segunda-feira, 19 de março de 2012

Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - 17

Nomeie os 3 melhores ministros da educação dos últimos 20 anos!

Não consegue? Vou facilitar dando a lista dos ministros da educação dos últimos 20 anos:
  • Aloizio Mercadante
  • Fernando Haddad
  • Tarso Genro
  • Cristovam Buarque
  • Paulo Renato de Souza
  • Murillo de Avelar Hingel
  • Heraldo Tinoco Melo
  • José Goldemberg
Eu tenho minha lista, mesmo desagradando a gregos e troianos: Paulo Renato de Souza, Fernando Haddad e José Goldemberg. E Goldemberg só entrou na lista por causa da criação da CAPES.

Como eu posso colocar Paulo Renato e Haddad na mesma lista? Pelas ações dos mesmos. Sei que é difícil, caros leitores, mas façam um exercício: vejam o que mudou na educação de 1995-2003 (Paulo Renato) e de 2005-2012 (Haddad). Não é pouca coisa não, o que não podemos dizer dos outros ministros...

Por que esta introdução?

Você já deve ter ouvido o bordão: O Problema do Brasil é a Educação.

Bem, é verdade que a educação é um problema. Mas exatamente qual é o tamanho do problema? Em outras palavras, podemos culpar a educação pelos nossos outros problemas?

Mas antes de mais nada é importante distinguir educação de doutrinação. Quando se diz que o brasileiro não tem consciência de classe, ou que não entende a exploração capitalista, então se estava fazendo uma crítica que o brasileiro não é doutrinado o suficiente (parte da minha crítica com Paulo Freire é que o que é ensinado é uma mistura de doutrinação com educação).

Na minha visão pessoal, educação liberta, enquanto doutrinação aprisiona.

É desnecessário frisar a enorme quantidade de pessoas que não só discordam de mim, como também acham que sou um títere do capitalismo mercantil-financista ianque sionista reacionário internacional. A estes eu só posso dizer:

Bem, então deixando de lado esta questão vamos ao que interesse: qual é o tamanho do problema da educação no Brasil? Bem temos o PISA que permite algumas comparações interessantes:

O desempenho do Brasil é aproximadamente igual ao da Colômbia, mas um pouco superior ao da Argentina, Panamá e Peru. Estamos muito atrás do Chile e do Uruguai. O fato de estarmos um pouco melhor do que nossos vizinhos é relevante. Pode-se até fazer um pequena normalização sobre custos da educação - e nela não ficamos tão ruins. Um quadro mais completo está aqui.

O MEC tabelou os resultados do PISA e com isso permitiu uma comparação razoável da evolução brasileira ano-a-ano.

Quadro comparativo dos resultados do Brasil no PISA desde 2000.
Pisa 2000Pisa 2003Pisa 2006Pisa 2009
Número de alunos
participantes
4.8934.4529.29520.127
Leitura396403393412
Matemática334356370386
Ciências375390390405

Os dados indicam que há uma evolução positiva no desempenho dos alunos (pelo menos nos tópicos de matemática e ciências).

Então o que isso quer dizer? Bom, que estamos melhorando. Mais ainda que: há técnicas e pesquisas que indicam caminhos para que esta melhora seja verdadeiramente implantada. Eu posso não concordar com elas, mas que elas existem, existem...

E posso dizer ainda que em vista do post de sexta-feira (sobre o PISA e o desempenho do Brasil), posso dizer que a federalização e o aumento no financiamento da educação parecem caminhos interessantes (mas que devem ser adotados com cautela).

Vamos então a questão do analfabetismo.
O que se vê é que o analfabetismo vem caindo lentamente, mas caindo. O que se vê é o problema sendo resolvido. Comparativamente aos outros países não estamos bem, mas também nem tão ruim assim.

Mas qual é a lição mais importante?

O problema da educação no Brasil é menor do que se vende nos púlpitos, jornais e discursos. Não é o caso de dizer que o problema não exista, mas não só ele é menor do que dizem, quanto ele vem sendo lentamente resolvido. E não dá para culpar a educação por todos os nossos problemas (dá para culpar alguns apenas).

Mais ainda...

Bem, mudar educação é possível. Mas como as tabelas mostram, não se dá por grandes saltos positivos. O trabalho é o de formiginha mesmo...

E possivelmente o Brasil está na posição que era de se esperar (eu não sou o único com esta opinião)

Um adendo: Cuidado, em muitos casos a crítica confunde educação formal com civilidade - são coisas relacionadas mas não são iguais.

domingo, 18 de março de 2012

Get Smart: o Agente 86

Hoje trago uma boa comédia dos anos 60-70: Get Smart.

O seriado contava as atrapalhadas aventuras do agente 86 do CONTROLE contra a KAOS. O agente, que mete os pés pelas mãos, tem o auxílio da bela agente 99, que por sua vez tem toda competência que o agente 86 não tem.

A série foi criação de Mel Brooks e Buck Henry, e tem como elemento especial de fama uma série de bordões de difícil tradução para o português.
The Craw!

Missed by that much

Would you believe

and loving it

o Cone do Silêncio

A série ainda gerou filmes e especiais. O produto mais recente foi Agente 86 de 2008.

Pode não ser igual ao original, mas definitivamente tem seus momentos

sábado, 17 de março de 2012

Pequenas Pérolas do Cinema - 51

Aproveitando que  o ECAD voltou atrás, trago hoje The Godfather.

Este filme é clássico em tantos sentidos que é até difícil de sumarizar. Temos o drama da sucessão de Rei Lear, temos a tragédia familiar, temos o crime como emprego diário... É muito.

Outra característica interessante é que Michael Corleone é Al Pacino. E este personagem o segui durante toda a sua carreira.

Uma cena que fica na memória é justamente dos assassinatos encomendados por Michael ao mesmo tempo em que ele renega o demônio no batizado do seu sobrinho.

A cena final é ao mesmo tempo triste e reveladora. Temos Michael que por uma série de eventos acabou por se tornar o chefão, e a cena indica o preço que isso irá ter na sua vida.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Uma Falácia com Números

Como já disse em diversos locais neste blog, muitas notícias torturam as estatísticas.

