Estou assistindo o documentário The Weight of the Nation da HBO.
Como já tinha mencionado anteriormente, com o meu interesse em contar calorias é que isto se tornou interessante para mim.
Qual foi a minha surpresa quando vi que o que eu estava fazendo utilizando bom-senso, pesquisas sobre perda de peso e um pouco de senso de engenharia é mesmo o método recomendado por médicos.
Sério... Veja você mesmo.
O documentário tem outras partes que não tive oportunidade de ver, mas é interessante que minha intuição estava correta sobre o que deveria ser feito.
A propósito, suspeito que a equação que mencionei em outro post:
Massa(k)=Massa(k-1)+0.13*(Ingestão_de_Calorias-Gasto_de_Calorias).
ou em quilogramas:
Massa(k) = Massa (k-1)+1.3e-4*(Ingestão de Calorias(k-1) - Gasto de Calorias(k-1))
Mas além disto, suspeito que além desta equação, ainda existe outra. Isto explicaria porque manter a massa corporal é mais complicado quando se perde peso (algo que o documentário menciona).
Algo do similar a um sistema dinâmico de segunda ordem, aonde a entrada é a variação no balanço de calorias (o que corresponderia a uma entrada em degrau), e a saída é a massa corporal. Isso poderia explicar as oscilações na massa corporal ao chegar ao peso ideal que li a respeito.
Naturalmente que a coisa não é tão simples assim, mas imagino que em uma versão simplificada, talvez seja possível explicar por linearização. Mas o problema é que uma equação discreta de segunda ordem pode ser descrita por um sistema de duas equações de primeira ordem acopladas. Como por exemplo:
x(k)=a11*x(k-1)+a12*y(k-1)
y(k)=a21*x(k-1)+a22*y(k-1)
Como a equação anterior trata de Massa, desconfio que o Gasto de Calorias é que entra na segunda equação. Em outras palavras, o gasto de calorias vai depender da massa do corpo. Algo do tipo:
Massa(k) = Massa (k-1)- 1.3e-4*Gasto de Calorias(k-1)+1.3e-4*Ingestão de Calorias(k-1)
Gasto de Calorias (k)=a* Massa(k-1)+ b*Gasto de Calorias (k-1)+c*Exercícios(k-1)
Ou seja, talvez com a diminuição da massa, o gasto de calorias fique mais eficiente (menos calorias necessárias para se manter a massa, por exemplo). Imagino eu que b deva ser zero (afinal o gasto atual não dependeria do anterior, mas apenas da massa e de exercícios), ou seja:
Massa(k) = Massa (k-1)- 1.3e-4*Gasto de Calorias(k-1)+1.3e-4*Ingestão de Calorias(k-1)
Gasto de Calorias (k)=a* Massa(k-1)+c*Calorias gastas em Exercícios(k-1)
Supondo o que coloquei naquele post está correto, então a segunda equação seria:
Gasto de Calorias (k)=33* Massa(k-1)+c*Calorias gastas em Exercícios(k-1)
Supondo que c seja 1, então teríamos:
Massa(k) = Massa (k-1)- 1.3e-4*Gasto de Calorias(k-1)+1.3e-4*Ingestão de Calorias(k-1)
Gasto de Calorias (k)=33* Massa(k-1)+Calorias gastas em Exercícios(k-1)
Isto dá um sistema de segunda-ordem? Sim!
Massa(k)=
Massa (k-1)-4.29e-3*
Massa (k-2)+1.3e-4*
Ingestão de Calorias (k-1)-1.3e-4*
Calorias gastas em Exercícios (k-2)
Bom, agora só falta fazer uma simulação disso para ver o que dá...
Este blog tem como propósito sincero esclarecer as notícias e novidades sem confundir.
terça-feira, 19 de junho de 2012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - 30
Um ponto interessante de ser professor é poder enxergar a razão e a filosofia por trás do conteúdo ministrado.
No entanto, ao mesmo tempo, é muito fácil que um professor fique preso em estruturas mentais convenientes. Um desses casos está próximo de ocorrer, e a razão é a ubiquidade de dispositivos microprocessados interconectados.
É na realidade um problema similar ao do uso de calculadores em provas e salas de aula. A solução adotada é sempre a de mudar a prova de modo a que a calculadora seja de pouca valia. Normalmente isto é feito com questões literais.
Mas já temos programas como o Maple ou o Mathematica. A disseminação destes programas permitiu saltos analíticos na resolução de problemas, mas ao mesmo tempo tornou inúteis as tentativas de evitar o uso de calculadores com provas literais. Afinal, agora as calculadores agora também podem fazer contas algébricas.
Então chegamos a um novo ponto: dispositivos como celulares, ipads, e ipods tornam ainda mais complicada a forma de avaliar - bem na realidade a forma mais simples de avaliar: provas.
O que o futuro reserva? Com certeza muitas surpresas.
Mas o problema é o dia de hoje...
No entanto, ao mesmo tempo, é muito fácil que um professor fique preso em estruturas mentais convenientes. Um desses casos está próximo de ocorrer, e a razão é a ubiquidade de dispositivos microprocessados interconectados.
É na realidade um problema similar ao do uso de calculadores em provas e salas de aula. A solução adotada é sempre a de mudar a prova de modo a que a calculadora seja de pouca valia. Normalmente isto é feito com questões literais.
| Imagem de Infonascar |
![]() |
| Imagem de Techconnect |
O que o futuro reserva? Com certeza muitas surpresas.
Mas o problema é o dia de hoje...
domingo, 17 de junho de 2012
Guerra? Que Guerra?
Mais uma excelente sugestão do Karlos: Guerra, Sombra e Água Fresca.
O seriado passou de 1965 a 1971, totalizando 168 episódios.
O filme mostrava os prisioneiros do Stalag 13, que rotineiramente realizavam ações de sabotagem e espionagem além das linhas inimigas. Eu me lembro que eu ria pra valer com os episódios. Aqui você pode encontrar um episódio na dublagem original.
Aqui você pode encontrar toda a primeira temporada (mas em inglês). A propósito, o seriado foi posteriormente visto de modo negativo, tudo devido a forma como a guerra era retratada.
Mas a verdade é bem mais simples: o pessoal mais novo simplesmente não entendeu a piada!
O seriado passou de 1965 a 1971, totalizando 168 episódios.
O filme mostrava os prisioneiros do Stalag 13, que rotineiramente realizavam ações de sabotagem e espionagem além das linhas inimigas. Eu me lembro que eu ria pra valer com os episódios. Aqui você pode encontrar um episódio na dublagem original.
Aqui você pode encontrar toda a primeira temporada (mas em inglês). A propósito, o seriado foi posteriormente visto de modo negativo, tudo devido a forma como a guerra era retratada.
