Tivemos recentemente a Marcha da Maconha. Esta marcha levou cerca de mil a 4 mil pessoas nas ruas de São Paulo
Agora tivemos a Marcha pela Família. Esta marcha levou um número bem significativo de pessoas ao congresso e ainda entregaram um documento com 1 milhão de assinaturas contra um Projeto de Lei Complementar.
Nesse mesmo dia tivemos manifestações contrárias à marcha.
Este tipo de padrão me causa certos arrepios. Pena que muitos não entendem porque...
Este blog tem como propósito sincero esclarecer as notícias e novidades sem confundir.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
Possivelmente carcinogênico
A OMS passou a classificar o telefone celular como possivelmente carcinogênico. Mas antes de correrem para as montanhas, vale a pena saber o que é isso.
Existe muito marketing e táticas baseadas em medo na história (por incrível que pareça isto é uma tática real). Então vamos colocar a coisa na sua devida perspectiva:
"Results
The evidence was reviewed critically, and overall evaluated as being limited among users of wireless telephones for glioma and acoustic neuroma, and inadequate to draw conclusions for other types of cancers. The evidence from the occupational and environmental exposures mentioned above was similarly judged inadequate. The Working Group did not quantitate the risk; however, one study of past cell phone use (up to the year 2004), showed a 40% increased risk for gliomas in the highest category of heavy users (reported average: 30 minutes per day over a 10‐year period).
Conclusions
Dr Jonathan Samet (University of Southern California, USA), overall Chairman of the Working Group, indicated that "the evidence, while still accumulating, is strong enough to support a conclusion and the 2B classification. The conclusion means that there could be some risk, and therefore we need to keep a close watch for a link between cell phones and cancer risk." "Given the potential consequences for public health of this classification and findings," said IARC Director Christopher Wild, "it is important that additional research be conducted into the long‐term, heavy use of mobile phones. Pending the availability of such information, it is important to take pragmatic measures to reduce exposure such as hands‐free devices or texting. " The Working Group considered hundreds of scientific articles; the complete list will be published in the Monograph. It is noteworthy to mention that several recent in‐press scientific articles resulting from the Interphone study were made available to the working group shortly before it was due to convene, reflecting their acceptance for publication at that time, and were included in the evaluation. A concise report summarizing the main conclusions of the IARC Working Group and the evaluations of the carcinogenic hazard from radiofrequency electromagnetic fields (including the use of mobile telephones) will be published in The Lancet Oncology in its July 1 issue, and in a few days online"
informação sobre a classificação 2B é importante, pois nela estão os elementos considerados possivelmente carcinogênos: (000331-39-5 Caffeic acid ), (000067-66-3 Chloroform), (000050-29-3 DDT), (000078-79-5 Isoprene), (000091-20-3 Naphthalene), (007440-02-0 Nickel, metallic and alloys), (000050-06-6 Phenobarbital), (007758-01-2 Potassium bromate), (000062-55-5 Thioacetamide) e muitos outros...
Mas chamo a atenção para um Detalhe Importante, no grupo 1 encontra-se (000064-17-5 Ethanol in alcoholic beverage). Então, acho a coisa está finalmente na perspectiva apropriada, ou você vai mesmo parar de beber?
Existe muito marketing e táticas baseadas em medo na história (por incrível que pareça isto é uma tática real). Então vamos colocar a coisa na sua devida perspectiva:
"Results
The evidence was reviewed critically, and overall evaluated as being limited among users of wireless telephones for glioma and acoustic neuroma, and inadequate to draw conclusions for other types of cancers. The evidence from the occupational and environmental exposures mentioned above was similarly judged inadequate. The Working Group did not quantitate the risk; however, one study of past cell phone use (up to the year 2004), showed a 40% increased risk for gliomas in the highest category of heavy users (reported average: 30 minutes per day over a 10‐year period).
Conclusions
Dr Jonathan Samet (University of Southern California, USA), overall Chairman of the Working Group, indicated that "the evidence, while still accumulating, is strong enough to support a conclusion and the 2B classification. The conclusion means that there could be some risk, and therefore we need to keep a close watch for a link between cell phones and cancer risk." "Given the potential consequences for public health of this classification and findings," said IARC Director Christopher Wild, "it is important that additional research be conducted into the long‐term, heavy use of mobile phones. Pending the availability of such information, it is important to take pragmatic measures to reduce exposure such as hands‐free devices or texting. " The Working Group considered hundreds of scientific articles; the complete list will be published in the Monograph. It is noteworthy to mention that several recent in‐press scientific articles resulting from the Interphone study were made available to the working group shortly before it was due to convene, reflecting their acceptance for publication at that time, and were included in the evaluation. A concise report summarizing the main conclusions of the IARC Working Group and the evaluations of the carcinogenic hazard from radiofrequency electromagnetic fields (including the use of mobile telephones) will be published in The Lancet Oncology in its July 1 issue, and in a few days online"
informação sobre a classificação 2B é importante, pois nela estão os elementos considerados possivelmente carcinogênos: (000331-39-5 Caffeic acid ), (000067-66-3 Chloroform), (000050-29-3 DDT), (000078-79-5 Isoprene), (000091-20-3 Naphthalene), (007440-02-0 Nickel, metallic and alloys), (000050-06-6 Phenobarbital), (007758-01-2 Potassium bromate), (000062-55-5 Thioacetamide) e muitos outros...
Mas chamo a atenção para um Detalhe Importante, no grupo 1 encontra-se (000064-17-5 Ethanol in alcoholic beverage). Então, acho a coisa está finalmente na perspectiva apropriada, ou você vai mesmo parar de beber?
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Chutes Elegantes e Distribuições
Como já disse antes, terminei o livro Guesstimation e estou realmente impressionado com o poder do back-of-the-envelope-calculations.
Vamos a mais um exemplo: o Brasil tem cerca de 190 milhões de pessoas (190.732.694). Mas vamos aproximar por 200 milhões. Qual é o número de eleitores no país?
Bem, considerando que só pessoas acima dos 16 anos podem tirar o título eleitoral e que provavelmente pessoas acima de 65 anos não devem ter interesse em votar, basta estimar o tamanho restante da população.
Vamos colocar a estimativa de vida como 75 anos (é um pouco mais de 73, mas vamos arredondar), e o ínicio da idade para votar em 15 anos.
Então supondo uma distribuição uniforme da população de acordo com a idade temos: (75-15)/75*200
Isto dá 133 milhões de pessoas ( o número real é 135.804.433)
A grande aproximação está na uniformidade da distribuição. Esta é a surpresa...
Vamos ver o total de pessoas:
abaixo de 15 anos: 15/75*200 = 40 milhões (o valor real é próximo de 46 milhões)
Acima de 60 anos: 15/75*200 = 40 milhões (o valor real é próximo a 22 milhões)
Entre 15 e 20 anos: 5/75*200 = 13 milhões (o valor real é próximo a 17 milhões)
Entre 20 e 40 anos: 20/75*200 = 53 milhões (o valor real é próximo a 62 milhões)
Então bizarramente, a aproximação uniforme não dá resultados tão estranhos assim e parece poder ser usada com resultados na mesma ordem de magnitude.
Vamos a mais um exemplo: o Brasil tem cerca de 190 milhões de pessoas (190.732.694). Mas vamos aproximar por 200 milhões. Qual é o número de eleitores no país?
Bem, considerando que só pessoas acima dos 16 anos podem tirar o título eleitoral e que provavelmente pessoas acima de 65 anos não devem ter interesse em votar, basta estimar o tamanho restante da população.
Vamos colocar a estimativa de vida como 75 anos (é um pouco mais de 73, mas vamos arredondar), e o ínicio da idade para votar em 15 anos.
Então supondo uma distribuição uniforme da população de acordo com a idade temos: (75-15)/75*200
Isto dá 133 milhões de pessoas ( o número real é 135.804.433)
A grande aproximação está na uniformidade da distribuição. Esta é a surpresa...
Vamos ver o total de pessoas:
abaixo de 15 anos: 15/75*200 = 40 milhões (o valor real é próximo de 46 milhões)
Acima de 60 anos: 15/75*200 = 40 milhões (o valor real é próximo a 22 milhões)
Entre 15 e 20 anos: 5/75*200 = 13 milhões (o valor real é próximo a 17 milhões)
Entre 20 e 40 anos: 20/75*200 = 53 milhões (o valor real é próximo a 62 milhões)
Então bizarramente, a aproximação uniforme não dá resultados tão estranhos assim e parece poder ser usada com resultados na mesma ordem de magnitude.
Energia em Reações Químicas
Acabei de ler Guesstimation e lá estava na minha frente a resposta a uma das minhas grandes dúvidas a respeito de física: energia liberada nas reações químicas.
Pois bem, em uma reação química tal como comer comida ou queimar hidrocarbonetos, temos troca de elétrons entre átomos. Em uma reação a energia de troca de um elétrons é cerca de 1.5 eletron-Volts (eV). Isto da cerca de 3e-19 J.
Este conhecimento vem por causa do conhecimento acerca do funcionamento de baterias (as mesmas convertem energia química em energia elétrica).
Além da troca de elétrons temos de saber o número de moléculas envolvidas na reação química. No caso temos de saber o peso atômico de um mole (6e23) da substância em questão. Vamos a um exemplo:
Na gasolina podemos aproximar a composição química por um conjunto adequado de CH2. Nesse caso, a massa do carbono é 12 gramas por mole e a do hidrogênio é 1 grama por mole. Isto quer dizer que 1 kg de gasolina contém aproximadamente 70 moles.
1000/(12+2) = 71.5
Assim a energia de 1 kg de gasolina é:
70 x 6e23 x 2 x 1.5 x 3e-19 = 40e7 Joules (cerca de 40 MJ). No caso real a energia de 1 kg de gasolina é de 45 MJ. Mas considerando as aproximações realizadas (gasolina é CH2 por exemplo), temos um resultado excelente.
Este tipo de informação é interessante pois permite comparar energia de reações químicas com análogos elétricos de modo bastante direto. Um exemplo: uma pilha com 10 Ah corresponde a energia de 54 kJ.
Da mesma forma, como 1 Caloria corresponde a 4kJ, podemos estimar a energia que gastamos em 1 dia, 1 semana, 1 mês ou 1 ano de modo simples e comparar isto com gastos em outros sistemas.
Como consumimos cerca de 2 kCaloria/dia então podemos dizer que isto corresponde a 8MJ/dia (2 kCaloria/dia x 4 MJ/kCaloria). Em 1 ano isto dá praticamente 3 GJ (3e9 Joules).
Então como fazer contas de energia nesta caso.
Outro exemplo: Carvão - 12g/mol - 1000/12 = 83.3. Aproximando por 80 temos:
80 x 6e23 x 1 x 1.5 x 3e-19 = 21 MJ (razoável aproximação)
Pois bem, em uma reação química tal como comer comida ou queimar hidrocarbonetos, temos troca de elétrons entre átomos. Em uma reação a energia de troca de um elétrons é cerca de 1.5 eletron-Volts (eV). Isto da cerca de 3e-19 J.
Este conhecimento vem por causa do conhecimento acerca do funcionamento de baterias (as mesmas convertem energia química em energia elétrica).
Além da troca de elétrons temos de saber o número de moléculas envolvidas na reação química. No caso temos de saber o peso atômico de um mole (6e23) da substância em questão. Vamos a um exemplo:
Na gasolina podemos aproximar a composição química por um conjunto adequado de CH2. Nesse caso, a massa do carbono é 12 gramas por mole e a do hidrogênio é 1 grama por mole. Isto quer dizer que 1 kg de gasolina contém aproximadamente 70 moles.
1000/(12+2) = 71.5
Assim a energia de 1 kg de gasolina é:
70 x 6e23 x 2 x 1.5 x 3e-19 = 40e7 Joules (cerca de 40 MJ). No caso real a energia de 1 kg de gasolina é de 45 MJ. Mas considerando as aproximações realizadas (gasolina é CH2 por exemplo), temos um resultado excelente.
Este tipo de informação é interessante pois permite comparar energia de reações químicas com análogos elétricos de modo bastante direto. Um exemplo: uma pilha com 10 Ah corresponde a energia de 54 kJ.
Da mesma forma, como 1 Caloria corresponde a 4kJ, podemos estimar a energia que gastamos em 1 dia, 1 semana, 1 mês ou 1 ano de modo simples e comparar isto com gastos em outros sistemas.
Como consumimos cerca de 2 kCaloria/dia então podemos dizer que isto corresponde a 8MJ/dia (2 kCaloria/dia x 4 MJ/kCaloria). Em 1 ano isto dá praticamente 3 GJ (3e9 Joules).
Então como fazer contas de energia nesta caso.
- Conte quais e o número de átomos envolvidos
- Verifique qual é a massa atômica de cada envolvido (Hidrogênio 1g/mole, Carbono, 12 g/mole, oxigênio 16g/mole).
- Verifique quantos moles estão envolvidos na reação (se temos 1 kg veja quantos moles)
- Multiplique o número de moles por o valor de 1 mol pelo número de trocas de átomos por 1.5 elétrons-volts pela energia de 1 elétron-volt.
Outro exemplo: Carvão - 12g/mol - 1000/12 = 83.3. Aproximando por 80 temos:
80 x 6e23 x 1 x 1.5 x 3e-19 = 21 MJ (razoável aproximação)
domingo, 29 de maio de 2011
Paralelismo e Infinitude
Estou em um humor matemático (não no sentido Hahaha). Mas no sentido de curioso.
Fiquei pensando na afirmação "Retas paralelas se encontram no infinito"
Isto é verdade? Bem, a distancia entre duas retas paralelas permanece constante. Para que as retas se encontrem, em algum ponto esta distância deve ser zero.
Considere duas retas paralelas:
y=a*x & y=a*x+b
A distância entre estas retas é dada por:
d=sqrt((x1-x2)^2+(y1-y2)^2)
No ponto aonde elas se encontram x1=x2 e y1=y2 (ou seja os dois pontos devem coincidir). Para x1=x2 temos
y1=a*x1 & y2=a*x2+b=a*x1+b
substituindo temos:
d=sqrt((x1-x1)^2+(a*x1-a*x1-b)^2) = b
É interessante ver que está NÃO é a menor distância entre as retas. A menor distância entre as retas é b*cos(theta) aonde theta = arctan(a) (por geometria é fica mais fácil de ver).
Mas essa idéia traz a questão do ponto de encontro entre curvas. Se eu tenho uma curva g(x) e outra f(x), a distância entre elas para o mesmo x é:
d=abs(f(x)-g(x))
Se colocarmos g(x) =0 ou seja, o eixo y=0 (em duas dimensões) temos que encontrar a distância é o mesmo que encontrar o zero de f(x) - ou os pontos aonde f(x) toca (ou cruza) g(x)=0.
Note que esta notação serve para explicar o constitui uma raiz complexa. Trata-se do conjunto de coordenadas no plano complexo que faz a distância entre as duas curvas ser zero.
Fiquei pensando na afirmação "Retas paralelas se encontram no infinito"
Isto é verdade? Bem, a distancia entre duas retas paralelas permanece constante. Para que as retas se encontrem, em algum ponto esta distância deve ser zero.
