sábado, 21 de agosto de 2010

Composição do Eleitorado - parte 5

Vamos agora analisar outra categoria de composição do eleitorado: o gênero (masculino & feminino).
Serra
  • Em 24/05/2010 - 47% masculino e 53% feminino
  • Em 30/06/2010 - 41% masculino e 59% feminino
  • Em 23/07/2010 - 46% masculino e 54% feminino
  • Em 16/08/2010 - 45% masculino e 55% feminino
O valor médio é de 45% do eleitorado de Serra é masculino e 55% feminino. Há uma variação de -2% do eleitorado masculino e +2% no eleitorado feminino, ao compararmos as pesquisas de 24/05 às de 16/08. No caso da pontuação de eleitores temos:
Serra
  • Em 24/05/2010 - 17% masculino e 19% feminino (total 36%)
  • Em 30/06/2010 - 16% masculino e 23% feminino (total 39%)
  • Em 23/07/2010 - 17% masculino e 20% feminino (total 37%)
  • Em 16/08/2010 - 15% masculino e 18% feminino (total 33%)
O valor médio é de 16% dos eleitores masculinos e 20% das eleitoras (36%). A diferença entre os dados da pesquisa de 24/05 e 16/08 é de -2% masculino, 0% que acham o governo Lula neutro e -1% feminino. Isto indica que os 3% de queda de Serra ocorreram nas duas categorias, mas com ênfase no eleitorado masculino.
Dilma
  • Em 24/05/2010 - 54% masculino e 46% feminino
  • Em 30/06/2010 - 58% masculino e 42% feminino
  • Em 23/07/2010 - 56% masculino e 44% feminino
  • Em 16/08/2010 - 55% masculino e 45% feminino
O valor médio é de 56% do eleitorado de Dilma é masculino e 44% feminino. Há uma variação de +1% do eleitorado masculino e -1% no eleitorado feminino, ao compararmos as pesquisas de 24/05 às de 16/08. No caso da pontuação de eleitores temos:
Dilma
  • Em 24/05/2010 - 20% masculino e 17% feminino (total 37%)
  • Em 30/06/2010 - 21% masculino e 15% feminino (total 36%)
  • Em 23/07/2010 - 20% masculino e 16% feminino (total 36%)
  • Em 16/08/2010 - 22% masculino e 18% feminino (total 40%)
O valor médio é de 21% dos eleitores masculinos e 17% das eleitoras (38%). A diferença entre os dados da pesquisa de 24/05 e 16/08 é de +2% masculino, 0% que acham o governo Lula neutro e +1% feminino. Isto é consistente com a queda de 3% de Serra, mas com ênfase no eleitorado masculino.


Então a chance é mesmo que 2% dos eleitores de Serra tenha passado para Dilma e 1% das eleitoras de Serra tenha feito o mesmo. Claro que com as incertezas associadas aos erros amostrais está afirmação não pode ser inteiramente comprovada.

Composição do Eleitorado - parte 4

Apesar de ter saído a mais nova pesquisa DATAFOLHA com Dilma a 47% das intenções de voto, acredito que tenho de ver a evolução da composição do eleitorado para ter uma idéia mais clara do que acontece.

Então vamos aos candidatos. Os dados estão um pouco distintos dos posts anteriores devido ao arredondamento e ao uso dos percentuais atualizados segundo o número de pesquisados.
Serra
  • Em 24/05/2010 - 66% acham o governo Lula positivo, 27% acham o governo Lula neutro e 7% acham o  governo Lula ruim
  • Em 30/06/2010 - 69% acham o governo Lula positivo, 25% acham o governo Lula neutro e 6% acham o  governo Lula ruim
  • Em 23/07/2010 - 64% acham o governo Lula positivo, 29% acham o governo Lula neutro e 7% acham o  governo Lula ruim
  • Em 16/08/2010 - 62% acham o governo Lula positivo, 30% acham o governo Lula neutro e 8% acham o  governo Lula ruim
O valor médio é de 65% acham o governo Lula positivo, 28% acham neutro e 7% acham ruim. A diferença entre os dados da pesquisa de 24/05 e 16/08 é de -4% que acham o governo Lula positivo, 3% que acham o governo Lula neutro e 1% que acham o governo Lula ruim. Notem que a soma dá zero, pois está analise considerar a totalidade dos eleitores de Serra e não a totalidade dos eleitores. Ainda assim dá para dizer que 2/3 dos eleitores de Serra acham o governo Lula bom.

Já a análise com relação aos pontos percentuais totais mostra um quadro diferente. Esta análise permite indicar aonde foi a perda de Serra.
Serra
  • Em 24/05/2010 - 24% acham o governo Lula positivo, 10% acham o governo Lula neutro e 3% acham o  governo Lula ruim (total 37%)
  • Em 30/06/2010 - 27% acham o governo Lula positivo, 10% acham o governo Lula neutro e 2% acham o  governo Lula ruim (total 39%)
  • Em 23/07/2010 - 24% acham o governo Lula positivo, 11% acham o governo Lula neutro e 3% acham o  governo Lula ruim (total 38%)
  • Em 16/08/2010 - 21% acham o governo Lula positivo, 10% acham o governo Lula neutro e 3% acham o  governo Lula ruim (total 34%)
O valor médio é de 24% acham o governo Lula bom, 10% acham o governo Lula neutro e 3% acham o governo Lula ruim (37%). A diferença entre os dados da pesquisa de 24/05 e 16/08 é de -3% que acham o governo Lula positivo, 0% que acham o governo Lula neutro e 0% que acham o governo Lula ruim. Isto indica que os 3% de queda de Serra ocorreram no percentual do eleitorado que acha o governo Lula bom. Para ver aonde estes 3% foram é necessário olharmos os outros candidatos.
Dilma

  • Em 24/05/2010 - 92% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 0% acham o  governo Lula ruim
  • Em 30/06/2010 - 95% acham o governo Lula positivo, 5% acham o governo Lula neutro e 1% acham o  governo Lula ruim
  • Em 23/07/2010 - 92% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 0% acham o  governo Lula ruim
  • Em 16/08/2010 - 92% acham o governo Lula positivo, 8% acham o governo Lula neutro e 1% acham o  governo Lula ruim
O valor médio é de 93% acham o governo Lula positivo, 7% acham neutro e 1% acham ruim. A diferença entre os dados da pesquisa de 24/05 e 16/08 é de -1% que acham o governo Lula positivo, 0% que acham o governo Lula neutro e 0% que acham o governo Lula ruim. Notem que a soma não dá zero, a razão está nos erros de arredondamento. Mas vamos à análise com os pontos percentuais
Dilma
  • Em 24/05/2010 - 34% acham o governo Lula positivo, 3% acham o governo Lula neutro e 0% acham o  governo Lula ruim (total 37%)
  • Em 30/06/2010 - 34% acham o governo Lula positivo, 2% acham o governo Lula neutro e 0% acham o  governo Lula ruim (total 36%)
  • Em 23/07/2010 - 32% acham o governo Lula positivo, 3% acham o governo Lula neutro e 0% acham o  governo Lula ruim (total 35%)
  • Em 16/08/2010 - 37% acham o governo Lula positivo, 3% acham o governo Lula neutro e 0% acham o  governo Lula ruim (total 40%)
O valor médio é de 34% acham o governo Lula bom, 3% acham o governo Lula neutro e 0% acham o governo Lula ruim (total é de 37%). A diferença entre os dados da pesquisa de 24/05 e 16/08 é de +3% que acham o governo Lula positivo, 0% que acham o governo Lula neutro e 0% que acham o governo Lula ruim. Isto indica que Dilma teve um ganho de 3% no percentual do eleitorado que acha o governo Lula bom (dos quais 3% podem ser reportados a Serra).

A verdade é que este tipo de análise só mostra as variações ocorridas dentro de uma categoria: popularidade do presidente. Para uma análise melhor é necessário ver outras categorias.

Isto fica para um próximo post

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Equação de Price

Acho que encontrei o equivalente de uma das Leis do Eletromagnetismo na biologia evolutiva


w\,\Delta{z}=\operatorname{cov}(w_i,z_i)+\operatorname{E}(w_i\,\Delta z_i) , \,\!

Esta é a chamada equação de Price. Parecem existir muitas ramificações além da biologia.

