Não consegue? Vou facilitar dando a lista dos ministros da educação dos últimos 20 anos:
- Aloizio Mercadante
- Fernando Haddad
- Tarso Genro
- Cristovam Buarque
- Paulo Renato de Souza
- Murillo de Avelar Hingel
- Heraldo Tinoco Melo
- José Goldemberg
Como eu posso colocar Paulo Renato e Haddad na mesma lista? Pelas ações dos mesmos. Sei que é difícil, caros leitores, mas façam um exercício: vejam o que mudou na educação de 1995-2003 (Paulo Renato) e de 2005-2012 (Haddad). Não é pouca coisa não, o que não podemos dizer dos outros ministros...
Por que esta introdução?
Você já deve ter ouvido o bordão: O Problema do Brasil é a Educação.
Bem, é verdade que a educação é um problema. Mas exatamente qual é o tamanho do problema? Em outras palavras, podemos culpar a educação pelos nossos outros problemas?
Mas antes de mais nada é importante distinguir educação de doutrinação. Quando se diz que o brasileiro não tem consciência de classe, ou que não entende a exploração capitalista, então se estava fazendo uma crítica que o brasileiro não é doutrinado o suficiente (parte da minha crítica com Paulo Freire é que o que é ensinado é uma mistura de doutrinação com educação).
Na minha visão pessoal, educação liberta, enquanto doutrinação aprisiona.
É desnecessário frisar a enorme quantidade de pessoas que não só discordam de mim, como também acham que sou um títere do capitalismo mercantil-financista ianque sionista reacionário internacional. A estes eu só posso dizer:
Bem, então deixando de lado esta questão vamos ao que interesse: qual é o tamanho do problema da educação no Brasil? Bem temos o PISA que permite algumas comparações interessantes:
O desempenho do Brasil é aproximadamente igual ao da Colômbia, mas um pouco superior ao da Argentina, Panamá e Peru. Estamos muito atrás do Chile e do Uruguai. O fato de estarmos um pouco melhor do que nossos vizinhos é relevante. Pode-se até fazer um pequena normalização sobre custos da educação - e nela não ficamos tão ruins. Um quadro mais completo está aqui.
O MEC tabelou os resultados do PISA e com isso permitiu uma comparação razoável da evolução brasileira ano-a-ano.
Quadro comparativo dos resultados do Brasil no PISA desde 2000.
| Pisa 2000 | Pisa 2003 | Pisa 2006 | Pisa 2009 | |
| Número de alunos participantes | 4.893 | 4.452 | 9.295 | 20.127 |
| Leitura | 396 | 403 | 393 | 412 |
| Matemática | 334 | 356 | 370 | 386 |
| Ciências | 375 | 390 | 390 | 405 |
Os dados indicam que há uma evolução positiva no desempenho dos alunos (pelo menos nos tópicos de matemática e ciências).
Então o que isso quer dizer? Bom, que estamos melhorando. Mais ainda que: há técnicas e pesquisas que indicam caminhos para que esta melhora seja verdadeiramente implantada. Eu posso não concordar com elas, mas que elas existem, existem...
E posso dizer ainda que em vista do post de sexta-feira (sobre o PISA e o desempenho do Brasil), posso dizer que a federalização e o aumento no financiamento da educação parecem caminhos interessantes (mas que devem ser adotados com cautela).
Vamos então a questão do analfabetismo.
O que se vê é que o analfabetismo vem caindo lentamente, mas caindo. O que se vê é o problema sendo resolvido. Comparativamente aos outros países não estamos bem, mas também nem tão ruim assim.
Mas qual é a lição mais importante?
O problema da educação no Brasil é menor do que se vende nos púlpitos, jornais e discursos. Não é o caso de dizer que o problema não exista, mas não só ele é menor do que dizem, quanto ele vem sendo lentamente resolvido. E não dá para culpar a educação por todos os nossos problemas (dá para culpar alguns apenas).
Mais ainda...
Bem, mudar educação é possível. Mas como as tabelas mostram, não se dá por grandes saltos positivos. O trabalho é o de formiginha mesmo...
E possivelmente o Brasil está na posição que era de se esperar (eu não sou o único com esta opinião)
Um adendo: Cuidado, em muitos casos a crítica confunde educação formal com civilidade - são coisas relacionadas mas não são iguais.


