terça-feira, 14 de abril de 2015

Sobre a terceirização e o subterfúgio

Esta em pauta a discussão sobre o projeto de terceirização. O projeto em si - PL 4330/2004 -  já tem 10 anos de casa. E claro as pessoas se polarizaram fortemente a favor ou contra.

É absolutamente desnecessário dizer que a imensa maioria não leu absolutamente nada do projeto em si.

Estes apenas repetem as opiniões de suas fontes prediletas.

O projeto em si é pequeno (7 páginas - 20 artigos). Vou até colocar aqui.

Mas antes o ponto principal desse post: não só a maioria das pessoas estão repetindo feito papagaios suas fontes favoritas (seja a CUT ou a CIESP), mas os que não estão fazendo uma "divulgação seletiva" dos motivos pela sua posição.

O que é isso? Bem, eu suspeito que os motivos reais pelo apoio ou oposição ao projeto não são os que estão sendo divulgados. Mas isso é assunto bem delicado e razoavelmente complexo. O que suspeito é que quando a CUT defende os terceirizados, ela está defendendo seus interesses e não os dos trabalhadores. E da mesma forma, a CIESP está defendendo seus interesses e não o do país.

O que acho que seja verdade? Bem, o processo acaba com parte de uma bizarrice brasileira - a responsabilidade solidária (belo nome com efeitos não tão belos assim), torna um pouco menos estável a situação de empregados, torna um pouco mais fácil empregar e ser empregado, torna um pouco mais bizarra a situação de alguns orgãos públicos - que podem terceirizar sua atividade fim (então para que o orgão existe se sua atividade é terceirizada, afinal de contas? Só para pendurar o emprego dos gestores?) e pode acabar com alguns concursos que iriam ocorrer no futuro próximo.

Mas o fato é que a terceirização já existe há muito tempo. A diferença é que, via de regra, não é na atividade fim da empresa.

Moral da história: desconfiem quando o motivo alegado para ser a favor ou contra algo ser por solidariedade.

Via de regra isso é uma mentira.

Em tempo: o texto do projeto (depois eu comento em detalhes):

Art. 1º Esta lei regula o contrato de prestação de serviços terceirizados e as relações de trabalho dele decorrentes.
§ 1º É vedada a intermediação de mão de obra.
§ 2º O disposto nesta lei aplica-se às empresas privadas e também:
I – integralmente, às empresas públicas e sociedades de economia mista, bem como às suas subsidiárias e controladas, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
II – no que couber, aos órgãos da administração direta, aos fundos especiais, às autarquias, às fundações públicas e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
§ 3º Aplica-se subsidiariamente ao contrato de que trata esta Lei o disposto no Código Civil, em especial os arts. 421 a 480.

Art. 2º Para os fins desta lei, considera-se:
I – contratante: a pessoa física ou jurídica que, como tomadora dos serviços, celebra contrato de prestação de serviços terceirizados determinados e específicos com empresa prestadora de serviços a terceiros, nos locais determinados no contrato ou em seus aditivos;
II – contratada: a empresa prestadora de serviços especializados, que presta serviços terceirizados determinados e específicos, relacionados a quaisquer atividades do tomador de serviços.
§ 1º A especialização da contratada será comprovada mediante documentos constantes do contrato de prestação de serviços terceirizados que atestem que a prestação anterior de serviços semelhantes ou por documentos que atestem a existência de empregados qualificados no seu quadro de pessoal, que atendam os requisitos fixados no contrato.
§ 2º A contratada deverá ter objeto social único, sendo permitido mais de um objeto apenas quando este se referir a atividades que recaiam na mesma área de especialização.
§ 3º A contratada é responsável pelo planejamento e pela execução dos serviços, nos termos previstos no contrato com a contratante.
§ 4º A contratada contrata, remunera e dirige o trabalho realizado por seus empregados ou subcontrata outra empresa ou profissionais para realização desses serviços.
§ 5º As exigências de especialização, constantes do inciso II do caput deste artigo, e de objeto social único, prevista no § 2° deste artigo, não se aplicam às atividades de prestação de serviços de correspondente bancário e de correspondente postal.

Art. 3º São requisitos para o funcionamento da empresa de prestação de serviços a terceiros:
I – inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ);
II – registro na Junta Comercial;
III – capital social compatível com o número de empregados, observando-se os seguintes parâmetros:
a) empresas que não possuam empregados: sem exigência de capital mínimo;
b) empresas com até dez empregados: capital mínimo de R$ 10.000,00 (dez mil reais);
c) empresas que tenham de onze a cinquenta empregados: capital mínimo de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais);
d) empresas que tenham de cinquenta e um a cem empregados: capital mínimo de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais);
e) empresas que tenham de cento e um a quinhentos empregados: capital mínimo de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais); e
f) empresas com mais de quinhentos empregados: capital mínimo de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).
§ 1º O valor do capital social de que trata o inciso III deste artigo será reajustado:
I – no mês de publicação desta lei, pela variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), verificada de novembro de 2011, inclusive, ao mês imediatamente anterior ao do início de vigência desta lei;
II – anualmente, a partir do ano subsequente ao do reajuste mencionado no inciso anterior, no mês correspondente ao da publicação desta lei, pela variação acumulada do INPC nos doze meses imediatamente anteriores.
§ 2º A empresa terá o prazo de cento e oitenta dias para integralizar o seu capital social quando de sua constituição.
§ 3º Quando houver necessidade de adequação do capital social em decorrência da variação do número de empregados, a empresa terá prazo de cento e oitenta dias, ou até trinta dias antes de
encerramento do contrato, para integralizar o capital social, prevalecendo o primeiro que for atingido.

Art. 4º Não se forma vínculo de emprego entre a contratante e os empregados da contratada, exceto se configurados os requisitos do art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo
Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943.

Art. 5º Além das cláusulas inerentes a qualquer contrato, deverão constar do contrato de prestação de serviços terceirizados:
I – a especificação do serviço a ser prestado;
II – o local e o prazo para realização do serviço, quando for o caso;
III – a exigência de prestação de garantia em valor correspondente a oito por cento do valor do contrato, limitada a um mês de faturamento;
IV – a obrigatoriedade de fiscalização, pela contratante, do cumprimento das obrigações trabalhistas decorrentes do contrato, na forma do art. 10 desta Lei;
V – a possibilidade de interrupção do pagamento dos serviços contratados, por parte da contratante, se for constatado o inadimplemento, pela contratada, das obrigações trabalhistas decorrentes do contrato.
§ 1º É nula de pleno direito a cláusula que proibir a contratação, pela contratante, de empregado da contratada.
§ 2º Para o atendimento da exigência a que se refere o inciso III deste artigo, caberá à contratada optar por uma das seguintes modalidades de garantia:
a) caução em dinheiro;
b) seguro-garantia; ou
c) fiança bancária.
§ 3º Para fins de liberação da garantia, a contratada deverá apresentar à contratante comprovante de recolhimento das contribuições para previdência social e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de quitação das verbas rescisórias dos empregados dispensados até o término da prestação de serviços e que efetivamente tenham participado da execução dos serviços contratados, observado, no que diz respeito à Administração Pública, o que dispõe a Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.

Art. 6º São permitidas sucessivas contratações do empregado por diferentes contratadas que prestem serviços à mesma contratante de forma consecutiva.
§ 1º Na hipótese prevista no caput deste artigo, é obrigatória a observância do descanso legal a que faz jus o empregado a título de férias.
§ 2º É de responsabilidade da nova contratada como prestadora de serviços terceirizados a concessão das férias a que se refere o §1º deste artigo.

Art. 7º É vedada à contratante a utilização dos empregados da contratada em atividades distintas daquelas que foram objeto do contrato.

Art. 8º São asseguradas aos empregados da contratada, quando e enquanto os serviços forem executados nas dependências da contratante ou em local por ela designado, as mesmas condições relativas à alimentação garantidas aos empregados da contratante, quando oferecidos em refeitórios, além do direito de utilizar os serviços de transporte e de atendimento médico ou ambulatorial existentes nas dependências da contratante ou local por ela designado.
§ 1º Se a contratante não dispuser dos serviços discriminados no caput deste artigo, serão assegurados ao empregado da contratada os benefícios acordados no contrato, garantido o estabelecido em convenção ou acordo coletivo de trabalho da categoria da contratada.
§ 2º Na hipótese de contratos de empreitada que importem em mobilização de um número de contratados igual ou superior a 20% (vinte por cento) dos funcionários da contratante, com vistas a manter o pleno funcionamento dos serviços de alimentação e atendimento ambulatorial existentes, poderá a contratante disponibilizar tais serviços em outros locais apropriados e com igual padrão de atendimento para os empregados da contratada.

