No dia 15/04/2011 tive notícia que o Ministério Público do Trabalho estima a demissão de 6 mil pessoas do canteiro de construção da Usina Elétrica de Jirau.
Qual é a razão? Bem, a reportagem fala:
"Na quinta-feira (14), o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou que as obras das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia, teriam menos trabalhadores. O objetivo da medida seria garantir mais "tranquilidade na execução" das obras. O ministro explicou ainda que as empresas queriam antecipar o cronograma e por isso contrataram muitos trabalhadores, gerando dificuldades na administração da construção das usinas e conflitos nos canteiros de obra."
Mas eu queria focar na questão dos conflitos nos canteiros de obra.
Queria mostrar a ironia e a crueldade do desenvolvimento da situação, sob o governo de um partido intitulado de partido dos trabalhadores.
A revolta em si teve análises rasas, mas o fato é que ocorreram. E como resultado desta revolta trabalhista, o governo federal defendeu a redução na quantidade de trabalhadores. E o saco de maldades não parou por aí.
E esta notícia tem um grande poder educativo: eu não quero dizer que a ação do governo foi equivocada. Talvez tenha sido, talvez não tenha sido. Mas como ação de governo de um partido dos trabalhadores, ela envergonha e diminui todos aqueles que se filiaram a este partido dizendo defender os direitos trabalhistas.
A lição aqui é: "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. E se fizer o que eu faço, eu ainda vou critica-lo por isso".
Então, quando encontrar pelas estradas da vida um filiado ao PT pergunte para ele como a ação do governo em Jirau o faz sentir? Ou melhor, pergunte para ele se ele aprova a ação do governo em Jirau?
Claro, se você for muito mau pode perguntar de já não está na hora de crescer um pouco e admitir que o PT só defende trabalhador quando é do seu interesse?
Este blog tem como propósito sincero esclarecer as notícias e novidades sem confundir.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
A Falácia da Narrativa
Já tentaram dar uma aula ou palestra usando uma história como ponto central? Se tentaram devem ter notado que a presença de uma narrativa torna o tópico mais interessante para todos, mas fácil de ser acompanhado e compreendido. Em geral, estas são as aulas ou palestras mais interessantes.
E também mais fáceis de enganar as pessoas.
O problema é a falácia da narrativa, também conhecida como correlação ilusória. No caso é simplesmente a tendência (bastante humana) de montar nexos causais aonde não necessariamente existem.
Existem diversos casos na história e no dia-a-dia aonde a falácia da narrativa estão presentes. Um dos exemplos mais comuns é confundir evidência anedótica por regra geral. Outro é a alteração da história real para satisfazer um modo mais aprazível de contar a história ("Se non è vero, è ben trovato.").
Mas o fato é que isto é uma forma de auto-engano.
Felizmente existem ferramentas para verificar a veracidade de algumas dessas ligações lógicas. Uma das que eu considero melhor é o Teorema de Bayes (que já mencionei aqui diversas vezes). Efetivamente, ele faz a pergunta de qual é a probabilidade de tal evento dado que outro evento determinado ocorreu.
No caso da tragédia de Realengo, há diversos exemplos de falácias narrativas que podem ser encontrados na mídia. O que aliás pode até dar origem a exemplos de pânico moral (ou histeria de massas como também é conhecida). Mas no caso deste post vou me concentrar em outra questão: no alagamento da UnB.
Não vou questionar a versão que saiu na página da UnB pois não sou especialista na área e não tenho fatos para contrapor ao autor do artigo. Mas vou fazer uma ponderação: se um sistema de escoamento tem vazão Q quando está desentupido, Q/2 quando está parcialmente desentupido e Q/10 quando está entupido, então há de se considerar qual seria a vazão esperada com as probabilidades do sistema estar entupido.
Vamos considerar que quando há manutenção constante há 1 chance em 10 de se encontrar um bueiro parcialmente entupido e 1 chance em 100 de se encontrar um bueiro totalmente entupido.
Neste caso, teríamos uma vazão média: Q ((1-0.1-0.01)+0.1*0.5+0.01*0.1) = 0.941*Q (quase 95% de eficiência no geral).
Mas agora vamos considerar que a manutenção é menos do que estelar. Neste caso vamos considerar que a chance de encontrar um bueiro parcialmente entupido é 4 em cada 10 e a de um bueiro totalmente entupido é 1 em cada 10.
E também mais fáceis de enganar as pessoas.
O problema é a falácia da narrativa, também conhecida como correlação ilusória. No caso é simplesmente a tendência (bastante humana) de montar nexos causais aonde não necessariamente existem.
Existem diversos casos na história e no dia-a-dia aonde a falácia da narrativa estão presentes. Um dos exemplos mais comuns é confundir evidência anedótica por regra geral. Outro é a alteração da história real para satisfazer um modo mais aprazível de contar a história ("Se non è vero, è ben trovato.").
Mas o fato é que isto é uma forma de auto-engano.
Felizmente existem ferramentas para verificar a veracidade de algumas dessas ligações lógicas. Uma das que eu considero melhor é o Teorema de Bayes (que já mencionei aqui diversas vezes). Efetivamente, ele faz a pergunta de qual é a probabilidade de tal evento dado que outro evento determinado ocorreu.
No caso da tragédia de Realengo, há diversos exemplos de falácias narrativas que podem ser encontrados na mídia. O que aliás pode até dar origem a exemplos de pânico moral (ou histeria de massas como também é conhecida). Mas no caso deste post vou me concentrar em outra questão: no alagamento da UnB.
Não vou questionar a versão que saiu na página da UnB pois não sou especialista na área e não tenho fatos para contrapor ao autor do artigo. Mas vou fazer uma ponderação: se um sistema de escoamento tem vazão Q quando está desentupido, Q/2 quando está parcialmente desentupido e Q/10 quando está entupido, então há de se considerar qual seria a vazão esperada com as probabilidades do sistema estar entupido.
Vamos considerar que quando há manutenção constante há 1 chance em 10 de se encontrar um bueiro parcialmente entupido e 1 chance em 100 de se encontrar um bueiro totalmente entupido.
Neste caso, teríamos uma vazão média: Q ((1-0.1-0.01)+0.1*0.5+0.01*0.1) = 0.941*Q (quase 95% de eficiência no geral).
Mas agora vamos considerar que a manutenção é menos do que estelar. Neste caso vamos considerar que a chance de encontrar um bueiro parcialmente entupido é 4 em cada 10 e a de um bueiro totalmente entupido é 1 em cada 10.
Neste caso, teríamos uma vazão média: Q (0.5+0.4*0.5+0.1*0.1) = 0.71*Q (quase 70% de eficiência no geral).
Por fim vamos considerar que a manutenção é rara. Neste caso vamos considerar que chance de encontrar um bueiro parcialmente é 7 em 10, e a de encontrar um bueiro totalmente entupido é de 2 em 10.
Neste caso, teríamos uma vazão média: Q (0.1+0.7*0.5+0.2*0.1) = 0.47*Q (quase 50% de eficiência no geral).
Então é possível ver que o entupimento pode ser facilmente uma causa que contribuiu para o alagamento.
Uma análise similar pode ser obtida através de Bayes com p(alagamento|bueiro entupido). Mas isto somente se estivermos interessados em entender as razões e não encontrarmos uma explicação baseada apenas na narrativa.
Não que a narrativa esteja errada. Apenas que ela pode não estar correta.
Populismo e Popularidade
Há muita confusão entre estas duas palavras. Para ser popular é preciso ser populista? Não creio, mas pela polêmica acerca do artigo de FHC parece que parte do país pensa que sim.
Para dar um pouco de perspectiva, transcrevo aqui o pedaço do artigo que gerou mais polêmica, julguem vocês mesmos:
Diante deste quadro, o que podem fazer as oposições?
Definir o público a ser alcançado
Em primeiro lugar, não manter ilusões: é pouco o que os partidos podem fazer para que a voz de seus parlamentares alcance a sociedade. É preciso que as oposições se deem conta de que existe um público distinto do que se prende ao jogo político tradicional e ao que é mais atingido pelos mecanismos governamentais de difusão televisiva e midiática em geral. As oposições se baseiam em partidos não propriamente mobilizadores de massas. A definição de qual é o outro público a ser alcançado pelas oposições e como fazer para chegar até ele e ampliar a audiência crítica é fundamental. Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo “aparelhou”, cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias.
Sendo assim, dirão os céticos, as oposições estão perdidas, pois não atingem a maioria. Só que a realidade não é bem essa. Existe toda uma gama de classes médias, de novas classes possuidoras (empresários de novo tipo e mais jovens), de profissionais das atividades contemporâneas ligadas à TI (tecnologia da informação) e ao entretenimento, aos novos serviços espalhados pelo Brasil afora, às quais se soma o que vem sendo chamado sem muita precisão de “classe C” ou de nova classe média. Digo imprecisamente porque a definição de classe social não se limita às categorias de renda (a elas se somam educação, redes sociais de conexão, prestígio social, etc.), mas não para negar a extensão e a importância do fenômeno. Pois bem, a imensa maioria destes grupos – sem excluir as camadas de trabalhadores urbanos já integrados ao mercado capitalista – está ausente do jogo político-partidário, mas não desconectada das redes de internet, Facebook, YouTube, Twitter, etc. É a estes que as oposições devem dirigir suas mensagens prioritariamente, sobretudo no período entre as eleições, quando os partidos falam para si mesmo, no Congresso e nos governos. Se houver ousadia, os partidos de oposição podem organizar-se pelos meios eletrônicos, dando vida não a diretórios burocráticos, mas a debates verdadeiros sobre os temas de interesse dessas camadas.
Mas não é só isso: as oposições precisam voltar às salas universitárias, às inúmeras redes de palestras e que se propagam pelo país afora e não devem, obviamente, desacreditar do papel da mídia tradicional: com toda a modernização tecnológica, sem a sanção derivada da confiabilidade, que só a tradição da grande mídia assegura, tampouco as mensagens, mesmo que difundidas, se transformam em marcas reconhecidas. Além da persistência e ampliação destas práticas, é preciso buscar novas formas de atuação para que a oposição esteja presente, ou pelo menos para que entenda e repercuta o que ocorre na sociedade. Há inúmeras organizações de bairro, um sem-número de grupos musicais e culturais nas periferias das grandes cidades, etc., organizações voluntárias de solidariedade e de protesto, redes de consumidores, ativistas do meio ambiente, e por aí vai, que atuam por conta própria. Dado o anacronismo das instituições político-partidárias, seria talvez pedir muito aos partidos que mergulhem na vida cotidiana e tenham ligações orgânicas com grupos que expressam as dificuldades e anseios do homem comum. Mas que pelo menos ouçam suas vozes e atuem em consonância com elas.
Não deve existir uma separação radical entre o mundo da política e a vida cotidiana, nem muito menos entre valores e interesses práticos. No mundo interconectado de hoje, vê-se, por exemplo, o que ocorre com as revoluções no meio islâmico, movimentos protestatários irrompem sem uma ligação formal com a política tradicional. Talvez as discussões sobre os meandros do poder não interessem ao povo no dia-a-dia tanto quanto os efeitos devastadores das enchentes ou o sufoco de um trânsito que não anda nas grandes cidades. Mas, de repente, se dá um “curto-circuito” e o que parecia não ser “política” se politiza. Não foi o que ocorreu nas eleições de 1974 ou na campanha das “diretas já”? Nestes momentos, o pragmatismo de quem luta para sobreviver no dia-a-dia lidando com questões “concretas” se empolga com crenças e valores. O discurso, noutros termos, não pode ser apenas o institucional, tem de ser o do cotidiano, mas não desligado de valores. Obviamente em nosso caso, o de uma democracia, não estou pensando em movimentos contra a ordem política global, mas em aspirações que a própria sociedade gera e que os partidos precisam estar preparados para que, se não os tiverem suscitado por sua desconexão, possam senti-los e encaminhá-los na direção política desejada.
Seria erro fatal imaginar, por exemplo, que o discurso “moralista” é coisa de elite à moda da antiga UDN. A corrupção continua a ter o repúdio não só das classes médias como de boa parte da população. Na última campanha eleitoral, o momento de maior crescimento da candidatura Serra e de aproximação aos resultados obtidos pela candidata governista foi quando veio à tona o “episódio Erenice”. Mas é preciso ter coragem de dar o nome aos bois e vincular a “falha moral” a seus resultados práticos, negativos para a população. Mais ainda: é preciso persistir, repetir a crítica, ao estilo do “beba Coca Cola” dos publicitários. Não se trata de dar-nos por satisfeitos, à moda de demonstrar um teorema e escrever “cqd”, como queríamos demonstrar. Seres humanos não atuam por motivos meramente racionais. Sem a teatralização que leve à emoção, a crítica – moralista ou outra qualquer – cai no vazio. Sem Roberto Jefferson não teria havido mensalão como fato político.
Eu acho que o pessoal leu o que queria ler, e não o que estava escrito
Para dar um pouco de perspectiva, transcrevo aqui o pedaço do artigo que gerou mais polêmica, julguem vocês mesmos:
Diante deste quadro, o que podem fazer as oposições?
Definir o público a ser alcançado
Em primeiro lugar, não manter ilusões: é pouco o que os partidos podem fazer para que a voz de seus parlamentares alcance a sociedade. É preciso que as oposições se deem conta de que existe um público distinto do que se prende ao jogo político tradicional e ao que é mais atingido pelos mecanismos governamentais de difusão televisiva e midiática em geral. As oposições se baseiam em partidos não propriamente mobilizadores de massas. A definição de qual é o outro público a ser alcançado pelas oposições e como fazer para chegar até ele e ampliar a audiência crítica é fundamental. Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo “aparelhou”, cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias.