Caso em questão: este artigo. Vou transcrever um pedaço:
Se a maioria dos estudantes brasileiros não consegue ler, fazer cálculos matemáticos e compreender a ciência como a maioria dos jovens de países desenvolvidos como Inglaterra, França, Estados Unidos, Canadá e Japão, há um grupo seleto de alunos do País que consegue até superá-los quando o assunto é o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa).
As notas do último exame educacional, criado pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para verificar a qualidade de ensino nos países desenvolvidos e parceiros, mostram que os estudantes da rede federal de educação básica obtiveram desempenhos tão bons ou até superiores aos de muitos alunos que vivem em países muito desenvolvidos.
Relatório divulgado pela OCDE aponta que a nota em leitura desses estudantes da rede pública federal ficou em 535. A média dos países desenvolvidos na área é de 493 pontos. Em matemática, a situação se repete. Foram 521 pontos obtidos pelos alunos da rede federal contra 495 da OCDE. Em ciências, os brasileiros ficaram com 528 e os desenvolvidos, 500 pontos. A média geral da rede ficou em 528.
Essa média está à frente de países como França, Estados Unidos, Israel, Espanha, Reino Unido, Dinamarca, Alemanha, Austrália e Canadá. Só perde para a o Japão (529 pontos), Coréia (541), Cingapura e Finlândia (543), Hong Kong (546) e Shangai (577). Vale lembrar que a China preferiu não colocar todas as províncias e regiões do país para realizar as provas. Apenas algumas participaram do Pisa.
“É uma rede pequena, mas é a prova de que o setor público sabe oferecer uma boa educação. Para isso, tem de remunerar bem o professor, investir em laboratório e investir em educação integral. Todos são componentes do sucesso educacional”, ressaltou o ministro da Educação, Fernando Haddad. Os estudantes das escolas federais ficaram com resultados melhores do que a rede privada brasileira.
Muito bem, em uma reportagem do mesmo dia, temos a manchete: "Estudantes brasileiros ficam em 54º em ranking de 65 países"

Então como conciliar estas duas informações?

Simples: o problema é que a primeira reportagem compara a média de uma amostra selecionada com médias do sistema federal de outros países. Como não sabemos qual a dimensão deste sistema em outros países, isto acaba não informando direito (mais conhecido como cherry picking fallacy). Qual é o tamanho da rede pública federal da Coréia? Eu não sei... Mas sei algo sobre a do Brasil.

Com um pouco de matemática dá para saber a dimensão da rede pública federal no Brasil.

No cálculo do PISA, eu estimo que a rede pública federal constitui 0.03% do total, e possui média 528. Minha estimativa para a rede particular é 25.45% do total, e possui média 502. Finalmente, isto resulta na rede pública estadual e municipal constituindo 75.52%.

Enquanto a média da rede pública federal é de 528, a da rede particular é de 502 e a da rede pública municipal e estadual é de 387. Ao se comparar somente o sistema da rede pública federal com outros países (mesmo que se compare com redes públicas federais destes outros países) a estatística está, no fundo, comparando coisas que podem ser muito diferentes.

Se a nossa rede pública federal funciona como educação de elite, estamos comparando o que temos de melhor (e em pequeno número), com a rede federal de outros países (que pode ser maior ou pode nem ser o melhor do país).

Muito bem, então qual é a leitura correta?
  1. Que a rede pública federal  tem o melhor desempenho  na educação pública.
  2. Que a rede pública federal tem desempenho tão bom quanto de países desenvolvidos
  3. Que a rede pública estadual e municipal tem o pior desempenho na educação pública.
E isto. Se soubermos quanto dinheiro vai para cada um dos setores então é até possível tomar algumas decisões mais educadas sobre como devemos gastar o dinheiro da educação. Talvez valha a pena retornar a este problema em um post futuro.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Taxas

A idéia de linearidade é muito poderosa na estimação. A linearidade tem uma vantagem interessante que é a simplicidade na normalização dos dados. E daí vem as taxas...

Boa parte do que se coloca como dados da economia, da sociedade, ou coisa que valha é costumeiramente colocado em termos de uma taxa.

Esta taxa, quando referida a um país, geralmente é normalizada pela população. E aí temos os famosos dados "per capita" (PIB, nascimentos, doentes, e assim vai). Quando os dados per capita são muito pequenos, então utiliza-se um multiplicador para torna-los mais visíveis.

E assim temos, nascimentos por 100.000 habitantes, casamentos por 100.000 habitantes e assim vai.

É um conceito simples e ao mesmo tempo um pouco ilusório. Escolhe-se um dado em particular, e aí se considera que aquele dado é uma função da população (N). Entretanto, mais do que uma função qualquer, considera-se, mesmo que subliminarmente, uma função linear.

Um exemplo é o PIB per capita de países. O primeiro da lista é Luxemburgo, os Estados Unidos são o número 13 e o Brasil é número 63.  Neste caso considera-se que o PIB é PIB(N) e para "normaliza-lo" dividimos pela população (N) - o PIB per capita é PIB(N)/N

Já em termos de médicos por 1.000 habitantes o Brasil tem 1.72, em comparação com 2.67 dos Estados Unidos, ou  1.94 da Venezuela (caso comparemos com 100.000 habitantes, basta multiplicar o número por 100: Brasil 172, EUA 267 e Venezuela 194).

Já no caso de enfermeiros por 100.000 habitantes temos 94 (mas em termos de técnicos de enfermagem o valor é 4 vezes maior). No caso de outros países a coisa muda bastante: na Rússia este número é 810, no caso dos Estados Unidos o número é 1080.

No caso de dentistas este número é de cerca de 110.

Já em termos de advogados somos o número 2 do mundo: 3.27 por 1000 habitantes, só perdendo para os Estados Unidos com 3.71 por 1000 habitantes. A reportagem de onde estes números foram extraídos e depois corrigidos tem um erro de conta (que pode ser avaliado aqui).

Em termos de engenheiros, o Brasil gradua cerca de 8 engenheiros por 100.000 habitantes. A França e Inglaterra graduam 4 vezes mais do que isso, enquanto a Coreia gradua cerca de 10 vezes mais do que isso.

Bem, aí vem a pergunta: isso é muito? isso é pouco? Aí tem que se ter uma base de comparação.

E aí a coisa pega.

Usamos o que? Uma média mundial? Comparação país-a-país? Correlação com outras variáveis?

Ah, mas isto é só parte do problema. Ao "normalizarmos" o problema, será que estamos complicando ou simplificando a explicação? Como assim? Bom, vamos supor que a população não seja a única variável relevante... Ou seja, vamos supor que o problema é de múltiplas variáveis - e que a população não é a variável mais relevante. Em termos matemáticos, ao invés de um f(N) temos um f(N,M), sendo que N não é a variável mais importante.

Mas é mais complicado do que isso.

Mesmo se a população for a única variável, ou seja f(N), ainda há boa chance da relação não for linear. O que isso causa? Bom, se a relação não for linear então normalizar a população não irá gerar uma taxa fixa. Matematicamente:

Se f(N)=a*N, então f(N)/N = a (que não se altera). Um exemplo disso pode ser visto aqui. Ou na figura a seguir, que trata de homicídios por 100.000 habitantes (veja o caso do Brasil).

Mas se f(N)=a*N*(1+b*N), então f(N)/N = a+a*b*N (ou seja o crescimento da população irá afetar a taxa). No primeiro caso teríamos uma constante enquanto no segundo caso teríamos uma função linear (algo assim). Um exemplo clássico deste comportamento é justamente o PIB per capita!

O caso mais comum é uma combinação dos dois efeitos. O exemplo que melhor ilustra isto é a evolução da Dengue. Há uma componente sazonal e pelo menos uma componente populacional (que não é linear).
O que a linearidade, múltiplas variáveis e não linearidade querem dizer? Bem, eu gostaria de que as pessoas pensassem um pouco nisso. A linearidade mostra que o indicador específico é determinado pelo tamanho da população. O sistema de múltiplas variáveis indica que não é somente a população que determina o tamanho do problema. No caso de não linearidade, mas com apenas uma variável, um comportamento do tipo f(N)/N = a+a*b*N mostra que as interações entre elementos da população são importantes também.