Art. 9º É responsabilidade subsidiária da contratante garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos empregados da contratada, enquanto estes estiverem a seu serviço e em suas dependências ou em local por ela designado.

Art. 10. O inadimplemento das obrigações trabalhistas e previdenciárias por parte da contratada implica a responsabilidade subsidiária da contratante quanto aos empregados que efetivamente participarem da execução dos serviços terceirizados, durante o período e nos limites da execução do serviço contratado, salvo se não houver fiscalização, pela contratante, do cumprimento destas obrigações, hipótese na qual a responsabilidade será solidária.
§ 1º Entende-se por fiscalização, para efeitos deste artigo, a exigência pela contratante, na periodicidade prevista no contrato de prestação de serviços terceirizados, dos comprovantes de cumprimento das seguintes obrigações, em relação aos empregados da contratada envolvidos na efetiva prestação laboral e durante o respectivo período de atuação:
I – pagamento de salários, adicionais, repouso semanal remunerado e décimo terceiro salário;
II – concessão de férias remuneradas e pagamento do respectivo adicional;
III – concessão do vale-transporte, quando for devido; 
IV – depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço;
V – pagamento de verbas rescisórias dos empregados dispensados até a data da extinção do contrato de prestação de serviços terceirizados por qualquer motivo.
§ 2º Constatada qualquer irregularidade quando da fiscalização a que se refere este artigo, a contratante comunicará o fato à contratada e reterá o pagamento da fatura mensal, em valor proporcional ao inadimplemento, até que a situação seja regularizada.
§ 3º Em caso de interrupção de pagamento motivado pelo disposto no § 2º deste artigo, deverá a contratante depositar o valor retido em conta bancária específica, em seu nome, e notificar a contratada, em vinte e quatro horas, as razões da retenção, anexando o comprovante de depósito.
§ 4º Caracteriza-se como apropriação indébita, na forma do art. 168 do Código Penal, aprovado pelo Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, a retenção de má-fé ou a falta do depósito do valor retido em conta específica, na forma do § 3º deste artigo.

Art. 11. O disposto nos arts. 9º e 10 desta Lei não se aplica aos contratos de empreitada, salvo quando o dono da obra for construtor ou incorporador, continuando os contratos de subempreitada a serem regidos pelo art. 455 da Consolidação das Leis do Trabalho.

Art. 12. É vedada a contratação de prestação de serviços terceirizados para a execução de atividades exclusivas de Estado e, no caso da administração direta, outras inerentes às categorias funcionais abrangidas pelos seus planos de cargos, salvo quando se tratar de cargo extinto, total ou parcialmente, no âmbito do quadro geral de pessoal. 

Art. 13. Os órgãos e entidades da Administração Pública especificados no art. 1º, § 1º, incisos I e II, desta lei promoverão a revisão do valor dos contratos de prestação de serviços terceirizados, visando à manutenção de seu equilíbrio econômico-financeiro:
I – na data-base e com a periodicidade de reajustamento de preços previsto no contrato; e 
II – na data-base das categorias dos empregados da contratada, quando houver reajuste de seus salários, respeitando as planilhas de preços.

Art. 14. O atraso injustificado no pagamento dos valores previstos nos contratos administrativos sujeita o órgão ou entidade da Administração Pública à responsabilidade solidária pelo inadimplemento das obrigações trabalhistas da contratada e o gestor do contrato à responsabilização por ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da Administração Pública, nos termos da legislação vigente.

Art. 15. É vedada a utilização da licitação na modalidade de pregão, na forma eletrônica, quando o valor referente à mão de obra, no contrato de prestação de serviços terceirizados, for igual ou superior a cinquenta por cento de seu valor total.

Art. 16. O recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos empregados envolvidos no contrato de prestação de serviços terceirizados observa o disposto no art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.

Art. 17. O disposto nesta lei não se aplica à prestação de serviços de natureza doméstica, assim entendidos aqueles fornecidos à pessoa física ou à família no âmbito residencial destas.

Art. 18. O descumprimento do disposto nesta lei sujeita a empresa infratora ao pagamento de multa administrativa em valor correspondente ao piso salarial da categoria, por trabalhador prejudicado, salvo se já houver previsão legal de multa específica para a infração verificada.

Parágrafo único. A fiscalização, a autuação e o processo de imposição de multas reger-se-ão pelo Título VII da Consolidação das Leis do Trabalho.

Art. 19. O art. 71 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, passa a vigorar com a seguinte alteração:
“Art. 71. ..............................................................................
§ 1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos fiscais e comerciais, não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis.
...................................................................................” (NR)

Art. 20. Os contratos em vigência deverão ser adequados aos termos desta Lei no prazo de um ano a partir de sua entrada em vigor 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Sobre a abstenção em eleições

Eu tenho lido um bocado de "análises" das mais variadas fontes sobre a legitimidade do governo Dilma 2014-2018.

Uma das que me irrita particularmente é a dos milhões que não votaram em Dilma. Bom, só isto já é um pouco de distorção da verdade. O pessoal calcula este percentual somando os votos do outro candidato com os que não votaram em nenhum (brancos), os que anularam o voto (ou tiveram seu voto anulado - nulos) e os que não votaram de jeito nenhum (abstenções)

Dos cerca de 142 milhões de brasileiros aptos a votar, 1.9 milhões votaram em branco, 5.2 milhões votaram nulo e 30.1 milhões não votaram!

Eu acho isso bem interessante: Por que cerca de 21.1% dos eleitores não votaram? É por causa da polarização? É por causa da qualidade dos candidatos? É por causa que "nenhum candidato me representa"?

Não creio que seja nenhuma dessas razões.

  • Em 1989 a abstenção foi de 12% no primeiro turno e 14% no segundo turno
  • Em 1994 a abstenção foi de 29% (só houve primeiro turno)
  • Em 1998 a abstenção foi de 22% (só houve primeiro turno)
  • Em 2002 a abstenção foi de 18% no primeiro turno e 21% no segundo turno
  • Em 2006 a abstenção foi de 17% no primeiro turno e 19% no segundo turno
  • Em 2010 a abstenção foi de 18% no primeiro turno e 22% no segundo turno
  • Em 2014 a abstenção foi de 19% no primeiro turno e 21% no segundo turno

Quero que o leitor perceba que cerca de 20% dos eleitores não vota! E isso praticamente não varia desde 1989. Este número teve um pico em 1994. E de lá para cá se estacionou em 20%. Note que 21% em 2002 são 20.5 milhões, já em 2014 são 30 milhões
O mais interessante: esse percentual independe dos candidatos.

Como analisar isso? Bem, fica difícil dizer que é por causa da descrença nos candidatos, já que este percentual é praticamente constante (a impressão é que o candidato parece uma variável não correlacionada).

Olhando algumas tabelas temos algo interessante:
  • Em 1985 o eleitorado era 51% da população
  • Em 1994 este número passou a 62% da população
  • Em 1998 passou a 65% da população e tem aumentado vagarosamente até hoje
Se olharmos por estado também vamos ver abstenções praticamente iguais a 20% na maioria dos estados no primeiro e segundo turnos de 2014:
  • Piauí - 19%-22%
  • Maranhão - 23% - 27%
  • Ceará - 20% - 22%
  • Bahia - 23% - 25%
  • Rio Grande do Norte - 17%-18%
  • Paraíba - 18%-18%
  • Sergipe - 15%-16%
  • Amazonas - 19%-23%
  • Pará - 21%- 25%
  • Amapá - 10%- 15%
  • Tocantins - 20%-25%
  • Alagoas - 19%-20%
  • Minas Gerais - 20%-21%
  • Rio Grande do Sul - 17%
  • Rio de Janeiro - 20%-22%
  • Santa Catarina - 16%-18%
  • Paraná - 17%-18%
  • Rondônia - 21%-24%
  • Mato Grosso - 23%-23%
  • São Paulo - 20%-21%
  • Roraima - 12%-16%
  • Goiás - 19%-22%
  • Mato Grosso do Sul - 21%-23%
  • Distrito Federal - 12%-13%
  • Espírito Santo - 19%-22%
  • Pernambuco - 16%-18%
  • Acre - 17%-22%
Ou seja, há variações, mas elas não são tão grandes em termos numéricos (a maioria na vizinhança de 2%).

