto de 2007. Isto dá para concluir que a meia vida neste caso vai da data do acidente (em julho de 2007) até final de agosto de 2007 - ou seja 1 mês. No entanto, existe uma cauda longa que a cada aniversário é relembrada (com menos e menos furor).
Vamos a um caso mais recente:
- acidente Air France:
Número de notícias em julho de 2009: 34
Número de notícias em junho de 2009: 515
Curiosamente este número e a proximidade do ocorrido permite que possamos ver como a coisa evoluiu
Notícias:
Dia 1 (01/06/09): 97
Dia 2 (02/06/09): 80
Dia 3 (03/06/09): 53
Dia 4 (04/06/09): 44
Dia 5 (05/06/09): 29
Dia 6 (06/06/09): 15
Dia 7 (07/06/09): 19
Dia 8 (08/06/09): 25
Dia 9 (09/06/09): 18
Dia 10 (10/06/09): 19
Dia 11 (11/06/09): 17
Dia 12 (12/06/09): 8
Dia 13 (13/06/09): 9
Dia 14 (14/06/09): 8
Dia 15 (15/06/09): 8
Dia 16 (16/06/09): 7
Dia 17 (17/06/09): 7
Dia 18 (18/06/09): 5
Dia 19 (19/06/09): 9
Dia 20 (20/06/09): 4
Dia 21 (21/06/09): 1
Dia 22 (22/06/09): 6
Dia 23 (23/06/09): 5
Dia 24 (24/06/09): 2
Dia 25 (25/06/09): 4
Dia 26 (26/06/09): 4
Dia 27 (27/06/09): 2
Dia 28 (28/06/09): 0
Dia 29 (29/06/09): 5
Dia 30 (30/06/09): 3
Dia 31 (01/07/09): 4
dia 32 (02/07/09): 6
dia 33 (03/07/09): 6
dia 34 (04/07/09): 1
dia 35 (05/07/09): 0
dia 36 (06/07/09): 1
dia 37 (07/07/09): 3
Vendo isto é bem claro que a grande maioria das notícias está concentrada na semana do acontecimento, diminuindo sucessivamente a cada semana que passa. Poderíamos até dizer que a meia vida de uma notícia assim é de 5 dias.
Traçando gráficos vemos que em 4 dias chegamos a 50% do total de notícias que serão publicadas e que aos 20 dias teremos 90% do total de notícias que serão publicadas.
Depois eu vou tentar com outros meios
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Sabendo Nada
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, confirmou à CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, em audiência pública no dia 17 de setembro de 2008, que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tem equipamentos de interceptação telefônica. O ministro foi convocado em função de declarações dadas à imprensa de que a Abin teria equipamentos dessa natureza.
Na audiência, o ministro explicou que a agência adquiriu, em 2006, três equipamentos passíveis de fazer varredura e interceptação, por intermédio da unidade de Washington da Comissão de Compra do Exército Brasileiro. “O Exército apenas executou a compra. Não houve transferência de dinheiro”, esclareceu. O ministro apresentou cópias, impressas da Internet, de folhetos de informação dos equipamentos adquiridos pela Abin, com os valores e as especificações técnicas de cada equipamento. São o OSC-5000 Omin-Spectral Correlator (OSCOR), adquirido por U$ 66 mil; o Stealth LPX Global Intelligence Surveillance System, cujo custo é de U$ 60 mil e o NJE-4000 (Orion Non-Linear Junction Evaluator), no valor de U$ 59,2 mil.
Como já expliquei em outro post, o ministro definitivamente não sabia do que estava falando. Mas certamente não era o único. A grande maioria quando não sabia do que estava falando fazia questão de puxar a brasa para sua sardinha.
Fica a impressão inegável de amadorismo dos participantes - com raras e as vezes honrosas exceções.
Uma frase emblemática:
No meu escritório foi apreendido um equipamento que, maldosamente, foi dito que era um maleta de escuta de celular, mas, na realidade, o que aconteceu foi uma pasta que foi apreendida. Nessa pasta tinha 2 celulares e um gravador.
Mas não acreditem em mim: leiam vocês mesmos o relatório
Um outro detalhe relatado no texto:
O cenário encontrado pela CPI também contemplava um quadro sem controles no que toca aos vazamentos de gravações protegidas por segredo de justiça imposto pela lei. Foram inúmeros os casos em que a imprensa tinha acesso às informações sigilosas antes da defesa dos acusados, que viam suas vozes em programas de TV de grande repercussão nacional, sem sequer ter aoportunidade de se manifestar. Há grande polêmica referente a uma possível responsabilização de órgãos da imprensa nesses episódios.
O próprio Estado tem dado pouca atenção aos crimes de vazamentos. A CPI constatou que pouquíssimos casos são investigados, e menos ainda punidos.
Muita distorção
a) Paranóia - alguns depoimentos parecem beirar a paranóia e sugerem que a pessoa em questão está julgando alguns acontecimentos de acordo com lentes distorcidas
b) Ignorância - outros depoimentos estão corretos até certo ponto e a partir daí saltam para vôos improváveis e possivelmente passíveis de ter outros interesses ao redor
c) Direcionamento - alguns depoimentos são tecnicamente corretos, mas ao longo do relato parecem ter sido distorcidos por motivos de interesse ou ignorância
No entanto o mais interessante é a falta de organização que transparece a respeito do assunto. O poder judiciário não tem controle sobre o número de escutas e para se saber mais é necessário entrar em contato com a operadora de telefonia.
Como esperado as operadoras de telefonia relataram os sistemas para escuta baseados no sistema Vigia. Este sistema eu não conheço direito mas me parece que trabalha a nível de centrais (o que é lógico já que neste nível as conversas não são encriptadas).
E uma coisa que transparece: membros do poder judiciário também são seres humanos e portanto estão sujeitos as mesmas falhas da sua espécie. O problema é que alguns se consideram detentores de direitos especiais, se não permanentes pelo menos temporários.
E tristemente em alguns casos, há o abuso.
Eu acho particularmente interessante as frases:
"Citando o Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, disse que a escuta telefônica tornou-se uma espécie de “rainha das provas”. “É ela, e só com ela que se trabalha”."
e
"Citou ainda o que dissera, há alguns anos, um Procurador da República do Distrito Federal: “Eu tenho o material da escuta, eu dou para a imprensa e peço a preventiva. E o juiz que lixe depois, o juiz que encare depois o paredão”."
E há claro as confusões técnicas: misturando criptografia com compactação, sistemas digitais com analógicos.
Mas o que fica claro é que a velha pergunta nunca deixa de ser atual:
Quis custodiet ipsos custodes? (Quem vigia os vigilantes?)
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Duas consideraçãoes sobre a pirataria
Na primeira se encaixam as categorias de cigarros, música em CDs, filmes em DVD e algo relativo a software, peças automotivas e medicamentos.
Na segunda temos livros (na realidade cópias reprográficas), algo relativo a música e filmes.
A diferença primordial é que a primeira tem como objetivo a comercialização atuando como concorrência desleal às indústrias estabelecidas. O prisma maior é a queda na arrecadação e a quantidade de empregos que deixarão de existir nesta modalidade. Podemos dizer que esta modalidade é ligada ao nível do fabricante.
Já a segunda modalidade é mais ligado ao nível do consumidor. E aí a porca torce o rabo.
Podemos encontrar justificativas econômicas para a existência da pirataria a nível industrial: excesso de tributação, mercados não explorados, preços muito elevados, etc...
As justificativas são as mesmas do contrabando (o que aliás é uma pergunta muito boa: porque existe o contrabando?)
Mas o nível do consumidor diz algo muito mais profundo. Me arrisco a dizer que neste caso o consumidor está procurando algo que é de um certo modo seu direito.
Isto merece mais investigação...
Relatório da CPI da Pirataria - Cigarros
Mas não sou advogado. Apenas sei que o que estou colocando aqui está disponível em muitos detalhes ao longo do texto
► Como demonstrado no Capítulo III deste Relatório, a American Virginia Indústria e Comércio Import. e Export. de Tabacos Ltda. (CNPJ 01.099.651-43) pagou apenas 2 % do IPI que deveria ter pago: deixou de recolher 98% do imposto devido, o que representou a evasão de R$ 42.914.304,00, apenas em 2002.
