terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Nova contagem


Figura obtida aqui.
Olhando algumas fotos de multidões vejo que ao invés do padrão:

xxx
xPx
xxx

É mais razoável utilizar o:

PxP
xPx
PxP

Neste caso teremos para o caso de 1 pessoa ocupando 0.228 metros quadrados que este número se transforma em 0.41. E no caso de uma pessoa ocupando 0.456 metros quadrados, este número se aproxima dos 0.82.

Isto está mais ou menos de acordo com o que já verifiquei em outros sites (10 pés quadrados por pessoa).

Então vou supor que teremos uma variação de 0.41 até 1.23 metros quadrados por pessoa. Isto agora trás considerando uma distribuição uniforme uma média de 0.82 e uma variação de 0.41

Portanto os pontos sigma são:

0.5022, 0.82 e  1.13775 com pesos 0.278, 0.444 e 0.278.

Então teremos como média 1.34 pessoas por metro quadrado. O desvio é de 0.43 pessoas por metro quadrado. Então:

Jardins do congresso nacional (250 x 195) [44414.25737, 86174.28205]
Praça dos três poderes (211 x 126) [24221.48608, 46995.47616]
Praça do Buriti inteira (6954) [6335.522989, 12292.42990]


Alternativamente poderiamos considerar uma distribuição normal. Neste caso podemos considerar uma média de 0.82 com um desvio de 0.228. Neste caso teríamos uma média de 1.34 pessoas por metro quadrado com um desvio de 0.47. Então:

Jardins do congresso nacional (250 x 195) [42338.37602, 88495.54924]
Praça dos três poderes (211 x 126) [23089.39621, 48261.38815]
Praça do Buriti inteira (6954) [6039.406500, 12623.54973]

Esta estimativa me parece mais razoável, então eu diria que teríamos em média 1.34 pessoas por metro quadrado com um desvio de 0.47. O que quer dizer que a passeata do item anterior teria algo entre 182 e 381 pessoas

Bem mais razoável e próximo aos 210 que encontramos anteriormente.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Forma diferente de medir multidões



Figura obtida aqui.
Como já falei muito sobre a transformada da incerteza, vou me refrear de entrar em mais detalhes sobre ela. Mas ao invés disto vou utiliza-la considerando que o espaço ocupado por uma pessoa é uma variável aleatória.

Vamos considerar diversas distribuições

Nos casos anteriores, chegamos ao número de 2 pessoas por metro quadrado (0.5  metros quadrados por pessoa).

Mas podemos considerar um zona de conforto de 2 metros quadrados por pessoa (considerando um espaço razoável entre as pessoas). Ou até mesmo 4 metros quadrados por pessoa (considerando bastante espaço).

Um uma situação de bastante aperto, podemos considerar 0.25 metros quadrados por pessoa.

Então vamos supor que temos uma distribuição uniforme de [0.25,2]  para representar a ocupação de uma pessoa. A média é 1.125 e a variação é de 0,875.

Usando a UT temos os seguintes pontos:

0.446875, 1.125 e 1.803125

Com pesos

0.278, 0.444 e 0.278

Portanto o espaço médio ocupado é de 1.1709 pessoas por metro quadrado. O desvio é de 0.6763 pessoas por metro quadrado.

Então o caso em questão se torna mais simples. Para o exemplo:

Jardins do congresso nacional (250 x 195) [24115.85596, 90050.92517]
Praça dos três poderes (211 x 126) [13151.67480, 49109.61839]
Praça do Buriti inteira (6954) [3440.034099, 12845.41813]

Já se relaxarmos mais o caso e considerarmos entre 1 e 3 metros quadrados por pessoas temos uma distribuição uniforme de [1,3]  para representar a ocupação de uma pessoa. A média é 2 e a variação é de 1.

Usando a UT temos os seguintes pontos:

1.225, 2 e 2.775
Com pesos

0.278, 0.444 e 0.278

Portanto o espaço médio ocupado é de 0.55 pessoas por metro quadrado. O desvio é de 0.18 pessoas por metro quadrado.

