Você, caro leitor, já teve lapsos aonde o julgamento é feito rapidamente baseado no que vê?
Prepare-se para algumas surpresas.
Você já deve ter visto esta cena em Bowling for Columbine
Não? Veja então a entrevista do filme
Então, este Charlton Heston só pode ser um malvado bandido sem coração, não?
Bem... Na realidade não. Veja esta foto.
Montagem? Então veja a entrevista...
Complicou, não? É o tipo de coisa que dá nó na cabeça de alguém.
Mas na realidade é uma ótima forma de mostrar que as pessoas não são unidimensionais como se imagina. E também serve para aprender a desconfiar de documentários.
Este blog tem como propósito sincero esclarecer as notícias e novidades sem confundir.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
O Oeste Loucamente Selvagem
Hoje é dia de um seriado que eu gostava bastante: James West
Eu vi o seriado na década de 70, mas ele é da década de 60. O melhor sumário que já encontrei é este: James Bond no Velho Oeste! Eu tive a sorte de encontrar aqui o primeiro episódio.
A temática era bastante variada, mas essencialmente era a história de dois agentes secretos americanos no Velho Oeste. Eles sempre estavam as voltas com os mais diversos tipos de vilões.
Mas eu deixo uma recomendação importante: se quiser ver James West evite a todo custo o filme de 1999. É capaz de estragar o gosto do seriado. Deixo vocês com o tema de abertura do seriado.
Eu vi o seriado na década de 70, mas ele é da década de 60. O melhor sumário que já encontrei é este: James Bond no Velho Oeste! Eu tive a sorte de encontrar aqui o primeiro episódio.
A temática era bastante variada, mas essencialmente era a história de dois agentes secretos americanos no Velho Oeste. Eles sempre estavam as voltas com os mais diversos tipos de vilões.
Mas eu deixo uma recomendação importante: se quiser ver James West evite a todo custo o filme de 1999. É capaz de estragar o gosto do seriado. Deixo vocês com o tema de abertura do seriado.
sábado, 19 de maio de 2012
Pequenas Pérolas do Cinema - 60
Hoje é dia de um grande filme sugerido nos comentários: Um Homem Chamado Cavalo.
Naquele filme há uma cena famosíssima com a suspensão no ar do protagonista pelos mamilos.
Hoje é bem mais comum ter gente que faz isso.
Naquele filme há uma cena famosíssima com a suspensão no ar do protagonista pelos mamilos.
Hoje é bem mais comum ter gente que faz isso.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
O Tempo e a Culpa
Não posso deixar de notar a força que se está fazendo para culpar a revista Veja pelos males do país.
Naturalmente, a mesma Veja que o governo ataca sem dó hoje serviu aos seus propósitos quando era oposição. Aliás, é fantástica a lógica do "se ataca meus inimigos é isenta, se ataca meus amigos é comprada!". O leitor atento pode observar com atenção que reportagens de Veja servem de argumento positivo ou negativo para oposicionistas ou governistas.
O fato é simples: nunca aprendemos a conviver com liberdade de expressão, ou mesmo liberdade de imprensa. Então, vez por outra, entramos na roubada de achar que uma pessoa não pode dizer alguma coisa porque ofende a alguém. De modo similar temos a tendência a acreditar que existem "conspirações" aonde a imprensa pretende derrubar o governo.
De novo, se olharmos a história vemos que a imprensa raramente tem este poder.
Mas que a imprensa acredita que pode acusar sem assumir responsabilidade, isso é verdade. Felizmente, há o caminho jurídico que acaba remediando isso de um modo ou de outro. Não resolve o problema de verdade, mas se o veículo de comunicação se meter a fazer trapalhadas com constância, então logo logo os editores e chefes começam a ser ver em apuros.
Dito tudo isso, quero chamar atenção a um fato: o editor da Veja em Brasília realmente estava usando informações fornecidas por Carlinhos Cachoeira. Isso caracteriza Cachoeira como um fonte sigilosa da revista. Naturalmente, Cachoeira se aproveitava disso.
E é isso...
O editor foi cooptado? Bem, aí se você ler o livro Privataria Tucana, então vai notar que o penúltimo capítulo fala sobre o relacionamento entre Rui Falcão, Luiz Lanzetta, Amaury Júnior e Policarpo Júnior - o texto está aqui. Humm, complica agora saber que alguém do PT usou Veja para prejudicar outros do PT.
Não é lindo? Rui Falcão queria usar a Veja da mesma forma que Carlinhos Cachoeira: para atingir alvos específicos! E o mais lindo é que isso é contado pelo Amaury Júnior - o mesmo camarada, amigo de Idalberto Matias - que os militantes do PT afirmam ter descoberto uma "grande conspiração dos tucanos".
No fundo é bem o que este artigo de Alberto Dines explica.
Minha sugestão: leia o artigo de Dines e tome sua decisão a respeito - sobre cooptação, política e como funciona o Brasil
Naturalmente, a mesma Veja que o governo ataca sem dó hoje serviu aos seus propósitos quando era oposição. Aliás, é fantástica a lógica do "se ataca meus inimigos é isenta, se ataca meus amigos é comprada!". O leitor atento pode observar com atenção que reportagens de Veja servem de argumento positivo ou negativo para oposicionistas ou governistas.
O fato é simples: nunca aprendemos a conviver com liberdade de expressão, ou mesmo liberdade de imprensa. Então, vez por outra, entramos na roubada de achar que uma pessoa não pode dizer alguma coisa porque ofende a alguém. De modo similar temos a tendência a acreditar que existem "conspirações" aonde a imprensa pretende derrubar o governo.
De novo, se olharmos a história vemos que a imprensa raramente tem este poder.
Mas que a imprensa acredita que pode acusar sem assumir responsabilidade, isso é verdade. Felizmente, há o caminho jurídico que acaba remediando isso de um modo ou de outro. Não resolve o problema de verdade, mas se o veículo de comunicação se meter a fazer trapalhadas com constância, então logo logo os editores e chefes começam a ser ver em apuros.
Dito tudo isso, quero chamar atenção a um fato: o editor da Veja em Brasília realmente estava usando informações fornecidas por Carlinhos Cachoeira. Isso caracteriza Cachoeira como um fonte sigilosa da revista. Naturalmente, Cachoeira se aproveitava disso.
E é isso...
O editor foi cooptado? Bem, aí se você ler o livro Privataria Tucana, então vai notar que o penúltimo capítulo fala sobre o relacionamento entre Rui Falcão, Luiz Lanzetta, Amaury Júnior e Policarpo Júnior - o texto está aqui. Humm, complica agora saber que alguém do PT usou Veja para prejudicar outros do PT.
Não é lindo? Rui Falcão queria usar a Veja da mesma forma que Carlinhos Cachoeira: para atingir alvos específicos! E o mais lindo é que isso é contado pelo Amaury Júnior - o mesmo camarada, amigo de Idalberto Matias - que os militantes do PT afirmam ter descoberto uma "grande conspiração dos tucanos".
No fundo é bem o que este artigo de Alberto Dines explica.
Minha sugestão: leia o artigo de Dines e tome sua decisão a respeito - sobre cooptação, política e como funciona o Brasil
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Inflação e o Valor do Dinheiro
Achei um blog que afirma que os professores universitários ganhavam mais no tempo de FHC do que hoje em dia. Bem, como se calcula isso?
Na realidade temos de calcular o quanto uma quantidade de dinheiro de hoje valeria naqueles tempos. Isto ou calcular o quanto um valor daqueles tempos seria hoje. Na realidade, tendo a inflação histórica, isto se torna simples:
Este multiplicadores permitem saber quanto vale uma dada quantidade de dinheiro de 1998 hoje, ou uma dada quantidade de dinheiro de hoje em 1998. Como usar? Vamos a alguns exemplos:
Na realidade temos de calcular o quanto uma quantidade de dinheiro de hoje valeria naqueles tempos. Isto ou calcular o quanto um valor daqueles tempos seria hoje. Na realidade, tendo a inflação histórica, isto se torna simples:
| Ano | Multiplicador para 2012 |
| 1998 | 2,37 |
| 1999 | 2,33 |
| 2000 | 2,14 |
| 2001 | 2,02 |
| 2002 | 1,88 |
| 2003 | 1,67 |
| 2004 | 1,53 |
| 2005 | 1,42 |
| 2006 | 1,34 |
| 2007 | 1,30 |
| 2008 | 1,25 |
| 2009 | 1,18 |
| 2010 | 1,13 |
| 2011 | 1,07 |
- Quanto vale hoje o equivalente a R$ 1,00 em 1998? Resposta: R$ 1,00 * 2,37 = R$ 2,37 - ou seja R$ 1,00 em 1998 corresponde a R$ 2,37 em 2012.
