sábado, 7 de abril de 2012

Pequenas Pérolas do Cinema - 54

Seguindo mais uma sugestão do Karlos, hoje é dia de Doctor Jivago.
O filme é um daqueles clássicos de David Lean que pode ser assistido múltiplas vezes.
A trilha sonora do filme é de primeira grandeza, tendo como destaque o Tema de Lara (Somewhere my Love). Tema de Lara:
Somewhere my love:
O filme é baseado no livro de Boris Pasternak. No filme o narrador é o general Yevgraf Andreyevich Zhivago, meio irmão de Yuri Andreyevich Zhivago, o famoso Doutor Jivago do filme. Ele conta a história de Yuri, suas aventuras e seus amores, enquanto procura a filha ilegitima de seu meio irmão (nada sinistro, na realidade, Yuri teve sua reputação reabilitada após sua morte e agora era muito popular). O livro ainda teve outras adaptações e filmes. Temos aqui a inglesa
E a russa
E até uma brasileira! Mas francamente é difícil competir com o filme de David Lean

sexta-feira, 6 de abril de 2012

95% de Chute

Eu encontrei duas notícias descaradamente enroladoras na internet. A primeira fala sobre produção de conhecimento e a outra sobre fontes sustentáveis.

Um elemento em comum é estatística de 95% de algo. Vamos ao que interessa. Primeiro a respeito das energias renováveis:

A demanda energética mundial poderá ser suprida em 95 por cento por energias renováveis até 2050, segundo um relatório divulgado na quinta-feira pela entidade ambientalista WWF e pela consultoria energética Ecofys.
Até lá, a demanda energética total poderá ser 15 por cento inferior à de 2005, graças a medidas ambiciosas de economia de energia, apesar da previsão de aumento para a população, a produção industrial e o transporte de cargas e passageiros.
Bem, aqui é importante ser claro na questão: isso tudo é chute. Mas chute mesmo.

Não há fundamentação alguma nestas informações (é tudo "poderá"). Procurando na internet é muito fácil achar informações afirmando praticamente o oposto. Para complicar mais ainda, as fontes de energias renováveis não são todas do mesmo balaio. Há energia eólica, energia solar, energia das marés, energia hídrica e possivelmente de fontes orgânicas. A energia eólica depende dos ventos (não há garantia de ventos na velocidade adequada 100% do tempo). A energia solar depende do sol (ou seja, seu uso à noite depende de armazenamento). As energias de marés funciona também parte do tempo. A energia hídrica depende de represas e alagamento de grandes áreas e, por  fim, as fontes orgânicas são usadas em termelétricas (ou seja liberam gases ligados ao efeito estufa).


Essencialmente a notícia é gigo (garbage in - garbage out). Mas fica bonitinho para os outros citarem por aí...

A segunda notícia também é interessante pois revela os limites do nosso conhecimento, ou pelo menos o limite de como se lidar com o mesmo.
Dados recentes liberados pelo programador australiano Reto Meier, chefe da equipe de desenvolvimento do sistema operacional Android, no Google, mostram que, em 2050, 95% do nosso conhecimento será novo. Ou seja, hoje só conhecemos 5% do que saberemos daqui a 40 anos. De onde virá esse conhecimento novo? Dos países que investirem pesado em ciência e tecnologia, em educação e no fortalecimento da cultura.
Isso também é chute no mais alto estilo. E há vários problemas aqui: como se mede conhecimento? Produzir informação é o mesmo que produzir conhecimento? Dizer que informação é igual a conhecimento é correto? Certamente que em 2050 haverá muito conhecimento novo, mas como precisar uma percentagem?

A resposta? Não dá para precisar mesmo. Pode ser 95%, 99%, 99.9% ou mesmo 50%. Não há chance de ser ter uma certeza quanto a isto. Podemos usar o volume de dados como proxy, mas é difícil estimar com alguma precisão o que é conhecimento novo. Todo material impresso até hoje é cerca de 200 Petabytes. Como o mundo criou cerca de 1.8 zettabytes, então podemos dizer que de 2010 para 2011 o conhecimento aumentou 10.000 vezes (ou que em 2010 só conhecíamos 0.001%  do que surgiria em 2011) ?

Pois é, é muito complicado afirmar algo assim. Então a predição a respeito de 2050 também é no máximo um chute. Ou pelo menos 95% de chute.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Wikileaks - Vídeo da BBC

Já mencionei o wikileaks em alguns posts por aqui. A despeito da enormidade do que foi divulgado, acho que o mais interessante foi o quão rasas foram as análises do que tivemos acesso. A enorme maioria tratou apenas de casos pontuais que foram utilizados segundo agendas pessoais (vide a vergonhosa atuação de diversos blogueiros sobre William Waack e outros).

