quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sobre tumultos em geral

Estive pensando mais sobre os do Reino Unido e creio que descobri algo interessante: o formato dos tumultos é mais ou menos uniforme.

Há um evento de gatilho, depois uma onda de protestos, esta onde se transforma em uma onda de saques, violência e tumultos em geral. E aí a coisa começa a ficar interessante...

Neste ponto é que a natureza do evento é transformada de acordo com o discurso de jour. Podem ser efeitos de contração social, corte nos subsídios, racismo institucionalizado, falta de fibra moral... O leitor pode escolher.

Há vários elementos nos tumultos que desafiam teimosamente as explicações sociológicas mais comezinhas (nisto aproveito para destroçar alguns dos esteriótipos que são usados para racionalizar sobre o assunto).


  • Aos 0:33, o sociólogo afirma estar surpreso com a forma que o governo britânico vem encarando e analisando os acontecimentos. A surpresa dele é claramente causada pelo fato do governo não estar analisando da mesma forma dele.
  • Aos 0:45, ele afirma que os jovens estão se insurgindo contra as condições deles. O problema é que os fatos não corroboram esta análise - na realidade, os fatos praticamente desmentem esta análise. Mas o que são fatos diante de uma "argumentação intelectual sólida"?
  • Aos 1:00, ele afirma que em um bairro como Tottenham há 35% de desemprego entre os jovens de 16 a 25 anos (será que isto é verdade mesmo? Não, não é). E claro que há o conveniente esquecimento do seguro desemprego.
  • Aos 1:55 ele sugere que a causa é uma falta de canais institucionais apresentação de demandas. Isso poderia justificar Tottenham, mas certamente não faz o menor sentido nas outras localidades do tumulto. Aliás, a existência destas outras localidades meio de desprova a argumentação utilizada.
  • Aos 2:14 ele sugere que parte das razões advém da crise financeira. Enquanto ele estaria correto, pois a crise  levou o governo a decidir cortar diversos benefícios e isto causou imensas manifestações. O problema é que: nem os cortes realmente começaram e que o timing dos tumultos está todo equivocado com relação aos cortes. Não encontrei a informação sobre o fechamento dos centros de cultura (ao contrário encontrei site de vários), mas o ponto central é que isto não explica o resto - só explica Tottenham.
  • Aos 3:30 ele afirma que são jovens que não encontram emprego, que tem dificuldade de acesso a escola, que vivem toda sorte de discriminações. Só que isto não explica tudo que aconteceu. Há sim casos deste tipo, mas há casos que praticamente contradizem o raciocínio por trás da explicação ( que é: são marginalizados e por isso quebram as leis).
  • Aos 4:25 ele falha que deve se separar o evento faísca do contexto que é cada vez mais conflitivo. Parece um bom conselho, mas na realidade ignora que multidões possuem uma dinâmica própria (e tem gente que vive de estudar isto). E apesar desta pode até ser parcialmente predita ou modelada.
  • Ao 5:00 ele compara a situação dos tumultos com as manifestações no Chile. E aí a coisa vai ladeira abaixo: duas situações diferentes, com causas diferentes e resultados diferentes sendo comparadas como iguais? Baseado em que? Somente um filtro ideológico pode conduzir a um raciocínio que leve a dizer que estes eventos são equivalentes (são jovens, enfrentaram a polícia, estão descontentes - logo são eventos iguais?)
  • Mas o escorregão final é aos 5:20, aonde ele infere os pontos em comum: jovens, discriminados, de outra cor, de outra nacionalidade, de bairros pobres. E aí a coisa pega: cidadãos de outras nacionalidades agiram contra os tumultos, jovens de outra cor mas nada discriminados aturam nos tumultos (para desespero e vergonha dos pais). Em suma: tudo ao contrário do que o raciocínio levaria a concluir.

O que eu acho? Acho que começou como um protesto e depois virou tumulto only for the Lulz...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Um sopro de ar fresco nas torres de marfim

Finalmente começou a surgir a reação a uma relação incestuosa que vem ocorrendo no país faz um tempo. Do que se trata? Do uso da imprensa por promotores e procuradores como forma de pressão em julgamentos.

A idéia é simples e aparentemente com boas intenções, e como todas as boas intenções, o potencial para o mau uso é gigantesco. No caso, o promotor ou procurador "vaza" informações da investigação para membros da imprensa de modo a criar força de condenação através da opinião pública.

Ou segundo o texto do Observatório da Imprensa:

A coisa está passando meio despercebida, mas é uma das decisões judiciais mais importantes dos últimos tempos: um promotor que divulgou partes de um processo em segredo de justiça teve de responder a uma ação de danos morais. Perdeu no Tribunal de Justiça de São Paulo e no Superior Tribunal de Justiça.
E por que é importante? Porque houve vários casos em que autoridades, para ganhar a batalha da opinião pública antes que a causa fosse julgada na Justiça, deixaram vazar informações de processos para prejudicar os réus (prejudicar, a propósito, é a palavra correta neste caso: em seu sentido original, significa prejulgar). Não é questão de citar caso a caso (embora, nas notas abaixo, haja algumas informações complementares), mas de mostrar que uma conduta até agora tolerada, apoiada até pela imprensa, acabou sendo enquadrada nos limites da lei

Naturalmente, a idéia é que este tipo de ação cause um constrangimento nas autoridades responsáveis de modo a não tentar esconder "os podres" dos investigados.