Considere duas retas paralelas:
y=a*x & y=a*x+b
A distância entre estas retas é dada por:
d=sqrt((x1-x2)^2+(y1-y2)^2)
No ponto aonde elas se encontram x1=x2 e y1=y2 (ou seja os dois pontos devem coincidir). Para x1=x2 temos
y1=a*x1 & y2=a*x2+b=a*x1+b
substituindo temos:
d=sqrt((x1-x1)^2+(a*x1-a*x1-b)^2) = b
É interessante ver que está NÃO é a menor distância entre as retas. A menor distância entre as retas é b*cos(theta) aonde theta = arctan(a) (por geometria é fica mais fácil de ver).
Mas essa idéia traz a questão do ponto de encontro entre curvas. Se eu tenho uma curva g(x) e outra f(x), a distância entre elas para o mesmo x é:
d=abs(f(x)-g(x))
Se colocarmos g(x) =0 ou seja, o eixo y=0 (em duas dimensões) temos que encontrar a distância é o mesmo que encontrar o zero de f(x) - ou os pontos aonde f(x) toca (ou cruza) g(x)=0.
Note que esta notação serve para explicar o constitui uma raiz complexa. Trata-se do conjunto de coordenadas no plano complexo que faz a distância entre as duas curvas ser zero.
Perímetro sobre diâmetro
Todos conhecemos Pi? Imagino que boa parte sim. Ele é obtido da razão entre o perímetro e o diâmetro do círculo.
Mas você pode calcular a razão entre o perímetro e o diâmetro de qualquer sólido regular de N lados.
Na realidade é dada por uma fórmula simples: N* sin(Pi/N)
Segundo o conceito de limite podemos fazer N tender a infinito. Sabe qual é o resultado? Pi
Este resultado indica que um círculo nada mais é do que um polígono regular com um número infinito de lados.
Vamos só de curiosidade calcular quanto dá a razão entre o perímetro e o diâmetro de vários polígonos regulares
E assim vai.
Mas você pode calcular a razão entre o perímetro e o diâmetro de qualquer sólido regular de N lados.
Na realidade é dada por uma fórmula simples: N* sin(Pi/N)
Segundo o conceito de limite podemos fazer N tender a infinito. Sabe qual é o resultado? Pi
Este resultado indica que um círculo nada mais é do que um polígono regular com um número infinito de lados.
Vamos só de curiosidade calcular quanto dá a razão entre o perímetro e o diâmetro de vários polígonos regulares
- N=3 (triângulo) 2.598076212
- N=4 (quadrado) 2.828427124
- N=5 (pentagono) 2.938926262
- N=6 (hexagono) 3.
- N=7 (heptagono) 3.037186175
- N=8 (octogono) 3.061467460
- N=9 (eneagono) 3.078181290
- N=10 (decagono) 3.090169944
- N=100 3.141075908
- N=1000 3.141587486
- N=10000 3.141592602
- N=100000 3.141592653
- N=1000000 3.141592654
E assim vai.
sábado, 28 de maio de 2011
Argumentos Extremos e Preconceito Ideológico
Já mencionei aqui no blog sobre a questão da polêmica do livro didático. Deixando claro: o problema não é tão sério assim. Mas a coisa anda tomando rumos estranhos...
O livro fala sobre a idéia do preconceito socioliguistico. Bem, ele é real mesmo. Mas o problema é outro: o livro deveria abordar a questão de pessoas usarem "nos vai" ao invés de "nos vamos" como se ambas as formas fosse aceitáveis?
Bem... Para um livro com um público do ensino fundamental e médio, receio que esta questão deve ser evitada. O problema é que há uma série de equívocos ideológicos e lógicos que escapam ao leitor e aparentemente aos mestres que escreveram o texto.
No fundo o problema se encaixa no relativismo cultural e paradoxalmente na incapacidade de distinguir argumentos do tipo extremo (certo ou errado, sem nuances no meio). O argumento é que a população fala daquele jeito e é elitismo "impor" a chamada norma culta a eles sem explicar que o que eles falam não está errado.
Há aí dois problemas: o primeiro é do argumento extremo - o que eles falam não está errado. É o caso de falar alto e rir em um pagode não está errado, mas em uma Igreja está. Este conceito simples e familiar indica que há casos e casos - coisa que os "especialistas" parecem simplesmente ignorar.
Outro problema é o relativismo cultural: sua cultura é tão boa quanto a minha cultura - ou na sua versão mais extrema "Não existe conhecimento errado". Errado - e muito mesmo - tente fazer um paraquedas com o conhecimento "alternativo" e pular de uma torre que logo irá descobrir que realmente existe conhecimento errado.
O problema neste caso é que se imagina que "língua como construção intelectual" não esta sujeito a estas afetações mundanas de certo e errado. Errado novamente - e muito - ao se utilizar o uso culto da língua como categorização para separar pessoas (como por exemplo em um concurso público), estamos explicitamente declarando que existe sim "certo e errado" nesta "construção intelectual".
Mas isso não é o pior de tudo...
O pior de tudo é que ao adotar o lado do "não existe conhecimento errado" e "mundo em preto e branco" torna-se o elitista que se abomina. Em outras palavras: impede pessoas de melhorar sua vida em nome de preconceito ideológico.
Ou seja: segue-se o arco de Anakin Skywalker até Darth Vader.
O livro fala sobre a idéia do preconceito socioliguistico. Bem, ele é real mesmo. Mas o problema é outro: o livro deveria abordar a questão de pessoas usarem "nos vai" ao invés de "nos vamos" como se ambas as formas fosse aceitáveis?
Bem... Para um livro com um público do ensino fundamental e médio, receio que esta questão deve ser evitada. O problema é que há uma série de equívocos ideológicos e lógicos que escapam ao leitor e aparentemente aos mestres que escreveram o texto.
No fundo o problema se encaixa no relativismo cultural e paradoxalmente na incapacidade de distinguir argumentos do tipo extremo (certo ou errado, sem nuances no meio). O argumento é que a população fala daquele jeito e é elitismo "impor" a chamada norma culta a eles sem explicar que o que eles falam não está errado.
Há aí dois problemas: o primeiro é do argumento extremo - o que eles falam não está errado. É o caso de falar alto e rir em um pagode não está errado, mas em uma Igreja está. Este conceito simples e familiar indica que há casos e casos - coisa que os "especialistas" parecem simplesmente ignorar.
Outro problema é o relativismo cultural: sua cultura é tão boa quanto a minha cultura - ou na sua versão mais extrema "Não existe conhecimento errado". Errado - e muito mesmo - tente fazer um paraquedas com o conhecimento "alternativo" e pular de uma torre que logo irá descobrir que realmente existe conhecimento errado.
O problema neste caso é que se imagina que "língua como construção intelectual" não esta sujeito a estas afetações mundanas de certo e errado. Errado novamente - e muito - ao se utilizar o uso culto da língua como categorização para separar pessoas (como por exemplo em um concurso público), estamos explicitamente declarando que existe sim "certo e errado" nesta "construção intelectual".
Mas isso não é o pior de tudo...
O pior de tudo é que ao adotar o lado do "não existe conhecimento errado" e "mundo em preto e branco" torna-se o elitista que se abomina. Em outras palavras: impede pessoas de melhorar sua vida em nome de preconceito ideológico.
Ou seja: segue-se o arco de Anakin Skywalker até Darth Vader.
Queimar Ônibus faz sentido?
Vendo uma notícia no UOL sobre queima de ônibus fico pensando o que pode levar um conjunto de pessoas racionais a queimar um ônibus como forma de protesto.
"É assim mesmo, uma turba tem um comportamento irracional..." Isto é verdade (em parte), mas não conta toda a história. Depredar um ônibus pode ser atribuído a um comportamento irracional, mas depredar demanda tempo, esforço e uma certa vontade de fazer.
Já comportamentos com premeditação, como foi descrito na reportagem, indicam que a explicação da turba irracional não funciona direito. Há uma lógica na cabeça das pessoas que fizeram este ato (suspeito que ela existe em todos).
No caso de depredar ônibus velhos há uma sentido incerto, porém lógico, nisso. Afinal sob determinadas circunstâncias isto se constitui em um protesto legítimo, ainda que ilegal, sobre as condições de transporte coletivo. Não, não estou dizendo que isto é certo... Estou dizendo que não é totalmente irracional, mas não chega a ser totalmente racional.
No caso de ônibus novos, então suspeito que pode realmente existir má fé na jogada. Pode ser de companhias concorrentes de ônibus, pode ser de "militantes" que acreditam na violência como meio de obter o que desejam, podem ser diversos outros motivos...
Fica difícil dizer...
Mas a lição importante é que nem sempre um comportamento aparentemente irracional não está ligado a causas palpáveis.
E se queremos resolver problemas é necessário saber o que os causa. Do contrário, o problema pode aparecer novamente
"É assim mesmo, uma turba tem um comportamento irracional..." Isto é verdade (em parte), mas não conta toda a história. Depredar um ônibus pode ser atribuído a um comportamento irracional, mas depredar demanda tempo, esforço e uma certa vontade de fazer.
Já comportamentos com premeditação, como foi descrito na reportagem, indicam que a explicação da turba irracional não funciona direito. Há uma lógica na cabeça das pessoas que fizeram este ato (suspeito que ela existe em todos).
No caso de depredar ônibus velhos há uma sentido incerto, porém lógico, nisso. Afinal sob determinadas circunstâncias isto se constitui em um protesto legítimo, ainda que ilegal, sobre as condições de transporte coletivo. Não, não estou dizendo que isto é certo... Estou dizendo que não é totalmente irracional, mas não chega a ser totalmente racional.
No caso de ônibus novos, então suspeito que pode realmente existir má fé na jogada. Pode ser de companhias concorrentes de ônibus, pode ser de "militantes" que acreditam na violência como meio de obter o que desejam, podem ser diversos outros motivos...
Fica difícil dizer...
Mas a lição importante é que nem sempre um comportamento aparentemente irracional não está ligado a causas palpáveis.
E se queremos resolver problemas é necessário saber o que os causa. Do contrário, o problema pode aparecer novamente
Pequenas Pérolas do Cinema - X
Voltei a postar depois de uma semana bastante atarefada. Tive de adiar aulas por conta de reuniões e coisas afins. Mas vamos a mais uma pequena pérola do cinema. Hoje é dia do filme de terror Evil Dead.
Para uma versão mais próxima da comédia com a história praticamente igual temos Evil Dead II.
Quem estiver curioso pode ver também o último filme desta séria Evil Dead III - Army of Darkness. Mas um aviso: se o segundo é um filme horror com pitadas de comédia, o terceiro é um filme de comédia com pitadas de horror.
Para uma versão mais próxima da comédia com a história praticamente igual temos Evil Dead II.
Quem estiver curioso pode ver também o último filme desta séria Evil Dead III - Army of Darkness. Mas um aviso: se o segundo é um filme horror com pitadas de comédia, o terceiro é um filme de comédia com pitadas de horror.
domingo, 22 de maio de 2011
Não acredite em tudo que vê na internet
Caso em questão: cozinhando com o celular. Não demorou muito e surgiu o famoso vídeo sobre celulares e pipoca:
Naturalmente, quem tentou repetir o feito chegou no seguinte resultado.
Então porque não funcionou, se no vídeo o pessoal conseguiu? Simples: o pessoal nunca conseguiu fazer pipoca com celulares
O resultado seria idêntico com bananas
Não caia nessa, pois é só uma campanha de marketing que virou lenda urbana.
Naturalmente, quem tentou repetir o feito chegou no seguinte resultado.
Então porque não funcionou, se no vídeo o pessoal conseguiu? Simples: o pessoal nunca conseguiu fazer pipoca com celulares
O resultado seria idêntico com bananas
Não caia nessa, pois é só uma campanha de marketing que virou lenda urbana.
sábado, 21 de maio de 2011
Pequenas Pérolas do Cinema - IX
O filme de hoje é o drama de tribunal - And Justice for All
É Al Pacino em um dos seus melhores momentos, bem como uma crítica ácida ao sistema judiciário. Há várias cenas que valem o filme, mas deixo para cada um decidir quais são estas...
É Al Pacino em um dos seus melhores momentos, bem como uma crítica ácida ao sistema judiciário. Há várias cenas que valem o filme, mas deixo para cada um decidir quais são estas...
sexta-feira, 20 de maio de 2011
O problema da "Estatura Moral"
É o problema da hipocrisia. Peço que vejam o vídeo a seguir de Carlos Eugênio da Paz:
Deixo claro: o que ele fez é assassinato. O fato da vítima ter apoiado lado A ou B é irrelevante.
Ele apenas acha que seus crimes são justificados por uma moralidade superior. A moralidade dele e dos companheiros de guerrilha/terrorismo.
E isso não é o pior. O pior é que este tipo de ação teve como conseqüência indesejada o acirramento do conflito. Isso poderia ter sido previsto na idéia de soma de todas as probabilidades.
Estas ações acabaram por contribuir para que a ditadura ficasse mais tempo ainda.
Deixo claro: o que ele fez é assassinato. O fato da vítima ter apoiado lado A ou B é irrelevante.
Ele apenas acha que seus crimes são justificados por uma moralidade superior. A moralidade dele e dos companheiros de guerrilha/terrorismo.
E isso não é o pior. O pior é que este tipo de ação teve como conseqüência indesejada o acirramento do conflito. Isso poderia ter sido previsto na idéia de soma de todas as probabilidades.
Estas ações acabaram por contribuir para que a ditadura ficasse mais tempo ainda.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Discurso Histórico de Barack Obama
Hoje tivemos um momento absolutamente histórico: visão do governo dos Estados Unidos para o Oriente Médio.
A íntegra do discurso está aqui. Mais tarde eu coloco um vídeo, se conseguir.
A íntegra do discurso está aqui. Mais tarde eu coloco um vídeo, se conseguir.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Mais sobre a Polêmica do Livro didático
Mais informações sobre a questão do livro:
E o link para o referido capítulo do livro, com a nota do site.
Adicionando o que o Ministro da Educação falou:
E o link para o referido capítulo do livro, com a nota do site.
Adicionando o que o Ministro da Educação falou:
A polêmica do livro didático
Esta semana temos mais uma nova polêmica: um livro didático que usa chamada "norma popular da língua portuguesa".
Sabe o que vi da discussão? Poucos efetivamente leram o livro. Eu incluindo...
Então no interesse de melhorar a formação de opinião, eu coloco aqui um dos trechos que anda causando a polêmica.
Minha opinião? O livro não está fazendo este estrago todo. Mas se fizesse estaria completamente errado. Ensinar errado é atrapalhar - mas o livro não ensina propriamente errado, apenas mostra que existe uma diferença entre a norma culta e a popular.
Sim, há um dedinho de preconceito ideológico nesta idéia. Mas juro que não é meu...
Sabe o que vi da discussão? Poucos efetivamente leram o livro. Eu incluindo...
Então no interesse de melhorar a formação de opinião, eu coloco aqui um dos trechos que anda causando a polêmica.
