sábado, 12 de dezembro de 2009

Quantas pessoas tem aí?


Uma área muito interessante e até importante é a estimação do tamanho de uma multidão.

O tamanho real de um grupo de pessoas é frequentemente utilizado como instrumento político e por vezes como de pressão. Para tanto vamos utilizar a matemática em conjunto com a incerteza para determinarmos o tamanho de diversos casos de multidão.

A idéia é simples: determina-se a área que uma pessoa ocupa e com isto podemos estimar, dada uma incerteza nesta área, quantas pessoas ocupam um determinado local. Mais a frente podemos fazer mais brincadeiras

Bem, a idéia é considerar a área de uma folha de jornal. Uma pessoa em posição de sentido ocupa aproximadamente uma área de 1 página. Uma pessoa em posição mais relaxada ocupa aproximadamente 2 páginas.

Um jornal de tamanho standard tem o tamanho aproximado de 60 cm por 38 cm. Isto resulta em uma área de 0.228 metros quadrados. Como uma pessoa em posição relaxada ocupará duas páginas então teremos que a área será 2 vezes maior ou seja 0.456 metros quadrados.

Dificilmente teremos uma multidão de pessoas amontoadas em posição de sentido, então vamos aproximar a área de 1 pessoa por 0.5 metros quadrados. A vantagem disto é que basta multiplicar a área em questão por 2 e teremos o número de pessoas.

Uma área de 100 metros quadrados (10 por 10) poderia ser ocupada por algo próximo a 200 pessoas. Se isto parece muito é porque é realmente é. No caso de 1 quilometro quadrado teríamos 2 milhões de pessoas.

A verdade é que entre as pessoas sempre vai existir um espaço, portanto temos que levar em conta este espaço. Mas como fazer isto?

Uma primeira aproximação é pensar que haveria pelo menos uma separação equivalente entre as pessoas. Graficamente é algo assim:

xxx
xPx
xxx

Isto significa que aonde caberiam 9 pessoas, teremos apenas 1.

Voltando ao 0.228 metros quadrados por pessoa isto se transforma em 2.052. E no caso dos 0.456 metros quadrados isto se transforma em 4.152.

Podemos aproximar estes números para 2 e para 4. Então teríamos no espaço de 100 metros algo entre 50 e 25 pessoas, e no espaço de 1 quilometro quadrado algo entre 500 mil e 250 mil pessoas. 

Isto já passa a ser mais próximo da realidade. Então vamos ao que interessa:

Quantas pessoas podem caber nos jardins do congresso nacional?

Bem, as dimensões dos jardins são de 250 por 195 metros, O que dá algo entre 24250 e 12125 (entre 12 mil e 24 mil pessoas).

Quantas pessoas podem caber na praça dos três poderes?

As dimensões são 126 por 211 metros. O que dá algo em torno de 6646 e 13293 (entre 6.6 mil e 13.3 mil pessoas).

Vamos agora a ocupação de pistas, que foi o caso recente de Brasília. Quantos manifestantes cabem em uma das nossas avenidas?

O eixo monumental tem 21 metros de largura somando todas as faixas (são 6 no total). Vamos colocar 24 metros pois isto simplifica os cálculos e introduz um erro de cerca de 15%.

Bem então uma manifestação ocupando todas as 6 pistas terá 6 a 12 vezes o número de pessoas multiplicado pelo comprimento da manifestação em metros. Assim uma manisfestação com 1 quilometro de extensão tem cerca de 6 mil a 12 mil pessoas. Uma com 100 metros tem de 600 a 1200 pessoas.

Já se não forem todas as faixas ocupadas teremos um número que será numero de pistas/6 multiplicado por 6 a 12 vezes o comprimento da manifestação.

O que isto quer dizer? Se apenas 2 pistas fossem utilizadas uma manfestação com 100 metros tem de 200 a 400 pessoas.

10 metros teríamos entre 20 e 40 pessoas.

Então a regra? Pegue a área do local em questão e divida por 2 e terá o limite superior no número de pessoas.

Isto funciona? Bem, vou testar em alguns exemplos nos próximos posts?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Crise do GDF perto do fim?

Informações do Blog do Noblat indicam que Arruda se desfiliou do DEM.

Arruda desfilia-se do DEM

O governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal, acaba de se desfiliar do DEM. Fará um pronunciamento mais tarde a respeito de sua decisão.

O Tribunal Superior Eleitoral fica dispensado, assim, de examinar o mandado impetrado por ele, ontem, que alega não ter tido prazo para se defender diante da Executiva do seu partido da acusação de que comandou uma organização criminosa resonsáve pelo desvio de milhões de reais dos cofres públicos.

Com o mandado, Arruda queria a suspensão da reunião da Executiva do DEM marcada para amanhã, e que iria expulsá-lo do partido.

Arruda deve ter tido informações de que o mandado impetrado por ele seria negado.

Ao se antecipar à decisão do tribunal, ele torna dispensável a reunião da Executiva.

Ao ficar sem partido, ele não poderá ser candidato a nada no próximo ano. Pretendia disputar a reeleição.

Doravante, deve se dedicar a enterrar na Câmara Legislativa três pedidos de impeachment que ali foram admitidos. Arruda tem maioria folgada de votos entre os 24 deputados distritais para continuar no cargo.

Com isto, existe uma real possibilidade de muita da pressão política que ele sofre minguar. Existem outros interesses, mas os majoritários tendem a querer que as coisas fiquem tranquilas. Pelo menos até o próximo governo.

Na minha análise as mobilizações populares mostraram apenas duas coisas:

1) que pelo menos parte da população do DF não é conivente com a corrupção
2) as mobilizações deram subsídio para outros setores com mais poder cercar o governo

No entanto, o delírio é parte natural de muitos participantes de mobilizações populares. Então podem se preparar para análises rocambolescas.

Façam o que que faço: comprem pipoca antes

Manifestantes Profissionais - 3

Olhem só, não é somente no Brasil.

Do site do observatório da imprensa:

ALEMANHA
Empresa aluga de manifestantes

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 23/1/2007

Vai um manifestante aí? Um sítio alemão teve a curiosa idéia de alugar manifestantes para participar de protestos públicos. Pela modesta quantia de US$ 188 por dia, uma organização pode desfrutar de manifestantes de boa aparência para ajudar a passar sua mensagem política para o público.

Erento.com (não existe mais) é o nome da página que oferece o serviço. "O que a geração de 1968 fazia por paixão, as pessoas agora fazem por dinheiro", afirma David Gordon Smith em artigo no Der Spiegel [18/1/07]. A Erento é uma companhia de Berlim que faz a ligação entre prestadores de serviços ou proprietários a possíveis clientes e compradores.

O sítio pode ser considerado no mínimo excêntrico. O aluguel de manifestantes é encontrado junto a esquis, computadores, aviões particulares e carruagens para casamentos. Pelos perfis apresentados, a maioria das 300 pessoas listadas como manifestantes é jovem e atraente. Há opções de homens "atléticos" e mulheres de olhos verdes e "cabelos bem compridos". A partir das informações pessoais, pode-se escolher candidatos pelo tom da pele, classificados como "europeus", "africanos", "sul-americanos" ou "asiáticos".

E eu achando que era coisa daqui...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Manifestantes Profissionais - 2

Deu no Conjur:

Sindicatos compram manifestantes em Brasília

Diskgent - motoboy - maior - SpaccaSindicalistas de Brasília inventaram um método prático, econômico e seguro de fazer protestos e promover manifestações sem precisar deslocar manifestantes do resto do país ou de convencer ninguém sobre a causa a ser defendida. Para isso, criaram o manifestante profissional. Com R$ 40 por cabeça, é possível reunir até duas mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, para defender ou atacar qualquer coisa, tomar partido contra ou favor de qualquer um.

Uma das maiores especialistas no novo método de manifestação sob encomenda é a Nova Central Sindical. Por R$ 80 mil, a nova entidade conseguiu, em duas oportunidades, mobilizar pessoas por algumas horas em defesa de “suas causas”. Tudo pago com notas de R$ 20. Encomendas de manifestantes podem ser feitas com tranquilidade e sem qualquer relutância pelo telefone, por qualquer pessoa. Além dos manifestantes, a organização fornece todo o know-how da manifestação....

O que eu penso disto?

Francamente não sei ainda o que pensar exatamente. Porque? Porque a questão do pagamento de manifestantes não é tão simples quanto parece. Isto porque já ocorre com membros participantes de algumas agremiações.

A diferença é que em geral, este pagamento é reservado a diretorias e núcleos. Mas ele existe...

Então o que temos são pessoas que recebem para participar de algo que podem ou não acreditar, sob a forma de manifestação de pressão. Isto é errado?

Hummmm.... Tem certeza?

E o pedido contra Paulo Octávio é negado

Deu no blog da Paola:

Negado pedido de impeachment de PO

Câmara Legislativa, GDF em 09/12/2009 às 19:36

Deu no Congresso em Foco: A Procuradoria da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) negou, no início da tarde desta quarta-feira (9), o pedido de impeachment contra o vice-governador do DF, Paulo Octávio (DEM). No entendimento do órgão, Paulo Octávio, por não estar no exercício do comando do poder Executivo, não tem as mesmas responsabilidades que o governador José Roberto Arruda (DEM). A decisão seguiu o padrão já anunciado anteriormente pela Procuradoria, que negou os outros requerimentos que incluíam o vice-governador.