Hoje, eu estou convencido que a questão da abstenção é uma das mais relevantes para as eleições no Brasil. Ainda vou voltar a este tema no futuro. Deixo aqui este link e este link para referências futuras.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

E ainda inflação

Saiu a inflação de março: 1.32%

O que dizer? Bem, a meta de inflação de 6.5% ficou substancialmente mais difícil agora. Aliás, com os índices de janeiro, fevereiro e março já temos acumulado em 2015 perto de 3.9%.

Isso quer dizer que para cumprir a meta de 6.5% ao ano teríamos de ter no máximo 0.28% de inflação mensal daqui até o final de 2015. Acho isto muito improvável.

Sendo um pouco mais realista, supondo em média 0.5% ao mês até o fim do ano temos 8.5% para 2015.

Pessoalmente acho que não seria grande surpresa se terminasse na vizinhança de 10%.

PS: Ainda dá para diminuir, mas este ano eu acho muito difícil

sexta-feira, 27 de março de 2015

Sobre inflação

Bem, não tem como dourar a pílula: a coisa ainda pode piorar bastante para o lado da inflação.

Se tudo seguir como antes - ou seja na média da inflação do governo Dilma:
DEZ5,91%6,50%5,84% 5,91%  6,41%
Temos uma média de 6.1% aproximadamente. O que dá perto de 0.5% ao mês. Como já temos 1.24% em janeiro e 1.22% em fevereiro, teremos pelo menos 7.46% de inflação acumulada até dezembro.

O topo da meta de 6.5% não deve ser cumprido. Vou investigar sobre pior e melhor cenário nestas circunstâncias.

Mas não dá para ser muito otimista não.

PS: Inflação de 7 a 15% não é o fim do mundo não. Há espaço para recuperação, mas para fazer isso tem que mudar muita coisa - e isso vai desagradar muita gente mesmo.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Sobre a manifestação e o futuro

Como já havia dito antes, eu tinha planos para ir na manifestação de domingo.

E isso nada tinha a ver com golpe, impeachment ou coisa parecida. Era mesmo para expressar insatisfação com a situação - e, quiça, deixar claro que a mentira não teria a mesma tolerância usual.

Bem, eu fui. Foi bastante interessante e tinha muita gente.
Foto de http://leiase.com.br/protestos-se-espalham-pelo-brasil/ 
Quantas pessoas? Não faço ideia. Creio que ocuparam parte da área do congresso nacional (cerca de 150 por 200 metros - ou cerca de 30 mil metros quadrados). Supondo 1 pessoa por metro quadrado dá cerca de 30 mil pessoas). Se supormos mais pessoas por metro quadrado, este número aumenta.

Já em São Paulo fala-se em algo entre 200 mil e 1 milhão de pessoas.

Mas os números não são importantes em si.

A importância é o recado que foi dado: insatisfação.

Claro que haviam outras agendas (intervenção militar - cruz credo, impeachment, prisão, e etc...).

Mas a pauta comum foi insatisfação.

Depois disso eu tive que ler o que outros escreveram a respeito. Mas isso eu entro em detalhes em outro post.

sábado, 7 de março de 2015

Sobre um impeachment

Bom, vou deixar claro uma coisa: eu planejo ir na manifestação de 15 de março, mas sou contrário ao impeachment da atual presidente.

É uma contradição? Bom, em termos. Não acredito que as informações até agora divulgadas sejam justificativa suficiente para um impeachment. Claro que com mais informações pode ser que isso mude como vejo a situação.

Mas pretendo ir mesmo assim. A razão? Acredito que é necessário demonstrar que a insatisfação é generalizada. Não creio em impeachment, mas creio que a população pode e deve mostrar quando não está satisfeita com o andar da carruagem.

E por população, eu não estou falando das figurinhas carimbadas que se auto intitulam de movimentos sociais - sendo que na verdade são compostos primariamente de pessoas pertencentes a classe alta que se consideram arautos do pensamento do povo.

A verdade é que o melhor para todos é que a atual presidente siga com seu mandato até o término. Mesmo que o final seja bem pior do que o começo.


Por que? Simples, se houver impeachment teremos um acirramento das tensões já existentes. Mas se tudo seguir conforme o programada, as chances são que o grupo político atualmente no poder seja defenestrado nas próximas eleições - ficando fora do poder possivelmente por um longo, longo tempo.

E Lula? O que acontecerá se ele concorrer em 2018? Aí eu digo o seguinte: as chances são que um processo de impeachment, por mais legítimo que fosse, iria facilitar e fortalecer a candidatura do mesmo. Ao contrário do que aconteceria se as coisas fosse deixadas seguir seu ritmo natural.

Isso é como vejo as coisas.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Olhando no Espelho

Por uma dessas coincidências do destino, encontrei um discurso de Gloria Alvarez que toca fundo em um dos maiores (se não for o maior) problemas aqui na America Latina.

O texto está aqui.

Minha opinião? Ah... Infelizmente a tecnologia não costuma funcionar assim. É verdade que ela acaba com problemas, mas ao mesmo tempo costuma criar outros tantos.

Não acredito que o populismo possa ser eliminado pela tecnologia. Muito pelo contrário: acredito que novas formas de populismo irão surgir através do uso da tecnologia.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Problemas com a inflação

A inflação de janeiro de 2015 chegou a 1.24%. Isto é um problema ou não?

Bem, o modelo que usei para as últimas previsões tomava os últimos 12 anos como base para os cálculos estatísticos. Então este ponto não pode ser predito com acurácia pelo modelo. Isto quer dizer que o modelo tem média 0.45% e desvio 0.2%. Mas há uma componente sazonal (de doze anos) com amplitude 0.17%.

Isto quer dizer que o valor deveria ficar (dentro de um desvio padrão) entre 0.45+0.2+0.17= 0.81% e 0.45-0.2+0.17=0.42%

Se assumissemos normalidade então o valor ficaria entre 1.22% e 0.02% (Com mais de 99% de confiança).

Mas o fato é que suposição de normalidade (que não pode ser verificada devido ao pequeno número de dados) é um pouco forte.

Se olharmos a série do IPCA, veremos que este é o maior valor desde 2003 e o quarto valor mais alto desde o plano real. Não dá para dizer muito, mas é possível fazer um chute educado.

  • Em 1995, a inflação em janeiro foi de 1.7% e o total do ano ficou em 22.4%
  • Em 1996, a inflação em janeiro foi de 1.3% e o total do ano ficou em 9.6%
  • Em 2003, a inflação em janeiro foi de 2.3% e o total do ano ficou em 9.3%
Via de regra, uma inflação de 1% ao mês resulta em 12.7% ao ano. E uma inflação de 2% ao mês resulta em 26.8%.

Então como ficamos? É possível ter uma inflação em janeiro maior que 1% e terminar o ano com menos de 10%? Sim! Foi o que aconteceu em 1996, 1997 e 2003.

Não é impossível, mas não é exatamente fácil - exige arrocho.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Jogando para Empatar

"Bem RAX, você sempre fala de estatística. Mas tem alguma coisa aí que pode me ajudar a ganhar em um Casino?"

Aposto que alguns leitores já pensaram sobre a questão acima.

A resposta é... SIM

Mas como eu não quero levar ninguém a ruína, vou ensinar com o empatar SEMPRE em um jogo.

Claro que existem simplificações importantes, a primeira delas é que vou apresentar um modo para o jogo de cara ou coroa - mas isso pode ser generalizado para qualquer jogo. As outras simplificações tem maiores consequências: tanto o jogador quanto o Casino tem quantidade virtualmente ilimitada de dinheiro e o jogo é puramente de chance.