Para o exemplo:

Jardins do congresso nacional (250 x 195) [18210.42042, 35328.67776]
Praça dos três poderes (211 x 126) [9931.122815, 19266.63030]
Praça do Buriti inteira (6954) [2597.646433, 5039.500003]

A diferença vista é grande. Em um caso temos de 2.6 mil a 5 mil e no outro temos 3.4 mil e 12.8 mil.

Esta diferença é dado por quão próximas estão as pessoas.

Isto quer dizer que é fundamental determinar a média e faixa de variação do espaço que uma pessoa ocupa.

Vou procurar fotos aonde isto possa ser verificado

Figura obtida aqui.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Quantas pessoas no dia da repressão?



O Vídeo acima traz a reportagem da Globo sobre a repressão no dia  9 de dezembro de 2009. Aos 25 segundos temos uma idéia do número de pessoas envolvidas no protesto.

Como as mesmas ocupam algo como cerca de 1/3 da praça do Buriti, temos uma área de 2318 métros quadrados e algo em torno de 579 e 1159 pessoas. Um número bem menor que as 1500 pessoas estimadas pela PM.

Mesmo assim é um número bem expressivo

Quantas pessoas no Fora Arruda!


Quantas pessoas temos nesta foto? Aproximadamente 210 pessoas.

Este número é o que o Globo disse que era de quase 500.

Infelizmente, o pessoal decidiu que não era necessário contar o número real para noticiar. E há ainda outra foto:


Esta mesma foto está relacionada com a anterior como podem ver. Infelizmente não dá para saber se ocuparam 2 ou 3 faixas do eixo monumental. E é difícil dizer a distância, dado que não temos referencial para estimar o tamanho.

Então temos que trabalhar com o que temos. Os postes ao lado tem uma distância entre si de 30 metros. Supondo a ocupação de 2 faixas teremos algo em 2 ou 3 postes como referência do tamanho da multidão.

Então temos 2*60 ou 2*90 ou 4*60 ou 4*90.

Estimando a multidão entre 120 e 360 pessoas (médida de 240). Não é tão longe do esperado

Quantas pessoas tem aí?


Uma área muito interessante e até importante é a estimação do tamanho de uma multidão.

O tamanho real de um grupo de pessoas é frequentemente utilizado como instrumento político e por vezes como de pressão. Para tanto vamos utilizar a matemática em conjunto com a incerteza para determinarmos o tamanho de diversos casos de multidão.

A idéia é simples: determina-se a área que uma pessoa ocupa e com isto podemos estimar, dada uma incerteza nesta área, quantas pessoas ocupam um determinado local. Mais a frente podemos fazer mais brincadeiras

Bem, a idéia é considerar a área de uma folha de jornal. Uma pessoa em posição de sentido ocupa aproximadamente uma área de 1 página. Uma pessoa em posição mais relaxada ocupa aproximadamente 2 páginas.

Um jornal de tamanho standard tem o tamanho aproximado de 60 cm por 38 cm. Isto resulta em uma área de 0.228 metros quadrados. Como uma pessoa em posição relaxada ocupará duas páginas então teremos que a área será 2 vezes maior ou seja 0.456 metros quadrados.

Dificilmente teremos uma multidão de pessoas amontoadas em posição de sentido, então vamos aproximar a área de 1 pessoa por 0.5 metros quadrados. A vantagem disto é que basta multiplicar a área em questão por 2 e teremos o número de pessoas.

Uma área de 100 metros quadrados (10 por 10) poderia ser ocupada por algo próximo a 200 pessoas. Se isto parece muito é porque é realmente é. No caso de 1 quilometro quadrado teríamos 2 milhões de pessoas.

A verdade é que entre as pessoas sempre vai existir um espaço, portanto temos que levar em conta este espaço. Mas como fazer isto?

Uma primeira aproximação é pensar que haveria pelo menos uma separação equivalente entre as pessoas. Graficamente é algo assim:

xxx
xPx
xxx

Isto significa que aonde caberiam 9 pessoas, teremos apenas 1.