Suspeito que esta equação pode ser utilizada para explicar e possivelmente quantificar processos similares aos efeitos da evolução e seleção natural. Em outras palavras: talvez seja possível aplicá-la para fenômenos sociais.

Percebo, ao olhar para ela, que algo que sempre me escapou na descrição matemática de populações foi a interação entre o comportamento individual e o coletivo. Agora vejo que o comportamento coletivo estará ligado às médias e o individual ao agrupamento dos mesmos.

No caso da equação acima:


\Delta{z_i} \ \stackrel{\mathrm{def}}{=}\  z_i' - z_i

é a variação da característica no grupo i da geração k para k+1


\Delta{z} \ \stackrel{\mathrm{def}}{=}\  z' - z

é a variação média da característica na população da geração k para k+1. E claro que wé a aptidão associada a característica zi .

Outro ponto interessante da equação é que sua derivação é exata (matematicamente). A covariância entre a aptidão e característica no grupo i é dado por:


\operatorname{cov}(w_i,z_i)=\operatorname{E}(w_iz_i)-wz

Já o valor esperado para taxa de alteração da característica no grupo i é dado por:


\operatorname{E}(w_i\,\Delta z_i)=\operatorname{E}(w_iz'_i)-\operatorname{E}(w_iz_i)

Somando os dois termos temos:

\operatorname{cov}(w_i,z_i)+\operatorname{E}(w_i\,\Delta z_i)=wz'-wz=w\,\Delta z\,

Sinto que um modelo baseado no relacionamento entre médias e indivíduos é chave para o entendimento de um comportamento social. Mas descobrir isto é um senhor problema

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Composição do eleitorado - parte 3

Sairam os novos dados do DATAFOLHA. E eles são muito completos...

Para adiantar, vou colocar um primeiro post sobre estes novos dados e depois trago mais detalhes.

Serra

  • Em 14/04/2010 - 67% acham o governo Lula positivo, 26% acham o governo Lula neutro e 8% acham o governo Lula ruim
  • Em 20/05/2010 - 65% acham o governo Lula positivo, 27% acham o governo Lula neutro e 8% acham o  governo Lula ruim
  • Em 30/06/2010 - 68% acham o governo Lula positivo, 26% acham o governo Lula neutro e 6% acham o  governo Lula ruim
  • Em 26/07/2010 - 66% acham o governo Lula positivo, 28% acham o governo Lula neutro e 6% acham o  governo Lula ruim
  • Em 16/08/2010 - 63% acham o governo Lula positivo, 28% acham o governo Lula neutro e 8% acham o  governo Lula ruim

Dilma

  • Em 14/04/2010 - 93% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 0% acham o  governo Lula ruim
  • Em 20/05/2010 - 92% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 1% acham o  governo Lula ruim
  • Em 30/06/2010 - 94% acham o governo Lula positivo, 4% acham o governo Lula neutro e 0.4% acham o  governo Lula ruim
  • Em 26/07/2010 - 93% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 0% acham o  governo Lula ruim
  • Em 16/08/2010 - 92% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 1% acham o  governo Lula ruim

Marina

  • Em 14/04/2010 - 70% acham o governo Lula positivo, 24% acham o governo Lula neutro e 6% acham o  governo Lula ruim
  • Em 20/05/2010 - 67% acham o governo Lula positivo, 25% acham o governo Lula neutro e 8% acham o  governo Lula ruim
  • Em 30/06/2010 - 70% acham o governo Lula positivo, 27% acham o governo Lula neutro e 6% acham o  governo Lula ruim
  • Em 26/07/2010 - 71% acham o governo Lula positivo, 21% acham o governo Lula neutro e 2% acham o  governo Lula ruim
  • Em 16/08/2010 - 77% acham o governo Lula positivo, 22% acham o governo Lula neutro e 4% acham o  governo Lula ruim

Brancos

  • Em 14/04/2010 - 69% acham o governo Lula positivo, 22% acham o governo Lula neutro e 8% acham o  governo Lula ruim
  • Em 20/05/2010 - 57% acham o governo Lula positivo, 28% acham o governo Lula neutro e 15% acham o  governo Lula ruim
  • Em 30/06/2010 - 58% acham o governo Lula positivo, 30% acham o governo Lula neutro e 18% acham o  governo Lula ruim
  • Em 26/07/2010 - 54% acham o governo Lula positivo, 31% acham o governo Lula neutro e 14% acham o  governo Lula ruim
  • Em 16/08/2010 - 46% acham o governo Lula positivo, 29% acham o governo Lula neutro e 9% acham o  governo Lula ruim

Não sabe

  • Em 14/04/2010 - 73% acham o governo Lula positivo, 23% acham o governo Lula neutro e 5% acham o  governo Lula ruim
  • Em 20/05/2010 - 76% acham o governo Lula positivo, 23% acham o governo Lula neutro e 1% acham o  governo Lula ruim
  • Em 30/06/2010 - 78% acham o governo Lula positivo, 17% acham o governo Lula neutro e 0.5% acham o  governo Lula ruim
  • Em 26/07/2010 - 77% acham o governo Lula positivo, 21% acham o governo Lula neutro e 2% acham o  governo Lula ruim
  • Em 16/08/2010 - 77% acham o governo Lula positivo, 22% acham o governo Lula neutro e 2% acham o  governo Lula ruim

Então é possível ver algumas mudanças interessantes a partir destes dados. Eu vou a estes pontos mais tarde

Esperando os dados do DATAFOLHA

Ainda não postei nenhuma análise sobre os últimos dados da pesquisa para presidente de 2010 pois estou esperando os dados de tabela ficarem disponíveis.

Estou bastante curioso sobre as possíveis alterações nos percentuais dos candidatos - em particular da Dilma e do Serra. Não nos percentuais divulgados, mas nos calculados utilizando Bayes.

domingo, 15 de agosto de 2010

Se havia alguma dúvida...

Depois das declarações de Roriz no blog da Ana Maria Campos:
"...

Eu - O senhor acredita que tudo o que Durval contou sobre o governo Arruda aconteceu também no seu?
Roriz - Não, no meu não. Ele foi nomeado por mim. Agora eu acho que o Durval, vocês me desculpem dizer, acho que ele prestou um relevante serviço ao meu país. Ter a coragem de denunciar as falcatruas de um governo... Isso um dia vai ser reconhecido. Eu acho que ele prestou um trabalho extraordinário para o Brasil, não só para Brasília, para o Brasil. Qual é o homem que tem coragem de ser governo e denunciar o seu próprio governo? Precisa pensar nisso. Porque hoje qualquer governante tem receio, a partir da denúncia do Durval. Vamos respeitar o homem. O homem que vai moralizar a coisa pública desse país. Não foi só de Brasília, não. Mas em Brasília ele erradicou. Depôs governador, depôs vice-governador, depôs tudo.
..."

Agora não resta dúvida nenhuma: Roriz orquestrou a motivação do Fora Arruda.

Eu sempre suspeitei, mas nunca consegui nada para corroborar esta suspeita. Até esta declaração...

Só posso imaginar a sensação de ter sido uma marionete dos que participaram do movimento. Mas nem tudo está perdido: o ficha limpa foi algo que estava totalmente fora do script.

Pena que haja dúvidas sobre sua constitucionalidade.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Eleições - Histórico da cotação do Real

Em mais um esforço para detonar a propaganda, estou colocando aqui a série temporal de cotação do Real com o Dólar. Os dados são do IPEA.

Espero que isto ajude a diminuir os erros que surgem quando as pessoas acreditam em propaganda enganosa.
O fato é que olhando gráfico ficam claros os momentos da flutuação do câmbio, no governo FHC, a eleição de Lula e a nova crise financeira.

Como ponto positivo do governo Lula, notem que a cotação diminuiu de modo consistente durante boa parte do seu mandato (com exceção da crise de 2008).

Já durante o governo FHC, após a flutuação do câmbio, a cotação subiu de modo consistente durante todo mandato

Tentativa para twitter

Vamos ver se este post vai funcionar como teste do twitterfeed!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Época de Eleições - Spin a mil

De novo surge a história de "FHC faliu o país" e "Itamar não é o pai do Real". Como isso é mentira mesmo, resolvi colocar aqui um gráfico com a série história de inflação de 1980 a 2009.

Para facilitar ainda coloquei de modo destacado a intervenção de cada governante do respectivo período de modo destacado (como um traço vertical).