Sendo assim, dirão os céticos, as oposições estão perdidas, pois não atingem a maioria. Só que a realidade não é bem essa. Existe toda uma gama de classes médias, de novas classes possuidoras (empresários de novo tipo e mais jovens), de profissionais das atividades contemporâneas ligadas à TI (tecnologia da informação) e ao entretenimento, aos novos serviços espalhados pelo Brasil afora, às quais se soma o que vem sendo chamado sem muita precisão de “classe C” ou de nova classe média. Digo imprecisamente porque a definição de classe social não se limita às categorias de renda (a elas se somam educação, redes sociais de conexão, prestígio social, etc.), mas não para negar a extensão e a importância do fenômeno. Pois bem, a imensa maioria destes grupos – sem excluir as camadas de trabalhadores urbanos já integrados ao mercado capitalista – está ausente do jogo político-partidário, mas não desconectada das redes de internet, Facebook, YouTube, Twitter, etc. É a estes que as oposições devem dirigir suas mensagens prioritariamente, sobretudo no período entre as eleições, quando os partidos falam para si mesmo, no Congresso e nos governos. Se houver ousadia, os partidos de oposição podem organizar-se pelos meios eletrônicos, dando vida não a diretórios burocráticos, mas a debates verdadeiros sobre os temas de interesse dessas camadas.
Mas não é só isso: as oposições precisam voltar às salas universitárias, às inúmeras redes de palestras e que se propagam pelo país afora e não devem, obviamente, desacreditar do papel da mídia tradicional: com toda a modernização tecnológica, sem a sanção derivada da confiabilidade, que só a tradição da grande mídia assegura, tampouco as mensagens, mesmo que difundidas, se transformam em marcas reconhecidas. Além da persistência e ampliação destas práticas, é preciso buscar novas formas de atuação para que a oposição esteja presente, ou pelo menos para que entenda e repercuta o que ocorre na sociedade. Há inúmeras organizações de bairro, um sem-número de grupos musicais e culturais nas periferias das grandes cidades, etc., organizações voluntárias de solidariedade e de protesto, redes de consumidores, ativistas do meio ambiente, e por aí vai, que atuam por conta própria. Dado o anacronismo das instituições político-partidárias, seria talvez pedir muito aos partidos que mergulhem na vida cotidiana e tenham ligações orgânicas com grupos que expressam as dificuldades e anseios do homem comum. Mas que pelo menos ouçam suas vozes e atuem em consonância com elas.
Não deve existir uma separação radical entre o mundo da política e a vida cotidiana, nem muito menos entre valores e interesses práticos. No mundo interconectado de hoje, vê-se, por exemplo, o que ocorre com as revoluções no meio islâmico, movimentos protestatários irrompem sem uma ligação formal com a política tradicional. Talvez as discussões sobre os meandros do poder não interessem ao povo no dia-a-dia tanto quanto os efeitos devastadores das enchentes ou o sufoco de um trânsito que não anda nas grandes cidades. Mas, de repente, se dá um “curto-circuito” e o que parecia não ser “política” se politiza. Não foi o que ocorreu nas eleições de 1974 ou na campanha das “diretas já”? Nestes momentos, o pragmatismo de quem luta para sobreviver no dia-a-dia lidando com questões “concretas” se empolga com crenças e valores. O discurso, noutros termos, não pode ser apenas o institucional, tem de ser o do cotidiano, mas não desligado de valores. Obviamente em nosso caso, o de uma democracia, não estou pensando em movimentos contra a ordem política global, mas em aspirações que a própria sociedade gera e que os partidos precisam estar preparados para que, se não os tiverem suscitado por sua desconexão, possam senti-los e encaminhá-los na direção política desejada.
Seria erro fatal imaginar, por exemplo, que o discurso “moralista” é coisa de elite à moda da antiga UDN. A corrupção continua a ter o repúdio não só das classes médias como de boa parte da população. Na última campanha eleitoral, o momento de maior crescimento da candidatura Serra e de aproximação aos resultados obtidos pela candidata governista foi quando veio à tona o “episódio Erenice”. Mas é preciso ter coragem de dar o nome aos bois e vincular a “falha moral” a seus resultados práticos, negativos para a população. Mais ainda: é preciso persistir, repetir a crítica, ao estilo do “beba Coca Cola” dos publicitários. Não se trata de dar-nos por satisfeitos, à moda de demonstrar um teorema e escrever “cqd”, como queríamos demonstrar. Seres humanos não atuam por motivos meramente racionais. Sem a teatralização que leve à emoção, a crítica – moralista ou outra qualquer – cai no vazio. Sem Roberto Jefferson não teria havido mensalão como fato político.
Eu acho que o pessoal leu o que queria ler, e não o que estava escrito
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Prazer em conhecer: EXCLUSIVO: imagens do circuito interno
Prazer em conhecer: EXCLUSIVO: imagens do circuito interno: "Veja, com exclusividade, imagens do circuito interno da UnBTV do momento em que a enxurrada causa devastação no subsolo do ICC Norte (Minhoc..."
domingo, 10 de abril de 2011
UnB debaixo d´água!!! - parte III
Os respiradouros dos anfiteatros viraram cahoeiras.
Como foi que isto aconteceu? Assim:
E mais um vídeo: Faculdade de Tecnologia - o tsunami
Como foi que isto aconteceu? Assim:
E mais um vídeo: Faculdade de Tecnologia - o tsunami
sábado, 9 de abril de 2011
Pequenas Pérolas do Cinema - V
Já indiquei um suspense hoje, então uma comédia é de ordem para contrabalançar. Então segue o Jovem Frankenstein.
A propósito: a cena do padre e do monstro é de chorar de rir
A propósito: a cena do padre e do monstro é de chorar de rir
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Como utilizar uma tragédia para alavancar interesses
Nesta semana tivemos a tragédia de Realengo. Não vou me alongar no crime, mas em como determinados grupos estão usando a tragédia para defender interesses que realmente tem pouca ou nenhuma relação na história.
Nas primeiras horas houve muita confusão a respeito. Talvez pela carta do atirador ser deveras estranha, algumas notícias tratavam mais de especulações mal informadas do que outra coisa. Devido às citações religiosas passou-se a pensar em crime por fanatismos (inicialmente muçulmano e depois cristão). A verdade é que a carta não diz isso. Há também menções sobre o amor que o atirador tinha por animais em oposição ao seu amor por seres humanos.
Não há menções sobre bullying, mas isto não impediu que diversos grupos utilizassem isto como bandeira. DE modo similar, há grupos que estão utilizando a tragédia para avançar a agenda do desarmamento (por vezes fazendo previsões mirabolantes). Mas o fato é que há indicações que as armas usadas são ilegais (o que atrapalha a idéia que desarmar a população iria evitar este tipo de crime).
A triste verdade é que estão usando uma tragédia para "venderem" um projeto político para população. Isso é spin, senhoras e senhores.... E não tem nada a ver com a verdade.
E aí que mora o problema...
Há duas questões aqui. E para ambas é necessário ter muito sangue frio para ter uma análise racional. A primeira delas é que este tipo de crime é muito raro. Muito raro mesmo. Aqui vemos uma lista com incidentes de tiroteios em Escolas. De 1966 até 2011 tivemos 109 incidentes com um total de 229 mortes. Só em 2009 tivemos 9146 homicídios por armas. Em 2009, o número de incidentes em escolas foram 10 e o número de mortos foram 7. Isto dá 1 caso em 1306 (ou seja 99.92% dos casos não são de tiroteios em escolas). Então, este crime é bastante raro...
O segundo ponto é que para evitarmos que eventos como este aconteçam temos, antes de mais nada, saber porque eles acontecem. Sem conhecer as causas do problema é EXTREMAMENTE difícil resolve-lo (basicamente é apostar na sorte). E na questão de Realengo, o risco é que a agenda política se sobreponha a esta demanda.
E aí a coisa pode ficar realmente muito feia mesmo...
Nas primeiras horas houve muita confusão a respeito. Talvez pela carta do atirador ser deveras estranha, algumas notícias tratavam mais de especulações mal informadas do que outra coisa. Devido às citações religiosas passou-se a pensar em crime por fanatismos (inicialmente muçulmano e depois cristão). A verdade é que a carta não diz isso. Há também menções sobre o amor que o atirador tinha por animais em oposição ao seu amor por seres humanos.
Não há menções sobre bullying, mas isto não impediu que diversos grupos utilizassem isto como bandeira. DE modo similar, há grupos que estão utilizando a tragédia para avançar a agenda do desarmamento (por vezes fazendo previsões mirabolantes). Mas o fato é que há indicações que as armas usadas são ilegais (o que atrapalha a idéia que desarmar a população iria evitar este tipo de crime).
A triste verdade é que estão usando uma tragédia para "venderem" um projeto político para população. Isso é spin, senhoras e senhores.... E não tem nada a ver com a verdade.
E aí que mora o problema...
Há duas questões aqui. E para ambas é necessário ter muito sangue frio para ter uma análise racional. A primeira delas é que este tipo de crime é muito raro. Muito raro mesmo. Aqui vemos uma lista com incidentes de tiroteios em Escolas. De 1966 até 2011 tivemos 109 incidentes com um total de 229 mortes. Só em 2009 tivemos 9146 homicídios por armas. Em 2009, o número de incidentes em escolas foram 10 e o número de mortos foram 7. Isto dá 1 caso em 1306 (ou seja 99.92% dos casos não são de tiroteios em escolas). Então, este crime é bastante raro...
O segundo ponto é que para evitarmos que eventos como este aconteçam temos, antes de mais nada, saber porque eles acontecem. Sem conhecer as causas do problema é EXTREMAMENTE difícil resolve-lo (basicamente é apostar na sorte). E na questão de Realengo, o risco é que a agenda política se sobreponha a esta demanda.
E aí a coisa pode ficar realmente muito feia mesmo...
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Quando os ex-amigos viram inimigos
Eu leio com frequência a coluna de um blogueiro (que eu considerava um excelente jornalista alguns anos atrás). Este blogueiro foi um dos primeiros a cunhar o termo PiG (Partido da imprensa Golpista), que eu jocosamente defino como a contrapartida do PIG (Partido da Imprensa Governista).
Não quero entrar no mérito da pessoa, preferências ou seus trabalhos (apesar de ter uma opinião a respeito, devo dizer que considero a mesma um tanto polarizada). Dizendo isto quero ressaltar como é dura a vida dos bate-palmas-para-o-governo.
Um dia os inimigos são claros: todos aqueles que querem retirar o governo apoiado pelo PIG. Ou seja, todos que estão alinhados com as opinões expressas no PiG.
No outro dia, os ex-aliados passar a criticar o governo, enquanto o antigo PiG elogia o governo. Caso em questão? Belo Monte! Os que criticam eram do PIG e os que elogiam eram do PiG.
O que fazer? Duplipensar! Chama-se o antigo PIG de PiG e espera-se que ninguém perceba as cenas explícitas de puxa-saquismo chapa branca.
Realmente é triste a sina dos bate-palmas-para-o-governo. Destruindo reputações a cada post, especialmente a própria reputação.
Não quero entrar no mérito da pessoa, preferências ou seus trabalhos (apesar de ter uma opinião a respeito, devo dizer que considero a mesma um tanto polarizada). Dizendo isto quero ressaltar como é dura a vida dos bate-palmas-para-o-governo.
Um dia os inimigos são claros: todos aqueles que querem retirar o governo apoiado pelo PIG. Ou seja, todos que estão alinhados com as opinões expressas no PiG.
No outro dia, os ex-aliados passar a criticar o governo, enquanto o antigo PiG elogia o governo. Caso em questão? Belo Monte! Os que criticam eram do PIG e os que elogiam eram do PiG.
O que fazer? Duplipensar! Chama-se o antigo PIG de PiG e espera-se que ninguém perceba as cenas explícitas de puxa-saquismo chapa branca.
Realmente é triste a sina dos bate-palmas-para-o-governo. Destruindo reputações a cada post, especialmente a própria reputação.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Andar de Carro é mais caro do que de Taxi?
Para começar é possível saber algo mais sobre o custo de uma corrida de Taxi. Então de posse desses valores podemos chegar a alguns números interessantes.
No caso de Brasília, ao entrar no Taxi você paga R$ 3,30 e para cada quilômetro rodado paga-se R$ 1,80 (Bandeira 1) e R$ 2,28 (Bandeira 2). Se supormos um trajeto do tipo Casa-Trabalho-Casa todos os dias (os finais de semana poderia ser (Casa-Diversão-Casa), então temos R$ 6,60/dia somente para entrar no Taxi. No meu caso, isto corresponde a um custo de 2 vezes R$ 24,57 (Bandeira 1) ou 2 vezes R$ 30,24 (Bandeira 2) por dia.
Para arredondar, vamos dizer que o gasto seria de R$ 50,00/dia. Ao longo de 365 dias isto daria R$ 18.250,00 por ano. Isto é quase o preço de um carro popular.
Então carro é mais barato, certo? Não é tão simples. O uso do carro envolve não só o preço de compra do veículo, mas custos adicionais (combustível, estacionamento, manutenção). Em contas simples, ao longo de 7 anos (neste blog tem alguns detalhes) o custo do carro é praticamente o dobro do valor de compra.
Então pode realmente ser um caso a se pensar.
No meu caso, como não tenho pressa em trocar de carro, o custo ainda não compensa. Mas se começarem a cobrar estacionamento a história pode ser outra.
No caso de Brasília, ao entrar no Taxi você paga R$ 3,30 e para cada quilômetro rodado paga-se R$ 1,80 (Bandeira 1) e R$ 2,28 (Bandeira 2). Se supormos um trajeto do tipo Casa-Trabalho-Casa todos os dias (os finais de semana poderia ser (Casa-Diversão-Casa), então temos R$ 6,60/dia somente para entrar no Taxi. No meu caso, isto corresponde a um custo de 2 vezes R$ 24,57 (Bandeira 1) ou 2 vezes R$ 30,24 (Bandeira 2) por dia.