► Os sócios João Carlos Duarte Ferreira e Pedro Gelsi Júnior devem ser investigados para saber se cometeram crime contra a ordem tributária antes de terem deixado a American Virginia. Quanto aos demais, Mauro Donati e Luiz Antônio Duarte Ferreira, já se encontram indiciados pela prática de crime contra a ordem tributária, conforme preceitua a Lei nº
8.137/90, art. 1º, I e II.
► A Cibrasa Indústria e Comércio de Tabacos S/A (CNPJ 28.274.157/0001) pagou apenas 2,52% do IPI que deveria ter pago. Deixou de recolher à União, o valor de R$ 4.278.800, apenas em 2002. Seus controladores, José Luiz Teixeira, Marco Antônio Patriarca da Costa,
Celso Castilha Cazorla e Adil de Oliveira já se encontram indiciados pela prática de crime contra a ordem tributária, conforme o disposto na Lei nº 8.137/90, art. 1º, I e II.
► O trânsito de pessoas na indústria fumígera aqui analisada é estranhamente sem fronteiras. Gesydayse Canelli Alves, CPF 866.033.29- 00, é um exemplo típico: bacharel em ciências contábeis, é suplente do Conselho Fiscal da Cibrasa e responsável pelas informações prestadas
pela Ind. e Com. Rei Ltda. É uma pessoa que, pela posição que ocupa em empresas com tantas irregularidades, deve ser investigada.
► A Itaba Indústria de Tabacos Brasileira Ltda. – CNPJ 02.750.676/0001-28 – apenas em 2002 deixou de recolher o valor de R$ 21.523.362,00 de IPI. Os representantes das empresas controladoras, Leilço Lopes Santos e Edísio Carlos Pereira Filho devem responder pela
prática de crime contra a ordem tributária, segundo o que prescreve a Lei nº 8.137/90, art. 1º, I e II.103
► Indústria e Comércio Rei Ltda – CNPJ 14.188.007/0001-93: Lindemberg da Mota Silveira e Moacir Pedro Pinto Alves devem responder pelo cometimento de crime contra a ordem tributária, de acordo com a Lei nº 8.137/90, art. 1º, I e II, e com o art. 296 do Código Penal.
► Também devem responder por crime contra a ordem tributária (art. 1º, I eII da Lei nº 8.137/90): Aparecida Maria Pessuto da Silva (CPF 200.517.908-66); Sandra Regina Davanço; Dora Terezinha Vallerini Colavita (CPF 483.020.238-68); José Antônio Neuwald (CPF 177.438.260- 15); Aline Lemos Corrêa de Oliveira Andrade (CPF 866.598.044-04); Ari Natalino da Silva (CPF 774.851.068-72); Débora Aparecida Gonçalves (CPF 104.070.918-40); Osmar José de Souza Filho (CPF 102.607.248-40); e Giuliano Pacheco Bertolucci(CPF 135.638.198-74).
Conclusão e recomendações
As empresas supracitadas, que fabricam cigarros, não têm, via de regra, nenhuma preocupação com a veracidade de seus contratos sociais nem de suas declarações de renda. A American Virginia cresceu substancialmente à custa, entre outras ilicitudes, de sonegação fiscal. Como demonstrado, em sua Demonstração de Resultados constam como Deduções das
Receitas os valores de R$ 17.886.443,34 e R$ 43.789.494,06, de IPI, nos anos de 2001 e 2002. Como a SRF informou ter recebido nesses anos apenas R$ 118.689,00 e R$ 875.190,00, em 2001 e 2002 respectivamente, evidencia-se a prática de crimes contra a ordem tributária, tipificados pela Lei nº 8.137/90.
Por sua vez, a Cibrasa tem como última preocupação seus registros. Por já ter sofrido várias medidas policiais e fiscais, não é possível entender como ainda funciona, mormente quando se sabe que grande parte da sua produção de cigarros utiliza selos falsos, o que caracteriza a conduta criminosa do art. 293 (falsificação de papéis públicos).
A Itaba também adota a reiterada prática de crimes contra a ordem tributária. A Receita Federal tem relatórios sobre o IPI devido e o recolhido por esta empresa, mas não chegaram à CPI notícias das providências tomadas por aquele órgão para o recebimento do seu crédito.
Esse emaranhado de empresas confunde-se com as mesmas pessoas.
É fácil concluir que há uma estrutura que interliga as operações de pessoas físicas e jurídicas onde estão Lindemberg da Mota Silveira, Edísio Carlos Pereira Filho, Aline Lemos Corrêa de Oliveira Andrade, Celso Castilha Gazorla, Cibrasa Ind. e Com. de Tabacos S/A, Landau Associados Trading S/A, Ind. e Com. Rei Ltda. e esquema Lobão, dentre outras. Todas 104 essas empresas estão no ramo da industrialização e comercialização de cigarros.
A conclusão que se chega, pela constatação da movimentação financeira entre indivíduos que não têm renda suficiente para suportar os valores demonstrados nesse relatório é que as transações têm como base o ilícito, pois se assim não fosse, elas seriam claras, transparentes e
tributadas. Provavelmente, é esse o objetivo final: a sonegação! Afinal, que será que ocorre com as empresas ligadas às pessoas aqui relacionadas, que só geram prejuízos e deixam dúvidas quanto à veracidade dos fatos declarados? Que outros ilícitos se ocultam neste emaranhado de ilicitudes? Outro fato observado é que os valores circulados nas transações que envolvem esses personagens são elevados, tendo todos uma prática bastante comum: a redução patrimonial acontece sem nenhuma explicação, apenas zerando-se o valor do investimento ou simplesmente ignorando-o, como se nunca houvesse antes existido. Ao final, a quase totalidade das pessoas aqui analisadas têm movimentação financeira elevada, pouco clara e sem declaração de origem.
Para lograr êxito no combate ao contrabando de cigarros e sua distribuição em território nacional, há de se fazer um passeio por vários artigos do Código Penal: inicia-se com o contrabando (art. 334), seguindose-lhe a corrupção ativa (art. 333), a receptação (180), formação de quadrilha (288), os crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/90); enfim, nota-se a presença de uma organização criminosa que domina todos os caminhos dos crimes cometidos.
Evidentemente, os cigarros produzidos nas fábricas de Roberto Euletério ou na Tabacalera Boquerón, de propriedade de Oswaldo Dibb, só são contrabandeados devido à conivência de autoridades policiais e aduaneiras dos dois países. Prova disso é a ID 200306271446 que traz:
► TransBalan: transportadora de propriedade de José Donizeth Balan e Laércio José Balan, localizada em Eldorado – MS, ambos responsáveis pela grande remessa de cigarros paraguaios falsificados destinados ao mercado brasileiro. No decorrer das investigações, são freqüentemente citados como homens-chaves na transposição de produtos nas fronteiras de Guaíra/PR, Salto del Guaíra/Paraguai e Mundo Novo/MS, onde eles provavelmente mantêm fortes vínculos com os agentes públicos, pois jamais interromperam a entrada de cigarros no país.
► J.A.N. Assistência Técnica e Comércio Ltda.; Dinossauro Comércio Importadora e Exportadora Ltda e Shopping Inarai Comércio Importação e Exportação Ltda.: são empresas do grupo comandado por Lobão. Figuram 105 como proprietárias das linhas de telefonia móvel administradas pela NEXTEL/SP e utilizadas por todos os membros da quadrilha, em vínculo direto com o líder Lobão. Embora com diversos endereços, essas empresas têm seu controle operacional na Rua Barão de Duprat nº 315, 11º andar, conjunto 113, São Paulo – SP.
A CPI recomenda ao Poder Executivo que trace um plano de combate à Pirataria, concedendo mais verbas e atenção à Receita Federal, à Polícia Federal. E ao TRF da 3ª Região que dê prioridade às ações penais sobre o contrabando de cigarros, em especial contra Roberto Euletério da Silva (Lobão) e Júlio Oswaldo Dominguez Dibb, especialmente no caso do processo 2002.34.00.040639-3, pois a celeridade na punição é uma das armas de que dispõe o Estado no combate à pirataria.