Tudo muito bom e tudo muito bem, só que com um pequeno problema: E se o réu não for culpado?

Basicamente? Ele se lasca de verde e amarelo. Mas nem isso era o mais interessante...

O mais interessante é o que acontecia com o promotor no caso em que o réu fosse inocentado a despeito da campanha pública de culpabilização... Sabe o que acontecia? Nada... Não me entendam mal, os veículos de comunicação poderiam ser até responsabilizados pelo ato de culpabilização, mas já o promotor...

Então o que foi decidido?

A defesa do promotor alegou que, como os juízes, os promotores não podem estar sujeitos a pedidos de indenização movidos pelos ofendidos; e também que estariam a salvo “de responsabilização civil por seus eventuais erros de atuação”.
O tribunal decidiu que se espera do promotor que não dê publicidade aos casos e processos em que atua, menos ainda em questão que envolva segredo de justiça; e que os danos morais decorreram não de sua atuação institucional, como promotor, mas por dar publicidade dos fatos à imprensa.
Uma sentença como esta contribui para que promotores e advogados disponham de armas iguais num julgamento, sem tanta pressão da opinião pública para que réus sejam condenados, não importa se culpados ou não.

Assim, agora o promotor ou procurador deve pensar duas vezes (ou mesmo mais) antes de "vazar" informações para imprensa.

Claro que a própria imprensa não está totalmente isenta de culpabilidade nesta história:

Este tipo de pressão é usado com frequência e poucas vezes os meios de comunicação o denunciam – até porque podem ser beneficiados pelos vazamentos. Há algum tempo, num processo, este colunista e a jornalista Marli Gonçalves eram os únicos repórteres presentes. Mas a reportagem saiu em diversos jornais, assinada, e coincidentemente destacando o ponto de vista do promotor do caso – incluindo até, o que foi pitoresco, o mesmo erro no nome de quem presidia a sessão.
Um famoso procurador chegou a enviar carta a colegas recomendando que usassem a imprensa para vazar informações contra seus alvos, de maneira a constranger os juízes a aceitar os pedidos de prisão e a não relaxá-los. Muitos jornalistas gostam dessas coisas: a matéria já vem pronta, chancelada por alguém que goza de fé pública, com farta documentação. É parcial? É; mas o que custa fazer um favor ao amigo, sabendo que isso mais tarde vai render outras matérias? E tome “provas robustas”, “provas contundentes” e outras coisas de uma linguagem que repórter não usaria, se estivesse fazendo a reportagem.

O problema pode finalmente chegar a termo, agora há chance que os procuradores e promotores possam ser responsabilizados por vazamentos de informação com vistas a garantir uma condenação.

Parece um preço grande a se pagar, mas não é. Assim como o poder corrompe, a impunidade auxilia o crime. Impunidade de qualquer um - ou em outras palavras: ninguém deve estar acima da lei.

Margaridas em Marcha

Hoje temos a Marcha das Margaridas aqui em Brasília. O evento foi bem divulgado e espera-se algo em torno de 50 a 70 mil participantes.

Ao contrário do que se imagina por aí, Brasília tem manifestações públicas praticamente toda semana (depois falam que brasileiro é acomodado). Algumas manifestações tem mais gente, e outras nem tanto. Mas via de regra tem sempre alguma coisa acontecendo.

Temos algumas fotos disponíveis

Pelo mostrado na foto desconfio que não temos esta quantidade toda de gente. Pela cara da foto, que imagino ser a densidade típica de pessoas, temos algo como 1 a 3 pessoas por metro quadrado mas com bastante espaço livre. Isto deve dar cerca de 1 a 2 pessoas por metro quadrado.

Com a foto anterior, temos uma área de 200 m por 100 m ande estão as barracas, e uma de 175 por 100 da pista até a rampa do congresso nacional.

Supondo ocupação de 1/2 na primeira área e 1/3 na segunda temos:

200/2 *100* pessoas/m^2 +175/3*100* pessoas/m^2 = (100+58)*100*pessoas/m^2 = 15.800 * pessoas/m^2
Portanto:

  • Se tivermos 1 pessoa/m^2 teremos 15 mil e 800 pessoas
  • Se tivermos 2 pessoas/m^2 teremos 31 mil e 600 pessoas
  • Se tivermos 3 pessoas/m^2 teremos 47 mil e 400 pessoas

Você decide quantas pessoas realmente estão lá... Para ajudar temos também vídeos....
Um deste evento (2011)

E um vídeo com imagens de 2007

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Jogando fora o sofá da casa

Esta expressão é conhecida de uma famosa piada (que na realidade é mais antiga do que se imagina normalmente).

Pois bem, dessa vez temos o Reino Unido, ou mais especificamente o seu Primeiro Ministro tomando atitudes similares. O que ele fez? Essencialmente o velho problema de apontar causas erradas.

Na realidade é até pior: os comportamentos dos tumultos do Reino Unido sempre foram assim (atear fogo, roubar, depredar...).

O que foi que mudou?

Certamente não foi o modus operandi nos tumultos. Então o que mudou?

