A questão do El-Ninõ pode ser tornada mais sofisticada com a introdução do dipolo do atlântico.
O dipolo tem periodicidade de uma componente de 8 a 11 e outra de 12 a 20 anos. Mas ao mesmo tempo, uma análise temporal leva a outros números.
Nesta análise vamos considerar o El-Ninõ com uma periodicidade de 1 a 5 anos (distribuição uniforme) e o dipolo com periodicidade de 1 a 13 anos (distribuição uniforme). Vamos usar a metodologia dos pontos sigmas para verificarmos como podemos propagar os períodos conjuntos.
El-Ninõ: Pontos sigma 2 e 4 (âmbos com probabilidade 1/2)
Dipolo quente: Pontos sigma 3 e 9 (âmbos com probabilidade 1/2)
Combinação de âmbos em:
2 e 3 = 6 anos
4 e 3 = 12 anos
2 e 9 = 18 anos
4 e 9 = 36 anos
Então teríamos combinação média a cada 18 anos. Com um desvio de 11.23 anos.
Ele se combinaram pela última vez em 1979.
Seguindo a idéia teríamos outra combinação em 1997, 2015 e 2033. Olhando a tabela aqui, vemos que realmente temos uma conjunção em 1997 - como esperado.
Podemos também olhar o passado: 1961, 1943, 1925 e 1907. Neste caso vemos que no ano de 1961 não houve El-Ninõ (houve em 1962), mas a variação está dentro do desvio esperado de 11.23 anos.
Podemos fazer uma análise similar para o dipolo frio. Neste caso a periodicidade é de 1 a 7 anos. Fazendo o cálculo dos pontos sígma temos:
Dipolo frio: Pontos sigma 2.5 e 5.5 (âmbos com probabilidade 1/2)
Combinação de âmbos em:
2.5 e 3 = 7.5 anos
5.5 e 3 = 16.5 anos
2.5 e 9 = 22.5 anos
5.5 e 9 = 49.5 anos
Então teríamos combinação a cada 24 anos com desvio de 15.67 anos.
Ele coincidiram em 1965, então teríamos outra conjunção em 1989, 2013 e 2037. E no passado teríamos 1941, 1917 e 1893.
No entanto vemos pela tabela mencionada que houve coincidência em 1986 e 1994, ou seja ainda dentro da margem de 15.67 anos, mas não tão centrado como esperado.
Vamos ver agora os anos muito secos e muito chuvosos no Nordeste desde o início das medições:
- Anos muito secos: 1914, 1915, 1919, 1932, 1951, 1953, 1958, 1970, 1983, 1993, 1998
- Anos muito chuvosos: 1924, 1926, 1935, 1940, 1964, 1968, 1974, 1985, 1986
A priori não há indicação clara de relação
Este blog tem como propósito sincero esclarecer as notícias e novidades sem confundir.
domingo, 27 de junho de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Incerteza e periodicidade
Por vezes a natureza nos lança algumas surpresas. Uma das minhas primeiras surpresas de aplicação da matemática na natureza é a a do mínimo múltiplo comum.
Na realidade existe uma aplicação bastante interessante em biologia do modelo presa-predador que está intimamente ligado ao mínimo múltiplo comum.
No caso estou interessado em eventos comuns porém descritos como uma composição de diversos ciclos em diversas frequências - ou periodicidades.
Vamos supor no caso acima um fenômeno como El-Ninõ. Sua periodicidade é de 2 a 7 anos. No caso o valor com pico fica em 5 anos. Podemos associar probabilidades de ocorrência a estes períodos. Por exemplo:
3 - 1/6
5 - 2/3
7 - 1/6
Em outra situação temos por exemplo o ciclo de manchas solares, que por simplificação vamos adotar:
10 - 1/6
11 - 2/3
12 - 1/6
A ocorrência dos fenômenos conjuntos seria descrita por uma probabilidade associada ao mmc dos mesmos:
3 e 10 - a cada 30 anos com probabilidade de 1/36
3 e 10 - a cada 33 anos com probabilidade de 1/9
3 e 12 - a cada 12 anos com probabilidade de 1/36
De modo similar:
5 e 10 - a cada 10 anos com probabilidade de 1/9
5 e 11 - a cada 55 anos com probabilidade de 4/9
5 e 12 - a cada 60 anos com probabilidade de 1/9
7 e 10 - a cada 70 anos com probabilidade de 1/36
7 e 11 - a cada 77 anos com probabilidade de 1/9
7 e 12 - a cada 84 anos com probabilidade de 1/36
Rearranjando, as probabilidades de coincidência entre ciclo solar e el-ninõ seriam
1/9 a cada 10 anos
1/36 a cada 12 anos
1/36+1/9 a cada 30 anos (5/36)
1/9 a cada 33 anos
4/9 a cada 55 anos
1/9+1/9+1/36 a cada 60 anos (1/4)
1/36+1/9 a cada 70 anos (5/36)
1/9 a cada 77 anos
1/36+1/36 a cada 84 anos (2/18)
Isto significa uma chance de 11% a cada 10 anos, uma chance de 14% a cada 30 anos, 11% a cada 33 anos, 44% a cada 55 anos e 25% a cada 60 anos
Na realidade existe uma aplicação bastante interessante em biologia do modelo presa-predador que está intimamente ligado ao mínimo múltiplo comum.
No caso estou interessado em eventos comuns porém descritos como uma composição de diversos ciclos em diversas frequências - ou periodicidades.
Vamos supor no caso acima um fenômeno como El-Ninõ. Sua periodicidade é de 2 a 7 anos. No caso o valor com pico fica em 5 anos. Podemos associar probabilidades de ocorrência a estes períodos. Por exemplo:
3 - 1/6
5 - 2/3
7 - 1/6
Em outra situação temos por exemplo o ciclo de manchas solares, que por simplificação vamos adotar:
10 - 1/6
11 - 2/3
12 - 1/6
A ocorrência dos fenômenos conjuntos seria descrita por uma probabilidade associada ao mmc dos mesmos:
3 e 10 - a cada 30 anos com probabilidade de 1/36
3 e 10 - a cada 33 anos com probabilidade de 1/9
3 e 12 - a cada 12 anos com probabilidade de 1/36
De modo similar:
5 e 10 - a cada 10 anos com probabilidade de 1/9
5 e 11 - a cada 55 anos com probabilidade de 4/9
5 e 12 - a cada 60 anos com probabilidade de 1/9
7 e 10 - a cada 70 anos com probabilidade de 1/36
7 e 11 - a cada 77 anos com probabilidade de 1/9
7 e 12 - a cada 84 anos com probabilidade de 1/36
Rearranjando, as probabilidades de coincidência entre ciclo solar e el-ninõ seriam
1/9 a cada 10 anos
1/36 a cada 12 anos
1/36+1/9 a cada 30 anos (5/36)
1/9 a cada 33 anos
4/9 a cada 55 anos
1/9+1/9+1/36 a cada 60 anos (1/4)
1/36+1/9 a cada 70 anos (5/36)
1/9 a cada 77 anos
1/36+1/36 a cada 84 anos (2/18)
Isto significa uma chance de 11% a cada 10 anos, uma chance de 14% a cada 30 anos, 11% a cada 33 anos, 44% a cada 55 anos e 25% a cada 60 anos
quinta-feira, 24 de junho de 2010
O passado desconstrói o nosso presente - parte 2
O que dizimou a civilização asteca?
Alguns dizem que foram os conflitos com os espanhóis. Isto é mais propaganda do que verdade. O número de astecas estava na casa dos milhões, enquanto os dos espanhóis estava nos de milhar.
Outra teoria mais aceita é que foram as doenças trazidas da Europa. Esta teoria faz muito mais sentido. No entanto há evidências que a doença era na realidade do continente americano.
O nome era Cocoliztli.
E o que isto tem a ver - se foram as doenças do Velho Mundo ou do Novo Mundo?
Aí é um dos exemplos que o passado pode desconstruir nosso presente: tanto a forma ideológica quanto o nacionalismo de meia tigela pode causar danos inimagináveis.
A doença pode voltar novamente - e o mundo moderno nunca a encontrou antes.
Enterrar a cabeça na areia sem procurar saber o que aconteceu pode custar caro. O que os olhos não vêem, o coração pode sentir...
Alguns dizem que foram os conflitos com os espanhóis. Isto é mais propaganda do que verdade. O número de astecas estava na casa dos milhões, enquanto os dos espanhóis estava nos de milhar.
Outra teoria mais aceita é que foram as doenças trazidas da Europa. Esta teoria faz muito mais sentido. No entanto há evidências que a doença era na realidade do continente americano.
O nome era Cocoliztli.
E o que isto tem a ver - se foram as doenças do Velho Mundo ou do Novo Mundo?
Aí é um dos exemplos que o passado pode desconstruir nosso presente: tanto a forma ideológica quanto o nacionalismo de meia tigela pode causar danos inimagináveis.
A doença pode voltar novamente - e o mundo moderno nunca a encontrou antes.
Enterrar a cabeça na areia sem procurar saber o que aconteceu pode custar caro. O que os olhos não vêem, o coração pode sentir...
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Série: O passado descontrói o nosso presente - parte 1
Lula: Eleições de 1989
Mas nem de longe as coisas são menos embaraçosas
Mas nem de longe as coisas são menos embaraçosas
terça-feira, 22 de junho de 2010
Um problema com a verdade
Li que 70% dos alimentos consumidos pelo brasileiro vem da agricultura familiar.
Fiz umas pesquisas rápidas e vi que a cois parece não ser inteiramente verdade. Casos em questão: arroz e feijão. O Arroz pode ser obtido de diversos produtores, mas existem alguns produtores mais conhecidos - a Josapar (que faz o arroz Tio João é só um deles). Mas vamos ao que temos no supermercado então:
Tio João, Casino, Albaruska, Prato Fino, Camil, Momiji, Uncle Ben, Blue Ville, Mãe Terra, Ráris, Guin, Qualitá, Namorado - aí temos provavelmente quase 100% do mercado brasileiro.
Sim, alguns deles são beneficiadoras - mas não então a definição entre agricultura patronal e agricultura familiar não está um tanto quanto arbitrária? Quando convém a agricultura passa a ser patronal ou familiar?
Cheira a Spin
Fiz umas pesquisas rápidas e vi que a cois parece não ser inteiramente verdade. Casos em questão: arroz e feijão. O Arroz pode ser obtido de diversos produtores, mas existem alguns produtores mais conhecidos - a Josapar (que faz o arroz Tio João é só um deles). Mas vamos ao que temos no supermercado então:
Tio João, Casino, Albaruska, Prato Fino, Camil, Momiji, Uncle Ben, Blue Ville, Mãe Terra, Ráris, Guin, Qualitá, Namorado - aí temos provavelmente quase 100% do mercado brasileiro.
Sim, alguns deles são beneficiadoras - mas não então a definição entre agricultura patronal e agricultura familiar não está um tanto quanto arbitrária? Quando convém a agricultura passa a ser patronal ou familiar?
Cheira a Spin
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Um grande artigo de Joaquim Falcão
Da folha:
A pena é o processo
A qualquer hora, pode um oficial de Justiça lhe trazer notificação judicial. Ou por correio lhe chegar intimação administrativa. Um processo lhe foi ou será instaurado.
Um em cada quatro brasileiros tem processos na Justiça. É normal na democracia. É direito constitucional todos se defenderem e peticionarem. É dever do Ministério Público e de procuradores fiscalizar contribuintes, empresas, concessionárias e governos.
Mas não é normal o abuso do direito, o processo administrativo ou judicial como estratégia de intimidação política, fiscal ou mercadológica. A linha é tênue entre intimar e intimidar.
O processo impõe custos instantâneos ao pretendido réu. Custos muitas vezes maiores do que a incerta condenação legal. Não são impostos pelo juiz nem pela lei. São custos colaterais. Verdadeiras penas sem julgamento.
Primeiro são os custos financeiros de defesa -advogado, perito, custas judiciais- com que o réu, culpado ou não, arca por cerca de 5 anos, tempo médio do processo.
Audiências, embargos, recursos, agravos, via-crúcis ineficiente e deslegitimadora da administração pública e judicial.
Acresça custos de oportunidade.
O tempo que empresa, cidadão ou agente público terá de dedicar à sua defesa. O que de produtivo deixará de fazer. Há os custos psicológicos.
A tensão durante anos. A sentença saiu, quando, como?
Se o réu é do governo, obras públicas poderão ser paralisadas e adiadas. A imagem do político e do servidor se tisna com o eleitor e a mídia. Os crescentes custos de se defender do processo, intimidador, afastam do serviço público os melhores quadros nacionais.
Se o réu é empresa privada ou cidadão, a situação é tão pior quanto.
Hoje, patrimônio indispensável, mensurável monetariamente, é a marca, credibilidade com vizinhos, credores, consumidores e concorrentes. A estratégia intimidatória combina abertura do processo com sua divulgação.
Produz rumor revestido de legalidade, diria Cass Sunstein. E pode gerar danos. Ao colocar o contribuinte no Serasa, sem decisão judicial, o Fisco diz: "Não discuta, pague. O dano à sua imagem será provavelmente maior que a sua vitória ao final do procedimento".
O simples existir do processo retém o investimento, torna bens indisponíveis, paralisa a circulação da riqueza e o prestígio político e moral. Fecham-se contas bancárias. Retira-se o principal documento da cidadania de mercado: o cartão de crédito.
Na democracia, porém, o direito de defesa não deve sofrer constrangimentos. O réu pode até ser inocentado. Mas jamais terá sido totalmente imune. A pena é o processo com seus custos colaterais.
Não é por menos que juízes concedem cada dia mais danos morais e condenam por lide temerária.
O processo intimidatório impõe também custo orçamentário ao Tesouro. Acionar a máquina da Justiça é acionar o taxímetro da despesa pública. Cada intimação temerária é desperdício potencial.
Não se trata de restringir o direito de peticionar ou o dever de fiscalizar e cobrar. Mas, numa sociedade cada vez mais de resultado e menos de valores, fazer a análise de custo e benefício financeiro, político, psicológico ou mercadológico do processo é inevitável.
É hora de a sociedade discutir uma ética do processo. Novas jurisprudência e legislação poderiam evitar estratégias intimidatórias.
Responsabilizar quem indevidamente impõe custos colaterais a cidadãos e desperdício ao Tesouro. A crescente processualização administrativa ou judicial da vida cotidiana não é expansão da legalidade. É inchaço. Não é saúde. Pode ser doença. Há que se tratar.
A pena é o processo
A qualquer hora, pode um oficial de Justiça lhe trazer notificação judicial. Ou por correio lhe chegar intimação administrativa. Um processo lhe foi ou será instaurado.
Um em cada quatro brasileiros tem processos na Justiça. É normal na democracia. É direito constitucional todos se defenderem e peticionarem. É dever do Ministério Público e de procuradores fiscalizar contribuintes, empresas, concessionárias e governos.
Mas não é normal o abuso do direito, o processo administrativo ou judicial como estratégia de intimidação política, fiscal ou mercadológica. A linha é tênue entre intimar e intimidar.
O processo impõe custos instantâneos ao pretendido réu. Custos muitas vezes maiores do que a incerta condenação legal. Não são impostos pelo juiz nem pela lei. São custos colaterais. Verdadeiras penas sem julgamento.
Primeiro são os custos financeiros de defesa -advogado, perito, custas judiciais- com que o réu, culpado ou não, arca por cerca de 5 anos, tempo médio do processo.
Audiências, embargos, recursos, agravos, via-crúcis ineficiente e deslegitimadora da administração pública e judicial.
Acresça custos de oportunidade.
O tempo que empresa, cidadão ou agente público terá de dedicar à sua defesa. O que de produtivo deixará de fazer. Há os custos psicológicos.
A tensão durante anos. A sentença saiu, quando, como?
Se o réu é do governo, obras públicas poderão ser paralisadas e adiadas. A imagem do político e do servidor se tisna com o eleitor e a mídia. Os crescentes custos de se defender do processo, intimidador, afastam do serviço público os melhores quadros nacionais.
Se o réu é empresa privada ou cidadão, a situação é tão pior quanto.
Hoje, patrimônio indispensável, mensurável monetariamente, é a marca, credibilidade com vizinhos, credores, consumidores e concorrentes. A estratégia intimidatória combina abertura do processo com sua divulgação.
Produz rumor revestido de legalidade, diria Cass Sunstein. E pode gerar danos. Ao colocar o contribuinte no Serasa, sem decisão judicial, o Fisco diz: "Não discuta, pague. O dano à sua imagem será provavelmente maior que a sua vitória ao final do procedimento".
O simples existir do processo retém o investimento, torna bens indisponíveis, paralisa a circulação da riqueza e o prestígio político e moral. Fecham-se contas bancárias. Retira-se o principal documento da cidadania de mercado: o cartão de crédito.
Na democracia, porém, o direito de defesa não deve sofrer constrangimentos. O réu pode até ser inocentado. Mas jamais terá sido totalmente imune. A pena é o processo com seus custos colaterais.
Não é por menos que juízes concedem cada dia mais danos morais e condenam por lide temerária.
O processo intimidatório impõe também custo orçamentário ao Tesouro. Acionar a máquina da Justiça é acionar o taxímetro da despesa pública. Cada intimação temerária é desperdício potencial.
Não se trata de restringir o direito de peticionar ou o dever de fiscalizar e cobrar. Mas, numa sociedade cada vez mais de resultado e menos de valores, fazer a análise de custo e benefício financeiro, político, psicológico ou mercadológico do processo é inevitável.