Diante de tantos casos envolvendo empresas sediadas no Paraguai, a CPI da pirataria fará uma Indicação ao Ministério das Relações Exteriores no sentido de alertar as autoridades daquele país, quanto ao possível envolvimento de tais empresas com atividades ilegais junto ao comércio exterior.
A CPI sugerirá também ao Ministério da Educação que insira Direitos Autorais como cadeira obrigatória nos cursos jurídicos.
CPI do Tráfico de Armas
O link está aqui
CPI da Tráfego aéreo
Depois eu comento em um tópico posterior
O link está aqui.
CPI das Escutas Ilegais
Depois vou fazer a análise.
E aqui está o link.
CPI da Pirataria
Pensei muito a respeito e cheguei a conclusão que mais uma vez as informações não circulam.
Como em outros casos, a maioria das pessoas nunca chega a ver a termo o final de uma investigação e seus resultados. Agora vou começar a postar estes resultados para análise posterior.
Então para começar segue o relatória da CPI da Pirataria.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Um ponto sobre análise estatística
Claro que temos de ter os parâmetros de saída também.
Mas então quando escolhemos os parâmetros de entrada existe um problema intrínseco que precisa ser resolvido antes de fazer qualquer análise: a análise faz mais sentido se escolhermos variáveis independentes.
De modo simples podemos exemplificar com um caso de interesse particular: violência. Mais especificamente violência na forma de roubos. Como analisar isto?
Primeiro temos de ter a variável de saída: neste caso pode ser o número de roubos total ou o número de roubos per capita (ou por 100.000 pessoas).
E agora é a questão de definir as variáveis de entrada. Quais são?
Podemos pensar em: pobreza, desigualdade, desemprego, número de ex-presidiários, etc...
A questão é que pobreza, desigualdade e desemprego NÃO são variáveis independentes. Ou seja a priori fica difícil estimar o efeito separado de cada um destes fatores dado que eles estao relacionados.
Aí entra em cena a matriz covariância. O conhecimento desta permite que se desacoplem os efeitos individuais de cada um destes elementos. Desta forma é possível estimar de modo relativamente preciso o efeito de cada um destes elementos na variável de saída.
Este tipo de análise se baseia em muito na linearização de um função. A série de Taylor permite a representação de um sistema multi-variável sob condições específicas.
Essencialmente em primeira aproximação:
F(x,y,z) = F(0,0,0)+A1*x+B1*y+C1*z
Em uma segunda aproximação:
F(x,y,z) = F(0,0,0) + A1*x + B1*y + C1*z + A2*x^2 + B2*y^2 + C2*z^2 + D2*x*y + E2*x*z + F2*y*z
Se o sistema for relativamente bem comportado podemos até calcular os valores esperados dadas variações de certos parâmetros.
Para um problema como o número de roubos há dois passos para se tomar na direção de sua solução:
Passo 1: Identificar as variáveis de entrada mais significativas - são estas variáveis que irão ter mais efeito na solução do problema. Se a variável x tem um efeito de 50% no resultado e y tem um efeito de 5%, então x é variável a ser controlada.
Passo 2: Identificar as políticas que tem mais efeito nas variáveis a serem controladas. O que tem mais efeito na diminuição da variável x? Em outras palavras: x é composta de que outros elementos?
Este é o caminho racional para solução de problemas usando uma abordagem estatística
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Como generalizar a UT para diversos pontos?
O problema é que se temos n variáveis aleatórias, então teremos um número razoável de testes para fazer.
Usando a UT de primeira ordem temos 2^n
Usando a UT de segunda ordem temos 3^n
Mas o que acontece quando existe alguma correlação entre as variáveis? Neste caso, temos a chamada matriz de covariância que deve ser utilizada neste caso.
A minha idéia é utilizar a matriz de covariância para representar o relacionamento entre todos as variáveis aleatórias. Vamos dizer que temos 100 variáveis aleatórias. Isto resulta em uma matriz covariância 100 por 100.
O que penso é tentar reduzir esta matriz covariância a um número menor de variáveis. Penso em utilizar alguma espécie de redução de ordem para se chegar a isto. Se todas as variáveis forem independentes isto não é factível, mas se existir uma correlação alta entre as mais próximas então talvez seja factível reduzir a ordem do modelo.
Mas isto merece investigação adicional
terça-feira, 21 de julho de 2009
Acidentes de Trabalho
Atividades de rádio (código CNAE 601)
Incidência de acidentes de trabalho: 0.406%
Incidências de doenças ocupacionais: 0.0301%
Incidências de acidentes típicos: 0.127%
Incidência de incapacidade temporária: 0.393%
Taxa de Mortalidade*: Nada
Taxa de Letalidade: Nada
Acidentalidade na faixa de 16 a 34 anos: 34.35%
Atividades de televisão aberta (código CNAE 6021)
Incidência de acidentes de trabalho: 1.485%
Incidências de doenças ocupacionais: 0.076%
Incidências de acidentes típicos: 0.965%
Incidência de incapacidade temporária: 1.247%
Taxa de Mortalidade*: 0.01319%
Taxa de Letalidade: 0.888%
Acidentalidade na faixa de 16 a 34 anos: 40.67%
Atividades de televisão por assinatura (código CNAE 6022)
Incidência de acidentes de trabalho: 2.159%
Incidências de doenças ocupacionais: Nada
Incidências de acidentes típicos: 0.919%
Incidência de incapacidade temporária: 2.031%
Taxa de Mortalidade*: 0.04276%
Taxa de Letalidade: 1.98%
Acidentalidade na faixa de 16 a 34 anos: 70.30%
Atividades de Telecomunicações com Fio (código CNAE 6110)
Incidência de acidentes de trabalho: 1.392%
Incidências de doenças ocupacionais: 0.189%
Incidências de acidentes típicos: 0.633%
Incidência de incapacidade temporária: 1.273%
Taxa de Mortalidade*: 0.0111%
Taxa de Letalidade: 0.798%
Acidentalidade na faixa de 16 a 34 anos: 45.48%
Atividades de Telecomunicações sem Fio (código CNAE 6120)
Incidência de acidentes de trabalho: 1.026%
Incidências de doenças ocupacionais: 0.131%
Incidências de acidentes típicos: 0.323%
Incidência de incapacidade temporária: 1.00%
Taxa de Mortalidade*: 0.0033%
Taxa de Letalidade: 0.318%
Acidentalidade na faixa de 16 a 34 anos: 65.92%
Atividades de Telecomunicações por Satélite (código CNAE 6130)
Incidência de acidentes de trabalho: 0.623%
Incidências de doenças ocupacionais: 0.044%
Incidências de acidentes típicos: 0.311%
Incidência de incapacidade temporária: 0.578%
Taxa de Mortalidade*: Nada
Taxa de Letalidade: Nada
Acidentalidade na faixa de 16 a 34 anos: 65.92%
Brasil - geral
Incidência de acidentes de trabalho: 2.199%
Incidências de doenças ocupacionais: 0.07%
Incidências de acidentes típicos: 1.397%
Incidência de incapacidade temporária: 1.955%
Taxa de Mortalidade*: 0.00944%
Taxa de Letalidade: 0.429%
Acidentalidade na faixa de 16 a 34 anos: 54.94%
A taxa de letalidade é um bom indicador da gravidade do acidente (de cada X acidentes, Y são fatais) enquanto a taxa de mortalidade é uma medida da probabilidade de acidente fatal (X% da população naquela atividade).
Mas o interessante é verificar a questão de doenças do trabalho no Brasil:
Atividades de Rádio: 8 (2006) e 10 (2007)
Atividades de Televisão Aberta: 43 (2006) e 29 (2007)
Atividades de Televisão por Assinatura: 13 (2006) e Nada (2007)
Atividades de Telecomunicação com Fio: 97 (2006) e 51 (2007)
Atividades de Telecomunicações sem fio: 59 (2006) e 40 (2007)
Atividades de Telecomunicações por satélite: 1 (2006) e 1 (2007)
Então o que isto quer dizer? Aparentemente a incidência de doenças do trabalho é mais ou menos a mesma em atividades que envolvem transmissão com fio e sem fio.