- Quanto vale em 2008 o equivalente a R$ 1,25 hoje? Resposta: R$ 1,25 / 1,25 = R$ 1,00
- Quanto vale o salário de um professor adjunto 1 de hoje em 1998? Resposta: R$ 7333,67/2,37 = R$ 3094,38
- Quanto vale o salário de um professor adjunto 1 de 1998 hoje? Resposta: R$ 3388,31 * 2,37 = R$ 8030,30
quarta-feira, 16 de maio de 2012
O Dilema de Hamlet
Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobreEste é o dilema de Hamlet. O que ele significa? Bem, as interpretações variam, mas acredito que se trata de escolher prosseguir ou não com as árduas tarefas pela frente. No caso de Hamlet, este extrato do famoso discurso da primeira cena do terceiro ato trata de um Hamlet em dúvida sobre a veracidade das ações do seu tio, conforme contadas pelo fantasma (que afirma ser seu pai). E, acredito eu, que é exatamente em torno dessa dúvida que o famoso solilóquio descrito acima ocorre.
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir... é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Esta interpretação é justificada pela artimanha de representar a morte do rei segundo a descrição do fantasma, usando uma interpretação teatral. Com a reação de seu tio a peça, Hamlet decide que deve agir para vingar o pai. E daí a tragédia se desenrola...
É a partir da indecisão e do uso da artimanha para verificar que seu tio tinha assassinado o rei que tudo vai ladeira abaixo. Seu tio passa a suspeitar de Hamlet e tramar seu assassinato. Talvez a nobreza moral de Hamlet o leve a duvidar das informações fornecidas pelo fantasma, mas o fato é que a busca de sua confirmação é que acaba por avançar com a tragédia.
A inação condenou Hamlet? A sua busca de certezas foi a culpada? Aí cada um interpreta como quiser.
Dormir... Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:Mas eu vejo um outro ponto interessante: como tomar decisões quando se tem informações incompletas?
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal-prezado amor,
A insolência oficial, as dilações da lei,
Os doestos que dos nulos têm de suportar
O mérito paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação.
Este é um ponto que considero fundamental hoje: agir ou não agir? Qual o cálculo moral necessário? Sinto hoje, que com a abundância de informações, a decisão se torna cada vez menos racionalizada. A decisão se torna cada vez menos informada, cada vez mais, a decisão é tomada baseada em preconceitos, ilusões e vícios de pensamento.
O que não deixa de ser extraordinariamente irônico considerando que estamos na era da informação.~
terça-feira, 15 de maio de 2012
Gastando Calorias e Perdendo Peso
Mais um post sobre a mais minha mais nova paranoia: perda de peso.
Finalmente encontrei uma relação entre massa e Caloria: 1 kg = 7700 Calorias (ou 7700 kcal, ou 32 MJ). Ou seja para perder 1 quilo, temos de sumir com as calorias na dieta. No entanto é necessário estabelecer a taxa metabólica basal. Eu calculo que se eu "fizer sumir" 256 Calorias por dia dá 1 kg por mês. Do jeito que eu vejo, existem três maneiras: mudando a dieta, exercitando, ou uma combinação das duas. Talvez 128 de dieta e 128 de exercício de conta.
Juntando as duas coisas, a conta certa é essa: 20 minutos de caminhada@ 5km/h = 120 Calorias, 10 minutos de bicicleta@24 km/h = 50 Calorias. Total: 170 Calorias x 5 dias/semana x 4 semanas = 2720 Calorias. Isto quer dizer que tenho que cortar 7700-2720 = 1950 Calorias da minha dieta mensal = 65 Calorias por dia cortadas.
Claro que dá para fazer apenas com dieta, mas isto significa cortar 256 Calorias por dia.
O que consegui até hoje foi 1 kg por semana (durante 8 semanas). Como estou fazendo estes exercícios 5 dias por semana, isto dá 850 Calorias por semana, o que dá que estou consumindo 978 Calorias a menos por dia.
Entretanto...
Este site me fez pensar um pouco mais respeito dos gastos. Segundo ele, para cada kg, o organismos usa cerca de 33 Calorias para necessidades básicas. Como eu estava com 119 kg então minha dieta básica exigia 3927 Calorias por dia só para me manter com o mesmo peso. Cheguei até a uma equação para esta quantidade de calorias:
Calorias_base(k)=Calorias_base(k-1)+4.3e-3*(Ingestão_de_Calorias-Gasto_de_Calorias).
ou em gramas
Massa(k)=Massa(k-1)+0.13*(Ingestão_de_Calorias-Gasto_de_Calorias).
Eu venho emagrecendo a uma taxa de 1 kg/semana, sendo que nas duas primeiras semanas eu só mudei a dieta. O que quer dizer que diminuí 7700 Calorias em minha dieta semanal. Isso quer dizer que eu retirei, na primeira semana, 1100 Calorias por dia da minha dieta (ou seja consumia 2500 Calorias/dia). Suspeito que o corte de açúcar tenha sido o que resolveu o problema: 1 colher de chá tem 20 Calorias. Eu tomava café com duas colheres, cerca de 10 vezes ao dia (isto dá 400 Calorias).
Como a situação vai evoluir? Eu não sei, mas fiz algumas simulações.
É complicada esta situação. Estou me transformando em um contador de calorias.
Finalmente encontrei uma relação entre massa e Caloria: 1 kg = 7700 Calorias (ou 7700 kcal, ou 32 MJ). Ou seja para perder 1 quilo, temos de sumir com as calorias na dieta. No entanto é necessário estabelecer a taxa metabólica basal. Eu calculo que se eu "fizer sumir" 256 Calorias por dia dá 1 kg por mês. Do jeito que eu vejo, existem três maneiras: mudando a dieta, exercitando, ou uma combinação das duas. Talvez 128 de dieta e 128 de exercício de conta.
Juntando as duas coisas, a conta certa é essa: 20 minutos de caminhada@ 5km/h = 120 Calorias, 10 minutos de bicicleta@24 km/h = 50 Calorias. Total: 170 Calorias x 5 dias/semana x 4 semanas = 2720 Calorias. Isto quer dizer que tenho que cortar 7700-2720 = 1950 Calorias da minha dieta mensal = 65 Calorias por dia cortadas.
Claro que dá para fazer apenas com dieta, mas isto significa cortar 256 Calorias por dia.
O que consegui até hoje foi 1 kg por semana (durante 8 semanas). Como estou fazendo estes exercícios 5 dias por semana, isto dá 850 Calorias por semana, o que dá que estou consumindo 978 Calorias a menos por dia.
Entretanto...
Este site me fez pensar um pouco mais respeito dos gastos. Segundo ele, para cada kg, o organismos usa cerca de 33 Calorias para necessidades básicas. Como eu estava com 119 kg então minha dieta básica exigia 3927 Calorias por dia só para me manter com o mesmo peso. Cheguei até a uma equação para esta quantidade de calorias:
Calorias_base(k)=Calorias_base(k-1)+4.3e-3*(Ingestão_de_Calorias-Gasto_de_Calorias).
ou em gramas
Massa(k)=Massa(k-1)+0.13*(Ingestão_de_Calorias-Gasto_de_Calorias).
Eu venho emagrecendo a uma taxa de 1 kg/semana, sendo que nas duas primeiras semanas eu só mudei a dieta. O que quer dizer que diminuí 7700 Calorias em minha dieta semanal. Isso quer dizer que eu retirei, na primeira semana, 1100 Calorias por dia da minha dieta (ou seja consumia 2500 Calorias/dia). Suspeito que o corte de açúcar tenha sido o que resolveu o problema: 1 colher de chá tem 20 Calorias. Eu tomava café com duas colheres, cerca de 10 vezes ao dia (isto dá 400 Calorias).
Como a situação vai evoluir? Eu não sei, mas fiz algumas simulações.
