quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O efeito Mateus e o Argumentum ad Verecundiam

Li ontem no Correio Braziliense um texto sobre o efeito do desaparecimento das abelhas no mundo. O texto é até interessante do ponto de vista do alerta, mas abertura é baseada em uma falácia. Vamos a abertura:
Abelha e polinização.
"Numa roda de amigos, Albert Einstein comentou: “Se as abelhas desaparecerem, quantos anos de vida restariam à Terra? Quatro, cinco? Sem abelhas não há polinização e sem polinização não há plantas, nem animais, nem gente”.
Quem assim conta é o escritor uruguaio Eduardo Galeano, em Los hijos de los dias, ao dedicar ao Dia da Terra, 22 de abril, um dos seus 365 lúcidos comentários, com a observação: “Os amigos riram. Ele não. E agora acontece que no mundo há cada vez menos abelhas… e hoje vale a pena advertir que isso não ocorre por vontade divina nem maldição diabólica, e sim pelo assassinato dos montes nativos e a proliferação dos bosques industriais, pelas culturas de exportação, que proibem a diversidade da flora, pelos venenos que matam as pragas e ao mesmo tempo a vida natural, pelos fertilizantes químicos, que fertilizam o dinheiro e esterilizam o solo, e pelas radiações de algumas máquinas que a publicidade impõe à sociedade de consumo”."
Na realidade isto é uma conjunção de uma falácia (Argumentum ad Verecudiam) e o chamado efeito Mateus (Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado).
Dado que a especialidade dele era física e não biologia...
A falácia é também conhecida como apelo à autoridade - utiliza Einstein como fonte da sabedoria (poderia ter usado Sócrates ou Aristóteles, mas duvido que tivesse o mesmo efeito). O erro que causa a falácia é o seguinte: Einstein não é um especialista no assunto.
Pois é, gente!
Mas ainda há outro erro: quem disse que Einstein realmente falou isto? Antes de 1994, não se conhecia nenhuma citação dele nestes termos. O que aconteceu em 1994? Protestos de apicultores europeus a respeito de redução de tarifas.
"A pamphlet distributed [in Brussels] by the National Union of French Apiculture quoted Albert Einstein. "If the bee disappears from the surface of the earth, man would have no more than four years to live. No more bees, no more pollination ... no more men!" [From Chris Mclaughlin's "Fearful Beekeepers Plead for Curbs on Honey Imports," The Scotsman, 25 January 1994."
Este fato de atribuir citações a pessoas que na realidade não são autoras das mesmas é conhecido como efeito Mateus. O que acontece é que novas citações são atribuídas a pessoas com fama de boas citações - este efeito é bem conhecido na internet...
E vai piorando a medida que o erro se propaga.
Então, o que isso faz para o argumento? Bom, na defesa no articulista, não foi ele quem inventou isso. Esta idéia já está divulgada na internet há um bom tempo. Mas e com relação as abelhas?
Ainda resta a questão do desaparecimento das ditas cujas, ou não...
Aí é que está o chato da coisa: elas já desapareceram antes. E estamos todos aqui...

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Os Outros é que são os Demônios

Encontrei um post no facebook de um blog chamado Socialista Morena (possivelmente um jogo de idéias/ palavras com o conceito do Socialismo Moreno de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro).
Como estes morenos socialista são branquinhos...
Não vou entrar em todos os pontos levantados pelo blog, mas um post me chamou a atenção: os 12 Mandamentos do Esquerdista Moderno.
Isto está errado em tantos níveis que é até difícil descrever!
São eles:

I – Não ter o dinheiro como norte
II – Respeitar o próximo como a ti mesmo (não precisa nem amar, respeitar tá de bom tamanho)
III – Não roubar o povo
IV – Ser pacifista (violência, só contra a tirania)
V – Amar a natureza
VI – Ser contra o latifúndio, os transgênicos e o uso abusivo de agrotóxicos
VII – Não perder a capacidade de se indignar
VIII – Acreditar e lutar por direitos iguais para todos, independentemente de raça, credo, origem, condição social ou orientação sexual
IX – Ser consciente da dívida histórica com índios e negros e apoiar políticas de ação afirmativa
X – Ser um defensor intransigente da liberdade: de pensamento, de expressão, de culto, de ir e vir, cognitiva
XI – Ser a favor do estado laico
XII – Jamais se esquecer (ou se envergonhar) do que sonhava aos 20 anos de idade

