Depois de muito brincar, cheguei a um formato de prova que é, pelo menos teoricamente, à prova de cola. A idéia é simples: uma prova única por aplicante.
Se tivermos 100 aplicantes teremos 100 provas. Se não há correlação entre as provas então a cola torna-se nula.
Naturalmente, a implementação disto é que não é simples. Fazer 100 provas diferentes não correlacionada E COM O MESMO NÍVEL DE DIFICULDADE não é tarefa nada simples. Uma possibilidade é utilizar um banco de questões classificado de acordo com o nível de dificuldade para montar as diferentes provas.
Mas mesmo isso não é simples. A logística de elaborar 100 provas (sabe-se lá quantas questões por prova), montar estas provas e corrigi-las é impraticável exceto se as mesmas forem online.
E provas online tem todo o seu conjunto de problemas ainda para resolver. Se o pessoal se preocupa com cola em provas que demandam presença física, então não devem olhar com muita atenção para os problemas de cola com provas online.
Bom, então como resolver este problema?
Certamente existem diversas soluções, mas eu vou descrever a que eu decidi utilizar.
Em primeiro lugar, este tipo de prova é muito mais adequada a questões objetivas do que subjetivas. Então pode-se focar no uso de questões objetivas para cálculo rápido da nota e depois permitir uma "revisão" para verificar se os erros cometidos na marcação dos itens indicam falha no aprendizado, falha no entendimento, ou mesmo erros simples de conta ou similares. Alternativamente, pode-se permitir que os alunos façam questões similares a que erraram limitando o número de pontos possíveis.
Em segundo lugar, é quase inviável que numa turma de 64 alunos se tenha 64 provas totalmente diferentes montadas pelo professor. Mas é factível que se divida esta prova em 3 questões. Só que a questão 1 tem 4 versões, a questão 2 tem 4 versões e a questão 3 tem 4 versões. Assim temos o conjunto de questões:
- Q11, Q12, Q13, Q14 (questão 1)
- Q21, Q22, Q23, Q24 (questão 2)
- Q31, Q32, Q33, Q34 (questão 3)
Assim, podemos montar 64 provas diferentes. Claro que não serão totalmente diferentes, há conjuntos de provas que só irão diferir em apenas 1 questão, mas esse problema pode ser minimizado se as provas forem embaralhadas o suficiente. Vamos mostrar o caso de 1 prova para 8 alunos com três questões: Q11,Q12,Q21,Q22,Q31 e Q32. Teremos as seguintes combinações:
- Q11, Q21,Q31
- Q11,Q21,Q32
- Q11,Q22,Q31
- Q11,Q22,Q32
- Q12,Q21,Q31
- Q12,Q21,Q32
- Q12,Q22,Q31
- Q12,Q22,Q32
Ou seja 8 provas em que cada uma difere da outra por pelo menos uma questão. A probabilidade de um aluno ter a questão Q11 é 1/2, Q21 é 1/2 e Q31 é 1/2. Note que, se arranjarmos os oito alunos em um esquema quadrado:
X X X
X - X
X X X
E nos preocuparmos somente com os vizinhos dos lados temos a seguinte situação: o colega do lado poderia no máximo ter duas das três questões iguais ao aluno. Isto quer dizer que se o nosso estudante tem o conjunto Q11,Q21 e Q31, então seu colega do lado só poderá ter uma das 7 possibilidades listadas acima. Vamos contar quais dessas possibilidades tem pelo menos duas iguais:
- Q11, Q22, Q31 (questão 2 diferente)
- Q11, Q21, Q32 (questão 3 diferente)
- Q12, Q21,Q31 (questão 1 diferente)
Ou seja, há 3 chances em 7 de que o colega do lado tem uma prova que ele possa aproveitar 2 questões. Assim há uma probabilidade de 3/7 (43%). que ele possa aproveitar 66% da prova ao seu lado. No caso da chance de pelo menos 1 questão igual este número é 7/8 (87.5%).
Já com outro vizinho as possibilidades aumentam. A chance de ter pelo menos uma questão igual é 98.74%.
Podemos melhorar isso? Sim, basta aumentar o número de combinações. No caso das 64 provas, as chances de que ele possa aproveitar duas questões são:
- Q11, Q22, Q31
- Q11, Q23, Q31
- Q11, Q24,Q31
- Q11, Q21, Q32
- Q11,Q21, Q33
- Q11,Q21,Q34
- Q12,Q21,Q31
- Q13,Q21,Q31
- Q14,Q21,Q31
Ou seja, 9 em 64 (14.1%). E claro, com 8 variações por questão é possível fazer com que haja exatamente 0% de chance que outro aluno tenha uma prova igual.
Dá trabalho, mas funciona.