Notem a eleição de 2002 - e o efeito que teve na inflação

domingo, 8 de agosto de 2010

Época de Eleições

E como já disse começa o spin:
O presidente estadual do Partido Verde no Rio, Alfredo Sirkis, ironizou hoje Plínio de Arruda, candidato à Presidência pelo PSOL.
"Ele é um burguês quatrocentão que mora em um apartamento de R$ 1 milhão falando de uma menina pobre, nascida na floresta, que se alfabetizou aos 16 anos e passou fome", disse, em referência ao apelido de "ecocapitalista" dado por Plínio à candidata do PV à Presidência, Marina Silva, durante o debate televisivo de quinta-feira.
Não deixa de ser moderadamente curioso

Pesquisas influenciam o eleitorado?

Este pergunta é tema de muitos trabalhos acadêmicos. Podemos mencionar este, este e este.

Mas o fator é que há uma grande incerteza sobre o potencial de influência de uma pesquisa.

No caso das eleições do Brasil há diversos pontos que se destacam. Um dele é como uma pesquisa pode influenciar eleições se sua divulgação é primariamente em meio impresso. No Brasil, a circulação de meio impresso é cerca de 5% da população total. Se considerarmos também a internet, talvez este número suba até 20%. Mas de qualquer modo ainda restam 80% da população para ser influenciada.

Há também a questão de pesquisas divulgadas pela televisão tem uma abrangência ainda maior. Mas o fato é que se vários institutos divulgarem, fica difícil forçar algum tipo de manipulação. O máximo efeito seria que a pesquisa talvez reforçasse os dados da população (ou seja, a pesquisa é o espelho da opinião da população, e este espelho faria a população tentar se parecer com a pesquisa).

Mas acredito que a pesquisa poderá somente influenciar o percentual de eleitores que podem mudar de voto (o que não significa indecisos). Em um post anterior eu disse:

Este valor é de cerca de 27%. A sua divisão é a seguinte: 11,44% em Serra, 7,45% em Dilma, 3,91% em Marina e 4,31% em Brancos e Nulos. O pessoal que não sabe chega a um total de 5%. 

Este resultado diz que 27% dos eleitores pode mudar o voto. Podemos imaginar que este percentual é o que potencialmente pode ser influenciado por pesquisas. E desta influência, temos que alguns podem ser sofrer efeitos positivos (p), negativos (n) ou indiferentes (i). Ou seja, os 11,4% de Serra seriam multiplicados por a soma dos efeitos positivos, negativos e indiferentes. O efeito negativo teria a ter influência contrária a da pesquisa (se Serra aumenta ele tende a diminuir, se Serra diminui ele tende a aumentar).

O fato é que mesmo estes 11,4% tem de ser categorizados sobre o grau de influência que a pesquisa tem sobre a sociedade. Nisto o primeiro passo é determinar qual é a penetração de uma pesquisa. Dado situações anteriores, eu iria longe o suficiente para afirmar que um pesquisa divulgada em televisão terá no máximo 50% de penetração. Isto é baseado em dados de pesquisa anteriores com relação a audiência de programas televisivos (o Jornal Nacional tem tido audiência na casa dos 38 pontos).

Então o potencial de mudança devido a pesquisas pode ser algo perto de 27*0.5 ou cerca de 14%. Provavelmente este percentual pode ser maior em relação ao pessoal que não sabe, mas para simplificar temos algo como potencial para mudança devido a pesquisa de 6 pontos em Serra, 4 pontos em Dilma, 2 pontos em Marina, 2 pontos em Nulos e Brancos e 2 pontos em não sabe.

Mas por enquanto só pode-se especular

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ficha Limpa e Roriz

Acaba e sair a notícia que Roriz teve seu pedido de candidatura negado pelo TRE-DF.

Eu não sou eleitor dele e tenho muitas divergência com os setores que o apoiam. Então, não estou nada triste com isto.

Mas cabe um alerta de sobriedade: o resultado ainda cabe recurso no TSE (e caso seja no STF). E o problema é justamente a questão de porque o ficha limpa está sendo aplicado. Eu explico: neste caso não é nem a questão temporal do problema, mas o fato que ele está sendo enquadrado por ter renunciado.

A renúncia teve como causa provável a estratégia para escapar de uma possível cassação. Isto até as folhas das árvores já estão sabendo.

Mas causa provável não é causa certa. E mais ainda: renunciar é um direito e não há uma necessidade de provar nexo causal (por mais óbvio que ele pareça) para justificar a renúncia.

Ou seja, como não existiu um processo real contra ele a renúncia PODE ser interpretada como tentativa de escapar da cassação. Mas ao mesmo tempo PODE ser interpretada de outra forma. Não há como provar conclusivamente um caso ou outro (a não ser que exista um vídeo do Roriz explicando que renunciou para escapar da cassação).

Mas vamos como as coisas andam

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Theodor Adorno

Estou lendo Introdução a Sociologia de Theodor Adorno.

Estou na segunda aula - o livro é organizado desta forma: cada aula é um capítulo.

Devo dizer que não estou muito contente com o que li até agora. Até o momento ele desviou de definir o que é Sociologia (se bem que de vez em quando escapou uma ou outra frase com cheiro de definição), incutiu a tradicional centelha de teoria da conspiração (o orçamento da exploração espacial é o provável responsável por não termos curado o câncer) e lançou uma ou outra idéia aqui e acolá.

Talvez seja o velho problema da dialética - que criticamente não permite conhecer nada, apenas defini-lo pelo que ele não é...

Eu tendo a desconfiar que a origem da pessoa está intimamente ligada ao seu desenvolvimento. Adorno era alemão e viveu a primeira guerra como adolescente e a segunda como adulto. Isto certamente isto foi um fator importante na construção de seu pensamento.

Quando ele menciona Auschwitz, não posso deixar de pensar que o campo de concentração (ou de trabalhos forçados, ou de contenção, ou de prisioneiros) não é um fenômeno nazista. É algo cruelmente mais abrangente e comum (mesmo os Estados Unidos e o Brasil tiveram os seus). Suspeito que eles seguem na linha de "Longe dos olhos..."

Mas vou continuar lendo e tentar extrair mais informações

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Mais formas de ver a diferença entre IBOPE e DATAFOLHA

Acredito que a melhor forma de ver as diferenças entre as pesquisas é mostrar os números do eleitorado em categorias
Percentuais de Serra com relação ao nível educacional:
  • DATAFOLHA - 18,18% com ensino fundamental, 14,01% com ensino médio e 4,29% com ensino superior
  • IBOPE - 16,40% com ensino fundamental, 12,25% com ensino médio e 5,18% com ensino superior
Percentuais de Dilma com relação ao nível educacional: 
  • DATAFOLHA - 16,70% com ensino fundamental, 14,77% com ensino médio e 4,68% com ensino superior
  • IBOPE - 20,90% com ensino fundamental, 14,35% com ensino médio e 4,48% com ensino superior
Percentuais de Marina com relação ao nível educacional: 
  • DATAFOLHA - 3,44% com ensino fundamental, 4,16% com ensino médio e 2,47% com ensino superior
  • IBOPE - 2,49% com ensino fundamental, 12,45% com ensino médio e 2,24% com ensino superior
Percentuais de Brancos/Nulos com relação ao nível educacional: 
  • DATAFOLHA - 1,96% com ensino fundamental, 1,89% com ensino médio e 0,65% com ensino superior
  • IBOPE - 2,49% com ensino fundamental, 2,80% com ensino médio e 1,26% com ensino superior
Percentuais de Não sabe com relação ao nível educacional: 
  • DATAFOLHA - 7,37% com ensino fundamental, 2,27% com ensino médio e 0,65% com ensino superior
  • IBOPE - 8,20% com ensino fundamental, 2,80% com ensino médio e 0,84% com ensino superior
Diferenças:
  • 4,2% a mais na contagem do IBOPE para o percentual de eleitores de Dilma com ensino médio. O resultado é um total de 3.58% a mais do que o valor do DATAFOLHA para Dilma. Para Serra há um aumento de 2,65% no DATAFOLHA. Para Marina há um aumento de 2,80% no DATAFOLHA. Os demais índices encontram-se dentro da margem de 2% esperada.
Percentuais de Serra quanto ao gênero:
  • DATAFOLHA - 17,32% são homens e 19,72% são mulheres
  • IBOPE - 15,64% são homens e 18,41% são mulheres
Percentuais de Dilma quanto ao gênero:
  • DATAFOLHA - 20,21% são homens e 15,57% são mulheres
  • IBOPE - 20,86% são homens e 18,41% são mulheres
Percentuais de Marina quanto ao gênero:
  • DATAFOLHA - 4,33% são homens e 5,71% são mulheres
  • IBOPE - 3,32% são homens e 3,68% são mulheres
Percentuais de Brancos/Nulos quanto ao gênero:
  • DATAFOLHA - 1,92% são homens e 2,59% são mulheres
  • IBOPE - 3,32% são homens e 3,16% são mulheres
Percentuais de Não Sabe quanto ao gênero:
  • DATAFOLHA - 3,37% são homens e 6,74% são mulheres
  • IBOPE - 3,79% são homens e 7,89% são mulheres
Diferenças:
  • 2,83% a mais na contagem do IBOPE para o percentual feminino de eleitores de Dilma (e 0,65% para o eleitorado masculino). O resultado é um total de 3,48% a mais do que o valor do DATAFOLHA para Dilma. Para Serra há um aumento de 2,98% no DATAFOLHA. Para Marina há um aumento de 3,04% no DATAFOLHA. Os demais índices encontram-se dentro da margem de 2% esperada.
Assim fica parecendo que a maior diferença em Dilma se concentra em um número maior de eleitores com ensino fundamental e número maior de eleitoras. Já em Serra, a diferença positiva para o DATAFOLHA é mais distribuída nas diversas categorias. Acredito que vale a pena fazer uma comparação entre as duas pesquisas do IBOPE (atual e anterior).