É hora de a sociedade discutir uma ética do processo. Novas jurisprudência e legislação poderiam evitar estratégias intimidatórias.
Responsabilizar quem indevidamente impõe custos colaterais a cidadãos e desperdício ao Tesouro. A crescente processualização administrativa ou judicial da vida cotidiana não é expansão da legalidade. É inchaço. Não é saúde. Pode ser doença. Há que se tratar.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Discursos Dilma e Serra
O que Dilma falou mais no seu Discurso?
Word cloud made with WordItOut
O que Serra falou mais em seu Discurso?
Word cloud made with WordItOut
O que Serra falou mais em seu Discurso?
quinta-feira, 10 de junho de 2010
terça-feira, 8 de junho de 2010
Passe Livre? Ops, não existe almoço grátis...
Sim, como descoberto tardiamente por todos, o passe livre custa dinheiro.
Os números são grandes: 120 mil estudantes em Brasília
Se considerarmos a passagem média a R$ 2,00 e 4 viagens por dia, temos um gasto de:
R$ 960 mil reais/dia - ou seja perto de R$ 1 milhão por dia.
30 dias (1 mês) - 30 milhões, 1 ano (12 meses) - 360 milhões.
Quem paga? Não existe nada de graça.
Pedir que os empresários de transporte arquem com 360 milhões pode parecer uma boa idéia. Até que peçam concordata e saiam do negócio de transporte público.
E aí sobra o governo - e por tabela a população - para pagar pelo benefício.
Culpa de quem? Ora, os estudantes fizeram o seu papel. Mas não cabia a eles determinar o quão era factível o passe livre. E nesse ponto, o GDF e a CLDF falharam de modo olímpico...
Os números são grandes: 120 mil estudantes em Brasília
Se considerarmos a passagem média a R$ 2,00 e 4 viagens por dia, temos um gasto de:
R$ 960 mil reais/dia - ou seja perto de R$ 1 milhão por dia.
30 dias (1 mês) - 30 milhões, 1 ano (12 meses) - 360 milhões.
Quem paga? Não existe nada de graça.
Pedir que os empresários de transporte arquem com 360 milhões pode parecer uma boa idéia. Até que peçam concordata e saiam do negócio de transporte público.
E aí sobra o governo - e por tabela a população - para pagar pelo benefício.
Culpa de quem? Ora, os estudantes fizeram o seu papel. Mas não cabia a eles determinar o quão era factível o passe livre. E nesse ponto, o GDF e a CLDF falharam de modo olímpico...
Legalidade e Impessoalidade
Foram estes os termos utilizados pelo Conselho Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios para arquivar a denúncia contra dois promotores.
Quero colocar aqui algo que um desses promotores disse a imprensa:
" XXX XXX* chamou a atenção para o fato de os dirigentes da Finatec, “professores universitários, quererem manter a todo custo cargos para os quais não recebem salários, ou seja, têm atuação voluntária”. “Que amor é esse a esses cargos? A sociedade tem que se perguntar isso”."
Isto parece impessoal para alguém? Isto parece legal para alguém?
Dado o que está acontecendo a outros promotores no mesmo MP não será o caso de bradar a toda voz:
Quem vigia os vigilantes?
* O nome é bem conhecido das confusões de 2008 na UnB
Quero colocar aqui algo que um desses promotores disse a imprensa:
" XXX XXX* chamou a atenção para o fato de os dirigentes da Finatec, “professores universitários, quererem manter a todo custo cargos para os quais não recebem salários, ou seja, têm atuação voluntária”. “Que amor é esse a esses cargos? A sociedade tem que se perguntar isso”."
Isto parece impessoal para alguém? Isto parece legal para alguém?
Dado o que está acontecendo a outros promotores no mesmo MP não será o caso de bradar a toda voz:
Quem vigia os vigilantes?
* O nome é bem conhecido das confusões de 2008 na UnB
segunda-feira, 7 de junho de 2010
A questão do aborto
No caso de outra questão polêmica temos que 68% da população é contrária à modificações na lei do aborto.
Este é um daqueles problemas que tem ramificações sérias com relação aos candidatos. Com relação a escolaridade 71% dos entrevistados com ensino fundamental não desejam mudanças na lei, 68% dos entrevistados com ensino médio não desejam mudanças na lei e quando chegamos ao ensino superior este percentual passa a 54%.
Já os que desejam que o aborto deixe de ser crime em qualquer caso temos 11% para os entrevistados com escolaridade fundamental e média e 12% para os com escolaridade de nível superior.
Com relação à avaliação do presidente Lula temos que os que querem que a Lei continue como está tem cerca de 68% de avaliação positiva, neutra e negativa. E os que querem que aborto deixe de ser crime em qualquer caso tem avaliação 11% positivo, 10% neutro e 14% negativo.
Com relação a cenário político temos que
Nesta comparação vemos que cerca de 65% dos eleitores de Dilma e 70% dos de Serra são contrários a modificações na lei. E o número é ainda maior considerando os que são contrários ao aborto em qualquer caso.
Em outras palavras: uma posição clara no aborto pode custar caro aos dois candidatos.
E neste ponto talvez os radicais possam causar mais dano do que qualquer dossiê vazado para imprensa.
Este é um daqueles problemas que tem ramificações sérias com relação aos candidatos. Com relação a escolaridade 71% dos entrevistados com ensino fundamental não desejam mudanças na lei, 68% dos entrevistados com ensino médio não desejam mudanças na lei e quando chegamos ao ensino superior este percentual passa a 54%.
Já os que desejam que o aborto deixe de ser crime em qualquer caso temos 11% para os entrevistados com escolaridade fundamental e média e 12% para os com escolaridade de nível superior.
Com relação à avaliação do presidente Lula temos que os que querem que a Lei continue como está tem cerca de 68% de avaliação positiva, neutra e negativa. E os que querem que aborto deixe de ser crime em qualquer caso tem avaliação 11% positivo, 10% neutro e 14% negativo.
Com relação a cenário político temos que
- José Serra - 70% querem que a lei fique do jeito que está, 13% que haja modificações e 12% que seja permitida em qualquer caso
- Dilma - 65% querem que a lei fique do jeito que está, 12% que haja modificações e 18% que seja permitida em qualquer caso.
Nesta comparação vemos que cerca de 65% dos eleitores de Dilma e 70% dos de Serra são contrários a modificações na lei. E o número é ainda maior considerando os que são contrários ao aborto em qualquer caso.
Em outras palavras: uma posição clara no aborto pode custar caro aos dois candidatos.
E neste ponto talvez os radicais possam causar mais dano do que qualquer dossiê vazado para imprensa.
domingo, 6 de junho de 2010
Estimativa para 2010
Pelas contas e aproximações teríamos a distribuição de votos segundo os favoráveis a união civil
- Serra - 37%
- Dilma - 41%
- Marina - 10%
- Brancos/Nulos e não sabem - 12%
- Serra - 37%
- Dilma - 34%
- Marina - 11%
- Brancos/Nulos e não sabem - 17%
sábado, 5 de junho de 2010
Temas polêmicos em campanhas políticas
Uma questão interessante na eleição é a de qual o efeito que um programa pode ter na campanha. Geralmente isto é resolvido na forma que os programas descrevem essencialmente platitudes - sem entrar nos detalhes complicados que causam polêmica.
Mas ao mesmo tempo, determinadas posições são naturalmente polêmicas. Alguns exemplos são: união civil entre homossexuais, legalização de drogas e aborto.
Um estudo interessante é como isto pode ser dividido. Em outras palavras, caso um candidato assuma determinada postura, qual é o efeito que isto pode ter em sua votação.
Para tanto vamos ver a questão da união civil de homossexuais e qual o efeito que pode ter em segmentos da população e nos candidatos.
Temos uma pesquisa DATAFOLHA a respeito deste assunto. Nela vemos que:
Temos p(favorável|positivo)=0.38, p(favorável|neutro)=0.40, p(favorável|negativo)=0.42. Como:
Mas ao mesmo tempo, determinadas posições são naturalmente polêmicas. Alguns exemplos são: união civil entre homossexuais, legalização de drogas e aborto.
Um estudo interessante é como isto pode ser dividido. Em outras palavras, caso um candidato assuma determinada postura, qual é o efeito que isto pode ter em sua votação.
Para tanto vamos ver a questão da união civil de homossexuais e qual o efeito que pode ter em segmentos da população e nos candidatos.
Temos uma pesquisa DATAFOLHA a respeito deste assunto. Nela vemos que:
- 42% dos eleitores de Serra são favoráveis à união civil, 44% dos eleitores são contrários à união civil, 13% são indiferentes e 1% não sabe
- 46% dos eleitores de Dilma são favoráveis à união civil, 44% dos eleitores são contrários à união civil, 11% são indiferentes e 0% não sabe
- 38% da população com avaliação positiva do governo é favorável à união civil, 45% da população com avaliação positiva é contrária à união civil, 14% é indiferente e 2% não sabe
- 40% da população com avaliação neutra do governo é favorável à união civil, 44% da população com avaliação neutra é contrária à união civil, 15% é indiferente e 1% não sabe
- 42% da população com avaliação negativa do governo é favorável à união civil, 44% da população com avaliação negativa é contrária à união civil, 12% é indiferente e 1% não sabe
Temos p(favorável|positivo)=0.38, p(favorável|neutro)=0.40, p(favorável|negativo)=0.42. Como:
- p(favorável)=p(favorável|positivo)*p(positivo)+p(favorável|neutro)*p(neutro)+p(favorável|negativo)*p(negativo)= 0.38*55+0.44*0.33+0.42*11= 38,72
- p(desfavorável)=p(desfavorável|positivo)*p(positivo)+p(desfavorável|neutro)*p(neutro)+p(desfavorável|negativo)*p(negativo)= 0.45*55+0.44*0.33+0.44*11= 44,11
- p(indiferente)=p(indiferente|positivo)*p(positivo)+p(indiferente|neutro)*p(neutro)+p(indiferente|negativo)*p(negativo)= 0.14*55+0.15*0.33+0.12*11= 13,97
- p(não sabe)=p(não sabe|positivo)*p(positivo)+p(não sabe|neutro)*p(neutro)+p(não sabe|negativo)*p(negativo) = 0.02*55+0.01*0.33+0.01*11= 1,54
Uma vez tendo estas informações podemos encontra agora:
- p(positivo|favorável)=p(favorável|positivo)*p(positivo)/p(favorável) = 0.38*0.55/0.3872=0.54
- p(neutro|favorável)=0.34
- p(negativo|favorável)=0.12
- p(positivo|desfavorável)=0.56
- p(neutro|desfavorável)=0.33
- p(negativo|desfavorável)=0.11
- p(positivo|indiferente)=0.55
- p(neutro|indiferente)=0.35
- p(negativo|indiferente)=0.10
- p(positivo|não sabe)=0.71
- p(neutro|não sabe)=0.21
- p(negativo|não sabe)=0.07
Isto quer dizer que dos que tem:
- Avaliação favorável a união civil entre homossexuais: 54% tem avaliação positiva do governo Lula, 34% tem avaliação neutra do governo Lula, 12% tem avaliação negativa do governo Lula
- Avaliação desfavorável a união civil entre homossexuais: 56% tem avaliação positiva do governo Lula, 33% tem avaliação neutra do governo Lula, 11% tem avaliação negativa do governo Lula
- Avaliação indiferente a união civil entre homossexuais: 55% tem avaliação positiva do governo Lula, 35% tem avaliação neutra do governo Lula, 10% tem avaliação negativa do governo Lula
- Não sabem quanto a união civil entre homossexuais: 71% tem avaliação positiva do governo Lula, 21% tem avaliação neutra do governo Lula, 7% tem avaliação negativa do governo Lula
Com isto podemos fazer a mesma coisa com relação ao perfil do eleitorado de cada candidato:
p(favorável|Serra)=0.42, p(favorável|Dilma)=0.46, p(favorável|Ciro)=0.4, p(favorável|HH)=0.45, p(favorável(Branco)=0.33
Este cenário é o de 2008, mas vamos usa-lo para poder construir mais ou menos um retrato um pouco distorcido do que seria hoje. (Neste caso os pessoas são 0.38, 0.03, 0.3,0.14,0.15)
Assim:
p(favorável)=0.42*0.38+0.46*0.03+0.4*0.3+0.45*0.14+0.33*0.15=0.4059
p(desfavorável)=0.446
p(indiferente)=0.1387
p(não sabe)=0.0112
p(Serra|favorável)=p(favorável|Serra)*p(Serra)/p(favorável)=0.393
p(Dilma|favorável)= 0.03
p(Ciro|favorável)=0.30
p(HH|favorável)=0.16
p(Branco|favorável)=0.12
Em termos práticos isto quer dizer que uma sala cheia de pessoas favoráveis ao união civil entre homossexuais, 39% seriam eleitores de Serra, 3% eleitores de Dilma, 30% eleitores de Ciro, 16% eleitores de Heloisa Helena e 12% votariam em Branco ou nulo.
Mas podemos utilizar a mesma lógica para os dados de hoje - e isto fica para um post futuro
p(Dilma|favorável)= 0.03
p(Ciro|favorável)=0.30
p(HH|favorável)=0.16
p(Branco|favorável)=0.12
Em termos práticos isto quer dizer que uma sala cheia de pessoas favoráveis ao união civil entre homossexuais, 39% seriam eleitores de Serra, 3% eleitores de Dilma, 30% eleitores de Ciro, 16% eleitores de Heloisa Helena e 12% votariam em Branco ou nulo.
Mas podemos utilizar a mesma lógica para os dados de hoje - e isto fica para um post futuro
sexta-feira, 4 de junho de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
O duro espaço de quem não tem espaço
Como já li algo sobre a evolução da humanidade fiquei muito interessado no documentário do NatGeo sobre os efeitos do fim da última era glacial na população humana.
Curiosamente, talvez este fim tenha precipitado o desenvolvimento da raça humana.
Ao contrário de vários cientistas sociais que formulam a hipótese e depois procuram os fatos que façam sentido dentro da hipótese, eu nunca fui muito fã deste conceito.
É o velho problema do conflito do "armchair specialist" versus "field collector". O ideal é sempre uma integração dos dois, mas isto é mais complicado do que parece.
Um dos pontos do programa é que o assentamento de populações forçou o desenvolvimento da agricultura e isto por si levou a estrutura social que eventualmente conhecemos hoje.
Temos aí um problema de ovo e galinha, pois não se sabe o que gerou o que.
Mas o programa levanta pontos interessantes: determinadas culturas de plantas tem constantes de tempo maiores que outras. Enquanto algumas culturas levam semanas, outras podem levar meses ou mesmo anos.
Então entender esta questão é um trabalho de detetive a saber: quais as culturas que surgiram primeiro e como evoluiram para outras culturas de alimento.
Ou seja, é o traçado da história da gastronomia. E também a história da nossa sociedade...
É a história de quanto espaço efetivamente ocupamos, ou nosso "global footprint"
Curiosamente, talvez este fim tenha precipitado o desenvolvimento da raça humana.
Ao contrário de vários cientistas sociais que formulam a hipótese e depois procuram os fatos que façam sentido dentro da hipótese, eu nunca fui muito fã deste conceito.
É o velho problema do conflito do "armchair specialist" versus "field collector". O ideal é sempre uma integração dos dois, mas isto é mais complicado do que parece.
Um dos pontos do programa é que o assentamento de populações forçou o desenvolvimento da agricultura e isto por si levou a estrutura social que eventualmente conhecemos hoje.
Temos aí um problema de ovo e galinha, pois não se sabe o que gerou o que.
Mas o programa levanta pontos interessantes: determinadas culturas de plantas tem constantes de tempo maiores que outras. Enquanto algumas culturas levam semanas, outras podem levar meses ou mesmo anos.
Então entender esta questão é um trabalho de detetive a saber: quais as culturas que surgiram primeiro e como evoluiram para outras culturas de alimento.
Ou seja, é o traçado da história da gastronomia. E também a história da nossa sociedade...
É a história de quanto espaço efetivamente ocupamos, ou nosso "global footprint"
terça-feira, 1 de junho de 2010
Uma curiosidade
Observando os dados eleitorais não posso deixar de pensar sobre a questão das distribuições marginais
Sim, o que vem a mente é se podemos supór que uma amostra com as mesmas distribuições marginais não terá maior proximidade com a distribuição conjunta final.
Assim, um dos critérios para escolha da amostra seria invariavelmente que as distribuições marginais das amostras fossem próximas das distribuições marginais CONHECIDAS da população total.
Será que isto é válido? É um caso a se pensar
Se as distribuições forem independentes podemos tentar algo como calcular as probabilidades do evento não ocorrer dado que a distribuição está correta. E pela independência seria possível encontrar encontrar a probabilidade do evento não ocorrer de modo total - bastando multiplicar as probabilidades com cada distribuição (devido a independência).
p(evento não ocorrer | distribuição 1 está correta)
ou será
p(evento ocorrer | distribuição 1 não está correta)
Estas dúvidas é que complicam a análise. Vou pensar mais a respeito...
Sim, o que vem a mente é se podemos supór que uma amostra com as mesmas distribuições marginais não terá maior proximidade com a distribuição conjunta final.
Assim, um dos critérios para escolha da amostra seria invariavelmente que as distribuições marginais das amostras fossem próximas das distribuições marginais CONHECIDAS da população total.