Mas a verdade é bem mais simples: o pessoal mais novo simplesmente não entendeu a piada!
sábado, 16 de junho de 2012
Pequenas Pérolas do Cinema - 64
Hoje trago a vocês o primeiro filme da série de Harry Palmer - The Ipcress File.
O personagem, baseado em um livro da série de Len Deighton, é trazido a vida com a performance de Michael Caine.
Eu me lembro que achava Harry Palmer um espião em busca de um aumento de salário. Um James Bond mais realista. Além deste filme, que recomendo como um bom exemplar dos filmes de espião da década de 60, Harry Palmer teve uma carreira longa e bem conhecida pelos fãs do gênero.
O personagem, baseado em um livro da série de Len Deighton, é trazido a vida com a performance de Michael Caine.
Eu me lembro que achava Harry Palmer um espião em busca de um aumento de salário. Um James Bond mais realista. Além deste filme, que recomendo como um bom exemplar dos filmes de espião da década de 60, Harry Palmer teve uma carreira longa e bem conhecida pelos fãs do gênero.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Mais sobre o Tamanho do Estado
Depois de fazer a análise sobre o perfil do emprego no Brasil, chegamos ao número de cerca de 9 milhões de funcionários públicos.
Bem, isto me deixou curioso: como eles são distribuídos?
Felizmente encontrei uma pesquisa do IPEA (um tanto antiga) que responde parte destas perguntas. Antes de continuar é importante clarificar que os dados são relativos aos funcionários ativos (e não aos aposentados ou sob pensão). Segundo a pesquisa de 2007, o Brasil tem cerca de
A distribuição destes é ainda mais interessante:
Naturalmente, por estarmos no DF, muitos devem estar perguntando sobre como é a situação aqui. Então aproveito para clarificar
Isto dá um total de 426 mil funcionários no DF. Por si só isto já é bem interessante, mas a pesquisa também aprofunda no número de funcionários em Escolas. No caso o Brasil tem 34 mil a nível federal, 1.5 milhões a nível estadual e 2.2 milhões a nível municipal. O DF se caracteriza por 606 a nível federal e 41 mil a nível estadual (ou seja GDF).
A nível de educação infantil, o Brasil tem 1.5 mil a nível federal, 136 mil a nível estadual e 1.3 milhões a nível municipal. O DF se caracteriza por 20 a nível federal e 16 mil a nível estadual (ou seja GDF).
A nível de educação fundamental, o Brasil tem 6.7 mil a nível federal, 1.3 milhões a nível estadual e 1.8 milhões a nível municipal. O DF se caracteriza por 586 a nível federal e 32 mil a nível estadual (ou seja GDF).
A nível do ensino médio, o Brasil tem 32 mil a nível federal, 1 milhão a nível estadual e 50 mil a nível municipal. O DF se caracteriza por 586 a nível federal e 9 mil a nível estadual (ou seja GDF).
No caso do ensino superior, o Brasil tem 61 mil a nível federal, 44 mil à nível estadual e 8 mil à nível municipal. Já o DF tem 2 mil a nível federal (na UnB) e 149 a nível estadual.
No caso da saúde, temos 76 mil à nível federal, 300 mil à nível estadual, 1 milhão à nível municipal e, 501 mil da esfera privada. Já no DF temos 3 mil à nível federal, 22 mil à nível estadual, 327 à nível municipal e, 28 mil da esfera privada.
No caso da segurança, temos cerca de 79 mil funcionários, sendo no DF cerca de 4 mil funcionários compondo o efetivo.
Por fim temos a cultura, com 58 mil funcionários no Brasil, e o DF tem 657.
Vale dizer que desde 2007, estimo que este valor de 9 milhões deve ter aumentado.
Mas a verdade é que o número é até pequeno.
A questão é quanto se gasta nele (12% do PIB?). Doze porcento de 4 trilhões é 480 bilhões. Arredondando os valores (10 milhões de funcionários), dá quase 48 mil/ano para cada (ou 4 mil/mês para cada). E isso é a média!
Eu pergunto: Isso faz sentido para você?
![]() |
| Retirado do Brasil: O Caos do PT sob diversas óticas. |
Felizmente encontrei uma pesquisa do IPEA (um tanto antiga) que responde parte destas perguntas. Antes de continuar é importante clarificar que os dados são relativos aos funcionários ativos (e não aos aposentados ou sob pensão). Segundo a pesquisa de 2007, o Brasil tem cerca de
- 900 mil funcionários a nível federal
- 3.3 milhões de funcionários a nível estadual
- 4.4 milhões de funcionários a nível municipal
- 20 mil funcionários de empresas estatais
A distribuição destes é ainda mais interessante:
- 7.5 milhões no poder executivo
- 200 mil no poder legislativo
- 250 mil no poder judiciário
- 440 mil em Autarquias
- 192 mil em Fundações
- 12 mil em Organizações
- 7 mil em empresas públicas
- 12 mil em sociedades mistas
Naturalmente, por estarmos no DF, muitos devem estar perguntando sobre como é a situação aqui. Então aproveito para clarificar
- 331 mil no poder executivo
- 36 mil no poder legislativo
- 17 mil no poder judiciário
- 25 mil em Autarquias
- 10 mil em Fundações
- 5 mil em Organizações
- 587 em empresas públicas
- 5 em sociedades mistas
Isto dá um total de 426 mil funcionários no DF. Por si só isto já é bem interessante, mas a pesquisa também aprofunda no número de funcionários em Escolas. No caso o Brasil tem 34 mil a nível federal, 1.5 milhões a nível estadual e 2.2 milhões a nível municipal. O DF se caracteriza por 606 a nível federal e 41 mil a nível estadual (ou seja GDF).
A nível de educação infantil, o Brasil tem 1.5 mil a nível federal, 136 mil a nível estadual e 1.3 milhões a nível municipal. O DF se caracteriza por 20 a nível federal e 16 mil a nível estadual (ou seja GDF).
A nível de educação fundamental, o Brasil tem 6.7 mil a nível federal, 1.3 milhões a nível estadual e 1.8 milhões a nível municipal. O DF se caracteriza por 586 a nível federal e 32 mil a nível estadual (ou seja GDF).
A nível do ensino médio, o Brasil tem 32 mil a nível federal, 1 milhão a nível estadual e 50 mil a nível municipal. O DF se caracteriza por 586 a nível federal e 9 mil a nível estadual (ou seja GDF).
No caso do ensino superior, o Brasil tem 61 mil a nível federal, 44 mil à nível estadual e 8 mil à nível municipal. Já o DF tem 2 mil a nível federal (na UnB) e 149 a nível estadual.
No caso da saúde, temos 76 mil à nível federal, 300 mil à nível estadual, 1 milhão à nível municipal e, 501 mil da esfera privada. Já no DF temos 3 mil à nível federal, 22 mil à nível estadual, 327 à nível municipal e, 28 mil da esfera privada.