Minha opinião? O livro não está fazendo este estrago todo. Mas se fizesse estaria completamente errado. Ensinar errado é atrapalhar - mas o livro não ensina propriamente errado, apenas mostra que existe uma diferença entre a norma culta e a popular.
Sim, há um dedinho de preconceito ideológico nesta idéia. Mas juro que não é meu...
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Vale a pena limitar mandatos de deputados ou senadores?
Hoje vi no Correio Brasiliense uma proposta popular com o intuito de limitar o número de mandatos dos parlamentares. A idéia seria evitar o político profissional.
Isso me fez pensar...
Primeiro, porque o texto é o mesmo aonde quer que eu leia?
Segundo, qual é o tamanho do problema? Do senado cerca de 7.4% tem mais de 2 mandatos. Na câmara o número é maior: 35%. Mas suspeito que o número de deputados com vários mandatos seguem uma distribuição exponencial (ou de potência).
O texto sugere isto mesmo:
Se a regra do no máximo duas estivesse valendo, 181 deputados, 35% do total, estariam fora da legislatura. Levantamento do número de mandatos dos parlamentares em exercício realizado pelo Correio mostra que a repetição infinita do poder é regra na Câmara. O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) está na mesma cadeira há mais de 40 anos e renovou o mandato de quatro anos 11 vezes. Doze colegas do peemedebista estão na Casa desde o período de redemocratização e 54 superaram os 20 anos de mandato. No Senado, Casa em que mandatos duram oito anos, existe maior rotatividade. Da atual legislatura, seis parlamentares ou 7,4% dos 81 senadores têm mais de dois mandatos. Os mais antigos do Senado são Eduardo Suplicy (PT-SP), Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), Garibaldi Alves (PMDB-RN), com três mandatos, José Agripino (DEM-RN) e Pedro Simon (PMDB-RS), com quatro, e o recordista, José Sarney (PMDB-AP), que registra cinco mandatos
Terceiro: qual o problema que se procura corrigir? É ruim o camarada ser eleito 10 vezes? Mas ele não passa por um processo de escolha - eleição? Ou isto é um indicação de curral eleitoral?
A argumentação não tem muito sentido:
O fato é que não entendi direito qual problema esta medida planeja resolver
Exceto se a existência de políticos reeleitos continuamente constitua um problema. Mas aí tem que explicar porque político reeleito várias vezes é necessariamente ruim.
Isso me fez pensar...
Primeiro, porque o texto é o mesmo aonde quer que eu leia?
Segundo, qual é o tamanho do problema? Do senado cerca de 7.4% tem mais de 2 mandatos. Na câmara o número é maior: 35%. Mas suspeito que o número de deputados com vários mandatos seguem uma distribuição exponencial (ou de potência).
O texto sugere isto mesmo:
Se a regra do no máximo duas estivesse valendo, 181 deputados, 35% do total, estariam fora da legislatura. Levantamento do número de mandatos dos parlamentares em exercício realizado pelo Correio mostra que a repetição infinita do poder é regra na Câmara. O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) está na mesma cadeira há mais de 40 anos e renovou o mandato de quatro anos 11 vezes. Doze colegas do peemedebista estão na Casa desde o período de redemocratização e 54 superaram os 20 anos de mandato. No Senado, Casa em que mandatos duram oito anos, existe maior rotatividade. Da atual legislatura, seis parlamentares ou 7,4% dos 81 senadores têm mais de dois mandatos. Os mais antigos do Senado são Eduardo Suplicy (PT-SP), Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), Garibaldi Alves (PMDB-RN), com três mandatos, José Agripino (DEM-RN) e Pedro Simon (PMDB-RS), com quatro, e o recordista, José Sarney (PMDB-AP), que registra cinco mandatos
Terceiro: qual o problema que se procura corrigir? É ruim o camarada ser eleito 10 vezes? Mas ele não passa por um processo de escolha - eleição? Ou isto é um indicação de curral eleitoral?
A argumentação não tem muito sentido:
O movimento por no máximo dois mandatos é uma tentativa de mobilizar a sociedade a pressionar os políticos a aceitarem a regra voluntariamente, como forma de assumir compromisso de seriedade perante os eleitores. E os parlamentares que aceitassem o compromisso do no máximo duas estariam mostrando que não veem a função política como meio de enriquecimento pessoal e poder, além de um emprego garantido, resume o manifesto do ativista.
Os movimentos sociais argumentam que a perpetuação do poder representativo é uma das distorções no sistema representativo do país. Na pauta da reforma política proposta pela sociedade, as discussões sobre financiamento público de campanha, coligações partidárias e lista fechada estão diretamente ligadas à criação de regra que vetasse o tempo infinito de permanência no Poder Legislativo. A desqualificação do Legislativo assim eleito abre então espaço para o mecanismo da compra de parlamentares para constituir as ditas maiorias, o que torna os parlamentos um lugar extremamente atrativo para pessoas com nenhuma outra intenção senão a de vender, o mais caro que puderem, seu poder de votar leis e fiscalizar o Executivo, pondera Whitaker.
Pode-se argumentar que é uma forma de minar um curral eleitoral (não é - pois aí pode entrar filho, primo, tio e etc), ou que é uma forma evitar o enriquecimento pessoal e de poder (também não é - a pressão para fazer fortuna só aumentaria diminuindo a chance de perpetuação)O fato é que não entendi direito qual problema esta medida planeja resolver
Exceto se a existência de políticos reeleitos continuamente constitua um problema. Mas aí tem que explicar porque político reeleito várias vezes é necessariamente ruim.
E a implosão falhou
Bem que se tentou, mas a implosão do Estádio Mané Garrincha falhou - duas vezes.
Ao contrário do que muitos pensam, este Estádio não foi projetado por Oscar Niemeyer, mas por Ícaro e Eduardo Castro Mello. Aliás. Eduardo é o arquiteto da reforma do Estádio.
Bem, falhas de implosão não são impossíveis. Alias é fácil encontrar algumas no Google.
Naturalmente, não fica nada bem a implosão ter falhado 2 vezes mas não é algo exatamente inédito. Eu não tenho certeza das chances de falha, mas imagino que deva ser algo menor do que 10%.
Ao contrário do que muitos pensam, este Estádio não foi projetado por Oscar Niemeyer, mas por Ícaro e Eduardo Castro Mello. Aliás. Eduardo é o arquiteto da reforma do Estádio.
Bem, falhas de implosão não são impossíveis. Alias é fácil encontrar algumas no Google.
Naturalmente, não fica nada bem a implosão ter falhado 2 vezes mas não é algo exatamente inédito. Eu não tenho certeza das chances de falha, mas imagino que deva ser algo menor do que 10%.
domingo, 15 de maio de 2011
Da minha infância - Cometa atinge Phoenix
É de 1978 - A Fire in the Sky. Pelos padrões de hoje não é nada impressionante, mas eu ainda me lembro de ver este filme na TV Globo.
Hoje é praticamente impossível de encontrar.
Hoje é praticamente impossível de encontrar.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
E o Blogger apagou meus últimos posts
É uma pena. O Blogger entrou em manutenção e apagou meus últimos posts: Chances e Conhecimento e Terremoto hoje na Espanha, mas e em Roma?
Não os irei postar novamente, mas esta interrupção me mostra que o serviço não é exatamente confiável. Talvez seja hora de se considerar mudar para outro serviço de blog
*******************************************************
Post-Scriptum: Voltaram os posts
Não os irei postar novamente, mas esta interrupção me mostra que o serviço não é exatamente confiável. Talvez seja hora de se considerar mudar para outro serviço de blog
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Post-Scriptum: Voltaram os posts
terça-feira, 10 de maio de 2011
Ecos do Futuro? Ou Padrões na Areia?
Fique longe de Israel em 2017 e Londres em 2021! De onde veio esse aviso? Daqui.
O thread original é de 2009 e diz:
Anonymous 10/15/09(Thu)21:32 No.2844755
Podem procurar, está lá mesmo. Alguém do futuro veio nos avisar?
Nem tanto, se olharmos o padrão teremos que em 2001 e 2004 o que ocorreram foram atentados terroristas, e em 2010 o que ocorreu em Santigo foi um terremoto. E não podemos esquecer que em termos de vítimas, os terremotos do Haiti e China no mesmo ano tiveram números mais assustadores. E nem é preciso falar que não há menção ao terremoto de 2011 no Japão.
Então, o que está acontecendo?
Estamos vendo o que queremos ver, uma ilusão de ordem, de controle, de possibilidade. Na realidade, é possível postar inúmeras mensagens anonimamente ao longo da internet com predições falsas. Dado um número muito grande tudo pode acontecer.
A melhor forma de testar isto é verificar não aonde a previsão acertou, mas aonde ela errou...
O thread original é de 2009 e diz:
Anonymous 10/15/09(Thu)21:32 No.2844755
Shortly before it shut down, the underground website Baphomet warned everyone to stay away from NYC in 2001, Madrid in 2004, Santiago in 2010, Israel in 2017 and Lodon in 2021.
It also recommended you stock up on supplies before 2022.
Podem procurar, está lá mesmo. Alguém do futuro veio nos avisar?
Nem tanto, se olharmos o padrão teremos que em 2001 e 2004 o que ocorreram foram atentados terroristas, e em 2010 o que ocorreu em Santigo foi um terremoto. E não podemos esquecer que em termos de vítimas, os terremotos do Haiti e China no mesmo ano tiveram números mais assustadores. E nem é preciso falar que não há menção ao terremoto de 2011 no Japão.
Então, o que está acontecendo?
Estamos vendo o que queremos ver, uma ilusão de ordem, de controle, de possibilidade. Na realidade, é possível postar inúmeras mensagens anonimamente ao longo da internet com predições falsas. Dado um número muito grande tudo pode acontecer.
A melhor forma de testar isto é verificar não aonde a previsão acertou, mas aonde ela errou...
sexta-feira, 6 de maio de 2011
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Entre a idéia e a realização passa um caminhão
Vi uma notícia de um sistema GPS que inclui na navegação dados relativos ao trânsito. O sistema usa sinal de FM para atualizar o estado do trânsito nas vias.
Concebi um sistema muito similar alguns anos atrás. Fiz algumas estimativas, chegando a conclusão que um sistema broadcast do tipo FM era a melhor opção mesmo considerando a alternativa SMS via canal de celular.
Mas parei por aí...
Estaria eu revoltado por ver um produto que eu mesmo imaginei ser lançado? Não, muito pelo contrário. Fico bastante contente que alguém tenha tido essa mesma idéia e levado para frente. A questão é que já passei por uma situação em que tentei levar um possível produto adiante até a comercialização.
Foi então que vi que o buraco era significativamente mais embaixo.
Esta foi uma lição definitiva no meu modo de ver como o mundo funciona. Há uma diferença muito grande entre pensar e agir, entre imaginar e realizar. Nesta diferença é que está a verdadeira inovação.
Foi também com esta realização que vi que o papel da universidade não era brincar de fábrica. A universidade pode (e deve) inovar, mas sua missão não é constituir uma empresa para explorar determinado nicho. A missão é educar, mais do que isso buscar e difundir conhecimento - e no processo formar pessoas.
Com o estudo de probabilidade também ficou claro para mim que existem oportunidades (ou chances) que podem ou não serem aproveitadas, mas não há garantias que as mesmas terão sucesso. Com o auxílio de reguladores é até bastante possível criar um determinado mercado e mesmo explora-lo de modo bem sucedido.
Mas não há garantias que esta situação seja durável (ou mesmo sustentável).
Concebi um sistema muito similar alguns anos atrás. Fiz algumas estimativas, chegando a conclusão que um sistema broadcast do tipo FM era a melhor opção mesmo considerando a alternativa SMS via canal de celular.
Mas parei por aí...
Estaria eu revoltado por ver um produto que eu mesmo imaginei ser lançado? Não, muito pelo contrário. Fico bastante contente que alguém tenha tido essa mesma idéia e levado para frente. A questão é que já passei por uma situação em que tentei levar um possível produto adiante até a comercialização.
Foi então que vi que o buraco era significativamente mais embaixo.
Esta foi uma lição definitiva no meu modo de ver como o mundo funciona. Há uma diferença muito grande entre pensar e agir, entre imaginar e realizar. Nesta diferença é que está a verdadeira inovação.
Foi também com esta realização que vi que o papel da universidade não era brincar de fábrica. A universidade pode (e deve) inovar, mas sua missão não é constituir uma empresa para explorar determinado nicho. A missão é educar, mais do que isso buscar e difundir conhecimento - e no processo formar pessoas.
Com o estudo de probabilidade também ficou claro para mim que existem oportunidades (ou chances) que podem ou não serem aproveitadas, mas não há garantias que as mesmas terão sucesso. Com o auxílio de reguladores é até bastante possível criar um determinado mercado e mesmo explora-lo de modo bem sucedido.
Mas não há garantias que esta situação seja durável (ou mesmo sustentável).
terça-feira, 3 de maio de 2011
Certo por Linhas Tortas?
O que acontece quando se usa a ferramenta errada para resolver um problema?
O que me motivou a me perguntar sobre isso? Temos esta notícia como ponto de partida. A notícia trata do trancamento de uma ação de tentativa de furto em um supermercado com vigilância eletrônica. O que me chamou a atenção foi o seguinte parágrafo:
Ao decidir, a Turma aplicou jurisprudência dela própria (firmada, entre outros, no julgamento do HC 107264, relatado pelo ministro Celso de Mello), que considera crime impossível a tentativa de furto quando os objetos almejados se encontravam sob monitoramento eletrônico constante e, também, o fato de que não chegou a haver nenhuma lesão, porque a tentativa de furto se frustrou.
Isto por si só é uma jóia do nonsense: não houve lesão pois a tentativa de furto se frustrou.
Não, não estou pregando que este tipo de delito leve a uma penalidade maior. Estou chamando a atenção que o monitoramento eletrônico frustrou o furto e por esta razão não houve lesão. Isto foi baseado em jurisprudência do tribunal. Os detalhes estão aqui.
Tentar não é crime? Talvez os valores envolvidos no crime sejam irrisórios (cerca de R$ 390,00) em comparação aos custos processuais. Mas decidir que a tentativa não é crime? Pelo que li do texto da jurisprudência anterior foi justamente o valor que determinou este curso de ação (e não exatamente o monitoramento eletrônico).
Eu entendo este tipo de raciocínio, no fundo a ação é irrisória mas aí é complicado determinar o que é irrisório (principalmente em um sistema com custos processuais crescentes). Só que desta forma usam uma justificativa (o monitoramento frustrou o delito) para resolver a questão.
E existem outros tipos de monitoramentos eletrônicos. E existem outros tipos de delitos...
O que acontece quando temos delitos mais graves frustrados por monitoramento eletrônico? E o monitoramento funciona sempre?
O que me motivou a me perguntar sobre isso? Temos esta notícia como ponto de partida. A notícia trata do trancamento de uma ação de tentativa de furto em um supermercado com vigilância eletrônica. O que me chamou a atenção foi o seguinte parágrafo:
Ao decidir, a Turma aplicou jurisprudência dela própria (firmada, entre outros, no julgamento do HC 107264, relatado pelo ministro Celso de Mello), que considera crime impossível a tentativa de furto quando os objetos almejados se encontravam sob monitoramento eletrônico constante e, também, o fato de que não chegou a haver nenhuma lesão, porque a tentativa de furto se frustrou.