Ainda mais sobre o paradoxo
Pelo que vi o valor esperado da utilidade e o desvio são essencialmente os mesmo DESDE que a pdf tenha média igual a 30 bolas e o skew seja zero.
Se este não for o caso temos que um resultado diferente. Pelo que vi, o skew negativo implica em um valor esperado menor do que 30 bolas. E um positivo implica em um valor esperado maior que 30 bolas.
Então o problema é o desconhecimento da função densidade de probabilidade e a suposição intrínseca que a mesma terá comportamento "ruim" para os resultados.
Acho que o problema é então supor que não é mais ou menos a mesma coisa, mas sim algo radicalmente diferente.
Isto é racional? Provavelmente...
Uma coisa interessante sobre o Paradoxo de Ellsberg
Vamos supor que a distribuição de bolas pretas seja uniforme entre 0 e 60 (média 30)
Os pontos da UT são: 6.75 bolas, 30 bolas e 53.25 bolas. As probabilidades associadas a estes pontos em 60 bolas são:
6.75 bolas - 0.11
30 bolas - 0.5
53.25 bolas - 0.89
Já em 90 bolas temos:
6.75 bolas - 0.08
30 bolas - 0.33
53.25 bolas - 0.59
Agora podemos calcular a utilidade esperada para os três casos
U1=0.92*0+0.08*1 - peso 0.278
U2=0.67*0+0.33*1 - peso 0.444
U3=0.41*0+0.59*1 - peso 0.278
Somando temos a utilidade esperada de 0.33 (igual a da aposta 1). Mas também podemos calcular o desvio da utilidade. Este no caso é 0.47
Já na Aposta 1 temos a utilidade
U=1/3*1+2/3*0 = 1/3
E o desvio de 0.47
Então apesar da Aposta 1 e Aposta 2 terem a mesma utilidade e o mesmo desvio.
Então o que será que leva as pessoas a preferirem a Aposta 2 ao invés da 1?
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Paradoxo de Ellsberg
Fiquei bastante interessado pois do ponto de vista de probabilidades há diversos conceitos interessantes no meio.
Essencialmente o paradoxo mostra que há situações aonde a escolha das pessoas viola a hipótese da utilidade esperada. Em termos simples ele descreve a seguinte situação:
Imagine uma urna com 30 bolas vermelhas e 60 bolas pretas ou amarelas. Não sabemos ao certo o número de bolas amarelas ou pretas, apenas que a soma das duas resulta em 60.
Então ele propõe quatro situações ao retirar uma bola de dentro da urna:
Aposta 1: Você recebe R$ 100,00 se a bola for vermelha
Aposta 2: Você recebe R$ 100,00 se a bola for preta
Aposta 3: Você recebe R$ 100,00 se a bola for vermelha ou amarela
Aposta 4: Você recebe R$ 100,00 se a bola for preta ou amarela
Então ele pergunta, na Aposta 1 versus Apostas 2 qual das duas você escolhe. Ok e na Aposta 3 versus Aposta 4 qual das duas você escolhe?
Se olharmos do ponto de vista lógico, a escolha da aposta 1 implica que o jogador acredita que há mais bolas vermelhas do que pretas. Por conseguinte, há mais bolas amarelas do que pretas. Logicamente, a Aposta 3 parece ser a escolha razoável (pois a chance de ser tirar uma bola preta é menor que a chance que se tirar bolas vermelhas ou amarelas, se o jogador acredita que há mais bolas vermelhas do que pretas).
Já se o jogador escolhe a Aposta 2, isto implica na crença que o número de bolas pretas é maior que o de vermelhas. Por conseguinte, a escolha lógica é a Aposta 4.
Portanto, seguindo a lógica quem escolhe a Aposta 1 deveria escolher a Aposta 3 e quem escolhe a Aposta 2 deveria escolher a Aposta 4.
Mas não é isto que acontece...
Vamos supor que a utilidade esperada de R$ 100,00 seja 1 e a de 0 seja 0. Estatisticamente o que acontece é o seguinte:
Aposta 1: probabilidade de sair vermelha = 1/3. Então:
U_Aposta 1= 1/3*1 +2/3*0 = 1/3
Aposta 2: probabilidade de sair preta é algo entre 0 e 2/3. Neste caso a utilidade esperada de R$ 100,00 pode ser:
U_Aposta 2 = 1/3*0+2/3*1 = 2/3 (caso só hajam bolas pretas)
U_Aposta 2 = 2/3*0+1/3*1 = 1/3 (caso hajam números iguais de bolas pretas e amarelas)
U_Aposta 2 = 1*0+0*1 = 0 (caso só hajam bolas amarelas)
Então a utilidade esperada vai depender de como acreditamos que as bolas amarelas e pretas estão distribuídas. Se forem igualmente distribuídas então as utilidades são iguais nas Apostas 1 e 2 (e a chance de perder é a mesma nos dois casos e igual a 2/3).
U_Aposta 3 = 1/3*1+0*1+2/3*0 = 1/3 (caso só hajam bolas pretas)
U_Aposta 3 = 1/3*1+1/3*1+1/3*0 = 2/3 (caso hajam números iguais de bolas pretas e amarelas)
U_Aposta 3 = 1/3*1+2/3*1+0*0 = 1 (caso só hajam bolas amarelas)
E por fim:
U_Aposta 4 =1/3*0+2/3*1 = 2/3
Vamos considerar as situações:
Escolho Aposta 1 e saí uma bola vermelha - ganho.
Escolho Aposta 1 e saí uma bola preta - perco.
Escolho Aposta 1 e saí uma bola amarela - perco.
Escolho Aposta 2 e saí uma bola vermelha - perco.
Escolho Aposta 2 e saí uma bola preta - ganho.
Escolho Aposta 2 e saí uma bola amarela - perco.
Escolho Aposta 3 e saí uma bola vermelha - ganho.
Escolho Aposta 3 e saí uma bola preta - perco.
Escolho Aposta 3 e saí uma bola amarela - ganho.
Escolho Aposta 4 e saí uma bola vermelha - perco.
Escolho Aposta 4 e saí uma bola preta - ganho.
Escolho Aposta 4 e saí uma bola amarela - ganho.
Olhando assim parece que todas probabilidades são bem definidas. Mas enquanto a probabilidade de sair preto ou amarelo é bem definida (2/3), a probabilidade de sair apenas amarelo é desconhecida. Por exemplo se não existirem bolas amarelas então:
Escolho Aposta 1 e saí uma bola vermelha - ganho.
Escolho Aposta 1 e saí uma bola preta - perco.
Escolho Aposta 1 e saí uma bola amarela - impossível.
Escolho Aposta 2 e saí uma bola vermelha - perco.
Escolho Aposta 2 e saí uma bola preta - ganho.
Escolho Aposta 2 e saí uma bola amarela - impossível.
Escolho Aposta 3 e saí uma bola vermelha - ganho.
Escolho Aposta 3 e saí uma bola preta - perco.
Escolho Aposta 3 e saí uma bola amarela - impossível.
Escolho Aposta 4 e saí uma bola vermelha - perco.
Escolho Aposta 4 e saí uma bola preta - ganho.
Escolho Aposta 4 e saí uma bola amarela - impossível.
Já se não existirem bolas pretas
Escolho Aposta 1 e saí uma bola vermelha - ganho.
Escolho Aposta 1 e saí uma bola preta - impossível.
Escolho Aposta 1 e saí uma bola amarela - perco.
Escolho Aposta 2 e saí uma bola vermelha - perco.
Escolho Aposta 2 e saí uma bola preta - impossível.
Escolho Aposta 2 e saí uma bola amarela - perco.
Escolho Aposta 3 e saí uma bola vermelha - ganho.
Escolho Aposta 3 e saí uma bola preta - impossível.
Escolho Aposta 3 e saí uma bola amarela - ganho.