domingo, 1 de agosto de 2010

Alguma comparação entre o IBOPE e DATAFOLHA

Com a saída da pesquisa IBOPE e seu relatório, tenho finalmente algum parâmetro de comparação para ligar esta pesquisa a do DATAFOLHA (já comentada anteriormente).

Eu estou interessado na composição do eleitorado. Em outras palavras, quero ver se a composição é consistente.

Agora eu tenho dos dados do relatório do DATAFOLHA e do IBOPE:

Serra:
  • DATAFOLHA:  46,8% dos eleitorado é masculino e 53,2% do eleitorado é feminino
  • IBOPE:  45,9% do eleitorado é masculino e 54,1% do eleitorado é feminino
  • DATAFOLHA:  49,8% dos eleitorado tem ensino fundamental, 38,4% do eleitorado tem ensino médio e 11,8% do eleitorado tem ensino superior
  • IBOPE:  27,5% dos eleitorado tem ensino fundamental nível 1, 20,9% dos eleitorado tem ensino fundamental nível 2, 36,2% do eleitorado tem ensino médio e 15,3% do eleitorado tem ensino superior
Dilma:
  • DATAFOLHA:  56,5% dos eleitorado é masculino e 43,5% do eleitorado é feminino
  • IBOPE:  53,1% do eleitorado é masculino e 46,9% do eleitorado é feminino
  • DATAFOLHA:  46,2% dos eleitorado tem ensino fundamental, 40,8% do eleitorado tem ensino médio e 13,0% do eleitorado tem ensino superior
  • IBOPE:  31,0% dos eleitorado tem ensino fundamental nível 1, 21,6% dos eleitorado tem ensino fundamental nível 2, 36,1% do eleitorado tem ensino médio e 11,3% do eleitorado tem ensino superior
O que isto significa? Comparando os dados vemos que:
  • DATAFOLHA - 48,1% dos pesquisados são homens, 51,9% são mulheres; 49,1% estão na categoria ensino fundamental, 37,9% na categoria ensino médio e 13,0% na categoria ensino superior
  • IBOPE - 47,4% dos pesquisados são homens, 52,6% são mulheres; 30,0% estão na categoria ensino fundamental 1, 21,5% na categoria ensino fundamental 2, 34,6% na categoria ensino médio e 14,0% na categoria ensino superior
A primeira vista temos uma diferença de 0,7% entre o peso do eleitorado masculino do DATAFOLHA sobre o IBOPE (+) e 0,7% entre o peso do eleitorado feminino do DATAFOLHA sobre o IBOPE (-). Mas além disto vemos que existem 3,3% (+) do DATAFOLHA sobre o IBOPE na categoria ensino médio e 1% (-) do DATAFOLHA sobre o IBOPE na categoria ensino superior. Como a soma tem de dar 100% então existe uma diferença de 2,3% (-) do DATAFOLHA em relação ao IBOPE na categoria ensino fundamental. Isto quer dizer que o peso do IBOPE dados aos eleitores de nível fundamental é MAIOR que o peso dado pelo DATAFOLHA a mesma classe de eleitores. Isto certamente é uma fonte de desacordo, mas pode ser responsável pela diferença observada?

Comparando os dois casos no ensino médio e superior vemos que:
  • Para Serra, o DATAFOLHA estima a composição do eleitorado em 38,4% com ensino médio e 11,8% com ensino superior. Já o IBOPE estima a composição do eleitorado em 36,2% de ensino médio e 15,3% de ensino superior. Isto dá + 1,8% para DATAFOLHA na categoria ensino médio e + 3,7% para o IBOPE na categoria ensino superior. Indiretamente vemos que o IBOPE estima que o percentual do eleitorado com ensino fundamental é 48,5% e o DATAFOLHA estima que este percentual é de 49,8%.
  • Para Dilma, o DATAFOLHA estima a composição do eleitorado em 40,8% com ensino médio e 13,0% com ensino superior. Já o IBOPE estima a composição do eleitorado em 36,1% de ensino médio e 11,3% de ensino superior. Isto dá + 4,7% para DATAFOLHA na categoria ensino médio e - 1,7% para o IBOPE na categoria ensino superior. Indiretamente vemos que o IBOPE estima que o percentual do eleitorado com ensino fundamental é 52,6% e o DATAFOLHA estima que este percentual é de 46,2%.
Isto é uma indicação que a diferença é dada precisamente pelo tamanho da base considerada como ensino fundamental. Ou no DATAFOLHA ela é subestimada, ou no IBOPE ela é superestimada.

Adendo: Claro que há a possibilidade de um deles estar certo. Afinal as estimativas de categorias de população são complicadas (ex: 49,5% são homens e 50,5% são mulheres)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Composição do Eleitorado - Parte 2

Uma informação interessante que a pesquisa DATAFOLHA traz é o grau de decisão do eleitorado.

Neste pesquisa vemos que o eleitorado dos candidatos está dividido da seguinte forma:
  • Serra: 67% estão totalmente decididos, 30% podem mudar o voto e 3% não sabem
  • Dilma: 78% estão totalmente decididos, 20% podem mudar o voto e 2% não sabem
  • Marina: 58% estão totalmente decididos, 38% podem mudar o voto e 4% não sabem
  • Brancos e Nulos: 51% estão totalmente decididos, 30% podem mudar o voto e 19% não sabem 
Mas, mais interessante que saber isto é saber como os totalmente decididos estão divididos. Para isto podemos usar o Teorema de Bayes e temos:
  • Totalmente decididos: 38% com Serra, 43% com Dilma, 9% com Marina e 11% com Brancos e Nulos.
  • Podem mudar o voto: 42% com Serra, 27% com Dilma, 14% com Marina e 16% com Brancos e Nulos
  • Não sabe: 23% com Serra, 15% com Dilma, 8% com Marina e 54% com Brancos e Nulos.
Este quadro mostra um retrato curioso e coincidente com os resultados de algumas pesquisas - como se as mesmas estivesse contabilizando apenas os eleitores totalmente decididos. Talvez seja realmente coincidência, mas é interessante obter uma relação da pontuação de modo a obter o tamanho do eleitorado que pode realmente mudar.

Este valor é de cerca de 27%. A sua divisão é a seguinte: 11,44% em Serra, 7,45% em Dilma, 3,91% em Marina e 4,31% em Brancos e Nulos. O pessoal que não sabe chega a um total de 5%. O que é interessante é que Serra tem o maior potencial de perda já que uma parcela significativa dos seus eleitores admitem que podem mudar o voto.