Muito bem, e o que isso tem a ver com as perguntas que fizemos anteriormente (Usamos o que? Uma média mundial? Comparação país-a-país? Correlação com outras variáveis?)?

Antes de mais nada é necessário entender COMO a taxa se relaciona com a população. Só a partir daí é que pode-se pensar em uma solução de verdade.

quarta-feira, 14 de março de 2012

É como dizem

"Explanations exist; they have existed for all time; there is always a well-known solution to every human problem — neat, plausible, and wrong.". O autor dessa frase é Howard Louis Mencken.

Esta frase deveria estar gravada em todos os livros educacionais do mundo.

Como este blog insiste em apontar, as coisas são mais complicadas do que parecem. A sabedoria em aprender está em simplificar um problema o suficiente para entendê-lo e não para satisfazer critérios arbitrários.

A lição é que mais frequentemente do que desejamos, as explicações simples geralmente estão erradas (ou no mínimo simplistas). Não é sempre o caso, mas costuma ser muito, muito comum.

Dessa vez eu não vou falar de ciências sociais, mas de um mito de física excepcionalmente arraigado na mente das pessoas. Que mito? Quanto maior a queda, maior o impacto!

Pura verdade? Nope!

O mito é verdade em um mundo que não haja resistência de fluidos, no caso em questão a resistência do ar. E devido a resistência do ar, existe um conceito chamado velocidade terminal. Basicamente, a velocidade não irá crescer sem limites, mas irá se estabilizar em um valor (que dependerá da massa, da área e de outros fatores). Quanto menor a área, menor será a velocidade terminal. Quanto maior a massa, maior será velocidade terminal.

A verdade é que no caso de uma pessoa em queda livre, a velocidade terminal é atingida após uma queda de 600 metros. As equações relevantes podem ser encontradas aqui.

Muito bem, e o que isso significa? Que objetos atirados para o alto não irão necessariamente cair com a mesma velocidade que foram lançados. Balas atiradas ao alto cairão a velocidades significativamente inferiores. Cair de 1 km ou de 600 metros é praticamente a mesma coisa (mas cair de 30 metros ou de 10 metros é outra história).

Ah, e exatamente por causa da resistência do ar é que um martelo e uma pena não chegam ao solo ao mesmo tempo.

Já no vácuo a história é bem mais simples...

terça-feira, 13 de março de 2012

Publicidade e Dinheiro

Saiu uma notícia no Globo mostrando que o mercado publicitário movimento perto de R$ 40 bilhões em 2011.

Esta notícia é mais interessante pelo fato de estar recheada de informações extras:
  • A movimentação em 2010 foi de cerca de R$ 36 bilhões
  • A movimentação em 2009 foi de cerca de R$ 31 bilhões
Dos R$ 40 bilhões
  • R$ 32 bilhões foram gastos na compra de espaço e quase R$ 8 bilhões foram gastos na produção dos comerciais.
  • A internet teve R$ 1.4 bilhões de investimento (em 2010 foi de R$ 1.2 bilhões)
  • As TVs por assinatura tiveram R$ 1.1 bilhões de investimento (em 2010 foi de R$ 930 milhões)
  • A TV aberta teve investimentos de R$ 18 bilhões (que corresponde a 63% do orçamento de anúncios do setor)
  • Os jornais tiveram investimento de R$ 1.1 bilhões (comparado com R$ 1.06 bilhões em 2010)
E isto permite algumas deduções educadas. Se o orçamento da TV aberta corresponde a 63% dos orçamentos de anúncios no setor, então este valor é de 28 bilhões (28.6 para ser mais preciso). Ora, se somarmos os gastos com internet, TV por assinatura e jornais chegamos a cerca de 4 bilhões. 18+4 = 22. Então aonde estão os outros R$ 6 bilhões?

Talvez no relatório original seja possível descobrir.  Ou talvez, olhando para o passado se encontre a resposta: dos 40 bilhões, realmente 28 bilhões é a fatia que cabe aos veículos. Segundo este link:
  • TV aberta - 63%
  • TV paga - 4%
  • Jornal - 12%
  • Revista - 8%
  • Rádio - 4%
  • Internet - 4%
  • Guias e Listas - 1%
  • Cinema - 1%
  • Outdoor - 3%
E esta é distribuição aproximada.

Qual é a importância disso? Aqui os caros leitores tem em primeira mão o quanto os veículos recebem de publicidade. E com isso é possível estimar o percentual que é a publicidade na receita do veículo (assim não se fica mais no achismo).

segunda-feira, 12 de março de 2012

Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - 16

Um post do Fernando Rodrigues me chamou a atenção. O assunto é um comercial do Guardian mostrando como a história dos três porquinhos seria relatada pela mídia e meios de comunicação modernos.

No entanto, me chamou a atenção o fato de ele ter incluído outro comercial do Guardian de 1986 sobre pontos de vista. Ao contrário da forma que ele apresentou, vou mostrar primeiro o comercial moderno.

E só agora o de 1986

Notaram algumas diferenças (além do segundo ter 1/4 da duração do primeiro)?

A mais relevante para este post é a seguinte: O segundo comercial tem um quadro completo que elucida toda história. Todos os demais pontos de vista são apenas uma parte do todo - e apenas olhando o todo é que se vê todo o sentido.

Já o primeiro comercial parece praticamente proclamar: não há quadro completo, mas sim um conjunto de opiniões divergentes que, ao contrário de elucidar o acontecido, termina por impedir que se descubra o que realmente ocorreu.

Não há quadro completo. Não há "big picture". É apenas a propagação da versão, ao invés do esclarecimento da informação. Há "especialistas" dizendo que isto ou aquilo era impossível (tal como o Huff and Puff do Lobo), que o Lobo era na verdade uma vítima, ou que os porquinhos cometeram fraude de seguro...

E posso dizer: este quadro de incertezas é precisamente o quadro de hoje.

Então qual é a mentira que contamos para nós mesmos? Que possuímos mais acesso a verdade, quando na realidade possuímos mais acesso à opiniões e interpretações dos fatos.

E a verdade é que mesmo com isso, não temos mais capacidade para entender o que ocorre no mundo.

domingo, 11 de março de 2012

Kolchak: Demônios da Noite

Esta é uma série de 1972, e começou a existir devido a um filme que foi feito pela ABC (The Night Stalker - que vocês vêem aqui).

O seriado teve vida curta, apenas 20 episódios. Mas em contrapartida, o mesmo teve influência duradoura. Podemos dizer até que o famoso Arquivo X bebeu nesta fonte.

O conceito era do repórter Carl Kolchack que sempre se envolvia em casos que acabavam por envolver o sobrenatural ou a fantasia. Em 2005, uma nova versão de Night Stalker foi criada para televisão. Infelizmente, ou felizmente, esta versão só sobreviveu 10 episódios.

sábado, 10 de março de 2012

Pequenas Pérolas do Cinema - 50

Hoje temos programa duplo: O Dólar Furado

E O Ouro de McKenna

E o melhor de tudo: o filme completo (em inglês, mas ainda assim completo). Os dois filmes estão disponíveis no youtube (se procurar, talvez você encontre até versões em português). A verdade é que eu não era muito chegado em faroestes quando era menor. Sempre preferi ficção científica. Mas com o passar do tempo comecei a apreciar a beleza e poesia dos westerns. Eu até tenho um preferido que deixo aqui de brinde: Da Terra Nascem os Homens.