Mas felizmente temos a BBC para fazer uma recapitulação a respeito dos wikileaks.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Considere uma Vaca Esférica no Vácuo

Este é o mote de uma piadinha de físico muito famosa:
“Um fazendeiro contratou um físico para modelar sua fazenda de forma a otimizar o seu espaço. O físico foi a fazenda, avaliou, fez diversas anotações, e foi embora, passando semanas sem dar notícias. Outro dia, então, aparece ele afirmando que havia encontrado a resposta; começou então a sua brilhante explanação:
- Considere que seu gado seja constituído por vacas esféricas se movendo no vácuo…”
diversas variações da mesma...
"Considere o espaço de Hilbert das vacas esféricas no vácuo, com densidade constante, na ausência de gravidade, expelindo leite isotropicamente e com fluxo constante F para um dado referencial S. Dado o operador autoadjunto "gravidez da vaca" G, calcule a probabilidade de ela estar prenha."
Todas tratam do mesmo tema: a simplificação exagerada de um modelo físico (conhecido popularmente no meio como Toy Model). A parte interessante disto é a precisão do modelo varia com a aplicação. Por incrível que pareça, o modelo "Animal Esférico" tem aplicações interessantes (aos que estão curiosos: o uso do modelo de animal esférico permite explicar a relação de necessidade de manutenção de energia em organismos vivos).

Mas, com uma frequência assustadora, esta tendência a simplificação exagerada de modelo costuma aparecer em diversos ramos das ciências. As consequências podem ir de relativamente simples (algumas interessantes são o problema da contratação da secretária, o das rainhas no tabuleiro e outros), até consequências bastante sérias.

Não, não irei atacar a questão do aquecimento global aqui (apesar de já estar gerando afirmações quase irresponsáveis). Vou tratar de um assunto mais abrangente: do que lhe é mostrado, consegue identificar o que resultado de um modelo simplificado do que é resultado de um modelo mais refinado?

Vamos a alguns casos:
  1. Os livros de história estão cheios de informações que os europeus mataram milhões de índios. Mas, como se sabe quantos índios haviam antes dos europeus chegarem?
  2. Um estudo publicado recentemente afirma que 75% dos brasileiros nunca pisaram em uma biblioteca. Como se chegou a este número?
  3. Os veículos de comunicação estão cheio de notícias ligadas a saúde afirmando que determinadas substâncias fazem bem ou fazem mal a você. Como pode uma substância fazer mal e depois fazer bem e vice versa?
  4. Como se pode afirmar que o planeta terra terá problemas com a água se 3/4 da sua superfície é água?
  5. Como é que alguém pode saber que a cada 15 segundos uma mulher é espancada no Brasil?
Se você não sabe a respostas a estas perguntas não se preocupe. A maioria das pessoas engole esta informação sem pestanejar. Ora bolas, mesmo especialistas vez por outra caem na armadilha de supor que o modelo é a realidade.

A verdade é que todas estas questões tem respostas  perfeitamente lógicas e não contém nenhum paradoxo a partir do momento que se saí do Toy Model para um modelo mais refinado (não há contradições com a afirmação original, apenas imprecisões). O problema é que via de regra, para descobrirmos que estamos usando um modelo do tipo "Vaca Esférica", alguma coisa tem que dar muito errado.

Como resolver este problema? Bem, temos que ter muito cuidado e atenção no uso dos nossos modelos e devemos sempre saber quais são as premissas envolvidas neste modelo.

terça-feira, 3 de abril de 2012

O Poeta e a Guerra

O Brasil é um país historicamente sem conflitos, certo ou errado? Errado! Já viu a lista?

Então por que ainda se diz que a história do Brasil é pacífica e tranquila? A história parece ter sido esquecida. E isto, que deveria ser a tarefa dos historiadores no longo prazo, e dos jornalistas no curto prazo, parece não ter sido realizada a contento.

Então, não basta ter acontecido - tem que ser divulgado.

Na realidade é pior do que isto: se não for divulgado não importa ter acontecido!

E este é o mote do post de hoje: ações bélicas ou heróicas acabam sendo esquecidas se não forem divulgadas. E naturalmente a divulgação acaba por formar como o conflito será visto por gerações futuras.

Exemplo de Caso: A guerra de Tróia. Durante muito tempo, o poema de Homero foi considerado somente uma obra de ficção (se bem que não era o único poema que falava sobre Tróia). Só quando um entusiasta de Homero resolveu procurar Tróia no local descrito é que se viu que o conflito da ficção tinha raízes na realidade.
E quem diria, o que a população leiga sabe de Tróia hoje é muito mais adaptações artísticas baseadas nas obras de poetas da antiguidade.


Qual a lição que podemos tirar disso? Se Homero e outros poetas não tivessem escrito a Ilíada, não conheceríamos nada sobre Aquiles, Ajax, Paris, Helena, Heitor...


Os guerreiros seriam esquecidos nas areias do tempo - sem chance de serem lembrados

Que o poeta pode ser o elo que separa o esquecimento da glória eterna...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - 19

Você já deve ter ouvido sobre o problema populacional. Há quem diga que  pestes e guerras mantinham o problema populacional sob controle. Ora há quem diga que precisamos de uma "boa guerra" para manter este problema sob controle. Bem, isto simplesmente não é verdade.

Em termos da população mundial foram muito poucas as situações de conflito que fizeram algum efeito no crescimento populacional (e quando fizeram foi mais local do que global). A segunda guerra mundial teve, na sua estimativa mais exagerada, perto de 70 milhões de mortos (o que corresponde a 3% da população). A enorme maioria dos conflitos tem um efeito bem menor do que esse.