Más notícias para o candidato Serra... Mas no caso de Marina a situação é mais séria: dos 10% que tem, cerca de 4% são de pessoas que admitem que podem mudar o voto. Do lado positivo para os candidatos, existem 4,3% que podem ser obtidos do contigente de brancos e nulos.

terça-feira, 27 de julho de 2010

A questão do ficha limpa

Não posso deixar de falar nisso...

E até me dói um pouco, mas há algo na aplicação da lei de ficha limpa que me incomoda profundamente.

E isto é que o dito cujo passa a atuar sobre casos ANTERIORES a sua publicação.

Pode parecer pequeno, mas não é... Me lembro quando alguém me explicou sobre o ato jurídico perfeito.

O exemplo dado é muito interessante: "A lei prevê que o prazo para se contestar uma ação é de 15 dias. Posteriormente surge uma lei dizendo que o prazo é de 5 dias, mas o ato que já foi praticado na lei vigente de 15 dias não será afetado."

A questão como vejo é que fazer uma lei declarando ilegal algo que não era ilegal no passado - quando o ato foi cometido abre toda sorte de problemas.

Vamos a um caso prático: o caso do candidato ao governo do DF Joaquim Roriz. O ministério público afirma:

"Para o Ministério Público Eleitoral, entretanto, Roriz estaria inelegível até 2022, embora a renúncia tenha ocorrido antes de a Lei da Ficha Limpa ser sancionada"

Mas a defesa diz:

"A defesa de Roriz afirma que a Lei da Ficha Limpa não pode ser aplicada à sua candidatura porque ele renunciou ao cargo de senador antes de o pedido de cassação ser enviado ao Conselho de Ética pela Mesa Diretora do Senado. No entendimento da defesa, a Ficha Limpa torna inelegíveis aqueles que renunciaram aos seus mandatos desde o oferecimento da representação ou petição capaz de autorizar a abertura do processo."

E aí temos o cerne da questão: a renúncia ocorreu antes da representação. Se não há representação, não há como enquadrá-lo no ficha limpa.

Mas o MP não vai deixar de tentar...

Este negócio de lei retroativa é um senhor pepino

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Composição do eleitorado - Parte 1

A análise a seguir é realizada considerando um o eleitorado de cada candidato. Ou seja, se tivermos em uma sala cheia de eleitores que votam em Dilma, podemos calcular qual a composição dos mesmos (93% acham o governo Lula bom, 7% regular e 0% ruim).

Candidato: Serra
  • Em 14/04/2010 - 67% acham o governo Lula positivo, 26% acham o governo Lula neutro e 8% acham o governo Lula ruim
  • Em 20/05/2010 - 65% acham o governo Lula positivo, 27% acham o governo Lula neutro e 8% acham o  governo Lula ruim
  • Em 30/06/2010 - 68% acham o governo Lula positivo, 26% acham o governo Lula neutro e 6% acham o  governo Lula ruim
  • Em 26/07/2010 - 66% acham o governo Lula positivo, 28% acham o governo Lula neutro e 6% acham o  governo Lula ruim
Candidata: Dilma
  • Em 14/04/2010 - 93% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 0% acham o  governo Lula ruim
  • Em 20/05/2010 - 92% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 1% acham o  governo Lula ruim
  • Em 30/06/2010 - 94% acham o governo Lula positivo, 4% acham o governo Lula neutro e 0.4% acham o  governo Lula ruim
  • Em 26/07/2010 - 93% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 0% acham o  governo Lula ruim
Candidata: Marina
  • Em 14/04/2010 - 70% acham o governo Lula positivo, 24% acham o governo Lula neutro e 6% acham o  governo Lula ruim
  • Em 20/05/2010 - 67% acham o governo Lula positivo, 25% acham o governo Lula neutro e 8% acham o  governo Lula ruim
  • Em 30/06/2010 - 70% acham o governo Lula positivo, 27% acham o governo Lula neutro e 6% acham o  governo Lula ruim
  • Em 26/07/2010 - 71% acham o governo Lula positivo, 21% acham o governo Lula neutro e 2% acham o  governo Lula ruim
Brancos
  • Em 14/04/2010 - 69% acham o governo Lula positivo, 22% acham o governo Lula neutro e 8% acham o  governo Lula ruim
  • Em 20/05/2010 - 57% acham o governo Lula positivo, 28% acham o governo Lula neutro e 15% acham o  governo Lula ruim
  • Em 30/06/2010 - 58% acham o governo Lula positivo, 30% acham o governo Lula neutro e 18% acham o  governo Lula ruim
  • Em 26/07/2010 - 54% acham o governo Lula positivo, 31% acham o governo Lula neutro e 14% acham o  governo Lula ruim
Não sabe
  • Em 14/04/2010 - 73% acham o governo Lula positivo, 23% acham o governo Lula neutro e 5% acham o  governo Lula ruim
  • Em 20/05/2010 - 76% acham o governo Lula positivo, 23% acham o governo Lula neutro e 1% acham o  governo Lula ruim
  • Em 30/06/2010 - 78% acham o governo Lula positivo, 17% acham o governo Lula neutro e 0.5% acham o  governo Lula ruim
  • Em 26/07/2010 - 77% acham o governo Lula positivo, 21% acham o governo Lula neutro e 2% acham o  governo Lula ruim
A composição da pontuação de cada um na pesquisa de 26/07/2010 é:
  • Serra: 24.64 % dos eleitores acham o governo Lula bom, 10.26% acham o governo Lula neutro e 2.23% dos eleitores acham o governo Lula ruim
  • Dilma: 33.11 % dos eleitores acham o governo Lula bom, 2.47% acham o governo Lula neutro e 0.12% dos eleitores acham o governo Lula ruim
  • Marina: 7.7 % dos eleitores acham o governo Lula bom, 2.47% acham o governo Lula neutro e 0.6% dos eleitores acham o governo Lula ruim
  • Brancos: 2.31 % dos eleitores acham o governo Lula bom, 1.33% acham o governo Lula neutro e 0.6% dos eleitores acham o governo Lula ruim
  • Não sabe: 7.7 % dos eleitores acham o governo Lula bom, 2.09% acham o governo Lula neutro e 0.24% dos eleitores acham o governo Lula ruim
A composição da pontuação de cada um na pesquisa de 30/06/2010 é:
  • Serra: 26.52 % dos eleitores acham o governo Lula bom, 10.03% acham o governo Lula neutro e 2.44% dos eleitores acham o governo Lula ruim
  • Dilma: 35.88 % dos eleitores acham o governo Lula bom, 1.7% acham o governo Lula neutro e 0.16% dos eleitores acham o governo Lula ruim
  • Marina: 7.02 % dos eleitores acham o governo Lula bom, 2.72% acham o governo Lula neutro e 0.6% dos eleitores acham o governo Lula ruim
  • Brancos: 2.34 % dos eleitores acham o governo Lula bom, 1.19% acham o governo Lula neutro e 0.72% dos eleitores acham o governo Lula ruim
  • Não sabe: 6.24 % dos eleitores acham o governo Lula bom, 1.36% acham o governo Lula neutro e 0.04% dos eleitores acham o governo Lula ruim
Análise entre a pesquisa de 26/07/10 e a de 30/06/10: Serra perdeu 1.77%, Dilma perdeu 2.04%. Marina ganhou 0.43% não houve variação entre Brancos e Nulos e Não sabe ganhou 2.39%. A variação na avaliação positiva foi de -2.54%, na neutra +1.62% e na ruim -0.08%

Análise entre a pesquisa de 26/07/10 e a de 14/04/10: Serra perdeu 3.69%, Dilma ganhou 5.39%. Marina perdeu 1.14%, Brancos e Nulos perdeu 3.44% e Não sabe ganhou 1.65%. A variação na avaliação positiva foi de 0.22%, na neutra -0.38% e na ruim -1.07%

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Absurdos inacreditáveis - Isto é absolutamente real

O maníaco do Novo Gama fez mais duas vítimas.

O maníaco do Novo Gama, Adaylton Nascimento Neiva, 31 anos, confessou, nesta quarta-feira (21/7), o envolvimento em mais dois homicídios, em Sobradinho. Ele foi preso no último dia 13, acusado de estuprar quatro mulheres e matar duas.