Isto por si só é uma jóia do nonsense: não houve lesão pois a tentativa de furto se frustrou.
Não, não estou pregando que este tipo de delito leve a uma penalidade maior. Estou chamando a atenção que o monitoramento eletrônico frustrou o furto e por esta razão não houve lesão. Isto foi baseado em jurisprudência do tribunal. Os detalhes estão aqui.
Tentar não é crime? Talvez os valores envolvidos no crime sejam irrisórios (cerca de R$ 390,00) em comparação aos custos processuais. Mas decidir que a tentativa não é crime? Pelo que li do texto da jurisprudência anterior foi justamente o valor que determinou este curso de ação (e não exatamente o monitoramento eletrônico).
Eu entendo este tipo de raciocínio, no fundo a ação é irrisória mas aí é complicado determinar o que é irrisório (principalmente em um sistema com custos processuais crescentes). Só que desta forma usam uma justificativa (o monitoramento frustrou o delito) para resolver a questão.
E existem outros tipos de monitoramentos eletrônicos. E existem outros tipos de delitos...
O que acontece quando temos delitos mais graves frustrados por monitoramento eletrônico? E o monitoramento funciona sempre?
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Pen Drives no lugar de cadernos?
Parece uma boa idéia? Talvez, mas não agora. Em uma notícia recente:
Previsto para ser inaugurado no próximo dia 07, o Colégio Estadual Erich Walter, localizado em Santa Cruz, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, foi escolhido para ser o piloto da Escola Padrão Verde da América Latina. O projeto, que conta com painéis solares, área para reciclagem, reaproveitamento de água da chuva e pen-drives no lugar dos cadernos, foi desenvolvido pelos arquitetos da Arktos - Arquitetura Sustentável, Maria José De Mello Gerolimich e Rafael Tavares de Albuquerque.
...
Friso a parte a respeito da substituição de cadernos por pen drives. A idéia em si é boa, desde que estejamos falando do uso de sistemas do tipo tablet para leitura e escrita. Mesmo assim, o tablet em si não é uma boa forma para demandas mais ativas (quem tem um iPad pode verificar por si mesmo).
Quanto a parte de leitura, um tablet realmente pode ser bastante inovador e substituir em parte livros e apostilas. Nesta categoria eu uso o kindle. Como vantagens posso citar que o gasto de energia é muito baixo, há possibilidade de navegação na internet (restrita ainda assim) e podem ser armazenados diversos livros sem perda de qualidade. Os livros podem ser marcados, com o dicionário integrado a leitura é mais simples e há mesmo um mecanismo de busca (que não usei por enquanto).
Mas mesmo o kindle tem aplicativos para diversas plataformas.
O problema é que é um livro (ou uma forma razoável de leitura), mas daí a utiliza-lo como caderno ainda há uma longa distância. Mesmo outros tipos de tablets não se prestam muito bem a funcionar como cadernos com canetas especiais (que se perdem com facilidade). Então usa-se uma interface do tipo QWERTY (que geralmente é via tela e não teclado) como entrada.
Então, a idéia de substituir cadernos por pen drives pode ser uma daquelas idéia belissimamente estúpidas. Em nome da ecologia se complica a vida do estudante - por razões não claramente divinizadas (imagino que a questão de substituir cadernos por livro está ligada a questão do uso da celulose na fabricação de papel - sendo que no Brasil a celulose vem de plantações especiais)
Desse tipo de idéia não há falta no mundo...
Previsto para ser inaugurado no próximo dia 07, o Colégio Estadual Erich Walter, localizado em Santa Cruz, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, foi escolhido para ser o piloto da Escola Padrão Verde da América Latina. O projeto, que conta com painéis solares, área para reciclagem, reaproveitamento de água da chuva e pen-drives no lugar dos cadernos, foi desenvolvido pelos arquitetos da Arktos - Arquitetura Sustentável, Maria José De Mello Gerolimich e Rafael Tavares de Albuquerque.
...
Friso a parte a respeito da substituição de cadernos por pen drives. A idéia em si é boa, desde que estejamos falando do uso de sistemas do tipo tablet para leitura e escrita. Mesmo assim, o tablet em si não é uma boa forma para demandas mais ativas (quem tem um iPad pode verificar por si mesmo).
Quanto a parte de leitura, um tablet realmente pode ser bastante inovador e substituir em parte livros e apostilas. Nesta categoria eu uso o kindle. Como vantagens posso citar que o gasto de energia é muito baixo, há possibilidade de navegação na internet (restrita ainda assim) e podem ser armazenados diversos livros sem perda de qualidade. Os livros podem ser marcados, com o dicionário integrado a leitura é mais simples e há mesmo um mecanismo de busca (que não usei por enquanto).
Mas mesmo o kindle tem aplicativos para diversas plataformas.
O problema é que é um livro (ou uma forma razoável de leitura), mas daí a utiliza-lo como caderno ainda há uma longa distância. Mesmo outros tipos de tablets não se prestam muito bem a funcionar como cadernos com canetas especiais (que se perdem com facilidade). Então usa-se uma interface do tipo QWERTY (que geralmente é via tela e não teclado) como entrada.
Então, a idéia de substituir cadernos por pen drives pode ser uma daquelas idéia belissimamente estúpidas. Em nome da ecologia se complica a vida do estudante - por razões não claramente divinizadas (imagino que a questão de substituir cadernos por livro está ligada a questão do uso da celulose na fabricação de papel - sendo que no Brasil a celulose vem de plantações especiais)
Desse tipo de idéia não há falta no mundo...
domingo, 1 de maio de 2011
Distribuições Extremas e Competição
Depois de ler o livro de Taleb fiquei pensando sobe a ligação entre distribuições extremas e competição. Afinal, olhando os argumentos me parece que o sistema gaussiano iria falhar principalmente em competições aonde "o vencedor leva tudo".
Um exemplo de competição de ganhador único e totalmente aleatória é o torneio de moedas. Essencialmente, neste torneio o vencedor será aquele que acertar o maior número de lances de cara ou coroa. Para um torneio de 10 fases são necessários 1024 participantes. Vamos supor que cada um traga R$ 1,00 para o jogo. Quem ganhar leva tudo.
No final, se tivermos uma situação de "vencedor leva tudo" 1 pessoa levará R$ 1024,00 e o restante zero. Mas podemos tornar a coisa mais interessante supondo que ao invés do vencedor levar tudo que o perdedor levasse 25% do prêmio.
Assim nas rodadas teríamos
Um exemplo de competição de ganhador único e totalmente aleatória é o torneio de moedas. Essencialmente, neste torneio o vencedor será aquele que acertar o maior número de lances de cara ou coroa. Para um torneio de 10 fases são necessários 1024 participantes. Vamos supor que cada um traga R$ 1,00 para o jogo. Quem ganhar leva tudo.
No final, se tivermos uma situação de "vencedor leva tudo" 1 pessoa levará R$ 1024,00 e o restante zero. Mas podemos tornar a coisa mais interessante supondo que ao invés do vencedor levar tudo que o perdedor levasse 25% do prêmio.
Assim nas rodadas teríamos
- 512 Ganhadores com R$ 768,00 e 512 perdedores com R$ 256,00 (R$ 0,50 para cada 1)
- 256 Ganhadores com R$ 576,00 e 256 perdedores com R$ 192,00 (R$ 0,75 para cada 1)
- 128 Ganhadores com R$ 432,00 e 128 perdedores com R$ 144,00 (R$ 1,125 para cada 1)
- 64 Ganhadores com R$ 324,00 e 64 perdedores com R$ 108,00 (R$ 1,6875 para cada 1)
- 32 Ganhadores com R$ 243,00 e 32 perdedores com R$ 81,00 (R$ 2,53125 para cada 1)
- 16 Ganhadores com R$ 182,25 e 16 perdedores com R$ 60,75 (R$ 3,796875 para cada 1)
- 8 Ganhadores com R$ 136,6875 e 8 perdedores com R$ 45,5625 (R$ 5,6953 para cada 1)
- 4 Ganhadores com R$ 102,5156 e 4 perdedores com R$ 34,17188 (R$ 8,542969 para cada 1)
- 2 Ganhadores com R$ 76,88672 e 2 perdedores com R$ 25,62891 (R$ 12,81445 para cada 1)
- 1 Ganhador com R$ 57,66054 e 1 perdedor com R$ 19,22168 (R$ 19,22168 para cada 1)
Então teríamos uma distribuição a seguir
- 1 pessoa com R$ 57,66045 (total R$ 57,66045)
- 1 pessoa com R$ 19,22168 (total R$ 19,22168)
- 2 pessoas com R$ 12,81445 cada (total R$ 25,62891)
- 4 pessoas com R$ 8,542969 cada (total R$ 34,17188)
- 8 pessoas com R$ 5,6953 cada (total R$ 45,5625)
- 16 pessoas com R$ 3,796875 cada (total R$ 60,75)
- 32 pessoas com R$ 2,53125 cada (total R$ 81,00)
- 64 pessoas com R$ 1,6875 cada (total R$ 108,00)
- 128 pessoas com R$ 1,125 cada (total R$ 144,00)
- 256 pessoas com R$ 0,75 cada (total R$ 192,00)
- 512 pessoas com R$ 0,50cada (total R$ 256,00)
Isto fica mais interessante ao dividirmos as faixas pelo montante total de dinheiro, assim temos a concentração do dinheiro nas faixas
- 16 pessoas (1,5625%) com R$ 182,25 (17,7979%)
- 240 pessoas (23,4375%) com R$ 293,75 (38,4521%)
- 768 pessoas (75%) com R$ 448,00 (43,75%)
Este número pode ficar mais conhecido se dividirmos em duas faixas (25% e 75% das pessoas)
- 256 pessoas (25% do total) tem R$ 576,00 (56,25% das riquezas)
- 768 pessoas (75% do total) tem R$ 448,00 (43,75% das riquezas)
Ou seja, temos uma distribuição extrema surgindo exatamente de uma competição puramente aleatória.
sábado, 30 de abril de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
E se der errado?
Miriam Belchior disse em entrevista: "As medidas que forem necessárias nós tomaremos, mas não arriscaremos deixar de crescer. Em outros momentos da historia brasileira, em função do crescimento da inflação, se deu um remédio que matava o doente. Nós não queremos matar o doente, mas dar um remédio que faça com que ele fique são". Eu discordo desta análise
Dado o que já aconteceu antes, a troca de crescimento por inflação acaba sendo péssimo negócio. Durante o período de 1969 a 1973 o Brasil chegou a patamares de crescimento na faixa de 7% ao ano. A inflação não se fez de rogada e cresceu também.
No ano passado a inflação foi a 5,91% e o crescimento de 7,5%. No fundo há razões não ligadas diretamente ao crescimento, mas aos efeitos desse crescimento que podem tirar a inflação de controle.
Uma dessas razões é justamente o mecanismo de freio da inflação é o aumento da taxa de juro Selic. Infelizmente, a taxa de juro está ligada à dívida pública. Como 12% dos credores da dívida pública são estrangeiros, então eles podem se valer de diferenciais do câmbio e aplicações da dívida para ter lucro. Isto acontece quando o dólar está "barato".
Parece que 12% não é muito, mas o problema é que uma variação de 12% anual da dívida pública é algo na vizinhança de R$ 140 bilhões. E isto pode ser sim um problema.
Outra questão é que o crescimento trás efeitos de saturação em uma infra estrutura que não teve investimentos suficientes: aumentam o número de carros, consumo de combustíveis, compras de bens de primeira necessidade e supérfluos, bem como da capacidade de compra e subseqüente tolerância a patamares mais altos de preço.
De 2009 a 2010, o número de carros aumentou em cerca de 6 milhões (ou seja 10% do total), o que também causou um aumento no consumo de combustíveis de cerca de 8% (a gasolina teve um aumento de quase 20%). Então é de se esperar que haja problemas nessa equação.
No ano de 2010 foram vendidos cerca de 118 milhões de metros cúbicos de combustível (cada metro cúbico tem 1000 litros). Dividindo este valor pelo tamanho da frota de aproximadamente 65 milhões de veículos temos cerca de 1.815 metro cúbico (ou 1815 litros) por veículo.
Em 2009 foram 109 milhões de metros cúbicos. Dividindo-se este valor pela frota de 59 milhões temos 1847 litros por veículo. Se considerarmos os arredondamentos teremos cerca de 1800 litros por ano para cada veículo adicional incluído na frota.
Infelizmente, aumentar a frota em também implica em aumentar o consumo. E a relação em si não é simples devido ao fato que ao falarmos de combustíveis estamos incluindo todos em um balaio de gato - não é apenas o caso da gasolina.
Como aumento na demanda de combustíveis, carros e etc causam necessidade de outros aumentos, as chances são de crescimento inflacionário
E isto é pode ser um grande problema.
Dado o que já aconteceu antes, a troca de crescimento por inflação acaba sendo péssimo negócio. Durante o período de 1969 a 1973 o Brasil chegou a patamares de crescimento na faixa de 7% ao ano. A inflação não se fez de rogada e cresceu também.
No ano passado a inflação foi a 5,91% e o crescimento de 7,5%. No fundo há razões não ligadas diretamente ao crescimento, mas aos efeitos desse crescimento que podem tirar a inflação de controle.
Uma dessas razões é justamente o mecanismo de freio da inflação é o aumento da taxa de juro Selic. Infelizmente, a taxa de juro está ligada à dívida pública. Como 12% dos credores da dívida pública são estrangeiros, então eles podem se valer de diferenciais do câmbio e aplicações da dívida para ter lucro. Isto acontece quando o dólar está "barato".
Parece que 12% não é muito, mas o problema é que uma variação de 12% anual da dívida pública é algo na vizinhança de R$ 140 bilhões. E isto pode ser sim um problema.
Outra questão é que o crescimento trás efeitos de saturação em uma infra estrutura que não teve investimentos suficientes: aumentam o número de carros, consumo de combustíveis, compras de bens de primeira necessidade e supérfluos, bem como da capacidade de compra e subseqüente tolerância a patamares mais altos de preço.
De 2009 a 2010, o número de carros aumentou em cerca de 6 milhões (ou seja 10% do total), o que também causou um aumento no consumo de combustíveis de cerca de 8% (a gasolina teve um aumento de quase 20%). Então é de se esperar que haja problemas nessa equação.
No ano de 2010 foram vendidos cerca de 118 milhões de metros cúbicos de combustível (cada metro cúbico tem 1000 litros). Dividindo este valor pelo tamanho da frota de aproximadamente 65 milhões de veículos temos cerca de 1.815 metro cúbico (ou 1815 litros) por veículo.
Em 2009 foram 109 milhões de metros cúbicos. Dividindo-se este valor pela frota de 59 milhões temos 1847 litros por veículo. Se considerarmos os arredondamentos teremos cerca de 1800 litros por ano para cada veículo adicional incluído na frota.
