O público faz a audiência ou a audiência faz o público?
Esta é uma perguntinha difícil. Olhando a internet é possível encontrar gente que afirma categoricamente que a audiência (ou sua medição) é uma forma de influenciar o público e tornar o evento mais popular.
Mas não é de modo algum tão simples assim. Primeiro que este mecanismo de realimentação é muito menos poderoso do que se imagina (você olha o Ibope regularmente?). Há realmente uma componente social nesta situação. Só que não é nada tão poderoso quanto se tentar imaginar.
Se você parar para pensar vai ver que o controle que os teóricos da conspiração afirmam existir não pode ser real (senão ficava fácil mandar as pessoas obedecerem). Mas falta de lógica nunca impediu a propagação dos maiores absurdos..
Então vamos ver: idealmente a audiência é um forma de medir quantas pessoas estão assistindo, mas segundo alguns audiências muito elevadas irão causar aumento no número de pessoas? A primeira pergunta que vem a mente é: a partir de que ponto que isto acontece?
Se a audiência é uma função do público então: aud(pub). Idealmente aud(pub) = k* pub. Mas segundo esta idéia de inter-relacionamento então temos um conjunto: aud(pub) = k*pub e pub(aud) = w*aud
Pela relação de proporcionalidade e bijeção w=1/k. No fundo a segunda relação é a função inversa da primeira:
aud(pub) = k*pub = k*w*aud -> aud = aud
Para que haja esta relação de crescimento mútuo então teríamos de ter algo além da proporcionalidade. Vamos dizer então que aud(pub) = tanh(k*pub)
Para pequenos valores de k*pub, teremos a relação linear, enquanto para valores maiores teremos uma relação mais não linear. O problema é o seguinte: se aud(pub) é um percentual da audiência, então temos dois pontos fixos para satisfazer (0 e 1). No caso quando pub=1, aud =1 e quando pub=0, aud =0
Fica fácil de ver que este tipo de relacionamento é limitante:
Se tivermos uma relação linear aud= a0+a1*pub, neste caso a0=0 e a1=1
Se a a relação for quadrática temos: aud=a0+a1*pub+a2*pub^2. De novo a0=0, mas a1+a2=1 (e este relacionamento irá determinar o restante do problema).
Na medida que a1 for mais próximo de 1, então mais próximo do caso linear estaremos.
Muito bem, então temos esta relação. Ela não satisfaz a idéia que a aferição na audiência modifica a quantidade de pessoas, mas já mostra que pode existir polarização (que pode ser facilmente corrigida utilizando uma amostragem).
Mas é possível ver que para que haja este tipo de modificação na quantidade de pessoas é necessário algum mecanismo de realimentação.
E este mecanismo eu não consigo enxergar...
Então: se alguém lhe disser que uma pesquisa altera o universo amostral pergunte:
E como o universo amostral sabe desta pesquisa e o que ela disse?