Escolho Aposta 4 e saí uma bola vermelha - perco.
Escolho Aposta 4 e saí uma bola preta - impossível.
Escolho Aposta 4 e saí uma bola amarela - ganho.
O que parece acontecer é que em geral as pessoas parecem preferir situações aonde o risco é mais ou menos conhecido.
sábado, 18 de julho de 2009
Coleção TAG Crowd Finatec
terça-feira, 14 de julho de 2009
Quão provável é...
É muito pouco provável se é apenas uma entrevista. Mas existem alguns dados que podem explicar algumas probabilidades interessantes.
No Correio Brasiliense de hoje reporta-se que de janeiro até agora foram aplicadas 17 mil multas por falta de uso do cinto de segurança.
O que isto quer dizer em termos de probabilidade? Ou em outros termos qual é a probabilidade de você conhecer alguém que tenha recebido multa por não usar o cinto?
Bem, vamos arredondar os números e fazer algumas simplificações.
Se temos 20 mil multas em uma população de 1 milhão de veículos, a probabilidade que você encontre 1 veículo que recebeu multa (considerando que não há casos repetidos) é 0.02 ou 2%.
Agora temos de ver a probabilidade que você conheça alguém que já teve este tipo de multa. Se você conhece X pessoas com carro (donas do carro), temos que a probabilidade de você não conhecer NINGUÉM que levou este tipo de multa é:
X=1
(1-0.02) = 0.98
X=10
(1-0.02)^10 = 0.8171
X=20
(1-0.02)^20 = 0.6676
X=30
(1-0.02)^30 = 0.5455
X=40
(1-0.02)^40 = 0.4457
X=50
(1-0.02)^40 = 0.3642
X=60
(1-0.02)^60=0.2976
X=70
(1-0.02)^70=0.2431
X=80
(1-0.02)^80=0.1986
X=90
(1-0.02)^90=0.1623
X=100
(1-0.02)^100=0.1326
Fica claro que a medida que se conhece mais e mais pessoas a probabilidade de se conhecer alguém vai gradativamente aumentando - mas não de modo linear.
Mas mais interessantes ainda é quando se considera que a população não é homogênea. Vamos imaginar que dos 20 mil, cerca de 50% destas multas é de reincidentes. Isto quer dizer que na realidade teremos 6.7 mil serão reincidentes e 6.7 não. Aí a probabilidade de se conhecer caí para
0.0133 (ou 1.3%). Dái a probabilidade de se não conhecer alguém em X=10 passa a ser 0.2621.
Agora vamos considerar um caso extremo. A tem 1 multa A/2 tem duas multas, A/4 tem 3 multas, A/8 tem 4 multas, A/16 tem 5 multas e assim por diante, logo:
A+2*A/2+3*A/4+4*A/8+5*A/16+...
Em termos práticos temos:
A*(1+2/2+3/4+4/8+5/16+...) = soma de n/2^(n-1) = 4
Portanto A= 5 mil pessoas.
Neste caso a probabilidade para X=100 é 0.6058 e para X=50 é 0.7783
Claro que estes números irão depender do percentual de reincidentes. Mas o número total de motoristas multados é algo mesmo entre 5 mil e 20 mil.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
A questão da responsabilidade
E claro, o Marcelo é muito mais prolífico em termos de blogs do que eu. Mas o ponto que desejo fazer outro é outro.
Quando decidi fazer um blog, tive como exemplo o blog já de grande sucesso do Marcelo. E o mais importante: cada blogueiro de um modo ou de outro toma responsabilidade pelo que escreve. E claro que estamos todos sujeitos aos comentários dos leitores (bem no meu caso é um pouco diferente pois o que escrevo no blog é muito mais o que passa na minha mente do que algo mais direcionado - e portanto creio que os meus leitores são muito poucos - não que realmente me incomode).
Mas de fato assumimos responsabilidade sobre o que escrevemos por aqui. E mesmo podendo futuramente editar ou mesmo apagar alguma postagem, existe sempre a possibilidade de alguém imprimir ou guardar em disco o que foi escrito.
No entanto, existem muitas pessoas que só fazem comentários enquanto forem anônimos. Porque?
A resposta mais óbvia é o medo de perseguição. Mas e quando isto não existe, ou seja quando as pessoas que supostamente são anônimas estão em posição de perseguir e não serem perseguidas?
Neste caso, a coisa se complica. O interesse é poder atacar sem ser atacado ou identificado. E assim não existe compromisso com a verdade ou qualquer coisa que valha.
Então neste ponto ficamos com um problema: se os comentários anônimos podem ser mentirosos ou caluniosos pois os que escreveram acreditam que não podem ser identificados a eles, então como confiar no que escrevem?
Resposta: não dá para confiar.
Mas o mais interessante é o seguinte: quem disse que os comentários são realmente secretos? Quando uma pessoa posta muito eventualmente em um blog então fica difícil identificar traços da escrita. Mas quando uma pessoa posta repetidamente?
Ah, existe a possibilidade de identificação de padrões ortográficos. E aí a coisa complica...
Querem ver? Dêem uma passada neste site.
Vou usar isto neste texto do blog. Resultado?
sábado, 11 de julho de 2009
Terminei "O Capital"
Posso dizer que não foi fácil, pois havia momentos que o texto parecia propositalmente confuso.
Mas de qualquer modo foi muito esclarecedor.
Alguns dos pontos mais interessantes são a notável presença tímida de assuntos como: comunismo, materialismo científico, dialética e classes sociais.
Aliás posso sumarizar algumas coisas importantes para vocês:
1) As classes sociais descritas em "O Capital" são: trabalhadores, capitalistas e proprietários de terras.
2) O capitalismo é definido no livro por duas características: que toda mercadoria é capital (trabalho inclusive) e pela existência da mais valia (que parece forçada)
3) A frase:
"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado".
não está escrita em lugar algum de "O Capital".
4) O Estado é mencionado muito timidamente no livro, não ocupando realmente nenhum destaque importante (o que me surpreendeu).
Quando lembrar de mais eu vou adicionando
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Choque Elétrico
Eu explico.
Quando estudamos o choque elétrico, temos essencialmente a parte estática do problema em consideração. Essencialmente, temos um capacitor que armazena carga e devido ao surgimento de um caminho de corrente, este capacitor passa a descarregar. Temos então o choque.
Mas o problema tem mais sutilezas. Por exemplo, corpos isolados correspondem ao equivalente de um capacitor. E quando temos tensões e correntes variando no tempo surge uma corrente de deslocamento.
No caso a capacitância de um corpo humano está na faixa de 100 a 400 pF. A resistência está na faixa de 1000 a 3000 Ohms. Portanto a constante de tempo deste sistema é por volta de 1 a 12 microsegundos.
Se considerarmos 5 vezes a constante de tempo como o tempo de descarga temos algo entre 5 e 60 microsegundos.
Em 60 Hz, esta capacitância corresponde a uma impedância entre 7 e 28 Mega Ohms.
Esta capacitância está em série com uma resistência. Mas a que se conecta este circuito? Quando estamos em contato com algo podemos representar este contato por uma resistência (ou mesmo uma capacitância - quando estamos próximos).
E esta capacitância é que irá ditar essencialmente como é que as correntes irão se comportar. Imagino que uma pessoa com os pés no chão e a mão na parede possa ser considerada como um circuito fechado - mas ainda não está claro em minha mente se o circuito é fechado por resistores ou capacitores.
Em geral, um sistema com capacitores e resistores em série irá descarregar como:
V(t)=V0*exp(-t/RC)
Como a corrente no capacitor é:
i=C*dV/dt então a corrente será i =-V0/R*exp(-t/RC)
O que quer dizer que o valor inicial da corrente será tão elevado quanto menor for o valor da resistência. Então posso imaginar que o contato talvez apenas inclua capacitâncias em série. E só a resistência do corpo é que irá definir a corrente máxima que atravessa o corpo.
Mas como levar em conta o efeito por exemplo de pele molhada?