No caso da segurança, temos cerca de 79 mil funcionários, sendo no DF cerca de 4 mil funcionários compondo o efetivo.
Por fim temos a cultura, com 58 mil funcionários no Brasil, e o DF tem 657.
Vale dizer que desde 2007, estimo que este valor de 9 milhões deve ter aumentado.
Mas a verdade é que o número é até pequeno.
| Retirado de Dever De Classe. |
Eu pergunto: Isso faz sentido para você?
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Você Traiu o Movimento
Esta frase é famosa. Ela vem de um vídeo aonde Dado Dollabela reclamava com João Gordo.
Aqui tem mais detalhes.
Geralmente eu não considero um pecado sério "trair o movimento". As pessoas mudam, as idéias evoluem e mesmo as circunstâncias se alteram.
Mas tem coisas que realmente são do tipo "traiu o movimento". Um exemplo?
Isso não se faz, George Lucas...
Aqui tem mais detalhes.
Geralmente eu não considero um pecado sério "trair o movimento". As pessoas mudam, as idéias evoluem e mesmo as circunstâncias se alteram.
Mas tem coisas que realmente são do tipo "traiu o movimento". Um exemplo?
Isso não se faz, George Lucas...
quarta-feira, 13 de junho de 2012
E o Abismo Olhará...
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| Retirado de Entre a Poltrona e o Divã |
Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.Além de ser um conceito da psicologia, a verdade é que ao lutar contra um adversário, há de se cuidar de não se tornar precisamente contra o qual se luta. Esta lição é muito importante para todos e, em especial, para os que acreditam que se deve combater "fogo com fogo", ou que devem-se utilizar as mesmas armas que o adversário.
Suspeito que a inesperadamente comum circunstância de policias virarem bandidos vêm justamente disso.
O momento em que se abandonam as diferenças morais que se tem com os adversários é o momento de transformação. O momento de transformação no adversário. Creio que coisas assim aconteceram precisamente com a polícia em diversas ocasiões (lembro-me dos casos de Mariel Mariscot e Fleury)
| Retirado do blog de Sérgio Mattar. |
Vitórias a qualquer custo costumam ter custos inimagináveis.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Utilizando modelos matemáticos na avaliação de cursos*
Resumo — Este trabalho apresenta uma alternativa para a avaliação de cursos genéricos compostos de módulos a serem cumpridos. A idéia é baseada em uma descrição matemática considerando a equação de continuidade dos cursos. Através do uso da equação da continuidade é possível, dadas as taxas de abandono, desistência e reprovação determinar os efeitos que políticas de implementação de cursos podem ter nos mesmos. O modelo fornece corretamente o tempo médio de titulação, tamanho das turmas em cada módulo bem como o efeito da reprovação na evasão medida do curso.
Palavras Chaves — Cursos sequênciais, avaliação de cursos e currículo de cursos
I. INTRODUÇÃO
O estudo da eficiência de cursos de ensinos baseados em módulos é frequentemente baseado em indicadores como número de alunos formados, evasão de alunos e tempo médio de titulação. Enquanto estes indicadores são visivelmente importantes, eles contam apenas parte da história do curso. Para compreender os fatores que afetam o desempenho de um curso é necessário uma descrição mais completa dos mesmos. Este artigo apresenta um modelo matemático baseado no fluxo de alunos dentro do curso. O modelo apresentado permite definir quais estratégias podem resolver problemas de determinados cursos. Com base neste modelo são apresentadas equações que permitem a avaliação e o estudo de cursos de modo mais apurado. O modelo não tem pretensões de indicar quais cursos são melhores ou piores. No entanto, o mesmo permite demonstrar que quaisquer soluções adotadas tem de obedecer o mesmo. A idéia do modelo parte da equação que descreve o número de alunos que entra em qualquer nível de um curso composto por módulos. A partir das taxas de reprovação, desistência e abandono, o modelo permite estimar o tempo médio de titulação, a taxa de evasão aparente, a composição da titulação em questão e uma relação definida entre o índice de reprovação e a evasão aparente. No entanto, o modelo apresentado tem limitações devido a natureza estocástica do problema em questão. Mas mesmo com esta limitação é possível demonstrar através de comparações práticas o efeito de várias políticas no desenvolvimento do curso.
II. TEORIA
O modelo do curso é baseado na aplicação iterativa da equação que descreve o número de alunos em um curso composto por diversos módulos. Este número pode ser descrito da seguinte forma: em qualquer módulo m, o número de alunos no mesmo é dado pela soma dos alunos que não foram reprovados no módulo anterior e não abandonaram em conjunto com os alunos que foram reprovados neste módulo e não desistiram. Se denominarmos N(m,k) como número de alunos no módulo m, N(m,k-1) como o número de alunos no mesmo módulo no período anterior e N(m-1,k-1) como o número de alunos no módulo anterior no período anterior teremos:
Aonde a é a taxa de abandono entre módulos, r é a taxa de reprovação do módulo e d é a taxa de desistência do módulo. Esta equação pode ser intitulada de equação da continuidade, pois qualquer módulo terá de obedece-la. Na realidade, as taxas em questão são variáveis aleatórias, mas podemos aprender algo sobre os valores médios de cursos reais utilizando a equação acima. Uma distinção importante é realizada entre abandono e desistência. Os dois conceitos são distintos: o abandono é causado pela vontade do aluno em deixar o curso, enquanto a desistência é causada por repetidas reprovações nos módulos. É possível argumentar que esta equação está incompleta devido a diversos fatores, no entanto é possível provar que estes fatores podem ser desprezados sem problemas. O primeiro fator é causado por entradas de alunos transferidos entre módulos. Mas em cursos equilibrados, a entrada de alunos desta forma é uma variável aleatória de média não zero mas pequena. Então este valor pode ser descontado da taxa de alunos que abandonam o curso. Outro fator é que aparentemente a equação não leva em conta alunos com diversas reprovações no mesmo módulo. Mas basta fazer uma expansão da equação para ver que isto não é verdade:
Substituindo a segunda na primeira tem-se:
Portanto, a equação leva em consideração reprovações anteriores. Com base nestes resultados podemos analisar como será o desempenho do curso a longo prazo:
Rearranjando:
Note que se não há abandono ou desistência:
Portanto o número de alunos que entra no módulo é igual ao número de alunos que saem. Para qualquer valor maior do que zero de desistência ou abandono teremos uma diminuição no número de alunos que entra no módulo seguinte.