Voltando ao 0.228 metros quadrados por pessoa isto se transforma em 2.052. E no caso dos 0.456 metros quadrados isto se transforma em 4.152.

Podemos aproximar estes números para 2 e para 4. Então teríamos no espaço de 100 metros algo entre 50 e 25 pessoas, e no espaço de 1 quilometro quadrado algo entre 500 mil e 250 mil pessoas. 

Isto já passa a ser mais próximo da realidade. Então vamos ao que interessa:

Quantas pessoas podem caber nos jardins do congresso nacional?

Bem, as dimensões dos jardins são de 250 por 195 metros, O que dá algo entre 24250 e 12125 (entre 12 mil e 24 mil pessoas).

Quantas pessoas podem caber na praça dos três poderes?

As dimensões são 126 por 211 metros. O que dá algo em torno de 6646 e 13293 (entre 6.6 mil e 13.3 mil pessoas).

Vamos agora a ocupação de pistas, que foi o caso recente de Brasília. Quantos manifestantes cabem em uma das nossas avenidas?

O eixo monumental tem 21 metros de largura somando todas as faixas (são 6 no total). Vamos colocar 24 metros pois isto simplifica os cálculos e introduz um erro de cerca de 15%.

Bem então uma manifestação ocupando todas as 6 pistas terá 6 a 12 vezes o número de pessoas multiplicado pelo comprimento da manifestação em metros. Assim uma manisfestação com 1 quilometro de extensão tem cerca de 6 mil a 12 mil pessoas. Uma com 100 metros tem de 600 a 1200 pessoas.

Já se não forem todas as faixas ocupadas teremos um número que será numero de pistas/6 multiplicado por 6 a 12 vezes o comprimento da manifestação.

O que isto quer dizer? Se apenas 2 pistas fossem utilizadas uma manfestação com 100 metros tem de 200 a 400 pessoas.

10 metros teríamos entre 20 e 40 pessoas.

Então a regra? Pegue a área do local em questão e divida por 2 e terá o limite superior no número de pessoas.

Isto funciona? Bem, vou testar em alguns exemplos nos próximos posts?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Crise do GDF perto do fim?

Informações do Blog do Noblat indicam que Arruda se desfiliou do DEM.

Arruda desfilia-se do DEM

O governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal, acaba de se desfiliar do DEM. Fará um pronunciamento mais tarde a respeito de sua decisão.

O Tribunal Superior Eleitoral fica dispensado, assim, de examinar o mandado impetrado por ele, ontem, que alega não ter tido prazo para se defender diante da Executiva do seu partido da acusação de que comandou uma organização criminosa resonsáve pelo desvio de milhões de reais dos cofres públicos.

Com o mandado, Arruda queria a suspensão da reunião da Executiva do DEM marcada para amanhã, e que iria expulsá-lo do partido.

Arruda deve ter tido informações de que o mandado impetrado por ele seria negado.

Ao se antecipar à decisão do tribunal, ele torna dispensável a reunião da Executiva.

Ao ficar sem partido, ele não poderá ser candidato a nada no próximo ano. Pretendia disputar a reeleição.

Doravante, deve se dedicar a enterrar na Câmara Legislativa três pedidos de impeachment que ali foram admitidos. Arruda tem maioria folgada de votos entre os 24 deputados distritais para continuar no cargo.

Com isto, existe uma real possibilidade de muita da pressão política que ele sofre minguar. Existem outros interesses, mas os majoritários tendem a querer que as coisas fiquem tranquilas. Pelo menos até o próximo governo.

Na minha análise as mobilizações populares mostraram apenas duas coisas:

1) que pelo menos parte da população do DF não é conivente com a corrupção
2) as mobilizações deram subsídio para outros setores com mais poder cercar o governo

No entanto, o delírio é parte natural de muitos participantes de mobilizações populares. Então podem se preparar para análises rocambolescas.