Mas isto não é o mais grave. O mais grave é a seqüência de erros que levou este criminoso a ser solto antes de cumprir o tempo estabelecido na pena. Vou colocar de modo resumido:

A primeira falha foi da Polícia Civil de Goiás. Adaylton chegou a ficar preso, no Novo Gama, por força de um mandado de prisão preventiva. A lei determinava que o prazo fosse prorrogado em até 110 dias. Mas o acusado ficou atrás das grades 210 dias. Em virtude disso, em 10 de janeiro de 2001, a juíza substituta Rosângela Rodrigues Santos acatou o pedido do Ministério Público, destacando que a condução e a conclusão do inquérito haviam ultrapassado o prazo legal. Na decisão, ela destacou que o acusado estava preso “por falha do sistema judiciário”.

Não demorou muito para Adaylton voltar a cometer crimes. Em 19 de fevereiro, 39 dias depois de sair da prisão, ele estuprou três moradoras do Gama. Por conta disso, acabou preso em 17 de março daquele ano. A Justiça de Brasília condenou o acusado a uma pena de nove anos e seis meses em regime fechado. No entanto, após cumprir três anos e sete meses (dois quintos da pena total), em abril de 2008, o detento foi beneficiado com a progressão de regime.

Quatro meses antes, em novembro de 2005, a Justiça de Novo Gama condenou Adaylton a 32 anos e quatro meses de prisão por matar a mulher, Elenice Geralda Lucas, 19 anos, e enteada, Luciene Lucas de Caldas, 5. “O certo seria a Justiça de Brasília ter consultado a daqui antes de conceder o benefício para ele. Ou então, a Justiça do Novo Gama consultar para saber se ele ainda estava preso e avisar da nova condenação, o que não ocorreu”, explica o chefe do Centro Integrado de Operações de Segurança do Novo Gama, Fabiano Medeiros de Souza.

Assim como o maníaco Ademar de Jesus Silva, acusado de violentar e matar sete adolescentes em Luziânia (GO), Adaylton ganhou o direito de cumprir a pena em regime semiaberto, mesmo com dois laudos criminológicos assinados por psicólogos do Sistema Penitenciário (Sesipe) atestando que ele apresentava alterações no comportamento e, por esse motivo, não poderia voltar ao convívio social. O primeiro diagnóstico de Adaylton foi feito em 2003. No parecer, os psicólogos destacaram que ele não se regenerou dos problemas que o levaram a cometer os crimes sexuais. Em setembro de 2004, um segundo exame conclui que não houve melhora no quadro. No entanto, dessa vez, os especialistas se posicionaram a favor da concessão do benefício da progressão de regime desde que ele fosse submetido a acompanhamento psicológico, o que, segundo o próprio acusado, nunca aconteceu.

Novas mortes
Numa terceira avaliação, Adaylton foi considerado apto a voltar às ruas e, em abril de 2008, a Vara de Execuções Criminais do Distrito Federal autorizou que ele passasse a cumprir a pena em regime semi-aberto. Em setembro de 2009, ele saiu para trabalhar e não retornou ao presídio. Voltou a matar. Ele estuprou e assassinou a dona de casa Evanilde dos Santos Ribeiro, 41 anos. Dois meses depois, tirou a vida de Alessandra Alves Rodrigues, 14, num matagal entre os bairros El Dourado e América do Sul, no Novo Gama. “O laudo dizia que ele apresentava alterações no comportamento. O juiz pode observar um laudo criminológigo, mas tem que ficar claro que a lei não exige que o exame seja obrigatório para a concessão de progressão de regime”, ressalta Adiel Teófilo, diretor-geral do Sisep.

Este texto mostra de forma bem clara que o sistema judiciário não está preparado para casos de psicopatia grave. E arrisco-me a dizer que no mundo perfeito que alguns juristas supõem viver, não existe oxigênio suficiente para vida inteligente...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Estamos entrando na época de eleições

E isto é prato cheio para os exageros, distorções e meias verdades.

Já temos algo do Serra e da Dilma (o episódio das rubricas do programa de campanha).

Dilma submeteu o programa sem ler (mas rubricando as páginas) e Serra não perdeu a oportunidade de dizer que "Aquilo nunca aconteceria com ele porque ele lê tudo".

Mentira pura! Sabe quanto uma pessoa em um cargo assim tem de assinar? Imagine se ele for ler tudo.. Isto sem contar com os acordos em múltiplos idiomas. O erro de Dilma foi primário e a resposta de Serra foi absolutamente falsa - e desconfio que ele sabe disso.

Qualquer cargo desse depende da confiança na cadeia de comando e no trabalho realizado pelos assessores. No máximo, o que um dirigente vê é um resumo preparado sobre o documento que está assinando.

Imagino que em breve teremos mais spins...

Vamos aguardar

sexta-feira, 16 de julho de 2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Injustiças da minha parte

Por vezes, eu perco a perspectiva e tenho que recuar um pouco nas minhas críticas.

E a melhor atitude nestes casos é admitir que passei das fronteiras do razoável.

Este foi o caso do meu último post com relação a crítica ao reitor.

Sim, é verdade que eu tenho grandes dificuldades de entender o que os discursos que ele apresenta. Mas tenho de considerar que esta talvez seja uma característica própria de encarar e explicar o problema em questão.

Ainda vejo como um certa tendência a indecisão, mas como me perco no palavreado não posso afirmar com toda certeza.

E já que estou fazendo um mea culpa, também devo afirmar que decisões sobre a questão do trote são complicadas e certamente ferem susceptibilidades.

Mas vou dar meus 2 centavos...

O trote não é apenas uma recepção, mas um ritual de passagem. E qualquer alternativa que possa ter sucesso  no controle de possíveis abusos em trote tem de levar isto em consideração.

Então o truque é substituir um ritual de passagem por outro ritual de passagem.

Sou só eu que não entendo o que o reitor fala?

Nesta quarta sairam duas entrevistas sobre o trote da agronomia. Uma delas é com a presidente do centro acadêmico de agronomia e a outra é com o reitor.

Olha, independente da minha opinião sobre o trote ou o reitor, por favor leiam a entrevista repetida a seguir:

Agora você, como eu, entendeu que ele é contra mas não vai fazer nada? E olhe que eu não entendi quase nada do que ele falou...

UnB Agência – O trote da Agronomia passou dos limites?
Reitor – Do ponto de vista da subjetividade, que é uma condição de referência ética, o meu pensamento é que sim. Ainda que tenha havido consentimento, houve redução da dignidade da pessoa, aproveitando-se de uma ilusão de consciência.
UnB Agência – Os calouros afirmam que concordaram em participar do ritual e até pareciam satisfeitos com as brincadeiras. Quando as pessoas percebem se elas estão sendo ou não agredidas?
Reitor – A partir da construção dos padrões éticos de uma comunidade. A perversão não pode ser uma desculpa. Não é porque o masoquista gosta de sofrer que se vai permitir que se continue infligindo o suplício a ele.
UnB Agência – Os envolvidos repetiram diversas vezes que o trote não foi violento. Há uma percepção errônea do que é violência?Reitor – Sim, porque ela é referida por um enfoque que leva em conta um sentido físico de agressão. Mas há uma dimensão simbólica da violência que produz danos irreparáveis e os calouros e os veteranos não estão percebendo o alcance disso. É por isso que eu digo que não se pode aceitar nada que implique em redução da dignidade da pessoa humana.
UnB Agência – Por que a preocupação com punição é tão evidente no debate sobre comportamento? Isso é, de alguma forma, uma reprodução da violência aplicada?
Reitor – É um pouco disso que você está colocando. É também uma dificuldade de assumir a pro-atividade de práticas transformadoras. Há uma nostalgia da palmatória numa sociedade ainda muito hierárquica e uma universidade, como escola que é, tem de trabalhar na confiança de que projetos pedagógicos transformam as pessoas. Não é este o mito de Pinóquio, transformar um boneco de pau numa criança por meio da educação? Isso requer atitude e é por isso que estamos apostando nas ações acadêmicas. O que significa uma plataforma pedagógica de orientação, de educação e não de punição.
UnB Agência – A partir deste trote muda alguma coisa? Ou a UnB vai seguir a linha que já vem seguindo em termos de educação?
Reitor – Essa linha de educação está sendo muito bem sucedida e hoje, predominantemente, as referências para os trotes têm sido as de civilidade e cidadania, com a participação protagonista, sobretudo do DCE. Isso tem sido a expressão mais visível da universidade em reconhecimento de que essas formas de celebração e integração podem ter um significado inclusive lúdico, mas que não tolere a humilhação. Por isso mesmo é que há um inconformismo, um mal-estar sobre o que é, ao meu ver e com minha convicção, ainda um resíduo de uma mudança que já é bastante percebida.
UnB Agência – Vai haver algum encaminhamento específico para o caso?
Reitor – Continuidade do encaminhamento que já está sendo promovido há algumas semanas e que passa por duas orientações educadoras. De um lado construir, por meio de campanhas e de formas pedagógicas, uma reeducação para as atitudes acadêmicas. A segunda, construir de forma participativa, com responsabilidades compartilhadas, um marco regulatório para a convivência acadêmica, que muito provavelmente se insere na definição de um código de ética para a instituição.