Para considerarmos um curso inteiro temos de incluir o efeito da entrada. O primeiro módulo do curso terá uma expressão diferente, já que não existe o abandono nem reprovação no módulo anterior:
Portanto em estado estacionário:
Esta expressão é interessante pois indica que para qualquer taxa de desistência menor do que 1, o número de alunos no primeiro módulo será maior do que o número de alunos que entram. Logo o primeiro módulo do curso deve ser projetado para um número de alunos superior ao número de alunos de entrada.
De posse destas equações de estado estacionário podemos montar a relação entre os alunos que entram e saem em um curso com M módulos:
A evasão aparente E em um curso deste tipo pode ser escrita como:
É interessante notar que a evasão aparente é uma função da taxa de reprovação. Isto significa que uma variação na taxa de reprovação leva invariavelmente a uma variação na evasão aparente. Naturalmente, este valor é função também da taxa de desistência e da taxa de abandono. A priori a composição destes resultados pode ser obtida através da análise dos alunos que saem. Estes são compostos dos que nunca reprovaram e não abandonaram, mais dos que reprovaram uma vez e não desistiram e assim por diante.
Estes dados podem ser vistos no gráfico relacionando a evasão aparente com as taxas de abandono, desistência e reprovação
Como pode ser verificado pelo gráfico, existe de fato um relacionamento entre a taxa de reprovação com a evasão aparente. Na medida em que a taxa de abandono se torna mais significativa, este relacionamento fica menos aparente. Mas para baixas taxas de abandono, o relacionamento é bastante claro. No entanto para baixos valores de abandono e variando a desistência, o gráfico se altera. Este efeito pode ser visto na figura a seguir.
Portanto pode haver evasão negativa. Apesar de isto parecer impossível, não é na realidade. Devido ao aumento de alunos no primeiro módulo, em um curso com N módulos o número de alunos que saem pode ser maior que o número de alunos que entra. Naturalmente, isto implica em maior tempo médio para terminar o curso. A taxa de reprovação em que este fenômeno é máximo é:
Naturalmente esta taxa deve ser maior do que 0 e menor que 1, o que implica que a desistência deve ser:
Exemplificando, em um curso com 10 módulos a taxa deve ser menor do que 0.1 (ou 10%). Apesar de parecer improvável é, portanto, possível ter cursos com baixa taxa de evasão (até mesmo negativas) mesmo em situações em que as taxas de abandono e desistência existam e mesmo com taxas de reprovação relativamente altas. Basta manter a taxa de desistência abaixo do patamar indicado pela equação anterior.
Outro ponto interessante desta equação é que é possível determinar a relação entre a taxa de abandono e a taxa de desistência para que a evasão aparente seja zero. Infelizmente, este valor depende do número de módulos M e não pode ser expressão de modo simples.
O modelo também permite determinar o tempo médio de formação, bem como a distribuição dos alunos formados em relação ao número de reprovações.
Assim dependendo das taxas de reprovação, abandono e desistência podemos prever a distribuição dos graduandos e o tempo médio dentro do curso. No caso de um curso com 25% de reprovação em cada módulo, taxa de abandono de 10% e desistência de 30%, temos um tempo médio de 12 semestres. Estes números irão variar na medida em que as taxas se alterarem. Em um caso em que a taxa de reprovação é de 20%, abandono de 5% e desistência de15%, o tempo médio passa a ser de 11 semestres.
Um outro fenômeno que este modelo reproduz é o atraso na propagação de mudanças em um curso. Mudanças no número de alunos que entram levam um determinado tempo até serem sentidas pelo curso. Este número está diretamente relacionado com o tempo médio. Quanto maior o tempo médio, mais tempo leva para um curso sentir as mudanças.
Por exemplo no gráfico podemos observar o efeito de um aumento na entrada de alunos. Este efeito demora até 15 semestres para afetar a saída de modo claro. Naturalmente, isto está diretamente relacionado aos valores das taxas de abandono, desistência e reprovação.
Este modelo permite predizer muitos dos fenômenos associados a problemas em cursos reais. No entanto, existem algumas limitações. A primeira e mais importante é que as taxas são variáveis aleatórias. A média e o desvio padrão das mesmas também podem variar com o tempo. Portanto, em cursos reais os valores se apresentarão de modo mais errático. A segunda limitação é que a maioria dos cursos apresenta uma série de disciplinas interconectadas e dependentes. Mas não são todas, o que torna o modelo menos preciso. No entanto, utilizando taxas de reprovação efetivas, esta dificuldade pode ser contornada. Ainda assim, diversas hipóteses e testes podem ser estudadas segundo o modelo.
III. ESTUDO DE CASOS
O modelo do curso permite o estudo de algumas variações e alternativas que podem ser realizadas para tornar o curso com índices melhores. Desta forma pode-se avaliar quais as políticas que permitem maior sucesso em cursos compostos por módulos.
Uma questão sem reposta ainda é o que é melhor: um curso com dificuldade progressiva, regressiva ou constante? Utilizando o modelo e considerando que o desejado é o número mais elevado de alunos graduados pode-se provar que o curso com dificuldade regressiva apresenta melhor resultados. Isto significa que se os módulos iniciais tiverem maior taxa de reprovação e esta taxa for reduzida progressivamente então o número de alunos formados será maior que qualquer um dos dois casos. Este efeito é bastante claro com variações grandes na taxa de reprovação. Portanto um curso terá maior probabilidade de sucesso se iniciar-se com uma alta taxa de reprovação e a mesma for progressivamente diminuída a cada módulo.
Uma outra questão é quem é mais importante: a taxa de desistência ou a de abandono. Qual das duas tem efeito mais importante no percentual de sucesso do curso? A importância desta questão pode parecer acadêmica, mas não é. Para minimizar estas taxas são necessárias políticas diferentes. A desistência esta ligada ao número de reprovações. Através do modelo é fácil verificar que a taxa de abandono é o problema mais sério. Para uma taxa de reprovação constante, a variação na taxa de abandono causa maiores variações no número de alunos formados do que a taxa de desistência. Este efeito pode ser verificado na sensitividade no número de alunos que saem:
Esta fórmula indica que as variações no abandono tem maior efeito do que as variações na taxa de desistência. Assim o problema que deve ser atacado prioritariamente é o do abandono e não o da desistência. Desta forma, políticas de desistímulo ao abandono terão efeito maior que políticas que visem a diminuição da taxa de desistência. Uma política que pode ser implementada é o pagamento de multas ou taxas de ressarcimento de alunos que abandonem o curso. Neste caso uma variação de 10% do abandono em um curso com moderadas taxas (abaixo de 50%) de desistência implicam em melhorias da ordem de 50 a 75%. Naturalmente, baixas taxas de abandono e altas taxas de desistência tem de ser analisadas de modo cuidadoso.