Infelizmente, aumentar a frota em também implica em aumentar o consumo. E a relação em si não é simples devido ao fato que ao falarmos de combustíveis estamos incluindo todos em um balaio de gato - não é apenas o caso da gasolina.
Como aumento na demanda de combustíveis, carros e etc causam necessidade de outros aumentos, as chances são de crescimento inflacionário
E isto é pode ser um grande problema.
Sobre meus pés, meus calos e os pés dos outros
No último post mencionei sobre a questão do meu sentimento que a UnB está tomando rumos equivocados tendo as melhores das intenções como objetivo.
Talvez alguns perguntem: por que você não faz nada? Bem, eu estou fazendo. Não estou diretamente me contrapondo a situação, mas estou indicando como enxergo o estado das coisas. Outros podem escolher verificar se as coisas realmente estão do modo que vejo ou não...
Talvez aí perguntem: mas você não vai fazer nada? A resposta honesta é realmente não sei. Não, isto não é covardia (se fosse covardia eu sequer haveria escrito o que escrevi). É simplesmente paralisia devido a incerteza de qual é o curso de ação que causa o mal menor.
Tudo é realmente muito complicado, até mesmo o que é bom e mal. A clareza desta distinção nem sempre é fácil (eu a enxergo em algumas situações), mas já percebi que as conseqüências sobre ações desse tipo podem muito bem ser o reverso do que se espera.
Este tipo de problema é bem conhecido com o custo do controle: o custo do controle de um sistema pode escalar até tornar o funcionamento do sistema inviável (aqui no Brasil isto é batata).
No caso particular da UnB, temos uma série de problemas que foram catalisados justamente pela análise simplista de como proceder. Escolheram-se cursos de ação e BUM, deu tudo errado!
Eu poderia discorrer sobre o idealismo imbecil, a politicagem, as análises de umbigo e muito mais. Mas nada disto iria melhorar ou sequer resolver a situação.
Prefiro acreditar (tolamente) que mostrando o erro, as pessoas irão corrigir o erro.
É uma crença otimista e absolutamente ingênua. A diferença é que eu sei disso.
Talvez alguns perguntem: por que você não faz nada? Bem, eu estou fazendo. Não estou diretamente me contrapondo a situação, mas estou indicando como enxergo o estado das coisas. Outros podem escolher verificar se as coisas realmente estão do modo que vejo ou não...
Talvez aí perguntem: mas você não vai fazer nada? A resposta honesta é realmente não sei. Não, isto não é covardia (se fosse covardia eu sequer haveria escrito o que escrevi). É simplesmente paralisia devido a incerteza de qual é o curso de ação que causa o mal menor.
Tudo é realmente muito complicado, até mesmo o que é bom e mal. A clareza desta distinção nem sempre é fácil (eu a enxergo em algumas situações), mas já percebi que as conseqüências sobre ações desse tipo podem muito bem ser o reverso do que se espera.
Este tipo de problema é bem conhecido com o custo do controle: o custo do controle de um sistema pode escalar até tornar o funcionamento do sistema inviável (aqui no Brasil isto é batata).
No caso particular da UnB, temos uma série de problemas que foram catalisados justamente pela análise simplista de como proceder. Escolheram-se cursos de ação e BUM, deu tudo errado!
Eu poderia discorrer sobre o idealismo imbecil, a politicagem, as análises de umbigo e muito mais. Mas nada disto iria melhorar ou sequer resolver a situação.
Prefiro acreditar (tolamente) que mostrando o erro, as pessoas irão corrigir o erro.
É uma crença otimista e absolutamente ingênua. A diferença é que eu sei disso.
É lícito fazer algo errado para fazer algo bom?
A resposta ética: não! A resposta pragmática: se for para o bem maior! A resposta verdadeira: desde que você não seja pego...
Infelizmente tem aparecido sinais que estão tomando decisões equivocadas na minha(?) universidade. Entretanto, tenho razões para acreditar que estas na realidade tem a melhor das intenções como motivo. Francamente isto me deixa em uma situação complicada, pois sei que há interesse em fazer coisas boas, mas os caminhos tomados são no mínimo equivocados.
As evidências são claras e não vou fazer o trabalho de conectar os pontos. Mas deixo algumas pistas: o problema da redução da jornada de trabalho, os custos da reconstrução causada pela inundação e o suposto corte de verba que ocorreu ou não...
Mas para mostrar como estas coisas são complexas, deixo aqui a história do mestre zen:
Em um pequeno vilarejo, um menino ganha de sua família um lindo cavalo. Ao verem o belo presente dado ao menino, todos à sua volta exclamam:
- Que maravilha!
E o mestre zen: Veremos...
Passa se algum tempo e o menino, ao andar com seu cavalo, cai e quebra a perna. Todos lamentam:
- Que desgraça!
E o mestre zen: Veremos...
Depois de alguns anos, o país entra em guerra, e todos os jovens do vilarejo são convocados para a luta e acabam morrendo, exceto o jovem com a perna enferma. Ao que a família conclui:
- Que maravilha!
E o mestre zen: Veremos...
Infelizmente tem aparecido sinais que estão tomando decisões equivocadas na minha(?) universidade. Entretanto, tenho razões para acreditar que estas na realidade tem a melhor das intenções como motivo. Francamente isto me deixa em uma situação complicada, pois sei que há interesse em fazer coisas boas, mas os caminhos tomados são no mínimo equivocados.
As evidências são claras e não vou fazer o trabalho de conectar os pontos. Mas deixo algumas pistas: o problema da redução da jornada de trabalho, os custos da reconstrução causada pela inundação e o suposto corte de verba que ocorreu ou não...
Mas para mostrar como estas coisas são complexas, deixo aqui a história do mestre zen:
Em um pequeno vilarejo, um menino ganha de sua família um lindo cavalo. Ao verem o belo presente dado ao menino, todos à sua volta exclamam:
- Que maravilha!
E o mestre zen: Veremos...
Passa se algum tempo e o menino, ao andar com seu cavalo, cai e quebra a perna. Todos lamentam:
- Que desgraça!
E o mestre zen: Veremos...
Depois de alguns anos, o país entra em guerra, e todos os jovens do vilarejo são convocados para a luta e acabam morrendo, exceto o jovem com a perna enferma. Ao que a família conclui:
- Que maravilha!
E o mestre zen: Veremos...
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Ignorantia Legis Neminem Excusat
Em miúdos: Nínguém pode se eximir de cumprir a lei alegando o seu desconhecimento (Ignorância da Lei não é desculpa - em uma tradução mais literal).
Isso faz sentido? Faria, se o país não contasse com mais de 190 mil leis. Em virtude desse número fica difícil exigir o conhecimento das leis por especialistas, quanto mais de leigos comuns.
E isto é uma das faces mais cruelmente cômicas na nossa terrinha: como, em sã consciência, se pode exigir isto de qualquer cidadão? O próprio preceito não faz o menor sentido para a população do Brasil.
Isso está no próprio código penal: Art. 21 - O desconhecimento da lei e inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminui-Ia de um sexto a um terço.
A pergunta óbvia é: isso faz sentido? a resposta óbvia é: não!
Esta contraposição às 190 mil leis (supondo que consigam os grafar 50 leis por página, estaremos falando de um volume de 3 mil e oitocentas páginas), como podemos exigir o conhecimento de todas?
Isso é bem nosso país...
Isso faz sentido? Faria, se o país não contasse com mais de 190 mil leis. Em virtude desse número fica difícil exigir o conhecimento das leis por especialistas, quanto mais de leigos comuns.
E isto é uma das faces mais cruelmente cômicas na nossa terrinha: como, em sã consciência, se pode exigir isto de qualquer cidadão? O próprio preceito não faz o menor sentido para a população do Brasil.
Isso está no próprio código penal: Art. 21 - O desconhecimento da lei e inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminui-Ia de um sexto a um terço.
A pergunta óbvia é: isso faz sentido? a resposta óbvia é: não!
Esta contraposição às 190 mil leis (supondo que consigam os grafar 50 leis por página, estaremos falando de um volume de 3 mil e oitocentas páginas), como podemos exigir o conhecimento de todas?
Isso é bem nosso país...
Para que serve uma universidade? E isso é importante?
Uma das grande complicações a respeito de se ter um orçamento apertado é aonde gastar. Ou melhor: como gastar melhor...
Isto pode parecer simples mas está longe de ser uma decisão fácil. O ato de criar um orçamento implica em um planejamento e uma suposição de controle simplesmente dissociada da realidade. A verdade é que tirando o que é rotina, muito pouco pode ser efetivamente planejado com sucesso.
E nisto vemos um grande problema: como se monta um orçamento? Primeiro tem que ser otimista. Não dá para considerar que tudo que vai ser planejado vai ser furada. Mas também tem que ser pessimista. Não dá para acreditar que absolutamente tudo vai sair como o planejado.
A prioridade primeira é sempre manter a máquina funcionando (ou seja, preferencialmente fazer o que ela tem de fazer - ainda que em níveis mínimos). A outra questão é como melhorar e ampliar os serviços da máquina. Esta deve ser a segunda prioridade.
Só então vem as considerações do que seria prudente ter em reserva.
No caso de uma pessoa esta questão pode ser dividida de modo fácil: primeiro - habitação e alimentação. Ainda dentro da categoria "manter a máquina funcionando": saúde, transporte e lazer. Tudo calculado para o mínimo necessário.
A seguir vem os planejamentos: compromissos assumidos que necessitam de recursos para serem realizados (aí vem dívidas, por exemplo), compromissos a serem assumidos para futura melhoria da qualidade de vida (nova casa, carro, ou similares).
Se com isso ainda tem-se sobra pode-se melhorar a situação de "manter a máquina funcionando", ou então passar a poupar para eventualidades...
E em uma instituição?
A regra é mais ou menos a mesma: em primeiro lugar vem o que é absolutamente necessário para manter "a máquina funcionando". Depois vem possíveis compromissos já assumidos e melhorias na qualidade. Só depois disso é que devem vir os sonhos...
No caso de compromissos assumidos é fundamental que os recursos para os mesmos não sejam apenas eventuais, mas possuam programação fixa.
Por que toda essa novela? Porque é absolutamente fundamental ter como primeira prioridade ter a máquina funcionando. E para tanto tem que se saber exatamente o que constitui efetivamente "a máquina funcionar"
E aí vai boa parte do desperdício: desvio da função dos recursos.
Uma universidade serve para que afinal?
Se esta pergunta não tiver resposta então sempre vai existir desperdício.
Isto pode parecer simples mas está longe de ser uma decisão fácil. O ato de criar um orçamento implica em um planejamento e uma suposição de controle simplesmente dissociada da realidade. A verdade é que tirando o que é rotina, muito pouco pode ser efetivamente planejado com sucesso.
E nisto vemos um grande problema: como se monta um orçamento? Primeiro tem que ser otimista. Não dá para considerar que tudo que vai ser planejado vai ser furada. Mas também tem que ser pessimista. Não dá para acreditar que absolutamente tudo vai sair como o planejado.
A prioridade primeira é sempre manter a máquina funcionando (ou seja, preferencialmente fazer o que ela tem de fazer - ainda que em níveis mínimos). A outra questão é como melhorar e ampliar os serviços da máquina. Esta deve ser a segunda prioridade.
Só então vem as considerações do que seria prudente ter em reserva.
No caso de uma pessoa esta questão pode ser dividida de modo fácil: primeiro - habitação e alimentação. Ainda dentro da categoria "manter a máquina funcionando": saúde, transporte e lazer. Tudo calculado para o mínimo necessário.
A seguir vem os planejamentos: compromissos assumidos que necessitam de recursos para serem realizados (aí vem dívidas, por exemplo), compromissos a serem assumidos para futura melhoria da qualidade de vida (nova casa, carro, ou similares).
Se com isso ainda tem-se sobra pode-se melhorar a situação de "manter a máquina funcionando", ou então passar a poupar para eventualidades...
E em uma instituição?
A regra é mais ou menos a mesma: em primeiro lugar vem o que é absolutamente necessário para manter "a máquina funcionando". Depois vem possíveis compromissos já assumidos e melhorias na qualidade. Só depois disso é que devem vir os sonhos...
No caso de compromissos assumidos é fundamental que os recursos para os mesmos não sejam apenas eventuais, mas possuam programação fixa.
Por que toda essa novela? Porque é absolutamente fundamental ter como primeira prioridade ter a máquina funcionando. E para tanto tem que se saber exatamente o que constitui efetivamente "a máquina funcionar"
E aí vai boa parte do desperdício: desvio da função dos recursos.
Uma universidade serve para que afinal?
Se esta pergunta não tiver resposta então sempre vai existir desperdício.
sábado, 23 de abril de 2011
Medidas de Desigualdade
Já ouvi falar muito sobre a questão da desigualdade no país. E realmente ela existe, mas parece ser mais intrínseca ao sistema que premia quem tem melhor resultados do que propriedade intrínseca de um sistema particular.
Mas o ponto não é esse. O ponto é como mensurar desigualdade em particular. Como podemos dizer que uma situação é ou não desigual para um determinado grupo? Pode parecer óbvio, mas como veremos isto está longe de ser realmente assim.
Vamos considerar o relatório elaborado pelo LAESER: o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil. Aos curiosos ele está todo aqui. Diversas reportagens anunciam e prenunciam a desigualdade.
O problema é que não é tão simples assim. Se a população fosse dividida igualmente entre brancos e negros a desigualdade seria identificada de modo mais fácil. E aí entre o velho problema do Teorema de Bayes:
p(X | pardo ou negro) é diferente de p(pardo ou negro | X)
E isto faz toda diferença. Felizmente podemos encontrar a relação real utilizando o próprio teorema:
p(pardo ou negro | X) = p(branco | X) * p(X | pardo ou negro) / p(X | branco) * p(branco) / p(pardo ou negro)
Esta relação permite estabelecer a desigualdade em termos mais reais, relacionando as taxas entre brancos e pardos ou negros. Quanto mais próximo de 1 for este valor, mas igual será a relação.
Vamos colocar números: a população branca no Brasil corresponde a 50% do total (aproximadamente), já a população negra corresponde a 7% e a parda a 42%. Então temos uma relação de 0.5 para 0.49
Neste caso a equação acima se torna:
p(pardo ou negro | X) = 1.02 * p(branco | X) * p(X | pardo ou negro)/p(X | branco)
Assim, por exemplo: em 2008 quase metade das crianças afrodescendentes de 6 a 10 anos estava fora da série adequada, contra 40,4% das brancas.
p(pardo ou negro | X) = 1.02 * p(branco | X) * 0.5/0.4 = 1.275 * p(branco | X)
Isto quer dizer que para cada 1000 crianças brancas fora da série adequada teríamos 1275 crianças negras ou pardas.
Outro exemplo:O estudo constata que o estabelecimento do SUS beneficiou mais pretos e pardos (66,9% da sua população atendida em 2008) do que brancos (47,7%), mas a taxa de não cobertura (proporção dos que não conseguem atendimento) dos afrodescendentes foi de 27%, para 14% dos brancos.
p(pardo ou negro | X) = 1.02 * p(branco | X) * 0.67/0.48 = 1.424 * p(branco | X)
Isto quer dizer que para cada 1000 pessoas brancas beneficiados pelo SUS teríamos 1424 pessoas negras ou pardas.
p(pardo ou negro | X) = 1.02 * p(branco | X) * 0.27/0.14 = 1.967 * p(branco | X)
Isto quer dizer que para cada 1000 pessoas brancas não cobertas pelo SUS teríamos 1967 pessoas negras ou pardas.