O pedido de impeachment do vice-governador foi protocolado pela seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) na última segunda-feira (7). Para a OAB-DF, a Constituição Federal prevê os princípios da simetria e da responsabilidade. Por isso, entendem os conselheiros da Ordem, Paulo Octávio também deveria responder a processo por crime de responsabilidade.

Até o momento, a OAB-DF não foi comunicada oficialmente da decisão da Procuradoria. Na segunda-feira, a presidente da seccional, Estefânia Viveiros, já tinha antecipado que, se a Procuradoria negasse o pedido, entraria com uma ação no Tribunal de Justiça do DF (TJDF) para reverter o parecer negativo. Em um dos vídeos anexados na Operação Caixa de Pandora, um dos diretores do grupo Paulo Octávio aparece conversando com o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, pivô das denúncias de pagamento de mesada a parlamentares distritais e aliados.

Na realidade, isto não era completamente inesperado. Enquanto as acusações contra Arruda tem evidências bastante contundentes, as contra Paulo Octávio são no máximo circunstanciais. Ele não foi gravado ou filmado, e todas as "atividades" que sao mencionadas como ligadas ao seu nome só são ditas por terceiros.

No entanto, a raiva e o oportunismo estão em alta e o bom senso tirou férias por um bom tempo.

Seria tudo muito bom e muito legal se o preço a pagar por este tipo de ação não fosse tão caro.

Mas é como as coisas são

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Sem governo some a corrupção?


Nem tanto. Na realidade temos em quase todos os locais e formas.

Um presentinho aqui, outro acolá. Um passeio, uma festa, um convite...

Podem ser chamadas de estratégias de negócio ou formas de networking. Mas por vezes são apenas tentativas para "adoçar" uma opinião.

Vide o exemplo no início do texto

Manifestantes profissionais - Parte 1

Encontrei um vídeo na Globo que tem mais informações. Mas ainda vou procurar mais a respeito

Manifestantes Pró-Arruda

Juro que por esta eu não esperava.

No entanto temos de ficar surpreso com duas coisas: a primeira é que existam pessoas que tenham a cara dura de fazer isto (depõe seriamente contra elas).

A segunda é que realmente esta é uma estratégia que não tinha me ocorrido. Provavelmente porque achava que não haveriam pessoas dispostas a isto.

O que leva a questão da vida de manifestantes profissionais.

Esta aí um tópico que merece ser investigado. Acredito que voltarei a isto depois

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ao vivo da ocupação da CLDF


Watch live video from foraarruda on Justin.tv

E a ocupação do CLDF?

Isto é um espinho enorme nas costas de diversas pessoas.

Para quem não sabe CLDF é a Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Porque espinho? Ah, quando temos ocupações feitas por pessoas sem relação de parentesco com outros que podem causar um grande barulho, então as mesmas podem ser mais ou menos encerradas de modo relativamente quieto.

Mas no caso aonde os participantes são jovens filhos de membros de destaque da sociedade de Brasília, a coisa muda de figura.

O problema é o seguinte: a Juíza deu 24 horas para desocupação. A participação dela termina aqui. ou seja tudo que vier depois será de responsabilidade de quem executa a ordem.

E aí vem um pepino: a PM sabe muito bem o espinho que é isto. Se algum dos ocupantes se ferir, as chances são de uma dor de cabeça com possíveis ramificações na cúpula da corporação. Então se algo der errado, o que não é improvável, então o oficial responsável pode virar bode expiatório.

Mas nem de longe é o único: existe a possibilidade que o próprio plenário seja alvo de depredação caso algo dê muito errado. E aí, o responsável pela Câmara - no caso o Cabo Patrício - fique como bode expiatório para os membros do legislativo (e algo que ele não precisa é ser visto como alguém sem autoridade).

Então talvez seja por isto que o reitor da UnB apareceu para intermediar as negociações com a Casa. A presença dele poderia ter um efeito sobre os alunos em ocupação.

Bem, poderia... Mas infelizmente este efeito é mais imaginário do que real.

Então temos um impasse com ramificações complicadas. Ao mesmo tempo que a ocupação acaba involuntariamente beneficiando aos acusados, os demais interessados (mesmo entre os organizadores da ocupação) estão muito satisfeitos com o estado das coisas.

Só se lasca quem tirou o palito mais curto e tem de resolver a situação...

E no caso do GDF?

Eu mantenho minha posição.

Acredito que ninguém possa realmente crer que pessoas pegando maços de notas de dinheiro estão fazendo aquilo de modo 100% correto.

Ainda mais quando escondem em meias, cuecas, sacolas ou trancam as portas antes do dinheiro aparecer.

No entanto, minha preocupação é com os que são apenas citados (e não filmados).

Não acredito ser justo colocar as pessoas que foram citadas apenas - mesmo dentro de conversas comprometedoras - no mesmo pacote com as que foram filmadas fazendo algo no mínimo duvidoso.

Existem muitas razões para alguém citar um superior em uma situação como esta. Uma delas é simplesmente para "indicar" que está ali apenas agindo sob ordens.

E daí? Bem, isto pode ser verdade ou não. E o fato é que a menos que existam outras evidências corroborando com o que o "filmado" diz, então não se pode a priori ter certeza que ele está a mando de alguém ou agindo de conta própria.

A coisa muda um pouco de figura quando o filmado traz dinheiro. Aí, há um indício que existe uma fonte para tal. Mas aparentemente, neste caso isto não é tão claro assim.

Então, para evitar que se cometam erros, temos que colocar de lado nossos preconceitos e pré-julgamentos até que se tenham informações suficientes.

Apenas no caso das pessoas que foram citadas...

Isto é o que o bom senso recomenda

A problemática relação entre a polícia e a imprensa

Nas ondas geradas pelo escândalo do GDF passei a pensar sobre as ligações entre a polícia e a imprensa;

Sim, porque a divulgação dos vídeos não é o que chamamos de jornalismo investigativo.

Jornalismo investigativo tornou-se famoso com o escândalo do Watergate. Neste casos os repórteres foram o instrumento na construção do caso contra Nixon.

E em cima dos efeitos das reportagens é que tivemos a eventual renúncia de Nixon.

Não é este o caso agora

O que temos são membros da polícia (e talvez do MP) que "gentilmente cederam" os vídeos para a imprensa.

Pela bondade do coração deles?

Evidente que não...

O propósito é criar uma situação que evite tentativas de "arranjos políticos" para minimizar a divulgação dos casos. Em suma, com a divulgação pública se espera que isto evite que os casos sejam "esquecidos em uma gaveta".

O conceito é interessante. Algo como "fogo contra fogo".

Bem, a questão é que fogo queima, seja amigo ou inimigo.

Esta tudo muito bem quando se tem certeza absoluta que a pessoa em questão cometeu o crime em questão, certo?

Errado!

Para entender porque vamos primeiro ao caso em que se tem certeza absoluta que a pessoa em questão NÃO cometeu o crime.

O que a divulgação de material do caso pode fazer?

Bem, para começar ela pode ser condenada pela opinião pública que ouve somente o lado mais forte falando.

Ora, mas quem não deve não teme, certo?

Ehhhh, não. Qualquer um pode ser acusado de um crime que não cometeu. Supondo que a justiça funcione de modo mais ou menos isento, certamente esta pessoa será considerada inocente (na realidade não culpada) das acusações

Eventualmente... Que podem ser vários meses ou até mesmo vários anos.

Bem, mesmo que seja considerada inocente no curso de alguns dias pergunto: qual veículo de comunicação dá um espaço para absolvição do mesmo tamanho que do ataque?

Resposta? Nenhum...

Então acusar uma pessoa inocente não é algo de consequências facilmente reversíveis.

Agora vamos para o outro caso: Está tudo muito bem quando se tem certeza absoluta que a pessoa em questão cometeu o crime em questão, certo?

Errado! Porque agora? Por causa do "certeza absoluta". Uma coisa a respeito destas duas palavras é que se tem de saber todas as informações a respeito de algo. Não apenas o que um dos lados diz.

Tem-se de ter várias fases de perguntas e respostas até se estar razoavelmente satisfeita dúvida de existir ou não culpa.

Então a relação entre a polícia e a imprensa deve ser controlada? Nem tanto, mas os leitores tem de saber de modo claro que quando a polícia "vaza" uma informação existe uma probabilidade que isto seja intencional - com uma finalidade que pode não ser tão bonita assim.

Qual a forma de regular isto? Bem, acredito que a divulgação com intenção de difamar ou de escarnecer uma pessoa sob investigação só deveria ser punida no caso em que verifique-se que a inocência da pessoa.

Neste caso, a punição tem de ser exemplar para o agente policial ou do poder judiciário que fez isto. Demissão e divulgação pública do abuso de poder.