Um resultado curioso deste estudo é que a reprovação em níveis moderados não tem efeitos significativos comparado ao abandono. Isto significa que não é necessário que um curso tenha baixas taxas de reprovação para ter baixa evasão. Neste ponto, mesmo que o curso tenha taxa de reprovação zero, o fator de abandono ainda é preponderante. Assim é seguro afirmar que segundo o modelo a taxa de abandono é um fator crítico, e mais ainda a maioria das iniciativas que assumam que variações na taxa de reprovação irão compensar este efeito não funcionarão.
Outra pergunta sem resposta é qual o fator determinante na duração do curso? Posto em outros termos como é possível diminuir o tempo médio de formação? Devido ao interelacionamento das variáveis a resposta não é simples, mas o efeito prático mais visível ocorre quando as taxas de reprovação caem após um determinado período. Em suma em um curso com vários módulos, a diminuição na cadeia de módulos obrigatórios tem efeito mais significativo. Na realidade, o tamanho da cadeia de módulos obrigatórios é o fator determinante. Portanto, cursos com menores cadeias obrigatórias tem menor tempo de formação. Este efeito pode ser visto como uma diminuição nas taxas de reprovação e desistência efetivas.
IV. CONCLUSÕES
O modelo do curso permitiu o estudo de algumas variações e alternativas que podem ser realizadas para tornar o curso com índices melhores. Desta forma pode-se avaliar quais as políticas que permitem maior sucesso em cursos compostos por módulos. Entre as políticas que podem ser mais bem sucedidas estão: diminuição no nível de abandono, diminuição no tamanho da cadeia de módulos obrigatórios e nível de taxas de reprovação regressivo no curso. Com a implementação destas políticas pode-se mostrar que os índices do curso podem melhorar significativamente.
Além destes resultados o modelo prediz o nível de evasão do curso, distribuição de alunos formados e pontos aonde o curso pode ser otimizado. Em particular cursos com taxas de desistência em níveis abaixo ao recíproco do número de módulso podem ter um ponto ótimo na formação de alunos.
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* Como eu tinha prometido em um post anterior
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - 29
Cerveja não engorda? Think again...
A cerveja tem bastante calorias. E no cálculo do engordar/emagrecer são as calorias que importam. Não é a quantidade de massa, mas a quantidade de energia. E claro, precisamos ser "equipados" para retirar a energia química do alimento. Enquanto 1 litro de gasolina tem cerca de 35 MJ, 1 quilo de carne tem 2350 Calorias, ou 9.87 MJ. Não adianta beber 300 ml de gasolina e dizer que comeu uma carne - nós não aproveitamos a energia química da gasolina. Felizmente aproveitamos sim a energia química em um bife.
E nisso a cerveja tem energia! Uma lata de 350 ml de cerveja tem cerca de 147 Calorias, ou 0.42 Calorias/ml, ou 420 calorias/ml ou 1.8 kJ/ml. E não pense que dá para escapar com outras bebidas ( Whisky é 2.4 Calorias/ml, Cachaça é a mesma coisa, e vinho varia entre 0.9 Calorias/ml a 1.4 Calorias/ml). Então bizarramente, a cerveja ainda é a melhor opção nesse ponto (mas a Coca-Cola tem 0.35 Calorias/ml e o Guaraná tem 0.31 Calorias/ml).
Isto significa que se você tomar 1 litro de cerveja é mesmo que ingerir 420 Calorias (ou 1.8 MJ). Cinco litros são equivalentes à aquele quilo de carne que mencionamos anteriormente - ou seja, mais do que a sua necessidade alimentar pelo dia todo.
Quanto são cinco litros de cerveja? Parece muito, não? Bem, depende de quanto tempo você gasta para beber estes cinco litros. Um latinha a cada 15 minutos, durante 4 horas são 5.6 litros de cerveja. Claro que isto não significa que todo o excesso irá virar a famosa "barriga de cerveja".
E quatro horas é um churrasco rápido. E olhe que nessa conta do balanço do dia ainda tem a carne...
| Retirado de Free Words |
| Retirado de Diário de Rio Claro |
| Retirado de Lu Francesa |
Quanto são cinco litros de cerveja? Parece muito, não? Bem, depende de quanto tempo você gasta para beber estes cinco litros. Um latinha a cada 15 minutos, durante 4 horas são 5.6 litros de cerveja. Claro que isto não significa que todo o excesso irá virar a famosa "barriga de cerveja".
| Retirado de Blog das Faculdades ESEFAP. |
domingo, 10 de junho de 2012
Bean
A pérola de hoje é o seriado britânico Mr. Bean.
A série é produto genial da mente de Rowan Atkinson (que se formou em Engenharia Elétrica - o que não quer dizer que todo engenheiro é bom comediante, naturalmente).
O melhor é que realmente você não precisa saber inglês para aproveitar o talento cômico da série.
Mas certamente ajuda...
A série é produto genial da mente de Rowan Atkinson (que se formou em Engenharia Elétrica - o que não quer dizer que todo engenheiro é bom comediante, naturalmente).
O melhor é que realmente você não precisa saber inglês para aproveitar o talento cômico da série.
Mas certamente ajuda...
sábado, 9 de junho de 2012
Pequenas Pérolas do Cinema - 63
| Original de Listal |
Creio que nem adianta falar muito sobre o filme, já que o mesmo é conhecido por praticamente todo mundo. A dupla Lucas/Spielberg fez um clássico baseado nos seriados antigos.
A trilha é inesquecível.
E o ator escolhido para dar vida ao personagem principal é Harrison Ford (e não Tom Selleck, John Shea ou Peter Coyote).
Mas algo que você não imagina é que a figura de Indiana Jones foi baseada em um personagem de Charlton Heston. Duvida? Então veja com seus próprios olhos.
É mais uma prova que muito do que pensamos ser original é, a na realidade, uma conjunção de cópias empacotadas de forma diferente (frequentemente de modo melhor).
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Coisas Interessantes sobre a Evasão
Muito tempo atrás, eu montei um modelo matemático para representar o fluxo em um curso. O modelo trazia muitos pontos interessante, que não me lembro de terem sido divulgados em outros locais.
Agora tive em minhas mãos uma pesquisa sobre a evasão na Engenharia Elétrica. Como este sempre foi um dos dados que faltavam nas minhas análises, vou aproveitar para divulga-lo agora.
Segundo os gráfico que tive acesso, a evasão de 2002-2010 esteve entre 22% e 37%. Este número não é ruim considerando a taxa de evasão de outros locais. A média é de 27% e do desvio de 6%.
Naturalmente, estes dados não são exatamente representativos. Mas pelo menos permitem que se estabeleça uma linha base para avaliação. A evasão pode ser dita como entre 1 em cada 5 e 1 em cada 3 (mais próximo de 1 em cada 4).
Para termos um valor mais próximo temos de supor que a evasão tem uma média constante no tempo. Isto pode ser visto olhando os diversos tipos de evsão: desligamento voluntário, abandono, não condição e outros. Olhando os diversos componentes da evasão, vemos que isto não é uma suposição exagerada.