- Se eu mantiver uma diferença diária de 1100 Calorias entre o que consumo e gasto, então em 46 semanas estarei com 73 quilos. Pelo que vi isto pode ser feito reduzindo o consumo e aumentando os exercícios. O problema é que por essa lógica ao final de 46 semanas terei de correr 18 km/dia, ou fazendo 4 horas de caminhadas.
- Se eu mantiver uma dieta constante, com exercícios, de 2400 Calorias, eu só chegarei neste resultado ao fim de 120 semanas (o que são 2.4 anos).
- Se mantiver uma dieta de 2400 Calorias com exercício constante (5 dias por semana@ 170 Calorias/exercício) irei levar 77 semanas (1.5 anos).
- Se mantiver uma dieta de 2400 Calorias e dobrar o gasto calórico nos exercícios irei levar 61 semanas (1.2 anos).
É complicada esta situação. Estou me transformando em um contador de calorias.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Papel e Sabonete na UnB
Caros leitores, trago hoje notícias inacreditáveis: a UnB agora tem papel e sabonete nos seus banheiros.
Para os que não conhecem a UnB pode parecer piada. Mas não é. Desde os meus tempos de aluno aqui não se conseguia isso aqui (e já vão mais de vinte anos).
Aliás, esta vitória pertence ao DCE da UnB. Até aonde sei é a primeira gestão que conseguiu alguma coisa nessa sentido na UnB.
Curiosamente, quando esta gestão do DCE foi eleita tivemos esta manifestação aqui.
Adivinhe por que este pessoal está gritando "Não nos representa, não!". Tem análises aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Para os que não conhecem a UnB pode parecer piada. Mas não é. Desde os meus tempos de aluno aqui não se conseguia isso aqui (e já vão mais de vinte anos).
Aliás, esta vitória pertence ao DCE da UnB. Até aonde sei é a primeira gestão que conseguiu alguma coisa nessa sentido na UnB.
Curiosamente, quando esta gestão do DCE foi eleita tivemos esta manifestação aqui.
Adivinhe por que este pessoal está gritando "Não nos representa, não!". Tem análises aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - 25
O leitor deve ter visto na internet ou em outros meios de comunicação sobre decisões judiciais que determinam a responsabilidade de determinados eventos à empresa ou equivalente que prestavam um serviço no local.
Será que isto é uma boa idéia?
Pense com cuidado...
Caso em questão: a indenização à herdeiros por um crime ocorrido no estacionamento de um hipermercado. O caso era esse, até o julgamento atual:
Não há segurança providos pelo Estado? Mas não é função do Estado prover segurança? E se for no estacionamento de uma delegacia?
O problema, é claro, não é a condenação em si. O problema são as ramificações deste tipo de acontecimento (que é muito menos incomum do que se pensa - vide aqui, aqui e aqui). O problema pode ser sumarizado com a súmula 130 do STJ.
Parece bastante lógico, não? Sim, até você perceber que o estabelecimento comercial irá ter de arcar com o custo de eventuais crimes em seus estacionamentos. Isto só pode ser feito de duas maneiras: cobrar o estacionamento, ou embutir estes custos estimados em seus produtos. Claro que para minimizar as perdas, os estabelecimentos podem eventualmente contratar seguranças, ou mesmo esquemas especiais que diminuam as chances de isto ocorrer.
Mas não saí de graça. Nada saí de graça - esta é uma lição que todos deveriam aprender. E antes de finalizar: a súmula é anterior à onda de cobrança de estacionamento em estabelecimentos comerciais. Pode ser que não seja o elemento que desencadeou a onda, mas certamente não atrapalhou.
Será que isto é uma boa idéia?
Pense com cuidado...
Caso em questão: a indenização à herdeiros por um crime ocorrido no estacionamento de um hipermercado. O caso era esse, até o julgamento atual:
A cliente e a filha entraram no estacionamento por volta das 19h do dia 29 de julho de 1995 e, quando saíram do carro, foram abordadas por um homem armado. Ele mandou mãe e filha entrarem no carro, ocupou o banco traseiro e ordenou que saíssem do estabelecimento. Eles rodaram até as proximidades do Morumbi, onde Ricardo tentou estuprar a mulher, morta com três tiros ao reagir.O julgamento atual decidiu:
A defesa dos filhos da vítima entrou com ação por danos morais e materiais contra o estabelecimento. O pedido foi baseado na existência de responsabilidade subjetiva do hipermercado, porque o serviço de segurança foi mal prestado. Daí estariam caracterizados o vício de qualidade de serviço, a culpa na vigilância e a culpa na eleição dos vigias. A responsabilidade também foi apontada como derivada do risco e periculosidade inerente que o serviço de estacionamento prestado pelo hipermercado causa à integridade física dos consumidores que dele se utilizam e que nutrem legítima expectativa de segurança.
O juiz de primeira instância julgou a ação improcedente. Considerou que, no caso, incidia a excludente de força maior e, por isso, o hipermercado não poderia ser responsabilizado. No entanto, a decisão foi reformada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, onde a responsabilidade objetiva e subjetiva do estabelecimento foram reconhecidas.
Em seu voto, o relator do caso na Segunda Seção, ministro Luis Felipe Salomão, afirmou que a decisão da Turma adotou como premissa que a responsabilidade civil do fornecedor de serviços, por previsão expressa no CDC, é objetiva. Assim, “ocorrida a falha de segurança do hipermercado, com o consequente dano para o consumidor ou sua família, a responsabilização do fornecedor se impõe”, já que o hipermercado “se diferencia dos centros comerciais tradicionais pelo adicional de segurança que oferece”.Muito bem, e se o mesmo acontecesse no estacionamento de um ministério, cartório, ou tribunal? Ou no estacionamento de um monumento público? Ou em um aeroporto? Ou no estacionamento de uma instituição federal de ensino?
O ministro destacou o entendimento consolidado na jurisprudência e sedimentado na Súmula 130 do STJ, no sentido de que “a empresa responde, perante o cliente, pela reparação de dano ou furto de veículo ocorrido em seu estacionamento”.
Segundo Salomão, as situações fáticas apresentadas pela defesa são diversas da tratada na decisão da Terceira Turma. Nesta em que a incidência da excludente de responsabilidade no caso de assalto à mão armada que teve seu início dentro de estacionamento coberto de hipermercado, com morte da vítima ocorrida fora do estabelecimento comercial, em ato contínuo, foi afastada pelo fato de que o hipermercado, “ao oferecer ao consumidor o estacionamento, assume o dever de guarda e conservação dos veículos estacionados no parque”.
Não há segurança providos pelo Estado? Mas não é função do Estado prover segurança? E se for no estacionamento de uma delegacia?
O problema, é claro, não é a condenação em si. O problema são as ramificações deste tipo de acontecimento (que é muito menos incomum do que se pensa - vide aqui, aqui e aqui). O problema pode ser sumarizado com a súmula 130 do STJ.
Parece bastante lógico, não? Sim, até você perceber que o estabelecimento comercial irá ter de arcar com o custo de eventuais crimes em seus estacionamentos. Isto só pode ser feito de duas maneiras: cobrar o estacionamento, ou embutir estes custos estimados em seus produtos. Claro que para minimizar as perdas, os estabelecimentos podem eventualmente contratar seguranças, ou mesmo esquemas especiais que diminuam as chances de isto ocorrer.
Mas não saí de graça. Nada saí de graça - esta é uma lição que todos deveriam aprender. E antes de finalizar: a súmula é anterior à onda de cobrança de estacionamento em estabelecimentos comerciais. Pode ser que não seja o elemento que desencadeou a onda, mas certamente não atrapalhou.
domingo, 13 de maio de 2012
Tarzan - Homem das Selvas
Hoje trago a série clássica da televisão: Tarzan.
A série passou no Brasil nas décadas de 60-70. O ator que fez o papel-título foi Ron Ely. Aqui temos a dublagem clássica
E sim, aquelas são as cataratas do Iguaçu mesmo.
A série passou no Brasil nas décadas de 60-70. O ator que fez o papel-título foi Ron Ely. Aqui temos a dublagem clássica
E sim, aquelas são as cataratas do Iguaçu mesmo.
sábado, 12 de maio de 2012
Pequenas Pérolas do Cinema - 59
Trago hoje outro clássico de outros tempos: El Cid.