Assim se "protegem" os possíveis inocentes do abuso - com a penalização forte dos abusos ocorridos.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Entretenimento e Doutrinação

Ao ver alguns documentários na televisão, passei a ficar especialmente atento ao que dizem. A questão não é nem tanto o interesse, mas o fato que a televisão tem uma tendência a nos informar enquanto nos desligamos.

Isto mesmo, assistimos televisão normalmente em piloto automático

E isto é até bem tranquilizador, exceto quando se trata de algo que utilizamos para tomar decisões. Em suma, ficamos um pouco mais vulneráveis a opiniões quando assistimos televisão.

A boa notícia é que não adianta fazer doutrinação pura e simples. Isto só fará que as pessoas mudem de canal. Ou mesmo que não assistam a televisão no horário em questão (veja como fica a audiência no horário eleitoral se não acredita em mim).

No entanto, se o programa for interessante - em suma contanto uma história que prenda os espectadores então parte da batalha de passar a idéia (informação ou doutrina) está já encaminhada.

Então a forma de passar mensagens na televisão com sucesso tem menos a ver com racionalidade do que entretenimento. A maior chance de sucesso é exatamente misturando entretenimento com mensagem.

E caímos no outro ponto: como passar a mensagem de modo a afetar o maior número de pessoas?

Não é simplesmente uma história. Esta histórica precisa ressonar a fundo na pessoa. E para isto temos algumas técnicas interessantes baseadas em como as pessoas funcionam:

  1. Convite a aventura - de modo simples, apresenta-se o tema a ser doutrinado como uma aventura que o espectador pode participar e mudar o mundo com isto.
  2. Confirmação dos preconceitos - em outros palavras, confirmar tudo que a pessoa acredita, ou pelo menos um percentual suficiente para que possa "cair" no papo.
  3. Você faz parte - convencer que a pessoa sempre fez parte do movimento, pois o movimento representa o que ela pensa (ligeiramente diferente do item anterior)

Estas armas são muito poderosas quando colocadas em um contexto de história (não histórico - mas uma narrativa consturada). É quase impossível não se envolver por ele - precisa de muito treinamento para ver de modo imparcial num caso.

Mesmo alguns argumentos racionais são impotente quando alguém se convence do que está lhe sendo dito.

Mais ainda quando pensa que isto vai torna-la parte de algo "maior do que si mesmo".

Perigoso

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O que todos receiam

em uma palavra: intervenção!

A crise no DF pode, se levada às últimas consequências, levar a uma intervenção federal.

Aqui cabem algumas palavras: eu acredito que o DF nunca deveria ter tido eleições para governador, deputado e o escambaú.

Se estas eleições provaram alguma coisa é que não somos mais esclarecidos que ninguém e até mais imaturos em comparação com a maioria.

Mas é fato. Então...

Uma intervenção tem um custo político muito grande. Infelizmente, há possibilidades que dada a confusão este seja um preço pequeno a ser pago em vista do benefício.

O problema é que o problema fundamental não desaparece. Os mesmos vícios podem surgir se as estruturas forem mantidas, e isto é simplesmente adiar um problema maior.

O melhor jeito de uma democracia encontrar a maturidade é através do tempo. Naturalmente, é bem humano de todos nós querermos minimizar os desastres de percurso.

Mas, na minha opinião, isto só tem o efeito de atrasar a evolução natural do sistema.

Então, mesmo contra todas as vontades, o melhor é deixar a coisa correr e tentar manter o que está funcionando.

O resto eventualmente se encaixa

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Algo muito errado mesmo

Li hoje em no twitter uma mensagem dizendo:

...as aulas são o que tem de pior na Universidade! Só atrapalham minha vida acadêmica, não contribuem em nada!

Bem, isto me fez chegar a conclusão que há algo muito errado.

Pode ser com o aluno, com o curso ou com a universidade.

Vamos investigar esta idéia em mais profundidade. Certamente que há algo errado com a universidade, e certamente as aulas não são tudo. Mas também é certo que isto não é verdadeiro em outros cursos. Então, pode ser que a universidade seja inerentemente ruim, mas haja algumas exceções redentoras.

O problema é que isto não se sustenta. Os cursos com maior base tecnológica necessitam de aulas (do contrário seu funcionamento é deficiente - raramente se verifica o caso contrário). Então:

- Portanto podemos riscar da lista a conclusão que a universidade está errada.

Vamos agora a questão do curso. No caso do aluno em questão, o curso é de ciência política. O mesmo é um dos mais antigos do país - mas isto não é garantia de absolutamente nada. O curso é reconhecido pelo MEC, mas apesar de isto ser uma informação positiva, isto na realidade não é nenhuma certeza de qualidade.

O curso possui uma empresa junior de consultoria política, organiza colóquios e especializações. O conceito CAPES é 4.

- É, acho que dá para riscar da lista a conclusão que o curso está errado.

Então só sobra o aluno.

Apenas um trabalho de eliminar as hipóteses de modo racional.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Caloria, caloria, Joule e kilowatt-hora

Todas estas unidades são de energia. Todas dizem mais ou menos a mesma coisa.

Só que com proporções diferentes:
  • 1 caloria é o equivalente a 4.1868 Joules
  • 1 Caloria é o equivalente a 1000 calorias (1 kilocaloria)
  • 1 kilowatt-hora é o equivalente a 3.6 MegaJoules
  • 1 BTU é o equivalente a 1.05505585 kiloJoules (aproximadamente 1.1 kiloJoules)
  • 1 eletron-Volt é o equivalente a 0.16 attoJoules
  • 1 HP-hora é o equivalente a 2.68 MegaJoules
  • 1 Barril de Óleo é o equivalente a 6.1 GigaJoules
  • 1 Tonelada de TNT é o equivalente a 4.1 GigaJoules
  • 1 Tonelada de Carvão é o equivalente a 29.3 GigaJoules
  • 1 Litro de Ethanol é o equivalente a 23.5 MegaJoules
  • 1 Litro de Diesel é o equivalente a 38.6 MegaJoules
  • 1 Litro de gasolina de aviação é o equivalente a 33.5 MegaJoules
  • 1 Litro de gasolina comum é o equivalente a 32 MegaJoules
Então porque a festa com as diversas unidades?

A razão é que acredito que por vezes utilizamos diversas unidades sem saber que estamos no fundo expressando a mesma coisa.

Um exemplo: uma pessoa gasta em média 100W. Isto quer dizer que em 24 horas teremos um gasto de 2.4 kiloWatt-hora, ou 8.64 MegaJoules, ou 2063.6 Calorias.

Outro exemplo: um carro que faz 10 km com 1 litro, está fazendo na realidade 312.5 metros/MegaJoule.

Outro ponto, a energia cinética necessária uma massa de 1 tonelada se deslocar a 36 km/h é de 50 kiloJoules. Já a 72 km/h esta energia é de 200 kiloJoules.

O fato é que as vezes nos perdemos nas unidades, mesmos sem querer

Um análise fria da situação

Vou mais uma vez tentar usar uma bola de cristal

Como será o desenrolar da crise no distrito federal?

Para analisar isto temos que ter muita calma e sangue frio; e a razão é simples: as ações impulsivas raramente medem todas as consequências de uma decisão;

Então: o que a acusação contra os membros do executivo, legislativo e judiciário causam?

Bem, pelo fato de existirem pessoas nos três poderes, isto infelizmente pode levar a necessidade de se afastar os membros da esfera do poder. Pior ainda, como o número é razoável temos a infeliz possibilidade de ter problemas de composição para que o governo funcione de modo efetivo. Tão sério quanto o afastamento dos envolvidos é o problema que falta de representatividade pode causar.

Além disto existe a questão do funcionamento normal dos ramos em questão. Imagino que o dia-a-dia não seja afetado, mas com certeza o processo decisório certamente foi ou será. Isto pode colocar em uma situação complicada alguns em estágio de planejamento ou em vias de implementação. Naturalmente, há sempre dois aspectos nesta história: o operacional e o político. Infelizmente, devido a forma como as coisas são realizadas aqui na terrinha, a dissociação entre os dois não é completa.

Temos ainda uma grande lista de pessoas envolvidas, e isto traz consigo problemas logísticos e de operacionalização. As pessoas estão sendo listadas em inquérito. Mas pelo meu conhecimento a parte do trâmite judicial está ainda no início.

Existem ainda os interesses envolvidos. O ano de 2010 é um ano eleitoral. Isto significa que o processo judicial tem ramificações no processo eleitoral do ano que se iniciará em breve. Os envolvidos irão tentar ou se livrar do processo judicial ou se refugiar na esperança que não haja barulho ao redor.

Existem ainda acusados que são listados apenas como participação indireta, ou seja não existem indicações concretas do seu envolvimento. Estes membros irão se valer disto para tentar se livrar do processo (o vice Paulo Otávio é um destes casos). Apesar disto, como existem interesses adicionais no desenrolar talvez a coisa não seja tão simples.

No entanto é fundamental separar o problema judicial do político. É até muito provável que alguns dos acusados, mesmo tendo sido filmados, consigam se livrar no processo judicial. No entanto, as chances disto acontecer no processo político são bem remotas.