Para arredondar, vamos dizer que o gasto seria de R$ 50,00/dia. Ao longo de 365 dias isto daria R$ 18.250,00 por ano. Isto é quase o preço de um carro popular.
Então carro é mais barato, certo? Não é tão simples. O uso do carro envolve não só o preço de compra do veículo, mas custos adicionais (combustível, estacionamento, manutenção). Em contas simples, ao longo de 7 anos (neste blog tem alguns detalhes) o custo do carro é praticamente o dobro do valor de compra.
Então pode realmente ser um caso a se pensar.
No meu caso, como não tenho pressa em trocar de carro, o custo ainda não compensa. Mas se começarem a cobrar estacionamento a história pode ser outra.
Ilusão da Gratuidade
Já esclareço: Não existe nada de graça. A gratuidade é uma ilusão, pois no fim alguém sempre acaba pagando pelo "gratuito".
Serviço Público Gratuito de Saúde? Não é gratuito! O seu custo está lá embutido nos impostos pagos. Serviço Público de Transporte Gratuito? Não é gratuito! Também está lá embutido nos impostos. Segurança alimentar? Bolsas? Ensino Público?
Tudo isto está embutido nos impostos.
Então cabe uma lição aqui: quando se fala em cortar impostos, se fala em cortar estes serviços. Ah, já vejo os protestos: "Mas basta acabar com a corrupção que pode cortar impostos!"
Sim, basta acabar com a corrupção que podemos DIMINUIR impostos (não cortá-los) e manter estes serviços. E aí vejo dois problemas:
Então no fundo: sempre tem um pagador para o serviço. O argumento da gratuidade é no fundo um pega-trouxa (afinal quem não quer receber sem ter dar alguma contrapartida?).
A pergunta que deve ser feita é: esta é a melhor forma de fazer? Bem, aí temos respostas não muito claras. Originalmente o Estado tende ser um árbitro pior em média do que uma pessoa. No entanto, não é possível afirmar que o Estado é um árbitro pior em média do que uma pessoa em média. A sutileza do raciocínio é a seguinte: como as pessoas podem tomar decisões boas ou ruins, o comportamento médio destas decisões boas e ruins não pode ser afirmado como melhor que o arbítrio médio do Estado.
O que se pode afirmar é que há situações aonde a pessoa é melhor árbitro em média e há situações aonde o Estado é melhor árbitro em média. O senso comum é que pessoas esclarecidas e educadas podem tomar decisões melhores em média do que o Estado em média. Infelizmente mesmo esta afirmação pode não ser comprovada integralmente.
Mas existem situações aonde faz mais sentido que indivíduos sejam responsáveis pelo custo, ao invés da população inteira ser responsável pelo mesmo. Estas situações ocorrem aonde nem todos usufruem do serviço diretamente (o imposto de estradas e rodagem é um caso assim - se for usado para estradas e rodagem). Neste caso, o custo de uma estrada não é rateado apenas entre seus usuários mas todo o universo pagante de impostos.
Pode-se argumentar que na realidade este método elimina mais uma componente no preço de venda de mercadorias (devido ao transporte). Mas o que ele faz é mudar as condições de custo para mercadorias próximas e distantes (tornando as mais distantes ligeiramente mais competitivas).
Então, de graça? Nem injeção na testa!
Serviço Público Gratuito de Saúde? Não é gratuito! O seu custo está lá embutido nos impostos pagos. Serviço Público de Transporte Gratuito? Não é gratuito! Também está lá embutido nos impostos. Segurança alimentar? Bolsas? Ensino Público?
Tudo isto está embutido nos impostos.
Então cabe uma lição aqui: quando se fala em cortar impostos, se fala em cortar estes serviços. Ah, já vejo os protestos: "Mas basta acabar com a corrupção que pode cortar impostos!"
Sim, basta acabar com a corrupção que podemos DIMINUIR impostos (não cortá-los) e manter estes serviços. E aí vejo dois problemas:
- Acabar com a corrupção - como um amigo meu já me disse: "Sério Cara? Por que ninguém pensou nisso antes?". Em outras palavras, esta é uma tarefa mais simples de falar do que fazer. Há indícios assustadores que a corrupção tende a piorar com o tamanho da estrutura necessária para administrar um determinado serviço. E serviços com um larga base de usuários tendem a ser naturalmente grandes.
- Cortar impostos - cortar impostos significa simplesmente diminuir o escopo de atuação dos serviços. Sim, é possível se fazer mais com menos, mas de novo existem limites. Aumentar a eficiência de novo bate nos limites do 100%. Não dá para passar disso (quem diz dar 110% de si para o trabalho claramente não aprendeu o que significa percentagem).
Então no fundo: sempre tem um pagador para o serviço. O argumento da gratuidade é no fundo um pega-trouxa (afinal quem não quer receber sem ter dar alguma contrapartida?).
A pergunta que deve ser feita é: esta é a melhor forma de fazer? Bem, aí temos respostas não muito claras. Originalmente o Estado tende ser um árbitro pior em média do que uma pessoa. No entanto, não é possível afirmar que o Estado é um árbitro pior em média do que uma pessoa em média. A sutileza do raciocínio é a seguinte: como as pessoas podem tomar decisões boas ou ruins, o comportamento médio destas decisões boas e ruins não pode ser afirmado como melhor que o arbítrio médio do Estado.
O que se pode afirmar é que há situações aonde a pessoa é melhor árbitro em média e há situações aonde o Estado é melhor árbitro em média. O senso comum é que pessoas esclarecidas e educadas podem tomar decisões melhores em média do que o Estado em média. Infelizmente mesmo esta afirmação pode não ser comprovada integralmente.
Mas existem situações aonde faz mais sentido que indivíduos sejam responsáveis pelo custo, ao invés da população inteira ser responsável pelo mesmo. Estas situações ocorrem aonde nem todos usufruem do serviço diretamente (o imposto de estradas e rodagem é um caso assim - se for usado para estradas e rodagem). Neste caso, o custo de uma estrada não é rateado apenas entre seus usuários mas todo o universo pagante de impostos.
Pode-se argumentar que na realidade este método elimina mais uma componente no preço de venda de mercadorias (devido ao transporte). Mas o que ele faz é mudar as condições de custo para mercadorias próximas e distantes (tornando as mais distantes ligeiramente mais competitivas).
Então, de graça? Nem injeção na testa!
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Calaboca Bolsonaro? E como fica a liberdade de expressão?
Esta é a grande questão: como podemos defender a liberdade de expressão e proibir alguém de expressar alguma coisa?
Ehhh... Não dá! Ah, mas há iluminados que dizem que a liberdade de expressão não pode servir para algo que é moralmente repreensível. Será que este pessoal já viu The People vs Larry Flint? Ali tinhamos algo que poderia ser considerado moralmente repreensível, e aí?
O problema da liberdade de expressão é justamente o de garantir o direito de alguém expressar algo que você detesta intimamente com todas as forças. Este é o verdadeiro teste.
E claro que limitar a liberdade de expressão e decidir na existência de crime de idéias ou palavras está no mesmo saco. Ao limitarmos a liberdade de expressão estamos definindo uma nova categoria de crimes: crimes de pensamento.
É desnecessário dizer que esta estrada é longa, escorregadia e particularmente perigosa.
E claro, você sabem de onde vem o termo crime de pensamento, não? Talvez o termo em inglês seja mais familiar:
Thoughtcrime
Ehhh... Não dá! Ah, mas há iluminados que dizem que a liberdade de expressão não pode servir para algo que é moralmente repreensível. Será que este pessoal já viu The People vs Larry Flint? Ali tinhamos algo que poderia ser considerado moralmente repreensível, e aí?
O problema da liberdade de expressão é justamente o de garantir o direito de alguém expressar algo que você detesta intimamente com todas as forças. Este é o verdadeiro teste.
E claro que limitar a liberdade de expressão e decidir na existência de crime de idéias ou palavras está no mesmo saco. Ao limitarmos a liberdade de expressão estamos definindo uma nova categoria de crimes: crimes de pensamento.
É desnecessário dizer que esta estrada é longa, escorregadia e particularmente perigosa.
E claro, você sabem de onde vem o termo crime de pensamento, não? Talvez o termo em inglês seja mais familiar:
Thoughtcrime
domingo, 3 de abril de 2011
3 anos da Invasão da Reitoria da UnB
Hoje estão fazendo 3 anos da invasão da reitoria da UnB. Foi bom? Foi ruim? Deixo para cada um tomar esta decisão.
Temos aqui uma reportagem da Folha:
Naturalmente, a situação não simplificou:
Mesmo o reitor acenou com propostas para satisfazer os estudantes:
Mesmo o senador Cristovam pediu ao reitor que se afastasse temporariamente do cargo:
Pouco lembrado é o fato que a SECOM soltou uma nota a respeito:
O final todos sabemos:
O que foi certo e o que foi errado? O que foi conquistado?
Quais as conseqüências de tudo isso?
Temos aqui uma reportagem da Folha:
O cheiro quase insuportável que emanava dos banheiros do gabinete do reitor da UnB (Universidade de Brasília) e a luz só de velas não desanimaram os cerca de 80 estudantes-invasores que decidiram passar a noite no local. Eles invadiram anteontem o gabinete do reitor Timothy Mulholland, por volta das 14h30, pedindo a saída dele e de seu vice, Edgar Mamya.
A Folha acompanhou as 18 primeiras horas da invasão, ao lado dos estudantes. Às 8h20 de ontem, foi convidada a se retirar. Durante a noite, foi possível identificar o cheiro de maconha no local.
O espaço foi informalmente dividido em quatro grandes ambientes e algumas áreas mais reservadas. Na entrada, o grupo dos rapazes "mais fortes" se concentrava em vigiar a porta e evitar uma possível entrada da polícia. Eles se revezaram em turnos e dormiram pelo chão.
Naturalmente, a situação não simplificou:
A PF (Polícia Federal) informou que está negociando a saída pacífica dos estudantes que ocupam desde quinta-feira passada (03) o prédio da reitoria da (Universidade de Brasília). A 17ª Vara da Justiça Federal do DF determinou na sexta-feira que os estudantes desocupassem o gabinete do reitor Timothy Mulholland.
Os estudantes não só descumpriram a decisão da Justiça como decidiram manter e ampliar a ocupação, em assembléia realizada ontem. Representantes do DCE (Diretório Central dos Estudantes) informaram que iriam recorrer da decisão na Justiça. A ocupação foi estendida para cinco andares do prédio da reitoria.
Mesmo o reitor acenou com propostas para satisfazer os estudantes:
O reitor da UnB (Universidade de Brasília), Timothy Mulholland, disse hoje que pretende atender parte das reivindicações feitas dos estudantes da instituição. Um grupo de 200 alunos invadiu na quinta-feira passada o gabinete do reitor. A ocupação foi ampliada ontem e agora atinge os cinco andares da reitoria.
"A reitoria está mostrando um esforço grande para chegar até eles. Queremos trabalhar juntos na coletividade que se busca caminhos e se amadurece soluções", diz Mulholland.
Entre as reivindicações que Mulholland diz que serão atendidas estão a ampliação da universidade, aumento do número de professores, reforma da Casa do Estudante, construção de prédios da UnB em duas cidades-satélites, revisão da relação das fundações com UnB, reexame da escolha do reitor e aumento de vaga para bolsistas.
Mesmo o senador Cristovam pediu ao reitor que se afastasse temporariamente do cargo:
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) sugeriu hoje que o reitor da UnB (Universidade de Brasília), Timothy Mulholland, peça licença do cargo para evitar que os estudantes acampados na reitoria da universidade sejam retirados, a força, pela Polícia Federal. Cristovam teme que a decisão dos estudantes de permanecerem na reitoria, mesmo após o fim do prazo estipulado pela PF para que deixem o local, transforme a UnB em palco de violência.
Do plenário do Senado, Cristovam fez o apelo para que o reitor apenas se afaste temporariamente do cargo porque disse acreditar que a renúncia está descartada por Mulholland. Por outro lado, reconheceu que os estudantes também não estão dispostos a desocuparem o prédio se o reitor permanecer no cargo.
Pouco lembrado é o fato que a SECOM soltou uma nota a respeito:
1 – O movimento dos estudantes foi influenciado e teve participação direta de professores da instituição, ligados ao movimento sindical e partidário, que incitaram a invasão;
2 – Durante a invasão da Reitoria, os estudantes arrombaram e quebraram uma porta e outros itens do gabinete;
3 – O afastamento do Reitor e do Vice-reitor de seus cargos e funções não é ponto de negociação. A administração foi eleita legitima e democraticamente pela votação mais expressiva da história da instituição. O Reitor tem mandato de quatro anos, que se encerra em novembro de 2009, nomeado pelo Presidente da República. Além disso, não é réu e nem sequer tem qualquer processo contra sua pessoa;
4 – A Reitoria da UnB tem total disposição para dialogar com os estudantes, mas demanda que os espaços ocupados sejam liberados. A manutenção dos manifestantes nos ambientes administrativos prejudica o andamento de processos da universidade, inclusive aqueles que dizem respeito aos próprios estudantes, como a definição de recursos para a assistência estudantil e a reforma da Casa do Estudante Universitário, processos esses que têm prazos definidos para a utilização de recursos;
5 – A Reitoria da UnB tem uma equipe designada para a negociação com os estudantes e espera colaboração dos alunos invasores para que se consiga a melhor solução possível para o impasse.