Será que isto é válido? É um caso a se pensar
Se as distribuições forem independentes podemos tentar algo como calcular as probabilidades do evento não ocorrer dado que a distribuição está correta. E pela independência seria possível encontrar encontrar a probabilidade do evento não ocorrer de modo total - bastando multiplicar as probabilidades com cada distribuição (devido a independência).
p(evento não ocorrer | distribuição 1 está correta)
ou será
p(evento ocorrer | distribuição 1 não está correta)
Estas dúvidas é que complicam a análise. Vou pensar mais a respeito...
Inconveniência nos dados
Após um certo trabalho encontrei notícias no site do TSE sobre o perfil do eleitor brasileiro.
E qual não foi minha surpresa quando vi que os percentuais de eleitores nos graus de ensino são diferentes tanto do DATAFOLHA, quanto do SENSUS e Vox Populi.
Temos então que o TSE calculou quanto a escolaridade:
Não informado 165.000 (0.15%)
Analfabeto 8.100.000 (6.2%)
Le e escreve 20.400.000 (15.6%)
Primeio grau incompleto 44.500.000 (34%)
Primeio grau completo 10.150.000 (7.8%)
Segundo grau incompleto 23.650.000 (18.9%)
Segundo grau completo 15.850.000 (12.1%)
Superior incompleto 3.300.000 (2.5%)
Superior completo 4.600.000 (3.5%)
Total 130.600.000 (100%)
Portanto, ao dividirmos em três grupos (até o fundamental, até o ensino médio e ensino superior) temos:
Grupo 1 (Fundamental) - 63%
Grupo 2 (Médio) - 31%
Grupo 3( Superior) - 6%
Isto é significativamente diferente dos valores que tínhamos nas pesquisas.
Felizmente, a substituição destes valores não causa um efeito significativo nos resultados finais. Mas eu vou procurar traçar estes dados de modo mais preciso com estas informações
No caso das faixas etárias temos:
16-24 anos: 19%
25-34 anos: 24%
35-44 anos: 20%
45-59 anos: 22%
+60 anos: 15%
Este comportamento de diminuição percentual entre 35 e 44 é muito curioso, mas está de acordo com os dados.
De forma similar, 24% do eleitorado está nas capitais e 76% no interior (municípios do interior, é claro). E também 52% do eleitorado é feminino (48% masculino).
E qual não foi minha surpresa quando vi que os percentuais de eleitores nos graus de ensino são diferentes tanto do DATAFOLHA, quanto do SENSUS e Vox Populi.
Temos então que o TSE calculou quanto a escolaridade:
Não informado 165.000 (0.15%)
Analfabeto 8.100.000 (6.2%)
Le e escreve 20.400.000 (15.6%)
Primeio grau incompleto 44.500.000 (34%)
Primeio grau completo 10.150.000 (7.8%)
Segundo grau incompleto 23.650.000 (18.9%)
Segundo grau completo 15.850.000 (12.1%)
Superior incompleto 3.300.000 (2.5%)
Superior completo 4.600.000 (3.5%)
Total 130.600.000 (100%)
Portanto, ao dividirmos em três grupos (até o fundamental, até o ensino médio e ensino superior) temos:
Grupo 1 (Fundamental) - 63%
Grupo 2 (Médio) - 31%
Grupo 3( Superior) - 6%
Isto é significativamente diferente dos valores que tínhamos nas pesquisas.
Felizmente, a substituição destes valores não causa um efeito significativo nos resultados finais. Mas eu vou procurar traçar estes dados de modo mais preciso com estas informações
No caso das faixas etárias temos:
16-24 anos: 19%
25-34 anos: 24%
35-44 anos: 20%
45-59 anos: 22%
+60 anos: 15%
Este comportamento de diminuição percentual entre 35 e 44 é muito curioso, mas está de acordo com os dados.
De forma similar, 24% do eleitorado está nas capitais e 76% no interior (municípios do interior, é claro). E também 52% do eleitorado é feminino (48% masculino).
segunda-feira, 31 de maio de 2010
A qualidade dos dados
Um ponto que é muito importante em qualquer pesquisa é a qualidade dos dados. Em poucas palavras, GIGO (Garbage In Garbage Out)
Este ponto foi levantado, com muita propriedade, pelo meu colega da UnB Prof. Marcelo Hermes
E ele tem razão: se os dados não forem isentos fica muito difícil obter-se um resultado preciso com eles.
Mas o que ele levantou talvez possa permitir uma comparação mais adequada entre as pesquisas dos diversos institutos. E a questão é que a distribuição geográfica talvez seja uma excelente forma de comparar quais as discrepâncias entre as pesquisas.
A distribuição usada pelo DATAFOLHA para as regiões foi:
DATAFOLHA:
DATAFOLHA:
Infelizmente também fica difícil avaliar o impacto devido ao uso de percentuais diferentes. Mas por algumas simulações, os dois resultados de maio convergem para valores similares (aonde pode ser comparado - na escolaridade).
Infelizmente a pesquisa SENSUS não permite inferência sobre parte das distribuições marginais como a pesquisa DATAFOLHA. Há a pesquisa da VoxPopuli, que também merece ser estudada.
Resta apenas aguardar a pesquisa do IBOPE para ver se temos ou não confirmação
Este ponto foi levantado, com muita propriedade, pelo meu colega da UnB Prof. Marcelo Hermes
E ele tem razão: se os dados não forem isentos fica muito difícil obter-se um resultado preciso com eles.
Mas o que ele levantou talvez possa permitir uma comparação mais adequada entre as pesquisas dos diversos institutos. E a questão é que a distribuição geográfica talvez seja uma excelente forma de comparar quais as discrepâncias entre as pesquisas.
A distribuição usada pelo DATAFOLHA para as regiões foi:
- Sudeste - 42%
- Sul - 14%
- Nordeste - 28%
- Norte/Centro Oeste - 15%
- Sudeste - 42.4%
- Sul - 14.6%
- Nordeste - 28%
- Norte/Centro Oeste - 15.1%
DATAFOLHA:
- Fundamental: 45%
- Médio: 41%
- Superior: 14%
- Fundamental: 55%
- Médio: 32%
- Superior: 13%
DATAFOLHA:
- 16-24: 25%
- 25-34: 23%
- 35-44: 20%
- 45-60: 19%
- +60: 13%
- 16-24: 21%
- 25-39: 32%
- 40-49: 18%
- +50: 29%
Infelizmente também fica difícil avaliar o impacto devido ao uso de percentuais diferentes. Mas por algumas simulações, os dois resultados de maio convergem para valores similares (aonde pode ser comparado - na escolaridade).
Infelizmente a pesquisa SENSUS não permite inferência sobre parte das distribuições marginais como a pesquisa DATAFOLHA. Há a pesquisa da VoxPopuli, que também merece ser estudada.
Resta apenas aguardar a pesquisa do IBOPE para ver se temos ou não confirmação
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Analisando os dados
De todas as maneira que vejo chego a conclusão que Dilma ganhou os votos de Ciro primariamente na faixa dos eleitores que aprovam o governo Lula.
Serra praticamente permaneceu igual e Marina parece ter tido algum ganho em todas as faixas.
O número de votos em branco e nulos diminuiu e o número de Não sabe teve ligeiro aumento.
Agora as coisas ficam interessantes.
Supondo uma trajetória mais ou menos constante, os candidatos podem crescer retirando votos entre si ou das categorias de brancos/nulos e não sabe.
Segundo meus cálculos há cerca de 14% nestas categorias. Destes, praticamente 10% tem avaliação positiva de Lula, 3% tem avaliação neutra e 1% tem avaliação negativa.
Além disto se Serra e Dilma forem ao segundo turno, como tudo indica, há a questão de como serão divididos os votos de Marina Silva. O perfil de seus eleitores é de 7% aprovam Lula, 3% acham o governo neutro e 1% acham o mesmo ruim.
Então na jogada estão cerca de 17% de eleitores que aprovam o governo Lula, 6% que acham seu governo neutro e 2% que acham o mesmo ruim.
Naturalmente como Serra e Dilma estão tecnicamente empatados em 37%, faltam apenas 13% para um deles chegar a vitória.
E a vitória depende de conquistar pelo menos parte dos eleitores que aprovam Lula...
Então atacar Lula e seu governo é estratégia ruim de campanha...
Serra praticamente permaneceu igual e Marina parece ter tido algum ganho em todas as faixas.
O número de votos em branco e nulos diminuiu e o número de Não sabe teve ligeiro aumento.
Agora as coisas ficam interessantes.
Supondo uma trajetória mais ou menos constante, os candidatos podem crescer retirando votos entre si ou das categorias de brancos/nulos e não sabe.
Segundo meus cálculos há cerca de 14% nestas categorias. Destes, praticamente 10% tem avaliação positiva de Lula, 3% tem avaliação neutra e 1% tem avaliação negativa.
Além disto se Serra e Dilma forem ao segundo turno, como tudo indica, há a questão de como serão divididos os votos de Marina Silva. O perfil de seus eleitores é de 7% aprovam Lula, 3% acham o governo neutro e 1% acham o mesmo ruim.
Então na jogada estão cerca de 17% de eleitores que aprovam o governo Lula, 6% que acham seu governo neutro e 2% que acham o mesmo ruim.
Naturalmente como Serra e Dilma estão tecnicamente empatados em 37%, faltam apenas 13% para um deles chegar a vitória.
E a vitória depende de conquistar pelo menos parte dos eleitores que aprovam Lula...
Então atacar Lula e seu governo é estratégia ruim de campanha...
terça-feira, 25 de maio de 2010
Mais uma forma de ver os dados
Além da comparação das pesquisas com cenário sem Ciro com a situação atual sem Ciro, podemos analisar a partir do caso original com Ciro e verificar como se alteraram os números.
A situação era essa com Ciro em abril:
Os votos de Ciro foram redistribuídos entre os que sobraram. De que forma?
Então houve transferência de votos de Ciro para os demais candidatos, mas ao mesmo tempo a saída de Ciro causou alterações nas intenções de voto brancas, nulas e não sabe...
A situação era essa com Ciro em abril:
- Dilma tinha 27 % - sendo 25% de eleitores que achavam o governo Lula bom, 2% que achavam o governo Lula neutro e praticamente 0% que achavam o governo Lula ruim
- Serra tinha 36 % - sendo 24% de eleitores que achavam o governo Lula bom, 10% que achavam o governo Lula neutro e praticamente 2% que achavam o governo Lula ruim
- Ciro tinha 10 % - sendo 8% de eleitores que achavam o governo Lula bom, 2% que achavam o governo Lula neutro e praticamente 0% que achavam o governo Lula ruim
- Marina tinha 7 % - sendo 5% de eleitores que achavam o governo Lula bom, 2% que achavam o governo Lula neutro e praticamente 0% que achavam o governo Lula ruim
- Brancos e Nulos tinha 10 % - sendo 8% de eleitores que achavam o governo Lula bom, 2% que achavam o governo Lula neutro e praticamente 0% que achavam o governo Lula ruim
- Não sabem tinha 7 % - sendo 4% de eleitores que achavam o governo Lula bom, 2% que achavam o governo Lula neutro e praticamente 1% que achavam o governo Lula ruim
- Dilma tinha 37 % - sendo 34% de eleitores que achavam o governo Lula bom, 3% que achavam o governo Lula neutro e praticamente 0% que achavam o governo Lula ruim
- Serra tinha 37 % - sendo 24% de eleitores que achavam o governo Lula bom, 10% que achavam o governo Lula neutro e praticamente 3% que achavam o governo Lula ruim
- Marina tinha 11 % - sendo 7% de eleitores que achavam o governo Lula bom, 3% que achavam o governo Lula neutro e praticamente 1% que achavam o governo Lula ruim
- Brancos e Nulos tinha 5 % - sendo 3% de eleitores que achavam o governo Lula bom, 1% que achavam o governo Lula neutro e praticamente 1% que achavam o governo Lula ruim
- Não sabe tinha 9 % - sendo 7% de eleitores que achavam o governo Lula bom, 2% que achavam o governo Lula neutro e praticamente 0% que achavam o governo Lula ruim
- Dilma ganhou 9% em eleitores qua achavam o governo Lula bom, 1% em eleitores que achavam o governo Lula neutro e 0% entre eleitores que achavam o governo Lula ruim
- Serra ganhou 0% em eleitores qua achavam o governo Lula bom, perdeu praticamente 0% em eleitores que achavam o governo Lula neutro e ganhou 1% entre eleitores que achavam o governo Lula ruim
- Marina ganhou 2% em eleitores que achavam o governo Lula bom, 1% em eleitores que achavam o governo Lula neutro e praticamente 1% entre eleitores que achavam o governo Lula ruim
- Brancos e nulos perdeu 5% em eleitores qua achavam o governo Lula bom, 1% em eleitores que achavam o governo Lula neutro e ganhou 1% entre eleitores que achavam o governo Lula ruim
- Não sabe ganhou 2% em eleitores qua achavam o governo Lula bom, 0% em eleitores que achavam o governo Lula neutro e perdeu 0% entre eleitores que achavam o governo Lula ruim
Os votos de Ciro foram redistribuídos entre os que sobraram. De que forma?
- No caso da avaliação positiva do governo Lula: 9.12% para Dilma, 0% para Serra, 2.28% para Marina, -5.32% para Branco (o número de brancos diminuiu) e 2.27 para não sabe - ao somarmos isto chegamos aos 8.36% de Ciro
- No caso da avaliação neutra do governo Lula: 0.86% para Dilma, -0.32% para Serra, 0.85% para Marina, -0.68% para Branco e 0.29% para não sabe - ao somarmos isto chegamos 1% que é diferente dos 2.32% de Ciro. Mas isto é fácil de entender porque...
- No caso da avaliação negativa do governo Lula: 0% para Dilma, 1.03% para Serra, 0.51% para Marina, 0.6% para Branco e -0.78 para não sabe - ao somarmos isto chegamos 1.36 que é diferente dos 0.32 de Ciro.
Então houve transferência de votos de Ciro para os demais candidatos, mas ao mesmo tempo a saída de Ciro causou alterações nas intenções de voto brancas, nulas e não sabe...
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Uma forma de ver os dados
Infelizmente não é possível saber exatamente de onde vem os votos de cada candidato. Mas é possível ter uma boa idéia
Quanto a escolaridade:
Efetivamente nesta análise os votos que Dilma ganhou vieram de todos, mas principalmente de Serra e Brancos e Nulos.
Quanto a faixa etária
Quanto a faixa salarial
Quanto a aprovação do governo Lula
Ou seja: bem complexo mesmo. Mas no geral, Serra perde 4.5%, Dilma ganha 7% e Brancos e Nulos perde 2.5%
Quanto a escolaridade:
- Serra perdeu 2.4 pontos nos eleitores de ensino fundamental, 2.4 pontos nos de ensino médio e 0.36 pontos nos de ensino superior
- Dilma ganhou 3.4 pontos nos eleitores de ensino fundamental, 3.6 pontos nos de ensino médio e 0.48 pontos nos de ensino superior
- Marina perdeu 0.48 pontos nos eleitores de ensino fundamental, 0.4 pontos nos de ensino médio e 0 pontos nos de ensino superior
- Brancos e Nulos perdeu 1.4 pontos nos eleitores de ensino fundamental, 0.8 pontos nos de ensino médio e 0.24 pontos nos de ensino superior
Efetivamente nesta análise os votos que Dilma ganhou vieram de todos, mas principalmente de Serra e Brancos e Nulos.
Quanto a faixa etária
- Serra perdeu 1.1 pontos nos eleitores de 16-24, 1.2 pontos nos 25-34 e 0.6 pontos nos 35-44, 1.4 nos de 45-60 e 0.6 nos de mais de 60
- Dilma ganhou 1.6 pontos nos eleitores de 16-24, 2.2 pontos nos 25-34 e 0.8 pontos nos 35-44, 0.9 nos de 45-60 e 0 nos de mais de 60
- Marina perdeu 0.2 pontos nos eleitores de 16-24, 0.5 pontos nos 25-34 e ganhou 0.4 pontos nos 35-44, 0.2 nos de 45-60 e 0 nos de mais de 60
- Brancos e Nulos perdeu 0 pontos nos eleitores de 16-24, 0.5 pontos nos 25-34 e 0.6 pontos nos 35-44, 0.9 nos de 45-60 e 0.3 nos de mais de 60
- Não sabe perdeu 0.4 pontos nos eleitores de 16-24, 0 pontos nos 25-34 e ganhou 0.2 pontos nos 35-44, 1.2 nos de 45-60 e perdeu 0.6 nos de mais de 60
Quanto a faixa salarial
- Serra perdeu 2.6 pontos dos eleitores ganha até 2 salários, 1.6 dos que ganham entre 2 e 6 salários, 0.6 entre 6 e 10 salários e 0.02 acima de 10 salários
- Dilma ganhou 4.1 pontos dos eleitores ganha até 2 salários, 3.2 dos que ganham entre 2 e 6 salários, perdeu 0.4 dos entre 6 e 10 salários e ganhou 0.07 acima de 10 salários
- Marina perdeu 0.5 pontos dos eleitores ganha até 2 salários, 1.3 dos que ganham entre 2 e 6 salários, ganhou 1.32 entre 6 e 10 salários e perdeu 0.05 acima de 10 salários
- Brancos e Nulos perdeu 1.5 pontos dos eleitores ganha até 2 salários, 0.6 dos que ganham entre 2 e 6 salários, 0.4 entre 6 e 10 salários e 0.02 acima de 10 salários
Quanto a aprovação do governo Lula
- Serra perdeu 3 pontos nos eleitores de avaliação positiva, 0.6 pontos nos de neutro e 0.15 pontos nos de ruim
- Dilma ganhou 6 pontos nos eleitores de avaliação positiva, 0.6 pontos nos de neutro e 0.1 pontos nos de ruim
- Marina perdeu 0.8 pontos nos eleitores de avaliação positiva, 0 pontos nos de neutro e ganhou 0.3 pontos nos de ruim
- Brancos e Nulos perdeu 2.3 pontos nos eleitores de avaliação positiva, 0.2 pontos nos de neutro e ganhou 0.15 pontos nos de ruim
- Não sabe ganhou 0.8 pontos nos eleitores de avaliação positiva, 0.2 pontos nos de neutro e perdeu 0.3 pontos nos de ruim
Ou seja: bem complexo mesmo. Mas no geral, Serra perde 4.5%, Dilma ganha 7% e Brancos e Nulos perde 2.5%
Mais uma vez Bayes e as eleições
Mais uma vez, com auxílio de Bayes foi possível discriminar o eleitorado de cada candidato. Mas vamos ver dois momentos diferentes.