Hoje eu considero que o gênero tem clássicos de primeira grandeza. E alguns deles estão justamente aqui neste post!

sexta-feira, 9 de março de 2012

E porque não tem Bhaskara para volume, então?

Bem, vimos no post anterior que Bhaskara pode ser obtido do problema inverso de calcular os lados de um retângulo, dado a sua área e o seu perímetro.

E por que não poderíamos ter a mesma coisa para um paralelepípedo, então?

Bem, podemos sim. No caso temos como informações: o volume, a área e a soma do comprimento de todas as arestas (que poderia ser vista como um "perímetro"). Então:

x1*x2*x3=V
2*x1*x2+2*x1*x3+2*x2*x3 = A
4*x1+4*x2+4*x3=P

Muito bem, como encontrar agora x1, x2 e x3? Bom primeiro vamos simplificar as equações:

x1*x2*x3=c
x1*x2+x1*x3+x2*x3=b
x1+x2+x3=a

Bom a solução é evidentemente fazer substituições. Fazendo x3=a-(x1+x2) temos:

x1*x2+x1*[a-(x1+x2)]+x2*[a-(x1+x2)] =b

Resolvendo para x2 temos:


x2=1/2*a-1/2*x1+1/2*sqrt(a^2+2*x1*a-3*x1^2-4*b) ou x2=1/2*a-1/2*x1-1/2*sqrt(a^2+2*x1*a-3*x1^2-4*b)

Substituindo em

x1*x2*x3=x1*x2*(a-x1-x2)=c temos

x1^3+x1*b-a*x1^2 = c ou x1^3+x1*b-a*x1^2 - c =0

Reescrevendo:

x1^3-a*x1^2+b*x1-c=0 (ou x^3+A*x^2+B*x+C=0)

Bem, se olharmos o cubo de uma função temos:

(x-w)^3 = x^3-3*w*x^2+3*w^2*x-w^3

Para completarmos o cubo então:

3*w=a, 3*w^2=b e w^3=c

Não é possível completar o cubo diretamente justamente por causa das três condições precisarem ser satisfeitas simultaneamente (e isto só acontece em casos especiais - por exemplo a^2=3b ). Então a solução é modificar a equação de forma a transformá-la em um cubo perfeito (ao invés de completarmos o cubo).

Primeiro vamos fazer uma substituição x=u+v. Neste caso u será a variável a ser determinada e v será uma constante cuidadosamente escolhida. Escolhida como? O leitor pode perguntar... Bem, aí a idéia é sempre de tentar gerar um cubo perfeito.

(u+v)^3+A* (u+v) ^2+B* (u+v) +C=0

Expandindo temos

u^3+3*u^2*v+3*u*v^2+v^3+A*(u^2+2*u*v+v^2)+B*(u+v)+C=0

agrupando os termos em u e v temos

u^3+(3*v+A)*u^2+(3*v^2+2*A*v+B)*u+(v^3+A*v^2+B*v+C)=0

Reescrevendo:

u^3+A1*u^2+B1*u+C1=0

Muito bem, se olharmos a expansão de (x+w)^3, veremos que:

(x+w)^3 = x^3+3*w*x^2+3*w^2*x+w^3  ou seja 3* (3*w*w^3) = (3*w^2)^2

Ou seja fazendo: B1^2=3*(A1*C1) também temos um cubo perfeito. Ou seja:

(3*v^2+2*A*v+B)^2=3*(3*v+A)*(v^3+A*v^2+B*v+C)

Isto parece piorar o problema, não? Nem tanto, expandindo;

9*v^4+12*v^3*A+6*v^2*B+4*A^2*v^2+4*A*v*B+B^2 = 9*v^4+12*v^3*A+9*v^2*B+9*v*C+3*A^2*v^2+3*A*v*B+3*A*C

Note que as potência de v^4 e v^3 são as mesmas dos dois lados, portanto:

6*v^2*B+4*A^2*v^2+4*A*v*B+B^2=9*v^2*B+9*v*C+3*A^2*v^2+3*A*v*B+3*A*C

O que resulta em:

3*v^2*B-A^2*v^2-A*v*B-B^2+9*v*C1+3*A*C=0

Resolvendo, temos:

v=1/2/(A^2-3*B)*(9*C1-A*B+sqrt(81*C1^2-18*C1*A*B-3*B^2*A^2+12*C*A^3-36*A*B*C+12*B^3))
v=1/2/(A^2-3*B)*(9*C1-A*B-sqrt(81*C1^2-18*C1*A*B-3*B^2*A^2+12*C*A^3-36*A*B*C+12*B^3))

A coisa em si fica bastante complicada devido ao grande número de índices. mas o importante é saber que a equação foi transformada em:

x=u+v. Sendo que (u+A1)^3=(u+(3*v+A))^3=0 e v=1/2/(A^2-3*B)*(9*C1-A*B+sqrt(81*C1^2-18*C1*A*B-3*B^2*A^2+12*C*A^3-36*A*B*C+12*B^3))

e esta é a resposta... É por isto que não se divulga o equivalente de uma fórmula de Bhaskara para volume...

Tiradinha

Se você acha que se é algo tão complicado que não pode ser explicado em 10 segundos, logo não vale a pena saber de forma alguma, então se conforme: você nunca vai entender o mundo, como ele funciona, ou as pessoas que nele vivem...

quinta-feira, 8 de março de 2012

ECAD: Ganância ou Ignorância?

Hoje tivemos a notícia que o ECAD irá cobrar dos blogueiros por vídeos incorporados aos respectivos blogs.

Bem, eu já discuti aqui sobre direito autoral e pirataria, mas não posso deixar de fazer uma pequena intervenção sobre esse assunto.

Não é o caso de proteger o direito autoral. É caso de ganância ou ignorância mesmo. O ECAD diz que é legal. Mas vamos ao que o próprio ECAD diz:

"De acordo com o artigo 31 da Lei 9.610/98, as diversas modalidades de utilização da música são independentes entre si, e a autorização para o uso por uma delas não se estende para as demais. Isto significa que, se uma rede social como o You Tube, por exemplo, efetua o pagamento do direito autoral pela execução pública musical dos vídeos que veicula, o uso destes por terceiros caracteriza uma nova utilização, cabendo, portanto uma nova autorização/licença e um novo pagamento. A autorização prévia para a execução pública de música é fornecida pelo Ecad, que é o representante legal dos titulares. Para efetuar o pagamento, o usuário deve procurar a unidade do Ecad mais próxima. "

Pois bem, notem que o youtube já paga direitos autorais ao ECAD. Segundo o ECAD o uso da incorporação de um vídeo em um site seria uma nova modalidade e portanto deveria incidir o pagamento.