Eu sabia! É religião mesmo!
Eu creio ser interessante colocar isto aqui, pois resume o ideário que vemos hoje em dia com os esquerdistas das redes sociais. Há um ponto aqui que merece ser realçado: nenhum desses pontos está conectado com o que conhecemos como a ideologia de esquerda conhecida como comunismo.
Marx e Marx: Conheça a diferença
São apenas uma coletânea de posições que poderiam ser adotadas por pessoas com tendências conservadoras ou não. Dizer que quem segue estes 12 mandamentos é esquerdista é forçar a associação entre dois fatores não relacionados.
Algo também nessas linhas...
Isto é algo surpreendentemente comum: santificar os aliados e demonizar os adversários. Quer demonização mais eficiente aqui na terrinha do que chamar o adversário de direitista? Aqui a concepção de direitista já tomou forma de pessoa malvada, sem escrúpulos, que quer a destruição de tudo bom, belo e bonito.
Exemplo de pessoa malvada, sem escrúpulos e que quer destruir tudo!
Demonização do adversário é bem eficaz! Pode ser usada por qualquer facção.
Demonizar adversários não é privilégio da esquerda ou da direita.

sábado, 3 de novembro de 2012

Plantinhas Malvadas

Hoje trago um clássico de ficção difícil de encontrar: The Day of the Triffids.

Também tive sorte de encontrar o filme completo na internet:


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Um Pouco sobre Desigualdade e Pobreza

Já li muito a respeito das mazelas do capitalismo, em especial quanto a desigualdade econômica e pobreza econômica.

Então vale fazer um esclarecimento: enquanto é verdade que a desigualdade realmente aumente em modalidades mais "puras" de capitalismo, o que acontece com a pobreza é justamente o contrário.
Pobreza: é não ter o mínimo.
Em tese, o capitalismo produz mais oportunidades de crescimento individual e também aloca de forma mais eficiente os recursos, diminuindo custos e melhorando a distribuição. O efeito cumulativo de médio e longo prazo é realmente a diminuição da pobreza (e não imperialismo como dizem por aí). A olhos vistos, o que isto significa é que "as coisas ficam mais baratas e mais acessíveis". Então o argumento de que capitalismo aumenta a pobreza é baseado em falácias e possivelmente ignorância (supondo que não haja má fé - vide o que falam sobre o aburguesamento).
Há também um "que" de inveja nisso...
Dito isso...

O capitalismo realmente aumenta a desigualdade, pois premia de forma diferenciada atuações diferenciadas. De forma simples: ganha mais quem tem mais "valor social". Parece até bastante justo, até se perceber que como é que a sociedade atribui este valor. Em forma mais simples ainda: premia-se copiosamente o vencedor enquanto se esquece dos vencidos.
Desigualdade: é ter diferença entre as possessões.
Isto promove desigualdade...

Mas isso não é eterno, pois uma das vantagens deste sistema é sua renovação contínua. O rico de hoje é o pobre de amanhã e vice-versa (ao contrário do que pregam os conceitos tortos da existência de uma elite eterna).

Naturalmente, essa informação é de pouca valia para os que se desesperam com a situação aqui e agora...

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Argumentum ad populum

Caro leitor, a falácia de hoje é conhecida de todos, pois afinal: Todo mundo faz, por que você não vai fazer também?
Também pode tomar a forma de apelo à tradição.
Este é conhecida como a falácia argumentum ad populum.
E olha que funciona mesmo... Ser contra a maioria é difícil...
Os exemplos são os mais variados: a terra era plana, o sol gira em torno da terra, quem não cola não sai da escola, todo mundo faz caixa 2, as eleição absolveu o político acusado (ou condenado), a voz do povo é a voz de Deus, tudo isso são exemplos de argumentum ad populum.
Você certamente já viu algo assim... Mas e a coragem para chamar este pessoal de tolos?
Portanto, caro leitor, quando enxergar um caso desses fale em alto e bom tom: Lamento, mas seu argumento é baseado uma falácia do tipo Argumentum ad Populum.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