Serra (em 14/04/2010)
- A estratificação de Serra permanece mais ou menos a mesma dentro dos 2% de margem de erro.
- A estratificação de Dilma também permaneceu similar exceto com relação a faixa de 6 a 10 salários mínimos que caiu 4%.
- A estratificação de Marina mudou, tendo tido variações na idade, renda e avaliação do governo.
- A estratificação de Brancos e Nulos se alterou significativamente, isto indica que houve variação neste segmento.
- A estratificação de não sabe teve algumas mudanças também.
Como a estratificação de Serra e Dilma não se alteraram, podemos imaginar que uma fração dos eleitores resolveu ir em massa para um dos candidatos. Olhando com calma isto significa:
- Perda de 1% de Serra
- Dilma permanece igual
- Perda de 2% de Marina
- Perda de 8% nos Brancos e Nulos
- Ganho de 2% em não sabe
Variação positiva de 9% para Dilma vinda praticamente toda da variação negativa dos votos Brancos e Nulos.
Serra (em 14/04/2010)
- 49% dos eleitores tem ensino fundamental, 40% tem ensino médio e 11% tem ensino superior
- 19% dos eleitores tem entre 16-24 anos, 24% entre 25-34 anos, 18% entre 35-44 anos, 24% entre 45-59 anos e 15% tem 60 ou mais
- 53% dos eleitores ganha até 2 salários, 33% ganha entre 2 e 6 salários, 13% entre 6 e 10 salários e 1% acima de 10 salários
- 67% acham o governo Lula positivo, 26% acham o governo Lula neutro e 8% acham o governo Lula ruim
- 50% dos eleitores tem ensino fundamental, 39% tem ensino médio e 11% tem ensino superior
- 19% dos eleitores tem entre 16-24 anos, 23% entre 25-34 anos, 19% entre 35-44 anos, 23% entre 45-59 anos e 15% tem 60 ou mais
- 53% dos eleitores ganha até 2 salários, 33% ganha entre 2 e 6 salários, 12% entre 6 e 10 salários e 1% acima de 10 salários
- 65% acham o governo Lula positivo, 27% acham o governo Lula neutro e 8% acham o governo Lula ruim
- 45% dos eleitores tem ensino fundamental, 41% tem ensino médio e 14% tem ensino superior
- 16% dos eleitores tem entre 16-24 anos, 26% entre 25-34 anos, 23% entre 35-44 anos, 22% entre 45-59 anos e 12% tem 60 ou mais
- 51% dos eleitores ganha até 2 salários, 33% ganha entre 2 e 6 salários, 15% entre 6 e 10 salários e 1% acima de 10 salários
- 93% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 0% acham o governo Lula ruim
- 45% dos eleitores tem ensino fundamental, 43% tem ensino médio e 12% tem ensino superior
- 18% dos eleitores tem entre 16-24 anos, 28% entre 25-34 anos, 22% entre 35-44 anos, 21% entre 45-59 anos e 11% tem 60 ou mais
- 52% dos eleitores ganha até 2 salários, 35% ganha entre 2 e 6 salários, 11% entre 6 e 10 salários e 1% acima de 10 salários
- 92% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 1% acham o governo Lula ruim
- 39% dos eleitores tem ensino fundamental, 43% tem ensino médio e 18% tem ensino superior
- 21% dos eleitores tem entre 16-24 anos, 26% entre 25-34 anos, 18% entre 35-44 anos, 21% entre 45-59 anos e 14% tem 60 ou mais
- 45% dos eleitores ganha até 2 salários, 42% ganha entre 2 e 6 salários, 12% entre 6 e 10 salários e 2% acima de 10 salários
- 70% acham o governo Lula positivo, 24% acham o governo Lula neutro e 6% acham o governo Lula ruim
- 38% dos eleitores tem ensino fundamental, 43% tem ensino médio e 19% tem ensino superior
- 20% dos eleitores tem entre 16-24 anos, 22% entre 25-34 anos, 22% entre 35-44 anos, 23% entre 45-59 anos e 14% tem 60 ou mais
- 42% dos eleitores ganha até 2 salários, 32% ganha entre 2 e 6 salários, 24% entre 6 e 10 salários e 1% acima de 10 salários
- 67% acham o governo Lula positivo, 25% acham o governo Lula neutro e 8% acham o governo Lula ruim
- 49% dos eleitores tem ensino fundamental, 41% tem ensino médio e 11% tem ensino superior
- 14% dos eleitores tem entre 16-24 anos, 21% entre 25-34 anos, 23% entre 35-44 anos, 29% entre 45-59 anos e 13% tem 60 ou mais
- 54% dos eleitores ganha até 2 salários, 34% ganha entre 2 e 6 salários, 11% entre 6 e 10 salários e 1% acima de 10 salários
- 69% acham o governo Lula positivo, 22% acham o governo Lula neutro e 8% acham o governo Lula ruim
- 44% dos eleitores tem ensino fundamental, 44% tem ensino médio e 11% tem ensino superior
- 19% dos eleitores tem entre 16-24 anos, 21% entre 25-34 anos, 21% entre 35-44 anos, 25% entre 45-59 anos e 13% tem 60 ou mais
- 51% dos eleitores ganha até 2 salários, 38% ganha entre 2 e 6 salários, 10% entre 6 e 10 salários e 1% acima de 10 salários
- 57% acham o governo Lula positivo, 28% acham o governo Lula neutro e 15% acham o governo Lula ruim
- 67% dos eleitores tem ensino fundamental, 28% tem ensino médio e 6% tem ensino superior
- 17% dos eleitores tem entre 16-24 anos, 17% entre 25-34 anos, 17% entre 35-44 anos, 19% entre 45-59 anos e 29% tem 60 ou mais
- 70% dos eleitores ganha até 2 salários, 24% ganha entre 2 e 6 salários, 6% entre 6 e 10 salários e 0.4% acima de 10 salários
- 73% acham o governo Lula positivo, 23% acham o governo Lula neutro e 5% acham o governo Lula ruim
- 67% dos eleitores tem ensino fundamental, 28% tem ensino médio e 6% tem ensino superior
- 12% dos eleitores tem entre 16-24 anos, 17% entre 25-34 anos, 18% entre 35-44 anos, 32% entre 45-59 anos e 21% tem 60 ou mais
- 72% dos eleitores ganha até 2 salários, 25% ganha entre 2 e 6 salários, 3% entre 6 e 10 salários e 1% acima de 10 salários
- 76% acham o governo Lula positivo, 23% acham o governo Lula neutro e 1% acham o governo Lula ruim
- A estratificação de Serra permanece mais ou menos a mesma dentro dos 2% de margem de erro.
- A estratificação de Dilma também permaneceu similar exceto com relação a faixa de 6 a 10 salários mínimos que caiu 4%.
- A estratificação de Marina mudou, tendo tido variações na idade, renda e avaliação do governo.
- A estratificação de Brancos e Nulos se alterou significativamente, isto indica que houve variação neste segmento.
- A estratificação de não sabe teve algumas mudanças também.
Como a estratificação de Serra e Dilma não se alteraram, podemos imaginar que uma fração dos eleitores resolveu ir em massa para um dos candidatos. Olhando com calma isto significa:
- Perda de 1% de Serra
- Dilma permanece igual
- Perda de 2% de Marina
- Perda de 8% nos Brancos e Nulos
- Ganho de 2% em não sabe
Variação positiva de 9% para Dilma vinda praticamente toda da variação negativa dos votos Brancos e Nulos.
domingo, 23 de maio de 2010
Nova pesquisa de eleição
Neste sábado saiu mais uma pesquisa Datafolha sobre as eleições 2010. Infelizmente é difícil comparar com a anterior devido ao fato que Ciro ainda não havia saído formalmente.
E o mais curioso é que os dados parecem ter sido um pouco diferentes. Mas não vamos entrar nisto.
Em 15/04/2010 tinhamos:
Dos que avaliam o governo Lula como positivo:
36% votam em Serra
37% votam em Dilma
11% votam em Marina
7% votam em Branco ou Nula
8% não sabem
Dos que avaliam o governo Lula como neutro:
55% votam em Serra
11% votam em Dilma
15% votam em Marina
9% votam em Branco ou Nula
10% não sabem
Dos que avaliam o governo Lula como ruim:
62% votam em Serra
2% votam em Dilma
14% votam em Marina
13% votam em Branco ou Nula
8% não sabem
Seguindo a conta temos:
Dilma:
p(vota em Dilma) = p(vota Dilma | governo Lula positivo) * p(governo Lula positivo) + p(vota Dilma |governo Lula neutro) * p(governo Lula neutro) + p(vota Dilma | governo Lula ruim) * p(governo Lula ruim)
= 0.37*0.76+0.11*0.19+0.02*0.05 = 0.3031
Serra:
p(vota em Serra) = p(vota Serra | governo Lula positivo) * p(governo Lula positivo) + p(vota Serra | governo Lula neutro) * p(governo Lula neutro) + p(vota Serra | governo Lula ruim) * p(governo Lula ruim)
= 0.36*0.76+0.55*0.19+0.62*0.05 = 0.4091
Marina:
p(vota Marina) = p(vota Marina | governo Lula positivo) * p(governo Lula positivo) + p(vota Marina | governo Lula neutro) * p(governo Lula neutro) + p(vota Marina | governo Lula ruim)
= 0.11*0.76+0.15*0.19+0.14*0.05 = 0.1191
Por fim o caso dos brancos ou nulos:
p(brancos ou nulos) = 0.07*0.76+0.09*0.19+0.13*0.05 = 0.0768
e o caso dos que não sabem:
p(não sabem) = 0.08*0.76+0.10*0.19+0.08*0.05 = 0.0838
Estes dados são diferentes do que tinhamos anteriormente. Mas vamos trabalhar com eles. Isto quer dizer que podemos colocar os resultados tabulados:
Candidata Dilma: 30%
Candidato Serra: 41%
Candidata Marina: 12%
Brancos e Nulos: 8%
Não sabem: 8%
Agora vamos aos novos dados de 20 de maior de 2010:
Dos que avaliam o governo Lula como positivo:
32% votam em Serra
45% votam em Dilma
10% votam em Marina
4% votam em Branco ou Nula
9% não sabem
Dos que avaliam o governo Lula como neutro:
52% votam em Serra
14% votam em Dilma
15% votam em Marina
8% votam em Branco ou Nula
11% não sabem
Dos que avaliam o governo Lula como ruim:
59% votam em Serra
4% votam em Dilma
19% votam em Marina
16% votam em Branco ou Nula
2% não sabem
Seguindo a conta temos:
Dilma:
p(vota em Dilma) = p(vota Dilma | governo Lula positivo) * p(governo Lula positivo) + p(vota Dilma |governo Lula neutro) * p(governo Lula neutro) + p(vota Dilma | governo Lula ruim) * p(governo Lula ruim)
= 0.45*0.76+0.14*0.19+0.04*0.05 = 0.3706
Serra:
p(vota em Serra) = p(vota Serra | governo Lula positivo) * p(governo Lula positivo) + p(vota Serra | governo Lula neutro) * p(governo Lula neutro) + p(vota Serra | governo Lula ruim) * p(governo Lula ruim)
= 0.32*0.76+0.52*0.19+0.59*0.05 = 0.3715
Marina:
p(vota Marina) = p(vota Marina | governo Lula positivo) * p(governo Lula positivo) + p(vota Marina | governo Lula neutro) * p(governo Lula neutro) + p(vota Marina | governo Lula ruim)
= 0.10*0.76+0.15*0.19+0.19*0.05 = 0.1140
Por fim o caso dos brancos ou nulos:
p(brancos ou nulos) = 0.04*0.76+0.08*0.19+0.16*0.05 = 0.0536
e o caso dos que não sabem:
p(não sabem) = 0.09*0.76+0.11*0.19+0.02*0.05 = 0.0903
Então os resultados tabulados são:
Candidata Dilma: 37%
Candidato Serra: 37%
Candidata Marina: 11%
Brancos e Nulos: 5%
Não sabem: 9%
Então podemos finalmente fazer a comparação entre abril e maio:
Dilma em Abril
Serra em Abril
Portanto podemos dizer que dos votantes de Dilma:
- 92% acham o governo Lula positivo tanto em abril quanto em maio
- 7% acham o governo Lula regular tanto em abril quanto em maio
- 1% acham o governo Lula ruim tanto em abril quanto em maio
Do de Serra podemos dizer:
- 66% acham o governo Lula positivo tanto em abril quanto em maio
- 26% acham o governo Lula regular tanto em abril quanto em maio
- 8% acham o governo Lula ruim tanto em abril quanto em maio
Tanto o perfil dos votantes em Serra quanto em Dilma não se alterou. Isto quer dizer que a alteração se deu em outro tipo de característica.
E o mais curioso é que os dados parecem ter sido um pouco diferentes. Mas não vamos entrar nisto.
Em 15/04/2010 tinhamos:
Dos que avaliam o governo Lula como positivo:
36% votam em Serra
37% votam em Dilma
11% votam em Marina
7% votam em Branco ou Nula
8% não sabem
Dos que avaliam o governo Lula como neutro:
55% votam em Serra
11% votam em Dilma
15% votam em Marina
9% votam em Branco ou Nula
10% não sabem
Dos que avaliam o governo Lula como ruim:
62% votam em Serra
2% votam em Dilma
14% votam em Marina
13% votam em Branco ou Nula
8% não sabem
Seguindo a conta temos:
Dilma:
p(vota em Dilma) = p(vota Dilma | governo Lula positivo) * p(governo Lula positivo) + p(vota Dilma |governo Lula neutro) * p(governo Lula neutro) + p(vota Dilma | governo Lula ruim) * p(governo Lula ruim)
= 0.37*0.76+0.11*0.19+0.02*0.05 = 0.3031
Serra:
p(vota em Serra) = p(vota Serra | governo Lula positivo) * p(governo Lula positivo) + p(vota Serra | governo Lula neutro) * p(governo Lula neutro) + p(vota Serra | governo Lula ruim) * p(governo Lula ruim)
= 0.36*0.76+0.55*0.19+0.62*0.05 = 0.4091
Marina:
p(vota Marina) = p(vota Marina | governo Lula positivo) * p(governo Lula positivo) + p(vota Marina | governo Lula neutro) * p(governo Lula neutro) + p(vota Marina | governo Lula ruim)
= 0.11*0.76+0.15*0.19+0.14*0.05 = 0.1191
Por fim o caso dos brancos ou nulos:
p(brancos ou nulos) = 0.07*0.76+0.09*0.19+0.13*0.05 = 0.0768
e o caso dos que não sabem:
p(não sabem) = 0.08*0.76+0.10*0.19+0.08*0.05 = 0.0838
Estes dados são diferentes do que tinhamos anteriormente. Mas vamos trabalhar com eles. Isto quer dizer que podemos colocar os resultados tabulados:
Candidata Dilma: 30%
Candidato Serra: 41%
Candidata Marina: 12%
Brancos e Nulos: 8%
Não sabem: 8%
Agora vamos aos novos dados de 20 de maior de 2010:
Dos que avaliam o governo Lula como positivo:
32% votam em Serra
45% votam em Dilma
10% votam em Marina
4% votam em Branco ou Nula
9% não sabem
Dos que avaliam o governo Lula como neutro:
52% votam em Serra
14% votam em Dilma
15% votam em Marina
8% votam em Branco ou Nula
11% não sabem
Dos que avaliam o governo Lula como ruim:
59% votam em Serra
4% votam em Dilma
19% votam em Marina
16% votam em Branco ou Nula
2% não sabem
Seguindo a conta temos:
Dilma:
p(vota em Dilma) = p(vota Dilma | governo Lula positivo) * p(governo Lula positivo) + p(vota Dilma |governo Lula neutro) * p(governo Lula neutro) + p(vota Dilma | governo Lula ruim) * p(governo Lula ruim)
= 0.45*0.76+0.14*0.19+0.04*0.05 = 0.3706
Serra:
p(vota em Serra) = p(vota Serra | governo Lula positivo) * p(governo Lula positivo) + p(vota Serra | governo Lula neutro) * p(governo Lula neutro) + p(vota Serra | governo Lula ruim) * p(governo Lula ruim)
= 0.32*0.76+0.52*0.19+0.59*0.05 = 0.3715
Marina:
p(vota Marina) = p(vota Marina | governo Lula positivo) * p(governo Lula positivo) + p(vota Marina | governo Lula neutro) * p(governo Lula neutro) + p(vota Marina | governo Lula ruim)
= 0.10*0.76+0.15*0.19+0.19*0.05 = 0.1140
Por fim o caso dos brancos ou nulos:
p(brancos ou nulos) = 0.04*0.76+0.08*0.19+0.16*0.05 = 0.0536
e o caso dos que não sabem:
p(não sabem) = 0.09*0.76+0.11*0.19+0.02*0.05 = 0.0903
Então os resultados tabulados são:
Candidata Dilma: 37%
Candidato Serra: 37%
Candidata Marina: 11%
Brancos e Nulos: 5%
Não sabem: 9%
Então podemos finalmente fazer a comparação entre abril e maio:
Dilma em Abril
- p(governo Lula positivo | vota Dilma) = 0.37*0.76/0.3031 = 0.928 (92.8%)
- p(governo Lula neutro | vota Dilma) = 0.11*0.19/0.3031 = 0.068 (6.9%)
- p(governo Lula negativo | vota Dilma) = 0.02*0.05/0.3031 = 0.003 (0.3%)
- p(governo Lula positivo | vota Dilma) = 0.45*0.76/0.3706 = 0.923 (92.3%)
- p(governo Lula neutro | vota Dilma) = 0.14*0.19/0.3706 = 0.072 (7.2%)
- p(governo Lula negativo | vota Dilma) = 0.04*0.05/0.3706 = 0.005 (0.5%)
Serra em Abril
- p(governo Lula positivo | vota Serra) = 0.36*0.76/0.4091 = 0.668 (66.8%)
- p(governo Lula neutro | vota Serra) = 0.55*0.19/0.4091 = 0.255 (25.5%)
- p(governo Lula negativo | vota Serra) = 0.62*0.05/0.4091 = 0.075 (7.5%)
- p(governo Lula positivo | vota Serra) = 0.32*0.76/0.3715 = 0.655 (65.5%)
- p(governo Lula neutro | vota Serra) = 0.52*0.19/0.3715 = 0.266 (26.6%)
- p(governo Lula negativo | vota Serra) = 0.59*0.05/0.3715 = 0.079 (7.9%)
Portanto podemos dizer que dos votantes de Dilma:
- 92% acham o governo Lula positivo tanto em abril quanto em maio
- 7% acham o governo Lula regular tanto em abril quanto em maio
- 1% acham o governo Lula ruim tanto em abril quanto em maio
Do de Serra podemos dizer:
- 66% acham o governo Lula positivo tanto em abril quanto em maio
- 26% acham o governo Lula regular tanto em abril quanto em maio
- 8% acham o governo Lula ruim tanto em abril quanto em maio
Tanto o perfil dos votantes em Serra quanto em Dilma não se alterou. Isto quer dizer que a alteração se deu em outro tipo de característica.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Uma nova oportunidade
Uma pena não estarmos em um mundo perfeito...