Regra fundamental:  QUANDO GANHAR, PARE IMEDIATAMENTE

Então vamos ao exemplo: cara ou coroa

  • Na primeira jogada, a aposta é de 1 real. Caso ele perca, terá perdido R$ 1,00. Caso ganhe, ele ganha R$ 2,00. Se ele ganhou, saiu no lucro com R$ 1,00 e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na segunda jogada, a aposta é de 1 real. Caso ele perca, terá perdido R$ 2,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$ 2,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na terceira jogada, a aposta é de 2 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 4,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$4,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na quarta jogada, a aposta é de 4 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 8,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$8,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na quinta jogada, a aposta é de 8 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 16,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$16,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na sexta jogada, a aposta é de 16 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 32,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$32,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na sétima jogada, a aposta é de 32 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 64,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$64,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na oitava jogada, a aposta é de 64 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 128,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$128,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na nona jogada, a aposta é de 128 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 256,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$256,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na décima jogada, a aposta é de 256 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 512,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$512,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
E assim por diante...

Claro que a pergunta vem a mente: " Mas o que garante que em 10 jogadas eu irei ganhar?"

De novo as probabilidades: a chance de perder 10 vezes consecutivas é 1/1024 - ou menos de 0.1%.

Não tem erro...

"Mas RAX, e isso é cara ou coroa. Você não tem algo para roleta por exemplo?"

Esta técnica pode ser usada com modificações na roleta apostando no vermelho/preto (há o zero e o duplo zero que estragam um pouco - mas nem tanto assim). Mas note que as apostas sobem com 2^(N-2). Ou seja, lá pela décima sgunda jogada é necessário que o jogador aposta R$ 1024,00 e na vigésima-segunda jogada o jogador deve apostar R$ 1.048.576,00

sábado, 17 de janeiro de 2015

Inflação de 2014

Então como as previsões se comportaram?
  • Para novembro a previsão foi de 0.53% [0.34,0.72]e a realidade foi de 0.51%
  • Para dezembro a previsão foi de 0.59% [0.4,0.78] e a realidade foi de 0.78%
E o resultado anual?
  • A previsão foi de 6.2% [5.8,6.6] e a realidade foi de 6.4%
Nada mal

Sem juros?

Bem, isso não existe. O preço à vista e o preço parcelado não podem ser iguais. A razão é que o valor à vista pode ser atingido após um tempo simplesmente aplicando o dinheiro.

Existe um custo associado a diferença entre pagar na hora e pagar em prestações.

Mas então como é que várias lojas fazem isso?

Bom, a verdade é que o preço "à vista" já inclui o valor do juro. Geralmente por um período de 6 meses (mas podendo ser maior).

Então qual é o preço real.

Bem, é possível calcular. Mas em um ambiente de inflação baixa é de supor que o mesmo contém pelo menos a inflação do período.

Supondo 6% a inflação anual temos então algo como 3% em seis meses (próximo disso, pelo menos). Então para cada R$ 1,00 do custo temos algo como R$ 0,97 no custo "verdadeiro".

Mas isso é só assumindo a inflação. Assumindo a SELIC temos algo na vizinhança de R$ 0,95 para cada R$ 1,00.

Dado que a SELIC é a taxa básica, não é de se supreender se o valor esteja entre R$ 0,90 e R$ 0,95 para cada R$ 1,00.

Então, qual o valor real?

Simples basta multiplicar o valor "à vista" por 0,95 no caso de 6 meses, e o leitor terá uma boa idéia do valor real. Já para um ano multiplique por 0,9

Assim esta TV de R$ 2879,10 tem o seu valor real próximo a R$ 2591,20

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Charlie Hebdo e a Liberdade de Expressão

Após o terrível ato terrorista contra o Jornal Satírico Charlie Hebdo estamos vivendo uma situação muito curiosa e, poderíamos dizer, até cômica se olhada na posição de um extraterrestre que estivesse visitando nosso país.

Estamos na situação da "Liberdade de Expressão, mas..."

E aí eu tenho que deixar bem claro: os que falam este "mas" em sentenças correlatas não são a favor da liberdade de expressão.

Eles são a favor de "certas liberdades de expressão".

Geralmente, estas estão ligadas aos interesses dessas pessoas e grupos. Qualquer coisa fora disso não é considerado "sagrado".

Perceba, caro leitor, liberdade de expressão implica em responsabilidade também. Caso esta comece a prejudicar as pessoas, ou instituições (calúnia é um exemplo que vem a mente), os prejudicados sempre podem exigir reparação judicial.

Bem, pelo menos essa é a teoria. Na prática, a coisa é bem mais complicada (a justiça, por exemplo, nem sempre é confiável - em particular aqui na terrinha).

Ainda com essa questão da justiça poder falhar, a liberdade de expressão não pode e não deve ser cerceada por causa disso.

E claro, vários grupos islâmicos de enorme poder econômico poderiam ter retalidado economicamente, tudo dentro da lei.

Já sair por aí atirando em quem fala o que não gostamos - bem, isso está errado.

Mas há outro problema aí - nesse atentado há duas forças que fazem o tico e o teco dos "detentores do bem maior" entrar em curto: os grupos islâmicos são minorias (não são) e oprimidos (também não são - alguns grupos são, mas nem todos). Portanto temos o caso de um oprimido se virando contra um opressor, não?

Eh... não!

Os oprimidos nesse caso é o que estavam do lado errado das AK-47 usadas no crime. Só que eles eram brancos, bem de vida e... isso bagunça o "bem e o mal" na cabeça das pessoas.

Então, caro leitor, você deve ter lido ao lado do "Je suis Charlie", alguns "Je ne suis pas Charlie". As vezes falando obliquamente, as vezes falando claramente que as vítimas na realidade são culpadas pelo que aconteceu.

Bem, em defesa desse pessoal: Usar a liberdade de expressão requer um bocado de coragem em algumas situações. E por vezes que a usa se queima (figurativamente e por vezes literalmente). E ficar meio no seu canto, ou em cima do muro, é conveniente e pode levar a uma vida longa.

E por fim existem os defensores da liberdade de expressão desde que não aqui. Esses são de longe os mais cômicos: eles acham um absurdo o que aconteceu na França, mas quando o caso é no Brasil, para eles a situação é diferente. Um caso que vem a mente foi o de Rafinha Bastos com suas piadas sem graça.

Mas a lista é longa (Bolsonaro, Jean Willys, etc...).

Ah, e quase tinha me esquecido: existe mais um caso - o do relativista sem vergonha. Por que sem vergonha? Porque normalmente começa falando "Ah, mas no país XXX morreram 10, 100 ou 1000 vezes mais que na França no mesmo dia."

Bom, isso não justifica, redime, ou move uma palha sobre o que aconteceu na França.

Normalmente, é simplesmente uma forma de mostrar "superioridade moral" indicando que o destaque de um massacre foi menor do que o de outro massacre.

Na boa... alguém acredita mesmo que isso é argumento que se use?

Sim, caro leitor, eu realmente estou de saco cheio dessas pessoas. E por esse motivo estou colocando aqui as motivações reais delas.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Quando o cientista vira ativista

Esse é o pesadelo social transformado em realidade: quando o cientista vira ativista, ele costuma deixar a ciência de lado e torna-se mais um pregador do que um cientista.

Exagero?

Vejamos alguns casos...

O primeiro é particularmente interessante pois está ligado a questão da dieta das pessoas. Ok, verdadeiro ou falso? Gorduras saturadas são a principal causa de ataques cardíacos!

Essa é fácil, né?

Não é verdade (quem já leu este blog já encontrou uma postagem interessante sobre esse ponto antes). O problema é que Ancel Keys se convenceu, e convenceu praticamente todo mundo que isso era o que acontecia. Através de um estudo, ele praticamente criou a "certeza".

Só que a ciência não parou. E o que vemos hoje foi que as convicções de um homem (em conjunto com de outros) criaram a lipofobia.

Bem, em defesa dele, há muito que não se entende a respeito de como o corpo humano assimila os alimentos. Mas o ponto é que a "verdade científica" foi substituída pelas convicções de uma pessoa.

Mas esse não é de longe nem o único caso...

Sal, por exemplo, é outro. Graças Lewis Dahl todo mundo ficou apavorado com os efeitos perniciosos do sal. E, naturalmente, a coisa não é bem assim.

Só que agora, o dano está feito...

Outro exemplo?

Que tal, Óleo de Peixe prevente doenças cardiacas? Pois é, Jorn Deyerberg fez um estudo a respeito.  Só que a base de estudo era um tanto quanto fraca.

Bem, pelo menos a indústria do tal Omega-3 ganhou um fólego antes inexistente...

E a lista continua...

Ano Novo, Vida Nova

Como o ano de 2014 foi marcado por uma intensa falta de postagens no blog, vou tentar mudar um pouco em 2015.