Será ele um tolo? Nada disso, muito pelo contrário. Ele quer utilizar isto como bandeira... Assim como outras pessoas fizeram quando os tumultos aconteceram antes (só que neste caso utilizaram a discriminação racial e violência policial como bandeira). Veja o que ele diz, e perceba como a intenção é quase transparente:

In the speech, to be delivered outside London, Cameron will say: "Over the next few weeks, I and ministers from across the coalition government will review every aspect of our work to mend our broken society, on schools, welfare, families, parenting, addiction, communities; on the cultural, legal, bureaucratic problems in our society too; from the twisting and misrepresenting of human rights that has undermined personal responsibility, to the obsession with health and safety that has eroded people's willingness to act according to common sense – and consider whether our plans and programmes are big enough and bold enough to deliver the change that I feel this country now wants to see."


Ele não quer resolver o problema, ele quer avançar sua agenda - de modo muito similar como outros fizeram mais de 30 anos atrás (no Reino Unido).

No fundo a questão é que ao invés de resolver o problema (adultério), as lideranças costumam oferecer como solução jogar fora o sofá da casa...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Quando a realidade falhou em acompanhar a teoria

Obviamente, o título é um jogo de palavras. Não foi a realidade quem falhou, mas a teoria. Só que, infelizmente,  não é assim que as pessoas reagem.

Isso é tão invasivo na nossa forma de funcionar que costumamos nem notar. Caso em questão: tumultos na Inglaterra.

Inicialmente, falou-se que a razão dos tumultos foram a tensões sociais. O problema é que a medida que mais informações sobre os participantes dos tumultos passou a ser divulgada, esta tese deixou de explicar o que aconteceu. Para torcer ainda mais a situação, cidadãos ingleses imigrantes e descendentes de imigrantes passaram a fazer o papel da polícia para frear os abusos que aconteciam.

O fato é que as explicações sociológicas para o que aconteceu começaram a falhar a medida que mais e mais informação passou a ser conhecida. Os causadores dos tumultos não eram paupérrimos, nem com pouca educação, tinham acesso ao serviço médico e tinham certo nível de conforto.

A explicação de guerra de classe começava assim a falhar...

Então passou-se a explicação da tensão racial. Mas aí não foram grupos raciais definidos que realizaram os ataques. Ao mesmo tempo, comunidades passaram a se unir para fazer o papel da polícia quando ela faltava com suas responsabilidades.

A explicação da guerra de raças começava assim a falhar...

Claro que houve aproveitamento político - os trabalhistas usaram o que aconteceu como bandeira contra as reformas de David Cameron (há críticas neste tipo de atitude para todos os lados - o primeiro ministro também esta aproveitando os acontecimentos para avançar uma agenda política que não é necessariamente do interesse da população).

Mas nesse ponto posso falar um pouco sobre minha experiência na Inglaterra: em 2007 quando estive em Nottingham, fui ao cinema à noite com o professor que estava me recebendo. Na saída do cinema fiquei chocado com a enorme quantidade de pessoas nas ruas entrando e saindo de pubs. Tudo até bastante ordeiro, mas eu ficava imaginando o que poderia acontecer se todos agissem de modo "menos britânico"...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Uma constatação brilhante

Devo admitir que esta tirinha do xkcd é razoavelmente fiel a realidade. A entropia na ciência de informação é definida assim:
H(X) = \sum_{i=1}^n {p(x_i)\,I(x_i)} = -\sum_{i=1}^n {p(x_i) \log_b p(x_i)},
Se considerarmos que o alfabeto ASCII (128 caracteres representados por 8 bits) uma senha de 5 caracteres absolutamente aleatória tem probabilidade (1/128)^5 (ou seja a chance de acerta-la ao acaso é de 1 em 34359738368). Se usarmos um computador que faça 1024 chutes por segundo, temos um tempo para achar a senha de 388 dias (na realidade é bem mais rápido do que isso).

Naturalmente isto pode ser razoavelmente diminuído se há regularidades. Se a senha só possui letras do alfabeto e letras minúsculas, a chance de acertá-la ao acaso caí para 1 em 11881376. Nas contas anteriores, o tempo cai para 3 horas.

A verdade é que quebra de senhas é um trabalho complicado.

Mas de longe o uso de senhas baseadas em sentenças ao invés de apenas uma palavra é bem mais simples e pelo menos igualmente mais segura. Por exemplo, em termos de probabilidades a senha %A3r& tem 1 em 7339040224 de alguém acerta-la aleatoriamente. Mas a frase bomporque tem chance de 1 em 5429503678976 de alguém acerta-la aleatoriamente.

O Truque de Confiança

Chama-se Confidence Trick. Existem vários deles, mas um deles que acho particularmente deplorável é o uso da boa vontade das pessoas. Isto pode ser feito através de mentiras como doenças reais em pessoas imaginárias ou doenças imaginárias em pessoas reais.

Temos dois casos que merecem divulgação. Um deles o de Ashley Anne Kirilow.

Mas outro igualmente sério e potencialmente mais danoso é do homem que diz ter sido curado de AIDS.