Em um mundo perfeito, veríamos que a eleição da Adunb mostrou um retrato esboçado pelas últimas assembléias de professores.
O retrato é o retrato da multiplicidade sem maioria. Em suma da divisão...
Normalmente, estratégias racionais em situações de divisão são baseadas no conceito que não existe uma maioria claramente definida no espaço de votantes.
Isto implicaria que somente políticas de consenso e não confrontacionais teriam chance de sucesso em pleitos submetidos ao universo de votos.
Ou seja, este é um governo definido pelo que une e não pelo que divide.
Já em um universo com clara maioria, temos a situação inversa. Não existe necessidade de composição para amealhar a maioria das opiniões - e o governo passa a ser definido pelo que divide e não pelo que une.
No caso atual resta saber aonde a situação mostrada pela Adunb irá pender
Pelo que nos divide ou pelo que nos une?
Se for pelo que nos une há grandes chances de realização. Se for pelo que nos divide há grandes chances de estagnação
Em um mundo perfeito, veríamos que a eleição da Adunb mostrou um retrato esboçado pelas últimas assembléias de professores.
O retrato é o retrato da multiplicidade sem maioria. Em suma da divisão...
Normalmente, estratégias racionais em situações de divisão são baseadas no conceito que não existe uma maioria claramente definida no espaço de votantes.
Isto implicaria que somente políticas de consenso e não confrontacionais teriam chance de sucesso em pleitos submetidos ao universo de votos.
Ou seja, este é um governo definido pelo que une e não pelo que divide.
Já em um universo com clara maioria, temos a situação inversa. Não existe necessidade de composição para amealhar a maioria das opiniões - e o governo passa a ser definido pelo que divide e não pelo que une.
No caso atual resta saber aonde a situação mostrada pela Adunb irá pender
Pelo que nos divide ou pelo que nos une?
Se for pelo que nos une há grandes chances de realização. Se for pelo que nos divide há grandes chances de estagnação
Apuração da Adunb
Estou acompanhando em tempo real a apuração da votação para nova diretoria para Adunb no biênio 2010-2012.
Graças aos esforços do Prof. Paulo César estou acompanhando o ritmo de apuração.
Aqui segue a sequência de tweets:
Cerca de 10:00 - 1a. parcial: 2 urnas apuradas, chapa 1: 66, chapa 2: 77
Entre 10:00 e 11:00 - 2a. parcial: 3 urnas apuradas, chapa 1: 105, chapa 2: 107
Cerca de 11:00 - com 5 urnas apuradas (39% dos votos): chapa1: 204, chapa2: 191
Entre 11:00 e 12:00 - com 6 urnas apuradas (59% dos votos): chapa1 293, chapa2 309, brancos 3, nulos 13
Certo tempo atrás teve o tweet:
Total é 16 urnas. Apuradas: Adunb (aposentados), IdA, FS/FM e HUB.
A questão importante é notar como o sistema está dividido. Há urnas predominantementes da chapa 1 e da chapa 2. Isto mostra que a universidade está dividida.
Isto é bom? Bem, para ser bem honesto na teoria "Edge of Chaos" este é um ponto onde muitas coisas podem acontecer (maior igualdade entre os possíveis estados - máxima entropia).
A lição interessante é esta: a UnB está dividida. Ao meio...
Update 12:30 - Foram apuradas 9 urnas. Está 390 para chapa 1 a 347 para chapa 2.
Update 12:55 - Foram apuradas 10 urnas. Está 419 para chapa 1 a 399 para chapa 2.
Update 13:08 - Foram apuradas 11 urnas. Está 425 para chapa 1 a 432 para chapa 2.
Update 13:11 - Foram apuradas 12 urnas. Está 448 para chapa 1 a 432 para chapa 2.
Update 14:15 - Foram apuradas 12 urnas. Está 448 para chapa 1 a 457 para chapa 2.
Resultado: 515 votos para chapa 1 e 491 para chapa 2.
Ou seja 51.2% a 48.8% - praticamente idênticos
Graças aos esforços do Prof. Paulo César estou acompanhando o ritmo de apuração.
Aqui segue a sequência de tweets:
Cerca de 10:00 - 1a. parcial: 2 urnas apuradas, chapa 1: 66, chapa 2: 77
Entre 10:00 e 11:00 - 2a. parcial: 3 urnas apuradas, chapa 1: 105, chapa 2: 107
Cerca de 11:00 - com 5 urnas apuradas (39% dos votos): chapa1: 204, chapa2: 191
Entre 11:00 e 12:00 - com 6 urnas apuradas (59% dos votos): chapa1 293, chapa2 309, brancos 3, nulos 13
Certo tempo atrás teve o tweet:
Total é 16 urnas. Apuradas: Adunb (aposentados), IdA, FS/FM e HUB.
A questão importante é notar como o sistema está dividido. Há urnas predominantementes da chapa 1 e da chapa 2. Isto mostra que a universidade está dividida.
Isto é bom? Bem, para ser bem honesto na teoria "Edge of Chaos" este é um ponto onde muitas coisas podem acontecer (maior igualdade entre os possíveis estados - máxima entropia).
A lição interessante é esta: a UnB está dividida. Ao meio...
Update 12:30 - Foram apuradas 9 urnas. Está 390 para chapa 1 a 347 para chapa 2.
Update 12:55 - Foram apuradas 10 urnas. Está 419 para chapa 1 a 399 para chapa 2.
Update 13:08 - Foram apuradas 11 urnas. Está 425 para chapa 1 a 432 para chapa 2.
Update 13:11 - Foram apuradas 12 urnas. Está 448 para chapa 1 a 432 para chapa 2.
Update 14:15 - Foram apuradas 12 urnas. Está 448 para chapa 1 a 457 para chapa 2.
Resultado: 515 votos para chapa 1 e 491 para chapa 2.
Ou seja 51.2% a 48.8% - praticamente idênticos
quarta-feira, 19 de maio de 2010
0=0
Em ciência costuma-se elaborar a construção do conhecimento a partir de hipóteses. Através da investigação destas hipóteses em geral a partir de testes adequados chega-se ao conjunto de conclusões.
Tudo muito bonito. Só que não é bem assim que funciona.
Em geral tem-se o fenômeno real e a partir deles são elaboradas as hipóteses que permitem o equacionamento do fenômenos. Mas o problema é que a elaboração de hipóteses por vezes é contaminada com um conjunto esperado de conclusões
Neste caso todo arcabouço de construção do conhecimento chega a conclusões vazias
Ou como costuma acontecer em matemática 0=0
Isto é diferente de um erro na construção das hipóteses. O problema é o direcionamento das hipóteses para uma conclusão que se deseja chegar.
Isto pode acontecer com muita frequência por causa do uso de axiomas que se provam falsos (o exemplo da mais valia vem a mente). Então nestes casos a construção de hipóteses pode partir de axiomas falsos.
Como evitar isto?
Complicado. O problema é que toda construção de conhecimento parte da identificação das partes importantes para a caracterização do problema.
Mas o que é importante?
Ah! Aí o problema se complica.
Um exemplo clássico da física é a Lei de Newton (força é a variação da quantidade de movimento - na sua forma mais geral).
Mas no caso que a massa é constante, esta relação pode ser simplificada para força é o produto da massa pela aceleração.
Parece simples: apenas duas grandezas definem a força - a massa do objeto e sua aceleração.
Mas se formos medir teremos uma surpresa.
Primeiro há diversas forças atuando na medição além da que nos interessa. Há força gravitacional, empuxo do fluido que o objeto está imerso (no caso o ar), mesmo o fluido oferece uma resistência ao movimento (resistência do ar) e por fim até forças de natureza elétrica podem estar envolvidas (como por exemplo a pressão luminosa).
Para medirmos a força que nos interessa temos de fazer que todos estes efeitos sejam de segunda ordem ou superior. Em outras palavras temos de fazer com que a força que desejamos medir seja algumas ordens de magnitude mais notável que os demais efeitos causados por outros fenômenos.
Mas nem sempre isto é possível.
Nestes casos temos que tentar descorrelacionar os efeitos ou pelo menos elimina-los. Como fazer isto? Existem técnicas de análise muti-variável.
Um exemplo simples pode ser exemplificado pela aplicação da série de Taylor. Vamos supor que um evento E seja função de dois parâmetros A e B. No entanto estamos interessados em verificar como um dos parâmetros afeta o evento.
Considerando uma aproximação linear aonde o conjunto de A seja real e de B tamém (naturalmente o evento tem de ser caracterizado em termos de números reais), temos:
E(A,B)=c1*A+c2*B
Se tivermos como saídas medidas E(A1,B1) e E(A2,B2) temos:
E(A1,B1)=c1*A1+c2*B1
E(A2,B2)=c1*A2+c2*B2
Isto pode ser equacionado e portanto encontram-se os parâmetros c1 e c2 atráves de uma inversão simples.
NO caso de uma série de dados medidos é possível encontrar o relacionamento através de um método de mínimos quadrados.
Mas o interessante é que na forma atual temos que o evento E está inexoravelmente ligado aos eventos A e B. NO entanto poderíamos encontrar uma forma diferente de representação que permitisse a identificação dos fenômenos mais importantes. Um exemplo disto é se definirmos efeitos D1 e D2 que são combinações lineares de A e B
Por exemplo:
D1=1/2*(A+B)
D2=1/2*(A-B)
Desta forma termos que D1 é máximo quando A e B possuem o mesmo sinal e D2 é máximo quando A e B possuem sinais opostos. Ou: D1 é o efeito de soma das características e D2 é o efeito de oposição das características.
Se D1 é predominante significa que o evento E irá ser mais preponderante se A e B estiverem em fase do contrário, caso D2 seja preponderante então A e B terão de ter fases opostas.
Esta mudança de variáveis pode ser particularmente útil em diversos problemas. Uma das principais vantagens é justamente permitir a identificação que A e B estejam correlacionadas.
Mas nem sempre as coisas são tão simples.
Tudo muito bonito. Só que não é bem assim que funciona.
Em geral tem-se o fenômeno real e a partir deles são elaboradas as hipóteses que permitem o equacionamento do fenômenos. Mas o problema é que a elaboração de hipóteses por vezes é contaminada com um conjunto esperado de conclusões
Neste caso todo arcabouço de construção do conhecimento chega a conclusões vazias
Ou como costuma acontecer em matemática 0=0
Isto é diferente de um erro na construção das hipóteses. O problema é o direcionamento das hipóteses para uma conclusão que se deseja chegar.
Isto pode acontecer com muita frequência por causa do uso de axiomas que se provam falsos (o exemplo da mais valia vem a mente). Então nestes casos a construção de hipóteses pode partir de axiomas falsos.
Como evitar isto?
Complicado. O problema é que toda construção de conhecimento parte da identificação das partes importantes para a caracterização do problema.
Mas o que é importante?
Ah! Aí o problema se complica.
Um exemplo clássico da física é a Lei de Newton (força é a variação da quantidade de movimento - na sua forma mais geral).
Mas no caso que a massa é constante, esta relação pode ser simplificada para força é o produto da massa pela aceleração.
Parece simples: apenas duas grandezas definem a força - a massa do objeto e sua aceleração.
Mas se formos medir teremos uma surpresa.
Primeiro há diversas forças atuando na medição além da que nos interessa. Há força gravitacional, empuxo do fluido que o objeto está imerso (no caso o ar), mesmo o fluido oferece uma resistência ao movimento (resistência do ar) e por fim até forças de natureza elétrica podem estar envolvidas (como por exemplo a pressão luminosa).
Para medirmos a força que nos interessa temos de fazer que todos estes efeitos sejam de segunda ordem ou superior. Em outras palavras temos de fazer com que a força que desejamos medir seja algumas ordens de magnitude mais notável que os demais efeitos causados por outros fenômenos.
Mas nem sempre isto é possível.
Nestes casos temos que tentar descorrelacionar os efeitos ou pelo menos elimina-los. Como fazer isto? Existem técnicas de análise muti-variável.
Um exemplo simples pode ser exemplificado pela aplicação da série de Taylor. Vamos supor que um evento E seja função de dois parâmetros A e B. No entanto estamos interessados em verificar como um dos parâmetros afeta o evento.
Considerando uma aproximação linear aonde o conjunto de A seja real e de B tamém (naturalmente o evento tem de ser caracterizado em termos de números reais), temos:
E(A,B)=c1*A+c2*B
Se tivermos como saídas medidas E(A1,B1) e E(A2,B2) temos:
E(A1,B1)=c1*A1+c2*B1
E(A2,B2)=c1*A2+c2*B2
Isto pode ser equacionado e portanto encontram-se os parâmetros c1 e c2 atráves de uma inversão simples.
NO caso de uma série de dados medidos é possível encontrar o relacionamento através de um método de mínimos quadrados.
Mas o interessante é que na forma atual temos que o evento E está inexoravelmente ligado aos eventos A e B. NO entanto poderíamos encontrar uma forma diferente de representação que permitisse a identificação dos fenômenos mais importantes. Um exemplo disto é se definirmos efeitos D1 e D2 que são combinações lineares de A e B
Por exemplo:
D1=1/2*(A+B)
D2=1/2*(A-B)
Desta forma termos que D1 é máximo quando A e B possuem o mesmo sinal e D2 é máximo quando A e B possuem sinais opostos. Ou: D1 é o efeito de soma das características e D2 é o efeito de oposição das características.
Se D1 é predominante significa que o evento E irá ser mais preponderante se A e B estiverem em fase do contrário, caso D2 seja preponderante então A e B terão de ter fases opostas.
Esta mudança de variáveis pode ser particularmente útil em diversos problemas. Uma das principais vantagens é justamente permitir a identificação que A e B estejam correlacionadas.
Mas nem sempre as coisas são tão simples.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Um texto do professor Paulo Celso
Novamente, venho me pronunciar quanto a tão propalada "discussão em assembléia" e construção de um pensamento e ação coletivos" como únicas formas possíveis de se ter um sindicato participativo e democrático.
Pela falta de argumentação lógica e plausível contra esta proposta, me parece mais um dogma, cuja descrença tem sido punida pela atribuição do estigma de anti-democrático e reacionário aos infiéis. Mas como vi na última AG, este dogma só precisa ser obedecido quando convém aos seus seguidores.
Como afirmei na última AG, eu vinha alertando há mais de 2 semanas a necessidade da ADUnB e do seu comando de greve esboçarem uma estratégia para uma saída da greve, pois vários setores dos professores já sinalizavam neste sentido. Que era irresponsabilidade do comando de greve não discutir esta questão e de não ter uma estratégia, pelo menos minimamente delineada, para que este cenário não ocorresse caoticamente.
Infelizmente, alguns destes "colegas de sindicato" insistiam que não era a hora de sair de greve e tentavam me convencer de que a minha atitude era precipitada. Para tanto, apelaram para argumentos passionais, desde o abandono/traição dos técnicos até à falta de coragem e responsabilidade de quem "ousasse" propor sair da greve. Novamente, com ares de "dogma" e "punição".