Por fim, existem interesses na própria população. Apesar da situação, existem diversos setores que estão francamente considerando que mesmo a conduta do atual governador não é o pior dos males em comparação com as alternativas existentes.

Isto é bem natural, dado que o atual governo criou diversos pontos de equilíbrio com oportunidades para estes setores. Não está em julgamento o mérito ou não das oportunidades, apenas o reconhecimento da sua existência.

Então, o que vai acontecer?

Estamos no final do ano. Com um pouco de habilidade, este problema pode ser empurrado para 2010. Mas ele não vai sumir. Ainda assim o tempo é um aliado de algumas das pessoas sob acusação.

Entretanto, toda demora também tem o risco da paralisia. Isto pode significar um governo trancado, incapaz de finalizar o que se propôs.

Os interesses minoritários irão certamente utilizar esta oportunidade para aumentar a sua projeção ao máximo possível. A estratégia natural destes é sempre de tentar criar maior espaço utilizando a confusão como arma.

Os interesses majoritários tem interesse em que várias da iniciativas do atual governo continuem, mas infelizmente para eles não há um modo correto ou fácil de proceder isto sem que mantenham o apoio e consequentemente se exponham a um possível ataque.

A população pode sofrer devido a desarticulação criada pelo processo, mas o efeito disto é incerto pois depende de como a situação afeta o funcionamento dos ramos do governo.

Em suma, a confusão pode ser maior ainda.

E não podemos esquecer que a estratégia do abraço de afogado pode ainda engrossar o caldo, e muito.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais um escondendo dinheiro na cueca

O empresário Alcir Collaço foi filmado colocando dinheiro na cueca. O empresário é dono do Jornal Tribuna do Brasil.

Complicado. Complô político ou não...

Uma oração digna em uma hora como esta



Só peço justiça.

Que as pessoas sejam julgadas pelos seus atos, e não por rancor ou inveja.

E que o julgamento seja justo

Com recompensas ou penalidades em consonância com os atos realizados

Isto é uma versão do ditado:

Que Deus lhe dê o dobro do que você deseja para as outras pessoas.

Acho este tipo de pensamento muito mais iluminado do que culpar pura e simples.

Inacreditável, porém real

Tem coisas que eu acredito ser um absurdo se utilizar de modo político.

E tem coisas que o próprio uso político transpira ao absurdo.

Caso em questão: A oração da propina (um termo forte - mas infelizmente parece ser preciso)



E a transcrição parcial está aqui:

Pai, quero te agradecer por estarmos aqui, sabemos que nós somos falhos, somos imperfeitos, mas é o teu sangue que nos purifica. Pai, nós somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para essa cidade. Tantas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele, contra nossas vidas. Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça, da Tua sabedoria, de pessoas que tenham, Senhor, armas para nos ajudar essa guerra. Acima de tudo, Senhor, todas as armas que podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas as nossas atividades, mas o Senhor nunca falha.
O Senhor tem pessoas para condicionar e levar o coração para onde o Senhor quer. A sentença é o Senhor que determina. O parecer, o despacho é o Senhor que faz acontecer. Nós precisamos da vida do Durval, dos seus filhos, dos seus familiares. O Senhor é a nossa Justiça.
Quero entregar essa equipe ímpia e má nas Suas mãos. Meu Deus, dá um jeito nessa situação, tira essas pessoas do nosso caminho, meu Pai

Não falei que era inacreditável?

domingo, 29 de novembro de 2009

Operação Caixa de Pandora

Os vídeos a seguir são todos do IG


Eurides Brito


Médico João Luiz
(ubsecretário de Recursos Humanos da Secretaria de Saúde do DF)

José Luiz Vieira Naves
(secretário de Planejamento do governo da ex-governadora Maria Lourdes Abadia (PSDB))

Odilon Aires (presidente do Instituto de Atendimento à Saúde do Servidor do DF (Inas))

Luiz França
(o sub-secretário de Justiça e Cidadania)

Tudo pode ocorrer, ou não.

Como diz o texto original: "Your choices are half chance"

Para quem não sabe o texto em questão é a base do famoso Use Filtro Solar

"As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo. É assim pra todo mundo."

Na realidade isto é uma tremenda falácia.

Porque?

Pois existe uma suposição oculta na sentença: a equi-probabilidade.

Isto como todos devem saber (ou pelo menos deveriam) é bullshit.

A idéia de que eventos são equiprováveis é razoável quando não temos nenhuma informação que possa orientar o resultados dos mesmos. Mas não é razoável quando temos alguma informação.

Um exemplo? Se eu pular quais são minhas chances de não cair (ou seja flutuar no ar ou sair voando)?

Isto pode ser calculado. Considere a aceleração da gravidade como 9.78 e o desvio padrão como 0.01.

Neste caso queremos saber a probabilidade que a aceleração resultante do corpo menor ou igual a zero, ou

9.78-x*0.01=0

Isto significa 978 desvios padrões, o que para todos os efeitos práticos é zero. Isto pode ser verificado com a inequalidade de Chebyscheff.

O limite superior de probabilidade é então de: 1 em 956484 (esta é a maior probabilidade possível - a real certamente será menor)

Então a chance de você se esborrachar é 99.99989545% e a de você não cair (ou sair voando) é de 0.0001045495795%

Portanto cuidado com esta história que tudo tem 50% de chance de acontecer.

Poder demais faz mal?

Não é só o GDF que anda sob a mira dos investigadores.

Lendo o Blog da Paola Lima encontrei informações sobre um reportagem da Isto-É:

A sucessão no Ministério Público do Distrito Federal (MPDF), no ano que vem, gerou um ambiente de intriga alimentado por acusações de todos os tipos. Dossiês circulam por Brasília e incluem inúmeras denúncias, que vão da quebra de sigilo de e-mails pessoais a perseguições a promotores, inclusive com a abertura de processos disciplinares. O principal alvo dos dossiês é o procurador-geral, Leonardo Bandarra, que exerce seu segundo mandato. Na documentação, alguns promotores e procuradores relatam que vivem dias de medo. Afirmam que tiveram a correspondência pessoal violada e temem ficar expostos a pressões de pessoas que estejam sob investigação. O temor aumentou depois que a procuradora Arinda Fernandes informou aos colegas em outubro que seu e-mail havia sido monitorado irregularmente. “Até o meu correio eletrônico foi violado”, desabafou Arinda, que em uma representação feita contra ela se deparou com dados que só poderiam ter sido tirados de sua correspondência eletrônica.

Apesar de a constatação da procuradora ter sido levada ao comando do MP, a provável quebra de sigilo não foi denunciada à Polícia Federal. Os auxiliares diretos de Bandarra entendem que acessar e-mail de funcionário do MPDF não configura crime. “Trata-se de e-mail funcional”, explica o promotor Libânio Rodrigues. Para Bandarra, por trás das denúncias está sua sucessão. “Isso é uma questão política”, diz.

Este tipo de situação só mostra que os deuses que criamos também tem Pés de Barro.

sábado, 28 de novembro de 2009

Arruda em maus lençois

O governador de Brasília está na mira da PF e da imprensa. Naturalmente, a motivação não é apenas a investigação de crimes, mas também política.

No entanto nada disto muda o fato que o governador foi pego com a boca na botija. Fica muito difícil manter uma defesa dadas as condições e a quantidade de provas envolvidas.

E naturalmente há a questão que esta não é a primeira vez que o Sr. Arruda se mete em confusão.

Em 2006 Arruda foi eleito com a seguinte margem:

arruda - PFL 663.364 50,38 %
maria abadia - PSDB 315.671 23,97%.
arlete - PT 275.660 20,93%
toninho - PSOL 55.898 04,24%
fatima passos - PSDC 4.115 00,31%
expedito mendonça - PCO 2.092 00,16%

Então temos um governador eleito pela população (ou pelo menos por um percentual significativo) que já havia se metido em confusão antes.

Culpado? Inocente? Bem é francamente muito difícil acreditar na inocência dele.

Se tem dúvidas veja o seguinte vídeo:

Complicado

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Processos na FINATEC

Devido a uma séria falta de informações a respeito do trâmite de como os processos de algumas das confusões do ano de 2008, resolvi procurar mais informações a respeito de como os mesmos se encontram. Um colega foi gentil e me repassou informações a respeito.

Acredito ser um deserviço a comunidade que não se saibam em que pé andam estes processos. Sem sabermos a quantas andas, ficamos apenas com as informações da mídia - que invariavelmente se traduzem em apenas acusações.

Portanto um resumo das informações que obtive dos processos da FINATEC:

PROCESSOS JÁ JULGADOS REFERENTES A EX-DIRIGENTES E FUNCIONÁRIOS DA FINATEC

1) Processo nO. 2008.01.1.113141-2 (Vigésima Vara Civil) cuja sentença de mérito proferida em 28/1 0/2009, julgou improcedente o pedido formulado pelo MPDFT.

Objeto da ação: Devolução de valores recebidos por Antonio Manoel O. Henriques a titulo de bolsa de pesquisa no âmbito de convênio firmado entre a FINATEC e a CTEEP

2) Processo n°. 2008.01.1.1573319-4 (Terceira Vara Criminal) cuja sentença de mérito proferida em 25/09/2009, julgou improcedente o pedido formulado pelo MPOFT.