Façam o que que faço: comprem pipoca antes

Manifestantes Profissionais - 3

Olhem só, não é somente no Brasil.

Do site do observatório da imprensa:

ALEMANHA
Empresa aluga de manifestantes

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 23/1/2007

Vai um manifestante aí? Um sítio alemão teve a curiosa idéia de alugar manifestantes para participar de protestos públicos. Pela modesta quantia de US$ 188 por dia, uma organização pode desfrutar de manifestantes de boa aparência para ajudar a passar sua mensagem política para o público.

Erento.com (não existe mais) é o nome da página que oferece o serviço. "O que a geração de 1968 fazia por paixão, as pessoas agora fazem por dinheiro", afirma David Gordon Smith em artigo no Der Spiegel [18/1/07]. A Erento é uma companhia de Berlim que faz a ligação entre prestadores de serviços ou proprietários a possíveis clientes e compradores.

O sítio pode ser considerado no mínimo excêntrico. O aluguel de manifestantes é encontrado junto a esquis, computadores, aviões particulares e carruagens para casamentos. Pelos perfis apresentados, a maioria das 300 pessoas listadas como manifestantes é jovem e atraente. Há opções de homens "atléticos" e mulheres de olhos verdes e "cabelos bem compridos". A partir das informações pessoais, pode-se escolher candidatos pelo tom da pele, classificados como "europeus", "africanos", "sul-americanos" ou "asiáticos".

E eu achando que era coisa daqui...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Manifestantes Profissionais - 2

Deu no Conjur:

Sindicatos compram manifestantes em Brasília

Diskgent - motoboy - maior - SpaccaSindicalistas de Brasília inventaram um método prático, econômico e seguro de fazer protestos e promover manifestações sem precisar deslocar manifestantes do resto do país ou de convencer ninguém sobre a causa a ser defendida. Para isso, criaram o manifestante profissional. Com R$ 40 por cabeça, é possível reunir até duas mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, para defender ou atacar qualquer coisa, tomar partido contra ou favor de qualquer um.

Uma das maiores especialistas no novo método de manifestação sob encomenda é a Nova Central Sindical. Por R$ 80 mil, a nova entidade conseguiu, em duas oportunidades, mobilizar pessoas por algumas horas em defesa de “suas causas”. Tudo pago com notas de R$ 20. Encomendas de manifestantes podem ser feitas com tranquilidade e sem qualquer relutância pelo telefone, por qualquer pessoa. Além dos manifestantes, a organização fornece todo o know-how da manifestação....

O que eu penso disto?

Francamente não sei ainda o que pensar exatamente. Porque? Porque a questão do pagamento de manifestantes não é tão simples quanto parece. Isto porque já ocorre com membros participantes de algumas agremiações.

A diferença é que em geral, este pagamento é reservado a diretorias e núcleos. Mas ele existe...

Então o que temos são pessoas que recebem para participar de algo que podem ou não acreditar, sob a forma de manifestação de pressão. Isto é errado?

Hummmm.... Tem certeza?

E o pedido contra Paulo Octávio é negado

Deu no blog da Paola:

Negado pedido de impeachment de PO

Câmara Legislativa, GDF em 09/12/2009 às 19:36

Deu no Congresso em Foco: A Procuradoria da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) negou, no início da tarde desta quarta-feira (9), o pedido de impeachment contra o vice-governador do DF, Paulo Octávio (DEM). No entendimento do órgão, Paulo Octávio, por não estar no exercício do comando do poder Executivo, não tem as mesmas responsabilidades que o governador José Roberto Arruda (DEM). A decisão seguiu o padrão já anunciado anteriormente pela Procuradoria, que negou os outros requerimentos que incluíam o vice-governador.

O pedido de impeachment do vice-governador foi protocolado pela seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) na última segunda-feira (7). Para a OAB-DF, a Constituição Federal prevê os princípios da simetria e da responsabilidade. Por isso, entendem os conselheiros da Ordem, Paulo Octávio também deveria responder a processo por crime de responsabilidade.