O final todos sabemos:
O reitor da UnB (Universidade de Brasília), Timothy Mulholland, renunciou ao cargo. O pedido de exoneração será encaminhado ao Ministério da Educação. Ele estava afastado desde quinta-feira pelo prazo de 60 dias. A diretoria da UnB e o ministro da Educação, Fernando Haddad, discutem a substituição.
Na reunião também será discutida a posição a ser tomada em relação à ocupação dos estudantes na reitoria. Os estudantes da universidade, que ocupam a reitoria desde o último dia 3, não devem participar do encontro.
O que foi certo e o que foi errado? O que foi conquistado?
Quais as conseqüências de tudo isso?
sábado, 2 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
quinta-feira, 31 de março de 2011
Pequenas Pérolas do Cinema
Decidi incluir uma seção de Filmes com clipes de algumas das jóias do cinema. Na realidade é uma peça de opinião e matéria de debate. Mas eu vou explicar porque gosto dos filmes.
Primeiro da Lista (não é o melhor, mas é uma pequena jóia): The Quiet Earth
Precisamente às 6:12 Zac Hobswan morre. E a terra se torna silenciosa...
O filme trata do mundo sem ninguém. Sem ninguém? Bem, nem tanto... Mas o final..., ah que final!
Por que eu gosto deste filme? Bem, primeiro é uma boa história. Naturalmente ele trata de algo da natureza humana na mais absoluta solidão, como isto afeta o comportamento e como nos definimos pela presença das outras pessoas e assuntos afins.
Mas também trata de culpa, do medo, da incerteza, do valor, da redenção e de expectativas...
No fundo é uma boa história, com vários níveis de profundidade e várias interpretações. Dá para assistir como uma boa diversão e ver novamente com outros olhos.
Primeiro da Lista (não é o melhor, mas é uma pequena jóia): The Quiet Earth
Precisamente às 6:12 Zac Hobswan morre. E a terra se torna silenciosa...
O filme trata do mundo sem ninguém. Sem ninguém? Bem, nem tanto... Mas o final..., ah que final!
Por que eu gosto deste filme? Bem, primeiro é uma boa história. Naturalmente ele trata de algo da natureza humana na mais absoluta solidão, como isto afeta o comportamento e como nos definimos pela presença das outras pessoas e assuntos afins.
Mas também trata de culpa, do medo, da incerteza, do valor, da redenção e de expectativas...
No fundo é uma boa história, com vários níveis de profundidade e várias interpretações. Dá para assistir como uma boa diversão e ver novamente com outros olhos.
terça-feira, 29 de março de 2011
Escolhas racionais? Nem tanto...
Há uma corrente econômica e social que se baseia na idéia que os agentes (pessoas) realizam escolhas racionais para tomar decisões. Em cima desta premissa é montado um edifício de argumentos teóricos para determinar o uso racional de recursos. No fundo isto está ligada a idéia de maximização da utilidade.
Mas como sempre, há uma pedra no meio do caminho. Quem disse que nossas escolhas são racionais? A verdade é que percebemos de modo diferente o ganho e a perda. Não é apenas uma questão de maximização do ganho, mas também uma questão de minimização da perda. E a questão é como percebemos perda.
Na teoria o agente tem reações racionais a perda. Mas na realidade não funcionamos assim.
E isto é mais sério do que parece.
Em termos simples, esta questão pode ser enunciada em termos de perdas certas e ganhos prováveis. Mesmo que as duas sejam matematicamente iguais, tendemos a escolher o lado dos ganhos prováveis.
Na realidade é pior: tendemos a escolher o lado dos ganhos prováveis mesmo quando são menos prováveis do que a perda certa.
Quer um exemplo?
Considere que estão passando dois filmes (X e Y) em cinemas próximos. Você queria ver X, mas estava lotado e com isso você compra o ticket para ver Y (que não é tão ruim, mas não é o filme X).
Até aqui está Ok.
Agora no caminho da bilheteria para a entrada do cinema, alguém lhe dá o ingresso de X e vai embora. Você vai ver X (que você não pagou nada) ou Y (que você pagou do seu dinheirinho para ver)?
A grande maioria vai ver Y, mesmo sendo X o filme que originalmente queria ver e mesmo que ECONOMICAMENTE a compra do ticket de Y equivale a compra do ticket de X.
E o mais interessante é que irão surgir literalmente dezenas de explicações para este comportamento aparentemente irracional: a mais comum é "Ah, já comprei este aqui. Depois eu vejo o outro".
É este tipo de comportamento que estimula o crescimento de bolhas econômicas e outras tragédias mais ou menos comuns do dia-a-dia (um exemplo é manter uma decisão ruim só para não se retratar).
Isto é intrínseco à nós mesmos. E temos de reconhecer isto e quando possível consertar.
Mas como sempre, há uma pedra no meio do caminho. Quem disse que nossas escolhas são racionais? A verdade é que percebemos de modo diferente o ganho e a perda. Não é apenas uma questão de maximização do ganho, mas também uma questão de minimização da perda. E a questão é como percebemos perda.
Na teoria o agente tem reações racionais a perda. Mas na realidade não funcionamos assim.
E isto é mais sério do que parece.
Em termos simples, esta questão pode ser enunciada em termos de perdas certas e ganhos prováveis. Mesmo que as duas sejam matematicamente iguais, tendemos a escolher o lado dos ganhos prováveis.
Na realidade é pior: tendemos a escolher o lado dos ganhos prováveis mesmo quando são menos prováveis do que a perda certa.
Quer um exemplo?
Considere que estão passando dois filmes (X e Y) em cinemas próximos. Você queria ver X, mas estava lotado e com isso você compra o ticket para ver Y (que não é tão ruim, mas não é o filme X).
Até aqui está Ok.
Agora no caminho da bilheteria para a entrada do cinema, alguém lhe dá o ingresso de X e vai embora. Você vai ver X (que você não pagou nada) ou Y (que você pagou do seu dinheirinho para ver)?
A grande maioria vai ver Y, mesmo sendo X o filme que originalmente queria ver e mesmo que ECONOMICAMENTE a compra do ticket de Y equivale a compra do ticket de X.
E o mais interessante é que irão surgir literalmente dezenas de explicações para este comportamento aparentemente irracional: a mais comum é "Ah, já comprei este aqui. Depois eu vejo o outro".
É este tipo de comportamento que estimula o crescimento de bolhas econômicas e outras tragédias mais ou menos comuns do dia-a-dia (um exemplo é manter uma decisão ruim só para não se retratar).
Isto é intrínseco à nós mesmos. E temos de reconhecer isto e quando possível consertar.
segunda-feira, 28 de março de 2011
A revolução de Primeiro de Abril
Não, este post não é para falar mal ou bem do acontecido em 1964. O ponto é outro: como as pessoas torcem o que aconteceu de acordo com suas conveniências.
Vamos aos fatos, em 13 de março de 1964, Jango fez seu famoso comício das reformas de base na Central do Brasil. Cerca de 200 mil pessoas estiveram presentes (entre eles um certo estudante chamado José Serra). Fala-se que este foi o estopim para o golpe.
Mas no dia 19 de março uma passeata ainda maior foi realizada em São Paulo. Esta foi a famosa marcha da família com Deus pela liberdade. Só que a passeata foi contrária ao teor do comício de Jango.
Qual é a lição? Havia uma polarização naquela época. Esta polarização não era povo contra militares. Mas "povo contra povo".
Mas não é só isso. Em 2 de abril de 1964 realizou-se no Rio de Janeiro a Marcha da Vitória. Nela participaram cerca de 1 milhão de pessoas.
Ou seja: havia uma pancada de gente civil apoiando a tomada do poder pelos militares. Isto derruba novamente a tese do "povo contra militares" e reafirma a tese do "povo contra povo".
Este esquecimento que o golpe teve apoio popular é proposital. É algo que podemos encontrar hoje na política e mesmo no comportamento geral da sociedade. Falha de caráter? Não creio que chegue a tanto, talvez seja um pouco de vergonha.
Mas a coisa não para por aqui... Bem antes, em 1961 já havia muita gente querendo fazer revolução nos moldes cubanos no Brasil. As sementes do "povo contra povo" foram lançadas bem antes de 1964.
Vamos aos fatos, em 13 de março de 1964, Jango fez seu famoso comício das reformas de base na Central do Brasil. Cerca de 200 mil pessoas estiveram presentes (entre eles um certo estudante chamado José Serra). Fala-se que este foi o estopim para o golpe.
Mas no dia 19 de março uma passeata ainda maior foi realizada em São Paulo. Esta foi a famosa marcha da família com Deus pela liberdade. Só que a passeata foi contrária ao teor do comício de Jango.
Qual é a lição? Havia uma polarização naquela época. Esta polarização não era povo contra militares. Mas "povo contra povo".
Mas não é só isso. Em 2 de abril de 1964 realizou-se no Rio de Janeiro a Marcha da Vitória. Nela participaram cerca de 1 milhão de pessoas.
Ou seja: havia uma pancada de gente civil apoiando a tomada do poder pelos militares. Isto derruba novamente a tese do "povo contra militares" e reafirma a tese do "povo contra povo".
Este esquecimento que o golpe teve apoio popular é proposital. É algo que podemos encontrar hoje na política e mesmo no comportamento geral da sociedade. Falha de caráter? Não creio que chegue a tanto, talvez seja um pouco de vergonha.
Mas a coisa não para por aqui... Bem antes, em 1961 já havia muita gente querendo fazer revolução nos moldes cubanos no Brasil. As sementes do "povo contra povo" foram lançadas bem antes de 1964.
Mais sobre o Filme de Moore
O problema do cinema documental é que ele é um daqueles meios aonde o ponto de vista do cineasta tende a ser aceito como a verdade. Só que é só ponto de vista.
Um exemplo: há diversas cenas de pessoas que perderam suas casas. Mas a enorme maioria foi porque tomaram um segundo mortgage na própria casa. São vítimas? Certamente que sim, são vítimas da dinâmica de uma bolha imobiliária. Mas como todo golpe (confidence scam), não é possível negar a parcela de culpa involuntária na entrada do mesmo.
Tudo isto que falei não tira força de parte da crítica de Moore, afinal as empresas podem eventualmente burlar leis na sua busca do lucro. O caso do seguro dead peasants é bastante emblemático (se o mesmo for realizado sem a anuência do segurado). Mas o documentário por vezes não deixa claro se o seguro foi ou não realizado com esta anuência.
No caso das grandes corporações, o que se vê é a velha mistura entre o público e o privado. O fundo de bilhões de dólares usado no resgate de vários bancos é uma contradição viva da máxima do capitalismo de competição equilibrada (sem jogo sujo). Pior ainda é contrário ao espírito do capitalismo de ganhos e perdas. Ao socializarmos a perda e privatizarmos o ganho não estamos seguindo este espírito.
Ao traçarmos um paralelo entre a competição na ecologia e nos mercados vemos que não há porque esperar que empresas perdurem indefinidamente. Mercados de oportunidade (como o de aluguel de fitas de vídeo) tem data para acabar. Já outros mercados podem até não ter data, mas certamente esquecem de componentes de sazonalidade que modificam a taxa de sucesso destes mercados.
Então, é possível esperar que após um determinado número de anos, uma empresa considerada antes como pilar de sustentação do mercado entre em colapso. O que não é possível prever é quando isto vai acontecer.
No caso dos empregados, o melhor a fazer é manter algum tipo de previdência para caso/ quando isto acontecer, todos tenham alguma forma de sustento adequada. E daí as loucuras de bolhas financeiras costumam falar mais alto do que a racionalidade financeira - e aí empresários e empregados apostos por vezes sem o colateral necessário.
Um exemplo: há diversas cenas de pessoas que perderam suas casas. Mas a enorme maioria foi porque tomaram um segundo mortgage na própria casa. São vítimas? Certamente que sim, são vítimas da dinâmica de uma bolha imobiliária. Mas como todo golpe (confidence scam), não é possível negar a parcela de culpa involuntária na entrada do mesmo.
Tudo isto que falei não tira força de parte da crítica de Moore, afinal as empresas podem eventualmente burlar leis na sua busca do lucro. O caso do seguro dead peasants é bastante emblemático (se o mesmo for realizado sem a anuência do segurado). Mas o documentário por vezes não deixa claro se o seguro foi ou não realizado com esta anuência.
No caso das grandes corporações, o que se vê é a velha mistura entre o público e o privado. O fundo de bilhões de dólares usado no resgate de vários bancos é uma contradição viva da máxima do capitalismo de competição equilibrada (sem jogo sujo). Pior ainda é contrário ao espírito do capitalismo de ganhos e perdas. Ao socializarmos a perda e privatizarmos o ganho não estamos seguindo este espírito.
Ao traçarmos um paralelo entre a competição na ecologia e nos mercados vemos que não há porque esperar que empresas perdurem indefinidamente. Mercados de oportunidade (como o de aluguel de fitas de vídeo) tem data para acabar. Já outros mercados podem até não ter data, mas certamente esquecem de componentes de sazonalidade que modificam a taxa de sucesso destes mercados.
Então, é possível esperar que após um determinado número de anos, uma empresa considerada antes como pilar de sustentação do mercado entre em colapso. O que não é possível prever é quando isto vai acontecer.
No caso dos empregados, o melhor a fazer é manter algum tipo de previdência para caso/ quando isto acontecer, todos tenham alguma forma de sustento adequada. E daí as loucuras de bolhas financeiras costumam falar mais alto do que a racionalidade financeira - e aí empresários e empregados apostos por vezes sem o colateral necessário.
domingo, 27 de março de 2011
Capitalism - a love story
O título já dá uma idéia. É o filme de Michael Moore que vi hoje. Aqui temos um pedaço do trailer.