Certamente, eu tenho um problema de entendimento e ele de comunicação.

O regime cubano está no fim?

Ainda é cedo para dizer.

Mas é importante observar que a queda do socialismo em Cuba irá representar um choque de grandes proporções para os "socialistas" do mundo inteiro.

Como já fazem 20 anos do fim do regime comunista da União Soviética, já tivemos tempo suficiente para as pessoas esquecerem dos efeitos que a queda do muro de Berlin causaram no modo como os socialistas se enxergavam.

E isto nem é diretamente relacionado com a divulgação de fatos anteriormente secretos.

Esta questão veio muito depois

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Nobel é sinônimo de inteligência?

Sim e não.

Os prêmios Nobéis são indubitavelmente coroações do ápice dos pesquisadores. Mas não significam que os mesmos tem licença para fazer e dizer o que bem entendem.

Azaradamente nem todos entendem esta pequena máxima.

Se você pensar que um Nobel sabe tudo dê uma olhada na biografia dos seguintes ganhadores:

- William B. Schockley
- Kary Mullis
- Phillip Lenard
- Brian D. Josephson

O relato das idéias de cada um deles fora do campo que foram consagrados é daqueles que faz qualquer um pensar: "Esse cara de boca fechada é um poeta!"

domingo, 11 de julho de 2010

Predições Fabulosas - o arremate

Pois é...

O cara acertou tudo mesmo:

Espanha em primeiro
Holanda em segundo
Alemanha em Terceiro
Uruguai em Quarto

E ele predisse isto em 27/06 - quase 15 dias atrás.

Naturalmente, isto é possível de ser feito sem mágica. Só dá trabalho

sábado, 10 de julho de 2010

Predições fabulosas

No dia 27 de junho, surgiu uma postagem no Orkut afirmando:

[VIM DO FUTURO] E posso afirmar que...

BRASIL= A seleção de Dunga cairá para Holanda, não passará da Quartas de Finais.
ARGENTINA= A badalada Seleção de Maradona decepcionará novamente, sendo eliminada novamente nas Quartas de Finais.
ALEMANHA= Apresentará os mais belo futebol da Copa, mas infelismente, não passará
da Espanha na Semi Final. Ficará em 3º na Copa.
ESPANHA= Com muita desconfiança, a Fúria mostrará sua força! E, enfim, se Tornará Campeã Mundial.
HOLANDA= A Laranja Mecânica mostrará novamente um futebol envolvente, mas, ficará no quase outra vez. Vice-Campeã.
URUGUAI= Será a surpresa da Copa, chegando nas Semi-Finais. Ficando em 4º na Copa.
PORTUGAL= Cristiano Ronaldo e CIA, voltará logo pra casa.
PÓS-COPA: Após a saída de Dunga do comando da Seleção, Mano Menezes será o novo técnico do Brasil.

O curioso é que ele acertou tudo até agora. Neste domingo a predição terá seu teste final em Espanha versus Holanda. Se ele acertar esta última terá sido um feito.

Qual o tamanho do feito? Se olharmos a tabela da copa a partir de 27 de junho veremos que a chance dele acertar é de 1 em 4096 se considerarmos 1/2 de chance para cada time e  1 em 130 se considerarmos a chance de 2/3 para cada time.

Absolutamente impressionante como feito de predição. Mas ainda assim, existe jeitos de fazer isto de modo matematicamente correto a ainda assim 100% certo.

O truque é verificar quais são os competidores que podem chegar até o final da Copa. São eles:
  1. Uruguai
  2. Gana
  3. Argentina
  4. Alemanha
  5. Holanda
  6. Eslováquia
  7. Brasil
  8. Chile
  9. Paraguai
  10. Espanha
  11. Portugal
Uma vez sabendo esta lista temos 11 possíveis concorrentes. Então a priori teríamos de verificar as combinações possíveis que levassem um deles a vencer a Copa. Algumas combinações são auto excludentes.

Por exemplo Holanda versus Eslováquia eliminaria um deles, Brasil e Chile eliminaria outro, Paraguai e Japão eliminaria outro e Portugal e Espanha mais um.

Assim teríamos 16 conjuntos de possíveis resultados:
  1. Holanda, Brasil, Paraguai e Portugal
  2. Holanda, Brasil, Paraguai e Espanha
  3. Holanda, Brasil, Japão e Portugal
  4. Holanda, Brasil, Japão e Espanha
  5. Holanda, Chile, Paraguai e Portugal
  6. Holanda, Chile, Paraguai e Espanha
  7. Holanda, Chile, Japão e Portugal
  8. Holanda, Chile, Japão e Espanha
  9. Eslováquia, Brasil, Paraguai e Portugal
  10. Eslováquia, Brasil, Paraguai e Espanha
  11. Eslováquia, Brasil, Japão e Portugal
  12. Eslováquia, Brasil, Japão e Espanha
  13. Eslováquia, Chile, Paraguai e Portugal
  14. Eslováquia, Chile, Paraguai e Espanha
  15. Eslováquia, Chile, Japão e Portugal
  16. Eslováquia, Chile, Japão e Espanha
 E assim sucessivamente. Como Brasil e Chile não poderiam fazer parte do mesmo conjunto teríamos um conjunto com Brasil e outro com Chile. A partir das listagens dos possíveis vencedores seria o caso de criar um número de perfis compatíveis e postar os resultados possíveis em comunidades diferentes.

Matematicamente preciso

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Federais não olham o mercado?

O Professor Jorge Madeira Nogueira da UnB afirmou em entrevista que as "Universidades Federais não olham o Mercado".

E ele está certo.

Só que o reverso também é verdade: o mercado não olha as universidades federais. O problema não é de apenas um lado...

A entrevista tem pontos muito interessantes que valem a pena, discordando ou concordando com o que foi dito. Ele levanta pontos importantes enquanto não toca em outros - o caso da engenharia vem a mente.

Fala-se muito sobre o deficit de engenheiros que o país tem. E em parte ele existe mesmo - mas não foi criado por falta de oferta das universidades. O deficit foi causado por problemas na absorção pelo mercado. No fundo é um problema econômico relativamente simples: oferta e demanda.

O mercado, no entanto, prefere que haja aumento na oferta de engenheiros. Por que? Ora, com isto a mão de obra ficaria mais barata...

E aí é que o problema torna-se complicado: aumentando a oferta de um curso cuja absorção pelo mercado é limitada por outras oportunidades de emprego não resolve este problema e cria outro. Naturalmente, ainda há o atraso de 5 a 10 anos nos efeitos de uma política decidida agora.

Nos anos 70, com a Telebrás, tivemos uma explosão na área de telecomunicações na Engenharia Elétrica. O efeito desta explosão foi diminuindo a medida que o tempo foi passando, tendo aparecido um pequeno "aftershock" durante parte do processo de privatização.

A demanda existiu e foi saisfeita. Com o passar do tempo a demanda diminuiu e o excedente foi se voltando para outras áreas. Com a finalização deste ciclo e proeminência de concursos com melhor remuneração, os profissionais se voltaram para outras paragens - aonde o dinheiro estava.

Agora, quem quer ser engenheiro?

Bem, até temos pessoal. E quem quer trabalhar com engenharia?

Aí o problema fica muito mais complicado

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Quem te viu, quem te vê

Quem é essa?
E logo se tornou esta
A foto anterior é do tempo que Dilma participou do governo Alceu Collares

Série: Quem te viu e quem te vê

Quem é este discursando?
É este aqui:
O discurso é do tempo em que Serra era presidente da UNE.

terça-feira, 6 de julho de 2010

A extraordinária vida de Jacques Vergès

Assisti ontem a noite o Advogado do Terror. Este não é um filme de terror, mas certamente daria uma boa obra de ficção - se não fosse um documentário.