Já as taxas de natalidade vem decaindo de 3.7% em 1950 até 1.9% nos dias de hoje. As taxas de mortalidade também vem decaindo de 1.9% em 1955 até 0.8% nos dias de hoje.

Taxa de Natalidade (por milhar)
YearsCBRYearsCBR
1950–195537.22000–200521.2
1955–196035.32005–201020.3
1960–196534.92010–201519.4
1965–197033.42015–202018.2
1970–197530.82020–202516.9
1975–198028.42025–203015.8
1980–198527.92030–203515.0
1985–199027.32035–204014.5
1990–199524.72040–204514.0
1995–200022.52045–205013.4

O que isso quer dizer? O decréscimo na taxa de natalidade teve um efeito muito maior do qualquer uma das guerras. Por que? Porque ele ocorre ao longo de um período longo. Enquanto a guerra dura alguns anos e tem um saldo de carnificina que pode ser grande (3% no caso da segunda guerra mundial), Funciona assim (taxa de natalidade por cento):
  • Decréscimo de 1955-1960: 0.19 = 1.0019
  • Decréscimo de 1960-1965: 0.04 = 1.0004
  • Decréscimo de 1965-1970: 0.15 = 1.0015
  • Decréscimo de 1970-1975: 0.26 = 1.0026
  • Decréscimo de 1975-1980: 0.19 = 1.0024
  • Decréscimo de 1980-1985: 0.04 = 1.0005
  • Decréscimo de 1985-1990: 0.19 = 1.0006
  • Decréscimo de 1990-1995: 0.04 = 1.0026
  • Decréscimo de 1955-2000: 0.19 = 1.0022
  • Decréscimo de 2000-2005: 0.04 = 1.0013
  • Decréscimo de 2005-2010: 0.19 = 1.0009
Ao combinarmos todas estas taxas temos uma diminuição equivalente da população de 8.8% de 1955 até os dias de hoje (na realidade, este valor pode ser ainda maior). E isto equivale a praticamente 3 guerras do tamanho da segunda guerra.

Tirando o pesadelo de uma hecatombe nuclear, teríamos de ter uma mega-guerra para fazer algum efeito na população.

Então, em termos de eficiência, controle populacional é o caminho a seguir - ao invés da guerra!

Se quisermos resolver o problema da população temos de diminuir as taxas de natalidade, e não aumentar as taxas de mortalidade. É bem óbvio, uma vez que se pense a respeito.

domingo, 1 de abril de 2012

Televisão Bizarra: Sado-maso para todas as idades!

Você sabe o que é um arco de história? Essencialmente é uma narrativa contada de episódios. A ideia é que história não seja contida em um único episódio e continue em vários outros até a sua conclusão. Bem, hoje eu trago um arco de história real da televisão brasileira. A história pode ser interpretada de diversas formas. Podemos ver como uma história de ascensão e queda, uma história de um mito popular, uma história modelo sobre a influência da televisão na sociedade ou mesmo uma história modelo sobre a influência da sociedade na televisão.

Alguns de vocês podem até conhecer, mas apresento a Tiazinha.

Ela é um daqueles fenômenos culturais que sai de trás da moita, dá-lhe uma cacetada e corre com sua carteira, te deixando desorientado, vagamente envergonhado e também com a impressão de ter  passado por uma aventura.

Ela surgiu do Programa H de Luciano Huck. Suspeito que para dar uma apimentada em um quadro aonde homens seriam depilados, o programa criou a figura da Tiazinha, que representava alguns fetiches masculinos particulares.

Bem, a coisa decolou e tomou proporções incríveis. Logo, logo Tiazinha estava nas rádios.

E em mais de um gênero nusical!

No auge, ela teve uma série própria

O fim da fama de Tiazinha não veio de fora, mas de dentro. Suzana Alves sentiu que ficaria presa naquele
papel e dificilmente poderia crescer como atriz. Mas também em topo disso, Tiazinha mudou seu foco para o publico infantil. E aí o público adulto passou a outra. Quanto a atriz, ela alçou novos vôos em outras oportunidades televisivas, inclusive um papel em nossa pequena pérola da televisão de hoje: Mandrake.

Então, neste post eu fiz mais ou menos dois arcos: contei a história da relação de um personagem com seu intérprete e com isso, aproveitei para colocar uma pequena joia televisiva para conhecerem.

sábado, 31 de março de 2012

Pequenas Pérolas do Cinema - 53

Seguindo a sugestão, hoje é dia de Soylent Green.

O filme é baseado no livro Make Room! Make Room sobre os efeitos da superpopulação. O filme trata da questão da falta de recursos devido à superpopulação (uma preocupação em 1970 e voltando a carga nos dias de hoje). A frase famosa do filme está bem no final.

No caso, o filme foca em alguns dos efeitos da superpopulação, mas se concentra na questão da comida. Para as massas só existe o alimento sintetizado Soylent Green. E este supostamente seria feito de Plankton. Mas um assassinato acaba por ameaçar o segredo de fabricação de Soylent Green.