Objeto da ação: Devolução de valores recebidos por Carlos Alberto Bezerra Tomaz a titulo de reembolso de despesas com combustível pagas pela FINATEC.

3) Processo n°. 2008.01.1.157308-0 (Terceira Vara Criminal) cuja sentença de mérito proferida em 25/09/2009, julgou improcedente o pedido formulado pelo MPDFT.

Objeto da ação: Devolução de valores recebidos por Carlos Alberto Bezerra Tomaz a titulo de reembolso de despesas com refeição pagas pela FINATEC.

4) Processo n°. 2008.34.00.028462-3 (12a Vara Federal do Distrito Federal) cuja decisão proferida em 03/04/2009, foi a de rejeitar a denuncia por inépcia em ação penal proposta pelo MPF. O MPF entrou com recurso que novamente foi negado em 19/06/2009 pelo Juíz.

Objeto da ação: Ação Penal contra Romilda Macarini, Lauro Morhy, Antonio Manoel D. Henriques, Nelson Martin e Marco Antonio visando a devolução de 24 milhões em poder da FINATEC referentes ao contrato assinado entre a FUB e o INSS.

5) Processo n°. 2008.34.00.005184-0 (4a Vara Federal do Distrito Federal) cuja sentença de mérito proferida em 30/1 0/2008, julgou improcedente o pedido formulado pelo MPF. Neste processo foi feito um pedido de liminar que foi negado pelo Juízo e, também, em grau de recurso, por unanimidade, pela 3" Turma do Egrégio TRF da 1 ° Região.

Objeto da ação: Ação de bloqueio e devolução pela FINATEC de 24 milhões de reais referentes ao contrato assinado entre a FUB e o INSS.

6) Processo n°. 2008.01.1.006488-6 (Sexta Vara Civil) cuja sentença de mérito proferida em 24/06/2008, julgou improcedente todos os pedidos formulados pelo MPDFT, em relação aos seguintes ex-dirigentes da FINATEC: Antonio Manoel D. Henriques, Carlos Alberto B. Tomaz, Guilherme Sales S. de Azevedo Meio e André Pacheco de Assis.

Objeto da ação: Ação de destituição de dirigentes da FINATEC.

Fico aguardando novas informações quando as tiver...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

UnB: Hospício Administrativo?

No ato conjunto desta quinta feira o reitor da UnB, José Geraldo Júnior discursou:

“Há muitos anos não temos uma convergência desse porte na universidade. O ato é um modelo exemplar de como a comunidade pode se organizar em torno de uma causa comum, que diz respeito a direitos legitimamente conquistados. Espero que a greve seja curta, mas é preciso manter a vigilância e a mobilização”

Mas não é só isto, quem lê a nota da SECOM sobre a questão jura que a reitoria não tem nada nenhuma relação com o problema. Eu só vou reproduzir o final da nota pois mostra o grau de irresponsabilidade da administração atual da UnB:

Nesta quinta-feira, o Ministério do Planejamento encaminhou ao Supremo Tribunal Federal nota explicando os motivos do não cumprimento de decisão judicial que determinava o pagamento da URP. No documento, o setor jurídico e a Secretaria de Recursos Humanos do ministério afirmam que a UnB não informou em tempo hábil a rejeição do pagamento da gratificação aos 502 servidores prejudicados.

O secretário de Recursos Humanos da UnB, Afonso de Souza, explica que o prazo dado à universidade para o envio do arquivo da folha salarial de novembro foi curto. “Nos enviaram um e-mail no início da tarde e tivemos que mandar tudo até as 18h”, conta. O prazo chegou a ser estendido por mais um dia, mas a SRH da UnB não teve condições de corrigir as inconsistências.

E dito isto, eles passaram quase um mês dizendo que não tinham feito nada de errado e quem estava causando o problema no pagamento era o MPOG. Vejam esta nota anterior:

Na última segunda-feira, a Secretaria de Recursos Humanos divulgou nota oficial sobre dificuldades no pagamento da URP de 503 professores e funcionários contratados a partir de outubro de 2008.
De acordo com o RH, falhas técnicas podem ter provocado o problema. As dificuldades teriam ocorrido no momento de o Ministério do Planejamento lançar a remuneração no Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (SIAPE).

A universidade está investigando se a falha ocorreu aqui ou no Ministério. O Planejamento, no entanto, informa que não altera o arquivo quando o recebe. “Pode ter havido alguma incorreção, já que é a primeira vez que efetuamos o pagamento dessa forma”, diz o secretário de Recursos Humanos, Afonso de Souza. Ele se comprometeu a reenviar os dados dos servidores na manhã de quinta-feira para o Ministério do Planejamento. Também mandará documento feito pela Procuradoria Geral Federal com a análise dos efeitos da decisão da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal sobre o tema.

Em uma nota posterior temos mais informações contraditórias:

O problema na folha dos 502 funcionários ocorreu por um erro no lançamento dos códigos que identificam os servidores. “Pelo pouco tempo que tivemos para elaborar o documento, acabamos colocando um código diferente para o grupo que não recebeu a URP”, explicou Afonso. O representante da Secretaria de Recursos Humanos (SRH) explica que, quando a falha foi constatada, a folha do mês já tinha rodado, o que impediu a correção do equívoco.

Mas a leitura de outra nota é igualmente divertida:

ISONOMIA - Durante a assembléia, Flávio Botelho frisou que o posicionamento da administração é favorável ao pagamento da URP. "O reitor já se manifestou pela isonomia (garantia dos mesmos benefícios a todos os professores). Não há como acharmos um culpado. A situação é complexa", afirmou. Na última segunda-feira, a Secretaria de Recursos Humanos divulgou nota oficial sobre as dificuldades no pagamento da URP para 503 professores e funcionários contratados a partir de outubro de 2008.

E o reitor disse ainda:

MANIFESTAÇÃO – O reitor José Geraldo de Sousa Junior apresentou carta em que se compromete a participar pessoalmente das negociações para manutenção da URP. "Manifesto minha solidariedade a todos os professores e técnicos-administrativos que foram afetados pelas incertezas relacionadas ao pagamento da URP nos últimos meses. Esta Administração seguirá identificando falhas e solicitando ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) a imediata correção da folha. De minha parte, cancelei a viagem da próxima semana e abri a agenda de compromissos para acompanhar pessoalmente os desdobramentos da questão ao lado da comunidade universitária e continuar implementando as medidas necessárias para a defesa dos direitos dos servidores da Universidade de Brasília", afirma no documento.

Eu fico me perguntando: Será que ele não sabe que é o responsável pela greve? Será que ele não entende que foram as ações que ele tomou que levaram a este curso?

Juro que parece coisa do mundo Bizarro!

* Nota posterior: Eu entendo que pareço muito duro, mas a UnB parece que se encontra em tempos difíceis. Talvez minha frustração tenha sido aumentada por mais um professor sob fogo. Eu o conheço apenas de poucas ocasiões, mas ele sempre me pareceu uma pessoa razoável. A falta de apoio, que já vi acontecer antes, talvez seja o que me deixa mais frustrado.

Torço para que tudo se resolva da melhor forma.

Mais um professor acusado na imprensa

Mais um professor da UnB está na imprensa sendo acusado. Eu conheço o referido professor, e me parece que ao contrário do que o texto indica o professor não tinha objetivo de locupletar-se, mas de diminuir os custos para o Estado Brasileiro.

A reportagem está no UOL

TCU detecta irregularidades em contratos da Secretaria de Educação a Distância do MEC

Da Redação*
Em São Paulo
O TCU (Tribunal de Contas da União) condenou João Carlos Teatini de Souza Clímaco, ex-secretário da Seed (Secretaria de Educação à Distância) do MEC (Ministério da Educação), a devolver R$ 381.150,46 ao Tesouro Nacional. Segundo o TCU, Clímaco utilizou verba pública para contratar a empresa Adag Serviços de Publicidade Ltda. para prestar serviços de publicidade e de editoração e impressão da revista TV Escola, o que ocasionou seleção de proposta não vantajosa para a secretaria.

Em outra celebração de convênio, a secretaria, por meio da FUB (Fundação Universidade de Brasília), havia contratado sem licitação a Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos) para fornecimento de funcionários de apoio administrativo à Seed. Segundo a fiscalização, 35,6% da força de trabalho da secretaria, composta de 163 pessoas, provinha da Finatec.

De acordo com o relator do processo, ministro Benjamin Zymler, a dispensa de licitação da lei restringe-se às ações de pesquisa, ensino e desenvolvimento institucional, e não pode ser estendida para incluir a execução indireta de mão de obra.

João Clímaco terá de pagar ainda multa de R$ 10 mil ao Tesouro Nacional pelas irregularidades. A cobrança judicial da dívida já foi autorizada. O TCU recomendou à Seed que reanalise as prestações de contas referentes ao convênio; cópia da decisão foi encaminhada à Procuradoria da República, no Distrito Federal, para ajuizamento das ações civis e penais cabíveis. Cabe recurso da decisão.