Os valores são:
- Evasão Total: média de 27.25 e desvio de 5.53
- Evasão por Abandono: média de 22.13 e desvio de 5.37
- Evasão por Não Condição: média de 24.79 e desvio de 5.37
- Evasão por Desligamento Voluntário: média de 21.49 e desvio de 9.22
- Evasão por Outros motivos: média de 31.92 e desvio de 14.68
Um dado interessante é verificar a evasão por forma de entrada. A do vestibular é de 22% e a do PAS é de 30%. Isto parece contra intuitivo até vermos que o universo de contagem do vestibular é de 548 e do PAS é de 185.
Se aplicassemos as regras da estatística, esta informação fica mais clara. Uma amostra de 185 tem 7.17% de margem de erro para um intervalo de confiança de 95%. Já uma de 548 tem uma margem de erro de 4.13% no mesmo intervalo de confiança.
Portanto, poderíamos dizer que o valor entre os dois casos pode ser considerado praticamente igual. Pelo que pude ver em outros artigos, o nível de evasão é na engenharia elétrica pode variar de 20% a 40%.
Então, até que não estamos tão ruins...
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Sobre a Paridade
Eu sei que já mencionei isso antes, mas vale a pena deixar claro: sou contrário a paridade de votos para escolha de reitor.
Ora bolas, nem acho que professores deviam votar para isso...
Creio que há dois problemas aqui: a confusão do que é democracia, e os interesses intrínsecos de pessoas. O que acontece é que estes interesses se vestem de interesses da comunidade, e usando o argumento errôneo de democracia, tentam avançar sua própria agenda.
Isto é muito comum, e não é privilégio de pessoas com ideologia A ou B. Aliás, frequentemente estas pessoas tentam justificar seus interesses usando a ideologia A ou B como bandeira.
Mas não é nada disso.
Não existe nada mais fácil do que convencer uma pessoa a fazer o que ela quer. Mais ainda, o melhor jeito de convencer Y a fazer algo que só beneficiará X é convencê-lá que a ação irá beneficiar a todos.
É assim que caminha a humanidade.
E é este o caso do discurso da paridade. Ao confundir o conceito de democracia (aonde os cidadãos tem voz, e o processo de escolha é coletivo), com o conceito de eleição (aonde as pessoas votam para eleger alguém para ocupar um cargo), os interessados tentam avançar seus interesses. É mais ou menos como confundir o reitor com o prefeito, governador ou presidente.
Como a enorme maioria das pessoas não entende patavina do que seja democracia, direitos ou leis, então a mistificação funciona direitinho. Aí fica fácil convencê-la que eleger o reitor é o melhor para todo mundo.
Ora bolas, nem acho que professores deviam votar para isso...
Creio que há dois problemas aqui: a confusão do que é democracia, e os interesses intrínsecos de pessoas. O que acontece é que estes interesses se vestem de interesses da comunidade, e usando o argumento errôneo de democracia, tentam avançar sua própria agenda.
![]() |
| Fonte da Foto: Blog Ciência Brasil. |
Mas não é nada disso.
Não existe nada mais fácil do que convencer uma pessoa a fazer o que ela quer. Mais ainda, o melhor jeito de convencer Y a fazer algo que só beneficiará X é convencê-lá que a ação irá beneficiar a todos.
É assim que caminha a humanidade.
E é este o caso do discurso da paridade. Ao confundir o conceito de democracia (aonde os cidadãos tem voz, e o processo de escolha é coletivo), com o conceito de eleição (aonde as pessoas votam para eleger alguém para ocupar um cargo), os interessados tentam avançar seus interesses. É mais ou menos como confundir o reitor com o prefeito, governador ou presidente.
Como a enorme maioria das pessoas não entende patavina do que seja democracia, direitos ou leis, então a mistificação funciona direitinho. Aí fica fácil convencê-la que eleger o reitor é o melhor para todo mundo.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Uma opinião com a qual concordo
Mais uma vez, a UnB anda fazendo das suas. Depois de revogar a causalidade, agora decidiu em uma única reunião a questão da paridade.
A bem da verdade, isso já havia sido feito antes por outros grupos, mas sob circunstâncias diferentes. Ou seja, não é exatamente privilégio de grupos (o que também permite dizer que o grupo atual também segue a linha de democracia até quando interessa).
Felizmente, ainda existem vozes da razão e do bom senso na universidade de Brasília (o minúsculo é proposital mesmo). Coloco aqui uma carta que foi divulgada no e-mail da Adunb, mas que encontrei aqui:
A bem da verdade, isso já havia sido feito antes por outros grupos, mas sob circunstâncias diferentes. Ou seja, não é exatamente privilégio de grupos (o que também permite dizer que o grupo atual também segue a linha de democracia até quando interessa).
Felizmente, ainda existem vozes da razão e do bom senso na universidade de Brasília (o minúsculo é proposital mesmo). Coloco aqui uma carta que foi divulgada no e-mail da Adunb, mas que encontrei aqui:
Somos mesmo bons guardiães da Universidade
Pública?
“O que está acontecendo é que a
eleição do reitor virou uma eleição partidária, com cartazes, com ofertas de
vantagem, de emprego, com suborno para conquistar o voto de funcionário e o voto
dos alunos. Para evitar essa corrupção tem que deixar essa escolha para os
professores. Eles são responsáveis e têm que ser responsabilizados. São eles que
fazem o corpo de governo da universidade, é assim no mundo inteiro. Aqui foi
partidarismo, sectarismo e corporativismo que fizeram diferente.”
(Darcy Ribeiro)
Peço desculpas por iniciar, de
novo, uma carta com uma frase de Darcy Ribeiro. A verdade é que Darcy Ribeiro
morreu! Assim como Anísio Teixeira e outros que tentaram construir uma grande
Universidade. Eles fizeram a parte deles em vida. Pedi desculpas aqui porque,
por vezes, me parece que não temos atualmente substitutos à altura, pois nós, os
vivos, é que deveríamos estar fazendo a nossa parte – eles não têm mais condição
de fazer nada de onde estão.
Na última sexta-feira, o CONSUNI
aprovou uma eleição paritária para reitor. O CONSUNI foi construído com 70% dos
votos dos docentes porque quem o construiu assim considerou que a Universidade
funcionaria melhor se a posição dos docentes – mais experientes e com maior
conhecimento nas questões da Universidade – fosse predominante nas decisões de
mais alto nível na Universidade. Essa convicção, expressa de forma sempre
veemente por Darcy Ribeiro e por outros da mesma estatura, não veio de conceitos
abstratos – veio da experiência de muitos que criaram e administraram
universidades e que se empenharam em conhecer a fundo a história das melhores
Universidades no mundo.