Trata-se da versão cinematográfica romanceada de Rodrigo Diaz de Vivar - El Cid Campeador (O mestre das artes militares, Cid é a versão andaluz para a palavra árabe Sayyid). A história é muito bem contada e aparentemente baseada no poema Cantar de Mio Cid (uma versão em inglês está aqui).
Dessa vez eu trago o filme completo
Tenho impressão que além do filme, teve um desenho animado.
Trata-se da versão cinematográfica romanceada de Rodrigo Diaz de Vivar - El Cid Campeador (O mestre das artes militares, Cid é a versão andaluz para a palavra árabe Sayyid). A história é muito bem contada e aparentemente baseada no poema Cantar de Mio Cid (uma versão em inglês está aqui).
Dessa vez eu trago o filme completo
Tenho impressão que além do filme, teve um desenho animado.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Chico Picadinho
Creio que a maioria dos leitores não sabe quem é Chico Picadinho.
Ora bolas, aposto que a maioria acha que o Bandido da Luz Vermelha é apenas o personagem de um filme.
Bem, Chico Picadinho está na prisão desde 1976. Em tese já deveria ter sido libertado.
O problema é que ele aparenta ser um psicopata (ou então um cara inacreditavelmente azarado). E aí a porca torce o rabo....
Ele já foi solto uma vez em 1974, e depois de 2 anos já tinha matado novamente. Da mesma forma. Então o que fazer?
Se o caso do bandido da luz vermelha for alguma indicação, então existe motivo para apreensão. Pouco depois que foi solto, João Acácio tentou matar novamente e acabou morto. Esse é o problema com psicopatas: reabilitação não costuma funcionar. A romantização do psicopata não ajuda em quase nada.
Então, vem a pergunta que eu queria fazer: se você fosse o juiz, soltaria Chico Picadinho?
Ora bolas, aposto que a maioria acha que o Bandido da Luz Vermelha é apenas o personagem de um filme.
O problema é que ele aparenta ser um psicopata (ou então um cara inacreditavelmente azarado). E aí a porca torce o rabo....
Ele já foi solto uma vez em 1974, e depois de 2 anos já tinha matado novamente. Da mesma forma. Então o que fazer?
Se o caso do bandido da luz vermelha for alguma indicação, então existe motivo para apreensão. Pouco depois que foi solto, João Acácio tentou matar novamente e acabou morto. Esse é o problema com psicopatas: reabilitação não costuma funcionar. A romantização do psicopata não ajuda em quase nada.
Então, vem a pergunta que eu queria fazer: se você fosse o juiz, soltaria Chico Picadinho?
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Comendo Menos Porcaria
Quer comer alguma coisa? E em fast-food?
De volta a paranóia dietária que me encontro vou dando umas dicas de escolhas alimentícias menos ignorantes. Até mesmo em fast-food
De volta a paranóia dietária que me encontro vou dando umas dicas de escolhas alimentícias menos ignorantes. Até mesmo em fast-food
- Pizza-Hut? Melhores opçoes: massa fininha e Portuguesa (136 Calorias/fatia). Melhor ainda: evite o mais que possível os tamanhos médio (182 Calorias/fatia) e grande (169 Calorias/fatia). Caso não dê pode ir na de Pepperoni (145 Calorias/fatia), mas mantenha tamanho pequeno e massa fininha.
- China in Box? Melhores opções: Saladas pequenas (Camarão - 174 Calorias, Especial 190 Calorias) e nada de molho. Esqueça o Yakissoba (mais de 600 Calorias), mas pode ir no Yakimeshi Júnior (332 Calorias). Minha sugestão pessoal é o Risoto da China Júnior (376 Calorias). Bizarramente, a disputa entre o Frango Xadrez Executivo Júnior (508 Calorias) e o Frango Empanado Executivo Júnior (431 Calorias) termina bem para o último. Mas cuidado: Cada Rolinho Primavera são 105 Calorias
- McDonald´s? A melhor opção é a Salada Premium com 104 Calorias. Quer um sanduiche de qualquer jeito? Então vá de Hamburger (245 Calorias). Entre McFritas (206 Calorias), Cenouritas (16 Calorias) e Saladas (8 Calorias), vá de salada. Refrigerante, só se for zero mesmo.
- Habib's? Pode ir no Bib´sfiha de Carne (130 Cal) ou uma fatia de Pizza a moda da Casa (120 Cal). Se quiser mesmo comer carne, pode ir em um Kibe Frito (152 Cal). A idéia de comer uma Bib´sfiha de Frango (158 Cal) ou de Queijo (149 Cal)não é tão boa assim. Fique longe da Coalhada (314 Cal), Homus (360 Cal) e do Beirute (804 Cal).
- Burguer King? O Burger é a opção mais leve com 280 Calorias. É preferível também 1 Chicken Fries 6 Unidades (189 Cal) a 1 Batata Frita Pequena (201Cal). Em compensação, a salada Delight (175 Cal) parecer ser uma excelente opção, mesmo com Frango Grelhado (259 Cal).
- Giraffa´s? Vá de a salada de camarão (189 Cal) ou um Brasileirinho Peito de Frango (140 Cal). Pode ir também no Frango Grill (166 Cal). Mas olho nos acompanhamentos.
- Skys? Pode ir no Frango Salada (259 Cal), Hamburger (261 Cal) ou Misto Quente (180 Cal). Mas melhor mesmo são os Crepes: Misto (85 Cal) ou Queijo (120 Cal). Sucos só sem açucar.
Claro que esta lista só leva em contas as Calorias. Isto por si só não é suficiente. É necessário também verificar sobre as demais necessidades diárias de Carboidratos, Sódio e outros. Não é o caso de exagerar, mas é necessário ter uma certa atenção. Em posts futuros vou mais a fundo nesta questão das necessidades diárias.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
A Coragem de Dizer o que Ninguém quer Escutar
Estou vendo a votação sobre cotas no STF. O que vi foram magistrados jogando para a arquibancada. Quer ver alguém que não está jogando para arquibancada? Veja isto então.
Mas, como já disse em um post anterior, se o meu modelo mental da estrutura étnica do país tem ressonância com a realidade então os efeitos (positivos e negativos) das cotas acabam sendo diluídos com o tempo. Portanto, no fundo ser contra ou a favor tem muito pouco efeito no longo prazo.
Mas o meu ponto é outro: eu já tinha percebido em outras áreas (em particular aqui na UnB), mas vejo que é comum a carência de pessoas que defendem os pontos de vista impopulares. E algumas vezes, os mesmos são mais do que pontos de vista: são mesmo verdades desagradáveis.
Então este post é justamente um "tip of the hat" para estas pessoas.
E aproveito para falar uma verdade desagradável: aqui na UnB, para se eximir de eventual culpabilidade, os professores disseram que a crise de 2008 poderia ter sido evitada se não houvesse falta de atuação dos conselhos superiores.
Isso não é verdade. É apenas desculpa - mas já virou "verdade". Nesse caso fica mais fácil os professores dizerem que não tiveram culpa, não foram ouvidos, ou a melhor frase de todas "se-eu-tivesse-essa-informação-certamente-eu-teria-impedido-isto".
Apenas uma mentira confortável... E daí foi um passo partir para a condenação sem julgamento.
Mas, como já disse em um post anterior, se o meu modelo mental da estrutura étnica do país tem ressonância com a realidade então os efeitos (positivos e negativos) das cotas acabam sendo diluídos com o tempo. Portanto, no fundo ser contra ou a favor tem muito pouco efeito no longo prazo.
Mas o meu ponto é outro: eu já tinha percebido em outras áreas (em particular aqui na UnB), mas vejo que é comum a carência de pessoas que defendem os pontos de vista impopulares. E algumas vezes, os mesmos são mais do que pontos de vista: são mesmo verdades desagradáveis.
Então este post é justamente um "tip of the hat" para estas pessoas.
E aproveito para falar uma verdade desagradável: aqui na UnB, para se eximir de eventual culpabilidade, os professores disseram que a crise de 2008 poderia ter sido evitada se não houvesse falta de atuação dos conselhos superiores.
Isso não é verdade. É apenas desculpa - mas já virou "verdade". Nesse caso fica mais fácil os professores dizerem que não tiveram culpa, não foram ouvidos, ou a melhor frase de todas "se-eu-tivesse-essa-informação-certamente-eu-teria-impedido-isto".