Bom, aí temos duas possibilidades para interpretar a motivação por trás dessa mensagem: ganância ou ignorância.

Não vou entrar na questão da ganância - vamos supor que neste caso o ECAD esteja realmente agindo no melhor interesse do público e dos produtores de conteúdo.

Vamos só a questão da ignorância mesmo.

Primeiro temos de estabelecer as bases. Um link por si só não constitui em violação de direito autoral. É bem verdade que o texto original está em inglês, mas é possível argumentar facilmente que se todo hipertexto for violação de direito autoral, então a própria internet não se sustenta (este argumento pode ser visto em português no site da ABDI).

Se eu colocar aqui um link para um vídeo no youtube aqui, certamente não estou violando nenhuma lei de direitos autorais. Então está Ok, colocar um link para um site não é explicitamente violação de direitos autorais (já para um arquivo é outra história).

Muito bem, mas o que significa incorporar um vídeo à uma página? Bem, você pode incorporar ligando uma ação a um arquivo em particular, ou ligar uma ação a um arquivo remoto (que pode ser permitida pelos detentores do arquivo). No segundo caso, você não possui o arquivo de vídeo, mas está apenas fazendo um link para a fonte original.

Muito bem, e como se incorpora um arquivo ao seu blog? Você insere um código html que diz como o material incorporado deve ser apresentado e aonde se encontra o material incorporado. Para não violar o que o ECAD determina, eu vou colocar o código aqui - mas sem incorporação:

 iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/Iip4tDz786o" width="420"  /iframe 

Vamos aos pedaços, iframe determina a janela aonde o material vai ser exposto. O tamanho será de 420 por 315 pixels. O atributo src indica a URL do documento que deve ir na janela. O restante apenas trata de se o material pode ser maximizado e qual é a borda do frame.

Note que isto significa que o conteúdo não está guardado na sua máquina, no seu espaço de memória e nem é de sua propriedade.

No caso escrito acima, aonde está o conteúdo em questão? Ora, no youtube! O que você está fazendo é simplesmente mostrando um conteúdo do youtube. Ao invés de abrir uma janela para isso, você está mostrando o material do youtube (no youtube).

Muito bem, a diferença de um link normal é que o conteúdo é exibido na página, e não é aberta uma nova guia ou janela para mostrar o material. Pois eu vou fazer exatamente isto, só que ao invés de abrir em uma nova janela, irei abrir em outra. Aqui vai
Quando você clicar na imagem, então vai fazer a mesma coisa que o código de incorporação, com uma notável exceção: o vídeo vai abrir em outra janela.

E isso, como vimos antes, não é violação de direito autoral. Espero que com esta pequena explicação, o leitor possa entender que o que o ECAD pretende fazer é fruto de ignorância.

Ou, se preferirem de ganância mesmo...

Bhaskara

Acho que devem ser poucos os leitores que nunca ouviram falar de Bhaskara. Bem, ou menos da sua fórmula.

Então, supondo que a maioria tenha pelo menos algum conhecimento acerca da fórmula, este post vai explicar para que serve a fórmula. Não, não é um artigo retirado do wikipedia, mas uma tentativa de elucidar uma das grandes questões no ensino de equações de segundo grau. Mais especificamente a questão:

"Mas para que porra serve isto?"

Bom, a verdade é que não posso afirmar com certeza que a origem do problema é o que irei relatar. Mas acredito que há alguma relação entre o que vou mostrar e como a questão surgiu.

Antes de mais nada temos que entender o conceito de um problema a ser resolvido. Naturalmente, a idéia da equação quadrática está relacionada a questão do cálculo de área (um problema muito relevante e de ramificações dispendiosas, como qualquer um que comprou um imóvel pode atestar). Vamos partir para o problema de calcular uma área de um quadrado.
  • Se eu tenho um terreno com 5 metros de lado por 5 metros de lado, qual é a área deste terreno? Bem, a solução é o cálculo da área de um quadrado. Mais especificamente 5 * 5 = 25 metros quadrados. Neste caso temos uma função do tipo y = x^2 (aonde x é o lado do quadrado e y é a área deste quadrado).
  • O problema inverso neste caso é: Se tenho um terreno de 25 metros quadrados, qual é o lado deste terreno sabendo que o mesmo forma um quadrado? Bem, a priori a informação que o terreno tem um formato de um quadrado permite saber que x = sqrt (y), ou seja 5 metros.
Mas vamos a um problema um pouco mais complicado.
  • Se tenho um terreno retangular com 5 metros de lado por 8 metros de lado, qual é a área deste terreno? Neste caso, temos a calcular a área do retângulo. Mais especificamente 5 * 8 = 40 metros quadrados. Nesta caso temos uma função do tipo y = x1*x2 (aonde x1 é um dos lados e x2 é o lado adjacente).
  • Se formos tentar resolver o problema inverso, vamos notar que não temos informações suficientes para encontrar a solução: Quais são os lados do retângulo de área 40 metros quadrados? Sabemos que é um retângulo, então x1 é diferente de x2, mas apenas a informação de quanto é a área não é suficiente. Precisamos de mais informação.
E aí a coisa começa a ficar interessante.

Vamos dizer que além da informação da área, também estamos fornecendo a informação do perímetro (P) do retângulo. Ora, o perímetro é 2*x1+2*x2. Se eu informar que o perímetro é 26 então saberemos que x1+x2 = 13 quadrados. Ao sabermos que a área é 40 metros quadrados então sabemos que x1*x2 = 40.

O que temos de resolver é:

x1*x2= 40
x1+x2=13.

Como resolver isto? Bem vamos substituir x1=13-x2 na primeira equação. Fazendo isto temos:

x1*x2=40
(13-x2)*x2=40
13*x2-x2^2=40

rearranjando temos:

x2^2-13*x2+40=0

Vale a pena notar que se ao invés de x1=13-x2, utilizássemos x2=13-x1, nós chegaríamos em uma equação idêntica para x1, ou seja

x1*x2=40
x1*(13-x1)=40
13*x1=x1^2=40
x1^2-13*x1+40=0

Então a equação para x1 é igual a equação para x2. Neste ponto podemos simplesmente chamar x1 e x2 de uma variável genérica x. O que transforma a equação em:

x^2-13*x+40=0

Muito bem, e de onde vem Bhaskara? Bom, vem de uma idéia chamada de completar o quadrado. O conceito é simples: Vamos dizer que tenhamos a equação y=(x-4)^2,

Esta mesma equação pode ser reescrita como:

y=(x-4)^2 = x^2-2*4*x+4*4 = x^2-8*x+16

Note que o o 4 foi multiplicado por dois. Então vamos reescrever a equação anterior da seguinte forma:

x^2-2*13/2*x+40=0

Para que a equação fosse um quadrado perfeito teríamos de ter:

x^2-2*13/2*x+(13/2)^2=0

Então o que fazemos é somar de ambos os lados o que falta para termos o quadrado perfeito (13/2)^2-40.