Naturalmente, mesmo com o valor de entretenimento e crítica, o filme continua sendo uma visão do autor sobre o capitalismo. E com isto não pode ser tomado inteiramente como "a verdade".
Algo que me chamou a atenção foi a confusão entre o capitalismo e democracia. Não existe antagonismo real entre os dois. Não existe porque um é sistema econômico e outro é sistema de governo. O antagonismo é falso, e dentro do próprio filme isto é perfeitamente possível de ver.
Infelizmente, ele passa esta idéia do antagonismo ligando o sistema eleitoral a uma manipulação dos poderosos (cheios de dinheiro na concepção de Moore). Na realidade isto não é exclusivo do capitalismo e já acompanha governos já a muito tempo. No fundo é o velho problema de socializar a miséria e privatizar o lucro.
Este tipo de situação é mais comum quando o Estado ajuda interesses privados ao invés de interesses públicos (se isto soa como uma característica do Brasil, acreditem não é só aqui. Aqui temos o negócio mais descarado apenas).
E no fundo, muitas das críticas de Moore encaixam-se como uma luva na questão do público versus privado. Naturalmente temos de esquecer os tiques de teoria de conspiração, o que aconteceu beirou mesmo o desespero. E o medo vende muito bem mesmo.
Naturalmente, mesmo com o valor de entretenimento e crítica, o filme continua sendo uma visão do autor sobre o capitalismo. E com isto não pode ser tomado inteiramente como "a verdade".
Algo que me chamou a atenção foi a confusão entre o capitalismo e democracia. Não existe antagonismo real entre os dois. Não existe porque um é sistema econômico e outro é sistema de governo. O antagonismo é falso, e dentro do próprio filme isto é perfeitamente possível de ver.
Infelizmente, ele passa esta idéia do antagonismo ligando o sistema eleitoral a uma manipulação dos poderosos (cheios de dinheiro na concepção de Moore). Na realidade isto não é exclusivo do capitalismo e já acompanha governos já a muito tempo. No fundo é o velho problema de socializar a miséria e privatizar o lucro.
Este tipo de situação é mais comum quando o Estado ajuda interesses privados ao invés de interesses públicos (se isto soa como uma característica do Brasil, acreditem não é só aqui. Aqui temos o negócio mais descarado apenas).
E no fundo, muitas das críticas de Moore encaixam-se como uma luva na questão do público versus privado. Naturalmente temos de esquecer os tiques de teoria de conspiração, o que aconteceu beirou mesmo o desespero. E o medo vende muito bem mesmo.
sexta-feira, 25 de março de 2011
A solução simples, e frequentemente errada
Nesta quarta teve o julgamento no STF a respeito do ficha limpa. Sem dúvida foi um momento complicado quando a aplicação do mesmo para as eleições do ano passado foi derrubada. Mas aí esta uma lição que temos de aprender de um modo ou de outro.
A lição é simples: problemas tem em geral diversas soluções. Mas dentro destas soluções existe um conjunto que traz novos problemas sem necessariamente resolver a questão original. Normalmente, estas soluções são usadas quando não se conhece direito o problema, se procura resolver o problema errado, ou não se sabe exatamente o que a resolução do problema irá causar.
A idéia do ficha limpa é boa. Mas da forma que foi feita iria eventualmente causar mais dano do que bem. Esta é uma lição difícil de aprender, principalmente quando o benefício imediato é muito bom. E aí vem a regra: se parece muito bom então provavelmente não é.
Então sabemos que a Lei Ficha Limpa tem problemas. Como resolvê-los?
Aqui eu faço algumas sugestões:
A lição é simples: problemas tem em geral diversas soluções. Mas dentro destas soluções existe um conjunto que traz novos problemas sem necessariamente resolver a questão original. Normalmente, estas soluções são usadas quando não se conhece direito o problema, se procura resolver o problema errado, ou não se sabe exatamente o que a resolução do problema irá causar.
A idéia do ficha limpa é boa. Mas da forma que foi feita iria eventualmente causar mais dano do que bem. Esta é uma lição difícil de aprender, principalmente quando o benefício imediato é muito bom. E aí vem a regra: se parece muito bom então provavelmente não é.
Então sabemos que a Lei Ficha Limpa tem problemas. Como resolvê-los?
Aqui eu faço algumas sugestões:
- A lei não poderá revogar a vontade popular. Em termos simples, isto é a famosa decisão no tapetão. Em suma usa-se o judiciário para "consertar" os erros da vontade popular. Bem, isto não é muito democrático e simplesmente transfere o poder de decidir do eleitor para os juízes.
- A lei não pode punir algo que não era crime. Pode-se argumentar o que quiser sobre o ato jurídico perfeito, mas quando se tenta torcer a causalidade, temos uma série de situações que são, apropriadamente, chamada de paradoxos. E uma das características destes paradoxos é que eles tendem a destruir a construção que se deseja preservar (como defender a consistência de uma lei se ela vale para antes de ter sido criada?)
- A lei não pode punir sem julgamento. A definição de um ficha suja tem que ser absolutamente clara e transparente não só para sociedade, mas para o conjunto de regras de chamamos de Leis. Se esta definição for estabelecida por um grupo de representatividade limitada, então qualquer pode ser um ficha suja dependendo do grupo que o julgar.
- A primeira delas é que a Lei tem de satisfazer a vontade popular. Logo não pode ser usada para cassar políticos após a eleição. Ela só deve ser usada como critério para permitir a inscrição de políticos ao pleito. Assim, o político que não satisfaz os critérios do Ficha Limpa não pode ter sua inscrição homologada.
- A segunda delas é que a Lei tem que satisfazer a causalidade. Não se pode impedir a inscrição de alguém que realizou algum ato que era perfeitamente lícito na época que aconteceu e depois passou a ser ilícito por lei posterior. Este é o tipo de estrada que desagua na arbitrariedade.
- A terceira delas é que a Lei tem que satisfazer o direito a ampla defesa. Ou seja, só vale para casos que são considerados crimes julgados. Não basta só que o candidato tenha renunciado para escapar de um julgamento anterior. A solução é que na existência de uma denúncia formal, a renúncia deveria desqualificar o candidato até que fosse julgada a pertinência da denúncia (algo não dissimilar ao julgamento in absentia).
quinta-feira, 24 de março de 2011
Alunos da Faculdade do Gama pedem para resolver o problema
Vocês estão vendo aos alunos da FGA ocupando a reitoria por conta dos atrasos na demora da entrega do campos. E por conta disso mesmo, resolvi incluir um pequeno comentário de Max Gehringer que tem alguma pertinência com a situação.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Notícia Maluca
Eu tenho minhas reclamações com as notícias da SECOM, mas esta aqui bateu o recorde:
Na UnB Ceilândia, os alunos também realizam assembleia sobre a conclusão de sua sede definitiva. Prevista para ser entregue em abril, a construção é de responsabilidade da Novacap. Sem o novo prédio, algumas disciplinas optativas e de laboratórios não podem ser ofertadas. As aulas já começaram e acontecem normalmente
Alguém me explique como fazer sentido desta notícia. Algumas disciplinas optativas e laboratórios não podem ser ofertados, mas as aulas já começaram e acontecem normalmente?
Exatamente qual é o sentido de normal que foi utilizado na sentença?
Na UnB Ceilândia, os alunos também realizam assembleia sobre a conclusão de sua sede definitiva. Prevista para ser entregue em abril, a construção é de responsabilidade da Novacap. Sem o novo prédio, algumas disciplinas optativas e de laboratórios não podem ser ofertadas. As aulas já começaram e acontecem normalmente
Alguém me explique como fazer sentido desta notícia. Algumas disciplinas optativas e laboratórios não podem ser ofertados, mas as aulas já começaram e acontecem normalmente?
Exatamente qual é o sentido de normal que foi utilizado na sentença?
Papel guardado na gaveta
Já me disseram várias vezes que objetos guardados por muito tempo indicam o grau de sua inutilidade. Bem, eu não concordo muito com isso, mas devo dizer que em termos de informática um arquivo com mais de 2 anos sem acesso muito provavelmente não serve para nada.
E isto me leva a dois pontos: ontem resolvi apagar uma conta que não acessava fazia pelo menos 2 anos. Eu nem fazia idéia dos arquivos que lá estavam. E além do mais, eu tinha acabado de fazer backup. Bem, neste ponto eu tenho que informar algo: no mesmo computador eu tinha outra conta que acessava bastante, não havia nenhum dia que eu não fizesse login.
Pois bem, evidentemente eu apaguei a conta errada.
Felizmente lembrei que havia feito o backup e com isto o problema real era apenas os programas que porventura eu tivesse instalado naquela conta apenas. Bem, depois de racionalizar um pouco eu vi que não havia razão para pânico.
Mas isto me deixou pensando em alguma práticas boas que fiz naquela conta. A mais interessante é que eu não guardava nada na pasta privada, mas na pasta pública. Eu sei que isto torna tudo um pouco mais inseguro, mas definitivamente é uma forma de alívio caso precise acessar o material de outra conta.
O que me leva ao segundo ponto: há práticas que podem ser seguidas de forma a evitar a perda dos dados. A primeira dela é redundância (backups). Mas a mais importante delas é o uso.
Sim, pois se não usarmos então realmente não nos interessa (pode interessar a outros, mas certamente não é nossa prioridade). E a menos que sejamos muito organizados, em pouco tempo não saberemos sequer para que servia aquela informação.
Cada diretório deveria ter uma explicação sobre o que são os arquivos naquele diretório. Ou seja, algo que fosse composto por uma lista descrevendo algumas funcionalidades. Está complicado demais? Que tal desenvolver TAGS para os arquivos? Se os arquivos tem TAGS fica mais fácil de identifica-los.
Naturalmente, todas as alternativas para se evitar a obsolecência de arquivos guardados em computadores envolve alguma dose de trabalho NA CRIAÇÃO DO ARQUIVO.
Pena que somos, na maioria, muito preguiçosos
E isto me leva a dois pontos: ontem resolvi apagar uma conta que não acessava fazia pelo menos 2 anos. Eu nem fazia idéia dos arquivos que lá estavam. E além do mais, eu tinha acabado de fazer backup. Bem, neste ponto eu tenho que informar algo: no mesmo computador eu tinha outra conta que acessava bastante, não havia nenhum dia que eu não fizesse login.
Pois bem, evidentemente eu apaguei a conta errada.
Felizmente lembrei que havia feito o backup e com isto o problema real era apenas os programas que porventura eu tivesse instalado naquela conta apenas. Bem, depois de racionalizar um pouco eu vi que não havia razão para pânico.
Mas isto me deixou pensando em alguma práticas boas que fiz naquela conta. A mais interessante é que eu não guardava nada na pasta privada, mas na pasta pública. Eu sei que isto torna tudo um pouco mais inseguro, mas definitivamente é uma forma de alívio caso precise acessar o material de outra conta.
O que me leva ao segundo ponto: há práticas que podem ser seguidas de forma a evitar a perda dos dados. A primeira dela é redundância (backups). Mas a mais importante delas é o uso.
Sim, pois se não usarmos então realmente não nos interessa (pode interessar a outros, mas certamente não é nossa prioridade). E a menos que sejamos muito organizados, em pouco tempo não saberemos sequer para que servia aquela informação.
Cada diretório deveria ter uma explicação sobre o que são os arquivos naquele diretório. Ou seja, algo que fosse composto por uma lista descrevendo algumas funcionalidades. Está complicado demais? Que tal desenvolver TAGS para os arquivos? Se os arquivos tem TAGS fica mais fácil de identifica-los.
Naturalmente, todas as alternativas para se evitar a obsolecência de arquivos guardados em computadores envolve alguma dose de trabalho NA CRIAÇÃO DO ARQUIVO.
Pena que somos, na maioria, muito preguiçosos
terça-feira, 22 de março de 2011
Uma época de iluminação
Acredito que vivemos hoje uma época de iluminação. Não pela clareza dos eventos, mas pela contradição de suas interpretação. Paradoxal? Nem tanto...
Pense da seguinte forma: alguém dá uma interpretação para um evento mundial (histórico de preferência - como as revoltas na Líbia). Daí poucos dias depois, há determinado desenvolvimento que contradiz de modo inequívoco a interpretação oferecida anteriormente.
Ao confrontarmos o "interpretador" com a realidade vemos: contemporização, auto-engano, má-fé ou a velha e boa estupidez.
Vamos ao caso da Líbia. Temos gente favorável à intervenção e contrário a intervenção. Mas sabe que grande parte dos dois lados é contra o Kadafi? Yep, mesmo o pessoal contra intervenção é contra Kadafi na sua maioria.
Mas então qual é a proposta deles? Que a queda de Kadafi seja fruto exclusivo da revolta popular - sem auxílio do potências estrangeiras. Mas o problema é que isto não estava acontecendo, Kadafi estava esmagando a revolta (possivelmente matando os rebeldes).
E aí? Como ficam? Ao defender a inação, defende-se o tirano? E os exemplos aonde a inação levou à morte de muita gente (Darfur e Ruanda vem logo à memória). Então inação levará parte da população à morte.
Mas a coisa fica mais interessante: uma ação também deve levar parte da população à morte. Isso sem falar na questão da resolução da ONU (que é completamente maluca - praticamente toma partido em problemas internos da Líbia.
Mas isto não impediu que os tolos de plantão fizessem suas análise tolas.
Só que a pergunta realmente importante é: qual é o caminho do menor mal?
Eu não sei a resposta
Pense da seguinte forma: alguém dá uma interpretação para um evento mundial (histórico de preferência - como as revoltas na Líbia). Daí poucos dias depois, há determinado desenvolvimento que contradiz de modo inequívoco a interpretação oferecida anteriormente.