Apenas uma mentira confortável... E daí foi um passo partir para a condenação sem julgamento.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Quando Canta o Preconceito
Li há pouco tempo um post em um blog que me surpreendeu bastante.
Minha surpresa não é a mesma relatada pela blogueira.
Minha surpresa é com a reação da blogueira.
Talvez seja melhor copiar o texto, apenas destacando as partes que considero relevantes.
Aqui temos o primeiro problema: nomear um inimigo. Pela minha experiência compreensão do mundo exige não só contato com outras nacionalidade no seu país, mas que você também seja um estrangeiro em outro país. Hoje, esta experiência de visão do mundo vem sendo gradualmente disseminada. Mas é pedir demais que todas as pessoas que nunca tiveram esta experiência se relacionem com o mesmo conjunto de idéias com as que tiveram.
Tem que lembrar que a menos de 100 anos, os países vizinhos da Europa tinham este relacionamento desconfiado entre si.
Aqui está o cerne da questão: na visão da blogueira os regimes mais sanguinários da terra foram apoiados por pessoas como Valérie. De modo indireto, a blogueira diz que os regimes de direita tendem a ser ruins, malvados e sanguinários.
Mas de modo algum isso é exclusividade de regimes de direita. Os regimes de esquerda também podem ser ruins, malvados e sanguinários. Aliás, número por número é até possível que os de esquerda sejam mais sanguinários.
E aí vem a pergunta: quem vota na direita é mau, iludido ou simplesmente burro (como parece relatar, com certa delicadeza, a pessoa de Valérie)?
Não, não são. E esquecer disso é julgar as pessoas com preconceito.
A blogueira evidentemente não percebe, mas é ela quem é a preconceituosa na história relatada.
Minha surpresa não é a mesma relatada pela blogueira.
Minha surpresa é com a reação da blogueira.
Talvez seja melhor copiar o texto, apenas destacando as partes que considero relevantes.
Um ano atrás, Valérie me pediu que lhe ensinasse português. Ela tinha sido despedida de uma multinacional do petróleo que tinha negócios em Angola e estava persuadida que se aprendesse português teria seu emprego de volta.
Aos 49 anos, e nenhum diploma além do segundo grau completo, ela conseguira fazer carreira na empresa em uma época em que os empregos abundavam na França e que para conseguir ser secretária era necessário apenas falar algumas palavras de inglês.
Durante o tempo que nos vimos, ela me contou sua história. Vinha de uma família simples, pai eletricista, mãe dona de casa. Namorara, no passado, um brasileiro, um cantor que vivia ilegalmente na França. E que ela não titubeara em acolher em sua casa.
Valérie estava apaixonada por seu ex-chefe colombiano. Dizia que os homens latinos eram mais gentis que os franceses. Mas também me disse que a França acolhia muitos imigrantes. Ela não sabia muito bem porquê, mas não achava isso bom.
Aqui temos a velha questão da imigração nos países desenvolvidos. No fundo, trata-se da tática de culpar "o diferente" pelos problemas do país. Naturalmente é tolice, mas por motivos históricos esta bandeira é apropriada ora pela direita, ora pela esquerda. O tal nacionalismo tem raízes não muito distintas.
Uma vez eu a ajudei a instalar um aplicativo em seu smartphone e ela ficou tão agradecida que me fez um bolo e tricotou uma echarpe verde para mim.
Com o tempo, Valérie entendeu que não conseguiria seu velho emprego de volta, muito menos um novo. Ela me confessou, com muita vergonha, que não tinha mais dinheiro para pagar as prestações do apartamento e as contas do supermercado, por isso tinha que voltar a viver com os pais. No domingo passado Valérie votou em Marine Le Pen, a candidata do partido de extrema-direita Frente Nacional, que conseguiu nesta eleição presidencial um recorde de votos na história do partido na França.
Quando perguntei porquê, ela disse que estava cansada, que queria voltar a ter um emprego e não depender da caridade dos pais já velhos. Quando perguntei pelos imigrantes, ela disse que não tinha nada contra mim, mas que os estrangeiros na França viviam melhor que ela.
Mais uma vez é a velha xenofobia falando mais alto. Pessoalmente, acredito que em uma sociedade mista este problema não deveria surgir, mas na medida que a sociedade finge ser mista, ele só aumenta. O problema é que a estratégia da xenofobia costuma ser usada com sucesso por políticos (tanto de direita, quanto de esquerda)
Claro que fiquei triste em saber que minha ex-aluna e amiga tinha votado em um partido extremista e xenófobo. Mas Valérie é uma representante desta França empobrecida, abandonada e em crise. O inimigo dela não é real ou tangível, é um tal de multiculturalismo liberal, que ao mesmo tempo é muito complexo para sua capacidade de compreensão do mundo.
Tem que lembrar que a menos de 100 anos, os países vizinhos da Europa tinham este relacionamento desconfiado entre si.
Ela não é fascista por opção ideológica e sim por desespero e de modo inconsciente.
Aqui tem que deixar claro: não é por votar em Marine Le Pen, que a Valérie virou fascista. Votar em um partido de direita não transforma ninguém em racista ou fascista, do mesmo modo que votar em um partido de esquerda não transforma ninguém em comunista. O que acontece é que o partido de direita está mais sintonizado com ela do que os de esquerda. Isso não transforma ninguém em santo ou demônio.
A priori, a blogueira não está mais relatando sobre Valérie, mas sobre si mesma. Aparentemente, a blogueira acha uma tristeza em votar em alguém que não é de esquerda. Por que? Eu tenho minhas suspeitas, e creio que o próximo parágrafo esclarece esta questão.
Mas foram pessoas como ela que apoiaram os regimes mais sanguinários da terra. O voto de Valérie no domingo passado ainda deve fazer muitos estragos.
Aqui está o cerne da questão: na visão da blogueira os regimes mais sanguinários da terra foram apoiados por pessoas como Valérie. De modo indireto, a blogueira diz que os regimes de direita tendem a ser ruins, malvados e sanguinários.
Mas de modo algum isso é exclusividade de regimes de direita. Os regimes de esquerda também podem ser ruins, malvados e sanguinários. Aliás, número por número é até possível que os de esquerda sejam mais sanguinários.
E aí vem a pergunta: quem vota na direita é mau, iludido ou simplesmente burro (como parece relatar, com certa delicadeza, a pessoa de Valérie)?
Não, não são. E esquecer disso é julgar as pessoas com preconceito.
A blogueira evidentemente não percebe, mas é ela quem é a preconceituosa na história relatada.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - 24
"A culpa é desses latifundiários e grande donos de propriedades"
Você já deve ter ouvido frases similares. Mas já se perguntou o que são estas grande propriedades? E a quanto tempo as pessoas as tem?
Não?
Não se preocupe, você não é o único. Um representante da CONTAG disse o seguinte:
Óbvio que não! O título de maior fazenda do Brasil é disputado por três grande concorrentes: a Fazenda Piratininga, a Fazenda Roncador e a Fazenda PIO. Tirando os exageros de vários meios o tamanho fica entre 250 mil hectares e 140 mil hectares ( em tempo: 100 hectares é equivalente a um quilômetro quadrado, que é o mesmo que um milhão de metros quadrados * Agradeço ao Karlos por me chamar a atenção para o meu erro - Valeu Karlos).
Mesmo assim, as fazendas são muito grandes: 250 mil hectares são 2.5 mil km quadrados (ou 2.5 bilhões de metros quadrados). Segundo as informações da venda da fazenda Piratininga, o preço de venda do metro quadrado foi de menos de 25 centavos. Ou seja, o hectare estaria por volta de 1700 reais.
No entanto, se contarmos proprietários jurídicos de mais de uma fazenda, então o número sobe bastante, mas ainda não chega aos absurdos 10 milhões. O fato é que em geral, grandes proprietários (grandes mesmo) geralmente são empresas. Dificilmente são pessoas físicas - mas podem ser empresas familiares.
Isso é diferente do que vemos na chamada agricultura familiar: cerca de 18 hectares por família. Se considerarmos a área utilizada (cerca de 350 milhões de hectares) e o número de estabelecimentos (cerca de 5 milhões), vemos que a média é de 70 hectares por estabelecimento. Mas ao diferenciarmos o estabelecimento por atividade, então temos um quadro diferente:
O fato é que a ideologia costuma mascarar a verdade. Não é que não existam grandes proprietários, nem que não exista concentração fundiária. Estes fatos são reais. Mas daí para se criar uma conspiração multi-secular dos proprietários de terra (que nem são os mesmos de 1700) é um pulo.