Neste caso é melhor colocar um resistor em paralelo com o capacitor. Este resistor será dependente da umidade. Baixa umidade e seu valor será altíssimo, aumenta a umidade e seu valor será baixo.
Observando a questão da resistência equivalente, este resistor controlado pela umidade estará em paralelo com o resistor do corpo. Assim em baixas umidades, o resistor do corpo domina o problema. Em alta umidade o outro resistor domina o problema.
Isto faz sentido...
sexta-feira, 3 de julho de 2009
O papel da gastança e da poupança
O sistema se baseia em produção e consumo. Mas ao mesmo tempo é necessário a existência da poupança para poder alavancar a produção.
O excesso de poupança pode desestimular o aumento da produção - essencialmente poupança é o acúmulo de meios de circulação para uso futuro. E dentro do sistema este acúmulo, se o poupador não guardar no colchão, é que irá permitir o surgimento de novas empresas e o crescimento destas e de outras.
Mas ao mesmo tempo este acúmulo significa que transações no mercado deixaram de ser realizadas e os meios de circulação em questão não serão usados para fomentar trocas (produtos por meios de circulação).
Assim temos que ao mesmo tempo que a poupança é desejável, a gastança também é desejável. O equilíbrio entre estes dois elementos me faz pensar se ambos não tem uma participação nas chamadas crises do sistema capitalista.
E estas crises são em última análise frutos de desacertos na precificação de bens e o valor que os mesmos realmente possuem.
Não podemos esquecer que o valor do produto só é determinado na ocasião da sua troca.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Argumentos e Contra argumentos
Mas meu post não é para defender ou acusar a Finatec. Longe disto...
O meu interesse é mostrar em alguns exemplos de manipulação ideológica.
Alguns exemplos:
"a reunião foi ocupada por uma questão preliminar levantada logo na primeira intervenção: poderiam os dirigentes e conselheiros da FINATEC que são também conselheiros do CAD tomar parte na deliberação sobre um assunto de seu interesse privado e direto?"
Este exemplo foi retirado de um e-mail para lista dos professores da UnB filiados a Adunb.
Bem, se são conselheiros regularmente apontados porque não? Existe alguma regra que previna isto? Se existir isto só vale para conselheiros da Finatec ou vale também para outros professores que futuramente se encontrem nesta situação? Aliás, se eles estão representando de acordo a comunidade então o voto deles será contrário ao que a comunidade deseja?
O que se usa nesta sentença é o que chamo de inversão: a pressuposição que os participantes em questão tomarão a posição que beneficia uma parte sem que esta posição seja legitimada pela comunidade. Em outras palavras: que a decisão será tomada em causa própria.
Bem, na realidade este tipo de manobra é bem antigo: elimine a oposição. No caso, não se trata de eliminar a oposição que impedirá o recredencimento. Mas apenas eliminar a oposição ao recredenciamento nos termos que a mesa diretora quer.
O triste é que se usa uma argumentação predominantemente preconceituosa sem levar em consideração as ramificações que esta ação pode resultar.
E aí é que a porca torce o rabo. Este precedente, baseado unicamente em uma decisão de caráter transitório, cria uma situação que não desaparecerá tão cedo.
Membros da universidade com assento em outros tipos de conselho poderão ser impedidos de participar das instâncias decisórias se a posição destes conselhos for polarizada de um modo ou de outro.
É uma caixinha de Pandora
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Baterias e Respostas
Em primeiro lugar, uma bateria terá sua resposta determinada pela carga que se conecta a ela. Se a resistência da carga for elevada - ou seja a carga demanda pouca corrente - então a bateria será capaz de fornecer tensão constante por mais tempo.
Em segundo lugar, para intervalos de tempo não muito longos a bateria pode ser modelada sem problemas pelo seu equivalente linear de Thevenin. Isto, naturalmente no periodo de descarga. O período de recarga pode demandar um modelo mais sofisticado.
A resistência interna do modelo de Thevenin é complicada de ser medida usando cargas pequenas. Então o modo mais simples é mesmo usando cargas elevadas:
V1=RL/(RL+Rs)*Vs = 1/(1+Rs/RL)*Vs
Se dobrarmos a carga teremos outro V que será:
V2= Vs/(1-Rs/(2*RL)))
Dividindo V2 por V1 temos: (1+Rs/RL)/(1+Rs/(2*RL)) logo,
Rs=2*RL*(V2/V1-1)/(2-V2/V1)
E isto resulta em uma cálculo razoável da resistência interna. Na medição devemos ter que V2 é muito próximo de V1 (certamente um pouco maior).
E se Rs for mesmo muito menor que RL (pelo menos 10 vezes menor), então podemos considerar que a tensão da bateria é mesmo a tensão de circuito aberto
terça-feira, 30 de junho de 2009
Mais da bateria

Funcionou perfeitamento o modelo da bateria. A curva de descarregamento é praticamente constante e caí a medida que se chega a um determinado patamar.
Este patamar é definido pela resistência da carga conectada a bateria. Claro que vale a pena verificar como será o comportamento do carregamento da bateria. Isto muda um pouco como será o funcionamento, mas
ainda ainda o modelo é interessante.Existem mais alguns pontos curiosos no problema. Por exemplo, estas equações foram obtidas considerando que a carga não se altera no tempo. No entanto, ao ligar e desligar chaves temos uma alteração do regime de operação do sistema. E é isto que diversos sistemas eletrônicos fazem exatamente quando conectados a uma bateria.
Ao estudar o carregamento, aparentemente a curva é o oposto da mostrada (5-V). Claro que o carregamento irá depender da tensão final, que é considerada como variável intrínseca ao sistema.
Modelagem de Bateria
No caso em engenharia elétrica usamos um modelo de Thevenin simplificado (sem efeitos de carregamento) baseado no conceito de resistência interna e de tensão de circuito aberto.
V=V0-R*i
No entanto, as próprias baterias tem um relacionamento mais complicado entre tensão e corrente. Mais adequado do que isto é modelar o descarregamento de uma bateria em função da tensão:
Q(V)
Deste modo podemos até encontrar um relacionamento entre tensão e corrente:
dQ/dt=dQ/dV*dV/dt - indicando um funcionamento do tipo capacitivo.
Um possível modo de relacionar isto é:
Q(V)=Q(0)+V*dQ/dV+V^2*d/dV(dQ/dV)+...
Mantendo somente a primeira ordem:
dQ/dV=Q(V)/V-Q(0)/V = Q(0)/V*(Q(V)/Q(0)-1)
Se considerarmos que:
Q(0)^2=Q(V)*V=Q - isto quer dizer energia constante, pois em um capacitor:
W=1/2*Q^2/C= 1/2* (C*V)*Q/C = 1/2*Q*V
Então nossa EDO se torna
dQ/dV=Q*(Q-1)
Que é uma equação logística, como já vimos em outros posts. Daí a solução normalizada pode ser algo do tipo:
Q=Q0/2*(1-tanh(V-V0))
Este tipo de equação descreve de modo aproximado a relação entre a carga e a tensão, mostrando também como se processa o descarregamento. Temos a carga inicial Q0 armazenada na bateria.
Ao ligarmos este elemento com esta relação a um resistor temos que a tensão no resistor é:
V=R*i = R*dQ/dt = R*Q0/2*(1-tanh(V-V0)^2)*dV/dt
Isto é uma equação diferencial. E sua solução explica como funcionará o descarregamento do elemento bateria.
Na realidade isto ainda é uma brincadeira, já que percebi que as curvas das baterias são muito parecidas com sigmóides.
Depois eu volto as baterias
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Ignorância é genética
Só neste departamento muitas pessoas falham.
Mas a falha é ainda mais trágica (ou cômica) quando misturada a ignorância vem junto a arrogância. Então eu trago uma série de afirmações arrogantes e, vistas a posteriori, claramente erradas.
"Um homem foi preso em Nova York por tentar extorquir dinheiro de ignorantes e supersticiosos ao exibir um aparelho que, diz ele, transmitirá a voz humana por qualquer distância por um fio metálico para que seja ouvido por uma outra pessoa. Ele chama o instrumento de telefone. Pessoas bem informadas sabem que é impossível transmitir a voz humana por fios".