Pois ele nunca teve o vírus da AIDS. E aí temos duas possibilidades: ele foi enganado e pensou que tinha o vírus, ou ele enganou sabendo que não tinha o vírus. O que o exemplo anterior de Ashley mostra é que a soma de probabilidades demanda que se leve em conta a chance de pessoas estarem mentindo, pura e simplesmente.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

E agora o alvo é o Facebook

Hoje o grupo Anonymous designou seu mais novo alvo: Facebook. Vejam vocês mesmos a mensagem:

Segundo o tradutor do Google, o texto é esse

Cidadãos a atenção do mundo,
Queremos chamar sua atenção, esperando que você prestar atenção aos avisos da seguinte forma:
O seu meio de comunicação a todos vocês tão caro adore serão destruídos. Se você é um hacktivist dispostos ou um cara que só quer proteger a liberdade de informação, em seguida, aderir à causa e matar facebook por causa da sua própria privacidade.
Facebook tem vindo a vender informações a órgãos do governo e dando acesso clandestino a empresas de segurança da informação para que possam espionar pessoas de todo o mundo.Algumas dessas chamadas empresas whitehat infosec estão trabalhando para governos autoritários, como as do Egito e da Síria.
Tudo que você faz no Facebook permanece no Facebook, independentemente da sua "privacidade" configurações e excluir sua conta é impossível, mesmo que você "delete" a sua conta, todas as suas informações pessoais permanece no Facebook e podem ser recuperados a qualquer momento. Alterar as configurações de privacidade para fazer a sua conta do Facebook mais "privada" é também uma ilusão. Facebook sabe mais sobre você do que a sua família.
Você não pode esconder a realidade na qual vocês, o povo da internet, ao vivo dentro do Facebook é o oposto da causa Antisec. Você não está seguro com eles, nem de qualquer governo. Um dia você vai olhar para trás sobre isso e perceber o que temos feito aqui é certo, você vai agradecer os governantes da internet, não estamos prejudicando você, mas poupando-lhe.
Os distúrbios estão em andamento. Não é uma batalha sobre o futuro da privacidade e publicidade. É uma batalha para a escolha e consentimento informado. É desdobrar porque as pessoas estão sendo estupradas, cócegas, molestado, e confuso em fazer as coisas onde elas não entendem as conseqüências. Facebook continua dizendo que ele dá aos usuários escolhas, mas isso é completamente falso. Ele dá aos usuários a ilusão de e oculta os detalhes longe deles "para seu próprio bem", enquanto que, em seguida, fazer milhões fora de você. Quando um serviço é "livre", isso realmente significa que eles estão fazendo o dinheiro fora de você e suas informações.
Pense por um tempo e se preparar para um dia que entrará para a história. 05 de novembro de 2011, # opfacebook. Engajados.
Este é o nosso mundo agora. Nós existimos sem nacionalidade, sem preconceito religioso. Temos o direito de não ser vigiada, não ser perseguido, e não ser usado para fins lucrativos. Temos o direito de não viver como escravos.
Estamos anônimos
Estamos legião
Nós não perdoa
Nós não nos esquecemos
Esperam de nós
Bem, aqui cabe uma pequena reflexão sobre quem constrói sua privacidade: você ou sua rede social?

Se sua resposta for "minha rede social" então a coisa fica bastante complicada.

Racionalidade pela Janela?

Esta semana teve queda nas bolsas seguindo ao anúncio da redução da nota dos títulos do tesouro americano na sexta-feira por uma agência de avaliação de risco (Standard & Poor´s).

Até aí não é exatamente surpreendente (poderia ou não haver queda de acordo como os investidores percebessem esta notícia).

O estranho é que a procura pelos títulos americanos aumentou.

E isto não faz sentido algum. Mas naturalmente aconteceu... O que isto quer dizer?

Bem, não sei ainda. Mas posso explicar porque esta resposta é a menos esperada possível. Havia duas situações possíveis: que o mercado levasse em conta a redução da nota como significativa ou não. Se não fosse significativa, então não haveria razão para uma queda nas bolsas e sequer aumentar a procura pelos títulos da dívida americana.

Na outra situação a bolsa sofreria alterações (provavelmente queda) e os títulos não seriam muito procurados para compra, mas possivelmente para venda. Nesta hipótese, os títulos não seriam mais considerados porto seguro.

De qualquer maneira, a procura pelos títulos deveria ou não sofrer variação significativa, ou cair.

Pois foi exatamente o contrário do que aconteceu.

Claro que a posteriori há várias possíveis explicações, que eventualmente demandam um pouco de fé pela parte do leitor. Uma delas é que os títulos já estavam desvalorizados (isto se verifica pela taxa de retorno dos bônus). O problema é que a taxa na sexta era de 2.56% ao ano e nesta segunda foi a 2.3% ao ano. Isto indica um aumento na procura dos títulos de sexta para segunda.

Então esta explicação vai para o ralo.

Sobram mais algumas: o impacto foi desprezível, mas os investidores aproveitaram para comprar títulos imaginando que eles voltasse ao patamar de fevereiro deste ano (3.7%). O problema é que esta compra forçaria uma possível baixa a ficar pior ainda, dificultando a chegada no nível de 3.7% - a não ser que os Estados Unidos estejam sinalizando aumentar a taxa de juros, o que irá piorar ainda mais o problema.

Uma outra explicação é que o impacto não foi desprezível, mas no fundo as pessoas estavam se desfazendo dos títulos. O problema é que isto não explica muito bem o comportamento de quem está comprando.

De qualquer modo, as explicações sempre estarão dentro das possibilidades "foi desprezível" ou "não foi desprezível". A parte dura é identificar qual foi o mecanismo que levou ao aumento na procura pelos títulos.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Semana Cheia?

Esta semana parece que vai ser bastante movimentada. Minha torcida é que para que esta movimentação toda continue restrita aos círculos de altíssimo nível nacional e internacional.

Mas, parece que vai sobrar para a UnB de novo. Não posso dizer que seja surpresa esta presença da UnB no olho público (sendo observada com olhares desabonadores). Só que é desagradável. Torço para que tudo seja resolvido do modo mais tranquilo possível.