Nas 3 AG que precederam a última, como o resultado da votação lhes foi oportuno, nenhum deles pensou em rediscutir a questão e definir caminhos possíveis com argumentos racionais, pois estavam do lado que "ganhou" e sairam comemorando destas AG, alguns com atitudes que se assemelhavam a "tripudiar" dos "derrotados" na votação.
Este mesmo grupo sempre discordou da minha proposta de participação virtual/eletrônica em discussões e votações da ADUnB, pois acreditam que este procedimento impossibilitaria uma discussão efetivamente democrática e que só uma assembléia presencial é legítima.
Agora, tenta se desqualificar o resultado de uma AG ENTUPIDA de professores (552 ASSINARAM A LISTA E 535 VOTARAM!), com todos querendo se posicionar quanto a greve! Foi a assembléia mais representativa e legítima dos últimos tempos da ADUnB e querem desacreditá-la?
Imagino que alguns acreditaram que a continuidade da greve iria ganhar no voto e não deixaram se colocar uma proposta de indicativo de encerrar a greve na próxima segunda (17/05) pois era "golpe" e se era para continuar a assembléia de sexta, a votação tinha que ser sobre o mesmo ponto: os favoráveis e os contrários a continuar a greve. Muitos professores que votaram pela continuidade da greve o fizeram pois acreditavam ser precipitado acabar o movimento no mesmo dia da AG, mas se a proposta fosse acabar no dia 17/05 teriam votado pelo fim da greve...
Agora, como o resultado da AG lhes foi desfavorável, este grupo quer: (i) desqualificar os 267 professores que vieram e votaram na AG; (ii) imputar a culpa e a responsabilidade da perda da URP dos técnicos à atual diretoria da ADUnB e aos professores que votaram pelo fim da greve, tentando jogar uma categoria contra a outra, composta de "traidores" do movimento unificado (e tenho certeza que se os professores também perderem no STF seguirão o mesmo caminho); e por incrível que pareça (iii) imputar o caos da volta às aulas à atual diretoria da ADUnB e aos professores que votaram pelo fim da greve, tentando jogar toda a comunidade contra os "irresponsáveis" que votaram pelo fim da greve.
Aguns já haviam anunciado esta "estratégia" na própria AG, desqualificando os professores que "chegam só para votar". Como se o grupo de 267 professores que votaram pelo fim da greve fosse composto de carneirinhos idiotizados manipulados pelo fantasma Todorov-Lauro-Timothy.
ACORDEM! Não existem uma herança ou uma dinastia Todorov-Lauro-Timothista, muito menos seguidores de uma seita. Vocês se agarram a este conceito pela falta de outra argumentação melhor. Uma boa parcela dos que votaram pelo fim da greve são professores recém concursados e que nunca participaram da esfera administrativa da UnB! Existe, sim, um grande número de professores na UnB que tem pontos de vista diferentes dos seus!
Na falta de uma proposta boa (de se acabar com a greve no dia 17/05) votamos na menos pior, a qual, a nosso ver, trará menos prejuízos à categoria. E não tem argumentos emocionais, de fundo catequisador, que nos farão mudar nosso ponto de vista nesta questão (greve) ou a nossa proposta de universidade, com participação de todos os setores da sociedade, ou seja, o primeiro setor que é o PÚBLICO, o segundo setor que é o PRIVADO e o terceiro setor, das OSCIP e congêneres. Aliás, basear a "reconstrução" da UnB só nos 3 segmentos internos é de um corporativismo, no mínimo, pobre...
Aquelas "mãozinhas" que chegam só na hora de votar não concordam com a estratégia de sindicalistas profissionais de se alongar uma discussão na AG para se esvaziar a plenária até que possa se direcionar o resultado da votação alinhado aos interesses de um grupo.
Queriam impedir professores sindicalizados de votar... se isso não é autoritarismo e atitude anti-democrática, me dêem uma definição melhor...
O que aconteceu, caros colegas, foi a irresponsabilidade de um grupo que não aceitou um ponto de vista diferente do seu próprio, pois se enxergam como donos da "Verdade Universal" e "bastiões da ética e moralidade" na UnB e no mundo. Pelo jeito, acreditam que se os colegas foram devidamente "esclarecidos" irão, sem dúvida alguma, ter a mesma opinião que eles... Não aceitam que professores de uma universidade pública possam ter uma opinião discordante deles, e procuram estigmatizá-los para tentar "maquiar" os seus preconceitos com quem "ousa" pensar diferente deles: a "vanguarda armada de defesa da humanidade".
Entendo que deve ser ua situação difícil, pois este grupo não estava acostumado a ter oposição às suas idéias no nosso sindicato e "deitou e rolou" por quase 20 anos anteriores a atual gestão, "legitimados" por assembléias que tinham, às vezes, menos de 20 professores: (i) esvaziando as assembléias com discussões monocromáticas; (ii) constrangendo aqueles que tinham pensamento divergente com vaias, gritinhos e ohares acusadores; (iii) fazendo do nosso movimento uma plataforma politica para fins pessoais, descolada dos interesses da categoria; e (iv) usando a estrutura e recursos do ANDES e da ADUnB para defender e patrocinar fins e ideologias políticas estritamente pessoais, independente das reais demandas dos seus sindicalizados.
É triste constatar que, novamente, ex-dirigentes da ADUnB saem de uma AG que acabou de votar um tema e discordam publicamente do resultado da votação tentando desqualificar a decisão tomada pela categoria (535 VOTANTES!).
Desta vez a situação é pior, pois ainda não perceberam que é muito complicado manter uma unidade de nosso movimento com os outros (técnicos e estudantes) se EXISTE UMA CLARA DISCORDÃNCIA DENTRO DO NOSSO PRÓPRIO SINDICATO. DEMOCRACIA É SABER PERDER UMA VOTAÇÃO E CONSTRUIR UMA NOVA PROPOSTA, COM NOVOS ARGUMENTOS E APOIADORES!
Não interessa a ninguém em sã consciência, de boa-fé e que acredita nas instituições (ADUnB e FUB), dividir a categoria dos professores neste momento com ataques ofensivos e pessoais. Portanto, faço aqui um apelo: se temos a possibilidade de evitar esse caminho, vamos direcionar nossos esforços de forma construtiva para as instituições e não de forma destrutiva para as pessoas.
Se alguém tivesse o objetivo de desmantelar o sindicato, estaria no caminho certo! Mas se pretendemos fortalecê-lo, temos que buscar uma proposta que tenha, visivelmente e realmente, o propósito de estar buscando um consenso mínimo das diferentes demandas dos diferentes grupos da categoria.
Alguém tem uma sugestão além daquela já proposta pelo prof. Jorge Antunes?
Ceticamente,
Paulo Celso
Devo dizer que o Prof. Paulo Celso falou muita coisa que eu tinha engasgada na garganta!
Pela falta de argumentação lógica e plausível contra esta proposta, me parece mais um dogma, cuja descrença tem sido punida pela atribuição do estigma de anti-democrático e reacionário aos infiéis. Mas como vi na última AG, este dogma só precisa ser obedecido quando convém aos seus seguidores.
Como afirmei na última AG, eu vinha alertando há mais de 2 semanas a necessidade da ADUnB e do seu comando de greve esboçarem uma estratégia para uma saída da greve, pois vários setores dos professores já sinalizavam neste sentido. Que era irresponsabilidade do comando de greve não discutir esta questão e de não ter uma estratégia, pelo menos minimamente delineada, para que este cenário não ocorresse caoticamente.
Infelizmente, alguns destes "colegas de sindicato" insistiam que não era a hora de sair de greve e tentavam me convencer de que a minha atitude era precipitada. Para tanto, apelaram para argumentos passionais, desde o abandono/traição dos técnicos até à falta de coragem e responsabilidade de quem "ousasse" propor sair da greve. Novamente, com ares de "dogma" e "punição".
Nas 3 AG que precederam a última, como o resultado da votação lhes foi oportuno, nenhum deles pensou em rediscutir a questão e definir caminhos possíveis com argumentos racionais, pois estavam do lado que "ganhou" e sairam comemorando destas AG, alguns com atitudes que se assemelhavam a "tripudiar" dos "derrotados" na votação.
Este mesmo grupo sempre discordou da minha proposta de participação virtual/eletrônica em discussões e votações da ADUnB, pois acreditam que este procedimento impossibilitaria uma discussão efetivamente democrática e que só uma assembléia presencial é legítima.
Agora, tenta se desqualificar o resultado de uma AG ENTUPIDA de professores (552 ASSINARAM A LISTA E 535 VOTARAM!), com todos querendo se posicionar quanto a greve! Foi a assembléia mais representativa e legítima dos últimos tempos da ADUnB e querem desacreditá-la?
Imagino que alguns acreditaram que a continuidade da greve iria ganhar no voto e não deixaram se colocar uma proposta de indicativo de encerrar a greve na próxima segunda (17/05) pois era "golpe" e se era para continuar a assembléia de sexta, a votação tinha que ser sobre o mesmo ponto: os favoráveis e os contrários a continuar a greve. Muitos professores que votaram pela continuidade da greve o fizeram pois acreditavam ser precipitado acabar o movimento no mesmo dia da AG, mas se a proposta fosse acabar no dia 17/05 teriam votado pelo fim da greve...
Agora, como o resultado da AG lhes foi desfavorável, este grupo quer: (i) desqualificar os 267 professores que vieram e votaram na AG; (ii) imputar a culpa e a responsabilidade da perda da URP dos técnicos à atual diretoria da ADUnB e aos professores que votaram pelo fim da greve, tentando jogar uma categoria contra a outra, composta de "traidores" do movimento unificado (e tenho certeza que se os professores também perderem no STF seguirão o mesmo caminho); e por incrível que pareça (iii) imputar o caos da volta às aulas à atual diretoria da ADUnB e aos professores que votaram pelo fim da greve, tentando jogar toda a comunidade contra os "irresponsáveis" que votaram pelo fim da greve.
Aguns já haviam anunciado esta "estratégia" na própria AG, desqualificando os professores que "chegam só para votar". Como se o grupo de 267 professores que votaram pelo fim da greve fosse composto de carneirinhos idiotizados manipulados pelo fantasma Todorov-Lauro-Timothy.
ACORDEM! Não existem uma herança ou uma dinastia Todorov-Lauro-Timothista, muito menos seguidores de uma seita. Vocês se agarram a este conceito pela falta de outra argumentação melhor. Uma boa parcela dos que votaram pelo fim da greve são professores recém concursados e que nunca participaram da esfera administrativa da UnB! Existe, sim, um grande número de professores na UnB que tem pontos de vista diferentes dos seus!
Na falta de uma proposta boa (de se acabar com a greve no dia 17/05) votamos na menos pior, a qual, a nosso ver, trará menos prejuízos à categoria. E não tem argumentos emocionais, de fundo catequisador, que nos farão mudar nosso ponto de vista nesta questão (greve) ou a nossa proposta de universidade, com participação de todos os setores da sociedade, ou seja, o primeiro setor que é o PÚBLICO, o segundo setor que é o PRIVADO e o terceiro setor, das OSCIP e congêneres. Aliás, basear a "reconstrução" da UnB só nos 3 segmentos internos é de um corporativismo, no mínimo, pobre...
Aquelas "mãozinhas" que chegam só na hora de votar não concordam com a estratégia de sindicalistas profissionais de se alongar uma discussão na AG para se esvaziar a plenária até que possa se direcionar o resultado da votação alinhado aos interesses de um grupo.
Queriam impedir professores sindicalizados de votar... se isso não é autoritarismo e atitude anti-democrática, me dêem uma definição melhor...
O que aconteceu, caros colegas, foi a irresponsabilidade de um grupo que não aceitou um ponto de vista diferente do seu próprio, pois se enxergam como donos da "Verdade Universal" e "bastiões da ética e moralidade" na UnB e no mundo. Pelo jeito, acreditam que se os colegas foram devidamente "esclarecidos" irão, sem dúvida alguma, ter a mesma opinião que eles... Não aceitam que professores de uma universidade pública possam ter uma opinião discordante deles, e procuram estigmatizá-los para tentar "maquiar" os seus preconceitos com quem "ousa" pensar diferente deles: a "vanguarda armada de defesa da humanidade".
Entendo que deve ser ua situação difícil, pois este grupo não estava acostumado a ter oposição às suas idéias no nosso sindicato e "deitou e rolou" por quase 20 anos anteriores a atual gestão, "legitimados" por assembléias que tinham, às vezes, menos de 20 professores: (i) esvaziando as assembléias com discussões monocromáticas; (ii) constrangendo aqueles que tinham pensamento divergente com vaias, gritinhos e ohares acusadores; (iii) fazendo do nosso movimento uma plataforma politica para fins pessoais, descolada dos interesses da categoria; e (iv) usando a estrutura e recursos do ANDES e da ADUnB para defender e patrocinar fins e ideologias políticas estritamente pessoais, independente das reais demandas dos seus sindicalizados.
É triste constatar que, novamente, ex-dirigentes da ADUnB saem de uma AG que acabou de votar um tema e discordam publicamente do resultado da votação tentando desqualificar a decisão tomada pela categoria (535 VOTANTES!).
Desta vez a situação é pior, pois ainda não perceberam que é muito complicado manter uma unidade de nosso movimento com os outros (técnicos e estudantes) se EXISTE UMA CLARA DISCORDÃNCIA DENTRO DO NOSSO PRÓPRIO SINDICATO. DEMOCRACIA É SABER PERDER UMA VOTAÇÃO E CONSTRUIR UMA NOVA PROPOSTA, COM NOVOS ARGUMENTOS E APOIADORES!
Não interessa a ninguém em sã consciência, de boa-fé e que acredita nas instituições (ADUnB e FUB), dividir a categoria dos professores neste momento com ataques ofensivos e pessoais. Portanto, faço aqui um apelo: se temos a possibilidade de evitar esse caminho, vamos direcionar nossos esforços de forma construtiva para as instituições e não de forma destrutiva para as pessoas.
Se alguém tivesse o objetivo de desmantelar o sindicato, estaria no caminho certo! Mas se pretendemos fortalecê-lo, temos que buscar uma proposta que tenha, visivelmente e realmente, o propósito de estar buscando um consenso mínimo das diferentes demandas dos diferentes grupos da categoria.
Alguém tem uma sugestão além daquela já proposta pelo prof. Jorge Antunes?
Ceticamente,
Paulo Celso
Devo dizer que o Prof. Paulo Celso falou muita coisa que eu tinha engasgada na garganta!
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Edge of Chaos
Traduzindo o título significa literalmente a "Beira do Caos"
A idéia por trás deste as fenômenos de transição caracterizados por mudanças de fase. Alternativamente podemos dizer que é a região entre aleatoriedade e caos em que a complexidade é máxima.
Em outras palavras é a região aonde as coisas interessantes realmente acontecem.
Existe alguma controvérsia quanto a possibilidade de sistemas funcionarem na beira do caos.
Mas ao mesmo tempo, em sistemas aonde a entropia é maximizada são sistemas aonde há o maior número de possibilidades ou estados para que os mesmos funcionem. Claro que nem todos os estados são estáveis, mas podemos imaginar que os mecanismos que fazem o sistema funcionar se encarregarão de eliminar respostas destes estados - nem que seja com a proverbial extinção.
Em um sistema com dois estados, esta entropia é maximizada quando os estados são equiprováveis - ou seja ambos tem precisamente a mesma probabilidade de ocorrência. Como neste caso isto significa que a probabilidade é 1/2 (ou 50%). Então a entropia máxima ocorre quando:
-d/dp(p*ln(p)+(1-p)*ln(1-p)) = 0
ou que p=1-p ou p=1/2
Neste caso a entropia é de 0.69315
Se tivermos probabilidades diferentes de eventos então teremos entropias menores. Por exemplo:
p1=1/3 e p2=2/3 resultam em uma entropia de 0.63651, caso seja 1/4 e 3/4 temos uma entropia de 0.56234
Podemos dizer que as chances são iguais em estados de entropia máxima então teríamos o maior conjunto de possibilidade ou sementes de valor inicial para a evolução dinâmica de um sistema.
E em uma votação? No caso, se aplicarmos este conceito a um caso como o da votação em assembléia temos p1=261/529 e p2=268/529. Isto resulta em uma entropia de 0.63060
O que é muito próximo da entropia máxima de um sistema com dois estados. Podemos dizer que temos uma beira de um caos? Sim quando consideramos que os estados existentes são equiprováveis.
O ideal seria que tivessemos mais estados possíveis. Em um sistema com três estados a entropia máxima é perto de 1.1. Já em um de dez estados teríamos algo perto de 2.3.
Em sistemas assim existem várias trajetórias possíveis, algumas delas repletas de grandeza...
A idéia por trás deste as fenômenos de transição caracterizados por mudanças de fase. Alternativamente podemos dizer que é a região entre aleatoriedade e caos em que a complexidade é máxima.
Em outras palavras é a região aonde as coisas interessantes realmente acontecem.
Existe alguma controvérsia quanto a possibilidade de sistemas funcionarem na beira do caos.
Mas ao mesmo tempo, em sistemas aonde a entropia é maximizada são sistemas aonde há o maior número de possibilidades ou estados para que os mesmos funcionem. Claro que nem todos os estados são estáveis, mas podemos imaginar que os mecanismos que fazem o sistema funcionar se encarregarão de eliminar respostas destes estados - nem que seja com a proverbial extinção.