Ao confrontarmos o "interpretador" com a realidade vemos: contemporização, auto-engano, má-fé ou a velha e boa estupidez.
Vamos ao caso da Líbia. Temos gente favorável à intervenção e contrário a intervenção. Mas sabe que grande parte dos dois lados é contra o Kadafi? Yep, mesmo o pessoal contra intervenção é contra Kadafi na sua maioria.
Mas então qual é a proposta deles? Que a queda de Kadafi seja fruto exclusivo da revolta popular - sem auxílio do potências estrangeiras. Mas o problema é que isto não estava acontecendo, Kadafi estava esmagando a revolta (possivelmente matando os rebeldes).
E aí? Como ficam? Ao defender a inação, defende-se o tirano? E os exemplos aonde a inação levou à morte de muita gente (Darfur e Ruanda vem logo à memória). Então inação levará parte da população à morte.
Mas a coisa fica mais interessante: uma ação também deve levar parte da população à morte. Isso sem falar na questão da resolução da ONU (que é completamente maluca - praticamente toma partido em problemas internos da Líbia.
Mas isto não impediu que os tolos de plantão fizessem suas análise tolas.
Só que a pergunta realmente importante é: qual é o caminho do menor mal?
Eu não sei a resposta
domingo, 20 de março de 2011
Sétima Sinfonia de Beethoven - Segundo Movimento
| beethoven-7th-symphony-2nd-mvmt-allegretto.1187106405.mp3 | ||
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Green Onions - Booker T. & the MG's
| Booker T. & The MG's - Green Onions .mp3 | ||
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| Found at bee mp3 search engine |
quinta-feira, 17 de março de 2011
Reclamações na Telefonia Celular
Todos falam que a campeão de reclamações é a telefonia celular. Isto é absolutamente verdadeiro e ao mesmo tempo não conta toda a história.
Dependendo de como fazemos os cálculos a telefonia celular pode ficar muito ruim ou muito boa. Como é possível? Bem, nos dados brutos não há menor dúvida: telefonia celular é realmente a líder de reclamações.
No anuário do Procon de SP temos:
Então não há margens para dúvidas, certo?
Beemmm, depende... Se olharmos a base de consumidores envolvida veremos que de repente o ranking nacional passa a ter outro significado. Temos que o número passa a ser
Dependendo de como fazemos os cálculos a telefonia celular pode ficar muito ruim ou muito boa. Como é possível? Bem, nos dados brutos não há menor dúvida: telefonia celular é realmente a líder de reclamações.
No anuário do Procon de SP temos:
- Telefônica (Fixo)- com 3134 reclamações
- Claro - com 925 reclamações
- Eletropaulo - com 863 reclamações
- Net - com 692 reclamações
- Oi - com 665 reclamações
- TIM - com 574 reclamações
Então não há margens para dúvidas, certo?
Beemmm, depende... Se olharmos a base de consumidores envolvida veremos que de repente o ranking nacional passa a ter outro significado. Temos que o número passa a ser
- TIM - 4.59 reclamações a cada 100 mil aparelhos
- Oi - 8.40 reclamações a cada 100 mil aparelhos
- Claro - 6.26 reclamações a cada 100 mil aparelhos
- Vivo - 1.54 reclamações a cada 100 mil aparelhos
Mais de Jaqueline
Não, não estou defendendo o que ela fez. Estou mostrando o que realmente está acontecendo. Em notícia hoje, o integrante do Conselho de Ética da Câmara afirmou:
- Ética não Caduca!
Certíssimo. Mas vamos ao momento "atire a primeira pedra"? Pois bem, o autor da frase deputado Assis Carvalho deveria lembrar que ele mesmo andou mentindo - e sendo descoberto.
Como?
Ora, ele afirmou que não há inquérito policial do STF aonde ele é acusado de suposta prática de delito.
Veja o que ele disse:
Infelizmente, ele mentiu.

Um pequeno adendo: naturalmente, o deputado pode muito bem ser totalmente inocente de todas as acusações. O ponto aqui é que ele deveria saber que não se deve julgar antes de conhecer todos os fatos - ou pelo menos um conjunto razoável dos mesmos.
Posar como guardião da moralidade é complicado quando existe alguma sombra sobre o manto da ética, a qual poderia ser facilmente ser confundida com uma mancha verdadeira.
E, vejam só, nem falei da questão que o partido dele também tem manchas verdadeira no próprio manto.
- Ética não Caduca!
Certíssimo. Mas vamos ao momento "atire a primeira pedra"? Pois bem, o autor da frase deputado Assis Carvalho deveria lembrar que ele mesmo andou mentindo - e sendo descoberto.
Como?
Ora, ele afirmou que não há inquérito policial do STF aonde ele é acusado de suposta prática de delito.
Veja o que ele disse:
Nunca houve, quando da gestão do deputado Assis Carvalho, qualquer forma de apropriação indébita previdenciária. O próprio INSS, em despacho do Processo 10384.007561/2008-91, isentou o gestor Assis Carvalho de qualquer responsabilidade, com base nas leis 11.941/09 e 12.024/09. A consulta ao processo, em caso de dúvida, pode ser feita na Secretaria da Receita Federal.
Não existe qualquer processo no STF contra o deputado Assis Carvalho, mas tão somente um pedido do Ministério Público Federal àquela corte para que pudesse investigar suposta irregularidade, tendo em vista que o deputado tem foro privilegiado.
Por fim, não há motivo para investigação por parte do Ministério Público Federal, considerando ser esta matéria superada e inclusive arquivada no INSS. Desta feita, o deputado Assis Carvalho, por meio de sua assessoria jurídica tomará as devidas providências a fim de extinguir tal procedimento investigatório.
Infelizmente, ele mentiu.
Um pequeno adendo: naturalmente, o deputado pode muito bem ser totalmente inocente de todas as acusações. O ponto aqui é que ele deveria saber que não se deve julgar antes de conhecer todos os fatos - ou pelo menos um conjunto razoável dos mesmos.
Posar como guardião da moralidade é complicado quando existe alguma sombra sobre o manto da ética, a qual poderia ser facilmente ser confundida com uma mancha verdadeira.
E, vejam só, nem falei da questão que o partido dele também tem manchas verdadeira no próprio manto.
O elefante na sala
Ao ler sobre as aventuras de Durval Barbosa e Jaqueline Roriz não posso deixar de pensar no óbvio. A própria promotoria parece que acordou de sua letargia. O vídeo de Jaqueline e o mais recente com o próprio Durval deixam claro o uso dos mesmos com finalidades de extorsão.
Podem ver aqui mesmo
E daí?
Bem, a divulgação destes dois últimos vídeos indicam duas coisas:
E aí fica configurado o seguinte quadro: O interesse dos envolvidos aqui não é resolver o problema e punir os culpados, mas alavancar seus próprios interesses não importando que regras sejam quebradas.
Em outras palavras: não há mocinhos
Podem ver aqui mesmo
E daí?
Bem, a divulgação destes dois últimos vídeos indicam duas coisas:
- A promotoria e a PF não possuem controle nenhum sobre os mesmo. Ou na pior hipótese: são cúmplices de Durval Barbosa
- O esquema de extorsão continua funcionando, bem como o uso político das fitas. Como a gravação de Jaqueline é de 2006 não há desculpas sem inclusão de má-fé para vazamento depois da posse ao invés de em conjunto com as demais gravações
E aí fica configurado o seguinte quadro: O interesse dos envolvidos aqui não é resolver o problema e punir os culpados, mas alavancar seus próprios interesses não importando que regras sejam quebradas.
Em outras palavras: não há mocinhos
terça-feira, 15 de março de 2011
sábado, 12 de março de 2011
Os acidentes de Carnaval - Probabilidades
Sob a ótica da probabilidade, as chances de vítimas fatais em acidentes não mudaram muito desde 2003. A média fica em torno de 1 vítima fatal a cada 18 acidentes:
A média dá 1 a cada 18.83. Se dividirmos o número total de acidentes pelo número total de vítimas chegamos a 1 a cada 18.72. Se fizermos o cálculo de 2003 a 2010 chegamos a 18.55 e de 2003 a 2009 chegamos a 1 a cada 17.93.
Então podemos assumir que as chances de 1 vítima fatal a cada 18 acidentes são mais ou menos constantes (Talvez 10 a cada 185 fosse melhor, mas a aproximação é razoável).
E com relação a frota? O número é próximo de 1 acidente a cada 18 mil veículos (o que dá para o Carnaval 1 vítima fatal a cada 340 mil veículos).. Mas há mais informações no Portal do Trânsito.
- 2003 - 1 a cada 21.6569
- 2004 - 1 a cada 16.0544
- 2005 - 1 a cada 14.3446
- 2006 - 1 a cada 17.7460
- 2007 - 1 a cada 16.2621
- 2008 - 1 a cada 18.7188
- 2009 - 1 a cada 22.5591
- 2010 - 1 a cada 22.6084
- 2011 - 1 a cada 19.5540
A média dá 1 a cada 18.83. Se dividirmos o número total de acidentes pelo número total de vítimas chegamos a 1 a cada 18.72. Se fizermos o cálculo de 2003 a 2010 chegamos a 18.55 e de 2003 a 2009 chegamos a 1 a cada 17.93.
Então podemos assumir que as chances de 1 vítima fatal a cada 18 acidentes são mais ou menos constantes (Talvez 10 a cada 185 fosse melhor, mas a aproximação é razoável).
E com relação a frota? O número é próximo de 1 acidente a cada 18 mil veículos (o que dá para o Carnaval 1 vítima fatal a cada 340 mil veículos).. Mas há mais informações no Portal do Trânsito.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Os acidentes de Carnaval - histórico
Como todos feriados mais longos no Brasil, o Carnaval apresenta a tendência de aumento no número de vítimas fatais durante sua ocorrência
Graças a internet, podemos ver como a coisa vem evoluindo:
Graças a internet, podemos ver como a coisa vem evoluindo:
- Em 2003 tivemos 2209 acidentes com 102 mortos
- Em 2004 tivemos 2360 acidentes com 147 mortos
- Em 2005 tivemos 2123 acidentes com 148 mortos
- Em 2006 tivemos 2236 acidentes com 126 mortos
- Em 2007 tivemos 2358 acidentes com 145 mortos
- Em 2008 tivemos 2396 acidentes com 128 mortos
- Em 2009 tivemos 2865 acidentes com 127 mortos
- Em 2010 tivemos 3233 acidentes com 143 mortos
- Em 2011 tivemos 4165 acidentes com 213 mortos
Notaram algo? Não? Vamos tentar calcular o coeficiente de correlação entre o número de acidentes e o número de mortos. O resultado é 0.785 - o que indica forte correlação. Mas a reta que descreve esta relação é dada por: número de vítimas = 0.0358 * número de acidentes + 46.96.
E aí a coisa começa a ficar estranha: se o número de acidentes for zero ainda teremos 47 vítimas? Certamente que não. Este problema é de modelagem. Se excluirmos o ano de 2011 teremos uma nova correlação: 0.1734. Esta correlação é baixa, que leva a uma equação bem diferente: número de vítimas = 0.0072 * número de acidentes + 115.49. Se excluirmos 2011 e 2010 a coisa fica ainda mais curiosa: o coeficiente de reflexão passa a ser negativo e igual a -0.0506. Isto para todos efeitos prático significa ausência de correlação. E a equação passa a ser: número de vítimas = -0.0034 * número de acidentes + 140.01.
Este é um indicador que pelo menos até 2009 o aumento no número de acidentes não causava necessariamente o aumento no número de vítimas. Ou seja, o número era mais ou menos estável. Este tipo de análise indica claramente que há mais fatores envolvendo ou favorecendo a ocorrência de vítimas fatais.
Qual seriam os outros parâmetros? Frota de veículos? Se relacionarmos a frota com o número de acidentes veremos uma curva quase quadrática. Então temos um relacionamento entre o número de acidentes e o número de veículos. Mas já quanto ao número de vítimas a coisa não é tão simples. A frota pode ser vista aqui:
- 2003 - 36090450
- 2004 - 37249677
- 2005 - 39858284
- 2006 - 42810617
- 2007 - 46256874
- 2008 - 50754344
- 2009 - 55567617
- 2010 - 60583473
- 2011 - 64817974 (dezembro de 2010)
Talvez haja mais nesse modelo. Talvez exista um ponto de corte aonde um novo regime passa a ocorrer. Isto é difícil de ver aqui.
quarta-feira, 9 de março de 2011
Crédito, Custos e Capitalismo - o grande X da questão
Conforme já mencionei em outros posts anteriores, há certos elementos da sociedade que não aparecem na análise de "O Capital". Mas um elemento cuja ausência salta a vista é o crédito.
O crédito é central ao modelo capitalista. Mais ainda, o crédito barato é central ao modo capitalista. O fato é que a disponibilidade de recursos baratos para empreitadas é literalmente o cerne da coisa.
Vamos a um exemplo simples: vamos dizer que você precisa comprar um carro. Se seu salário é de R$ 3.000,00 e o carro custa R$ 16.000,00, então claramente você tem um problema. Como resolvê-lo? Há duas possibilidades: ou você economiza ou pede o dinheiro emprestado. Se economizar, dependendo dos seus gastos necessários, você pode comprar o carro em alguns meses/anos.
Vamos dizer que você economize e que dos R$ 3.000,00 você pode guardar R$ 1.000,00 por mês. Vamos supor ainda que ao economizar você ganhe um retorno de 1% para cada mês que você economizou. Então a seqüência é a seguinte:
Então em 15 meses, você teria recursos suficientes para comprar o carro. Muito bem, esta é a primeira opção. Vamos a segunda, você pega um empréstimo de R$ 16.000,00 para comprar o carro. Evidente que o banco irá cobrar juros, mas por simplicidade vamos considerar o mesmo juro fixo de 1% ao mês. Vamos considerar que você só pode pagar também até os R$ 1.000,00 que seu orçamento suporta. Neste caso:
O crédito é central ao modelo capitalista. Mais ainda, o crédito barato é central ao modo capitalista. O fato é que a disponibilidade de recursos baratos para empreitadas é literalmente o cerne da coisa.