Neste ponto encontrei um livro interessante, disponível online, que esclarece um bocado sobre o assunto da concentração de terra. Em suma, em termos da área:
Você já deve ter ouvido frases similares. Mas já se perguntou o que são estas grande propriedades? E a quanto tempo as pessoas as tem?
Não?
Não se preocupe, você não é o único. Um representante da CONTAG disse o seguinte:
"Não se pode colocar numa legislação agrária, como se todo mundo fosse igual. Veja só: um agricultor que tem cinco hectares, que tem um riozinho que passa lá, terá a mesma legislação que alguém que tem 10 milhões de hectares. Nós sempre primamos por uma diferenciação para agricultura familiar", disse Broch, que participou de audiência com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto.Opa, opa, opa! Dez milhões de hectares? Tem alguém com uma fazenda de 10 milhões de hectares?
Óbvio que não! O título de maior fazenda do Brasil é disputado por três grande concorrentes: a Fazenda Piratininga, a Fazenda Roncador e a Fazenda PIO. Tirando os exageros de vários meios o tamanho fica entre 250 mil hectares e 140 mil hectares ( em tempo: 100 hectares é equivalente a um quilômetro quadrado, que é o mesmo que um milhão de metros quadrados * Agradeço ao Karlos por me chamar a atenção para o meu erro - Valeu Karlos).
Mesmo assim, as fazendas são muito grandes: 250 mil hectares são 2.5 mil km quadrados (ou 2.5 bilhões de metros quadrados). Segundo as informações da venda da fazenda Piratininga, o preço de venda do metro quadrado foi de menos de 25 centavos. Ou seja, o hectare estaria por volta de 1700 reais.
No entanto, se contarmos proprietários jurídicos de mais de uma fazenda, então o número sobe bastante, mas ainda não chega aos absurdos 10 milhões. O fato é que em geral, grandes proprietários (grandes mesmo) geralmente são empresas. Dificilmente são pessoas físicas - mas podem ser empresas familiares.
Isso é diferente do que vemos na chamada agricultura familiar: cerca de 18 hectares por família. Se considerarmos a área utilizada (cerca de 350 milhões de hectares) e o número de estabelecimentos (cerca de 5 milhões), vemos que a média é de 70 hectares por estabelecimento. Mas ao diferenciarmos o estabelecimento por atividade, então temos um quadro diferente:
- Lavoura: em torno de 5 milhões de estabelecimentos, com área de cerca de 75 milhões de hectares (cerca de 15 hectares em média)
- Pastagens: em torno de 3 milhões de estabelecimentos, com área de cerca de 172 milhões de hectares (cerca de 57 hectares por estabelecimento)
- Matas e florestas: em torno de 2 milhões de estabelecimentos, com área de cerca de 100 milhões de hectares (cerca de 50 hectares por estabelecimento)
O fato é que a ideologia costuma mascarar a verdade. Não é que não existam grandes proprietários, nem que não exista concentração fundiária. Estes fatos são reais. Mas daí para se criar uma conspiração multi-secular dos proprietários de terra (que nem são os mesmos de 1700) é um pulo.
Neste ponto encontrei um livro interessante, disponível online, que esclarece um bocado sobre o assunto da concentração de terra. Em suma, em termos da área:
- Menos de 10 ha - 8 milhões de ha
- Entre 10 e 100 ha - 63 milhões de ha
- Mais de 100 - 260 milhões de ha
- Menos de 10 ha - 2.5 milhões
- Entre 10 e 100 ha - 2 milhões
- Mais de 100 - 500 mil
- 25% tem área menor ou igual de 2 hectares
- 50% tem área menor ou igual de 6 hectares
- 75% tem área menor ou igual de 24 hectares
- 90% tem área menor ou igual de 73 hectares
- 95% tem área menor ou igual de 150 hectares
- 99% tem área menor ou igual de 1000 hectares
domingo, 6 de maio de 2012
Ultimate Engineering Championship
Hoje é dia de McGyver
Um daqueles poucos seriados aonde a inteligência era a maior arma.
É absolutamente imperdível a cena em que ele acaba com um vazamento de ácido usando chocolate.
Um daqueles poucos seriados aonde a inteligência era a maior arma.
É absolutamente imperdível a cena em que ele acaba com um vazamento de ácido usando chocolate.
sábado, 5 de maio de 2012
Pequenas Pérolas do Cinema - 58
Hoje é dia de uma comédia leve de Hollywood: The Great Race.
Este é o trailer
E aqui está o filme completo
Dessa vez, o vídeo do youtube está completo. Se você encontrar similaridades com o desenho Corrida Maluca, você não está imaginando coisas.
Este é o trailer
E aqui está o filme completo
Dessa vez, o vídeo do youtube está completo. Se você encontrar similaridades com o desenho Corrida Maluca, você não está imaginando coisas.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Juro que é Real
A inabilidade matemática da população é conhecida. Mas sejamos honestos: isto não é particularidade da população brasileira.
Então vou fazer minha parte, a pergunta do dia é: o que é melhor? Um empréstimo a taxa de 1% ao mês ou outro empréstimo a taxa de 12% ao ano?
Ah... Já lhes digo que o 12% ao ano é pior. Mas por que? Porque o juro se compõe: 1% todo mês dá (1.01)^12 =1.126825, ou uma taxa de 12.69% ao ano aproximadamente.
Mas este é um problema simples...
Vamos a um mais complicado: com 1% ao mês quanto tempo leva para que meus pagamentos sejam o dobro do valor original? Para resolver temos de usar logarítmos:
(1.01)^N=2
Que resulta em: N= log(2)/log(1.01)=0.6931471806/0.009950330853 = 69.66071690
Temos cerca de 70 meses. Mas e para que seja o quadruplo? Carca de 140 meses.
Mas e se a taxa não for de 1% ao mês, mas de 0.5%?
Bem, aqui vai um truque para resolver isto: para taxas pequenas basta dividir 70 pelo valor em questão. O valor não será exato, mas será muito próximo. A razão pode ser explicada por série de Taylor e pelo valor do logaritmo de 2 (que é 0.693147181).
log(1+x) = x-1/2*x^2+O(x^3) ou x
Logo o log(1+0.01) = 0.01-0.00005 que é aproximadamente 0.01
Assim log(2)/log(1+x) é aproximadamente log(2)/x. Se estamos tratando de percentagens então podemos fazer tx = i = 1%, então:
N=100*log(2)/tx = 69.31/tx que pode ser aproximado por 70/tx = 70/i
Esta é a regra dos 70.
E se quisermos saber quando triplica? Vira regra dos 110.
E se quisermos saber quando quadruplica? Vira regra dos 138 (ou 140)
E se quisermos saber quando quintuplica? Vira regra dos 161
Então vou fazer minha parte, a pergunta do dia é: o que é melhor? Um empréstimo a taxa de 1% ao mês ou outro empréstimo a taxa de 12% ao ano?
Ah... Já lhes digo que o 12% ao ano é pior. Mas por que? Porque o juro se compõe: 1% todo mês dá (1.01)^12 =1.126825, ou uma taxa de 12.69% ao ano aproximadamente.
Mas este é um problema simples...
Vamos a um mais complicado: com 1% ao mês quanto tempo leva para que meus pagamentos sejam o dobro do valor original? Para resolver temos de usar logarítmos:
(1.01)^N=2
Que resulta em: N= log(2)/log(1.01)=0.6931471806/0.009950330853 = 69.66071690
Temos cerca de 70 meses. Mas e para que seja o quadruplo? Carca de 140 meses.
Mas e se a taxa não for de 1% ao mês, mas de 0.5%?
Bem, aqui vai um truque para resolver isto: para taxas pequenas basta dividir 70 pelo valor em questão. O valor não será exato, mas será muito próximo. A razão pode ser explicada por série de Taylor e pelo valor do logaritmo de 2 (que é 0.693147181).
log(1+x) = x-1/2*x^2+O(x^3) ou x
Logo o log(1+0.01) = 0.01-0.00005 que é aproximadamente 0.01
Assim log(2)/log(1+x) é aproximadamente log(2)/x. Se estamos tratando de percentagens então podemos fazer tx = i = 1%, então:
N=100*log(2)/tx = 69.31/tx que pode ser aproximado por 70/tx = 70/i
Esta é a regra dos 70.