Hoje o bordão "Soylent Green is People" já está incorporado à cultura popular (ou pelo menos a cultura nerd).

sexta-feira, 30 de março de 2012

Misquotes

Com o falecimento de Millor Fernandes me veio a mente um ponto curioso. Já notaram quantas citações de pessoas famosas que aparecem diariamente por aí?

Já notaram quantas delas não são da pessoa a quem são normalmente atribuídas? Há quem diga que se Einstein tivesse dito todas as frases que lhe atribuem, ele não teria criado a teoria da relatividade.

No caso de Millor, já pude identificar algumas citações que possivelmente são apócrifas.

Por que isso acontece? Hummm... é difícil precisar. Há a confusão genuína de não se conseguir determinar o autor da frase em questão, mas há também situações aonde o autor prefere que sua frase seja atribuída a outro. No segundo caso, temos claramente um indício que não analisamos somente a mensagem, mas também o mensageiro.

De qualquer modo, vamos a algumas citações famosas que são atribuídas às pessoas erradas.
  • "Eu não concordo com uma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las"- atribuída a Voltaire, mas na realidade a frase é de Evelyn Beatrice Hall (não soa mais tão impressionante, não é? Mas fique tranquilo: muita gente também se enganou.)
  • "Os donos do capital incentivarão a classe trabalhadora a adquirir, cada vez mais, bens caros, casas e tecnologia, impulsionando-a cada vez mais ao caro endividamento, até que sua dívida se torne insuportável." - atribuída a Marx, mas na realidade bem mais contemporânea.
  • "O capitalismo é a exploração do homem pelo homem. E o comunismo é exatamente o contrário." - atribuída a Millor Fernandes, mas é na realidade bem mais antiga.
  • "Bons artistas copiam, grandes artistas roubam" - atribuída a Pablo Picasso, mas na realidade de T.S. Elliot.
No fundo, usar uma citação é uma espécie de apelo a autoridade. Mas também funciona como uma forma sutil de sumarizar algo que concordamos

Nada de errado nisso.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Casa Sempre Ganha

Uma de minhas séries favoritas é House. No fundo, o show é um drama de mistério não muito diferentes dos de Sherlock Holmes. Mas com a diferença de ao invés de descobrir quem é o culpado, o programa gira em torno de descobrir qual é a doença.

Não vou entrar aqui na série em si (vou deixar isso para um futuro post), mas vou me deter na questão de um elemento central do show: o diagnóstico.

No show, o paciente apresenta sintomas que são inicialmente tratados baseados em uma suposição sobre qual é a doença. Quando esta suposição não se prova verdadeira, novos sintomas surgem e o ciclo continua até que House (ou um dos seus colegas) tenha informação suficiente para saber qual é a doença.

E isto é fascinante. Digo isso não só pela forma como isso é explorado no programa, mas também pelo conceito de refino da probabilidade através de testes sucessivos. Suspeito que isso pode ser aplicado em muitas outras áreas.

E naturalmente há estudos sobre isso (há estudos sobre coisas que a maioria das pessoas sequer imagina).

Isso me fez pensar a respeito de construir exemplos de como o diagnóstico pode ser aplicado. Para tanto vamos restringir a um caso simples inicialmente. Temos 4 doenças (D1, D2, D3, D4). Cada uma destas doenças tem um conjunto de sintomas associados:

D1 - {S11, S12, S13, S14}
D2 - {S21, S22, S23, S24}
D3 - {S31, S32, S33, S34}
D4 - {S41, S42, S43, S44}

Bem se todos os sintomas são únicos a cada uma das doenças, então basta verificar um único sintoma e bada-bing, descobre-se a doença. Mas vamos complicar um pouco mais: vamos dizer que as doenças em sintomas em comum e que na realidade é a combinação de sintomas que define a doença.

D1 - {S11, S12, S13, S14}
D2 - {S11, S12, S23, S24}
D3 - {S11, S32, S33, S24}
D4 - {S11, S42, S23, S44}

Assim, D1 e D2 tem 2 sintomas em comum, D1 e D3 tem 1 sintoma em comum e D1 e D4 tem 1 sintoma em comum. Se o sintoma S11 for o primeiro a se apresentar, então o médico terá D1, D2, D3 e D4 como possíveis candidatos a doença em questão.

Mas ao surgir um novo sintoma, pode-se reduzir o universo de doenças possíveis. Se o sintoma S12 surgir, então o médico saberá que a doença pode ser D1 ou D2. Se o sintoma S23 surgir, então o médico saberá que a doença pode ser D2 ou D4 e se o sintoma S24 surgir então a doença estará entre D2 e D3.

Pode-se argumentar que o diagnóstico passa por submeter o paciente a sucessivos testes para determinar qual é a sua doença. No caso acima o número mínimo de testes para identificar a doença com 100% de certeza é 3.
O paciente tem S11. Testa-se o paciente para ver se ele tem S12. Caso positivo então testa-se para se ele tem S13 para determinar se é D1 ou D2. Caso negativo então testa-se para ver se ele tem S32 (caso o resultado for positivo então ele tem D3 caso negativo então é D4).

No caso, o problema de determinar a doença nada mais é o problema de realizar o mínimo de testes para determinar inequivocamente qual linha de uma matriz de diagnóstico {Presença x Sintoma} se procura.