Vamos a um exemplo simples: vamos dizer que você precisa comprar um carro. Se seu salário é de R$ 3.000,00 e o carro custa R$ 16.000,00, então claramente você tem um problema. Como resolvê-lo? Há duas possibilidades: ou você economiza ou pede o dinheiro emprestado. Se economizar, dependendo dos seus gastos necessários, você pode comprar o carro em alguns meses/anos.
Vamos dizer que você economize e que dos R$ 3.000,00 você pode guardar R$ 1.000,00 por mês. Vamos supor ainda que ao economizar você ganhe um retorno de 1% para cada mês que você economizou. Então a seqüência é a seguinte:
- Mês 1: economizou R$ 1.000,00 - total acumulado R$ 1.000,00
- Mês 2: economizou R$ 1.000,00 - total acumulado R$ 2.010,00
- Mês 3: economizou R$ 1.000,00 - total acumulado R$ 3.030,10
- Mês 4: economizou R$ 1.000,00 - total acumulado R$ 4.060,40
- Mês 5: economizou R$ 1.000,00 - total acumulado R$ 5.100,00
- Mês 6: economizou R$ 1.000,00 - total acumulado R$ 6.152,02
- Mês 7: economizou R$ 1.000,00 - total acumulado R$ 7.213,54
- Mês 8: economizou R$ 1.000,00 - total acumulado R$ 8.285,67
- Mês 9: economizou R$ 1.000,00 - total acumulado R$ 9.368,53
- Mês 10: economizou R$ 1.000,00 - total acumulado R$ 10.462,21
- Mês 11: economizou R$ 1.000,00 - total acumulado R$ 11.566,83
- Mês 12: economizou R$ 1.000,00 - total acumulado R$ 12.682,50
- Mês 13: economizou R$ 1.000,00 - total acumulado R$ 13.809,33
- Mês 14: economizou R$ 1.000,00 - total acumulado R$ 14.947,42
- Mês 15: economizou R$ 1.000,00 - total acumulado R$ 16.096,90
Então em 15 meses, você teria recursos suficientes para comprar o carro. Muito bem, esta é a primeira opção. Vamos a segunda, você pega um empréstimo de R$ 16.000,00 para comprar o carro. Evidente que o banco irá cobrar juros, mas por simplicidade vamos considerar o mesmo juro fixo de 1% ao mês. Vamos considerar que você só pode pagar também até os R$ 1.000,00 que seu orçamento suporta. Neste caso:
- Mês 1: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 15.150,00
- Mês 2: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 14.291,50
- Mês 3: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 13.424,42
- Mês 4: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 12.548,66
- Mês 5: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 11.664,15
- Mês 6: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 10.770,79
- Mês 7: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 9.868,50
- Mês 8: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 8.957,18
- Mês 9: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 8.036,75
- Mês 10: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 7.107,12
- Mês 11: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 6.168,19
- Mês 12: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 5.219,87
- Mês 13: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 4.262,07
- Mês 14: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 3.294,69
- Mês 15: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 2.317,64
- Mês 16: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 1.330,82
- Mês 17: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 334,12
- Mês 18: economizou R$ 337,47 - faltam R$ 0,00
Portanto, o efeito foi o de pagar R$ 18.000,00 ao invés de R$ 16.000,00 - 12.5% a mais. A desvantagem é que se paga a mais do que deveria pagar se ao invés disso usássemos o método de economizar. Mas a vantagem é que o bem estará imediatamente a disposição.
Muito bem, este é o caso que o bem não irá lhe render dinheiro. Mas vamos dizer que você use este carro como taxi. E como tal ele irá render algo mensalmente (vamos supor R$ 200,00 por mês). Se você usar este valor adicional no pagamento, de repente a idéia de se comprar a crédito (pagando juro não é tão ruim assim). Veja por si mesmo, ao invés de pagarmos R$ 1.000,00 por mês, passamos a pagar R$ 1.200,00 então:
- Mês 1: economizou R$ 1.200,00 - faltam R$ 14.180,00
- Mês 2: economizou R$ 1.200,00 - faltam R$ 13.736,00
- Mês 3: economizou R$ 1.200,00 - faltam R$ 12.661,36
- Mês 4: economizou R$ 1.200,00 - faltam R$ 11.575,97
- Mês 5: economizou R$ 1.200,00 - faltam R$ 10.479,73
- Mês 6: economizou R$ 1.200,00 - faltam R$ 9.352,53
- Mês 7: economizou R$ 1.200,00 - faltam R$ 8.254,26
- Mês 8: economizou R$ 1.200,00 - faltam R$ 7.124,80
- Mês 9: economizou R$ 1.200,00 - faltam R$ 5.984,05
- Mês 10: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 4.831,89
- Mês 11: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 3.668,21
- Mês 12: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 2.492,89
- Mês 13: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 1.305,82
- Mês 14: economizou R$ 1.000,00 - faltam R$ 106,88
- Mês 15: economizou R$ 107,94 - faltam R$ 0,00
Então de repente, comprar a vista e a prazo deixam de ter diferenças significativas - tudo porque o bem que você comprou passou a render para você. Naturalmente, ao final destes 15 meses, o seu recurso disponível por mês passará de R$ 2.000,00 (lembre-se que você usava R$ 1.000,00 para pagar o banco, além do que o taxi lhe fornecia) para R$ 3.200,00 ao mês. Naturalmente, quanto maior o rendimento do negócio e quanto menor for o juro, menos tempo será necessário para pagar o banco.
Isto não estava no livro
terça-feira, 8 de março de 2011
Custos, Corrupção e Realidade - 8 bi versus 16 bi
Há uma percepção na sociedade brasileira de que o aumento dos custos de construção de obras públicas é devido a corrupção. Parte desta percepção é verdadeira, mas como tudo na realidade, parte dela é falsa.
Paralisar uma obra custa dinheiro. Isto não é causa direta de corrupção: uma paralisação por um longo tempo pode dobrar o custo de uma obra (ou mais). Se esquecermos o custo de mão de obra, equipamentos e outros fatores ponderáveis, sobra o efeito natural de desgaste que uma obra parada sofre - uma depreciação física. Dependendo do tempo que a obra ficar paralisada, a sua continuação pode acabar custando o mesmo que o início de obra nova ou até mais (pode ser necessária alguma demolição).
Então logo a primeira vista, vê-se que existe um equilíbrio entre o conceito de embargar uma obra e o conceito do uso eficiente de recursos públicos. Mas, como tudo por aqui, este problema raramente é investigado em detalhes ou sequer considerado problema (no Brasil resolver um problema não significa necessariamente encontrar e aplicar uma solução para o mesmo).
Mas esta não é a única questão. Estimar custos por si só é um esporte arriscado. Há muita dificuldade em determinar com precisão o custo de algum item. Vejamos um exemplo: a Copa de 2010 teve seus estádios custando o dobro do que inicialmente planejado. Mas isto não é nada comparado aos outros custos envolvidos. Claro que o uso dos Estádios na Copa não teriam como cobrir este custo.
Mas e outros países? Na Copa de 2006, a Alemanha investiu US$ 5 bilhões e teve um retorno aparente de US$ 12 bilhões.
O problema é que ninguém sabe direito como mensurar isto...
Dado que teremos uma Copa quase 8 anos depois da Alemanha e supondo 6% ao ano de inflação, no final de 8 anos temos cerca de US$ 8 bilhões. Isto levando em conta o que custaria na Alemanha.
No caso brasileiro não é nada a se espantar se isto ficar mais perto de US$ 16 bilhões.
Falei anteriormente da paralisação de obras e seu custo. Mas existe o outro lado da questão: acelerar uma obra também custa dinheiro. E pode muito bem custar o dobro ou mais do custo planejado.
No final das contas não há como se escapar: por incompetência, ignorância ou má-fé os custos da nossa Copa certamente serão maiores do que o esperado.
Mas não fique triste, o caso das Olimpiadas é ainda mais sério
Paralisar uma obra custa dinheiro. Isto não é causa direta de corrupção: uma paralisação por um longo tempo pode dobrar o custo de uma obra (ou mais). Se esquecermos o custo de mão de obra, equipamentos e outros fatores ponderáveis, sobra o efeito natural de desgaste que uma obra parada sofre - uma depreciação física. Dependendo do tempo que a obra ficar paralisada, a sua continuação pode acabar custando o mesmo que o início de obra nova ou até mais (pode ser necessária alguma demolição).
Então logo a primeira vista, vê-se que existe um equilíbrio entre o conceito de embargar uma obra e o conceito do uso eficiente de recursos públicos. Mas, como tudo por aqui, este problema raramente é investigado em detalhes ou sequer considerado problema (no Brasil resolver um problema não significa necessariamente encontrar e aplicar uma solução para o mesmo).
Mas esta não é a única questão. Estimar custos por si só é um esporte arriscado. Há muita dificuldade em determinar com precisão o custo de algum item. Vejamos um exemplo: a Copa de 2010 teve seus estádios custando o dobro do que inicialmente planejado. Mas isto não é nada comparado aos outros custos envolvidos. Claro que o uso dos Estádios na Copa não teriam como cobrir este custo.
Mas e outros países? Na Copa de 2006, a Alemanha investiu US$ 5 bilhões e teve um retorno aparente de US$ 12 bilhões.
O problema é que ninguém sabe direito como mensurar isto...
Dado que teremos uma Copa quase 8 anos depois da Alemanha e supondo 6% ao ano de inflação, no final de 8 anos temos cerca de US$ 8 bilhões. Isto levando em conta o que custaria na Alemanha.
No caso brasileiro não é nada a se espantar se isto ficar mais perto de US$ 16 bilhões.
Falei anteriormente da paralisação de obras e seu custo. Mas existe o outro lado da questão: acelerar uma obra também custa dinheiro. E pode muito bem custar o dobro ou mais do custo planejado.
No final das contas não há como se escapar: por incompetência, ignorância ou má-fé os custos da nossa Copa certamente serão maiores do que o esperado.
Mas não fique triste, o caso das Olimpiadas é ainda mais sério
segunda-feira, 7 de março de 2011
Teoria da Relatividade ou Teoria da Invariância?
Às vezes um nome é tudo. Pegue por exemplo o nome "Teoria da Relatividade", o que você pensa quando ouve algo assim? Que tudo é relativo?
E aí mora o problema. A Teoria da Relatividade de Einstein poderia ter muito bem se chamado Teoria da Invariância. E estaria dizendo precisamente a mesma coisa. Sabem por que? Porque um conceito central a teoria é justamente a invariância da velocidade da luz.
Yep. É isso mesmo, olhem só os postulados da Teoria da Relatividade:
Notaram que o imaginário do "relativo" não condiz muito bem com os postulados acima. Então aquela história de "tudo é relativo" é papo de quem não sabe do que está falando.
E nem vamos entrar na questão das tolices acerca do significado de que a Teoria da Evolução possui um sentido moral intrínseco.
E aí mora o problema. A Teoria da Relatividade de Einstein poderia ter muito bem se chamado Teoria da Invariância. E estaria dizendo precisamente a mesma coisa. Sabem por que? Porque um conceito central a teoria é justamente a invariância da velocidade da luz.
Yep. É isso mesmo, olhem só os postulados da Teoria da Relatividade:
- As leis que governam as mudanças de estado em quaisquer sistemas físicos tomam a mesma forma em quaisquer sistemas de coordenadas inerciais.
- A luz tem velocidade invariante igual a c em relação a qualquer sistema de coordenadas inercial.
Notaram que o imaginário do "relativo" não condiz muito bem com os postulados acima. Então aquela história de "tudo é relativo" é papo de quem não sabe do que está falando.
E nem vamos entrar na questão das tolices acerca do significado de que a Teoria da Evolução possui um sentido moral intrínseco.
Robert Cop e a Pirataria
Não há erro no título, eu realmente estou falando de Robert Cop. Ele bem que poderia ser considerado o garoto propaganda para pirataria de produtos (há sites com vários exemplos - alguns hilários)
A maioria destas imitações vêm da China. Mas este ponto é pouco relevante no contexto do problema (exceto, é claro pelo volume envolvido). O meu ponto é mais profundo: por que temos pirataria? Há muitas explicações. Mas o que está por trás da dinâmica é mais interessante: os piratas de produto existem porque há mercado para eles.
Para que desapareçam basta que este mercado seja economicamente inviável. Neste ponto é importante ressaltar que não são necessariamente ações de governo que favorecem a pirataria. Temos uma indústria por trás da mesma e não é uma coisa que possa se dizer que ninguém fazia idéia.
Não! A pirataria existe porque o mercado assim permite. Em poucas palavras, há uma série de regras no sistema que permitem que haja um mercado para produtos piratas. Estas regras podem ter sido determinadas pelos governos ou mesmo pelos participantes do mercado.
Eu suspeito que no fundo temos uma clássica situação de tentativa de monopólio sendo corroída por pessoas menos respeitadoras de regras que não condizem com o funcionamento do mercado em si. Nesta categoria temos toda uma série de produtos que acabam ficando "mais caros" do que o mercado deseja originalmente pagar.
Talvez haja questões mais profundas aí, advindas da questão dos frutos do trabalho e o que consiste no pagamento justo pelos frutos do trabalho (que não abala muito quando se fala de trabalhadores não especializados, mas causa comoções quando são de outro tipo).