E se quisermos saber quando triplica? Vira regra dos 110.
E se quisermos saber quando quadruplica? Vira regra dos 138 (ou 140)
E se quisermos saber quando quintuplica? Vira regra dos 161
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Mais sobre coletores caçadores
Eu já tinha discutido aqui sobre os números dos índios, mas encontrei um artigo muito interessante sobre o assunto.
Basicamente, o artigo fala que os coletores caçadores tem uma relação não linear com a área ocupada. Ele até cita uma relação de potência com o expoente 3/4.
Essencialmente:
Neste caso, a relação é de Área=2.54*(Número de habitantes)^(0.752)
Isto quer dizer o número de habitantes coletores caçadores não é escalonado linearmente. Mas ao mesmo tempo, a presença de várias tribos separadas irá tornar este número diferente. Ou seja, a coisa pode ser ainda mais complicada do que se imagina. No entanto, não creio que o tamanho médio de uma tribo seja muito mais do que 100 habitantes. Me baseio isso apenas nessa referência.
Aí temos 81 km2 para cada tribo média. Supondo os 8.5 milhões de km2 do Brasil isto dá um total de 105 mil tribos - com 100 cada dá cerca de 10 milhões de indígenas (o que é um número bem superior aos 2.6 milhões do último post).
Já se o tamanho médio da tribo for de 50, então teremos 48.1 km2 por tribo e cerca de 177 mil tribos. Isto resulta em 8.8 milhões de indígenas.
Já se o tamanho médio for 25 então, teremos 28.4 km2 por tribo e 7.5 milhões de indígenas.
Naturalmente, isto supõe que 100% do Brasil é ocupado pelos seus primeiros habitantes. Na realidade é bem menos do que isso. Aí basta multiplicar o número final pela porcentagem de ocupação do território. Atualmente a ocupação é de cerca de 0.25%. Isto daria um número de indígenas muito baixo (0.0025*7.5e6 = 21250). E não tem sentido comparar a ocupação atual, que é bem compacta, com a ocupação a 500 anos atrás.
Então por simplicidade vamos dizer que uma fração entre 25% e 50% do território brasileiro era povoada por estas tribos. Usando o limite superior de 10 milhões calculado antes, temos entre 2.5 milhões e 5 milhões de indígenas no Brasil em 1500.
Isto faz mais sentido, e é consistente com o calculado anteriormente.
Basicamente, o artigo fala que os coletores caçadores tem uma relação não linear com a área ocupada. Ele até cita uma relação de potência com o expoente 3/4.
Essencialmente:
- 10 coletores-caçadores irão ocupar uma área de 14.3 quilômetros quadrados (1.43 km2/habitante)
- 50 coletores caçadores irão ocupar uma área de 48.1 quilômetros quadrados (0.96 km2/habitante)
- 100 coletores caçadores irão ocupar uma área de 81 quilômetros quadrados (0.81 km2/habitante)
Neste caso, a relação é de Área=2.54*(Número de habitantes)^(0.752)
Isto quer dizer o número de habitantes coletores caçadores não é escalonado linearmente. Mas ao mesmo tempo, a presença de várias tribos separadas irá tornar este número diferente. Ou seja, a coisa pode ser ainda mais complicada do que se imagina. No entanto, não creio que o tamanho médio de uma tribo seja muito mais do que 100 habitantes. Me baseio isso apenas nessa referência.
Aí temos 81 km2 para cada tribo média. Supondo os 8.5 milhões de km2 do Brasil isto dá um total de 105 mil tribos - com 100 cada dá cerca de 10 milhões de indígenas (o que é um número bem superior aos 2.6 milhões do último post).
Já se o tamanho médio da tribo for de 50, então teremos 48.1 km2 por tribo e cerca de 177 mil tribos. Isto resulta em 8.8 milhões de indígenas.
Já se o tamanho médio for 25 então, teremos 28.4 km2 por tribo e 7.5 milhões de indígenas.
Naturalmente, isto supõe que 100% do Brasil é ocupado pelos seus primeiros habitantes. Na realidade é bem menos do que isso. Aí basta multiplicar o número final pela porcentagem de ocupação do território. Atualmente a ocupação é de cerca de 0.25%. Isto daria um número de indígenas muito baixo (0.0025*7.5e6 = 21250). E não tem sentido comparar a ocupação atual, que é bem compacta, com a ocupação a 500 anos atrás.
Então por simplicidade vamos dizer que uma fração entre 25% e 50% do território brasileiro era povoada por estas tribos. Usando o limite superior de 10 milhões calculado antes, temos entre 2.5 milhões e 5 milhões de indígenas no Brasil em 1500.
Isto faz mais sentido, e é consistente com o calculado anteriormente.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Os Índios do Brasil
Este post está sendo escrito no Dia do Índio.
O objetivo responder uma questão que eu mesmo fiz: como saber quantos indígenas o Brasil tinha em 1500?
O Brasil tem hoje 817 mil indígenas - correspondendo a cerca de 0.4% da população. Há, no Brasil, cerca de 608 terras indígenas (dependendo de como se conta pode-se chegar a 872). Estas terras correspondem a cerca de 1.1 milhão de quilômetros quadrados (109 milhões, 741 mil e 229 hectares). Isto corresponde a quase 1/8 da área do Brasil (13%). A densidade é de 1.34 km2/indígena.
Em termos de área temos que cada indígena tem direito a 1.346 quilômetros quadrados, ou cerca de 134.6 hectares. O restante da população, algo perto de 191 milhões, divide o restante da área, algo na vizinhança de 7.4 milhões de quilômetros quadrados.
Em termos de área temos que cada brasileiro nesta categoria tem direito a 0.039 quilômetros quadrados, ou cerca de 3.874 hectares (quase 4 hectares).
Segundo estimativas anteriores, o Brasil já teve cerca de 5 milhões de índios. Isto significa que, dada a área do Brasil, cada índio ocupava uma área cerca de 1.3 vezes maior do que hoje (ou seja 175.9 hectares por indígena). Claro, se o número anterior de indígenas fosse maior, esta razão cairia (se fossem 6 milhões ao invés de 5, a área individual seria de 146.6 hectares).
Agora vem a parte interessante: com estes dados podemos finalmente começar a estudar a sustentabilidade do sistema (afinal podemos usar Fermi aqui).
Considerando o indígena como um coletor, temos que cada um precisa de 10 quilômetros quadrados para sobrevivência. Isto resulta em uma população de 851 mil. Alternativamente pode ser que ao invés de 10 quilômetros quadrados, existam situações aonde só é necessário 1 quilometro quadrado. Supondo algo assim teríamos uma população de cerca de 8.51 milhões.
Na média geométrica dá algo como 2.6 milhões de indígenas em 1500. Na média aritmética dá algo como 4.7 milhões de indígenas em 1500.
********************************************************************************
Post Scriptum
Seguindo a sugestão do Karlos, trago aqui os dados que encontrei no IBGE sobre os indígenas em 2010 e 2000.
O objetivo responder uma questão que eu mesmo fiz: como saber quantos indígenas o Brasil tinha em 1500?
O Brasil tem hoje 817 mil indígenas - correspondendo a cerca de 0.4% da população. Há, no Brasil, cerca de 608 terras indígenas (dependendo de como se conta pode-se chegar a 872). Estas terras correspondem a cerca de 1.1 milhão de quilômetros quadrados (109 milhões, 741 mil e 229 hectares). Isto corresponde a quase 1/8 da área do Brasil (13%). A densidade é de 1.34 km2/indígena.
Em termos de área temos que cada indígena tem direito a 1.346 quilômetros quadrados, ou cerca de 134.6 hectares. O restante da população, algo perto de 191 milhões, divide o restante da área, algo na vizinhança de 7.4 milhões de quilômetros quadrados.
Em termos de área temos que cada brasileiro nesta categoria tem direito a 0.039 quilômetros quadrados, ou cerca de 3.874 hectares (quase 4 hectares).