Será que há culpa? Não sei. Infelizmente, não conheço o professor com grande profundidade. Mas pelo pouco que já conversei com ele me parece improvável que ele tenha tido interesse em "faturar dinheiro as custas da Viúva!".

Acredito que o estudo deste problema merece atenção. Eu voltarei a isto em outros posts.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Blagues e Blogues

O Brasil ainda não se acostumou com a liberdade de expressão. E digo isto não só da parte dos ofendidos, mas da parte dos divulgadores.

Dono de blog é condenado a pagar R$ 16 mil por comentário de internauta


Post abordava briga em colégio do CE; internauta insultou diretora.
Blogueiro perdeu prazo para recurso e juiz ordenou penhora de bens.

Por conta do comentário de um internauta em seu blog, o estudante de jornalismo Emílio Moreno da Silva Neto, de 33 anos, morador de Fortaleza (CE), foi condenado pela Justiça cearense no mês de julho a pagar uma indenização de R$ 16 mil.

Emílio perdeu o prazo para recorrer e, no último fim de semana, recebeu uma notificação de penhora de bens para o pagamento do valor.


O caso começou em março do ano passado, quando o universitário repercutiu em seu blog uma briga entre dois estudantes do Colégio Santa Cecília, na capital cearense. No comentário, um internauta insultou a diretora, uma freira chamada Eulália Maria Wanderley de Lima, e criticou sua atuação na intermediação da briga dos estudantes.

No segundo semestre do ano passado, a diretora da escola abriu uma ação por danos morais contra o blogueiro. Nas quatro primeiras audiências, segundo informações do Tribunal de Justiça do Ceará, o estudante compareceu e a diretora, não. Ela alegou viagens e outros compromissos profissionais.

Na quinta audiência, foi o estudante quem faltou, mas, ao contrário da diretora, não deu justificativas. Por conta disso, o juiz aceitou a ação e o condenou ao pagamento de 40 salários mínimos, o equivalente a R$ 16,6 mil na época. Emílio perdeu o prazo para recorrer e a ação transitou "em julgado" -- ou seja, não há mais possibilidade de recursos.

No último sábado, dia 21 de novembro, Emílio foi notificado sobre o mandado da Justiça de penhora de bens para pagar a quantia e tem possibilidade de tentar reverter a penhora.
...

Reportagem do
G1.

Absurdo? Certamente.

O comentário não foi do blogueiro, mas de um internauta. E por este motivo o blogueiro é que deve ser responsabilizado?

No fundo, isto leva a seguinte questão: comentário só com identificação - o que é o que está escrito na constituição;

Mas ao mesmo tempo mostra como ainda não temos costume de lidar com a liberdade de expressão.

E a UnB vai entrar em greve

O motivo?

Este é fácil. A razão é a insegurança que todos os professores e funcionários e em especial os mais novos sentem por causa do pagamento da URP.

A parcela da URP incidente nas gratificações de outubro e novembro não foram depositadas para 316 professores e quase 200 servidores.

Isto está em desacordo com as determinação da ministra Carmem Lúcio do próprio STF.

E contra quem?

Bom, uma greve não é necessariamente "contra" alguém ou alguma coisa. Mas se há uma coisa em comum com causas deste tipo é que existe sempre um "outro lado". No caso de greves sindicais, o outro lado geralmente é o patrão.

O problema é que isto não está muito claro.

Na realidade eu deveria dizer que isto não está nada claro.

O patrão neste caso pode ser interpretado como o MEC (não tem nada a ver com o problema diretamente), o MPOG (afirma categoricamente que não foi ele quem cortou a URP) ou a administração da UnB (que tem sido apontada como a responsável pelo corte).

O corte foi deliberado? Apesar das inconvenientes jogadas tentando passar a responsabilidade para outros, é muito difícil dizer que foi.

Muito provavelmente foi devido a uma série de erros do SRH - UnB.

E então, isto seria suficiente para que a greve não ocorresse, não?

Infelizmente, os acontecimentos tomaram um momento que parece não haver mais retorno. O fato de um número significativo de professores e funcionários terem sido prejudicados DUAS vezes torna o problema complicado.

Percebam que agora existe massa crítica para um movimento grevista aonde não tinha. E neste caso, a racionalidade parece ter ido para o espaço como em todo bom movimento de multidões.

Quem grita mais alto, quem traz explicações confortantes, quem nomeia culpados (verdadeiros ou não) torna-se capaz de alavancar um movimento em direções que seriam consideradas tolas. Mais ainda, a tolice de muitos pode fazer a sabedoria de poucos parecer estúpida - até que as coisas se arrebentem, é claro.

Então... Estamos entrando de greve e o "outro lado" parece que vai mais cedo ou mais tarde recair sobre a reitoria.

E claro que a reitoria vai tentar de todos os modos defletir isto.

Mas vai custar caro. Muito caro...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Confusões na UnB, a continuação

Com a divulgação da nota do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) e da SECOM ficou claro que o erro foi no SRH da UnB. (uma prévia está aqui)

Então o que isto tem a ver?

Bem, de modo sucinto é receita para desastre.

Este não é o primeiro contracheque que o SRH se atrapalha e causa problemas.

Este é o segundo.

O que traz sérias considerações se poderia haver um terceiro.

E porque isto é um cenário de pesadelo? Bem, em primeiro lugar a reitoria é responsável pelo SRH. Então em última análise a responsabilidade é da reitoria.

Então temos o problema maior: durante 4 dias ficou-se jogando a culpa entre o SRH da UnB, o SRH do MPOG e até o do MEC.

O SRH da UnB tentava de qualquer modo se eximir de culpa.

Mas o jogo acabou e eventualmente todas as cartas tiveram de ser apresentadas. E aí em vista da obviedade de culpa declarada, o SRH timidamente assumiu sua parcela de culpa.

E tudo isto empesteia o ar com o cheiro de incompetência administrativa.

Em segundo lugar, os atingidos foram os professores mais novos. Estes não tem necessariamente uma ligação grande com a UnB, e se sentirem que a universidade não os apoia - bem, digamos que eles estão no começo de carreira e existem várias oportunidades por aí.

Uma debandada de 10 a 20% já seria suficiente para causar problemas sérios em alguns departamentos e institutos. E a gravidade disto não pode ser subestimada.

Mas o que causaria este tipo de reação? Bem, erros contínuos na folha de pagamento são uma razão boa. Mas existem outros problemas: a administração atual tem se mostrado muito pouco ativa no suporte das atividades de inovação e captação de recursos pelos professores.

Então a coisa pode levar a um xeque nas pretensões de funcionamento e abragência da UnB.

Mas ainda existe o terceiro ponto: a administração que não tinha uma imagem muito boa está com a mesma em franca deterioração. Existe o risco, e o mesmo não é pequeno que os segmentos da UnB passem a se opor frontalmente a administração.

E ai o problema com Timothy vai parecer muito pequeno.

Em termos simples: intervenção.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Confusões na UnB

Aparentemente o problema da URP na UnB não foi resolvido.

Agora temos uma lista com 316 professores que não receberão URP no salário de novembro (pago no início de dezembro).

Tudo muito confuso.

No entanto, existe um lado positivo nisto. Com um número tão grande de professores, há uma boa chance que os mesmos se organizem para resolver o problema. Talvez com a Adunb, talvez com a reitoria, ou mesmo entre si.

E isto pode indicar uma mudança nos rumos do problema e, quem sabe, até mostrar o caminho para uma solução.

No entanto, tudo depende de como estes professores irão prosseguir tendo em vista a situação.

Se não fizerem nada, com certeza sairão perdendo.

Se deixarem que outros façam sozinhos, também certamente irão sair mais fracos do problema.

A bola está agora com eles...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O lado que ninguém olha

O problema com o apagão do dia 10 de novembro é que de qualquer lado que você olha, tudo parece muito mais enrolado do que se noticia.

Caso em questão: não a causa do apagão. Mas as causas pela demora no reestabelecimento da energia.

Dado que não houve dano físico, então o religamento seria mais ou menos breve (em menos de uma hora). Mas não foi.

A despeito do que foi dito, o religamento demorou substancialmente mais do que o esperado. E isto não está bem explicado. A razão?

Bem, não sei. Mas noto que o ministro fez de tudo para convencer que a energia voltou com muita velocideade. O que é verdade, até certo ponto. Realmente, algumas unidades tiveram o retorno bem rápido.

Mas aí outras unidades não 0 e justamente as unidades mais importantes (como o Rio e São Paulo). E lá o retorno demorou algo cerca de 5 a 6 vezes mais do que o esperado.

E isto sim merece uma excelente explicação.

Mas em outras notícias, tenho investigado sobre o tempo médio entre falhas no sistema elétrico.

Infelizmente, estou tendo informações contraditórias de vários lados.

Já li algo de 1 em 20 (o que francamente não faz sentido).

Mas também li algo como 10 horas de falha a cada 10 anos (o que dá 10/(3650*24) = 0.00011 ou cerca de 0.01% de taxa de falha - ou 99.98% de confiabilidade).