A obra trata de vida de Jacques Vergès - um famoso advogado que pela própria vida e por suas escolhas trabalhou na defesa de algumas das pessoas mais odiadas do mundo.

O trailer do filme é mostrado aqui.



Não tenho a menor dúvida que no papel de advogado, um ser humano tem algum grau na escolha dos seus clientes. Mas ao mesmo tempo, uma vez comprometido a defendê-los, o mesmo deve dar o melhor de si na defesa dos interesses do cliente.

Claro que os defensores públicos tem muito pouca escolha nestes casos, talvez até por isto talvez alguns caiam na tentação de fazer papel de juiz e juri.

Mas no caso de Vergès, a situação é substancialmente mais interessante.

Ele é um dos personagens icônicos do século XX. Defendendo pessoas que aos olhos da maioria são monstros. E em toda probabilidade, alguns deles são realmente monstros.

O que tornou o filme fascinante é o choque entre as perspectivas dos "lutadores da liberdade" versus a dos "terroristas". Nesta representação de duas faces da mesma moeda é que a questão do uso da violência para obtenção de vitórias políticas em uma sociedade tradicionalmente pacífica mostra toda sua crueldade e exuberância.

Temos a visão semi-romântica dos "lutadores da liberdade" que se valem de violência contra determinadas pessoas ou mesmo multidões aleatórias para se obter ganho político.

Temos a visão incutida dos "terroristas" que trazem o sofrimento dos oprimidos para a vizinhança dos opressores.

Tudo isto dentro de um coquetel de egomania, auto-engano, ingenuidade, xadrez político e violência institucional e coletiva.

Este é um daqueles filmes que causam uma confusão na cabeça - e que se vê claramente que um documentário não é um retrato absoluto da verdade.

Em suma: uma daquelas obras que podem abrir os olhos de pessoas

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Confirmação por outras fontes?

Um artigo da folha de São Paulo indica que a influência do vice na eleição de 2010 é bem menor do que se imaginava.

Pelas respostas dos pesquisados, pode-se supor que beira a irrelevância. O percentual de pessoas que conhece o vice fica entre 1 e 6%

Surpresa? Nem tanto, pelo que vimos no post anterior a composição de votos dos candidatos não se alterou significativamente.

domingo, 4 de julho de 2010

Pesquisa eleitorais - um novo panorama

O uso do teorema de Bayes efetivamente torna mais clara a composição dos votos. Entretanto estive pensando em uma nova forma de mostrar isto e creio que a "quebra" dos percentuais nas intenções de voto torna as coisas mais claras.

Vamos ao caso:

Serra - 39% das intenções que podem ser quebrados em:
  • 27% de eleitores que acham o governo Lula positivo, 10% que acham o governo Lula neutro e 2% que acham o governo Lula ruim
  • 18%  de eleitores com ensino fundamental, 16% com ensino médio e 5% com ensino superior
  • 7% com idade entre 16 e 24 anos, 9% com idade entre 25 e 34 anos, 8% com idade entre 35 e 44 anos, 9% com idade entre 45 e 59 anos e 6% com idade igual ou maior que 60 anos
  • 20% com até 2 salários mínimos, 12% entre 2 e 5 salários, 5% entre 5 e 10 salários e 2% com mais de 10 salários mínimos
Dilma - 38% das intenções que podem ser quebrados em:
  • 36% de eleitores que acham o governo Lula positivo, 2% que acham o governo Lula neutro e 0% que acham o governo Lula ruim
  • 17%  de eleitores com ensino fundamental, 16% com ensino médio e 5% com ensino superior
  • 7% com idade entre 16 e 24 anos, 9% com idade entre 25 e 34 anos, 8% com idade entre 35 e 44 anos, 9% com idade entre 45 e 59 anos e 5% com idade igual ou maior que 60 anos
  • 19% com até 2 salários mínimos, 13% entre 2 e 5 salários, 4% entre 5 e 10 salários e 2% com mais de 10 salários mínimos
Marina - 11% das intenções que podem ser quebrados em:
  • 7% de eleitores que acham o governo Lula positivo, 3% que acham o governo Lula neutro e 1% que acham o governo Lula ruim
  • 3%  de eleitores com ensino fundamental, 5% com ensino médio e 3% com ensino superior
  • 2% com idade entre 16 e 24 anos, 3% com idade entre 25 e 34 anos, 2% com idade entre 35 e 44 anos, 2% com idade entre 45 e 59 anos e 2% com idade igual ou maior que 60 anos
  • 4% com até 2 salários mínimos, 4% entre 2 e 5 salários, 2% entre 5 e 10 salários e 1% com mais de 10 salários mínimos
Branco - 5% das intenções de voto:
  • 2% de eleitores que acham o governo Lula positivo, 2% que acham o governo Lula neutro e 1% que acham o governo Lula ruim
  • 2%  de eleitores com ensino fundamental, 2% com ensino médio e 1% com ensino superior
  • 1% com idade entre 16 e 24 anos, 1% com idade entre 25 e 34 anos, 1% com idade entre 35 e 44 anos, 1% com idade entre 45 e 59 anos e 1% com idade igual ou maior que 60 anos
  • 3% com até 2 salários mínimos, 2% entre 2 e 5 salários, 0% entre 5 e 10 salários e 0% com mais de 10 salários mínimos
Não sabe - 7% das intenções de voto:
  • 6% de eleitores que acham o governo Lula positivo, 1% que acham o governo Lula neutro e 0% que acham o governo Lula ruim
  • 5%  de eleitores com ensino fundamental, 2% com ensino médio e 0% com ensino superior
  • 1% com idade entre 16 e 24 anos, 2% com idade entre 25 e 34 anos, 2% com idade entre 35 e 44 anos, 2% com idade entre 45 e 59 anos e 0% com idade igual ou maior que 60 anos
  • 5% com até 2 salários mínimos, 2% entre 2 e 5 salários, 0% entre 5 e 10 salários e 0% com mais de 10 salários mínimos
O que isto nos diz?

Comparando-se os candidatos temos que temos sobrando (somando brancos e não sabe) 8% que consideram o governo Lula bom. Este percentual provavelmente será abocanhado por candidatos que não coloquem o governo Lula em uma luz desfavorável. Temos 3% que acham o governos Lula neutro e 1% que o acham ruim.

A distribuição dos eleitores quanto a educação, faixa etária e salário é mais ou menos a mesma para os candidatos Dilma e Serra.  Há ainda sobrando 7% dos eleitores com ensino fundamental, 4% com ensino médio e 1% com ensino superior a serem conquistados. Quanto ao salário há ainda 8% com até 2 salários e 4% com rendimentos entre 2 e 5 salários.

Aparentemente a escolha do vice não causou mudanças significativas nos percentuais do candidato Serra (a composição de votos quanto a popularidade do governo Lula continua próximo a 67% acham bom, 26% acham neutro e 7% acham ruim, e o mesmo pode ser dito a respeito da composição quanto a idade).

As melhoras que surgiram podem ser largamente atribuídas a melhora na popularidade de Lula - que causou um aumento tanto em Serra quanto em Dilma.

Já na questão da educação, tanto Serra quanto Dilma ganharam pontos no ensino fundamental (enquanto Marina, Brancos e Não sabe perderam). Dilma não teve cresimento na faixa de eleitores de ensino médio, enquanto Serra teve aumento e Marina, Brancos e Não sabe diminuiram. Na faixa de eleitores com ensino superior, Serra, Marina e Não sabe tiveram aumentos, enquanto Dilma e Brancos tiveram retração.

Na questão de faixa etária, tanto Serra quanto Dilma tiveram amentos. Já Marina, Brancos e Não sabe tiveram retração. Na faixa de 16 a 24 anos os ganhos de Serra e Dilma foram obtidos em cima dos votos de Marina e Brancos. Na faixa do 25 a 34, o ganho de Serra e o ganho de Não sabe foi obtido em cima de Dilma.

E por fim, na questão da renda Dilma não teve variação na faixa de 2 salários, enquanto Serra terve aumento advindo principalmente do contingente de Marina e de Brancos. Na faixa de 5 salários tanto Serra quanto Dilma tiveram variação positiva advinda dos votos em Branco. Na faixa de mais de 10 salários apenas Marina apresentou variação positiva.