E dito e feito

Fazendo mais simulações com o programa anterior, cheguei a uma conclusão:
Abstenção - o retrato do passado.
A abstenção, quando distribuída aleatoriamente entre a população, não causa mudança na diferença do resultado da pesquisa de opinião e da eleição normal. A diferença só acontece quando um grupo com preferência em um candidato específico deixa de comparecer às urnas..
Abstenção - nem sempre por motivos confessáveis.
Ah, mas por que se abstiveram? Aí há opinião para tudo.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Pesquisas e Eleições - Simulações

Eu já havia postado um código em MATLAB mostrando como as pesquisas funcionam. Bem, agora vou mostrar a questão em maiores detalhes.

A seguir trago um código MATLAB aonde uso Monte Carlo para mostrar o efeito de diversas pesquisas. Neste modelo, a amostragem é aleatória e são utilizados diversos tamanhos de amostras (2,4,8,16..2048), e são realizadas 1000 pesquisas. O resultado mostrado é o da média, desvio padrão e histograma das pesquisas resultantes. Vamos ao código:

% Exemplo de amostragem em uma população - Convergência da amostragem
clear
% N tamanho da população
N=100000;
% N1 é o número de amostras retiradas aleatoriamente da população
Ne=11;
Nt=Ne;
Nr=1000;
ex=linspace(1,Ne,Nt);
Nx=2.^ex;
% N1=2048;
% p é o percentual que vota no candidato X (não sei e é aleatório)
p=0.55;
% Número de votantes do percentual
Np=round(N*p);
% a é a população de votantes
a=zeros(N,1);
% Preenchimento aleatório dos não nulos
g1=randperm(N);
for k=1:Np
    a(g1(k))=1;
end;
% vetor com índices da amostra - aleatória
for k1=1:Nt
    for m=1:Nr
        g=randperm(N);
        % s é o vetor de amostras
        s=zeros(Nx(k1),1);
        for k2=1:Nx(k1);
            % Processo de amostragem
            s(k2)=a(g(k2));
        end;
        s1(m)=mean(s);
    end;
%     Monte Carlo
    r1(k1)=mean(s1);
    r2(k1)=std(s1);
end;
% mostra o tamanho da amostra, o percentual na amostra completa e o percentual da estimativa
% 100*[p mean(a) r]
plot(Nx,100*(r1-p))
figure
plot(Nx,100*r2)
figure
hist(100*s1);

Neste exemplo, o candidato em questão tem 55% dos votos reais. Os resultados podem ser vistos nas figuras a seguir.
Erro da Média das 1000 pesquisas para N=2,4..2048
Neste gráfico temos que o erro da média de todas as pesquisas tende a zero quanto maior o número de amostras. Mas como isto trata da média de 1000 pesquisas, então o que sabemos é: quanto maior o número de pesquisas, mais próximo de zero é o erro da média de todos os resultados.
Desvio padrão de 1000 pesquisas, com diferentes tamanhos de amostras (2,4...2048)
Neste gráfico temos o desvio padrão de todas as pesquisas. O que vemos é que somente quando o número de amostras em pesquisas começa a ser grande (maior do que 100) é que o desvio vai tendendo a ser pequeno (no caso, com 128 amostras ainda temos um desvio padrão entre as pesquisas na vizinhança de 5%). Como 1024 amostras, o desvio é de 1.527%, já com 2048 amostras o desvio é de 1.085%. Ao limitarmos o intervalo de confiança em 95% equivale a dizermos que o erro é de 1.527*1.96=2.992% para 1024 amostras e 1.085*1.96=2.1266% para 2048 amostras. Mas o que isso significa? Podemos ver isso melhor com o histograma.

Histograma para o caso de 2048 amostras - 1000 pesquisas.
Aqui vemos que 285 das 1000 pesquisas terão o resultado entre 54.44% e 55.2%, ou que 706 das 1000 pesquisas terão o resultado entre 53.69% e 55.96%, ou que 903 das 1000 pesquisas terão o resultado entre 52.93% e 56.71% (perto dos 2% esperados).