Notícia em um jornal de Nova York, em 1868.
"Não há qualquer razão para que qualquer um queira um computador em suas casas".
Ken Olson, presidente e fundador da Digital Equipament Corporation, fabricante de grandes mainframes, argumentando contra o PC em 1977.
"Enquanto a televisão pode ser mais agradável teoricamente e tecnicamente, comercialmente e financeiramente é uma impossibilidade, um desenvolvimento que ficaremos gastando pouco tempo sonhando".
Lee DeForest, pioneiro norte-americano do rádio e inventor da válvula a tubo, em 1926.
"A caixa de música sem fio não tem futuro comercial imaginável. Quem pagaria por uma mensagem mandada para ninguém em particular?".
Sócios de David Sarnoff respondendo a um documento que pedia investimento no rádio, em 1921.
"O fonógrafo não tem nenhum valor comercial"
Thomas Edison, um dos principais inventores norte-americanos, em 1880.
“O cavalo está aqui para ficar, mas o automóvel é apenas uma novidade, uma moda“.
Presidente do banco de Michigan alertando o advogado de Henry Ford para não investir na montadora, em 1903.
E nem vou falar de economia...
domingo, 28 de junho de 2009
Um pouco mais sobre o transporte urbano
- Número de Passageiros por dia: 574 mil passageiros/dia
- Número de quilômetros por dia: 600 mil km/dia
- Número de viagens por dia: 16 mil viagens/dia
- Valor da tarifa: 1.9106 R$/km
Portanto:
- Distância média de uma viagem: 600 mil/16 mil = 37.5 km
- Passageiros por quilômetro: 574/600= 0.96 passageiros/km
- Tarifa por passageiro: 1.9106/0.96 = 1.99 R$/passageiro
Isto para valores de 2004. Mas deste total final, 38% é de despesas variáveis (combustível, peças, etc..), 53% é custos de pessoal, 5% é custos fixos (depreciação, instalações, etc...) e 4% é de impostos.
Da passagem final, o combustível é responsável por 29% do preço da tarifa (o que significa que um aumento de 100% no combustível deveria refletir no máximo como um aumento de 29% na tarifa). Já o pessoal de operação (motoristas e cobradores) respondem por quase 40% dos custos de pessoal (o que significa que substituir os cobradores por um sistema eletrônico de cobrança irá fazer a passagem custas 80% do custo anterior - ex: de R$ 2,00 para R$ 1,60 - e não metade).
Isto é interessante pois permite uma idéia do impacto de algumas variáveis econômicas na composição do preço.
Em primeiro lugar: o uso de sistemas de integração com o metrô pode fazer cair a distância média de uma viagem. Se esta cair a metade, então automaticamente o número de passageiros por quilometro irá dobrar. E por conseguinte, o preço da passagem cairá para metade. Quando isto será verdade?
Quando o número de passageiros transportados por dia no metrô se tornar uma fração significativa do número total de passageiros no transporte urbano.
Hoje o metro transporte cerca de 150 mil passageiros/dia mas a integração ainda não está totalmente implementada. São 20 trens operando de 6 horas até as 23:30 horas
Mas é claro que haja efeito nas tarifas, as linhas de longa distância tem de ser gradualmente substituídas, ou pelo menos sofrer a concorrência, pelo metro. E tem de existir integração entre o metro e as linhas de ônibus na forma de um bilhete único.
Então na realidade as soluções estão aí, a questão é como implementá-las
sábado, 27 de junho de 2009
Mais sobre o passe livre
Alguns tipos de solução parecem uma boa idéia até que se verifique a dinâmica do sistema. Uma destas foi a meia entrada em entretenimento e transporte.
Se o governo decide algo assim e o setor de serviços fica com a conta, então é óbvio que eles irão repassar a conta para os usuários.
No entanto, se o governo decide algo assim e fica com a conta, então:
a) Terão de repassar dinheiro para os empresários
b) Terão de usar mais dinheiro de impostos para cobrir o repasse
Não há muito como escapar destes dois cenários, que são os casos extremos. Um solução em um caso assim é dividir os custos - ou seja nem só o governo cuida do problema e nem só os empresários cuidam do problema.
No fundo tudo depende dos valores envolvidos e aí os dados são conflitantes.
Em 2005 tivemos cerca de 141 milhões passageiros em transporte urbano. Em 2006 este número subiu para 189 milhões. Estes dados estão disponíveis aqui. Isto dividindo por 12 dá algo em torno de 15 milhões de passageiros/mês.
Por este prisma, supondo preço médio de R$ 3,00 então teremos 45 milhões/mês
No entanto, em outro documento o número de passageiros é algo próximo a 580 mil/dia. E o total de ônibus é de cerca de 2400. Isto dá 225 passageiros/(ônibus dia) e 17.4 milhões de passageiros/mês.
Por este prisma, supondo preço médio de R$ 3,00 então teremos 52.74 milhões/mês
Qual está correto? Bem como temos cerca de 2400 ônibus e considerando média de ocupação 80% e os diferentes tamanhos (60, 80 e 160) eu chutaria que se cada ônibus fizer 4 viagens por dia teremos algo como 576 mil passageiros/dia. E isto dá 17.28 milhões de passageiros/mês.
Então o mais razoável é supor que o faturamento com passagens é entre R$ 45 milhões e R$ 53 milhões.
No documento anterior, o número estimado de estudantes é de 85 mil em 2004. Supondo 3 viagens por dia para cada um teríamos que a contribuição diária deles é de R$ 765 mil por dia ou R$ 23 milhões por mês (aproximadamente). Isto quer dizer que de 43% a 53% do faturamento mensal das empresas de ônibus.
Pelas minhas contas é ainda mais complicado, pois o número de estudantes é maior do que 85 mil. Eu acredito que este número é apenas o número dos que compram passes de estudante. Pelos dados que obtive no post anterior, o número pode ser de 3 a 5 vezes maior do que o colocado anteriormente.
Imagino ainda que nem todos os alunos necessitam de transporte público.
Se isto se provar real, teremos um aumento grande na quantidade de passageiros (pode chegar a dobrar) e um faturamento de 47% a 57% do valor anterior. O preço equivalente da passagem terá de subir de 75% a 112% - ou alternativamente o governo paga diretamente de 43 a 53% do faturamento mensal das empresas.
Complicado
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Coisas diferentes
Acredito que é porque como no momento estou imerso na leitura de "O Capital", então fica um pouco difícil focar na engenharia quando estou aprendendo algo ligado a economia.
Mas resolvi que ocasionalmente foi postar algo ligado a área de engenharia elétrica ou afins.
Este tópico é só mesmo para incluir a parte de engenharia elétrica na lista de marcadores
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Benefícios ou não?
Este é um daqueles casos que parece ser notícia boa. Mas será que é mesmo? Bem, pelo site 1.3 milhões de estudantes já usufruem do passe estudantil. Isto em maio.
Aí temos duas possibilidades: que são no total 1.3 milhões de estudantes em Brasília ou que 1.3 milhões de passes estudantis foram utilizados em maio.
Se for o segundo caso, assumindo algo como 2.5 passes por dia em 20 dias temos 50 passes por estudante, o que dá um número total de estudantes utilizando passe de cerca de 26 mil em Brasília. O número de estudantes em ensino superior em 2002 foi de 96 mil. Assumindo mais ou menos a mesma coisa nos níveis remanescentes temos 288 mil.
Verificando o resultado do censo de 2004 temos um total de 299 mil matriculados no ensino fundamental e médio (2004). Assumindo cerca de 100 mil no ensino superior temos algo como 400 mil.
Então vamos ver:
Caso 1: 300 mil estudantes correspondem a 15 milhões de passes por mês.
Caso 2: 400 mil estudantes correspondem a 20 milhões de passes por mês.