No fundo a questão real é: até onde deve ir o copyright?
A maioria destas imitações vêm da China. Mas este ponto é pouco relevante no contexto do problema (exceto, é claro pelo volume envolvido). O meu ponto é mais profundo: por que temos pirataria? Há muitas explicações. Mas o que está por trás da dinâmica é mais interessante: os piratas de produto existem porque há mercado para eles.
Para que desapareçam basta que este mercado seja economicamente inviável. Neste ponto é importante ressaltar que não são necessariamente ações de governo que favorecem a pirataria. Temos uma indústria por trás da mesma e não é uma coisa que possa se dizer que ninguém fazia idéia.
Não! A pirataria existe porque o mercado assim permite. Em poucas palavras, há uma série de regras no sistema que permitem que haja um mercado para produtos piratas. Estas regras podem ter sido determinadas pelos governos ou mesmo pelos participantes do mercado.
Eu suspeito que no fundo temos uma clássica situação de tentativa de monopólio sendo corroída por pessoas menos respeitadoras de regras que não condizem com o funcionamento do mercado em si. Nesta categoria temos toda uma série de produtos que acabam ficando "mais caros" do que o mercado deseja originalmente pagar.
Talvez haja questões mais profundas aí, advindas da questão dos frutos do trabalho e o que consiste no pagamento justo pelos frutos do trabalho (que não abala muito quando se fala de trabalhadores não especializados, mas causa comoções quando são de outro tipo).
No fundo a questão real é: até onde deve ir o copyright?
O Ovo ou a Galinha, ou o dilema Tostines
O público faz a audiência ou a audiência faz o público?
Esta é uma perguntinha difícil. Olhando a internet é possível encontrar gente que afirma categoricamente que a audiência (ou sua medição) é uma forma de influenciar o público e tornar o evento mais popular.
Mas não é de modo algum tão simples assim. Primeiro que este mecanismo de realimentação é muito menos poderoso do que se imagina (você olha o Ibope regularmente?). Há realmente uma componente social nesta situação. Só que não é nada tão poderoso quanto se tentar imaginar.
Se você parar para pensar vai ver que o controle que os teóricos da conspiração afirmam existir não pode ser real (senão ficava fácil mandar as pessoas obedecerem). Mas falta de lógica nunca impediu a propagação dos maiores absurdos..
Então vamos ver: idealmente a audiência é um forma de medir quantas pessoas estão assistindo, mas segundo alguns audiências muito elevadas irão causar aumento no número de pessoas? A primeira pergunta que vem a mente é: a partir de que ponto que isto acontece?
Se a audiência é uma função do público então: aud(pub). Idealmente aud(pub) = k* pub. Mas segundo esta idéia de inter-relacionamento então temos um conjunto: aud(pub) = k*pub e pub(aud) = w*aud
Pela relação de proporcionalidade e bijeção w=1/k. No fundo a segunda relação é a função inversa da primeira:
aud(pub) = k*pub = k*w*aud -> aud = aud
Para que haja esta relação de crescimento mútuo então teríamos de ter algo além da proporcionalidade. Vamos dizer então que aud(pub) = tanh(k*pub)
Para pequenos valores de k*pub, teremos a relação linear, enquanto para valores maiores teremos uma relação mais não linear. O problema é o seguinte: se aud(pub) é um percentual da audiência, então temos dois pontos fixos para satisfazer (0 e 1). No caso quando pub=1, aud =1 e quando pub=0, aud =0
Fica fácil de ver que este tipo de relacionamento é limitante:
Se tivermos uma relação linear aud= a0+a1*pub, neste caso a0=0 e a1=1
Se a a relação for quadrática temos: aud=a0+a1*pub+a2*pub^2. De novo a0=0, mas a1+a2=1 (e este relacionamento irá determinar o restante do problema).
Na medida que a1 for mais próximo de 1, então mais próximo do caso linear estaremos.
Muito bem, então temos esta relação. Ela não satisfaz a idéia que a aferição na audiência modifica a quantidade de pessoas, mas já mostra que pode existir polarização (que pode ser facilmente corrigida utilizando uma amostragem).
Mas é possível ver que para que haja este tipo de modificação na quantidade de pessoas é necessário algum mecanismo de realimentação.
E este mecanismo eu não consigo enxergar...
Então: se alguém lhe disser que uma pesquisa altera o universo amostral pergunte: E como o universo amostral sabe desta pesquisa e o que ela disse?
Esta é uma perguntinha difícil. Olhando a internet é possível encontrar gente que afirma categoricamente que a audiência (ou sua medição) é uma forma de influenciar o público e tornar o evento mais popular.
Mas não é de modo algum tão simples assim. Primeiro que este mecanismo de realimentação é muito menos poderoso do que se imagina (você olha o Ibope regularmente?). Há realmente uma componente social nesta situação. Só que não é nada tão poderoso quanto se tentar imaginar.
Se você parar para pensar vai ver que o controle que os teóricos da conspiração afirmam existir não pode ser real (senão ficava fácil mandar as pessoas obedecerem). Mas falta de lógica nunca impediu a propagação dos maiores absurdos..
Então vamos ver: idealmente a audiência é um forma de medir quantas pessoas estão assistindo, mas segundo alguns audiências muito elevadas irão causar aumento no número de pessoas? A primeira pergunta que vem a mente é: a partir de que ponto que isto acontece?
Se a audiência é uma função do público então: aud(pub). Idealmente aud(pub) = k* pub. Mas segundo esta idéia de inter-relacionamento então temos um conjunto: aud(pub) = k*pub e pub(aud) = w*aud
Pela relação de proporcionalidade e bijeção w=1/k. No fundo a segunda relação é a função inversa da primeira:
aud(pub) = k*pub = k*w*aud -> aud = aud
Para que haja esta relação de crescimento mútuo então teríamos de ter algo além da proporcionalidade. Vamos dizer então que aud(pub) = tanh(k*pub)
Para pequenos valores de k*pub, teremos a relação linear, enquanto para valores maiores teremos uma relação mais não linear. O problema é o seguinte: se aud(pub) é um percentual da audiência, então temos dois pontos fixos para satisfazer (0 e 1). No caso quando pub=1, aud =1 e quando pub=0, aud =0
Fica fácil de ver que este tipo de relacionamento é limitante:
Se tivermos uma relação linear aud= a0+a1*pub, neste caso a0=0 e a1=1
Se a a relação for quadrática temos: aud=a0+a1*pub+a2*pub^2. De novo a0=0, mas a1+a2=1 (e este relacionamento irá determinar o restante do problema).
Na medida que a1 for mais próximo de 1, então mais próximo do caso linear estaremos.
Muito bem, então temos esta relação. Ela não satisfaz a idéia que a aferição na audiência modifica a quantidade de pessoas, mas já mostra que pode existir polarização (que pode ser facilmente corrigida utilizando uma amostragem).
Mas é possível ver que para que haja este tipo de modificação na quantidade de pessoas é necessário algum mecanismo de realimentação.
E este mecanismo eu não consigo enxergar...
Então: se alguém lhe disser que uma pesquisa altera o universo amostral pergunte: E como o universo amostral sabe desta pesquisa e o que ela disse?
terça-feira, 1 de março de 2011
O Sujeito Oculto
Este post não sobre português, mas sobre os "responsáveis por nossos problemas". Adiantando um pouco, se você quer saber os responsáveis por parte do problemas basta olhar no espelho.
É muito tentador culpar um "terceiro ator oculto" pelos problemas. Mas a culpabilidade é muito mais terrena. No fundo, este tipo de explicação é fruto da idéia do "inimigo externo", ou seja culpamos os americanos, espanhóis, portugueses, ingleses, patrões, e afins por problemas arbitrários.
Os exemplos são os mais variados e costumam ocorrer por duas razões: ignorância ou má-fé. Por vezes são criações "ad-hoc" para explicar o que não se conhece, por vezes são bodes expiatórios destinados a distrair todos dos culpados verdadeiros.
Mas qualquer que seja o caso, pode ter certeza de uma coisa: quando estes "sujeitos ocultos" surgem para "explicar" as causas do problema, eles realmente não fazem isto. Eles servem apenas como uma "face" para se atribuir culpa. Nesta triste situação, o mais importante é achar um culpado e não resolver o problema.
No fundo existe um vitimismo inerente na atribuição do "sujeito oculto". Expiamos nossas culpas em um cordeiro transformando em besta sacrificial enquanto permanecemos "puros".
No fundo é mesmo fugir de responsabilidade mesmo..
É muito tentador culpar um "terceiro ator oculto" pelos problemas. Mas a culpabilidade é muito mais terrena. No fundo, este tipo de explicação é fruto da idéia do "inimigo externo", ou seja culpamos os americanos, espanhóis, portugueses, ingleses, patrões, e afins por problemas arbitrários.
Os exemplos são os mais variados e costumam ocorrer por duas razões: ignorância ou má-fé. Por vezes são criações "ad-hoc" para explicar o que não se conhece, por vezes são bodes expiatórios destinados a distrair todos dos culpados verdadeiros.
Mas qualquer que seja o caso, pode ter certeza de uma coisa: quando estes "sujeitos ocultos" surgem para "explicar" as causas do problema, eles realmente não fazem isto. Eles servem apenas como uma "face" para se atribuir culpa. Nesta triste situação, o mais importante é achar um culpado e não resolver o problema.
No fundo existe um vitimismo inerente na atribuição do "sujeito oculto". Expiamos nossas culpas em um cordeiro transformando em besta sacrificial enquanto permanecemos "puros".
No fundo é mesmo fugir de responsabilidade mesmo..
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Mentir, mas não totalmente
Uma das características mais interessantes dos dados que temos acesso no mundo moderno é justamente como é fácil mentir falando a verdade. Um exemplo: é perfeitamente possível um gestor dar um aumento a um orgão que na realidade se traduz como redução.
Sim, pode parecer contraditório, mas é bem real. Como as despesas são divididas em diversas rubricas, é possível aumentar em uma rubrica e diminuir em outra causando uma diminuição ao invés de um aumento (ou o reverso).
Por exemplo: a rubrica de custeio é substancialmente mais usada que a rubrica de bens de capital. Pode-se aumentar a rubrica de bens de capital (dobra-la até), e diminuir a de custeio. Dependendo da diminuição do custeio, o aumento da rubrica de bens de capital pode fazer pouca diferença (e temos de lembrar que bens de capital precisam ser comprados, via de regra através de licitação e devem atender uma série de regras bastante estritas).
Este tipo de mentira, aonde se fala parte da verdade, é possivelmente a mais comum que se vê em noticiários, programas políticos, discursos e planos de metas. É primariamente uma mentira, mas uma mentira embrulhada na verdade inegável.
Então temos vários exemplos: o parlamentar é seu representante, a qualidade subiu, a qualidade caiu, a bolsa subiu, a bolsa caiu e assim vai... No caso o parlamentar é seu representante mesmo, mas a questão é se ele está atuando como tal. Em um sistema representativo, seu representante deve defender os interesses das pessoas que o colocaram lá. Se ele não faz isto, então está sendo um mau representante.
No caso da qualidade subiu ou caiu. O que subiu? É quantitativo ou qualitativo? Se é quantitativo, qual o percentual de alteração? Se é qualitativo, quantas pessoas foram consultadas? E o mais importante: como é definida esta qualidade e como se pode ter certeza da evolução histórica da mesma?
No caso da bolsa: o que caiu ou subiu é o indicador da bolsa. E o mesmo trata de uma média das diversas operações. Sem conhecer a variância (ou desvio padrão), este indicador conta muito pouco da história real do que aconteceu (foram muitas ou poucas ações? A queda ou subida foi concentrada ou distribuída?)
Todas estas afirmações são forma de contar a verdade de modo incompleto, ou seja de mentir sem estar exatamente mentindo.
Sim, pode parecer contraditório, mas é bem real. Como as despesas são divididas em diversas rubricas, é possível aumentar em uma rubrica e diminuir em outra causando uma diminuição ao invés de um aumento (ou o reverso).
Por exemplo: a rubrica de custeio é substancialmente mais usada que a rubrica de bens de capital. Pode-se aumentar a rubrica de bens de capital (dobra-la até), e diminuir a de custeio. Dependendo da diminuição do custeio, o aumento da rubrica de bens de capital pode fazer pouca diferença (e temos de lembrar que bens de capital precisam ser comprados, via de regra através de licitação e devem atender uma série de regras bastante estritas).
Este tipo de mentira, aonde se fala parte da verdade, é possivelmente a mais comum que se vê em noticiários, programas políticos, discursos e planos de metas. É primariamente uma mentira, mas uma mentira embrulhada na verdade inegável.
Então temos vários exemplos: o parlamentar é seu representante, a qualidade subiu, a qualidade caiu, a bolsa subiu, a bolsa caiu e assim vai... No caso o parlamentar é seu representante mesmo, mas a questão é se ele está atuando como tal. Em um sistema representativo, seu representante deve defender os interesses das pessoas que o colocaram lá. Se ele não faz isto, então está sendo um mau representante.
No caso da qualidade subiu ou caiu. O que subiu? É quantitativo ou qualitativo? Se é quantitativo, qual o percentual de alteração? Se é qualitativo, quantas pessoas foram consultadas? E o mais importante: como é definida esta qualidade e como se pode ter certeza da evolução histórica da mesma?
No caso da bolsa: o que caiu ou subiu é o indicador da bolsa. E o mesmo trata de uma média das diversas operações. Sem conhecer a variância (ou desvio padrão), este indicador conta muito pouco da história real do que aconteceu (foram muitas ou poucas ações? A queda ou subida foi concentrada ou distribuída?)
Todas estas afirmações são forma de contar a verdade de modo incompleto, ou seja de mentir sem estar exatamente mentindo.
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