A bem da verdade, em parte, eu estava um tanto cansado com que via nas mídias sociais. Eleições - principalmente!

Então vamos começar o Ano Novo com posts novos (além deste de Boas Vindas).

Então vamos começar!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Sobre anonimidade

No dia de hoje recebi a notícia que um auditor da ANEEL foi detido na suspeita de propina.

Bem, isso não é insuspeito no Brasil, então por que eu estaria trazendo isso como postagem?

O ponto dessa postagem não é tanto sobre a prisão, mas como é simples encontrar informação a respeito de alguém a partir de pequenos pedaços. Neste caso:
Qual a lição de tudo isso? Muito cuidado com a informação nos dias de hoje.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Descontruindo a Desconstrução IV

Caros leitores, hoje vamos dar uma olhada na dívida do FMI
Então, Lula pagou a dívida com o FMI?  A resposta simples é sim.

Mas tem alguns poréns:

  1. Pagar a dívida com o FMI não é o mesmo que pagar a dívida externa. Na realidade, as duas coisas são muito diferentes: "O Brasil saldou em dezembro passado, de maneira antecipada, toda a dívida que havia contraído com o FMI por US$ 15,57 bilhões. Esse era o valor que restava ser pago em 2006 e 2007 de um empréstimo de US$ 41,75 bilhões negociado com a entidade multilateral em 2002."
  2. Mesmo dentro das "esquerdas" este pagamento não foi exatamente comemorado na época.
  3. Na realidade, tanto o pagamento da dívida pública externa quanto do empréstimo do FMI foram feitos com emissão de títulos públicos, ou seja aumento da dívida interna.

Então o que foi falado é verdade? Bem, estritamente falando o empréstimo com o FMI realmente foi pago. E quanto ao preço? Bem, aí o Leitor decide...

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Sobre Inflação

Eu parei de postar sobre inflação desde agosto. A verdade é que eu fiquei com preguiça.

Então vou me colocar em dia.
  • IPCA previsto de Agosto: 0.31% (intervalo entre 0.12 e 0.5%). Valor real: 0.25%
  • IPCA previsto de Setembro: 0.37% (intervalo entre 0.18 e 0.56%). Valor real: 0.57% 
  • IPCA previsto de Outubro: 0.45% (intervalo entre 0.26 e 0.64%). Valor real: 0.42% 
Já os de novembro e dezembro estão estimados em:
  • IPCA previsto de Novembro: 0.53% (intervalo entre 0.34 e 0.72%). 
  • IPCA previsto de Dezembro: 0.59% (intervalo entre 0.4 e 0.78%).
E a previsão de inflação para o ano? Bom podemos pegar o menor e o maior cenários e ver como fica.
  • Melhor cenário: 5.8%
  • Pior cenário: 6.6%
Já o Valor esperado é: 6.2%

Vamos ver como fica

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Desconstruindo a Desconstrução III

Caro leitor, hoje vamos voltar a tabelinha e analisar o dólar
Bem, então o dólar chegou a R$ 3,00 reais durante FHC e o R$ 1,78 durante Lula? Bem vamos dar uma olhada no gráfico desde 1999 (em 1994 R$ 1,00 = US$ 1,00).
Certamente houve grande variações. No dia 2 de janeiro de 2003 (início do governo Lula) US$ 1,00 = R$ 3,54. Já no dia 2 de janeiro de 2011 (início do governo Dilma) US$ 1,00 = R$ 1,65.

A verdade é que a variação é bem grande ao longo do tempo, tanto que temos praticamente US$ 1,00 = R$ 4,00 no dia 10 de outubro de 2002. E em outras épocas, como por exemplo no dia 4 de janeiro de 1999, US$ 1,00 = R$ 1,21.

Então, aonde está a verdade? Infelizmente, essa é uma daquelas coisas que é difícil provar que está certo ou errado. Se o valor na tabela fosse a cotação média do mandato, ao qualquer outra forma que caracterizasse que não é apenas um número escolhido da forma que quiser, então eu poderia criticar de forma consistente.

Neste caso, o máximo que eu posso dizer é que Lula recebeu o mandato com o dólar a R$ 3,54 e entregou o mandato com o dólar a R$ 1,65. Já FHC recebeu o mandato com o dólar a R$ 0,84  (ou R$ 1,21 se contarmos a partir do segundo mandato) e entregou com o dólar a R$ 3,54.

Portanto: o governo Lula teve um dólar mais baixo que o governo FHC.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Desconstruindo a Desconstrução - II

Agora chegou a vez o salário mínimo. Vamos de novo a tabela.
Mas agora também vou incluir uma outra.
E então? O salário foi de US$ 78, 00 em FHC e US$ 287,00 em Lula? Bem, segundo esta tabela acima isto não é verdade (mesmo documentos do PT usam dados das mesmas fontes da tabela).

Mas o que isto significa? Caro leitor, a própria cartilha do PT dá o valor (em valores de 2014) do salário mínimo no final do mandato de FHC como R$ 406,00, e em 2013 como R$ 706,00 (vide a página 8 do documento). O valor hoje é de R$ 724,00.

Em suma: os dados sobre salário mínimo da tabela comparando Lula a FHC são distorcidos!

Por que a discrepância? Não há porque negar que o salário mínimo cresceu na era Lula-Dilma em relação a FHC. Mas por que maquiar os dados para tornar o ganho maior ou diminuir o que foi feito no governo anterior? De novo, minhas suspeitas se voltam para desconstrução do governo FHC.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Desconstruindo a Desconstrução

Agora vamos entrar em outro ponto da tabela: o risco brasil

A questão é sobre como assim o risco é de 2700 pontos no FHC e 200 pontos no Lula? Isso é verdade?

Bem, vamos dar uma olhada no gráfico
Está vendo, caro leitor? O valor máximo do risco nunca chegou a 2700 pontos, mas chegou a 2446 pontos (ou 2436 dependendo da contagem).

E claro, variou também bastante durante o governo Lula - chegando ao valor mínimo de 137 pontos (2007 - ou 142 pontos dependendo de como se conta).

E hoje? Hoje o custo fica na faixa de 240 pontos.

Em resumo o governo de Lula e Dilma mantiveram o risco bem abaixo do governo de FHC sim.

O único problema é que a tabela foi feita com dados escolhidos a dedo - o valor de 2700 para FHC e o de 200 para Lula.

Suspeito que 200 deve ter sido o risco em alguma data que a tabela foi feita. Seria melhor que usassem os dados reais (do próprio PT)

  • Risco Brasil FHC: 868 pontos
  • Risco Brasil Lula: 377 pontos
  • Risco Brasil Dilma: 193 pontos

Os dados são favoráveis ao governo do PT, mas parece que os respectivos estão mais interessados em desconstruir o que FHC fez do que exaltar suas conquistas reais. Do contrário porque insistir na mentira de 2700 contra 200?

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

E eu não sabia

Já há muito tempo segue pela internet uma das peças na desconstrução de FHC que é cheia de meias verdades.

Bem, creio que chegou a hora de desconstruir a desconstrução. E por que não começar com algo que sempre achei que fosse verdade, mas não é.

Qual é o ponto? FHC não criou nenhuma universidade!

Bem, isso é mentira.

Duas universidades foram criadas por FHC (Univasf e UFT) e Cinco por Lula (UFABC, Unipampa,  Unila,  Unilab e Ufesba).

Mas e o restante? A figura acima fala de 10 universidades. Então o que se passa?

Em resumo, o panfleto é de antes do final do governo Lula (2010). E ainda não tinham contado as "criações" de Dilma.

Então o que são as outras universidades? São essencialmente mudança de nome ou desmembramento.