Afinal, já existem terremotos suficientes acontecendo nos noticiários. Vamos ver alguns deles?

- Bolsa brasileira em forte baixa neste início de semana.
Bovespa - Segunda 08/08/11
Gráfico de variações da Bovespa
Cotação Dólar - Segunda 08/08/11

- Mercados em geral afundaram de sexta para segunda (provavelmente pela notícia do Downgrade)
U.S. stock market
Dow Jones - Segunda 08/08/11
Clique aqui para ver o gráfico em tempo-real sobre Dow Jones Histórico
Nasdaq - Segunda 08/08/11
Clique aqui para ver o gráfico em tempo-real sobre Nasdaq Composite Histórico

- Outra fonte no setor bancário concordou com a avaliação de queda da S & P
- Os Estados Unidos responderam ao Downgrade AAA para AA+ de modo, como direi?, peculiar...
- Uma pequena crise política se avolumando no Brasil
- Protestos em Londres podem virar uma versão violenta dos da Grécia e Espanha?

Deixo claro que as consequências e razões destes terremotos não são inteiramente entendidas. Pode até ser que levem a situações positivas.

No fundo, a importância deste post é para registrar o clima de incerteza e imprevisibilidade que eventos assim trazem. É muito fácil julgar a posteriori quais cursos de ações devem ser tomados em situações assim. Mas para frisar este ponto deixo aqui o conselho que ouvi hoje no UOL economia:

Você que lê este post tempos depois do ocorrido: bom conselho ou não?

****
Post Scriptum: os gráficos se atualizaram sozinhos. Originalmente postei os resultados de segunda, e agora estão no ar os resultados de terça. Entenda-se isso...

domingo, 7 de agosto de 2011

Jogos de Antigamente

Pensando em complementar a seção de "Pequenas Pérolas do Cinema" considerei a idéia de incluir jogos de outrora por aqui. O primeiro é Space Invaders.

Space Invaders provided by:Free online games

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Uma questão de idade

Muitas pessoas estão preocupadas com a mudança no perfil etário da população. Esta questão não é brincadeira e pode vir a ter consequências graves na vida de praticamente todo mundo.

Por que?

Por causa da previdência social. Ao contrário de sistemas baseados em acumulação, do tipo fundo de pensão, a previdência social costuma realizar seus pagamentos mediante as contribuições anuais dos segurados que ainda não estão em idade de aposentar.

Claro que não é só aposentadoria na previdência social, mas para os efeitos deste post é isto o que interessa.

Bom, neste caso temos que a aposentadoria é garantida pelas contribuições que são realizadas por indivíduos não aposentados. Como via de regra os aposentados constituem a parcela com mais idade da população, então o equilíbrio é dado considerando o tamanho da parcela e o percentual de contribuição a ser dado.

No fundo temos a seguinte situação:
p - percentual dos que contribuem
1-p - percentual dos que não contribuem

Com isso dá para definir algumas coisas. Se todos contribuíssem de modo igual (p=1) com x teríamos:

p*x+(1-p)*x = 1*x+(1-1)*x=x

No entanto, nem todos contribuem de modo igual, os que se utilizam da previdência não contribuem para o bolo. Então temos:

p*y+(1-p)*0 = x

Isto quer dizer imediatamente que, para manter o mesmo bolo, então y = x/p (como p<1) então y > x.

O problema é que para que isto funcione, então os que contribuem devem adicionar uma produtividade maior  adicional de 1/p. Então o ganho de produtividade necessário é igual a inverso da proporção da população que contribui.

Por exemplo: se 2/3 da população contribui o ganho de produtividade deve ser de 3/2. Isto quer dizer que a medida que a proporção dos que não contribuem (1-p) aumenta, a proporção dos que contribuem (p) diminui. Logo para manter o jogo no zero a zero, a produtividade dos que contribuem deve aumentar de modo a compensar o envelhecimento da população.

Aumento de produtividade significa em poucas palavras, menos pessoas fazendo mais coisas. Ou seja menos pessoas trabalhando mais.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Usando uma boa causa para benéficio próprio

Impossível? Nada disso, é uma técnica muitíssimo utilizada. E nesse post vou dar exemplos de como as pessoas usam isto a torto e a direito...


Justificar a liberação da maconha com base nos argumentos que "sua liberação iria beneficiar aos doentes".
- Bem, o pedido de liberação da maconha certamente não é por causa do benefício que iria trazer aos doentes, mas sim para o camarada poder fumar a dele em paz. Mas é claro que falar a verdade neste caso não iria trazer muita simpatia para causa, não?
Justificar a liberação da maconha com base nos argumentos que é "mais segura que o álcool e não é letal".
- Tudo que isto fez foi me convencer dos perigos do álcool e não do benefício da maconha. Suponho que isso é na realidade uma tentativa de argumentação do tipo "proibir maconha e liberar o álcool é uma tremenda hipocrisia", não? No fundo o camarada quer mesmo é fumar sua erva em paz E tomar sua birita sem problemas. Mas de novo isso não traz muita simpatia pela causa...