Isto certamente é maior do que 3 milhões de reais (a não ser que o preço da passagem atual seja extremamente supervalorizado). O que pode acontecer?
a) Se o governo mantiver a política de passes livres, suspeito que facilmente sejam necessários de R$ 240 milhões a R$ 360 milhões anuais para manter a política.
b) O governo repassa parte dos custos para as empresas e as empresas repassam para os usuários. Chutando que os estudantes correspondem de 1/6 a 1/4 da renda total, isto corresponde a um aumento de 17 a 25% no preço das passagens (sem contar com efeitos secundários).
Humm, isto talvez signifique que a coisa não vai ser tão boa para o restante da população
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Conspirações x Dinâmica
Na realidade, existem e existiram realmente conspirações (algumas bem documentadas)
Mas o problema é que ao atribuir-se noções de onisciência e onipotência a conspiração, transforma-se uma teoria que poderia ou não ser refutada em algo que tem raízes quase reilgiososas.
Então como separar o joio do trigo? Temos algumas regras básicas:
- As conspirações são planejadas e executadas por pessoas. E pessoas são muito ruins em planejamento e execução. Então qualquer coisa que dure muito tempo no nível conspiratório certamente irá deixar de ser segredo em algum momento.
- As pessoas são muito ruins para guardar segredos. Então quanto mais pessoas precisarem se envolver na guarda de segredos, menos provável é que o segredo se mantenha por muito tempo.
- Sistemas muito complexos tendem a pifar em alguma hora. O mesmo é verdade para sistemas simples, mas os sistemas complexos tem muito mais elementos que podem "dar errado". Então frequentemente a probabilidade de sucesso trabalha contra sistemas complexos.
- É extremamente difícil manter uma conspiração ativa por várias gerações. O potencial para que algo dê errado vai aumentando a medida que se vai perdendo noção dos objetivos e da importância originais.
Claro que muito destes elementos podem ser mantidos sob controle com algum esforço. Pode-se usar o famoso "need to know basis" (tambem conhecido como compartimentalização) para evitar que partes significativas do segredo possam ser conhecidas. Também existe a técnica do "plausible deniability".
Claro que todas estas soluções trazem problemas associados. Um dos grandes problemas da compartimentalização é que frente a novas situações, não há ninguém com conhecimento suficiente para ter todos os fatos para enfrentar o novo desafio. E o problema com a negação plausível é que na realidade apenas amortece o choque atual, tornando-se mais fraca a medida que novos choques vão se sucedendo.
Mas apesar das conspirações que são reais, minha visão é que muito do que acontece vem da dinâmica do sistema. Na realidade, uma conspiração bem sucedida se aproveita da dinâmica do sistema para atingir seus fins - e é um erro pensar ao contrário (que está controlando a dinâmica do sistema).
E na verdade, a ocorrência de eventos singulares tem o potencial de alterar o ponto de equilíbrio (ou pelo menos de funcionamento) de um sistema muito complexo. E claro que uma coleção de eventos singulares tem potencial ainda maior.
O pepino é que quando isto acontece, é muito difícil prever qual será o novo ponto de operação e mesmo como se chegará nele.
Depois eu volto a este tópico
terça-feira, 23 de junho de 2009
Mitologia às avessas
Não estou falando de fazer uma refeição e tomar banho em seguida, mas de tópicos que as pessoas falam sem saber que o significado é exatamente o oposto do que queriam.
Um exemplo é Cassandra da mitologia grega.
Cassandra era uma profetisa (profetiza?) cuja maldição era que ninguém acreditaria nas suas previsões. O engraçado é que todas estavam absolutamente corretas.
Por exemplo, temos Emir Sader, Ancelmo Góes, Wober Júnior, Paulo Bernardo, e mesmo FHC.
Eu até entendo que a intenção é denunciar e ridicularizar predições catastróficas e absolutamente absurdas.
Mas o que torna tudo muito humorístico é o seguinte: as previsões de Cassandra eram "tiro certo". Portanto ao chamar alguém que preve algo de Cassandra, o que transparece é justamente o efeito oposto que se desejava.
Claro que para alguém que sabe quem foi Cassandra e seu papel na mitologia, a erudição dos tolos fica muito muito cômica.
Outro grande erro é mencionar a estratégia do Cavalo de Tróia como parte da Ilíada.
Isto também é uma tolice, pois o poema termina antes deste ponto. O poema termina com Príamo indo buscar o corpo de Heitor que estava com Aquiles. Mas não precisa acreditar em mim, pode ver por contra própria.
O cavalo veio depois (na Odisséia). E então temos vários exemplos, sendo um deles a própria Veja:
Segundo Homero, os gregos só conseguiram ultrapassar essa blindagem escondidos dentro de um enorme cavalo de madeira. Até hoje os cientistas não conseguiram comprovar a existência do famoso "presente de grego". Apesar disso, para relembrar essa cena marcante da Ilíada, os expositores de Stuttgart construíram uma réplica do Cavalo de Tróia. Os visitantes podem até circular dentro da peça oca – tal qual os gregos teriam feito para iludir os troianos.
Mas não são os únicos:
- Resumo da Ilíada pela editora Ática:
| A Ilíada e A Odisséia |
| Marcia Williams |
| A epopéia do povo grego narrada com a ludicidade da linguagem dos quadrinhos torna acessível ao jovem leitor a obra-prima do poeta Homero. A Ilíada conta a história da guerra entre gregos e troianos: o amor entre Helena e Páris, o combate mortal entre Aquiles e Heitor, o cavalo de Tróia, etc. |
REUNI: o cavalo de Tróia do MEC
Michelangelo Giotto Santoro Trigueiro
Episódio bem conhecido na literatura, em famosa passagem da Ilíada de Homero, a conquista de Tróia, sitiada pelos gregos, culminou com a vitória destes, após um hábil estratagema. Um grande cavalo de madeira, colocado às portas de Tróia, abrigava muitos soldados gregos em seu interior, escondidos de seus inimigos. Inicialmente visto como uma oferta, como sinal de rendição dos seus adversários, fora introduzido na cidade, pelas próprias mãos dos troianos. À noite, o “presente” ganha vida; os soldados escondidos abrem os portões e permitem, assim, a completa invasão de Tróia, que sucumbe ante o poderio dos exércitos inimigos. Nada mais a fazer; a rendição tornara-se inevitável.
Mas não são os únicos... Claro que em tempo de wikipedia fica mais difícil cair na armadilha, mas ainda assim há quem caia.Este tipo de erro só mostra que o texto original não foi lido, ou que o contexto não foi entendido.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Como diminuir os números da Violência
Vamos dizer que a taxa de homicídios th, seja causada por diversos fatores:
- álcool (a)
- drogas (d)
- desemprego (u)
- outras coisas mais (o)
Então podemos expressar por uma função:
th(a,d,u,o)
A partir daí podemos linearizar esta função em um ponto:
th=t11*a+t12*d+t13*u+t14*o
Claro que podemos pegar mais termos, mas apesar disto tornar a expressão mais próxima de uma relação real, também complica significativamente a análise.
Nesta análise aparentemente algo de 15 a 66% dos casos de homicídios e agressões parecem estar ligados ao álcool. No DF, a relação é de 5% para álcool e 14% para drogas.
Já para tentativa de homicídio, a relação no DF é de 10% para álcool e 5% para drogas.
O desemprego (na realidade a variação no número de desempregados) parece ter uma relação bastante alta. Os pesquisadores deste fenômeno consideram que a ociosidade seria a grande responsável (aumenta o desemprego -> aumenta ociosidade). É difícil quantificar pois provavelmente a ociosidade também se relaciona de algum modo com álcool e drogas. Mas vamos colocar o número em torno de 50%
Então nosso modelo simplificado, tratando de taxas fica algo como:
th=0.05*a+0.14*d+0.5*u+0.31*o
Então para diminuição do número de homicídios, podemos esperar que atuação forte contra drogas e desemprego tenha boa eficácia contra o problema do homicídio.
Existem no entanto diversos fatores que complicam um pouco a análise: o efeito da ociosidade é claramente maior na população jovem. Em toda probabilidade, um dos efeitos da ociosidade é provavelmente maior consumo de álcool e drogas.
A verdade é que este modelo simples está longe de fornecer os dados esperados, mas se há algum consolo é as divergências parecem se resumir a um número de variáveis.