Ou seja a lista completa é essa:
  1. Universidade Federal do ABC (UFABC) - criada por Lula
  2. Universidade Federal de Ciências da Saúde de PA (FUFCSPA) - mudança de nome da Faculdade Católica de Medicina de Porto Alegre
  3. Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL) - mudança de nome da Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas
  4. Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) - mudança de nome da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro
  5. Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) - mudança de nome da Faculdade de Odontologia de Diamantina
  6. Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) - mudança de nome da Escola Superior de Agricultura de Mossoró
  7. Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) - mudança do CEFET-PR
  8. Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) - mudança de nome da UEMT
  9. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) - criada por desmembramento da Universidade Federal da Bahia
  10. Universidade Federal do Tocantins (UFT) - criada por FHC
  11. Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) - criada por Lula
  12. Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) - criada por FHC
  13. Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) - criada por Lula
  14. Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira (UNILAB) - criada por Lula
  15. Universidade Federal do Cariri (UFCA) - criada por desmembramento da Universidade Federal do Ceará
  16. Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) - criada por desmembramento da universidade federal do Pará
  17. Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) - criada por desmembramento da Universidade Federal da Bahia
  18. Universidade Federal do Sul da Bahia (UFESBA) - criada por Lula
Bem, Note, caro leitor, que tanto a UFT como a Univasf foram listadas como criadas por Lula, mas foram criadas por FHC...

domingo, 26 de outubro de 2014

Sobre a Eleição

Bom, ela finalmente acabou. Dilma com quase 52 e Aécio com pouco mais de 48%. Este resultado foi bem próximo do que a pesquisa Ibope divulgou ontem.

Neste turno os institutos de pesquisa não erraram tanto (pelo menos com relação a disputa para presidente).

Aliás, neste assunto, após uma entrevista da diretora do Ibope à Miriam Leitão, ficou claro que a margem de erro listada é na realidade de mentirinha. E isso meio que atrapalha todo aquele belo raciocínio matemático que listei no último post - afinal tudo aquilo foi feito considerando pesquisa probabilística, que não é o caso nem da pesquisa do Ibope, nem do Datafolha.

Mas o post de hoje é mais para colocar alguns pontos sobre o pós-eleição: já tive tanto do lado vitorioso, quanto do lado perdedor (que é o caso aqui). E o importante é entender que um resultado de eleição não pode definir quem você é.

Esse só será o caso se você deixar. Há horas que se ganha, há horas que se perde. Mas o importante é continuar, mesmo ganhando ou perdendo. Sei que há um investimento emocional ao se "adotar um candidato" e também sei que há um custo intrínseco quando as coisas não saem do jeito que a gente quer. Mas a gravidade disto está nas mãos de cada um.

Naturalmente, nem tudo são flores. Nesta eleição tivemos discurso de ódio vindo de apoiadores dos dois candidatos. Da minha parte, decidi que quem espalha discurso de ódio não merece minha atenção - seja torcedor (essa sim uma palavra correta) de Dilma ou de Aécio.

Então, um dos saldos dessa eleição foi que deixei de seguir algumas pessoas no facebook. Discurso de ódio não ajuda e sarcarsmo também não ajuda muito.

Agora que saíu o resultado só posso fazer uma coisa: parabenizar os vitoriosos! Não irei parar de trabalhar, nem deixarei de seguir com minhas tarefas.

E claro, vou torcer loucamente para que as minhas análises sobre mais quatro anos de PT estejam fundamentalmente erradas. Caso isso se verifique então ficarei bastante feliz... mas...caso as análises tenham realmente fundamento, bem... vamos todos ter que aguentar de um jeito ou de outro não?

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Sobre resultados

Conforme eu esperava, a diferença apontada no último post é bastante significativa quando olhada em cada uma das capitais.
Na cidade de São Paulo
  • Dilma teve votação 6 pontos abaixo do esperado
  • Marina teve votação 7 pontos abaixo do esperado 
  • Aécio teve votação 13 pontos acima do esperado
Na cidade do Rio de Janeiro
  • Dilma teve votação 9 pontos abaixo do esperado
  • Marina teve a votação esperada 
  • Aécio teve votação 9 pontos acima do esperado
Na cidade de Belo Horizonte
  • Dilma teve votação 9 pontos abaixo do esperado
  • Marina teve votação 1 ponto acima do esperado 
  • Aécio teve votação 8 pontos acima do esperado
Na cidade de Fortaleza
  • Dilma teve votação 6 pontos abaixo do esperado
  • Marina teve votação esperada 
  • Aécio teve votação 7 pontos acima do esperado
Na cidade de Curitiba
  • Dilma teve votação 9 pontos abaixo do esperado
  • Marina teve votação 3 pontos abaixo do esperado 
  • Aécio teve votação 12 pontos acima do esperado
Na cidade de Porto Alegre
  • Dilma teve votação 9 pontos abaixo do esperado
  • Marina teve votação 3 pontos abaixo do esperado 
  • Aécio teve votação 11 pontos acima do esperado
Na cidade de Recife
  • Dilma teve votação 9 pontos abaixo do esperado
  • Marina teve votação 6 pontos acima do esperado 
  • Aécio teve votação 3 pontos acima do esperado
O que isso quer dizer? Bem, um erro de 13 pontos é muito sério e não dá para ser atribuído a incerteza intrínseca a metodologia de pesquisa. Mesmo o erro de 9 pontos não pode ser atribuído a incerteza da metodologia.

O que aconteceu? Eu não sei dizer, mas eu tenho um modelo que possivelmente pode explicar parte do problema.

Considere duas urnas. Uma com X bolinhas e outra com Y bolinhas. A proporção de bolinhas brancas na urna X é p1 e na urna Y é p2.

Se fosse uma urna só e tirássemos N bolinhas, a variância do erro (máxima) é de 1/(4*N). Mas como temos duas urnas, a coisa complica...

Então, no caso de uma urna temos que, dado a média das amostras Ma e a média real M:
E{(Ma-M)^2} menor ou igual 1/(4*N)

No caso, M é calculado usando:
w1=X/1(X+Y) e w2=Y/(X+Y)

Logo:
M=w1*p1+w2*p2

Mas, como temos duas urnas temos que considerar quantas bolinhas tem em cada uma (a proporção).  No final das contas, a variância do erro neste caso é:

w1^2*E{(M1a-p1)^2}+w2^2*E{(M2a-p2)^2}+2*w1*w2*E{(M1a-p1)*(M2a-p2)}

Aonde M1a é a média amostral da urna 1 e M2a é a média amostral, e E{(M1a-p1)*(M2a-p2)} é a correlação entre a urna 1 e a urna 2.

Bem, para simplificar vamos assumir que não há correlação (pode ou não ser verdade, mas vamos simplificar). Neste caso, o valor máximo de cada erro é:
E{(M1a-p1)^2} menor ou igual a 1/(4*N1) - aonde N1 é o número de bolas amostradas da urna 1
E{(M2a-p2)^2} menor ou igual a - aonde N2 é o número de bolas amostradas da urna 2

Então temos, se não houver correlação, que a variância do erro é limitada por:

erro menor ou igual a w1^2/(4*N1)+w2^2/(4*N2)

Bem, sabemos que w1+w2=1. Então qual será o valor para que este seja máximo (ou mínimo)? w1=N1/(N1+N2) e w2=N2/(N1+N2)

Neste caso teremos:
erro menor ou igual a (N1/(N1+N2))^2*/(4*N1)+(N2/(N1+N2))^2/(4*N2)=1/(4*(N1+N2));

Isto quer dizer: se amostramos na proporção da população teremos que o erro será limitado pelo valor que obteríamos se fosse apenas uma urna. Exemplo:

w1=0.25, w2=0.75, N1=250 e N2=750

Pela fórmula:
erro menor ou igual a 1/(4*(250+750) = 1/4000=0.00025

Note que se  w1=0.75, w2=0.25, N1=250 e N2=750,então:

erro menor ou igual a 0.75^2/(4*250)+0.25^2/(4*750) = 0.00058

O que dá mais do que o dobro da variância de erro obtida. Naturalmente este é um exemplo extremo, mas indica que se a amostragem proporcional estiver com os pesos errados, então a coisa não vai funcionar direito.

Mas e quanto a correlação? Esta pode ser positiva ou negativa, mas sempre será limitada pelo produto dos desvios padrões.

E{(M1a-p1)*(M2a-p2)}^2 menor ou igual a E{(M1a-p1)^2}*E{(M2a-p2)^2}

Portanto:

E{(M1a-p1)*(M2a-p2)}^2 menor ou igual a 1/(16*N1*N2), ou de outra forma:

-1/(4*raiz(N1*N2)) menor ou igual a E{(M1a-p1)*(M2a-p2)} menor ou igual a 1/(4*raiz(N1*N2))

Ou seja, existe um termo extra (e não contabilizado) caso haja correlação:

w1^2/(4*N1)+w2^2/(4*N2)-w1*w2/(4*raiz(N1*N2)) menor ou igual a erro menor ou igual a w1^2/(4*N1)+w2^2/(4*N2)+w1*w2/(4*raiz(N1*N2))

Neste caso o peso para erro mínimo passa a ser diferente:

w1=N1*(sqrt(N1*N2)-N2)/(N2*sqrt(N1*N2)+N1*sqrt(N1*N2)-2*N1*N2)

Que é diferente do anterior....