Até o momento, a OAB-DF não foi comunicada oficialmente da decisão da Procuradoria. Na segunda-feira, a presidente da seccional, Estefânia Viveiros, já tinha antecipado que, se a Procuradoria negasse o pedido, entraria com uma ação no Tribunal de Justiça do DF (TJDF) para reverter o parecer negativo. Em um dos vídeos anexados na Operação Caixa de Pandora, um dos diretores do grupo Paulo Octávio aparece conversando com o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, pivô das denúncias de pagamento de mesada a parlamentares distritais e aliados.

Na realidade, isto não era completamente inesperado. Enquanto as acusações contra Arruda tem evidências bastante contundentes, as contra Paulo Octávio são no máximo circunstanciais. Ele não foi gravado ou filmado, e todas as "atividades" que sao mencionadas como ligadas ao seu nome só são ditas por terceiros.

No entanto, a raiva e o oportunismo estão em alta e o bom senso tirou férias por um bom tempo.

Seria tudo muito bom e muito legal se o preço a pagar por este tipo de ação não fosse tão caro.

Mas é como as coisas são

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Sem governo some a corrupção?


Nem tanto. Na realidade temos em quase todos os locais e formas.

Um presentinho aqui, outro acolá. Um passeio, uma festa, um convite...

Podem ser chamadas de estratégias de negócio ou formas de networking. Mas por vezes são apenas tentativas para "adoçar" uma opinião.

Vide o exemplo no início do texto

Manifestantes profissionais - Parte 1

Encontrei um vídeo na Globo que tem mais informações. Mas ainda vou procurar mais a respeito

Manifestantes Pró-Arruda

Juro que por esta eu não esperava.

No entanto temos de ficar surpreso com duas coisas: a primeira é que existam pessoas que tenham a cara dura de fazer isto (depõe seriamente contra elas).

A segunda é que realmente esta é uma estratégia que não tinha me ocorrido. Provavelmente porque achava que não haveriam pessoas dispostas a isto.

O que leva a questão da vida de manifestantes profissionais.

Esta aí um tópico que merece ser investigado. Acredito que voltarei a isto depois

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ao vivo da ocupação da CLDF


Watch live video from foraarruda on Justin.tv

E a ocupação do CLDF?

Isto é um espinho enorme nas costas de diversas pessoas.

Para quem não sabe CLDF é a Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Porque espinho? Ah, quando temos ocupações feitas por pessoas sem relação de parentesco com outros que podem causar um grande barulho, então as mesmas podem ser mais ou menos encerradas de modo relativamente quieto.

Mas no caso aonde os participantes são jovens filhos de membros de destaque da sociedade de Brasília, a coisa muda de figura.

O problema é o seguinte: a Juíza deu 24 horas para desocupação. A participação dela termina aqui. ou seja tudo que vier depois será de responsabilidade de quem executa a ordem.

E aí vem um pepino: a PM sabe muito bem o espinho que é isto. Se algum dos ocupantes se ferir, as chances são de uma dor de cabeça com possíveis ramificações na cúpula da corporação. Então se algo der errado, o que não é improvável, então o oficial responsável pode virar bode expiatório.

Mas nem de longe é o único: existe a possibilidade que o próprio plenário seja alvo de depredação caso algo dê muito errado. E aí, o responsável pela Câmara - no caso o Cabo Patrício - fique como bode expiatório para os membros do legislativo (e algo que ele não precisa é ser visto como alguém sem autoridade).

Então talvez seja por isto que o reitor da UnB apareceu para intermediar as negociações com a Casa. A presença dele poderia ter um efeito sobre os alunos em ocupação.

Bem, poderia... Mas infelizmente este efeito é mais imaginário do que real.

Então temos um impasse com ramificações complicadas. Ao mesmo tempo que a ocupação acaba involuntariamente beneficiando aos acusados, os demais interessados (mesmo entre os organizadores da ocupação) estão muito satisfeitos com o estado das coisas.

Só se lasca quem tirou o palito mais curto e tem de resolver a situação...

E no caso do GDF?