Assim, a equação se transforma em:

x^2-2*13/2*x+40+(13/2)^2-40=(13/2)^2-40

O resultado é:

x^2-2*13/2*x+(13/2)^2=(13/2)^2-40

A parte da direita é um quadrado perfeito:

(x-13/2)^2 = (13/2)^2-40 = 9/4

E isto nós sabemos resolver. Temos duas possíveis soluções:

(x-13/2) = 3/2   e (x-13/2)=-3/2

A primeira possível solução é x=8 e a segundo é x = 5 (como era de esperar).  O conceito genérico provavelmente fica mais claro com este vídeo do yotube.

Note que para resolver este problema foram necessárias duas informações (a área do terreno retangular e o perímetro do terreno retangular) e o uso do conceito de completar o quadrado perfeito.

Vamos ao caso genérico.

a*x^2+b*x+c=0

Primeiro dividimos por a:

x^2+b/a*x+c/a=0

Depois reescrevemos a equação para prepararmos a montagem do quadrado perfeito:

x^2+2*b/(2*a)*x+c/a=0

Depois completamos o quadrado:

x^2+2*b/(2*a)*x+c/a+(b/2*a)^2-c/a=(b/(2*a))^2-c/a

Depois reescrevemos:

x^2+2*b/(2*a)*x+(b/2*a)^2=(b/(2*a))^2-c/a

O quadrado perfeito é razoavelmente claro:

(x+b/(2*a))^2=(b/(2*a))^2-c/a = (b^2-4*a*c)/(4*a^2)

Tirando a raiz temos:

(x+b/(2*a))=sqrt(b^2-4*a*c)/(2*a) e  (x-b/(2*a)=-sqrt(b^2-4*a*c)/(2*a)

O que pode ser simplificado para:

x=-b/(2*a)+sqrt(b^2-4*a*c)/(2*a) e x=-b/(2*a)-sqrt(b^2-4*a*c)/(2*a)

Então daí vem a fórmula de Bhaskara: quando procuramos encontrar os lados de um terreno retangular dada a sua área (A) e o seu perímetro (P).

Naturalmente...

Isto não é a única forma de relacionar uma área (x^2) com outras informações a respeito do retângulo. Podemos também relacionar a área e a diagonal.

x1*x2=A
x1^2+x2^2 = d^2

Assim montamos as equações:

x1^2*x^2=A^2
x1^2+x2^2=d^2

Chamando x1^2 de y1 e x2^2 de y2, chegamos a mesma fórmula de Bhaskara. Querem ver? Vamos dizer que a área é 12 e a diagonal é 5 (significa que os lados são 3 e 4). Então temos:

x1*x2=12
x1^2+x2^2=25

reescrevendo:

y1*y2=144
y1+y2=25

Isto resulta na equação y^2-25*y+144=0 que resulta nas raízes y1=16 e y2 = 9. Isto significa que x1=4 e x2=3, com esperado.

Mas isso é apenas a superfície da riqueza que as equações quadráticas tem. Se restringirmos o domínio da equação podemos prescindir alguma informação. Um exemplo: vamos estabelecer que x1 e x2 são inteiros.

Neste caso, ao informarmos a área estaremos na realidade mudando o problema de calcular as raízes de uma equação quadrática para encontrarmos os fatores do problema. Um exemplo:

x1*x2=21

x1 e x2 são inteiros. As soluções são {1,21} e {3,7}. Se eu disser que x1+x2 = 22, então o conjunto de soluções fica definido.

Mas há uma outra forma mais interessante de definir o conjunto de soluções

Se x1 e x2 não fossem apenas inteiros, mas também primos, a solução seria única {3,7}. Descobrir soluções com estas condições (x1 e x2 são primos) é um problema fundamental na matemática.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Baltasar é inocentado: errou, mas não prevaricou

Este deveria ser o título correto das manchetes de 27/02/2012 sobre o julgamento do juiz Baltasar Garzón (aqui está o texto em português).

O supremo tribunal considerou que o juiz cometeu erros, mas sem má fé.

Mas o que foi publicado? Basicamente, isto:

O juiz espanhol Baltasar Garzón foi absolvido nesta segunda-feira (27) pelo Tribunal Supremo de Madri no julgamento em que estava acusado por desejar investigar os casos de desparecimentos durante o franquismo, anunciou uma fonte judicial.
O magistrado espanhol, de 56 anos, conhecido em todo o mundo por prender em Londres em 1998 o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, foi condenado em 9 de fevereiro a 11 anos de inabilitação em outro processo, sobre um caso de escutas ilegais.
No julgamento pelos desaparecimentos durante o franquismo, os sete magistrados do Supremo decidiram absolver o juiz Garzón por seis votos a favor e um contra, segundo a fonte judicial.
Ele é acusado de abusar de seus poderes ao investigar cerca de 114.000 supostos assassinatos durante a Guerra Civil espanhola, de 1936-1939, e durante as quatro décadas seguintes de ditadura. "Eles estavam descrevendo uma eliminação sistemática... e milhares daqueles continuam 'desaparecidos' hoje", disse Garzón a sete juízes da Suprema Corte.
O processo alega que Garzón violou a anistia. Ele argumentou que os desaparecimentos forçados sob Franco foram crimes contra a humanidade que não podem ser sujeitos a uma anistia sob a lei internacional.

Quero que os leitores percebam a diferença entre este texto e o que foi publicado no jornal El Pais (aqui com a tradução para português):

O Supremo Tribunal espanhol absolveu o juiz Baltasar Garzón, esta manhã, do delito de prevaricação por ter investigado os crimes da ditadura do general Francisco Franco, cometidos durante e após a guerra civil espanhola (1936-39).
O processo foi instaurado por grupos de extrema direita, segundo os quais o magistrado prevaricou (isto é, tomou decisões injustas de conscientemente) ao declarar-se competente para investigar crimes que, na opinião da acusação, estavam cobertos pela lei de amnistia de 1977, adotada para pacificar o país na sequência da transição democrática, após a morte do ditador, que governou de 1939 a 1975.
O coletivo de juízes absolveu Garzón por maioria, com seis juízes a votar a favor e apenas um contra. O Supremo considera que o réu errou ao considerar "crimes contra a Humanidade" os atos do regime franquista, mas não o fez de propósito, pelo que não houve prevaricação.
Os crimes não podiam ser investigados, lê-se no acórdão, porque não há "pessoa física" a investigar, uma vez que os ministros de Franco acusados por Garzón já morreram. Ainda assim, os juízes assumiram que as vítimas do tirano nunca tinham tido o seu sofrimento reconhecido e que o propósito de Garzón fora eliminar essa desigualdade
Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/garzon-absolvido-no-processo-do-franquismo=f707431#ixzz1nbyjkhI0

Note que o primeiro texto deixa informações importantes de fora da notícia. Pergunto aos meus fiéis leitores:
  • Por que vocês acham que esta informação relevante não foi mencionada na notícia veiculado no Brasil?
  • Será que os meios de comunicação deveriam ter informado aos leitores  sobre esta informação?
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Um adendo sobre a questão de Garzón: Cristina Kirchner elogiou o trabalho de Garzón contra ditadores como Pinochet. Uma tradução rápida do google resulta nisto:
Citando a sua presença, Cristina Kirchner se dirigiu ao juiz como o juiz "para colocar um prisioneiro (Adolfo) Scilingo, os vôos da morte" e também processar o falecido Augusto Pinochet ditador chileno. Nesse sentido, criticou os que estavam sentados no banco deGarzón para atuar com a visão de que, nos direitos humanos, um juiz europeu pode "resolver apenas" ditadores "repúblicas", e não aqueles que estavam em seus próprios países.