Segundo estimativas anteriores, o Brasil já teve cerca de 5 milhões de índios. Isto significa que, dada a área do Brasil, cada índio ocupava uma área cerca de 1.3 vezes maior do que hoje (ou seja 175.9 hectares por indígena). Claro, se o número anterior de indígenas fosse maior, esta razão cairia (se fossem 6 milhões ao invés de 5, a área individual seria de 146.6 hectares).
Agora vem a parte interessante: com estes dados podemos finalmente começar a estudar a sustentabilidade do sistema (afinal podemos usar Fermi aqui).
Considerando o indígena como um coletor, temos que cada um precisa de 10 quilômetros quadrados para sobrevivência. Isto resulta em uma população de 851 mil. Alternativamente pode ser que ao invés de 10 quilômetros quadrados, existam situações aonde só é necessário 1 quilometro quadrado. Supondo algo assim teríamos uma população de cerca de 8.51 milhões.
Na média geométrica dá algo como 2.6 milhões de indígenas em 1500. Na média aritmética dá algo como 4.7 milhões de indígenas em 1500.
********************************************************************************
Post Scriptum
Seguindo a sugestão do Karlos, trago aqui os dados que encontrei no IBGE sobre os indígenas em 2010 e 2000.
Como os indígenas se distribuem pelo território?Acompanhe na tabela abaixo a distribuição da população indígena pelas Grandes Regiões do Brasil em 2000 e 2010:Em relação à situação do domicílio (ou seja, se está em área urbana ou rural), em 2000 eram 383.298 indígenas em áreas urbanas e 350.829 em áreas rurais. Em 2010, o número de indígenas em áreas urbanas caiu para 315.180 e, na área rural, aumentou para 502.783
População indígena residente - Brasil e Grandes Regiões - 2000/2010 Brasil e Grande Região 2000 2010 Brasil 734.127 817.963 Região Norte 213.443 305.873 Região Nordeste 170.389 208.691 Região Sudeste 161.189 97.960 Região Sul 84.747 74.945 Região Centro-Oeste 104.360 130.494 Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000/2010. Nota: Em 2000, foram considerados os resultados da amostra.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Gramsci Homeopático - Parte 2
Segue mais um texto de Gramsci. Eu ainda estou procurando mais textos dele para comentar.
CONTROLE OPERÁRIO
Antonio Gramsci
10
de fevereiro de 1921
Escrito
em: 1921
1ª
Edição: “L’Ordine Nuovo” de
10 de fevereiro de 1921.
Origem
da presente transcrição: Escritos Políticos,
volume 2, Editora Civilização Brasileira, Brasil 2004.
Transcrição
e HTML de: Pablo de Freitas
Lopes para Marxists
InternetArchive, junho de 2006.
Direitos
de Reprodução: © Editora
Civilização Brasileira
Antes de examinar em seu conteúdo e em suas possibilidades o
projeto de lei enviado à Câmara dos Deputados por Giolitti, é preciso
esclarecer o ponto de vista adotado pelos comunistas para a discussão do
problema[1].
Para os comunistas, pôr o problema do controle significa pôr o
maior problema do atual período histórico, significa pôr o problema do poder
operário sobre os meios de produção e, por conseguinte, o problema da conquista
do Estado.
Deste ponto de vista, a apresentação de um projeto de lei, sua
aprovação e sua execução no âmbito do Estado burguês são eventos de importância
secundária: o poder operário tem e só pode ter sua razão de ser (e de se impor
no interior da classe operária) na capacidade política da classe operária, na
potência real que a classe operária possui como fator indispensável e
ineliminável da produção e como organização de força política.
Toda lei sobre isso que emane do poder burguês tem um único
significado e um único valor: significa que realmente, e não só verbalmente, o
terreno da luta de classes mudou, na medida em que a burguesia é obrigada,
neste novo terreno, a fazer concessões e a criar novos institutos jurídicos; e
tem o valor demonstrativo real de uma debilidade orgânica de classe dominante.
Admitir que o poder de iniciativa possa sofrer limitações, que a
autocracia industrial possa se tornar"democracia", ainda que formal,
significa admitir que a burguesia está agora efetivamente alijada de sua
posição histórica de classe dominante, que a burguesia é efetivamente incapaz
de garantir às massas populares as condições de existência e de
desenvolvimento.
Para se livrar de pelo menos uma parcela de suas
responsabilidades, para criar um álibi para si mesma, a burguesia se
deixa"controlar", finge deixar-se tutelar.
Certamente seria muito útil, para os objetivos da conservação
burguesa, que um avalista como o proletariado assumisse diante das grandes
massas populares a tarefa de testemunhar que ninguém deve ser culpabilizado
pela atual ruína da economia burguesa, mas que é dever de todos sofrer
pacientemente, trabalhar com tenacidade, esperando que as atuais fraturas sejam
soldadas e que um novo edifício seja construído sobre as atuais ruínas.
O terreno do controle, portanto, aparece como o terreno no qual
burguesia e proletariado lutam para conquistar para conquista a posição de
classe dirigente das grandes classes populares.
O terreno do controle, portanto, aparece como o fundamento sobre o
qual a classe operária - tendo conquistado a confiança e o consentimento das
grandes massas populares - constrói o seu Estado, organiza as instituições do
seu governo, chamado para integrá-lo todas as classes oprimidas e exploradas, e
inicia o trabalho positivo de organização do novo sistema econômico e social.
Através da luta pelo controle - luta que não se trava no
Parlamento, mas que é luta revolucionária de massas e atividade de propaganda e
de organização do partido histórico da classe operária, o Partido Comunista -,
a classe operária deve adquirir, nos planos espiritual e organizativo,
consciência de sua autonomia e de sua personalidade histórica.
É por isso que a primeira fase da luta se apresentará como luta
por uma determinada forma de organização.
Esta forma de organização só pode ser o conselho de fábrica, bem como
a organização nacionalmente centralizada do conselho de fábrica.
Esta luta deve ter como resultado a constituição de um conselho
nacional da classe operária, que será eleito - em todos só seus níveis, do
conselho de fábrica ao conselho urbano e ao conselho nacional - mediante
sistemas e procedimentos estabelecidos pela própria classe operária, e não pelo
parlamento nacional, não pelo poder burguês.
Esta luta deve ser encaminhada no sentido de demonstrar às grandes
massas da população que todos os problemas existenciais do atual período
histórico, os problemas do pão, do teto, da luz, do vestuário, só podem ser
resolvidos quando todo o poder econômico - e , portanto, todo o poder político
- tiver sido transferido para a classe operária.
Ou seja: esta luta deve ser encaminhada no sentido de organizar em
torno da classe operária todas as forças populares em revolta contra o regime
capitalista, com o objetivo de fazer com que a classe operária se torne
efetivamente classe dirigente e guie todas as forças produtivas a se
emanciparem através da realização do programa comunista.
Esta luta deve servir para pôr a classe operária em condições de
escolher, em seu próprio seio, os elementos mais capazes e enérgicos, para
fazer deles seus novos dirigentes industriais, seus novos guias no trabalho de
reconstrução econômica.
Deste ponto de vista, o projeto de lei apresentado por Giolitti à
Câmara dos Deputados representa apenas um instrumento de agitação e propaganda.
É assim que ele deve ser examinado pelos comunistas, para os quais
tal projeto - além de não ser um ponto de chegada.
[1] Quando da ocupação das
fábricas em setembro de 1920, os dirigentes da Confederação Geral do
Trabalho(CGL), a maior central sindical da época, ligada à ala reformista do
PSI, propuseram que o objetivo do movimento fosse o controle operário nas
fábricas. Considerando que tal
proposta não modificaria substancialmente as relações entre os sindicatos e os
capitalistas e podia fazer cessar a ocupação das fábricas, Giliotti - então
chefe de governo - apresentou-a à Câmara dos Deputados como projeto de lei. Na verdade, a proposta do controle operário restou letra morta e jamais se
converteu em lei.
Sério, este cara era muito irritado. Tudo era uma grande conspiração... Isso só pode ter vindo da mente de .... um conspirador nato. O problema do pão, da luz, do vestuário - tudo foi resolvido SEM que todo o poder político fosse transferido para a classe operária.
Sério, este cara era muito irritado. Tudo era uma grande conspiração... Isso só pode ter vindo da mente de .... um conspirador nato. O problema do pão, da luz, do vestuário - tudo foi resolvido SEM que todo o poder político fosse transferido para a classe operária.
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