Pois bem, apesar de o plebiscito
organizado pela ADUNB ter revelado que 80% dos docentes é contra a eleição
paritária, o CONSUNI a aprovou, na última sexta-feira, dia 01/06/12, que ficará
registrado na história da UnB como o dia da insensatez. Sob a liderança do
Reitor José Geraldo impôs-se o desrespeito aos valores democráticos do projeto
de fundação da UnB, aos docentes e à legalidade.
Tudo foi feito de forma
planejada. No dia 29/05/12, foi enviada aos conselheiros a convocação da reunião
do CONSUNI, incluindo em sua pauta o item 2.2, relativo ao “Calendário e
procedimento para a elaboração da lista tríplice para a escolha de Reitor”. Mas,
somente no dia anterior à reunião (dia 31/05/12) foi enviada aos conselheiros a
proposta, assinada pelo reitor, do “processo de indicação do Reitor para o
período de 2012 a 2016” (Memorando 0006/2012, de 31/05/12). E, na reunião, o
Reitor impôs a votação na própria sexta-feira, não cedendo aos apelos para que o
procedimento proposto fosse examinado com mais cuidado nas unidades
acadêmicas.
Então, iniciamos novamente a
loucura. O que veremos agora será um espetáculo eleitoral deprimente, que,
parece, dividirá de forma ainda mais severa a comunidade universitária.
Com tudo isso, fico com uma
dúvida. O modelo da Universidade, com colegiados e conselhos, está embasado na
pressuposição de que os professores são naturais defensores do interesse da
Universidade e da Sociedade em geral. Sempre acreditei nisso. Ultimamente, vejo
que isso está sendo colocado em dúvida. Espero, na continuação, não ficar em
dúvida, também, se os próprios docentes deveriam estar escolhendo o reitor por
voto universal.
Qualquer docente, quando está em
uma Assembleia Sindical, tem todo o direito de lutar por seu salário e por
melhores condições de trabalho. Entretanto, quando esse mesmo docente está em um
Conselho, sua função é defender o interesse da sociedade e da Universidade –
esse é um pressuposto básico do modelo sobre o qual a Universidade está
fundamentada.
Minha pergunta a todos é: isso
está mesmo acontecendo? E, retornando ao título desta mensagem, será mesmo que
estamos nos mostrando defensores adequados de uma universidade de qualidade?
Para concluir, volto à frase
inicial, de Darcy Ribeiro: será que o que vamos ver, na campanha eleitoral que
se inicia, será “partidarismo, sectarismo e corporativismo” ou “ofertas de
vantagem, de emprego, com suborno”? Veremos candidatos oferecendo o que não lhes
pertence? Vamos ver, como comumente ocorre, cenas de violência, campanhas de
difamação e ataques pessoais? Por fim, vamos eleger, mais uma vez, um reitor
cujo grupo possível de colaboradores estará restrito a uma pequena parcela da
comunidade universitária?
Darcy está morto! Mas estaremos à
altura de sua herança? Será que surgirão outras pessoas que levantarão sua voz
contra a degradação que assola cada vez mais a nossa universidade?
Saudações,
Prof. Adson Ferreira da Rocha
Faculdade UnB Gama
*Agradeço ao Professor Carlos
Alberto Torres por suas sugestões.
terça-feira, 5 de junho de 2012
BB Code
Como eu já havia mencionado antes, existem soluções de segurança bastante inteligentes. Conheça o código QR.
A imagem acima tem o seguinte código (gerado aqui):
require_once("Image/QRCode.php");
$options = array(
"image_type" => "jpeg",
"module_size" => 12,
"error_correct" => "H",
"version" => 5,
"output_type" => "display"
);
$qr = new Image_QRCode();
$qrcode = $qr->makeCode("http://semverdades.blogspot.com.br/",$options);
?>
O QR Code é usado em smartphones no mundo inteiro.
Com isso eu aproveito para falar sobre o BBCode.
"Pessoal, o BB Code é um sistema de segurança baseado no uso de smartphone. Ele será disponibilizado em breve para clientes do Banco do Brasil e servirá para autorizar transações bancárias feitas pela Internet. Inicialmente, o BB Code estará disponível nos sistemas Android e iOS (Iphone).
Este sistema está atualmente em testes internos e em breve será disponibilizado para clientes pessoa física do BB."
Acreditem se quiser, esta grande solução foi produto das mentes criativas da UnB. Mas isso é mais a despeito da situação da UnB do que por causa da situação na UnB.
Atualização: você pode ler mais o sistema aqui.
A imagem acima tem o seguinte código (gerado aqui):
require_once("Image/QRCode.php");
$options = array(
"image_type" => "jpeg",
"module_size" => 12,
"error_correct" => "H",
"version" => 5,
"output_type" => "display"
);
$qr = new Image_QRCode();
$qrcode = $qr->makeCode("http://semverdades.blogspot.com.br/",$options);
?>
O QR Code é usado em smartphones no mundo inteiro.
Com isso eu aproveito para falar sobre o BBCode.
"Pessoal, o BB Code é um sistema de segurança baseado no uso de smartphone. Ele será disponibilizado em breve para clientes do Banco do Brasil e servirá para autorizar transações bancárias feitas pela Internet. Inicialmente, o BB Code estará disponível nos sistemas Android e iOS (Iphone).
Com este sistema, o cliente poderá, através da câmera fotográfica de seu smartphone, ler uma transação apresentada na tela de seu computador por um código 2D QRCode e confirmar as informações de maneira segura e simples, sem a necessidade de qualquer conexão de dados.
Acreditem se quiser, esta grande solução foi produto das mentes criativas da UnB. Mas isso é mais a despeito da situação da UnB do que por causa da situação na UnB.
Atualização: você pode ler mais o sistema aqui.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - 28
"Individual rights are not subject to a public vote; a majority has no right to vote away the rights of a minority; the political function of rights is precisely to protect minorities from oppression by majorities (and the smallest minority on earth is the individual)." Ayn Rand.Hoje resolvi começar esta post tratando de uma das últimas decisões que o CEPE da UnB tomou.
O CEPE decidiu adiar as datas finais do calendário acadêmico do primeiro semestre de 2012. O que foi divulgado pode ser visto aqui. Mas de modo resumido
1. Reconhecimento da greve dos professores. A Universidade de Brasília oficialmente reconhece que suas atividades estão prejudicadas pela paralisação decretada em assembleia da ADUnB.
2. Reposição integral das aulas. Após a greve, os alunos têm direito de receber do professor todo o conteúdo ministrado a partir de 21 de maio, dia de início da paralisação, mesmo que o docente tenha continuado a dar aulas após essa data. Ou seja, professores que continuam dando aula podem ter que repor o conteúdo para alunos que não vieram à UnB durante a greve. Da mesma forma, notas dadas durante esse período podem ser contestadas pelos estudantes.