Esta taxa é a mesma de 1 hora em 1 ano (1/(365*24)).

No fundo estamos tratando de duração média de falha dividida por tempo médio entre falhas. Em um site consegui encontrar 6,3 horas de falha em 1088 (o que dá 0.006 ou 0.6% de taxa de falha).

Se observarmos, o que tivemos foram cerca de 4 horas em 6 anos (o que dá 1/2190 ou 0.0005 ou cerca de 0.05% de taxa de falha - ou 99.95% de confiabilidade).

Mas provavelmente existem outras medidas.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O Calcanhar de Aquiles

O apagão provocou uma série de reações.

Mas para a sucessão de 2010, a maior de todas talvez seja a exposição do calcanhar de Aquiles da candidata Dilma Roussef.

Ele tem sérias dificuldades no controle do seu temperamento.

A priori, este tipo de comportamento se devidamente explorado por adversários pode causar um efeito devastador nas pretensões eleitorais.

Mais ainda, que ela parece ter sérias dificuldades em lidar com seus erros.

Isto é naturalmente muito normal. É necessária muita calma e paciência quando confrontado com os próprios erros. A melhor atitude é confirmar se são mesmo erros, tomar responsabilidade por eles, tentar consertá-los e seguir em frente.

Mas o comportamento natural é tentar evitar que os erros sejam reconhecidos como seus. E aí existem diversas maneiras: jogar a culpa em alguém (bode expiatório) e negar que os erros existam são os mais comuns.

Então a estratégia é transformar Dilma em destemperada.

O que não é muito difícil pelo visto.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Elogiando Lula

A diferença entre um crítico fundamentalista e um críticoa racional é simples: quando o objeto da crítica mostra seu valor, o crítico tem de reconhecer.

O presidente Lula apresentou uma declaração demonstrando que a explicação do ministro Lobão poderia estar incorreta.

Eu tenho que admitir

Nota 10 para o Lula!

Não posso deixar de elogiar a posição do presidente.

O Senhor me força a dizer com todo orgulho: Bravo!

E olhe que não posso dizer isto diretamente de FHC. Só indiretamente

Eu sei que desagradei. Mas meu compromisso não é com pessoas, mas com a verdade.

Jogo de empurra

O ministro Lobão comete o famoso erro dos poderosos: a arrogância.

A explicação oficial do apagão é no mínimo fraca. Já falei sobre isto em outros posts.

Mas ao ser acuado, um comportamento padrão dos primatas é parecer maior do que é. Isto pode ser feito inchando o peito, batendo na grama ou no caso do ministro tentando ridicularizar a opinião ou os fatos contrários ao sua posição.

O texto destila a arrogância típica de alguém ignorante do assunto em uma posição de poder:

Lobão diz que Inpe deve se manifestar sobre meteorologia e deixar de lado apagão

Do globo.

RIO e BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) deve se manifestar sobre meteorologia e deixar de lado questões sobre energia ou apagão. O ministro dissera na quinta-feira que o assunto apagão estava "encerrado" .
O coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Inpe, Osmar Pinto Junior, afirmara que a chance de um raio ter provocado o blecaute é mínima, também segundo o G1 .
- O Inpe não discordou. Um pesquisador do Inpe fez manifestações de natureza pessoal. Ontem (quinta-feira) mesmo o presidente do Inpe expediu uma nota dizendo que aquela não era a palavra do Inpe. O Inpe está estudando o assunto para ter manifestações a respeito de fenômenos climáticos e não sobre questões de energéticas. Não é atribuição do Inpe opinar sobre energia elétrica, ele opina sobre fatos climáticos e nada mais - afirmou Lobão, que está no Maranhão, em entrevista ao Jornal Hoje, da TV Globo.
Na quinta-feira, o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, preferiu não se comprometer com um diagnóstico sobre os reais motivos do apagão. A instituição, segundo ele, está preparando um relatório, que será entregue ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) na próxima semana.
- O Inpe não garante nada. Quem tem que dar a palavra final é o ONS. Existem discrepâncias - comentou Câmara.
Ainda é prematuro, segundo ele, afirmar o que realmente teria acontecido:
- Em ciência, sempre se podem cometer erros e fazer inferências.
Em nota oficial na quarta-feira, o Inpe sugeriu que eram mínimas as possibilidades de um raio ter sido a causa do apagão. Nesta sexta-feira, técnicos do Elat e do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cpetec) se reúnem para cruzar dados e chegarem a uma conclusão.
Mesmo admitindo a ocorrência de raios em Itaberá, técnicos do Elat afirmaram, em nota, que "a baixa intensidade da descarga não seria capaz de produzir um desligamento da linha". No dia do apagão, os raios caíram a aproximadamente a 30 quilômetros da subestação, a cerca de 10 quilômetros de uma das linhas e a 2 quilômetros de outra linha. Apenas um raio com intensidade superior a 100 quilo amperes (kA), atingindo diretamente uma linha, poderia causar, segundo técnicos do Inpe, um desligamento de linhas operando com tensões tão elevadas como as de Itaipu. O raio detectado na região era menor que 20 kA.
Chega a ser sintomático.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Melhorando o modelo matemático de falha

Vamos supor uma distribuição do tipo exponencial, aonde temos a probabilidade de uma linha falhar é

p0:=1-exp(-a*Ic)

Se fossem independentes a probabilidade de três linhas falharem seria

pi=(1-exp(-a*Ic))^3

Mas se o fato da falha de uma linha comprometer o funcionamento das outras resulta:

pd=(1-exp(-a*Ic))*(1-exp(-a*3/2*Ic))*(1-exp(-a*3*Ic))

- a aproximação aqui é que a carga total das linhas é dividida igualmente entre as remanescentes.

Colocando números para estes casos teremos por exemplo para Ic=1 e a=0.05

p0=5% ou 1 em cada 20 ocorrências

pi=0.01% ou 1 em cada 10.000 vezes

pd=0.05% ou 1 em cada 2.000 vezes

Isto mostra que tivemos um aumento de 6 vezes com relação ao que se esperava quando se considerava independente.

Se pensarmos isto quer dizer que teríamos eventos assim 6 vezes mais comuns do que normalmente esperaríamos.

Mas pode ser pior ainda. Vamos supor que fossem 5 linhas. E o sistema falharia se três destas cinco falhassem. Então teríamos 20 combinações possíveis que teriam como resultado uma falha.

Neste caso teríamos:

pd=20*(1-exp(-a*Ic))*(1-exp(-a*5/4*Ic))*(1-exp(-a*5/3*Ic))*exp(-a*10/3*Ic)

Colocando números isto se transforma em:

pd=0.4% ou 1 vezes em cada 250 ocorrências

Contra intuitivo? Nem tanto... Lembre-se que aumentando o número de linhas também aumentamos o número de maneiras que o sistema pode falhar.

O Apagão e as probabilidades

De novo volto ao assunto, mas desta vez com um pouco mais de foco na questão das probabilidades.

Já conversei sobre o teorema de Bayes em outros tópicos. Só que agora pensei em uma possível aplicação em um caso destes.

Vamos considerar as seguintes probabilidades:

Linha de Transmissão A - p(A) é a probabilidade da linha A falhar
Linha de Transmissão B - p(B) é a probabilidade da linha B falhar
Linha de Transmissão C - p(C) é a probabilidade da linha C falhar
p(A e B) é a probabilidade das linhas A e B falharem
p(A e B e C) é a probabilidade da linhas A, B e C falharem

por Bayes

p(A e B e C) = p(A|B e C)* p(B e C)
p(B e C) = p(B|C)*p(C)

Portanto:
p(A e B e C) = p(A|B e C)*p(B|C)*p(C)

Bem, e daí?

Naturalmente p(C) é projetado para ter probabilidade pequena. E a idéia é que p(B|C) seja P(B) e p(A|B e C) seja p(A) e como as linhas são semelhantes então estas probabilidades seriam mais ou menos iguais. Neste caso então:

p(A e B e C)=p(A)*p(B)*p(C)=p(C)^3

Mas será que isto é verdade? Desconfio que não.

A questão é a seguinte se uma linha cair as outras tem de assumir seu lugar. Então supondo que todas elas carregam a mesma potência:

Três linhas - P cada
Duas linhas - 3 P/2
Uma linha - 3 P

Então eu suporia que em primeira ordem:

P(B|C)= 3/2*P(C)
P(A|B e C) = 3*P(C)

Portanto

P(A e B e C) = 3*3/2*P(C)^3 = 9/2*P(C)^3

Eu um sistema com N redundâncias:

P(todos falharem) = 1/(N-1)!*N^(N-1) *P(falha única)^N

Isto talvez explicasse alguns problemas, mas não necessariamente neste caso

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

E o INPE também confirma

Inpe desconsidera raio como causa de apagão no Brasil

Uma análise feita pelos técnicos do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espacias), indica que as chances de um raio ter sido a causa do apagão são mínimas. O blecaute, ocorrido entre a noite de ontem e a madrugada desta quarta-feira, atingiu 18 Estados.
"Embora houvesse uma tempestade na região próxima a Itabera, no sul de São Paulo, com atividade de descargas no horário do apagão, as descargas mais próximas do sistema elétrico estavam a cerca de 30 km da subestação de Itabera e a cerca de 10 km de uma das quatros linhas de Furnas de 750 kV [kilovolts] e cerca de 2 km de uma das outra linhas de 600 kV, que saem de Itaipu em direção a São Paulo", informa a nota do Inpe.
"Além disso, a baixa intensidade da descarga registrada [menor que 20 kA] não seria capaz de produzir um desligamento da linha, mesmo que incidisse diretamente sobre ela, como também confirma a Rede Brasileira de Detecção de Descargas, que estava no momento do apagão operando com ótimo desempenho".