Mas pode-se complicar ainda mais com sintomas que estão presentes em um percentual de doenças mais não em outros (e nos aproximarmos da realidade). Vamos dizer agora que os sintomas são somente S11, S12, S13 e S14. Mas as doenças D1, D2, D3 e D4 tem frequências diferentes para estes sintomas. Vamos dizer que em D1 de cada 100 casos, 20 apresentam S11, 90 apresentam S12, 10 apresentam S13 e 50 apresentam S14. Podemos representar isso por:

D1 - {S11, S12, S13, S14} - (0.2, 0.9, 0.1, 0.5)

Podemos fazer o mesmo para as outras doenças

D2 - {S11, S12, S23, S24} - (0.3, 0.3, 0.3, 0.8)
D3 - {S11, S32, S33, S24} - (0.5, 0.5, 0.7, 0.9)
D4 - {S11, S42, S23, S44} - (0.4, 0.2, 0.6, 0.8)

Então como proceder neste caso? Bem, se os sintomas fossem independentes então seria fácil. Era só multiplicar todas os números e colocar um score de mais provável para menos provável. Mas frequentemente não existe essa independência. Dizer que de cada 100 casos, 20 apresentam S11 e 90 apresentam S12 não me diz nada sobre o número de casos que apresentam S11 e S12. Da mesma forma, os demais sintomas também podem ter alguma correlação.

Para expressar isso é necessária uma matriz que ligue os demais sintomas. Por exemplo:
  • De cada 10 pessoas que possuem o sintoma S11, 9 possuem S12, 7 possuem o sintoma S13 e 5 possuem o sintoma S14.
  • De cada 10 pessoas que possuem o sintoma S12, 5 possuem o sintoma S11, 8 possuem o sintoma S13 e 7 possuem o sintoma S14
  • De cada 10 pessoas que possuem o sintoma S13, 9 possuem o sintoma S11, 8 possuem o sintoma S12 e 7 possuem o sintoma S14
  • De cada 10 pessoas que possuem o sintoma S14, 6 possuem o sintoma S11, 7 possuem o sintoma S12 e 4 possuem o sintoma S13
Note que isto é diferente de expressar o problema em termo do número de casos que tem D1 e apresentam o sintoma S11, S12, S13 e S14. O que estamos dizendo aqui é Dado que nos 10 casos que o sintoma S11 apareceu, o sintoma S12 apareceu em 9 deles (P(S12|S11) = 0.9).

Este tipo de relacionamento, em conjunto com o Teorema de Bayes permite determinar qual a doença (D1, D2, D3 e D4) é a mais provável. Como? Bem, o que informamos anteriormente é dado a doença D1, qual é a probabilidade de aparecer o sintoma S11 (0.2). Ou seja informamos P(S11|D1)=0.2 (Isto é normalmente diferente do que desejamos saber: qual é a probabilidade de D1 dado S11 (P(D1|S11)?

Na realidade queremos saber P(D1| S11 e S12 e S13 e S14)!

Como dá para ver, mesmo com um conjunto limitado de 4 doenças, o problema se torna complicado rapidamente. Fazer isto de cabeça só mesmo para House.

Aliás o título deste post é uma tradução (meia-boca) do trocadilho House always wins.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Homenagem ao Poeta-Filósofo

Millor Fernandes se foi. Deixou o mundo. Sentiremos saudades.

Quem melhor para falar sobre ele, do que ele mesmo?

Deixo aqui um poema.

Muito Cuidado: Trocar os Fatos Pode Matar

Não pude resistir! Procurando sobre a questão da fome na internet cheguei por acaso a este texto. E ele é apenas mais um na linhagem dos textos que não se importam em distorcer a realidade para avançar uma agenda qualquer.

A parte que me chamou a atenção foi esta:
Este ano há 900 milhões de seres humanos a passar fome, seis décadas depois da criação da FAO. Em Outubro de 1945, quando a FAO foi criada, havia 80 milhões. Para que serviu a FAO? 
Opa, opa, opa! 80 milhões em 1945? De onde tiraram este número?

Vamos voltar a este ponto em breve...

O texto se baseia nisso para atacar a FAO, Monsanto, e demais capitalistas malvados. E se vale desse número para afirmar que a revolução verde foi um fracasso!

Bem, ela foi um sucesso. Quem tiver acesso ao livro The Population Bomb pode ver que a situação mudou muito, e mudou para melhor. Mas há espaço para críticas sim...

Você já parou para pensar como se mede a fome no mundo? A pergunta é delicada, já que o que se mede nas estatísticas da FAO é justamente a subnutrição. Segundo este indicador a situação é a seguinte:



World



Number and percentage of undernourished persons
2006-2008850million (13%)
2000-2002836million (14%)
1995-1997792million (14%)
1990-1992848million (16%)
1979-1981853million (21%)
1969-1971878million (26%)


Muito bem, e percentualmente, o que isto significa? Bom, apesar do número de subnutridos ter variado pouco de 1969 até 2008, o valor percentual caiu de 37% para 16%, ou 26% para 13% (segundo a tabela acima).