Em um sistema com dois estados, esta entropia é maximizada quando os estados são equiprováveis - ou seja ambos tem precisamente a mesma probabilidade de ocorrência. Como neste caso isto significa que a probabilidade é 1/2 (ou 50%). Então a entropia máxima ocorre quando:
-d/dp(p*ln(p)+(1-p)*ln(1-p)) = 0
ou que p=1-p ou p=1/2
Neste caso a entropia é de 0.69315
Se tivermos probabilidades diferentes de eventos então teremos entropias menores. Por exemplo:
p1=1/3 e p2=2/3 resultam em uma entropia de 0.63651, caso seja 1/4 e 3/4 temos uma entropia de 0.56234
Podemos dizer que as chances são iguais em estados de entropia máxima então teríamos o maior conjunto de possibilidade ou sementes de valor inicial para a evolução dinâmica de um sistema.
E em uma votação? No caso, se aplicarmos este conceito a um caso como o da votação em assembléia temos p1=261/529 e p2=268/529. Isto resulta em uma entropia de 0.63060
O que é muito próximo da entropia máxima de um sistema com dois estados. Podemos dizer que temos uma beira de um caos? Sim quando consideramos que os estados existentes são equiprováveis.
O ideal seria que tivessemos mais estados possíveis. Em um sistema com três estados a entropia máxima é perto de 1.1. Já em um de dez estados teríamos algo perto de 2.3.
Em sistemas assim existem várias trajetórias possíveis, algumas delas repletas de grandeza...
terça-feira, 11 de maio de 2010
Assembléia da Adunb - parte 5
O resultado de ontem foi a finalização da greve de professores. Era uma resultado que eu esperava (eventualmente).
Mas nem por isto não merece críticas deste blog.
Só que as críticas não são com relação a forma de saída. E sim ao objeto do problema: a URP!
Sim, eu vou fazer críticas à concessão da URP. Agora eu posso e não estarei traindo o movimento...
O fato é que há muitos pontos sobre a URP que não se deseja esclarecer, sob pena de "confundir" as cabecinhas que vêem o mundo em termos monocromáticos.
O primeiro deles é sobre a legalidade da URP. Bem, a URP na forma que está sendo aplicada é ilegal mesmo - e isto o MPOG tem alguma razão. Alguma, mas não toda. Há uma série de fatores que complicam esta análise, o primeiro deles sendo uma questão de datas (antecedência no julgamento) e outro que é a autonomia.
O que se julga é se o reitor tinha mesmo autonomia para estender a URP para todos. Isto considerando-se que a vitória judicial foi de alguns. E isso é a questão do STF...
Há ainda um problema de anacronismo. A URP era um indexador de 1987 que terminou em 1989. É justo que professores que ingressaram a partir de 1995 (ou 2005) recebam a mesma? Afinal, eles nem estavam na universidade na época - e alguns mais recentes sequer haviam prestado vestibular na época...
E claro quando se fala em isonomia, esquece-se de modo muito conveniente o passado da UnB e também que o restante dos professores universitários do Brasil também não ganham URP.
Por fim há a questão de como a URP vem sendo paga. A jurisprudência atual é frontalmente contrária ao jeito que as coisas vem sendo feitas na UnB. E isto é difícil de contra-argumentar.
Enfim, não pense que a briga pela URP é uma coisa simples não...
Mas nem por isto não merece críticas deste blog.
Só que as críticas não são com relação a forma de saída. E sim ao objeto do problema: a URP!
Sim, eu vou fazer críticas à concessão da URP. Agora eu posso e não estarei traindo o movimento...
O fato é que há muitos pontos sobre a URP que não se deseja esclarecer, sob pena de "confundir" as cabecinhas que vêem o mundo em termos monocromáticos.
O primeiro deles é sobre a legalidade da URP. Bem, a URP na forma que está sendo aplicada é ilegal mesmo - e isto o MPOG tem alguma razão. Alguma, mas não toda. Há uma série de fatores que complicam esta análise, o primeiro deles sendo uma questão de datas (antecedência no julgamento) e outro que é a autonomia.
O que se julga é se o reitor tinha mesmo autonomia para estender a URP para todos. Isto considerando-se que a vitória judicial foi de alguns. E isso é a questão do STF...
Há ainda um problema de anacronismo. A URP era um indexador de 1987 que terminou em 1989. É justo que professores que ingressaram a partir de 1995 (ou 2005) recebam a mesma? Afinal, eles nem estavam na universidade na época - e alguns mais recentes sequer haviam prestado vestibular na época...
E claro quando se fala em isonomia, esquece-se de modo muito conveniente o passado da UnB e também que o restante dos professores universitários do Brasil também não ganham URP.
Por fim há a questão de como a URP vem sendo paga. A jurisprudência atual é frontalmente contrária ao jeito que as coisas vem sendo feitas na UnB. E isto é difícil de contra-argumentar.
Enfim, não pense que a briga pela URP é uma coisa simples não...
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Assembléia da Adunb - parte 4
Então o que irá acontecer nesta segunda feira?
Idealmente, teríamos informes e votação. Na realidade há muitos interesses em dirigir a assembléia para um ou outro caminho.
Existem grupos que desejam finalizar a greve o mais breve possível e outros que não. Dentro dos que desejam finalizar a greve há uma separação entre um trânsito brusco e outro suave do estado de greve para o de atividades.
Já nos grupos de não desejam finalizar a greve há um espectro mais complexo. Aí temos pessoas que apenas querem um pouco mais de tempo (as vezes até para acertar com o movimento dos funcionários) até aqueles que querem greve por tempo indeterminado.
No meio disto temos a ameaça que a greve seja decretada ilegal. Isto implica em corte de ponto, devolução de salários e coisas bem menos palatáveis.
Quero deixar claro que não existe opção sem consequência. Ao sair da greve agora há a chance que isto reflita de modo ruim com os funcionários. Ao continuar na greve há chance para um abraço de afogado.
Para complicar, a pauta em si tem um furo lógico quando pede o cumprimento às decisões judiciais. Enquanto os professores tem uma decisão favorável - uma liminar - o mesmo não é verdade para os funcionários. Na realidade, se olharmos de modo desapaixonado veremos que há uma decisão judicial (do TRF) que pode muito bem ser interpretada como negativa para categoria.
Então temos a situação: os professores tem algum tipo de proteção judicial, mas o mesmo não pode ser dito para os funcionários. Porque e quem são os culpados não adianta discutir agora.
Quais são os riscos envolvidos?
Se a greve terminar amanhã é praticamente certo que a AGU não irá pedir a ilegalidade da greve. Portanto os professores ficam com o que está garantido e não tem de devolver nada. Os funcionários podem interpretar isto como uma traição ao movimento - claro que não é verdade, solidariedade não é contratual. Mas nem por isto as pessoas podem deixar de pensar assim
Se a greve não terminar amanhão é provável que a AGU peça a ilegalidade da greve. E aí as chances são mesmo de devolução dos dias parados. E aí tanto professores quanto funcionários estariam unidos enquanto pagassem o que receberam parados.
Bem, mas nada disto é importante
O importante é extremamente sério é que a assembléia de amanhã tem o potencial para decidir a vida econômico de quase 2000 professores. Mas baseado no histórico anterior, algo como 10 a 20% irão participar da assembléia.
Isto quer dizer que 80% estão dando carta branca para 20% decidirem se vão ter ou não de devolver dinheiro. E parecem estar OK com isto.
Isto é comodismo? Burrice? Falta de compromisso? Negação da realidade?
Eu não sei o que pensar...
Idealmente, teríamos informes e votação. Na realidade há muitos interesses em dirigir a assembléia para um ou outro caminho.
Existem grupos que desejam finalizar a greve o mais breve possível e outros que não. Dentro dos que desejam finalizar a greve há uma separação entre um trânsito brusco e outro suave do estado de greve para o de atividades.
Já nos grupos de não desejam finalizar a greve há um espectro mais complexo. Aí temos pessoas que apenas querem um pouco mais de tempo (as vezes até para acertar com o movimento dos funcionários) até aqueles que querem greve por tempo indeterminado.
No meio disto temos a ameaça que a greve seja decretada ilegal. Isto implica em corte de ponto, devolução de salários e coisas bem menos palatáveis.
Quero deixar claro que não existe opção sem consequência. Ao sair da greve agora há a chance que isto reflita de modo ruim com os funcionários. Ao continuar na greve há chance para um abraço de afogado.
Para complicar, a pauta em si tem um furo lógico quando pede o cumprimento às decisões judiciais. Enquanto os professores tem uma decisão favorável - uma liminar - o mesmo não é verdade para os funcionários. Na realidade, se olharmos de modo desapaixonado veremos que há uma decisão judicial (do TRF) que pode muito bem ser interpretada como negativa para categoria.
Então temos a situação: os professores tem algum tipo de proteção judicial, mas o mesmo não pode ser dito para os funcionários. Porque e quem são os culpados não adianta discutir agora.
Quais são os riscos envolvidos?
Se a greve terminar amanhã é praticamente certo que a AGU não irá pedir a ilegalidade da greve. Portanto os professores ficam com o que está garantido e não tem de devolver nada. Os funcionários podem interpretar isto como uma traição ao movimento - claro que não é verdade, solidariedade não é contratual. Mas nem por isto as pessoas podem deixar de pensar assim
Se a greve não terminar amanhão é provável que a AGU peça a ilegalidade da greve. E aí as chances são mesmo de devolução dos dias parados. E aí tanto professores quanto funcionários estariam unidos enquanto pagassem o que receberam parados.
Bem, mas nada disto é importante
O importante é extremamente sério é que a assembléia de amanhã tem o potencial para decidir a vida econômico de quase 2000 professores. Mas baseado no histórico anterior, algo como 10 a 20% irão participar da assembléia.
Isto quer dizer que 80% estão dando carta branca para 20% decidirem se vão ter ou não de devolver dinheiro. E parecem estar OK com isto.
Isto é comodismo? Burrice? Falta de compromisso? Negação da realidade?
Eu não sei o que pensar...
domingo, 9 de maio de 2010
Assembléia da Adunb - parte 3
Então chegamos a parte de contraposição de argumentos.
Idealmente isto seria o debate em cima de argumentos aonde se apresentam os lados de cada argumento. Neste caso quem apresenta reforça os pontos fortes do argumento e quem contrapõe ataca os pontos fracos.
Idealmente...
Na realidade o que acontece não é bem a contraposição de argumentos. Infelizmente é mais uma mistura de generalização com especificidades. Neste caso ignoram-se os pontos discordantes ou não de cada argumento e se pivilegia o ataque. Nada demais, talvez haja alguma perda do ponto de vista de clarificação dos argumentos, mas tecnicamente é apenas um modo de "ganhar" a discussão.
O problema é que ganhar a discussão não significa escolher a melhor alternativa. É um resultado similar a um concurso de popularidade - não existe verdade intrínseca embutida nisto.
E aí vale a pena identificar algumas táticas que empobrecem o debate e enriquessem o concurso de beleza:
“Essa atitude é golpista e reacionária vinda de uma diretoria que dominou e saqueou a UnB na sua passagem pela reitoria. O que eles querem é derrubar o Zé Geraldo. É uma postura sabotadora porque eles têm outros interesses que não a integridade da Universidade”.
Isto foi em resposta a nota que foi liberada em assembléia a respeito de uma abordagem jurídica:
"ADUnB Urgente !
Impeachment do Presidente Lula
A diretoria da ADUnB solicitou, na data de hoje, às Assessorias Jurídicas estudar e elaborar processo para entrar no STF petição de Impeachment do Presidente Lula, bem como, prisão do Ministro Luis Adams, Ministro Paulo Bernardo e reitor José Geraldo.
A Diretoria da ADUnB
7 de maio de 2010 "
Muito bem, o que se depreende da argumentação e contra argumentação?
Idealmente isto seria o debate em cima de argumentos aonde se apresentam os lados de cada argumento. Neste caso quem apresenta reforça os pontos fortes do argumento e quem contrapõe ataca os pontos fracos.
Idealmente...
Na realidade o que acontece não é bem a contraposição de argumentos. Infelizmente é mais uma mistura de generalização com especificidades. Neste caso ignoram-se os pontos discordantes ou não de cada argumento e se pivilegia o ataque. Nada demais, talvez haja alguma perda do ponto de vista de clarificação dos argumentos, mas tecnicamente é apenas um modo de "ganhar" a discussão.
O problema é que ganhar a discussão não significa escolher a melhor alternativa. É um resultado similar a um concurso de popularidade - não existe verdade intrínseca embutida nisto.
E aí vale a pena identificar algumas táticas que empobrecem o debate e enriquessem o concurso de beleza:
- Personalização na argumentação: ao ligar todas as qualidades boas ou ruim de um argumento a uma pessoa ou personalidade, passamos a debater nossos sentimentos com relação aquela pessoa e não o argumento.
- Generalização suprema: neste caso o argumento oposto é responsável por todas as maldades do mundo. E com isso o argumento concordante é por natureza superior.
“Essa atitude é golpista e reacionária vinda de uma diretoria que dominou e saqueou a UnB na sua passagem pela reitoria. O que eles querem é derrubar o Zé Geraldo. É uma postura sabotadora porque eles têm outros interesses que não a integridade da Universidade”.
Isto foi em resposta a nota que foi liberada em assembléia a respeito de uma abordagem jurídica:
"ADUnB Urgente !
Impeachment do Presidente Lula
A diretoria da ADUnB solicitou, na data de hoje, às Assessorias Jurídicas estudar e elaborar processo para entrar no STF petição de Impeachment do Presidente Lula, bem como, prisão do Ministro Luis Adams, Ministro Paulo Bernardo e reitor José Geraldo.
A Diretoria da ADUnB
7 de maio de 2010 "
Muito bem, o que se depreende da argumentação e contra argumentação?
- Desqualificação do interlocutor: diretoria que dominou e saqueou a UnB na sua passagem pela reitoria
- Concentra-se em um aspecto: O que eles querem é derrubar o Zé Geraldo
- Apelo ao emocional:É uma postura sabotadora porque eles têm outros interesses que não a integridade da Universidade
Notem que a resposta não explica porque a nota constitui em uma postura sabotadora e porque isto revela que os interesses passam ao largo da universidade.
Ou seja não é contra-argumentação, mas apenas um modo de atacar quem publicou a nota.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Assembléia da Adunb - parte 2
A questão da manipulação é uma coisa corriqueira em assembléias.
Infelizmente, a existência de diversas agendas leva a isto. O objetivo é sempre direcionar os resultados da assembléia para coincidir com os resultados desejados. A forma que isto ocorre é que pode variar dependendo do caso.
Frequentemente as pessoas já tem uma noção aproximada de qual posição apoiam. Isto as leva a fortalecer argumentações que fortificam esta posição e desconsiderar argumentações que minam esta posição. Claro que isto não significa que não há meios das mesmas mudarem o seu ponto de vista. Argumentação farta e suficiente de várias fontes tende a fazer com que as pessoas gradualmente revejam seus pontos de vista.
Então o primeiro passo para evitar que as pessoas mudem do ponto de vista A para o ponto de vista B é justamente evitar que surjam argumentos de forma farta, suficiente e de diversas fontes.
Como isto é feito?
Contraposição de argumentos e desclassificação das fontes.
Em suma estas são as ferramentas básicas.
A desclassificação das fontes é essencialmente atacar a credibilidade das mesmas. Quero deixar claro que isto não é contraposição de argumentos. É apenas uma forma não racional de convencimento da audiência.
Se é certo ou errado? Bem, eu acredito que é errado. Mas a verdade é que todo mundo faz isto, mesmo que inadvertidamente. Devido a nossa própria natureza que decide baseada em categorizações e classificações, nos todos somos particularmente susceptíveis a este tipo de abordagem.
A "fulanização" de um argumento é exatamente isto. Quer um exemplo?
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta manhã que é contra o uso da máquina pública no processo eleitoral. É preciso que sejamos definitivamente republicanos neste País, mostrar que é possível passar por um processo eleitoral sem usar a máquina (pública) como já ocorreu."
"FHC também voltou a defender uma maior fiscalização pela Justiça eleitoral da pré-campanha. “O uso da máquina pública é crime. A Justiça tem que atuar com mais firmeza nessa matéria”, declarou."
Temos o mesmo argumento feito por duas pessoas diferentes. A "fulanização" permite respostas das mais curiosas.
E isto é a "fulanização" do debate. Note que esta técnica transporta a questão do âmbito do argumento para o âmbito de gostar ou não do interlocutor.
Depois eu falo mais sobre a contraposição de argumentos
Infelizmente, a existência de diversas agendas leva a isto. O objetivo é sempre direcionar os resultados da assembléia para coincidir com os resultados desejados. A forma que isto ocorre é que pode variar dependendo do caso.
Frequentemente as pessoas já tem uma noção aproximada de qual posição apoiam. Isto as leva a fortalecer argumentações que fortificam esta posição e desconsiderar argumentações que minam esta posição. Claro que isto não significa que não há meios das mesmas mudarem o seu ponto de vista. Argumentação farta e suficiente de várias fontes tende a fazer com que as pessoas gradualmente revejam seus pontos de vista.
Então o primeiro passo para evitar que as pessoas mudem do ponto de vista A para o ponto de vista B é justamente evitar que surjam argumentos de forma farta, suficiente e de diversas fontes.
Como isto é feito?
Contraposição de argumentos e desclassificação das fontes.
Em suma estas são as ferramentas básicas.
A desclassificação das fontes é essencialmente atacar a credibilidade das mesmas. Quero deixar claro que isto não é contraposição de argumentos. É apenas uma forma não racional de convencimento da audiência.
Se é certo ou errado? Bem, eu acredito que é errado. Mas a verdade é que todo mundo faz isto, mesmo que inadvertidamente. Devido a nossa própria natureza que decide baseada em categorizações e classificações, nos todos somos particularmente susceptíveis a este tipo de abordagem.