Este modelo pode ser utilizado para verificar o efeito da abstenção na eleição. Eu suspeito que a abstenção talvez altere o intervalo de confiança presumido.

domingo, 28 de outubro de 2012

As Pesquisas e as Eleições

Chegou aquela hora de toda eleição: comparar os resultados das pesquisas com o das eleições.
Queria ou não, este é o símbolo das eleições no Brasil.
Vamos aos resultados versus (pesquisas):


São Paulo

  • Haddad - 55.57% (59% Ibope, 58% Datafolha)
  • Serra - 44.43% (41% Ibope, 41% Datafolha)

Curitiba

  • Fruet - 60.65% (57% Ibope, 60% Datafolha)
  • Ratinho Jr - 39.35% (43% Ibope, 40% Datafolha)

Salvador

  • ACM Neto - 53.51% (55% Ibope)
  • Pelegrino - 46.49% (45% Ibope)

Fortaleza

  • Claudio - 53.02% (51% Ibope, 50% Datafolha)
  • Elmano 46.98% (49% Ibope, 50% Datafolha)

Manaus

  • Artur Virgílio - 65.95% (67% Ibope)
  • Vanessa - 34.05% (33% Ibope)

Natal

  • Carlos Eduardo - 58.31% (61% Ibope)
  • Hermano - 41.69% (39% Ibope)

O que dá para ver é que o erro não é tão grande assim. Mas é maior do que 2% na maioria dos casos (fica, na maioria dos casos entre 2% e 3%). A pergunta importante a ser respondida é: por que?

sábado, 27 de outubro de 2012

Plantinhas Boazinhas

Trago hoje um clássico da ficção científica do tipo eco-lindo: Silent Running

Também tive sorte de encontrar o filme completo na internet:

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O Apagão, Belo Monte e o Improvável

E de novo apagou tudo. Só que desta vez foi no Nordeste.
De novo?
Eu já comentei sobre a estranha situação de silêncio sobre o assunto no Brasil. Já estou começando a suspeitar que a falta de comentários é porque os afetados estão com medo de ser acusados de vigarice intelectual-ideológica (afinal atiram pedras em um partido por um motivo e não em outro pelo mesmo motivo).
Imagens de apagão são meio escuras...
E como já comentei em outro post, as máscaras de independência e isenção jornalísticas estão ficando difíceis de serem sustentadas.
Esta ficando difícil não acreditar que é isso que está acontecendo...
Mas, vamos ao assunto principal, caro leitor...

Vendo notícias sobre o apagão, eu encontrei uma pérola que merece ser relatada:

"o apagão foi feito pelo governo como forma de forçar o cidadão a protestar em prol da construção de belo monte"

Este não foi o único tweet que encontrei. O pessoal que escreveu coisas similares e muitos acabaram apagando, provavelmente porque deve ter tido alguma resposta (aliás, parece que o pessoal ficou mais preocupado com as piadinhas sobre o Nordeste do que com as idéias ecoloucas do pessoal da internet).
"Nunca se investiu, se olharmos os últimos dez anos, tanto como se tem hoje." Imagine se não tivesse investido, então...
Mas este tipo de post levanta dois fatos importantes: o sistema elétrico brasileiro tem problemas, e há pessoas que, a despeito das maiores evidências em contrário, não irão, sob nenhuma circunstância, admitir alterar o seu ponto de vista (e consequentemente admitir o erro).
Outliers: os famosos pontos fora da curva.
Eu gostaria de batizar este pessoal de outliers da opinião, que significam mais ou menos as opiniões fora da curva.
Einstein: um exemplo clássico de Outlier.
Note que isso nem sempre tem uma conotação positiva...
Temudjin: outro exemplo clássico de Outlier.
Eles sempre existiram, mas agora há algo mais aqui: a internet deu mais poder de fogo a este pessoal. Hoje esse pessoal faz muito barulho.
Pena que não fui eu que bolou este logo.
Talvez na vida diária, como na estatística, os Outliers podem conduzir a decisões erradas (e potencialmente catastróficas).

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Tu Quoque

Existe uma classe de argumentação que invariavelmente é baseada em premissas falsas. A idéia não é nem tanto avançar o debate, mas "ganhar" o debate. Como devem saber, isto é muito, muito comum na internet.

Já falei destas argumentações: são as falácias lógicas.