"Parece que o seu julgamento por tentar revelar a tragédia de Franco é uma afronta àjustiça universal (...) Eu quero reconhecer o seu papel na defesa dos direitos humanos,que para nós é um dos nossos adereços e políticas do nosso país ", comentou o presidente.

A ironia é que basta trocar Pinochet por Perón para ver quão rápido os argentinos deixam de "amar" o famoso juiz Garzón.

terça-feira, 6 de março de 2012

E assim começa a morrer uma lenda

Parece que as informações que coloquei neste post estavam corretas: Hector Xavier Monsegur era mesmo Sabu.

Bem, agora é notícia em todos os meios (tendo sido divulgado por uma agência de notícias que não confio quase nada). A parte chocante é que Sabu estava cooperando com O FBI (provavelmente em troca de sentença reduzida - a tal delação premiada).

Com isso, não digo que o Anonymous está nas últimas, mas o LulzSec foi realmente ferido seriamente. O Gizmodo traz mais informações. A verdade é que agora o que era diversão vira preocupação. É mais ou menos o fenômeno de transar com a namorada sem método contraceptivo aleatoriamente esperando não engravidar - pode dar certo por um tempo, mas eventualmente...

E agora começa a ressaca do pessoal que participou do Anonymous. O grupo já foi estudado em detalhes e chegou-se a conclusão que são poucas pessoas que realmente tem o cabedal técnico necessário. Nas palavras de um dos que estudou o grupo:

“Anonymous is a handful of geniuses surrounded by a legion of idiots,” said Cole Stryker, an author who has researched the movement. “You have four or five guys who really know what they’re doing and are able to pull off some of the more serious hacks, and then thousands of people spreading the word, or turning their computers over to participate in a DDoS attack.”

Então, como fica a situação agora? Bom, quem participou dos ataques do Anonymous tem razão suficiente para ficar no mínimo um pouco preocupado.

Mas é assim que a ressaca funciona depois de uma noite de bebedeira.

É tudo maravilhoso durante a bebedeira, até que chega a hora da ressaca. E aí a coisa pega...

E o dinheiro vai para onde?

Vamos desbancar mais  um mito que vemos por aí em várias análises econômicas ao redor do mundo (não pensem que é exclusividade do Brasil).

Veja esta notícia aqui.
The Richest 1% Have Captured America's Wealth -- What's It Going to Take to Get It Back?
The U.S. already had the highest inequality of wealth in the industrialized world prior to the financial crisis -- and it's gotten even worse.
 
"The war against working people should be understood to be a real war.... Specifically in the U.S., which happens to have a highly class-conscious business class.... And they have long seen themselves as fighting a bitter class war, except they don't want anybody else to know about it." -- Noam Chomsky
As a record amount of U.S. citizens are struggling to get by, many of the largest corporations are experiencing record-breaking profits, and CEOs are receiving record-breaking bonuses. How could this be happening, how did we get to this point?
The Economic Elite have escalated their attack on U.S. workers over the past few years; however, this attack began to build intensity in the 1970s. In 1970, CEOs made $25 for every $1 the average worker made. Due to technological advancements, production and profit levels exploded from 1970 - 2000. With the lion's share of increased profits going to the CEO's, this pay ratio dramatically rose to $90 for CEOs to $1 for the average worker.
As ridiculous as that seems, an in-depth study in 2004 on the explosion of CEO pay revealed that, including stock options and other benefits, CEO pay is more accurately $500 to $1.
Muito bem, mas para onde vai o dinheiro? Se os mais ricos pegam um quinhão maior do "dinheiro disponível", então para onde vai o dinheiro que eles pegam? Colocam no colchão? Gastam? Colocam no banco?

Pois bem, as duas últimas alternativas garantem que o dinheiro volta a circular no mercado. A única alternativa que faz com que a quantidade de dinheiro circulante diminua é a primeira.

Por que eu estou levantando isso? Porque a maioria das pessoas não entende o dinheiro como ele realmente é. Ao contrário de mesas, cadeiras e outros bens físicos, o dinheiro não tem outro valor senão o que é convencionado a ter. Em tese ele deve representar uma parcela do produto de uma nação.

Mas a quantidade de dinheiro circulando não é necessariamente este valor. Frequentemente é bastante inferior. Como creio ter dito em outro post, o PIB do Brasil é de cerca de 2 Trilhões de Reais. Mas quantidade de dinheiro (moeda e papel) circulando é de cerca de 200 bilhões de reais.

Ao contrário do que o instinto pode dizer, o dinheiro só mostra seu valor quando circula. Se não circular, o seu valor é apenas "potencial".

E isto faz com que a propriedade de quantidade de dinheiro não seja um jogo de soma zero. Não existe este negócio de uma quantidade de dinheiro finita na repartição. Como dito antes, o valor do dinheiro é o valor na sua circulação.

O que é um jogo de soma zero é a arrecadação do governo e como ela é usada. Quando o pessoal fala do "dinheiro indo parar nas mãos dos ricos ao invés das mãos dos pobres", eles estão falando na realidade é que os ricos não estão contribuindo como poderiam para o governo (e naturalmente também para programas de distribuição de renda).

Porque o dinheiro parado é só papel.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - 15

Segunda-feira...

Mas de onde veio o nome "segunda-feira"? Tem algo a ver com feira, com certeza...

Nope. A nossa conhecida semana tem uma história interessante. E os nomes dos dias de semana tem razão de ser, como os leitores verão.

Primeiro, o que é mais importante: a semana possui sete dias por causa da lua. Como o período de rotação da lua ao redor da terra é de 28 dias, e durante este período a lua apresenta 4 fases, então a duração da semana está ligada a cada fase da lua (28/4 = 7).

Mas notem que eu disse que estava ligada e não que era diretamente derivada. Por que? Bem a razão é que o período médio de repetição das fases da lua é na realidade de 29.530589 dias (29 dias, 12 horas, 44 minutos e 3 segundos). E não é só isso: devido a excentricidade das órbitas existe um ciclo de lua cheia próprio. O fato é que devido a estas características, uma semana de 7 dias com 4 semanas por mês rapidamente perde sincronia com o movimento da lua.

Independente disto, muito provavelmente a razão da semana de sete dias está ligada de alguma forma com o comportamento lunar. Muito provavelmente a origem está ligada ao calendário babilônico, aonde a partir da lua nova eram contados dias santos (holy-days) os dias múltiplos de 7 (7, 14, 21 e 28). Como os judeus foram aprisionados na Babilônia por quase 50 anos, então é possível que haja uma certo cruzamento aqui (os babilônicos também tinham um Sabattu, como os judeus tem o Shabbat e os sumérios tinham o Sa-Bat).