A "fulanização" de um argumento é exatamente isto. Quer um exemplo?
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta manhã que é contra o uso da máquina pública no processo eleitoral. É preciso que sejamos definitivamente republicanos neste País, mostrar que é possível passar por um processo eleitoral sem usar a máquina (pública) como já ocorreu."
"FHC também voltou a defender uma maior fiscalização pela Justiça eleitoral da pré-campanha. “O uso da máquina pública é crime. A Justiça tem que atuar com mais firmeza nessa matéria”, declarou."
Temos o mesmo argumento feito por duas pessoas diferentes. A "fulanização" permite respostas das mais curiosas.
- Se a sentença do Lula for lida para um apoiador de Lula, o apoiador tomará a mesma pelo valor de face.
- Se a sentença do Lula for lida para um apoiador de FHC, o apoiador irá dizer que é cara de pau.
- Se a sentença do FHC for lida para um apoiador de FHC, o apoiador tomará a mesma pelo valor de face.
- Se a sentença do FHC for lida para um apoiador de Lula, o apoiador irá dizer que é cara de pau (ou golpismo ou qualquer coisa que valha).
E isto é a "fulanização" do debate. Note que esta técnica transporta a questão do âmbito do argumento para o âmbito de gostar ou não do interlocutor.
Depois eu falo mais sobre a contraposição de argumentos
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Assembléia da Adunb - parte 1
Ir a uma assembléia da UnB é sempre uma experiência complicada. Nunca estive nas de funcionários, mas já participei das de alunos e professores.
Um dos problemas é que a enorme maioria das pessoas que vão ao pódio falar são professores. Nada de mal a priori, exceto que os professores tem um certo amor pelo som da sua própria voz (eu também sofro ocasionalmente desse mal). Então ficamos com laidainhas infindáveis para chegar até o ponto.
Não me entendam mal, eu tenho apreço por um discurso articulado e interessante. Mas estes casos são exceções e não regra. Então ficamos com discursos minimamente conexos repletos de repetições e um dos pecados mortais da oratória: chavões pre-fabricados.
Esta técnica é muito usada. No fundo ela simplifica o discurso, pois convenhamos fazer discursos de improviso demanda treinamento mesmo se a pessoa possui o dom para tanto. Então vamos no "nós contra eles", "intenções do governo" e coisas afins...
Isto causa algumas pérolas como no caso de um professor - não irei dizer o nome - que no mesmo discurso disse que o reitor era nosso companheiro e um lacaio do governo.
Claro que se ele tivesse escrito teria notado de imediato a tolice do argumento...
Mas não é o único problema. Por vezes a imaginação e a criatividade podem fazer um desserviço ao discursos. Certamente existem muitas pessoas criativas e capazes de tiradas geniais em segundos.
Só que não é sempre que isto acontece...
E ficamos então com a tirada: "Só uma coisa é certa: que tudo pode acontecer".
Troque isto por "Nada é certo" ou "Tudo é incerteza" e temos o mesmo efeito sem parecer floreado demais.
Podem estar achando que estou sendo malvado, mas querem ver como a frase acima pode manter um tom de floreamento sem arruinar o efeito?
"A única certeza é a incerteza", "A incerteza é nossa única certeza" ou mesmo "Só uma coisa é certa: nada é certo". Todas muito bonitinhas com hipérboles e paradoxos na mesma sentença.
Mas isto no fato é uma certa picuinha. Afinal falar em frente a uma audiência de seus pares não é nada fácil...
Humm, para professores? Até que é. Mas o complicado é quando parte da audiência é hostil. E isto que torna a coisa até mais curiosa.
Em um caso como o da URP não há como negar que existe culpa para distribuir a vontade - mesmo entre os professores. Só que isto é um problema. No mundo reduzido de uma assembléia não existe muito espaço para nuances e tons de cinza.
Então os professores tem de ser vítimas neste caso. Mesmo que não sejam, pois afinal não é uma boa estratégia antagonizar uma platéia potencialmente hostil. Pelo menos não se o desejo é convencer parte dela.
Então já temos parte da receita: evitar antagonismos com a platéia, evitar raciocíonios muito complicados - ou seja simplificar ao máximo o problema.
E quando se simplifica ao máximo o problema corre-se o risco de eliminar alguns elementos vitais à compreensão do mesmo. Elementos tais que poderiam levar a decisões diferentes da que o discursante quer atingir.
E então começa a manipulação... Mas eu falo sobre isto em outro tópico
Um dos problemas é que a enorme maioria das pessoas que vão ao pódio falar são professores. Nada de mal a priori, exceto que os professores tem um certo amor pelo som da sua própria voz (eu também sofro ocasionalmente desse mal). Então ficamos com laidainhas infindáveis para chegar até o ponto.
Não me entendam mal, eu tenho apreço por um discurso articulado e interessante. Mas estes casos são exceções e não regra. Então ficamos com discursos minimamente conexos repletos de repetições e um dos pecados mortais da oratória: chavões pre-fabricados.
Esta técnica é muito usada. No fundo ela simplifica o discurso, pois convenhamos fazer discursos de improviso demanda treinamento mesmo se a pessoa possui o dom para tanto. Então vamos no "nós contra eles", "intenções do governo" e coisas afins...
Isto causa algumas pérolas como no caso de um professor - não irei dizer o nome - que no mesmo discurso disse que o reitor era nosso companheiro e um lacaio do governo.
Claro que se ele tivesse escrito teria notado de imediato a tolice do argumento...
Mas não é o único problema. Por vezes a imaginação e a criatividade podem fazer um desserviço ao discursos. Certamente existem muitas pessoas criativas e capazes de tiradas geniais em segundos.
Só que não é sempre que isto acontece...
E ficamos então com a tirada: "Só uma coisa é certa: que tudo pode acontecer".
Troque isto por "Nada é certo" ou "Tudo é incerteza" e temos o mesmo efeito sem parecer floreado demais.
Podem estar achando que estou sendo malvado, mas querem ver como a frase acima pode manter um tom de floreamento sem arruinar o efeito?
"A única certeza é a incerteza", "A incerteza é nossa única certeza" ou mesmo "Só uma coisa é certa: nada é certo". Todas muito bonitinhas com hipérboles e paradoxos na mesma sentença.
Mas isto no fato é uma certa picuinha. Afinal falar em frente a uma audiência de seus pares não é nada fácil...
Humm, para professores? Até que é. Mas o complicado é quando parte da audiência é hostil. E isto que torna a coisa até mais curiosa.
Em um caso como o da URP não há como negar que existe culpa para distribuir a vontade - mesmo entre os professores. Só que isto é um problema. No mundo reduzido de uma assembléia não existe muito espaço para nuances e tons de cinza.
Então os professores tem de ser vítimas neste caso. Mesmo que não sejam, pois afinal não é uma boa estratégia antagonizar uma platéia potencialmente hostil. Pelo menos não se o desejo é convencer parte dela.
Então já temos parte da receita: evitar antagonismos com a platéia, evitar raciocíonios muito complicados - ou seja simplificar ao máximo o problema.
E quando se simplifica ao máximo o problema corre-se o risco de eliminar alguns elementos vitais à compreensão do mesmo. Elementos tais que poderiam levar a decisões diferentes da que o discursante quer atingir.
E então começa a manipulação... Mas eu falo sobre isto em outro tópico
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Eleições 2006 - A popularidade do Presidente afeta o resultado?
Será que a popularidade de Lula influenciou o resultado da eleição de 2006?
Certamente. Mas como foi isso?
Primeiro temos que ver como foi a eleição.
No primeiro turno (dia 1 de outubro) tivemos:
(1º turno) %
Luiz Inácio Lula da Silva (PT, PRB, PCdoB) 48,61
Geraldo Alckmin (PSDB, PFL) 41,64
Heloísa Helena (PSOL, PSTU, PCB) 6,85
Cristovam Buarque (PDT) 2,64
Ana Maria Rangel (PRP) 0,13
José Maria Eymael (PSDC) 0,07
Luciano Bivar (PSL) 0,06
Rui Costa Pimenta (PCO) 0
(votos considerados nulos) 0,00
E como era a popularidade de Lula? No dia 27/09 a popularidade era expressa por:
Bom: 47%
Neutro: 34%
Ruim: 17%
Nestas condições, ao olharmos a pesquisa de 27 de setembro de 2006 temos que:
Lula: 80% dos que votam nele consideram o governo bom, 33% neutro e 2% ruim
Alckmin: 11% dos que votam nele consideram o governo bom, 43% neutro e 70% ruim
Heloísa Helena: 4% dos que votam nela consideram o governo bom, 12% neutro e 13% ruim
Cristovam Buarque: 1% dos que votam nele consideram o governo bom, 2% neutro e 3% ruim
Brancos e Nulos: 1% dos que votam desta forma consideram o governo bom, 4% neutro e 8% ruim
Não sabe: 2% dos que votam desta forma consideram o governo bom, 4% neutro e 2% ruim
Se considerarmos apenas os votos válidos teremos:
Lula: 83% dos que votam nele consideram o governo bom, 36% neutro e 2% ruim
Alckmin: 11% dos que votam nele consideram o governo bom, 47% neutro e 79% ruim
Heloísa Helena: 4% dos que votam nela consideram o governo bom, 13% neutro e 15% ruim
Cristovam Buarque: 1% dos que votam nele consideram o governo bom, 3% neutro e 3% ruim
Ao calcularmos ficamos com:
Lula: 51,6% dos votos válidos, Alckmin com 35% dos votos válidos, HH com 8,85% dos votos válidos e Cristovam com 2% dos votos válidos.
Ao compararmos com o resultado do primeiro turno, temos que Lula ficou razoavelmente perto do esperado (51,6 versus 48,6), Alckimin ficou um pouco mais longe (35 versus 41,6), HH ainda obteve resultado dentro da margem de erro (8,85 versus 6,85) e o mesmo ocorreu com Cristovam (2 versus 2,64).
Na pesquisa realizada na véspera da eleição, houve uma mudança mais significativa: Lula passou a 50%, Alckmin a 38%, HH a 7% e Cristovam a 2%.
Em paralelo a este ponto, foi incluído no questionário os seguintes itens com relação ao debate:
Assistiu ou Ouviu, Assistiu ou Ouviu Inteiro, Assistiu ou Ouviu em parte, Não assistiu e não ouviu.
Como temos três categorias e resultados podemos fazer uma estimativa dos pesos que cada um destes itens tem na pontuação aproximada dos candidatos:
Assistiu ou Ouviu - peso: -2.0
Assistiu ou Ouviu inteiro - peso: -1.0
Assistiu ou Ouviu em parte - peso: 4.0
Não assistiu e não ouviu - peso: 0.0
O fato de termos pesos negativos significa que houve influência negativa da parte do debate. E curiosamente a maior influência negativa foi justamente para quem assistiu ou ouviu (inteiro). Quem não assistiu e não ouviu não foi influenciado pelo conteúdo do debate (como esperado).
Mas e o segundo turno?
No segundo turno Lula teve 60,83% e Alckmin 39,17%. O que mudou?
A última pesquisa disponível é de 24 de outubro de 2006. Nela temos com relação aos votos válidos:
Lula: 86% dos que votam nele consideram o governo bom, 38% neutro e 2% ruim
Alckmin: 11% dos que votam nele consideram o governo bom, 56% neutro e 89% ruim
E quanto era a popularidade do governo Lula naqueles dias?
Bom: 53%
Neutro: 31%
Ruim: 15%
Isto resulta em: Lula com 57,7% dos votos válidos e Alckmin com 36,5% dos votos válidos;
Ao compararmos com o resultado do primeiro turno, temos uma diferença percentual de 3 pontos tanto em Lula (57,7 versus 60,3) quanto Alckimin (36,5 versus 39,17).
Então, em termos de popularidade, o seguinte perfil do eleitor:
27/09/2006 - Lula: 80% consideram o governo bom, 33% consideram neutro e 2% ruim
24/10/2006- Lula: 86% consideram o governo bom, 38% consideram neutro e 2% ruim
27/09/2006 - Alckmin: 11% consideram o governo bom, 43% consideram neutro e 70% ruim
24/10/2006- Alckmin: 11% consideram o governo bom, 56% consideram neutro e 89% ruim
Ao analisar os números da popularidade, podemos ver que o aumento da popularidade custou para Alckmin 2 pontos percentais e rendeu a Lula 3 pontos percentuais (aumentando a diferença entre os dois para 5 pontos percentuais).
Analisar eleições é fascinante, mas muito delicado...
Certamente. Mas como foi isso?
Primeiro temos que ver como foi a eleição.
No primeiro turno (dia 1 de outubro) tivemos:
(1º turno) %
Luiz Inácio Lula da Silva (PT, PRB, PCdoB) 48,61
Geraldo Alckmin (PSDB, PFL) 41,64
Heloísa Helena (PSOL, PSTU, PCB) 6,85
Cristovam Buarque (PDT) 2,64
Ana Maria Rangel (PRP) 0,13
José Maria Eymael (PSDC) 0,07
Luciano Bivar (PSL) 0,06
Rui Costa Pimenta (PCO) 0
(votos considerados nulos) 0,00
E como era a popularidade de Lula? No dia 27/09 a popularidade era expressa por:
Bom: 47%
Neutro: 34%
Ruim: 17%
Nestas condições, ao olharmos a pesquisa de 27 de setembro de 2006 temos que:
Lula: 80% dos que votam nele consideram o governo bom, 33% neutro e 2% ruim
Alckmin: 11% dos que votam nele consideram o governo bom, 43% neutro e 70% ruim
Heloísa Helena: 4% dos que votam nela consideram o governo bom, 12% neutro e 13% ruim
Cristovam Buarque: 1% dos que votam nele consideram o governo bom, 2% neutro e 3% ruim
Brancos e Nulos: 1% dos que votam desta forma consideram o governo bom, 4% neutro e 8% ruim
Não sabe: 2% dos que votam desta forma consideram o governo bom, 4% neutro e 2% ruim
Se considerarmos apenas os votos válidos teremos:
Lula: 83% dos que votam nele consideram o governo bom, 36% neutro e 2% ruim
Alckmin: 11% dos que votam nele consideram o governo bom, 47% neutro e 79% ruim
Heloísa Helena: 4% dos que votam nela consideram o governo bom, 13% neutro e 15% ruim
Cristovam Buarque: 1% dos que votam nele consideram o governo bom, 3% neutro e 3% ruim
Ao calcularmos ficamos com:
Lula: 51,6% dos votos válidos, Alckmin com 35% dos votos válidos, HH com 8,85% dos votos válidos e Cristovam com 2% dos votos válidos.
Ao compararmos com o resultado do primeiro turno, temos que Lula ficou razoavelmente perto do esperado (51,6 versus 48,6), Alckimin ficou um pouco mais longe (35 versus 41,6), HH ainda obteve resultado dentro da margem de erro (8,85 versus 6,85) e o mesmo ocorreu com Cristovam (2 versus 2,64).
Na pesquisa realizada na véspera da eleição, houve uma mudança mais significativa: Lula passou a 50%, Alckmin a 38%, HH a 7% e Cristovam a 2%.
Em paralelo a este ponto, foi incluído no questionário os seguintes itens com relação ao debate:
Assistiu ou Ouviu, Assistiu ou Ouviu Inteiro, Assistiu ou Ouviu em parte, Não assistiu e não ouviu.
Como temos três categorias e resultados podemos fazer uma estimativa dos pesos que cada um destes itens tem na pontuação aproximada dos candidatos:
Assistiu ou Ouviu - peso: -2.0
Assistiu ou Ouviu inteiro - peso: -1.0
Assistiu ou Ouviu em parte - peso: 4.0
Não assistiu e não ouviu - peso: 0.0
O fato de termos pesos negativos significa que houve influência negativa da parte do debate. E curiosamente a maior influência negativa foi justamente para quem assistiu ou ouviu (inteiro). Quem não assistiu e não ouviu não foi influenciado pelo conteúdo do debate (como esperado).
Mas e o segundo turno?
No segundo turno Lula teve 60,83% e Alckmin 39,17%. O que mudou?
A última pesquisa disponível é de 24 de outubro de 2006. Nela temos com relação aos votos válidos:
Lula: 86% dos que votam nele consideram o governo bom, 38% neutro e 2% ruim
Alckmin: 11% dos que votam nele consideram o governo bom, 56% neutro e 89% ruim
E quanto era a popularidade do governo Lula naqueles dias?
Bom: 53%
Neutro: 31%
Ruim: 15%
Isto resulta em: Lula com 57,7% dos votos válidos e Alckmin com 36,5% dos votos válidos;
Ao compararmos com o resultado do primeiro turno, temos uma diferença percentual de 3 pontos tanto em Lula (57,7 versus 60,3) quanto Alckimin (36,5 versus 39,17).
Então, em termos de popularidade, o seguinte perfil do eleitor:
27/09/2006 - Lula: 80% consideram o governo bom, 33% consideram neutro e 2% ruim
24/10/2006- Lula: 86% consideram o governo bom, 38% consideram neutro e 2% ruim
27/09/2006 - Alckmin: 11% consideram o governo bom, 43% consideram neutro e 70% ruim
24/10/2006- Alckmin: 11% consideram o governo bom, 56% consideram neutro e 89% ruim
Ao analisar os números da popularidade, podemos ver que o aumento da popularidade custou para Alckmin 2 pontos percentais e rendeu a Lula 3 pontos percentuais (aumentando a diferença entre os dois para 5 pontos percentuais).
Analisar eleições é fascinante, mas muito delicado...
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