Mas tanta incerteza assim? O problema é que quantificar este número é complicado, e mesmo relatórios da própria FAO podem conter números conflitantes.

Então o que sabemos? Na realidade não muito. Sabemos que há fome no mundo, mas não sabemos exatamente quanta. Certamente também não ajuda misturar o pouco que achamos que sabemos e passar como verdade. (1 pessoa morre de fome a cada 3.6 segundos versus 15 milhões de crianças morrem de fome por ano -são números diferentes, crianças não são pessoas?).

Infelizmente, as únicas estatísticas com um pouco de confiabilidade são as de mortalidade infantil antes dos 5 anos. Segundo a própria FAO, cerca de 60% destas mortes são causadas por subnutrição. De 1990 até 2010, este número caiu de 7.44 milhões para 4.56 milhões. Em termos de taxa:
Em termos numéricos:
Assumindo uma taxa de natalidade mundial de 37 por mil em 1950, temos cerca de 74 milhões de nascimentos. Até 1955 serão 370 milhões de crianças. Com uma taxa de mortalidade infantil de 0.159 (159 por mil) temos 58 milhões (tirando os 60% disso temos os 35 milhões de mortos devido a fome).

E então volto a afirmação dos 80 milhões de famintos em 1945. Com esta estimativa de 35 milhões de crianças mortas devido a fome de 1950-1955, leva a imaginar que os 80 milhões que o texto fala são de mortos por causa da fome. E os 900 milhões que o texto fala estão vivos.

Ou seja, todos os sinais de desonestidade intelectual da braba.

terça-feira, 27 de março de 2012

Pensando Bem...

Veja esta sequência de vídeos de Richard Feynman. Ele foi um físico que trabalhou no projeto Manhattan, ganhou o prêmio Nobel e certamente é muito, muito  inteligente. Mas devo deixar claro que ele também é media savvy (inteligência comunicacional?).

Vale a pena prestar atenção nas perguntas que ele faz, pois geralmente são perguntas aparentemente simples, porém fundamentais.

Por que estou colocando tudo aqui? Acredito que a sequência é interessante e certamente estou facilitando o trabalho de quem está interessado em ver o programa completo.

E aqui temos a última parte que está legendada com uma interessante conversa sobre "o porquê".

Há muito mais de Feynman na internet, e ele realmente é muito bom em usar exemplos para explicações. Veja o que ele diz sobre uma das principais causas do acidente da Challenger.

Não é toda história, mas é um bom pedaço dela.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - 18

Ah, o ciberativismo! Tão belo, tão puro, tão cheio de boas intenções!

Tão inacreditavelmente míope e potencialmente destrutivo!

Eis aqui o futuro do ciberativismo: Kony 2012.

Pois bem, o filme conta as ações de Joseph Kony em Uganda e pede auxílio, na forma de aumento de visibilidade, para leva-lo a justiça. O documentário conta como a guerrilha de Kony cometeu atrocidades e destruiu a vida de possivelmente milhares de pessoas. Ora, veja uma entrevista com ele:

Mas naturalmente a coisa não é tão simples assim. Na verdade a coisa nunca é simples:

Então, quem está com a razão? Bem, Kony parece ter cometido atrocidades em Uganda. E além disso há mandado de prisão contra Kony pelo ICC. Então uma campanha para sua prisão não é exatamente mal-vinda. E, diferente do que as teorias de conspiração dizem sobre o vídeo, a prisão de Joseph Kony é suportada por um pedido legal do ICC. Mas há muitos pontos errados ou simplesmente exagerados no vídeo.

A despeito destas questões, ainda é perfeitamente razoável concordar que Kony deveria pelo menos ter seu momento na corte do ICC. Mas fica a pergunta: será que o modo que esta sendo proposto vai resolver o problema? Bem, aí mora o busílis:
  • Para começar os Estados Unidos não são signatários do ICC. Por que? Bem, aí as explicações variam.
  • Capturar Kony pela intervenção dos Estados Unidos pode levar a invasão de um país estrangeiro. Kony não está mais em Uganda. Uma intervenção pode acabar levando a desestabilização do governo de Uganda, da República Centro-Africana, ou de ambos.
  • Capturar Kony não vai necessariamente resolver o problema. Quem teve curiosidade de dar uma olhada no link do mandado de prisão contra Kony vai ver que ele não é o único..
  • Os próprios Ugandenses não estão nada satisfeitos com o tom e as sugestões da campanha. Eles reagiram de modo um tanto quanto violento ao ver o vídeo da campanha. Veja você mesmo:

Bem, vendo isso fica a dúvida se a campanha Kony 2012 é a coisa certa a se fazer, ou pelo menos a coisa certa a se apoiar. Afinal, se os próprios Ugandenses não estão satisfeitos com ela, então como pode ser a atitude certa a se tomar?

Se você está confuso, incerto e não saber como responder a isto, eu digo: bem vindo a maturidade! Esse negócio de resposta certa é coisa de teste de escola. O mundo real não tem um gabarito certo/errado de como agir.

Qualquer decisão tem consequências, mesmo que toda boa intenção do mundo o levou a tomar determinada decisão, não existem garantias que os resultados serão positivos (existem chances, mas nada quanto a garantias).