Claro que o caveat aqui é simples: como as populações pardas ou negras tem tamanho comparável a dos brancos então os dados são mais ou menos intercambiáveis. Mas o que acontece se a população de pardos negros aumentar 10% (lembremos que esta população é definida com base em auto-declaração)?
Assim, a população negra ou parda passaria de 0.49 para 0.54 e a branca desceria para 0.45 e o nosso 1.02 passaria a ser 0.83.
De repente, sem mudar absolutamente nenhum indicador social, teríamos as seguinte mudanças:
Mas o ponto não é esse. O ponto é como mensurar desigualdade em particular. Como podemos dizer que uma situação é ou não desigual para um determinado grupo? Pode parecer óbvio, mas como veremos isto está longe de ser realmente assim.
Vamos considerar o relatório elaborado pelo LAESER: o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil. Aos curiosos ele está todo aqui. Diversas reportagens anunciam e prenunciam a desigualdade.
O problema é que não é tão simples assim. Se a população fosse dividida igualmente entre brancos e negros a desigualdade seria identificada de modo mais fácil. E aí entre o velho problema do Teorema de Bayes:
p(X | pardo ou negro) é diferente de p(pardo ou negro | X)
E isto faz toda diferença. Felizmente podemos encontrar a relação real utilizando o próprio teorema:
p(pardo ou negro | X) = p(branco | X) * p(X | pardo ou negro) / p(X | branco) * p(branco) / p(pardo ou negro)
Esta relação permite estabelecer a desigualdade em termos mais reais, relacionando as taxas entre brancos e pardos ou negros. Quanto mais próximo de 1 for este valor, mas igual será a relação.
Vamos colocar números: a população branca no Brasil corresponde a 50% do total (aproximadamente), já a população negra corresponde a 7% e a parda a 42%. Então temos uma relação de 0.5 para 0.49
Neste caso a equação acima se torna:
p(pardo ou negro | X) = 1.02 * p(branco | X) * p(X | pardo ou negro)/p(X | branco)
Assim, por exemplo: em 2008 quase metade das crianças afrodescendentes de 6 a 10 anos estava fora da série adequada, contra 40,4% das brancas.
p(pardo ou negro | X) = 1.02 * p(branco | X) * 0.5/0.4 = 1.275 * p(branco | X)
Isto quer dizer que para cada 1000 crianças brancas fora da série adequada teríamos 1275 crianças negras ou pardas.
Outro exemplo:O estudo constata que o estabelecimento do SUS beneficiou mais pretos e pardos (66,9% da sua população atendida em 2008) do que brancos (47,7%), mas a taxa de não cobertura (proporção dos que não conseguem atendimento) dos afrodescendentes foi de 27%, para 14% dos brancos.
p(pardo ou negro | X) = 1.02 * p(branco | X) * 0.67/0.48 = 1.424 * p(branco | X)
Isto quer dizer que para cada 1000 pessoas brancas beneficiados pelo SUS teríamos 1424 pessoas negras ou pardas.
p(pardo ou negro | X) = 1.02 * p(branco | X) * 0.27/0.14 = 1.967 * p(branco | X)
Isto quer dizer que para cada 1000 pessoas brancas não cobertas pelo SUS teríamos 1967 pessoas negras ou pardas.
Claro que o caveat aqui é simples: como as populações pardas ou negras tem tamanho comparável a dos brancos então os dados são mais ou menos intercambiáveis. Mas o que acontece se a população de pardos negros aumentar 10% (lembremos que esta população é definida com base em auto-declaração)?
Assim, a população negra ou parda passaria de 0.49 para 0.54 e a branca desceria para 0.45 e o nosso 1.02 passaria a ser 0.83.
De repente, sem mudar absolutamente nenhum indicador social, teríamos as seguinte mudanças:
- Ao invés de que para cada 1000 crianças brancas fora da série adequada teríamos 1275 crianças negras ou pardas, teríamoscada 1000 crianças brancas fora da série adequada teríamos 1038 crianças negras ou pardas
- Ao invés de que para cada 1000 pessoas brancas beneficiados pelo SUS teríamos 1424 pessoas negras ou pardas, teríamos para cada 1000 pessoas brancas beneficiados pelo SUS teríamos 1159 pessoas negras ou pardas
- Ao invés de que para cada 1000 pessoas brancas não cobertas pelo SUS teríamos 1600 pessoas negras ou pardas
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Dirigindo pelo Espelho Retrovisor
Samuel Taylor Coleridge tem uma frase muito boa: "If men could learn from history, what lessons it might teach us! But passion and party blind our eyes, and the light which experience gives is a lantern on the stern, which shines only on the waves behind us!"
Traduzida livremente significa: Se o homem pudesse aprender com a história, que lições a mesma poderia nos ensinar! Mas a paixão e festa cegam nossos olhos, e a luz que a experiência provê é uma lanterna na popa, que somente brilha nas ondas que deixamos para trás.
Daí vem a expressão "Lanterna na Popa" para conceituar a experiência. A primeira vez que vi isto foi lendo a respeito da Biografia de Roberto Campos "Lanterna na Popa". A citação dá nome ao livro.
Eu não sou particularmente fã de Roberto Campos (ou mesmo de Samuel Coledrige), mas não posso deixar de notar a analogia com outra frase, cuja atribuição correta eu desconheço, mas que diz mais ou mesmo: "Confiar na experiência como guia é mais ou menos como dirigir para frente usando somente o espelho retrovisor"
A frase faz sentido pois se forçarmos a analogia, a experiência só permite enxergar a estrada por que passamos. Deste modo ela é realmente o olhar no espelho retrovisor. Agora imagine que você está usando somente o espelho retrovisor e não está dando ré (mas dirigindo para frente).
Isto é possível?
Bem, na realidade é possível. Mas são necessárias algumas condições para que seja realizável
Uma delas é que haja alguma espécie de sinalização prévia na estrada se há curvas à direita ou à esquerda. Naturalmente a sinalização tem que avisar previamente e ser fiel a como a estrada se comporta.
Implícito nessa premissa está o conhecimento do significado de cada elemento sinalizador.
Então talvez esse seja o papel da experiência: identificar o significado de cada elemento de sinalização como forma a seguir com tranqüilidade na estrada.
Muito bem, e o que isto tem a ver com o conteúdo deste blog?
Ah, a questão importante é sobre o conhecimento dos elementos de sinalização. Diferente das estradas normais, aonde os elementos de sinalização são conhecidos previamente, este é um caso em que o significado de cada elemento sinalizador precisa ser descoberto ao longo do caminho.
Complicado? Certamente, mas para tal serve a experiência anterior...
E mais motivo ainda para existência de crítica com as informações que são efetivamente repassadas.
Traduzida livremente significa: Se o homem pudesse aprender com a história, que lições a mesma poderia nos ensinar! Mas a paixão e festa cegam nossos olhos, e a luz que a experiência provê é uma lanterna na popa, que somente brilha nas ondas que deixamos para trás.
Daí vem a expressão "Lanterna na Popa" para conceituar a experiência. A primeira vez que vi isto foi lendo a respeito da Biografia de Roberto Campos "Lanterna na Popa". A citação dá nome ao livro.
Eu não sou particularmente fã de Roberto Campos (ou mesmo de Samuel Coledrige), mas não posso deixar de notar a analogia com outra frase, cuja atribuição correta eu desconheço, mas que diz mais ou mesmo: "Confiar na experiência como guia é mais ou menos como dirigir para frente usando somente o espelho retrovisor"
A frase faz sentido pois se forçarmos a analogia, a experiência só permite enxergar a estrada por que passamos. Deste modo ela é realmente o olhar no espelho retrovisor. Agora imagine que você está usando somente o espelho retrovisor e não está dando ré (mas dirigindo para frente).
Isto é possível?
Bem, na realidade é possível. Mas são necessárias algumas condições para que seja realizável
Uma delas é que haja alguma espécie de sinalização prévia na estrada se há curvas à direita ou à esquerda. Naturalmente a sinalização tem que avisar previamente e ser fiel a como a estrada se comporta.
Implícito nessa premissa está o conhecimento do significado de cada elemento sinalizador.
Então talvez esse seja o papel da experiência: identificar o significado de cada elemento de sinalização como forma a seguir com tranqüilidade na estrada.
Muito bem, e o que isto tem a ver com o conteúdo deste blog?
Ah, a questão importante é sobre o conhecimento dos elementos de sinalização. Diferente das estradas normais, aonde os elementos de sinalização são conhecidos previamente, este é um caso em que o significado de cada elemento sinalizador precisa ser descoberto ao longo do caminho.
Complicado? Certamente, mas para tal serve a experiência anterior...
E mais motivo ainda para existência de crítica com as informações que são efetivamente repassadas.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Calote na Dívida Pública? E os Títulos da Dívida Pública?
Já devem ter ouvido a historinha que 20 mil famílias recebem o grosso dos dividendos da Dívida Pública, não?
Muito bem. Esta história é da economista Leda Paulani. O problema é aquele velho problema: toma-se a ideologia primeiro e depois a realidade (falácia da narrativa).
Você tem algum dinheiro em fundos de investimento? Então você também recebe algum dividendo da Dívida Pública. A verdade é que os bancos e os fundos de investimento é que são os maiores detentores de títulos da dívida pública:
"Os bancos e os fundos de investimento são os donos da maior parte dos títulos da dívida pública interna. Segundo levantamento inédito divulgado nesta terça-feira (22) pelo Tesouro Nacional, os bancos concentravam 35,4% da dívida interna em janeiro (R$ 536,03 bilhões) e os fundos respondiam por 31,3% (R$ 475,27 bilhões).
Em terceiro lugar, estão os fundos de pensão, com 14,8% (R$ 224,48 bilhões). Os estrangeiros responderam por 12% (R$ 182 bilhões); e as seguradoras, por 4% (R$ 60,99 bilhões). Os demais investidores concentraram 2,5% (R$ 37,43 bilhões).
A participação de 12% dos investidores estrangeiros é recorde.Em valores absolutos, no entanto, a quantia diminuiu R$ 430 milhões em relação a dezembro. “O aumento percentual ocorreu porque o volume total da dívida interna caiu em janeiro”, ressaltou o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido. A dívida pública mobiliária (em títulos) interna caiu de R$ 1,603 trilhão em dezembro para R$ 1,542 trilhão em janeiro."
Somando os investidores nacionais e estrangeiros temos 14.5% da dívida. Ou seja, bem diferente dos números que a historinha propaga. Mas é pior, pois a história já cruzou fronteiras.
"So in Brazil it is estimated that between 10,000 and 15,000 families receive the lion’s share of the $120 billion annual payments of the public debt (the cost of the Bolsa Família is $6-9 billion), while in the last decade millionaires have multiplied as never before. "
Claro que isto não é verdade, pela própria forma de composição da dívida: 35% Bancos, 31% Fundos de Investimento, 15% Fundos de Pensão, Seguradoras 4% e Investidores nacionais e estrangeiros 15%.
Naturalmente, o dinheiro que os bancos, fundos de investimento, fundos de pensão e seguradoras não são das empresas em si, mas das pessoas que são servidas por estas empresas.
Tem de ter muito cuidado com a falácia da narrativa: ela pode levar as pessoas a tomar decisões inacreditavelmente imbecis
Muito bem. Esta história é da economista Leda Paulani. O problema é aquele velho problema: toma-se a ideologia primeiro e depois a realidade (falácia da narrativa).
Você tem algum dinheiro em fundos de investimento? Então você também recebe algum dividendo da Dívida Pública. A verdade é que os bancos e os fundos de investimento é que são os maiores detentores de títulos da dívida pública:
"Os bancos e os fundos de investimento são os donos da maior parte dos títulos da dívida pública interna. Segundo levantamento inédito divulgado nesta terça-feira (22) pelo Tesouro Nacional, os bancos concentravam 35,4% da dívida interna em janeiro (R$ 536,03 bilhões) e os fundos respondiam por 31,3% (R$ 475,27 bilhões).
Em terceiro lugar, estão os fundos de pensão, com 14,8% (R$ 224,48 bilhões). Os estrangeiros responderam por 12% (R$ 182 bilhões); e as seguradoras, por 4% (R$ 60,99 bilhões). Os demais investidores concentraram 2,5% (R$ 37,43 bilhões).
A participação de 12% dos investidores estrangeiros é recorde.Em valores absolutos, no entanto, a quantia diminuiu R$ 430 milhões em relação a dezembro. “O aumento percentual ocorreu porque o volume total da dívida interna caiu em janeiro”, ressaltou o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido. A dívida pública mobiliária (em títulos) interna caiu de R$ 1,603 trilhão em dezembro para R$ 1,542 trilhão em janeiro."
Somando os investidores nacionais e estrangeiros temos 14.5% da dívida. Ou seja, bem diferente dos números que a historinha propaga. Mas é pior, pois a história já cruzou fronteiras.
"So in Brazil it is estimated that between 10,000 and 15,000 families receive the lion’s share of the $120 billion annual payments of the public debt (the cost of the Bolsa Família is $6-9 billion), while in the last decade millionaires have multiplied as never before. "
Claro que isto não é verdade, pela própria forma de composição da dívida: 35% Bancos, 31% Fundos de Investimento, 15% Fundos de Pensão, Seguradoras 4% e Investidores nacionais e estrangeiros 15%.
Naturalmente, o dinheiro que os bancos, fundos de investimento, fundos de pensão e seguradoras não são das empresas em si, mas das pessoas que são servidas por estas empresas.
Tem de ter muito cuidado com a falácia da narrativa: ela pode levar as pessoas a tomar decisões inacreditavelmente imbecis
Realengo e Bullying - Será mesmo?
Vi há poucos minutos este vídeo discutindo o Bullying como motivo para o massacre de Realengo.
Francamente?
Não creio que seja o caso. E existem algumas razões: a sanha assassina foi direcionada a um gênero em particular (feminino), os alvos não faziam parte dos "Bullyistas" originais, há uma tentativa de se entender o fenômenos desenvolvendo uma narrativa que tenha aparência de coerência.
O fato é que é temos uma tragédia cuja compreensão é difícil (para se dizer o mínimo, afinal foi causada por uma pessoa com indicações sérias de desequilíbrio), e da qual parece não haver proteção.
No fundo, as pessoas desejam encontrar algum tipo de explicação que satisfaça a necessidade de existir sentido naquilo tudo.
É algo comum a todos nós: é algo bastante humano.
Francamente?
Não creio que seja o caso. E existem algumas razões: a sanha assassina foi direcionada a um gênero em particular (feminino), os alvos não faziam parte dos "Bullyistas" originais, há uma tentativa de se entender o fenômenos desenvolvendo uma narrativa que tenha aparência de coerência.