O que significa isto?

Bem, com as informações do INPE (que trabalha com uma rede mundial de detecção de descargas atmosféricas) temos mais uma vez a contradição com que o ministro falou:

Apagão foi provocado por raios, chuva e vento fortes, diz Lobão

Segundo ministro, problema ocorreu na estação de Itaberá, em São Paulo.
Blecaute afetou 18 estados entre a noite de terça e a manhã desta quarta.
O Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse nesta quarta-feira (11) que o apagão que afetou 18 estados entre a noite de terça-feira (10) e a manhã desta quarta (11) foi consequência de raios, ventos e chuva na região de Itaberá, em São Paulo.
“Tanto o operador, como Furnas, como todos chegaram à conclusão de que o que aconteceu foram descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes na região de Itaberá, em São Paulo, o que provocou um curto cuircuito em três circuitos que levam as linhas de transmissão de Itaipu para Itaberá”, explicou.

“O próprio Instituto Nacional de Meteorologia nos informou que houve uma concentração muito grande desses fonômenos naquela região. O que aconteceu, segundo todas essas avaliações, foi exatamente isso”, acrescentou o ministro.
Então, como já foi dito antes temos agora a seguinte situação:

a) Os responsáveis não sabem a causa do apagão e querem tranquilizar a população (e evitar todo tipo de dor de cabeça política que o problema trás).

b) Os responsáveis sabem a causa do apagão, mas por motivos indeterminados não querem que a população saiba.

A verdade é que todas as duas estratégias são muito ruins, pois se a história ruir o problema pode se tornar muito mais sério.

Mas acredito que estão apostando que vai colar... E se não colar vão dizer que não tinham todas as informações no momento.

ONS se pronuncia

O ONS (Operador Nacional do Sistema) colocou em seu site uma nota a imprensa:

Às 22h14 (horário de Brasília), ocorreu uma perturbação de grande porte no Sistema Interligado Nacional – SIN, que provocou uma interrupção parcial do suprimento de energia nas regiões Sudeste e Centro-Oeste equivalente a 28.800 MW. Foi identificado o desligamento das três linhas de 750 kV e do elo de corrente contínua associados à usina de Itaipu Binacional, como conseqüente desligamento (por ação dos sistemas de proteção) de suas unidades geradoras.

Então tudo indica que não ocorreu dano físico nem nas linhas de transmissão nem nas subestações. As informações ainda continuam desencontradas, mas também existe uma forte indicação que as condições meteorológicas não foram responsáveis pelo que aconteceu.

Todos concordam que algo fora do padrão ocorreu.

Mas o que?

- Sobrecarga? O horário da ocorrência não sugere isto (basta ver no próprio site da ONS como é a curva de demanda).

- Ventos? A redudância natural do sistema também não sugere isto.

- Raios? O mesmo problema do item anterior

Sobra portanto um desligamento acidental das linhas (no sentido de inesperado e sem razão técnica de ser).

E isto é muito muito sério. Pois não afasta a hipótese de pane em computadores

Nem vendaval

A história das condições atmosféricas extremas está ficando cada vez mais difícil de engolir.

Estações automáticas do INMET não registraram vendavais sobre o Brasil no horário do blecaute

Nenhuma estação meteorológica automática, operada pelo INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), registrou ventos fortes ou precipitação torrencial, no horário aproximado do blecaute que, no início da madrugada, ainda atingia boa parte dos locais afetados.
Apesar de ventos fortes registrados na região de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, mas no período da tarde, no período do apagão, não houve, em todo o Brasil, medição de ventania nas mais de 400 estações operadas pelo INMET.

Esta começando a complicar...

Mas pode ser que haja um fundo de verdade:

Imagens do hidroestimador de precipitação do satélite GOES-10 indicaram áreas isoladas de tempestades sobre parte dos Estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e um ponto de chuva significativa em Minas Gerais, entre Patos de Minas e Belo Horizonte, na região de Furnas, no horário do blecaute que atingiu boa parte do Brasil e todo o Paraguai.
Na região da hidrelétrica de Itaipu, nenhuma célula de chuva foi registrada no mesmo horário.

O Problema com o raio

Aparentemente começou o spin.

As notícias falam de condições atmosféricas adversas.

Mas

O satélite não mostra informações que confirmem o relato.

Imagens de satélite não confirmaram tormenta na região de Itaipu no horário do blecaute

Daniel Panobianco - Imagens do satélite GOES-10, fornecidas pelo CPTEC/INPE (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) do (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), não confirmaram, no momento aproximado do blecaute que atingiu boa parte do Brasil e todo o Paraguai, às 22h15min (horário brasileiro de verão), -3 horas (hora Zulu), atividade convectiva, como tempestades ou raios na região da hidrelétrica de Itaipu, que fica na fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina.

Os sensores da RINDAT (Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas), pararam de enviar dados ao servidor às 22h45min (horário brasileiro de verão), mas em comparação com imagens do satélite GOES-10, nenhum raio foi detectado na região de Itaipu no horário do evento, que deixou quase todo o Brasil e parcialmente, o Paraguai, às escuras.

Tempestades assolaram sim, parte do Paraná nesta terça-feira (10), mas no período da tarde, onde em Foz do Iguaçu, cidade onde fica a hidrelétrica de Itaipu, registrou vendaval, com destelhamento de construções e queda de árvores. Em Cascavel, também no interior do Paraná, dados de METAR (aeroporto), registraram rajada máxima de vento de 102 km/h, mas também no período da tarde, entre as 14 e 15 horas (horário brasileiro de verão).

Até a última atualização dos sensores da RINDAT, foi possível detectar forte atividade atmosférica (raios) em parte do sul de Goiás, Triângulo Mineiro e sul de Minas Gerais e leste de Mato Grosso.

No horário compreendido entre 21 e 23 horas (horário brasileiro de verão), dados de METAR do aeroporto de Foz do Iguaçu, não indicaram nenhum tipo de fenômeno meteorológico extremo, quiçá de precipitação ou raios.

Quem está com a razão?

Só o tempo dirá...

Possível invasão de computadores?

Uma possibilidade que até me assusta um pouco é que talvez haja uma causa inesperada para o apagão.

Invasão de computadores...

Impossível? Nem tanto. Existem algumas coincidências que dão um calafrio na espinha:

1) O site de furnas está desativado - e dando erro 403

Forbidden

You were denied access because:
Access denied by access control list.

2) No dia anterior ao apagão, os contracheques do pessoal de Furnas vieram com uma mensagem prá lá de estranha:

"Por maior que seja o buraco em que você se encontra, sorria, porque, por enquanto, ainda não há terra em cima"

3) Itaipu diz que o problema não foi com ela. E os jornais mais ou menos estabelecem que o problema foi em Furnas.

4) Poucos dias atrás a CBS noticiou que os apagões brasileiros de 2007 foi causado por hackers.

Ok, isto é possível?

Sim

Mas é provável? Nem tanto.

Felizmente há um modo de se verificar: se não existir comprometimento da integridade do sistema de distribuição então a hipótese torna-se mais plausível.

No entanto, fazer este tipo de ação é literalmente coisa de cinema.

Então eu aguardaria mais informações antes de alardear a hipótese.

É muito mais provável que tenha sido algo acidental...

Apagão?

Aqui em Brasília não tivemos realmente nenhum problema com a energia.

Mas já nos Estados mais populosos do Brasil a história foi outra.

Por razões de memória, deixo um link para notícia aqui.

Bom e no que este Blog pode contribuir?

Não muito realmente. Mas posso pelo menos tentar usar este espaço para evitar que o boato supere a verdade.

O que provavelmente aconteceu?

Uma pane no sistema de transmissão. Mas não uma pane qualquer.

O fato da transmissão de Itaipu ter caído é por si só bem inesperado e muito muito improvável. Mas o fato das termoelétricas não terem sido acionadas quando deviam é algo muito mais estranho ainda.

A verdade é que interligar um sistema como o do Brasil não é uma tarefa simples, e mais ainda quando desaparecem 20% do fornecimento para o país fica muito difícil colocar alguma coisa em seu lugar de uma hora para outra.

Então o que temos?

Cerca de 22:13 (horário de Brasília) o sistema caiu. Mesmo o lado paraguaio foi afetado.

Cerca de 30 minutos depois o lado paraguaio já tinha voltado a funcionar.

Mas não o lado brasileiro.

Porque?

Ainda não sabemos. Mas vou ficar de olho e postar o que souber na medida do possível.