Este é o mundo em que você vive:
  • Se você escolher apoiar a campanha Kony 2012, pode ser que você seja co-responsável por uma grande melhoria na vida de todos naquela região. Mas também pode ser que você se torne co-responsável por uma tragédia futura ainda maior.
  • No entanto, se você escolher não apoiar a campanha Kony 2012, pode ser que você seja co-responsável por uma grande melhoria na vida de todos naquela região. Mas também pode ser que você se torne co-responsável por uma tragédia futura ainda maior.
Viu? Não tem respostas certas... Não há certezas, mas probabilidades...

Post Scriptum: o comportamento do criador da campanha não deve influir em sua decisão. O importante é a mensagem e não o mensageiro.

domingo, 25 de março de 2012

Chico City

Com o falecimento de Chico Anysio, eu acredito que nada é mais justo do que colocar aqui uma pérola da televisão brasileira: Chico City
É interessante ver como a abertura e a música mudou ao longo do tempo

A galeria de personagens é enorme. Dou destaque ao Pantaleão, que ficou famoso com o bordão "É mentira, Terta?"
Um quadro que continuou até hoje era a escolinha do professor Raimundo
Tinha o Popó.
Outro personagem famosíssimo e ainda atual é o deputado Justo Veríssimo (que só iria aparecer bem depois)
Deixo por fim, duas homenagens ao grande humorista. Uma das primeiras aparições stand up

Um especial sobre ele

sábado, 24 de março de 2012

Pequenas Pérolas do Cinema - 52

Este é o milésimo post do blog! O filme de hoje é sugestão do Karlos: Inferno na Torre.

O filme conta a história de um incêndio em um prédio de 138 andares no dia de sua inauguração. O prédio foi construído em San Francisco (zona de terremotos? Parece uma escolha meio arriscada) e devido ao sua altura, de quase 550 metros (o prédio mais alto do mundo tem perto de 830 metros).

O filme levou 3 Oscars (sendo 1 deles de melhor música), 2 Globos de Ouro e 2 BAFTAs.

O filme foi baseado em dois livros (The Tower e The Glass Inferno) e misturou personagens destas duas fontes. É possível assisti-lo na internet.

Os efeitos especiais utilizaram miniaturas e pinturas para conseguir o efeito de um prédio destas dimensões em San Francisco.

Em uma trágica coincidência, no mesmo ano do filme, o Brasil teve um incêndio de grandes proporções no edifício Joelma.

O incêndio levou até a realização de um filme: Joelma 23o andar.

Isso porque 2 anos antes ocorreu outro incêndio terrível no edifício Andraus.

No caso do filme Inferno na Torre, o incêndio foi finalmente debelado quando os protagonistas resolvem explodir a caixa d´água do edifício. Naturalmente isto leva a pergunta se com aquela água toda no topo do edifício, se não haveria uma maneira menos destrutiva de apagar o incêndio...

sexta-feira, 23 de março de 2012

Faço o que Eu Digo?

Caro leitor, você já parou para pensar como vários grupos querem controlar sua vida?
  • Alguns querem controlar o que você come,
  • Outros querem controlar como você se diverte,
  • Outros querem controlar como você faz sexo,
  • Outros querem controlar o que deve ser seu entretenimento,
  • Outros querem controlar o quanto você deve ganhar,
  • Outros querem controlar o quanto você deve trabalhar,
  • Outros querem controlar como você se locomove,
  • Outros querem controlar suas decisões,
  • Outros querem simplesmente controlar... toda sua vida!
Pois bem, certamente nem todos que querem controlar aspectos da sua vida desejam o mal para você. Mas todos que desejam controlar aspectos da sua vida acreditam piamente que podem fazer isto melhor do que você.

Este é o grande dilema de viver em sociedade. Ao mesmo tempo que devemos ser harmoniosos e cuidar de todos, existe uma linha aonde cuidar de todos significa controlar a todos.

Na teoria a solução é simples: compromisso de ambas partes. Na prática, a melhor defesa é justamente o ataque - se ele controlar você, você o controla. Neste momento é que se separa quem apenas almeja o poder, de quem realmente quer ajudar.

Por que desta reflexão? Dois motivos...
  1. Na minha universidade (UnB), estamos entrando  em um período conturbado por causa das futuras eleições para reitor. E como toda campanha eleitoral, o objetivo de cada lado é controlar o seu voto (sua decisão). Então, caros leitores, podem se preparar que de vez em quando eu vou levantar algumas lebres por aqui...
  2. O segundo motivo é a patética decisão de controlar a programação de TV por assinatura recentemente. Não apenas uma, mas duas matérias insistem que isso é para o meu próprio bem...
Tenham menos cara de pau, por favor! Vou terminar tendo que instituir algum tipo de premiação.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Urnas Eletrônicas