Então talvez também haja uma questão de correlação, pois considerando a mesma o erro salta de 0.0025 para 0.00046. Já com o erro também na proporção o salto é maior: 0.0008!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Eleições a hora da verdade

Semana passada eu postei:
"Dilma - entre 34% e 42%
Marina - entre 21% e 30%
Aécio - entre 16% e 21%"

Se considerarmos votos válidos teremos:
"Dilma - entre 37% e 42%
Marina - entre 23% e 35%
Aécio - entre 18% e 25%"

E o resultado do pleito? Pois bem, no final das contas o resultado foi:
Dilma - 41.59%
Marina - 21.32%
Aécio - 33.55%

Tanto Dilma quanto Marina foram dentro ou próximos das margens que foram estabelecidas no post. Mas o que deu errado na predição? Foi Aécio!

O erro foi maior que 8.6% - se considerarmos a média esperada temos 12%. Isto é MUITO superior ao que é estatisticamente aceitável.

Eu vou estudar para ver o que deu errado - minha hipótese é que o erro é consistente: deve ter se repetido nos estados aonde a diferença para governador também saiu fora da margem: Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia

Eu irei estudar isso em detalhe.

Mas antes uma notícia relevante: o governador do DF perdeu a chance de se reeleger.  Ele ficou em terceiro lugar.

A pérola é a seguinte: ele só ficaria em segundo lugar (aonde teria chances de disputar a reeleição) em três zonas eleitorais: Zona 001, Zona 011 e Zona 014.

Suas piores votações foram: Zona 002, Zona 007 e Zona 0013

Adivinhem em quais zonas eleitorais vive a "elite branca do país"?

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Previsão para Eleição

Fazendo as previsões para eleições (95%)

Dilma - entre 34% e 42%
Marina - entre 21% e 30%
Aécio - entre 16% e 21%

Chances de haver segundo turno provavelmente na vizinhança de 100%.

Já fazendo um monte de suposições não garantidas, ou seja  com 95% de certeza - Dilma e Marina no segundo turno.

Já se subir para 99% de certeza temos chance de um segundo turno com Dilma e Aécio. Mas as chances são pequenas.

O que vai dar? Temos que esperar até domingo


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Réplica

Muito se falou sobre a entrevista da candidata Luciana Genro à Danilo Gentili no The Noite

Mas não se falou tanto assim da réplica

O duro foi ver o discurso pró-Maduro no vídeo - isso acaba com qualquer boa vontade.

E olha que eu estou lendo o livro do Piketty e achando bem interessante...

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A Coisa mais Feia

Essas eleições vão ficar para história. O nível de críticas contra os candidatos da oposição está além do imaginado.

Mas, não é esse o ponto que quero discutir. O ponto é que, infelizmente, não dá mais para descontar opiniões preconceituosas (até um tanto violentas), distorção de dados (mentiras, na realidade), e antagonismos sem necessidades na conta do "inocente útil", ou do "bom mocinho que foi enganado", ou do "idealista sem noção".

Não, realmente não dá.

Agora está claro: é mau caratismo mesmo. Desde artigos cheios de "críticas fundamentais ao programa*" ou "presunção da inocência**", passando por "esses corruptos que estão por aí***" a coisa deixou de ser simplesmente atribuível aos exageros da inocente devoção e passaram à cara de pau explícita.

Mas ao contrário do que um assessor da presidência fala, construir pontes é muito mais difícil do que destruí-las. E ganhar o pódio presidencial não é garantia de mares tranquilos daí por diante.

Aliás, temos exemplos de sobra de gente que achou que ser presidente é o mesmo que ser rei.

O fato é: tirando o pessoal menos escolado politicamente, pessoas que já se decidiram e os que não ficam tentando catequizar os demais, já não dá mais para aceitar certos posicionamentos na conta das boas intenções. Não, caros leitores, é mau-caratismo mesmo.

PS:
* Basicamente a crítica do articulista é que gente rica apoia a Marina. Por esta razão ela não deve ser eleita.
** No mesmo artigo que o articulista ruge para não julgar apressadamente, ele rapidamente passa a julgar sobre o mensalão mineiro  - aquele que o STF dos ministros de Lula mandou para instâncias inferirores
*** O artigo em si é verdadeiro, o problema é o pessoal colocando mesmo no facebook esquecendo convenientemente que a data de publicação do mesmo foi em 2012.

Tem horas que tendo a concordar com que Luiz Felipe Pondé escreve...

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O PT como PDS

É triste, mas era esperado...

Com o surgimento de Marina na campanha, o PT mais uma vez bandeou para o discurso do medo: agora é sobre a autonomia do banco central



E não é apenas um comercial, mas dois...



Francamente, quem é petista devia ter vergonha.

Eu, como não sou, só fico relembrando o passado... quando eu acreditava no PT.

Mas é pior do que isso: eu fico pensando em quem acredita no PT. O que eu devo pensar de uma pessoa que compactua com a racionalidade que "desde que eu ganhe, tudo está valendo"?

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Duas notícias curiosas e uma opinião parecida

A primeira é que pela primeira vez a Venezuela estuda importar petróleo. Mas antes de mais nada, não é por falta de petróleo. É para melhorar a aceitação no mercado internacional.

Mas não deixa de ser um pouco engraçado...

A segunda é que um grupo de livrarias deseja que o governo estabeleça um preço mínimo nos livros. Sério, está na folha de São Paulo. Basicamente, o livro da Amazon é pelo menos uma ordem de magnitude mais barato que o vendido pelas livrarias.

E isso porque a Amazon aposta no livro eletrônico (que já aderi há muito tempo).

E para não terminar sem uma opinião, segue um texto que explica mais ou menos o que penso sobre como as pessoas decidem eleição.

Em resumo: os eleitores dificilmente perguntam qual é o melhor candidato, em geral perguntam qual é o candidato que eu gosto mais.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Chacoalhando as Eleições

Ontem teve o primeiro debate entre os candidatos a presidente. Francamente não vi, apenas ouvi os comentários (já cheguei a conclusão que há muito pouca racionalidade envolvida na escolha de candidatos).

Mas o melhor é que pouco antes do debate, saiu uma pesquisa dando 29% para Marina, 34% para Dilma e 19% para Aécio.

Então não é de surpreender que a nova postulante ao cargo desse show. Os demais ficaram atônitos.

E claro, vieram as análises de fundo de quintal dizendo que "pesquisa-não-representa-nada-quando-não-é-ao-meu-favor" comuns a partido que há 12 anos aproveita da "viúva". Mas há uma questão interessante aqui: não é a primeira vez que Marina chega perto dos 30% dos votos para eleição de 2014! Em Abril deste ano ela tinha 27%.

Então temos que lembrar que a Rede foi impedida de participar com candidatos, o que levou Marina a optar pelo PSB de Eduardo Campos.

E a cereja do bolo: há chances de ter sido um golpe para evitar que Marina concorresse. E na época do julgamento da Rede suas chances não eram desprezíveis.

Então estamos aqui: depois de uma tentativa de impedir Marina de ser candidata, coube ao imponderável trazer de volta a possibilidade dela ser vitoriosa.

Há, talvez, uma lição profunda nisso tudo. Mas duvido bastante que tenhamos capacidade de aprendê-la.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Cenário Imponderável

Como todos sabem, na semana passada tivemos o falecimento trágico de Eduardo Campos. E como o mesmo era um dos candidatos a presidência, sua tragédia embolou completamente o meio de campo político no Brasil.

O ponto deste post é mostrar como isso mudou a corrida presidencial.