Então, para variar, como este blog trata das mentiras que as pessoas contam, resolvi começar uma nova série ligando estas falácias a debates mais atuais.
Tu Quoque para iniciantes.
Então, começando em grande estilo, a falácia de hoje é a Tu Quoque (você também). Esta falácia também é conhecida como Apelo à Hipocrisia. Esta falácia é uma variação muito usada de argumentação ad-hominem.
Isto é um Tu Quoque: "STF julgou mensalão do PT, mas não o Tucano. Logo está Errado por que é Hipócrita"
Ela é extremamente comum atualmente: desde candidatos a prefeito, passando por "jornalistas", passando por humoristas (de modo bem velado mesmo), passando por ex-presidentes, passando por desembargadores, e mesmo juízes.

Claro que nos últimos casos, a falácia está lá cercada de uma duzia de argumentos bem lógicos. Mas ela é o centro da argumentação - dela partem todos os demais pontos.

Mas não pensem que ela está restrita a cenários políticos. Muitos argumentos por aí são baseados em Tu Quoque.

Portanto, caro leitor, quando enxergar um caso desses fale em alto e bom tom: Lamento, mas seu argumento é baseado uma falácia do tipo Tu Quoque.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Coisas De Louco

Tem horas que não dá para não acreditar que os idiotas dominaram o mundo.

Caso em questão?

Na Itália sete sismologistas foram condenados por homicídio culposo devido a terem falhado em predizer o terremoto de L'Áquila em 2009. Duvida?

                   
                   
                   
                   

Sei que parece idiota. Bem, realmente é...

Predição de terremotos é algo notavelmente difícil e nenhum cientista sério diria que nem que "sim", nem que "não" quanto a haver ou não um terremoto.

Bem qual é a saída? Acredito que responsabilizar alguém por falhar em predizer terremotos é tolice, segundo o estado da arte da sismologia. Mas se é para responsabilizar sem critérios mesmo, que tal o seguinte: quando juízes prenderem inocentes, ou soltarem culpados, que tal responsabilizar os mesmos criminalmente?

Ah, mas não pensem que estas maluquices acontecem só na Itália não...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A Avenida e o Brasil

Na última sexta-feira, estava eu no meu tradicional happy hour e o assunto se encaminhou para o desfecho da novela Avenida Brasil.
O núcleo dramático da novela: Carminha versus Nina.
Eu já havia presenciado este tipo de fenômeno antes, outras novelas tiveram efeito parecido.
Quem matou Salomão Ayala? Ora Edwin Luisi!
Mas a razão de tamanho efeito é algo que merecia ser estudado em detalhes. Há uma interação entre os espectadores e a novela (que pode ser medida em parte pela audiência), que, em casos como o da Avenida Brasil, galvaniza toda uma nação.
Corre a história que Escrava Isaura parou a China e mudou horário de jogos em Cuba.
Não pensem que isto é fenômeno brasileiro. Este efeito realmente atravessa fronteiras. Esta aí um tema que valia uma investigação acadêmica de verdade (o primeiro passo teria de ser deixar a ideologia na soleira da porta)

domingo, 21 de outubro de 2012

A Maldade Humana

Uma outra série que marcou época nos anos 70 foi Holocausto.

A minissérie tratava do genocídio visto sob a perspectiva de uma famílía: os Weiss.

Apesar do grande sucesso, o seriado sofreu muitas críticas.

Principalmente por trivializar o genocídio (e algumas de falta de acurácia histórica nos detalhes).

Eu discordo destas críticas. Foi justamente este seriado que me introduziu a um dos maiores crimes da segunda guerra mundial. Claro que depois fui descobrindo que este não foi o único crime, e nem apenas os alemães que foram carrascos. Mas isto é outra história...

sábado, 20 de outubro de 2012

Emmanuele, Sylvia Kristel e o Tempo

Faleceu na quinta-feira a atriz Sylvia Kristel, a famosa Emmanuelle. Lembro vagamente do filme.

Pelo trailer, já dá pare ver que o filme causou sensação. Mas hoje provavelmente poderia ser exibido na seção da tarde.