Justificar diminuir a alíquota de imposto usando o conceito da curva de Laffer - ou seja que aumentar a alíquota pode diminuir a arrecadação.
- O problema é que o único consenso a repeito da curva de Laffer é que 0% de alíquota resulta em um mínimo de arrecadação. A curva frequentemente é apresentada desta maneira:
File:Laffer-Curve.svg
Mas ela pode ser muito bem desta maneira:
File:LafferCurve.svg
Em resumo, sem dados mais concretos a idéia que diminuir a alíquota irá aumentar a arrecadação é apenas uma suposição. O que o camarada quer mesmo é ter mais dinheiro no final do mês para gastar como bem quiser....

A lição que fica é que, com frequência, razões que são utilizadas para convencer não são as verdadeiras razões.

Uma frase esclarecedora sobre os políticos em geral

"We have to be very clear on this point: that the response is to the image, not to the man, since 99 percent of the voters have no contact with the man. It's not what's there that counts, it's what's projected -- and . . . it's not what he projects but rather what the voter receives. It's not the man we have to change, but rather the received impression."
Esta frase é de Ray Price, um dos assuntos deste artigo.

Uma tradução livre é a seguinte:

"Temos de deixar claro este ponto: a resposta é para com a imagem, não o homem, afinal 99 porcento dos eleitores não tem contato algum com o homem. É isto que conta, é isto que é projetado -- e... não é bem o que ele projeta mas o que o eleitor recebe. Não é o homem que deve mudar, mas a impressão recebida pelo eleitor"

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Cyrus Harding (Smith?): Um engenheiro de ficção


Estou lendo uma coleção de Júlio Verne no Kindle. Já Li Vinte Mil Léguas Submarinas, Viagem ao Centro da Terra, A Volta ao Mundo em 80 dias e agora estou lendo A Ilha Misteriosa.

Uma coisa que posso dizer é que minha percepção a respeito dos livros foi bastante alterada devido aos filmes. Vinte Mil Léguas e Viagem ao Centro da Terra são substancialmente diferentes em espírito e forma dos filmes que foram realizados baseados nas idéias dos livros. Um exemplo: o episódio da Lula Gigante no filme é bem menos importante no livro. Aliás, a preocupação em classificar, relatar e até mesmo comer o que encontravam tornam o livro do Nautilus bem diferente do que se imagina no filme.

O que me traz ao livro que estou lendo. Ainda estou longe de terminar (só li cerca de 1/3 do livro), mas estou vivamente impressionado com um dos personagens: o engenheiro Cyrus Harding. Esse camarada faz o MacGyver parecer um aprendiz.

No livro ele é um engenheiro de ferrovias que, me conjunto com diversos amigos, arquiteta uma fuga audaciosa de Richmond em um balão. Vou colocar a descrição no livro em inglês:
That same year, in the month of February, 1865, in one of the coups de
main by which General Grant attempted, though in vain, to possess himself
of Richmond, several of his officers fell into the power of the enemy and
were detained in the town. One of the most distinguished was Captain Cyrus
Harding. He was a native of Massachusetts, a first-class engineer, to whom
the government had confided, during the war, the direction of the railways,
which were so important at that time. A true Northerner, thin, bony, lean,
about forty-five years of age; his close-cut hair and his beard, of which
he only kept a thick mustache, were already getting gray. He had one-of
those finely-developed heads which appear made to be struck on a medal,
piercing eyes, a serious mouth, the physiognomy of a clever man of the
military school. He was one of those engineers who began by handling the
hammer and pickaxe, like generals who first act as common soldiers. Besides
mental power, he also possessed great manual dexterity. His muscles
exhibited remarkable proofs of tenacity. A man of action as well as a man
of thought, all he did was without effort to one of his vigorous and
sanguine temperament. Learned, clear-headed, and practical, he fulfilled in
all emergencies those three conditions which united ought to insure human
success--activity of mind and body, impetuous wishes, and powerful will. He
might have taken for his motto that of William of Orange in the 17th
century: "I can undertake and persevere even without hope of success."
Cyrus Harding was courage personified. He had been in all the battles of
that war. After having begun as a volunteer at Illinois, under Ulysses
Grant, he fought at Paducah, Belmont, Pittsburg Landing, at the siege of
Corinth, Port Gibson, Black River, Chattanooga, the Wilderness, on the
Potomac, everywhere and valiantly, a soldier worthy of the general who
said, "I never count my dead!" And hundreds of times Captain Harding had
almost been among those who were not counted by the terrible Grant; but in
these combats where he never spared himself, fortune favored him till the
moment when he was wounded and taken prisoner on the field of battle near
Richmond. 
Bem, até o ponto que li o livro Cyrus Harding sem ter nenhuma das aparelhagens tão comuns à nossa civilização já fez fogo, um forno para cerâmica, forjou ferro e aço, fez nitroglicerina e ainda descobriu a localização da ilha.

Talvez esse seja o papel do engenheiro na imaginação popular. Até eu fiquei impressionado.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Da Rádio Corredor para Imprensa

Veja publicou mais uma reportagem sobre a UnB. Já falei sobre outras reportagens da Veja antes.

Eu posso falar que a UnB também publicou uma nota, a planalto publicou uma nota e a Adunb publicou uma nota. E até o procurador também publicou um artigo.

Eu não vou comentar sobre a veracidade do assunto. Vou apenas dizer que há consenso na seguinte informação: Tanto a reitoria, quanto a Planalto, quanto a Veja convergem no ponto que o fiscal do contrato poderia estar pedindo propinas para liberar notificações e multas aplicadas pela universidade. A reitoria diz que a planalto informou isso, a planalto diz que informou isso a reitoria e a Veja disse que a planalto informou isso a reitoria.