Com o assunto de pesquisas na cabeça, não posso deixar de comentar algo sobre fraudes em urnas eletrônicas.
  1. É perfeitamente possível fraudar uma urna eletrônica, dado o conhecimento, ferramentas adequadas e condições. É outra coisa completamente diferente fraudar centenas de milhares de urnas eletrônicas. A diferença é entre ir de Brasília à Goiânia, comparado com de Brasília à Marte. Enquanto um é perfeitamente factível com os meios conhecidos, o outro envolve dificuldades extremas
  2. Fraudar alguma coisa tem um custo. Fraudar uma multiplicidade de coisas tem um custo consideravelmente maior. Há uma questão econômica aí.
  3. Fraudar possivelmente levantará discrepâncias dos resultados obtidos com as pesquisas. Quanto maior esta discrepância, mais complicado fica esconder a fraude. Claro que pode ser que alguém argumente que as pesquisas foram compradas, as urnas foram compradas, o TSE foi comprado e a mídia foi comprada - mas aí o uso da Navalha de Occam resulta na inevitável conclusão que o mais lógico é duvidar do acusador.
  4. Há uma série de técnicas, baseadas em amostragem que pode eventualmente complicar qualquer tentativa de fraude. As técnicas não necessariamente impedem, mas tornam visíveis tentativas de fraudes. Uma destas técnicas consiste em votar com pleno conhecimento dos resultados e depois conferir os resultados de votação. Se forem escolhidas aleatoriamente um conjunto de urnas em número suficiente, a fraude fica evidente.
No fundo existe uma probabilidade de fraude. Mas é absolutamente ilusório pensar que um sistema de votação baseado em papel é mais robusto. O contrário é que é verdadeiro...

Mas existem interesses, dúvidas e também a chance de acontecer. Talvez seja por isso que o assunto volte a baila de modo tão recorrente.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Enquetes Online

Com uma breve olhada na teoria que conheço de pesquisa por amostragem, não posso deixar de ter a impressão que pesquisas online ou enquetes online não conseguem representar adequadamente uma população.

Mas ao mesmo tempo, fico imaginando se estudo cuidadoso dos dados enviados não poderia dar pistas da distribuição real. Eu pensei em uma abordagem de dois passos:
  • Amostragem dos dados submetidos - ou seja, após fazer a enquete, o pesquisador seleciona aleatoriamente uma fatia do universo amostral
  • Estratificação dos dados - com as amostras escolhidas, o pesquisador se vale de pesos escolhidos cuidadosamente segundo uma estratificação da população geral e comparação com informações das amostras escolhidas.
Um exemplo: vamos supor um universo de 500.000 submissões online a uma determinada pesquisa. O pesquisador separa aleatoriamente 2500 destas amostras. Nestas amostras, ele aplica a estratificação: como no Brasil 51% da população é mulher, o peso dos votos femininos é de 0.51 (e o peso dos votos masculino é de 0.49).

No caso de um concurso televisivo, primeiro é necessária fazer a estratificação dos votantes para poder estimar pesos adequados. Se a estratificação é a mesma de uma pesquisa online, então os resultados não devem divergir.

A verdade é que estou começando a ficar convencido que pesquisas online podem funcionar, desde que apropriadamente utilizadas. Mas pelo que vejo, também é necessário que haja informação adicional para que pesquisas online funcionem direito.

terça-feira, 20 de março de 2012

Como é o perfil de emprego no Brasil?


Eu sempre tive curiosidade de saber como é o perfil do emprego no Brasil. Por que? Eu já ouvi muito sobre o que move o país e resolvi checar no papel.

Nesta apresentação tive informações sobre a distribuição de empregos no Brasil. O resultado é muito interessante (lembre-se que há diversas variações dependendo do estado).
  1. Serviços - 14.5 milhões - 32%
  2. Administração pública - 9 milhões - 20%
  3. Comércio - 8.5 milhões - 19%
  4. Indústria de transformação - 8 milhões - 18%
  5. Construção civil - 2.5 milhões - 6%
  6. Agropecuária, extrativismo vegetal, caça e pesca - 1.5 milhões - 3%
  7. Serviços industriais de utilidade pública 400 mil - 2%
  8. Extrativa mineral - 200 mil - 1%
Então note que a maioria dos empregos está exatamente no setor de serviço (apesar de ter encontrado um valor curioso em um estudo sobre construção civil). O segundo maior setor empregatício do Brasil é o setor de administração pública (praticamente 1/5 dos empregos no Brasil).

Isto naturalmente leva a questão? E com relação ao PIB, como é participação desse pessoal. Felizmente encontrei uma referência.
  1. Serviços - 67% 
  2. Indústria - 19%
  3. Agricultura - 6%
  4. Construção Civil - 5%
  5. Mineração - 3%
Naturalmente, não dá para associar o PIB com o setor de administração pública (pelo menos não diretamente). No caso desta análise do PIB, o setor de comércio está incluído no chamado PIB de serviços. Se dividirmos o PIB pelo percentual de mão de obra temos o mais R$ por empregado. Então
  1. Mineração - 3/1 = 3
  2. Agricultura - 6/3 = 2
  3. Serviços - 67/(32+19+2)=67/53 = 1.3
  4. Indústria - 19/18 = 1.1
  5. Construção Civil - 5/6 = 0.8
Claro que isso não pode ser usado como um indicador único, mas os dados indicam que aonde se tem maior retorno por empregado é o setor de mineração (extrativista mineral), seguindo da agricultura, de serviço, da indústria e finalmente da construção civil.