De qualquer forma, foi justamente esta versão da semana de sete dias que foi adotada pelos romanos com o Calendário Juliano. Aí os dias das semana eram associados aos corpos celestes (sol, lua, marte, vênus, mercúrio, júpiter e saturno). Isto explica os nomes dos dias da semana em espanhol:
  • Lunes (dia da Lua - dies Lunae), 
  • Martes (dia de Marte - dies Martis), 
  • Miércoles (dias de Mercúrio - dies Mercurii), 
  • Jueves (dia de Júpiter - dies Joves) e 
  • Viernes (dia de Vênus - die Veneris).
Note que esta é a sequência de segunda-feira até sexta-feira. Mas e sábado e domingo? Vamos chegar lá...

No português antigo os nomes não eram muito diferentes:
  • Lues (dia da Lua - dies Lunae),
  • Martes (dia de Marte - dies Martis),
  • Mércores (dias de Mercúrio - dies Mercurii),
  • Joves (dia de Júpiter - dies Joves) e 
  • Vernes(dia de Vênus - die Veneris).
Muito bem, então como Lues virou segunda-feira? E mais importante: cadê o sábado e o domingo? Bom sábado era o dies Saturni (dia de Saturno - no inglês Saturn Day) e domingo era chamado de dies Solis (dia do Sol - no inglês Sun Day).

No século IV, Martinho de Braga indicou que era indigno dos Cristãos que mantivessem a mesma terminologia pagã para os dias da semana. Ele utilizou a terminologia eclesiática:
  • Prima Feria (Domingo - dia do Sol)
  • Secunda Feria (Segunda-feira - dia da Lua)
  • Tertia Feria (Terça-feira - dia de Marte)
  • Quarta Feria (Quarta-feira - dia de Mercúrio)
  • Quinta Feria (Quinta-feira - dia de Júpiter)
  • Sexta Feria (Sexta-feira - dia de Vênus)
  • Septima Feria (Sábado - dia de Saturno)
Bom, Prima Feria já havia sido transformado em dies Domenicus (dia do senhor) pelo Concílio de Niceia. Daí para Domenicus virar Domingo é um pulo. Já o Sábado vem diretamente do Shabbat judeu.

Ah, claro... Em algum ponto no passado Feria (dia livre) virou Feira.

domingo, 4 de março de 2012

O Bem Amado

Ah, achou que não ia ter nenhum representante do Brasil aqui, não? Bem temos hoje O Bem Amado. Este foi um seriado criado a partir da telenovela de 1973.

A abertura do seriado é diferente da novela, como vocês mesmos podem ver.

O seriado trata das confusões de Odorico Paraguaçu na mítica cidade de Sucupira. O personagem serve como uma forma de criticar os políticos populistas e corruptos do Brasil. Na telenovela ele teve seu final ao ser assassinado por Zeca Diabo. Mas no fim tudo não passou de catalepsia. Mas nada melhor do ver com os próprios olhos as patacoadas de Odorico.

sábado, 3 de março de 2012

Pequenas Pérolas do Cinema - 49

A recomendação de hoje é Highlander.

O filme de 1986 conta a história de Connor McLeod, que faz parte de um grupo de imortais, que não envelhecem e que se enfrentam há séculos mundo afora. Como ele descobre que é imortal? Bem, alguém os fere em combate de modo que seria normalmente mortal, mas ele se recuperam (e isto explica porque os imortais parecem ter idades diferentes). Eles se enfrentam com espadas e lutam até a morte. Como um imortal morre? Cortando a cabeça. A partir daí os poderes do derrotado passam para o vencedor. E no final "só pode haver um".

O filme tem composições do Queen que literalmente fazem parte integral da trama. Um exemplo disso é a sequência aonde fica claro para McLeod que a vida de imortal tem uma sombra triste associada.

O filme foi um grande sucesso e gerou sequências (há uma versão online aqui). Mas deixo claro: tirando o seriado não há realmente nada muito a altura do primeiro filme. Talvez a exceção às avessas seja o segundo filme. Ele não só conseguiu ser um filme excepcionalmente ruim, como também atrapalhou até a fama do primeiro. Não estou brincando, veja o que Roger Ebert disse: "Highlander II: The Quickening is the most hilariously incomprehensible movie I've seen in many a long day—a movie almost awesome in its badness. Wherever science fiction fans gather, in decades and generations to come, this film will be remembered in hushed tones as one of the immortal low points of the genre."

Para os que se sentem particularmente atraídos por filmes ruins eu deixo o link de Highlander II - The Quickening. Não digam depois que não foram avisados...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Recomendando: Dorkly!

Um bom site de vídeos e comédia é Dorkly.

Mas vou avisando: é comédia para nerds mesmo.

Bem, nerds mesmo.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Se o Preço é Certo...

Um dos argumentos mais comuns dos teóricos de conspiração é "Tá vendo X? Pois é, mesmo tendo X só tem disponível Y para usar!!!"

Não entendeu? Vou exemplificar: Existe no mundo uma lâmpada incandescente que está acessa há 110 anos! Ele é conhecida como Centennial Light. Há até um website sobre a mesma. Então há que use esta lâmpada como prova que as lâmpadas incandescentes são projetadas para durarem pouco e assim. É o argumento do obsoleto programado.

Bem, sob certos aspectos este fenômeno é real. Mas no aspecto técnico que os maníacos de conspiração se firmam é que a coisa não é verdade. Há subliminarmente a questão de: fazer uma coisa que dure para sempre custa X, mas fazer uma coisa de que dure menos custa X/10 então "só vamos fazer o que custa X/10".

Na verdade há considerações econômicas sim. Mas este tipo de maquiavelismo onisciente não faz sentido. Os produtos manufaturados tem vida útil e esta vida útil não é determinística. Aí estão envolvidos conceitos de probabilidade que não fazem parte do projeto original, mas surgem quando se transforma o projeto em um produto manufaturado.

Em poucas palavras: vão ocorrer casos aonde os produtos duram pouco, assim como vão ocorrer casos aonde os produtos duram muito. E o custo vai estar embutido em todos estes casos. Uma forma de determinar isso é associar probabilidades
p1 = probabilidade que o produto dure T/10 - custo C/10
p2 = probabilidade que o produto dure T - custo C
p3 = probabilidade que o produto dure 10T - custo 10C

O tempo de duração médio será:
Tm=p1*T/10+p2*T+p3*10*T = T*(p1/10+p2+10*p3)
O custo médio será:
Cm=p1*C/10+p2*C+p3*10*C = C*(p1/10+p2+10*p3)

Se por exemplo: p1=0.1, p2=0.85 e p3=0.05, temos:
Tm= T*(0.01+0.85+0.5) = 1.36 *T

Já se p1=0.1, p2=0.89 e p3=0.01, temos:
Tm= T*(0.01+0.89+0.1) = T

Note que em ambos os casos C/T é uma constante. Mas no segundo caso, o tempo médio é o tempo T (o mesmo que teria se não houvesse o caso de curta e longa duração).

Isso meio que atrapalha o conceito de obsoleto programado.

Quanto a lâmpada de 110 anos, as explicações para que ela dure tanto tempo não são tão esotéricas assim.