3. As datas finais do calendário estão suspensas. Isso significa que os prazos máximos para encerramento de atividades acadêmicas, como emissão de notas e pedidos de recursos, terão de ser revistos após o fim da greve dos professores. Atividades administrativas, de pesquisa e extensão continuam mantidas.
O problema está exatamente no ponto 2. Mais especificamente:"Após a greve, os alunos têm direito de receber do professor todo o conteúdo ministrado a partir de 21 de maio, dia de início da paralisação, mesmo que o docente tenha continuado a dar aulas após essa data. Ou seja, professores que continuam dando aula podem ter que repor o conteúdo para alunos que não vieram à UnB durante a greve. Da mesma forma, notas dadas durante esse período podem ser contestadas pelos estudantes.". Esta decisão não apenas fere o direito de greve, mas a causalidade. Em suma, é uma forma de forçar a adesão dos professores à greve.Naturalmente, é interessante observar que esta decisão foi unânime. Apesar da assembléia que decretou a greve ter sido decidida por 176 pessoas (de um universo de mais de 2200). Apesar da mesa sugerir que para esta decisão fosse necessário realizar uma consulta mais ampla, os professores pró-greve insistiram que a Assembléia era soberana, e que a consulta minava a força da assembléia.
"Remember also that the smallest minority on earth is the individual. Those who deny individual rights, cannot claim to be defenders of minorities." Ayn RandÉ interessante que no final temos um curioso impasse: ao invés de uma maioria forçando sua vontade em uma minoria, temos precisamente o contrário. A minoria se vestindo como maioria e impondo sua agenda. Nessa situação, pouco importa a lógica ou o bom senso. Vale quem grita mais...
"When the common good of a society is regarded as something apart from and superior to the individual good of its members, it means that the good of some men takes precedence over the good of others, with those others consigned to the status of sacrificial animals" Ayn Rand
domingo, 3 de junho de 2012
A Hora do Rádio
Hoje trago um dos meus sitcoms americanos favoritos: NewsRadio.
Foi o último seriado que contou com o talentoso Phil Hartman.
Um dos meus episódios favoritos é Super Karate Death Monkey Car.
Foi o último seriado que contou com o talentoso Phil Hartman.
Um dos meus episódios favoritos é Super Karate Death Monkey Car.
sábado, 2 de junho de 2012
Pequenas Pérolas do Cinema - 62
| Fonte: wikipedia |
É um belo filme de Vittorio de Sica. E tem o filme completo também:
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Crimes e suas Taxas
Com as recente manifestação da Marcha das Vadias e a entrevista da Xuxa ao Fantástico, eu fiquei curioso em saber qual é o tamanho do problema de crimes sexuais no Brasil.
Qual foi minha surpresa que ao procurar a informação no UNODC, eu não encontrei os dados relativos ao nosso país.
Mas isso não me desanimou (apesar de ser um claro indicador que não sabemos direito pelo menos o tamanho do problema), pois acabei encontrando alguns dados.
No caso, as taxas estão por 100.00 habitantes. Então podem ser colocadas em termos de probabilidades, se for o caso. Mas vamos aos dados, em 2005 tivemos as taxas (cados de estupro por centena de milhar) arredondadas:
Temos a famosa frase que a cada 12 segundos uma mulher é estuprada. Isso corresponde a 2.7 milhões de mulheres por ano (será somente no Brasil?). Isto geraria a inacreditável taxa de 1314 estupros a cada 100.000 habitantes. O problema com esta estatística é que ninguém sabe de onde veio (se bem que tenho alguns palpites).
Nesse caso eu suspeito de um problema estatístico bastante comum: estimar probabilidades pequenas. Um amostra com 1000 ou 10.000 pessoas não consegue enxergar direito taxas abaixo de 1%. No caso de 100 por centena de milhar, estamos falando de uma taxa de 0.1%. Naturalmente, com um erro de mais de 1% é impossível determinar com exatidão uma taxa abaixo de 0.1%.
Então sugiro aos interessados tomar o dado de estupro a cada 12 segundos com bastante cuidado.
Já a questão do abuso sexual de menores ainda é mais complicada. Há o crime sexual contra menores, que pode ou não envolver estupro, mas as taxas são as seguinte:
Qual foi minha surpresa que ao procurar a informação no UNODC, eu não encontrei os dados relativos ao nosso país.
Mas isso não me desanimou (apesar de ser um claro indicador que não sabemos direito pelo menos o tamanho do problema), pois acabei encontrando alguns dados.
No caso, as taxas estão por 100.00 habitantes. Então podem ser colocadas em termos de probabilidades, se for o caso. Mas vamos aos dados, em 2005 tivemos as taxas (cados de estupro por centena de milhar) arredondadas:
- Brasil: 17
- Canadá: 2
- Estados Unidos: 31
- Suécia: 37
- França: 17
- Região Norte: 23
- Região Nordeste: 11
- Região Sudeste: 16
- Região Centro-Oeste: 25
- Região Sul: 24
Temos a famosa frase que a cada 12 segundos uma mulher é estuprada. Isso corresponde a 2.7 milhões de mulheres por ano (será somente no Brasil?). Isto geraria a inacreditável taxa de 1314 estupros a cada 100.000 habitantes. O problema com esta estatística é que ninguém sabe de onde veio (se bem que tenho alguns palpites).
Nesse caso eu suspeito de um problema estatístico bastante comum: estimar probabilidades pequenas. Um amostra com 1000 ou 10.000 pessoas não consegue enxergar direito taxas abaixo de 1%. No caso de 100 por centena de milhar, estamos falando de uma taxa de 0.1%. Naturalmente, com um erro de mais de 1% é impossível determinar com exatidão uma taxa abaixo de 0.1%.
Então sugiro aos interessados tomar o dado de estupro a cada 12 segundos com bastante cuidado.
Já a questão do abuso sexual de menores ainda é mais complicada. Há o crime sexual contra menores, que pode ou não envolver estupro, mas as taxas são as seguinte:
- Canadá: 0.2
- Suécia: 8.1
- França: 22.2
- Brasil: 30
Como se vê, o problema é determinar a magnitude do que acontece. Se já havia dificuldades no caso anterior de estupro, no caso com menores a complicação é maior ainda. Se olharmos os casos de crimes sexuais nesses países, teremos:
- Canadá: 81.6
- Suécia: 129
- França: 39
Portanto, existe grande discrepância entre os números totais e os percentuais país-a-país: Canada (0.25%), Suécia (6.3%) e França (56.4%). No Brasil, o fato é que ninguém sabe, mas aparentemente os números são controversos (veja aqui e aqui).
A verdade? Ninguém sabe o tamanho do problema real!
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