O filme foi baseado no romance de Emmanuelle Arsan (Marayat Andrianne)
Note que ela não é exatamente Caucasiana.
Que não tem nada a ver com Sylvia Kristel.
Dá para notar há certas diferenças em relação a Emmanuele Arsan original.
No entanto, o tempo não para. E a bela Sylvia de 1970 foi vivenciando o passar do tempo.
Tempo, tempo, tempo, tempo...
A lição aqui talvez possa ser sumarizada em um belo poema de Robert Herrick.


Gather ye rose-buds while ye may,
    Old Time is still a-flying:
And this same flower that smiles to-day,
To-morrow will be dying.

The glorious Lamp of Heaven, the Sun,
    The higher he's a-getting
The sooner will his race be run,
    And nearer he's to setting.

That age is best which is the first,
    When youth and blood are warmer:
But being spent, the worse, and worst
    Times, still succeed the former.

Then, be not coy, but use your time;
    And while ye may, go marry:
For having lost but once your prime,
    You may for ever tarry.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Horário de Verão II

Para que o leitor entenda um pouco de como a infantilização do debate pode ser usada de forma a deixar o mesmo simplista, eu apresento aqui o caso do horário de verão.
Não é questão de gostar ou não. A questão é para que serve!
O horário de verão começa no dia 21/10/2012 e vai até 17/02/2013.
Já falei em um post anterior que o horário não tem efeito igual em todo o país.
A razão é economia de energia.
Energia é a questão principal.
Vamos a infantilização:
Bandido: os malvados que impõe a população a arbitrariedade do horário de verão
Mocinho: a deputada distrital que quer trazer a decisão de ter ou não para a população.
Uma arbitrariedade!
Até as pobres criancinhas! Que horror!
Parece óbvio, não?

Mas o horário de verão também evita que sejam necessários investimentos em geração "não verde"! Então ao mesmo tempo, a adoção do horário de verão é uma forma de combater o aquecimento global (agora os bandidos viraram mocinhos).
Ixi, agora o ursinho está em perigo? Que horror!
Consequentemente (pela lógica do aquário),quem é contra o horário de verão são os preguiçosos que preferem que o mundo sofra um aquecimento global por conta (e aqui os mocinhos viraram bandidos).
Lógica do Aquário em Ação!
É... não parece mais tão óbvio assim, não é mesmo? Portanto: cuidado com os simplismos!

Infantilização do Debate

Saiu hoje no Correio Braziliense um artigo de opinião sobre a questão da descriminalização das drogas.

E depois de ler o mesmo posso concordar em um ponto: "Lamentavelmente, qualquer proposta nessa última direção tem sido vista como leviana, o que gera um sectarismo paralisante: de um lado, colocam-se os autoproclamados missionários do bem; de outro, os acusados de serem propagadores do mal. Quanto simplismo!"

No artigo, esta frase tem outro viés, mas revela uma característica importante: o debate infantilizado.
Nelson Rodrigues diria uma ou duas coisas sobre isso.
Sim, quando o leitor vê um debate em que os personagens encarnam bem versus mal, ou mocinhos versus bandido, estará provavelmente vendo um debate que foi simplificado ao tal ponto que virou estória para crianças. A simplificação ocorre quando o problema que se quer discutir é reduzido a pontos em que se permitam tomar decisões do tipo certo ou errado.
Exemplo de simplismo: Este #@%$ é mau e essa foto é a prova cabal!
Naturalmente, tudo é muito mais complicado.
Ixi! Imaginou que deu nó na cabeça de muita gente agora!
Ainda assim esta simplificação do debate é muito comum mesmo. Posso citar alguns debates importantes que são frequentemente infantilizados: drogas, aborto, pena de morte, penas perpétuas, público versus privado, e etc...
Há um oceano de conexões e efeitos que o simplismo não mostra.
Os argumentos são um primor: o fim da proibição irá acabar com o tráfico (meia verdade - contrabando sempre vai existir, vide drogas legalizadas), devemos proibir pois faz mal para saúde (meia verdade - há um número enorme de produtos que fazem mal para saúde e não são proibidos), devemos liberar pois outros produtos (meia verdade - não é porque um produto X é liberado que um produto Y também deva ser liberado), devemos liberar pois não conseguimos controlar as organizações criminosas (meia verdade - o problema aí é o produto ou as organizações criminosas?), devemos liberar pois há pessoas que usam estes produtos segundo sua religião (meia verdade - isto justifica para estas pessoas, mas e as demais?), devemos liberar pois há aplicações médicas de tais produtos (meia verdade - de novo, isto justifica para algumas pessoas, mas e as demais?).
Não é exatamente um exercício sério para o Tico e o Teco
E assim vai: debate infantilizado cheio de meias verdades, tentando desesperadamente "criar mocinhos e bandidos".
Zorro: bandido para os espanhóis e mocinho para os americanos!
A lição importante aqui não é que o debate precisa ser infantilizado para que as pessoas compreendam. A lição é que mesmo em temas complicados, as pessoas (e o leitor) devem compreender que há muitas questões envolvidas no debate, e que definir cursos de ação pode depender de situações específicas. Talvez penas de morte sejam soluções socialmente aceitáveis sob determinadas circunstâncias, talvez o aborto também, talvez a liberação de drogas, talvez a proibição de drogas... E assim vai.
E a zona de cinza é muito maior que as zonas de preto e branco combinadas.
O importante é que o leitor compreenda que o tema não pode ser reduzido a personagens de desenho animado. O importante é que só depois de compreender isto é que o leitor deve formar sua opinião.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Vandalismo ou Protesto?