O fato é que é temos uma tragédia cuja compreensão é difícil (para se dizer o mínimo, afinal foi causada por uma pessoa com indicações sérias de desequilíbrio), e da qual parece não haver proteção.
No fundo, as pessoas desejam encontrar algum tipo de explicação que satisfaça a necessidade de existir sentido naquilo tudo.
É algo comum a todos nós: é algo bastante humano.
Ironias e Crueldades
No dia 15/04/2011 tive notícia que o Ministério Público do Trabalho estima a demissão de 6 mil pessoas do canteiro de construção da Usina Elétrica de Jirau.
Qual é a razão? Bem, a reportagem fala:
"Na quinta-feira (14), o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou que as obras das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia, teriam menos trabalhadores. O objetivo da medida seria garantir mais "tranquilidade na execução" das obras. O ministro explicou ainda que as empresas queriam antecipar o cronograma e por isso contrataram muitos trabalhadores, gerando dificuldades na administração da construção das usinas e conflitos nos canteiros de obra."
Mas eu queria focar na questão dos conflitos nos canteiros de obra.
Queria mostrar a ironia e a crueldade do desenvolvimento da situação, sob o governo de um partido intitulado de partido dos trabalhadores.
A revolta em si teve análises rasas, mas o fato é que ocorreram. E como resultado desta revolta trabalhista, o governo federal defendeu a redução na quantidade de trabalhadores. E o saco de maldades não parou por aí.
E esta notícia tem um grande poder educativo: eu não quero dizer que a ação do governo foi equivocada. Talvez tenha sido, talvez não tenha sido. Mas como ação de governo de um partido dos trabalhadores, ela envergonha e diminui todos aqueles que se filiaram a este partido dizendo defender os direitos trabalhistas.
A lição aqui é: "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. E se fizer o que eu faço, eu ainda vou critica-lo por isso".
Então, quando encontrar pelas estradas da vida um filiado ao PT pergunte para ele como a ação do governo em Jirau o faz sentir? Ou melhor, pergunte para ele se ele aprova a ação do governo em Jirau?
Claro, se você for muito mau pode perguntar de já não está na hora de crescer um pouco e admitir que o PT só defende trabalhador quando é do seu interesse?
Qual é a razão? Bem, a reportagem fala:
"Na quinta-feira (14), o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou que as obras das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia, teriam menos trabalhadores. O objetivo da medida seria garantir mais "tranquilidade na execução" das obras. O ministro explicou ainda que as empresas queriam antecipar o cronograma e por isso contrataram muitos trabalhadores, gerando dificuldades na administração da construção das usinas e conflitos nos canteiros de obra."
Mas eu queria focar na questão dos conflitos nos canteiros de obra.
Queria mostrar a ironia e a crueldade do desenvolvimento da situação, sob o governo de um partido intitulado de partido dos trabalhadores.
A revolta em si teve análises rasas, mas o fato é que ocorreram. E como resultado desta revolta trabalhista, o governo federal defendeu a redução na quantidade de trabalhadores. E o saco de maldades não parou por aí.
E esta notícia tem um grande poder educativo: eu não quero dizer que a ação do governo foi equivocada. Talvez tenha sido, talvez não tenha sido. Mas como ação de governo de um partido dos trabalhadores, ela envergonha e diminui todos aqueles que se filiaram a este partido dizendo defender os direitos trabalhistas.
A lição aqui é: "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. E se fizer o que eu faço, eu ainda vou critica-lo por isso".
Então, quando encontrar pelas estradas da vida um filiado ao PT pergunte para ele como a ação do governo em Jirau o faz sentir? Ou melhor, pergunte para ele se ele aprova a ação do governo em Jirau?
Claro, se você for muito mau pode perguntar de já não está na hora de crescer um pouco e admitir que o PT só defende trabalhador quando é do seu interesse?
quinta-feira, 14 de abril de 2011
A Falácia da Narrativa
Já tentaram dar uma aula ou palestra usando uma história como ponto central? Se tentaram devem ter notado que a presença de uma narrativa torna o tópico mais interessante para todos, mas fácil de ser acompanhado e compreendido. Em geral, estas são as aulas ou palestras mais interessantes.
E também mais fáceis de enganar as pessoas.
O problema é a falácia da narrativa, também conhecida como correlação ilusória. No caso é simplesmente a tendência (bastante humana) de montar nexos causais aonde não necessariamente existem.
Existem diversos casos na história e no dia-a-dia aonde a falácia da narrativa estão presentes. Um dos exemplos mais comuns é confundir evidência anedótica por regra geral. Outro é a alteração da história real para satisfazer um modo mais aprazível de contar a história ("Se non è vero, è ben trovato.").
Mas o fato é que isto é uma forma de auto-engano.
Felizmente existem ferramentas para verificar a veracidade de algumas dessas ligações lógicas. Uma das que eu considero melhor é o Teorema de Bayes (que já mencionei aqui diversas vezes). Efetivamente, ele faz a pergunta de qual é a probabilidade de tal evento dado que outro evento determinado ocorreu.
No caso da tragédia de Realengo, há diversos exemplos de falácias narrativas que podem ser encontrados na mídia. O que aliás pode até dar origem a exemplos de pânico moral (ou histeria de massas como também é conhecida). Mas no caso deste post vou me concentrar em outra questão: no alagamento da UnB.
Não vou questionar a versão que saiu na página da UnB pois não sou especialista na área e não tenho fatos para contrapor ao autor do artigo. Mas vou fazer uma ponderação: se um sistema de escoamento tem vazão Q quando está desentupido, Q/2 quando está parcialmente desentupido e Q/10 quando está entupido, então há de se considerar qual seria a vazão esperada com as probabilidades do sistema estar entupido.
Vamos considerar que quando há manutenção constante há 1 chance em 10 de se encontrar um bueiro parcialmente entupido e 1 chance em 100 de se encontrar um bueiro totalmente entupido.
Neste caso, teríamos uma vazão média: Q ((1-0.1-0.01)+0.1*0.5+0.01*0.1) = 0.941*Q (quase 95% de eficiência no geral).
Mas agora vamos considerar que a manutenção é menos do que estelar. Neste caso vamos considerar que a chance de encontrar um bueiro parcialmente entupido é 4 em cada 10 e a de um bueiro totalmente entupido é 1 em cada 10.
E também mais fáceis de enganar as pessoas.
O problema é a falácia da narrativa, também conhecida como correlação ilusória. No caso é simplesmente a tendência (bastante humana) de montar nexos causais aonde não necessariamente existem.
Existem diversos casos na história e no dia-a-dia aonde a falácia da narrativa estão presentes. Um dos exemplos mais comuns é confundir evidência anedótica por regra geral. Outro é a alteração da história real para satisfazer um modo mais aprazível de contar a história ("Se non è vero, è ben trovato.").
Mas o fato é que isto é uma forma de auto-engano.
Felizmente existem ferramentas para verificar a veracidade de algumas dessas ligações lógicas. Uma das que eu considero melhor é o Teorema de Bayes (que já mencionei aqui diversas vezes). Efetivamente, ele faz a pergunta de qual é a probabilidade de tal evento dado que outro evento determinado ocorreu.
No caso da tragédia de Realengo, há diversos exemplos de falácias narrativas que podem ser encontrados na mídia. O que aliás pode até dar origem a exemplos de pânico moral (ou histeria de massas como também é conhecida). Mas no caso deste post vou me concentrar em outra questão: no alagamento da UnB.
Não vou questionar a versão que saiu na página da UnB pois não sou especialista na área e não tenho fatos para contrapor ao autor do artigo. Mas vou fazer uma ponderação: se um sistema de escoamento tem vazão Q quando está desentupido, Q/2 quando está parcialmente desentupido e Q/10 quando está entupido, então há de se considerar qual seria a vazão esperada com as probabilidades do sistema estar entupido.
Vamos considerar que quando há manutenção constante há 1 chance em 10 de se encontrar um bueiro parcialmente entupido e 1 chance em 100 de se encontrar um bueiro totalmente entupido.
Neste caso, teríamos uma vazão média: Q ((1-0.1-0.01)+0.1*0.5+0.01*0.1) = 0.941*Q (quase 95% de eficiência no geral).
Mas agora vamos considerar que a manutenção é menos do que estelar. Neste caso vamos considerar que a chance de encontrar um bueiro parcialmente entupido é 4 em cada 10 e a de um bueiro totalmente entupido é 1 em cada 10.
Neste caso, teríamos uma vazão média: Q (0.5+0.4*0.5+0.1*0.1) = 0.71*Q (quase 70% de eficiência no geral).
Por fim vamos considerar que a manutenção é rara. Neste caso vamos considerar que chance de encontrar um bueiro parcialmente é 7 em 10, e a de encontrar um bueiro totalmente entupido é de 2 em 10.
Neste caso, teríamos uma vazão média: Q (0.1+0.7*0.5+0.2*0.1) = 0.47*Q (quase 50% de eficiência no geral).
Então é possível ver que o entupimento pode ser facilmente uma causa que contribuiu para o alagamento.
Uma análise similar pode ser obtida através de Bayes com p(alagamento|bueiro entupido). Mas isto somente se estivermos interessados em entender as razões e não encontrarmos uma explicação baseada apenas na narrativa.
Não que a narrativa esteja errada. Apenas que ela pode não estar correta.
Populismo e Popularidade
Há muita confusão entre estas duas palavras. Para ser popular é preciso ser populista? Não creio, mas pela polêmica acerca do artigo de FHC parece que parte do país pensa que sim.
Para dar um pouco de perspectiva, transcrevo aqui o pedaço do artigo que gerou mais polêmica, julguem vocês mesmos:
Diante deste quadro, o que podem fazer as oposições?
Definir o público a ser alcançado
Em primeiro lugar, não manter ilusões: é pouco o que os partidos podem fazer para que a voz de seus parlamentares alcance a sociedade. É preciso que as oposições se deem conta de que existe um público distinto do que se prende ao jogo político tradicional e ao que é mais atingido pelos mecanismos governamentais de difusão televisiva e midiática em geral. As oposições se baseiam em partidos não propriamente mobilizadores de massas. A definição de qual é o outro público a ser alcançado pelas oposições e como fazer para chegar até ele e ampliar a audiência crítica é fundamental. Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo “aparelhou”, cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias.
Sendo assim, dirão os céticos, as oposições estão perdidas, pois não atingem a maioria. Só que a realidade não é bem essa. Existe toda uma gama de classes médias, de novas classes possuidoras (empresários de novo tipo e mais jovens), de profissionais das atividades contemporâneas ligadas à TI (tecnologia da informação) e ao entretenimento, aos novos serviços espalhados pelo Brasil afora, às quais se soma o que vem sendo chamado sem muita precisão de “classe C” ou de nova classe média. Digo imprecisamente porque a definição de classe social não se limita às categorias de renda (a elas se somam educação, redes sociais de conexão, prestígio social, etc.), mas não para negar a extensão e a importância do fenômeno. Pois bem, a imensa maioria destes grupos – sem excluir as camadas de trabalhadores urbanos já integrados ao mercado capitalista – está ausente do jogo político-partidário, mas não desconectada das redes de internet, Facebook, YouTube, Twitter, etc. É a estes que as oposições devem dirigir suas mensagens prioritariamente, sobretudo no período entre as eleições, quando os partidos falam para si mesmo, no Congresso e nos governos. Se houver ousadia, os partidos de oposição podem organizar-se pelos meios eletrônicos, dando vida não a diretórios burocráticos, mas a debates verdadeiros sobre os temas de interesse dessas camadas.
Mas não é só isso: as oposições precisam voltar às salas universitárias, às inúmeras redes de palestras e que se propagam pelo país afora e não devem, obviamente, desacreditar do papel da mídia tradicional: com toda a modernização tecnológica, sem a sanção derivada da confiabilidade, que só a tradição da grande mídia assegura, tampouco as mensagens, mesmo que difundidas, se transformam em marcas reconhecidas. Além da persistência e ampliação destas práticas, é preciso buscar novas formas de atuação para que a oposição esteja presente, ou pelo menos para que entenda e repercuta o que ocorre na sociedade. Há inúmeras organizações de bairro, um sem-número de grupos musicais e culturais nas periferias das grandes cidades, etc., organizações voluntárias de solidariedade e de protesto, redes de consumidores, ativistas do meio ambiente, e por aí vai, que atuam por conta própria. Dado o anacronismo das instituições político-partidárias, seria talvez pedir muito aos partidos que mergulhem na vida cotidiana e tenham ligações orgânicas com grupos que expressam as dificuldades e anseios do homem comum. Mas que pelo menos ouçam suas vozes e atuem em consonância com elas.
Não deve existir uma separação radical entre o mundo da política e a vida cotidiana, nem muito menos entre valores e interesses práticos. No mundo interconectado de hoje, vê-se, por exemplo, o que ocorre com as revoluções no meio islâmico, movimentos protestatários irrompem sem uma ligação formal com a política tradicional. Talvez as discussões sobre os meandros do poder não interessem ao povo no dia-a-dia tanto quanto os efeitos devastadores das enchentes ou o sufoco de um trânsito que não anda nas grandes cidades. Mas, de repente, se dá um “curto-circuito” e o que parecia não ser “política” se politiza. Não foi o que ocorreu nas eleições de 1974 ou na campanha das “diretas já”? Nestes momentos, o pragmatismo de quem luta para sobreviver no dia-a-dia lidando com questões “concretas” se empolga com crenças e valores. O discurso, noutros termos, não pode ser apenas o institucional, tem de ser o do cotidiano, mas não desligado de valores. Obviamente em nosso caso, o de uma democracia, não estou pensando em movimentos contra a ordem política global, mas em aspirações que a própria sociedade gera e que os partidos precisam estar preparados para que, se não os tiverem suscitado por sua desconexão, possam senti-los e encaminhá-los na direção política desejada.
Seria erro fatal imaginar, por exemplo, que o discurso “moralista” é coisa de elite à moda da antiga UDN. A corrupção continua a ter o repúdio não só das classes médias como de boa parte da população. Na última campanha eleitoral, o momento de maior crescimento da candidatura Serra e de aproximação aos resultados obtidos pela candidata governista foi quando veio à tona o “episódio Erenice”. Mas é preciso ter coragem de dar o nome aos bois e vincular a “falha moral” a seus resultados práticos, negativos para a população. Mais ainda: é preciso persistir, repetir a crítica, ao estilo do “beba Coca Cola” dos publicitários. Não se trata de dar-nos por satisfeitos, à moda de demonstrar um teorema e escrever “cqd”, como queríamos demonstrar. Seres humanos não atuam por motivos meramente racionais. Sem a teatralização que leve à emoção, a crítica – moralista ou outra qualquer – cai no vazio. Sem Roberto Jefferson não teria havido mensalão como fato político.
Eu acho que o pessoal leu o que queria ler, e não o que estava escrito
Para dar um pouco de perspectiva, transcrevo aqui o pedaço do artigo que gerou mais polêmica, julguem vocês mesmos:
Diante deste quadro, o que podem fazer as oposições?