O funcionário realmente pediu propina? Não sei, cabe aos órgãos competentes investigar.

Mas o ponto do artigo é outro. Há na nota da Adunb uma frase que gostaria de destacar: Essas denúncias já estavam sendo vinculadas pela 'rádio corredor' na UnB. Embora alguns optassem por classificá-las como mera fofoca, 

Rádio Corredor. Esta denominação é antiga na UnB e já vi ser usada por diversas pessoas. Se procurar no Google um dos primeiros resultados já fala sobre ela.

Essencialmente a rádio corredor é aonde a intriga, fofoca e algumas verdades circulam. O que é intriga, o que é fofoca e o que é verdade? Aí é mais difícil fazer esta distinção. A rádio corredor poderia ser um fascinante tema de pesquisa social, quem sabe alguém se habilita?

Quando a informação da rádio corredor chega a imprensa é porque algo aconteceu. Via de regra, como é da natureza da intriga e da fofoca, muito pouco pode ser realmente provado ou verificado. Então quando a informação transborda da rádio corredor é porque algo mais aconteceu.

Percebam que isto não quer dizer que a informação alardeada seja verdade, mas que algo mudou a ponto desta informação passar do círculo da intriga para o círculo da acusação. Em geral, alguém se sentiu pressionado, prejudicado, ou algo assim e resolver colocar a boca no trombone...

Mas, isto já aconteceu antes na UnB.

Progressão continuada?

Hoje no Correio Brasiliense saiu uma matéria na página de opinião sobre Progressão Continuada. Infelizmente não tenho os links para mostrar o texto.

O fato é que enquanto há um germe de verdade na questão da não reprovação e diminuição das taxas de abandono. O germe de verdade é que é contraproducente exigir a repetição de todo um conjunto de disciplinas baseado no mau desempenho em um subconjunto pequeno (o que é "pequeno" ainda é questão de debate).

Ao mesmo tempo, existem disciplinas que realmente precisam ser completadas a contento para contribuir para um aprendizado completo.

E aí cabe logo dizer o tamanho do problema: as disciplinas que "atravacam o pogresso dessepaiz" são Português e Matemática. O grosso dos problemas de reprovação se concentra nestas duas (bem isto no geral, porque para graus específicos aí também entram Física e Química).

As demais não são realmente a raiz do problema.

Então se for para maquiar números basta deixar estas duas disciplinas sem provas.

Se for para resolver o problema, então a solução é outra.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Faltou ler a letrinha miúda


Leio na internet sobre o Plantbook. Belíssimo e totalmente imaginário... Pena que a maioria das pessoas que reportaram a notícia não entendeu a parte do "totalmente imaginário". Felizmente pelo menos uma das fontes que encontrei percebeu isto.

Suspeito que o Plantbook atual é aquilo que as páginas da internet mostram: figuras criadas por softwares de edição gráfica.

Vamos ao caso em questão:
The designers explain, “The system uses an external water tank, hence the Plantbook continuously absorbs water when soaking it in water and generates electrolysis using power stored in a solar heat plate installed on the top. In this process, it is operated using hydrogen as energy source and discharges oxygen. If you put it into a water bottle while you don’t use the laptop, it automatically charges a battery and discharges oxygen. A leaf-shaped strap hanging on the top is made with silicon. It plays a role of a hand ring and a green LED indicates when the battery is charged. Using this LED, users can check how much spare capacity the batter has.”
Então vamos agora quebrar o problema em partes.
  1. O tanque absorve água continuamente (é possível, mas há limitações quanto a isto).
  2. O sistema realiza eletrólise usando energia armazenada em uma placa solar de aquecimento (isto já não só não é possível, como também não é eficiente (pelos dados que encontrei é algo entre 30% e 50%)). Para que haja eletrólise é necessária uma fonte elétrica, então imagino que o calor da placa solar é convertido em energia elétrica de alguma forma.  E claro a eletrólise consome energia e não fornece energia. O que a eletrólise fornece são os gases dissociados hidrogênio e oxigênio.
Então de onde vem a energia que irá carregar o computador? Francamente eu não sei... Mas um bando de gente parece que entendeu, gostaria que me explicassem.

Aliás: você pode fazer umas perguntinhas malvadas, se quiser...
- De onde vem a energia para carregar o computador?
- De onde vem a energia para fazer a eletrólise?
- A eletrólise serve para que neste caso?

*Post Scriptum

No entanto há realmente um carregador que funciona com água. Mas notem que ele usa uma célula de combustível baseada em membrana para troca de prótons.

Powertrekk - How it works from PowerTrekk on Vimeo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Sensacionalismo de boteco

Li hoje no Correio Brasiliense: Polícia Mata uma Pessoa a Cada Cinco Horas. Que horror! Isso é um absurdo, não?

Ehhh... não. O ano tem 365 dias e cada dia tem 24 horas. Isto dá um total de 8760 horas. Uma pessoa a cada cinco horas é isso dividido por 5, o que dá 1752 pessoas por ano (na realidade, o número apresentado na matéria é 1693).

Parece muito? Bom, o Brasil tem 46660 homicídios por ano. Então 1752 homicídios causados por policiais corresponde a 3.76% do total. Vamos arredondar para 4%. Isto quer dizer que 96% dos homicídios não são cometidos por policiais.

O impacto fica bem menor assim, não?