O boneco do Tatu Bola na esplanada foi esfaqueado.

Por que?

Por quem?

Bem, vamos a resposta:

Os protestantes/vândalos deixaram também um texto.

Invasões Bárbaras

Vândalos invadiram a esplanada; bárbaros estrangeiros enfiando guela abaixo sete metros de material sintético vestindo o brasão das potências estrangeiras. Seguranças protegem o Tatu Cola, estandarte do exército inimigo, mas o verdadeiro tatu bola, sem segurança, continua em extinção.
A morte do Tatu Cola na Esplanada dos Ministérios não foi um ato de vandalismo nem um protesto contra a Coca Cola em si, muito menos contra os nomes estúpidos sugeridos para o infame boneco, como foi veiculado pela grande mídia. É claro que essa mídia corporativa, que recebe verba das grandes empresas e sobretudo o GDF, não iria refletir sobre o ato que na verdade foi uma expressão de repúdio aos grandes opressores e oportunistas que estão por trás do evento da Copa do Mundo no Brasil.
Pra quem é feita a copa? Os ingressos caros apenas poderão ser adquiridos por uma minoria rica (o fim da meia entrada já exclui os incômodos estudantes); o acarejé, Patrimônio Imaterial da cultura brasileira, não poderá ser comercializado pelas tradicionais baianas nas imediações dos estádios, pois lá só os patrocinadores oficiais da FIFA (Coca Cola e McDonalds) terão primazia para matar a fome de gols dos entusiasmados compatriotas.
Nas cidades sedes a população pobre é despejada violentamente das proximidades dos estádios. Em Brasília foram investidos 3 trilhões de reais nas obras de infraestrutura do mega evento, enquanto um Zé Ninguém espera semanas com o corpo cheio de fraturas expostas para uma cirurgia nos hospitais públicos. Os trabalhadores usam o pior transporte público do país para morrerem anônimos em obras superfaturadas. O país inteiro ainda clama por verbas para ter uma educação decente e este evento e seus patrocinadores ignoram as necessidades básicas da esmagadora maioria da população.
Por isso a “morte” do Tatu Cola não é um ato de vandalismo é uma resposta a todo cinismo, corrupção e violência que os verdadeiros vândalos das grandes empresas e do governo impõe, com ajuda da mídia, às vozes dissonantes.
Será que as crianças querem olhar o buraco de um tatu de plástico? Aplaudir um jogo comprado que sustenta a destruição dos nossos patrimônios naturais e culturais? Nós queremos futebol, mas queremos que o esporte seja a afirmação das nossas riquezas, a alegria do POVO, e não meio de enriquecimento ilícito de poucos e arma alienação em massa.


Minha opinião? Vandalismo mesmo. Apenas disfarçado de adolescentismo revoltista revolucionaróide.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Moendo Café com Soul Bossa Nova

Hoje trago uma música das antigas: Moliendo Café.

E aproveito também com outra de um gênero bem diferente: Soul Bossa Nova.

Também conhecida como a música do Austin Powers.