Antes tínhamos o seguinte quadro:

  • Dilma - 36%
  • Aécio - 20%
  • Campos - 8%
  • B/N (Brancos e Nulos) - 13%
  • NS (Não sabe) - 14%
  • Outros - 8%

Agora o quadro é o seguinte:

  • Dilma - 36%
  • Aécio - 20%
  • Marina - 21%
  • B/N (Brancos e Nulos) - 8%
  • NS (Não sabe) - 9%
  • Outros - 5%

O que mudou? O que mudou foi exclusivamente B/N, NS e Outros. Poderíamos assumir  que o eleitorado de Campos foi transferido para Marina e mais alguns entraram no barco. Se entraram no barco devido ao fator emocional ou não é também bastante relevante, mas de difícil quantificação. De qualquer forma, a rejeição de Marina é baixa (11%) quando comparada aos outros candidatos (Aécio tem 18% e Dilma 36%).

Esta rejeição esta associada aos possíveis limites de crescimento de cada candidato.

  • Dilma - entre 36% e 64%. - Média de 50%
  • Aécio - entre 20% e 88% - Média de 51%
  • Marina - entre 21% e 82% - Média de 54%

Eu tenderia a considerar a média como alvo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Preconceito Linguístico

Toda vez que falam de preconceito linguístico eu me lembro desta foto.

Um indício ruim

Como muitas pessoas não tem e-mail, então é comum que outras ofereçam o e-mail para facilitar a conexão online.

Eu costumo fazer isso para pessoas que confio e gosto, caso as mesmas não tenham acesso a internet - ou não saibam como acessa-la.

E é por isso que fiquei sabendo do que se segue.

Na segunda feira chegou na minha caixa o seguinte e-mail:

 
Este é o primeiro texto de um conjunto que integrará a análise dos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma, para subsidiar o trabalho dos diretórios municipais e da militância na campanha de 2014. Futuramente, estes conteúdos farão parte do novo caderno 2 do módulo 2 da Jornada Nacional de Formação. Os demais textos trarão análises, números, dados e resultados das políticas do governo, e serão publicados periodicamente no portal da Escola Nacional de Formação do PT. Compartilhe, Clique Aqui
Acompanhe, utilize e divulgue!
Sorg
Clique aqui para descadastrar.

 Bem, até ai nada demais. A internet é cheia de spam.

Mas havia algo mais. Hoje recebi este e-mail:




O que diferencia o Partido dos Trabalhadores dos outros é, justamente, a sua história, a sua construção a partir de bases populares.
O PT é fruto de uma ação coletiva permanente, voltada para o bem estar dos trabalhadores e o desenvolvimento da nação.
Esse esforço contínuo, levado a cabo ao longo de mais de três décadas, é resultado do trabalho de uma militância forjada nas ruas, na luta política, na vontade do povo.
Para reeleger Dilma Rousseff presidenta do Brasil, o PT abriu, agora, um espaço virtual de doação voluntária onde cada militante, eleitor e simpatizante do partido poderá contribuir em dinheiro para esse esforço de campanha.
Novamente, o PT precisa da ação solidária e generosa de sua militância para continuar o mais bem sucedido projeto de governo já colocado em prática no Brasil.
Leve sua bandeira para as ruas, faça a sua camiseta, leve a mensagem do PT a todos que estiverem a seu alcance.

E faça a sua doação.

É fácil, simples e você pode doar qualquer valor.
O mais importante, como sempre, é a sua participação.
A presidenta Dilma e o PT agradecem muito a sua colaboração.

#MaisMudançaMaisFuturo
Muito bem, e qual é o problema?

O problema é que o e-mail chegou direcionado a uma candidata do Minha casa, minha vida que, por um acaso do destino, teve o meu e-mail divulgado como seu para receber informações.

O problema é que o PT está se valendo de informações de programas governamentais para fazer propaganda eleitoral.

É só o PT que faz isso? De modo algum, é bem comum em várias candidaturas.

Está certo? De modo algum. Isso é misturar governo com partido.

Mas, em defesa do PT, isso é extremamente comum aqui na terrinha. Só que está errado.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Inflação de 2014

Depois de verificar o IPCA de julho a estimativa de inflação de 2014 ficou em 6.0%

Vocês não sabem o alívio que isto me dá.

E não é por conta do governo ser do PT, ou que inflação estava muito alta... nada disso

A questão é que as estimativas mês a mês estavam sendo consistentemente subestimadas. Ou seja, eu predizia 0.4% e era 0.5% e assim por diante. Eu predisse no mês passado:

"Já a inflação de julho tem 50% de ficar em 0.09% e 50% de ficar em 0.50% , Ou 60% de ficar em 0.12% e 40% de ficar em 0.52%. Algo na vizinhança de 0.28%."

E o resultado foi 0.01% (praticamente zero). Se não tivesse pelo menos um resultado bem abaixo do esperado eu iria ficar preocupado.

Isto podia indicar que meu sistema baseado em sazonalidade e na incerteza. E aliás: a partir de agosto a inflação mensal deve dar uma subidinha (por causa da sazonalidade)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Ferramenta Incrível

O pessoal da Carnegie Mellon fez um gol: uma ferramenta que permite explorar em 3D objetos em fotografias 2D.

Em outras palavras, caro leitor: veja o vídeo.

Mas o leitor deve saber: não é mágica. O objeto em questão deve ter um modelo 3D disponível na internet.

O vídeo completo tem mais informação:

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Alguns pensamentos sobre a eleição

Ao contrário de muitos eu tenho dúvidas sobre qual é o melhor resultado nas eleições para presidente em 2014.

Não é que eu goste do PT, muito pelo contrário. Mas é necessário olhar a situação com a fieza necessária.

De 2002 até 2008, aos trancos e barrancos o governo Lula teve bons momentos - creio que foi positivo. O problema começou quando a crise mundial das hipotecas deu as caras.

Ao contrário de muitos, acredito que Lula é uma pessoa inteligente, razoavelmente bem informada e com uma capacidade de empatia por comunicação muito rara.

Mas ele também sabia que a crise possivelmente afetaria negativamente sua imagem e possivelmente os dois anos restantes para o final de seu mandato.

Então ele escolheu um remédio heterodoxo: manter a economia aquecida criando demanda. Isso a custa de renúncia fiscal, benefícios especiais e outras coisitas. Parece a saída perfeita: não afeta negativamente a popularidade e, se administrado corretamente, pode suavizar a crise.

Mas se administrado na dose errada... aí tem consequências - só que a maior parte delas não é imediata.

E o remédio foi tão mal administrado que até pouco tempo estava ainda em ação total (agora só está em ação parcial).

Isto talvez tenha sido por insistência do próprio PT - com vistas a manutenção de poder. Não sei...

Mas a sucessora não só não arrumou a casa quando entrou, como também desorganizou mais o país.

E agora, praticamente quatro anos depois, estamos com várias bombas armadas que não tem solução popular: a questão elétrica, a questão do petróleo, a questão dos serviços governamentais, a questão dos incentivos à produção e não esqueçamos da bomba mor - o efeito que o aumento dos juros pode causar em situações já delicadas.

Então por que tenho dúvidas sobre qual deve ser o novo governante? Bem, porque o próximo governante vai encarar quatro anos muito complicados, com chance de tempestades razoáveis. E se o PT perder, ele vai ser o causador de diversas destas tempestades.

Em suma o PT vai fazer de tudo para o próximo governo ser um inferno.

Mas, se o PT ganhar há uma excelente chance de não sobreviver ao mandato. Não como um partido de grandes proporções, pelo menos.

Vejamos as coisas pelas probabilidades.

p(ser um bom mandato) =p(ser um bom mandato | PT perder)*p(PT perder) + p(ser um bom mandato | PT ganhar)*p(PT ganhar).

Eu estimo que:

p(PT ganhar) seja uns 60% (portanto p(PT perder) = 40%
p(ser um bom mandato | PT perder) = 50%
p(ser um bom mandato | PT ganhar) = 25%

Então temos

p(ser um bom mandato) =0.5*0.4 + 0.25*0.6 = 0.35 ou 35% (o que dá 65% de chance de ser um mau mandato).

Mas olhemos os componente individuais: p(ser um bom mandato | PT perder) é 50% (simplesmente não sei, mas suspeito que seja menor). Já p(ser um bom mandato | PT ganhar) é 25% (isso é baseado no que vi do mandato Dilma até agora - na minha visão ela errou bem mais do que acertou).

Então qual é a melhor opção?

Bem, eu não irei votar na Dilma, mas ainda creio que há chances razoáveis (60%) dela verncer. Talvez seja melhor, talvez não...

Só sei que se outro ganhar e depois o PT voltar, então podemos apenas torcer para que as próximas gerações consigam consertar o estrago.