Definir o público a ser alcançado
Em primeiro lugar, não manter ilusões: é pouco o que os partidos podem fazer para que a voz de seus parlamentares alcance a sociedade. É preciso que as oposições se deem conta de que existe um público distinto do que se prende ao jogo político tradicional e ao que é mais atingido pelos mecanismos governamentais de difusão televisiva e midiática em geral. As oposições se baseiam em partidos não propriamente mobilizadores de massas. A definição de qual é o outro público a ser alcançado pelas oposições e como fazer para chegar até ele e ampliar a audiência crítica é fundamental. Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo “aparelhou”, cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias.
Sendo assim, dirão os céticos, as oposições estão perdidas, pois não atingem a maioria. Só que a realidade não é bem essa. Existe toda uma gama de classes médias, de novas classes possuidoras (empresários de novo tipo e mais jovens), de profissionais das atividades contemporâneas ligadas à TI (tecnologia da informação) e ao entretenimento, aos novos serviços espalhados pelo Brasil afora, às quais se soma o que vem sendo chamado sem muita precisão de “classe C” ou de nova classe média. Digo imprecisamente porque a definição de classe social não se limita às categorias de renda (a elas se somam educação, redes sociais de conexão, prestígio social, etc.), mas não para negar a extensão e a importância do fenômeno. Pois bem, a imensa maioria destes grupos – sem excluir as camadas de trabalhadores urbanos já integrados ao mercado capitalista – está ausente do jogo político-partidário, mas não desconectada das redes de internet, Facebook, YouTube, Twitter, etc. É a estes que as oposições devem dirigir suas mensagens prioritariamente, sobretudo no período entre as eleições, quando os partidos falam para si mesmo, no Congresso e nos governos. Se houver ousadia, os partidos de oposição podem organizar-se pelos meios eletrônicos, dando vida não a diretórios burocráticos, mas a debates verdadeiros sobre os temas de interesse dessas camadas.
Mas não é só isso: as oposições precisam voltar às salas universitárias, às inúmeras redes de palestras e que se propagam pelo país afora e não devem, obviamente, desacreditar do papel da mídia tradicional: com toda a modernização tecnológica, sem a sanção derivada da confiabilidade, que só a tradição da grande mídia assegura, tampouco as mensagens, mesmo que difundidas, se transformam em marcas reconhecidas. Além da persistência e ampliação destas práticas, é preciso buscar novas formas de atuação para que a oposição esteja presente, ou pelo menos para que entenda e repercuta o que ocorre na sociedade. Há inúmeras organizações de bairro, um sem-número de grupos musicais e culturais nas periferias das grandes cidades, etc., organizações voluntárias de solidariedade e de protesto, redes de consumidores, ativistas do meio ambiente, e por aí vai, que atuam por conta própria. Dado o anacronismo das instituições político-partidárias, seria talvez pedir muito aos partidos que mergulhem na vida cotidiana e tenham ligações orgânicas com grupos que expressam as dificuldades e anseios do homem comum. Mas que pelo menos ouçam suas vozes e atuem em consonância com elas.
Não deve existir uma separação radical entre o mundo da política e a vida cotidiana, nem muito menos entre valores e interesses práticos. No mundo interconectado de hoje, vê-se, por exemplo, o que ocorre com as revoluções no meio islâmico, movimentos protestatários irrompem sem uma ligação formal com a política tradicional. Talvez as discussões sobre os meandros do poder não interessem ao povo no dia-a-dia tanto quanto os efeitos devastadores das enchentes ou o sufoco de um trânsito que não anda nas grandes cidades. Mas, de repente, se dá um “curto-circuito” e o que parecia não ser “política” se politiza. Não foi o que ocorreu nas eleições de 1974 ou na campanha das “diretas já”? Nestes momentos, o pragmatismo de quem luta para sobreviver no dia-a-dia lidando com questões “concretas” se empolga com crenças e valores. O discurso, noutros termos, não pode ser apenas o institucional, tem de ser o do cotidiano, mas não desligado de valores. Obviamente em nosso caso, o de uma democracia, não estou pensando em movimentos contra a ordem política global, mas em aspirações que a própria sociedade gera e que os partidos precisam estar preparados para que, se não os tiverem suscitado por sua desconexão, possam senti-los e encaminhá-los na direção política desejada.
Seria erro fatal imaginar, por exemplo, que o discurso “moralista” é coisa de elite à moda da antiga UDN. A corrupção continua a ter o repúdio não só das classes médias como de boa parte da população. Na última campanha eleitoral, o momento de maior crescimento da candidatura Serra e de aproximação aos resultados obtidos pela candidata governista foi quando veio à tona o “episódio Erenice”. Mas é preciso ter coragem de dar o nome aos bois e vincular a “falha moral” a seus resultados práticos, negativos para a população. Mais ainda: é preciso persistir, repetir a crítica, ao estilo do “beba Coca Cola” dos publicitários. Não se trata de dar-nos por satisfeitos, à moda de demonstrar um teorema e escrever “cqd”, como queríamos demonstrar. Seres humanos não atuam por motivos meramente racionais. Sem a teatralização que leve à emoção, a crítica – moralista ou outra qualquer – cai no vazio. Sem Roberto Jefferson não teria havido mensalão como fato político.
Eu acho que o pessoal leu o que queria ler, e não o que estava escrito
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Prazer em conhecer: EXCLUSIVO: imagens do circuito interno
Prazer em conhecer: EXCLUSIVO: imagens do circuito interno: "Veja, com exclusividade, imagens do circuito interno da UnBTV do momento em que a enxurrada causa devastação no subsolo do ICC Norte (Minhoc..."
domingo, 10 de abril de 2011
UnB debaixo d´água!!! - parte III
Os respiradouros dos anfiteatros viraram cahoeiras.
Como foi que isto aconteceu? Assim:
E mais um vídeo: Faculdade de Tecnologia - o tsunami
Como foi que isto aconteceu? Assim:
E mais um vídeo: Faculdade de Tecnologia - o tsunami
sábado, 9 de abril de 2011
Pequenas Pérolas do Cinema - V
Já indiquei um suspense hoje, então uma comédia é de ordem para contrabalançar. Então segue o Jovem Frankenstein.
A propósito: a cena do padre e do monstro é de chorar de rir
A propósito: a cena do padre e do monstro é de chorar de rir
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Como utilizar uma tragédia para alavancar interesses
Nesta semana tivemos a tragédia de Realengo. Não vou me alongar no crime, mas em como determinados grupos estão usando a tragédia para defender interesses que realmente tem pouca ou nenhuma relação na história.
Nas primeiras horas houve muita confusão a respeito. Talvez pela carta do atirador ser deveras estranha, algumas notícias tratavam mais de especulações mal informadas do que outra coisa. Devido às citações religiosas passou-se a pensar em crime por fanatismos (inicialmente muçulmano e depois cristão). A verdade é que a carta não diz isso. Há também menções sobre o amor que o atirador tinha por animais em oposição ao seu amor por seres humanos.
Não há menções sobre bullying, mas isto não impediu que diversos grupos utilizassem isto como bandeira. DE modo similar, há grupos que estão utilizando a tragédia para avançar a agenda do desarmamento (por vezes fazendo previsões mirabolantes). Mas o fato é que há indicações que as armas usadas são ilegais (o que atrapalha a idéia que desarmar a população iria evitar este tipo de crime).
A triste verdade é que estão usando uma tragédia para "venderem" um projeto político para população. Isso é spin, senhoras e senhores.... E não tem nada a ver com a verdade.
E aí que mora o problema...
Há duas questões aqui. E para ambas é necessário ter muito sangue frio para ter uma análise racional. A primeira delas é que este tipo de crime é muito raro. Muito raro mesmo. Aqui vemos uma lista com incidentes de tiroteios em Escolas. De 1966 até 2011 tivemos 109 incidentes com um total de 229 mortes. Só em 2009 tivemos 9146 homicídios por armas. Em 2009, o número de incidentes em escolas foram 10 e o número de mortos foram 7. Isto dá 1 caso em 1306 (ou seja 99.92% dos casos não são de tiroteios em escolas). Então, este crime é bastante raro...
O segundo ponto é que para evitarmos que eventos como este aconteçam temos, antes de mais nada, saber porque eles acontecem. Sem conhecer as causas do problema é EXTREMAMENTE difícil resolve-lo (basicamente é apostar na sorte). E na questão de Realengo, o risco é que a agenda política se sobreponha a esta demanda.
E aí a coisa pode ficar realmente muito feia mesmo...
Nas primeiras horas houve muita confusão a respeito. Talvez pela carta do atirador ser deveras estranha, algumas notícias tratavam mais de especulações mal informadas do que outra coisa. Devido às citações religiosas passou-se a pensar em crime por fanatismos (inicialmente muçulmano e depois cristão). A verdade é que a carta não diz isso. Há também menções sobre o amor que o atirador tinha por animais em oposição ao seu amor por seres humanos.
Não há menções sobre bullying, mas isto não impediu que diversos grupos utilizassem isto como bandeira. DE modo similar, há grupos que estão utilizando a tragédia para avançar a agenda do desarmamento (por vezes fazendo previsões mirabolantes). Mas o fato é que há indicações que as armas usadas são ilegais (o que atrapalha a idéia que desarmar a população iria evitar este tipo de crime).
A triste verdade é que estão usando uma tragédia para "venderem" um projeto político para população. Isso é spin, senhoras e senhores.... E não tem nada a ver com a verdade.
E aí que mora o problema...
Há duas questões aqui. E para ambas é necessário ter muito sangue frio para ter uma análise racional. A primeira delas é que este tipo de crime é muito raro. Muito raro mesmo. Aqui vemos uma lista com incidentes de tiroteios em Escolas. De 1966 até 2011 tivemos 109 incidentes com um total de 229 mortes. Só em 2009 tivemos 9146 homicídios por armas. Em 2009, o número de incidentes em escolas foram 10 e o número de mortos foram 7. Isto dá 1 caso em 1306 (ou seja 99.92% dos casos não são de tiroteios em escolas). Então, este crime é bastante raro...
O segundo ponto é que para evitarmos que eventos como este aconteçam temos, antes de mais nada, saber porque eles acontecem. Sem conhecer as causas do problema é EXTREMAMENTE difícil resolve-lo (basicamente é apostar na sorte). E na questão de Realengo, o risco é que a agenda política se sobreponha a esta demanda.
E aí a coisa pode ficar realmente muito feia mesmo...
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Quando os ex-amigos viram inimigos
Eu leio com frequência a coluna de um blogueiro (que eu considerava um excelente jornalista alguns anos atrás). Este blogueiro foi um dos primeiros a cunhar o termo PiG (Partido da imprensa Golpista), que eu jocosamente defino como a contrapartida do PIG (Partido da Imprensa Governista).
Não quero entrar no mérito da pessoa, preferências ou seus trabalhos (apesar de ter uma opinião a respeito, devo dizer que considero a mesma um tanto polarizada). Dizendo isto quero ressaltar como é dura a vida dos bate-palmas-para-o-governo.
Um dia os inimigos são claros: todos aqueles que querem retirar o governo apoiado pelo PIG. Ou seja, todos que estão alinhados com as opinões expressas no PiG.
No outro dia, os ex-aliados passar a criticar o governo, enquanto o antigo PiG elogia o governo. Caso em questão? Belo Monte! Os que criticam eram do PIG e os que elogiam eram do PiG.
O que fazer? Duplipensar! Chama-se o antigo PIG de PiG e espera-se que ninguém perceba as cenas explícitas de puxa-saquismo chapa branca.
Realmente é triste a sina dos bate-palmas-para-o-governo. Destruindo reputações a cada post, especialmente a própria reputação.
Não quero entrar no mérito da pessoa, preferências ou seus trabalhos (apesar de ter uma opinião a respeito, devo dizer que considero a mesma um tanto polarizada). Dizendo isto quero ressaltar como é dura a vida dos bate-palmas-para-o-governo.
Um dia os inimigos são claros: todos aqueles que querem retirar o governo apoiado pelo PIG. Ou seja, todos que estão alinhados com as opinões expressas no PiG.
No outro dia, os ex-aliados passar a criticar o governo, enquanto o antigo PiG elogia o governo. Caso em questão? Belo Monte! Os que criticam eram do PIG e os que elogiam eram do PiG.
O que fazer? Duplipensar! Chama-se o antigo PIG de PiG e espera-se que ninguém perceba as cenas explícitas de puxa-saquismo chapa branca.
Realmente é triste a sina dos bate-palmas-para-o-governo. Destruindo reputações a cada post, especialmente a própria reputação.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Andar de Carro é mais caro do que de Taxi?
Para começar é possível saber algo mais sobre o custo de uma corrida de Taxi. Então de posse desses valores podemos chegar a alguns números interessantes.
No caso de Brasília, ao entrar no Taxi você paga R$ 3,30 e para cada quilômetro rodado paga-se R$ 1,80 (Bandeira 1) e R$ 2,28 (Bandeira 2). Se supormos um trajeto do tipo Casa-Trabalho-Casa todos os dias (os finais de semana poderia ser (Casa-Diversão-Casa), então temos R$ 6,60/dia somente para entrar no Taxi. No meu caso, isto corresponde a um custo de 2 vezes R$ 24,57 (Bandeira 1) ou 2 vezes R$ 30,24 (Bandeira 2) por dia.
Para arredondar, vamos dizer que o gasto seria de R$ 50,00/dia. Ao longo de 365 dias isto daria R$ 18.250,00 por ano. Isto é quase o preço de um carro popular.
Então carro é mais barato, certo? Não é tão simples. O uso do carro envolve não só o preço de compra do veículo, mas custos adicionais (combustível, estacionamento, manutenção). Em contas simples, ao longo de 7 anos (neste blog tem alguns detalhes) o custo do carro é praticamente o dobro do valor de compra.
Então pode realmente ser um caso a se pensar.
No meu caso, como não tenho pressa em trocar de carro, o custo ainda não compensa. Mas se começarem a cobrar estacionamento a história pode ser outra.
No caso de Brasília, ao entrar no Taxi você paga R$ 3,30 e para cada quilômetro rodado paga-se R$ 1,80 (Bandeira 1) e R$ 2,28 (Bandeira 2). Se supormos um trajeto do tipo Casa-Trabalho-Casa todos os dias (os finais de semana poderia ser (Casa-Diversão-Casa), então temos R$ 6,60/dia somente para entrar no Taxi. No meu caso, isto corresponde a um custo de 2 vezes R$ 24,57 (Bandeira 1) ou 2 vezes R$ 30,24 (Bandeira 2) por dia.
Para arredondar, vamos dizer que o gasto seria de R$ 50,00/dia. Ao longo de 365 dias isto daria R$ 18.250,00 por ano. Isto é quase o preço de um carro popular.
Então carro é mais barato, certo? Não é tão simples. O uso do carro envolve não só o preço de compra do veículo, mas custos adicionais (combustível, estacionamento, manutenção). Em contas simples, ao longo de 7 anos (neste blog tem alguns detalhes) o custo do carro é praticamente o dobro do valor de compra.
Então pode realmente ser um caso a se pensar.
No meu caso, como não tenho pressa em trocar de carro, o custo ainda não compensa. Mas se começarem a cobrar estacionamento a história pode ser outra.
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