O efeito que esta manchete causa se vale de uma característica bem humana: dependendo de como a informação é apresentada, as respostas emocionais são diferentes. Por exemplo, o número que eu utilizei como de homicídios totais é de 2006-2007 (há outros dados que contradizem isto) e não tem nenhuma informação sobre o crescimento populacional.

Mas este não é ponto principal. O ponto principal é se este número é grande ou pequeno comparativamente. Para isso temos de comparar o mesmo problema em outra base de dados. Neste caso há um problema devido a classificação de homicídios justificáveis, mas vamos esquecer isto por um momento. Em 2005, os EUA tiveram 16692 homicídios. Destes 343 foram causados pela polícia. Isto resulta em 2.05%. Ou seja, cerca de 98% dos homicídios não foram causados pela polícia.

Compare os 98% com os 96%. Alternativamente: compare os 2% causados pela polícia nos EUA com os 4% causados pela polícia no Brasil. Há muitos homicídios causados pela polícia brasileira? Sim.

A verdade é que há um problema sim, mas o sensacionalismo de boteco que a manchete apresenta induz a pensar sobre o problema errado.

O problema não são os homicídios causados pela polícia brasileira. O problema é o número de homicídios

domingo, 24 de julho de 2011

Guy Fawkes e Anders Behring Breivik


Uma comparação herética? Nem tanto, se você sabe quem é Guy Fawkes e leu um pouco mais sobre Anders.

O fato é que ambos decidiram utilizar do terrorismo para avançar suas crenças. Fawkes era católico e desejava destronar a dinastia protestante e colocar no poder uma dinastia católica. Anders ainda está envollto em um pouco de mistério. Há na internet o texto do seu manifesto. Há quem diga que ele é copia do manifesto do Unabomber.

Baseado no que li dos dois manifestos, eu tenho dúvidas sobre esta afirmação. Há também um vídeo disponível (aviso que a pessoa que o fez é suspeita de atentados que mataram dezenas de pessoas).

O fato é que o manifesto de Anders trata de um receio que vários europeus tem hoje: a islamização da Europa. Em parte por causa de imigração, em parte por taxas diferenciais de natalidade, em parte por causa das atitudes tomadas para convivência de diversas crenças, o fato é que é fácil acreditar que a Europa cristã vai desaparecer sob o peso da Islamização de sua população.

Não creio que isto seja real, mas imagino que para um europeu isto talvez assuste bastante. Daí Anders propõe ações diretas (guerra mesmo) para contrapor a esta tendência. Soa inacreditavelmente análogo ao que Fawkes decidiu fazer.

O que assusta nesta história é que Fawkes se tornou um ídolo moderno a despeito do que iria fazer (no fundo estamos falando de um defensor do absolutismo), graças a uma história em quadrinhos e depois um filme.

Será que Anders terá o mesmo destino?

Eu espero que não, sinceramente espero que o que ele escreveu seja refutado não apenas com palavras mas com ações.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Exames, avaliações e realidades

Exames e avaliações não quantificam a realidade, mas apenas a estimam. Este post é em razão de que o exame da ordem dos advogados do Brasil (OAB) estar sob risco de ser extinto.

E antes de mais nada cabe aqui um opinião pessoal: exames de proficiência deveriam ser obrigatórios, senão em todas profissões, então em alguma que considero fundamentais (engenheiro, médico, advogado). Já é assim em vários países do mundo (bar exam nos EUA,ou os professional exams:).

Eu acredito que este prática deveria ser comum a diversas profissões.

Dito isto...

O que o exame avalia? Nada, é apenas uma forma de conformar

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Hacker, invasões, percepções e ilusões

Estou acompanhando com certo interesse as peripécias dos grupos Anonymous e LulzSec mundo afora. Como sempre há uma mistura de desconhecimento com aproveitamento.

Deixo claro que o desconhecimento é da parte dos orgãos de mídia que estão acompanhando o caso.

Mas em paralelo com o desconhecimento, há o aproveitamento por parte dos "Hackers" (coloco entre parênteses, pois há envolvidos que nada mais fazem do que executar programas desenvolvidos com fins específicos - isto, para mim, não é hacking). Mas devo dar a mão a palmatória e aceitar que há "Hackers" dentro deste meio.

O aproveitamento é exagerar um pouco sobre os integrantes e suas capacidades. Há certamente estratégias de invasão com potencial para causar enorme confusão. Mas a bem da verdade são poucas as pessoas com o conhecimento para fazer isto, até agora.

Certamente há opiniões infladas dos participantes, do movimento e do que realmente podem conseguir.

E aí é que a coisa vai complicar...

Ao contrário dos entusiastas, os profissionais se engajam no seu serviço de modo contínuo e por períodos muito longos. E os profissionais estão correndo atrás dos participantes destes dois grupos. E quando os acharem vai começar um pesadelo para estes participantes.

Ao contrário dos entusiastas, os profissionais podem se envolver em perseguir, encontrar e punir estes participantes por décadas a fio. Quanto maior for a dor de cabeça causada, maior será a retribuição a eles impingida.

Eles não deveriam ter ilusões: eles estão marcados. Uma vez descobertos, um oceano de dificuldades pode surgir.

Neste caso, a melhor estratégia é a de ficar quieto e deixar as coisas se assentarem. Mas infelizmente, parece que os participantes tomaram gosto pelas Luzes da Ribalta. Vamos esperar para ver...

A propósito: a única coisa que realmente me irritou sobre estes caras foi a invasão da rede sony para PS3.