Eu mantenho minha posição.

Acredito que ninguém possa realmente crer que pessoas pegando maços de notas de dinheiro estão fazendo aquilo de modo 100% correto.

Ainda mais quando escondem em meias, cuecas, sacolas ou trancam as portas antes do dinheiro aparecer.

No entanto, minha preocupação é com os que são apenas citados (e não filmados).

Não acredito ser justo colocar as pessoas que foram citadas apenas - mesmo dentro de conversas comprometedoras - no mesmo pacote com as que foram filmadas fazendo algo no mínimo duvidoso.

Existem muitas razões para alguém citar um superior em uma situação como esta. Uma delas é simplesmente para "indicar" que está ali apenas agindo sob ordens.

E daí? Bem, isto pode ser verdade ou não. E o fato é que a menos que existam outras evidências corroborando com o que o "filmado" diz, então não se pode a priori ter certeza que ele está a mando de alguém ou agindo de conta própria.

A coisa muda um pouco de figura quando o filmado traz dinheiro. Aí, há um indício que existe uma fonte para tal. Mas aparentemente, neste caso isto não é tão claro assim.

Então, para evitar que se cometam erros, temos que colocar de lado nossos preconceitos e pré-julgamentos até que se tenham informações suficientes.

Apenas no caso das pessoas que foram citadas...

Isto é o que o bom senso recomenda

A problemática relação entre a polícia e a imprensa

Nas ondas geradas pelo escândalo do GDF passei a pensar sobre as ligações entre a polícia e a imprensa;

Sim, porque a divulgação dos vídeos não é o que chamamos de jornalismo investigativo.

Jornalismo investigativo tornou-se famoso com o escândalo do Watergate. Neste casos os repórteres foram o instrumento na construção do caso contra Nixon.

E em cima dos efeitos das reportagens é que tivemos a eventual renúncia de Nixon.

Não é este o caso agora

O que temos são membros da polícia (e talvez do MP) que "gentilmente cederam" os vídeos para a imprensa.

Pela bondade do coração deles?

Evidente que não...

O propósito é criar uma situação que evite tentativas de "arranjos políticos" para minimizar a divulgação dos casos. Em suma, com a divulgação pública se espera que isto evite que os casos sejam "esquecidos em uma gaveta".

O conceito é interessante. Algo como "fogo contra fogo".

Bem, a questão é que fogo queima, seja amigo ou inimigo.

Esta tudo muito bem quando se tem certeza absoluta que a pessoa em questão cometeu o crime em questão, certo?

Errado!

Para entender porque vamos primeiro ao caso em que se tem certeza absoluta que a pessoa em questão NÃO cometeu o crime.

O que a divulgação de material do caso pode fazer?

Bem, para começar ela pode ser condenada pela opinião pública que ouve somente o lado mais forte falando.

Ora, mas quem não deve não teme, certo?

Ehhhh, não. Qualquer um pode ser acusado de um crime que não cometeu. Supondo que a justiça funcione de modo mais ou menos isento, certamente esta pessoa será considerada inocente (na realidade não culpada) das acusações

Eventualmente... Que podem ser vários meses ou até mesmo vários anos.

Bem, mesmo que seja considerada inocente no curso de alguns dias pergunto: qual veículo de comunicação dá um espaço para absolvição do mesmo tamanho que do ataque?

Resposta? Nenhum...

Então acusar uma pessoa inocente não é algo de consequências facilmente reversíveis.

Agora vamos para o outro caso: Está tudo muito bem quando se tem certeza absoluta que a pessoa em questão cometeu o crime em questão, certo?

Errado! Porque agora? Por causa do "certeza absoluta". Uma coisa a respeito destas duas palavras é que se tem de saber todas as informações a respeito de algo. Não apenas o que um dos lados diz.

Tem-se de ter várias fases de perguntas e respostas até se estar razoavelmente satisfeita dúvida de existir ou não culpa.

Então a relação entre a polícia e a imprensa deve ser controlada? Nem tanto, mas os leitores tem de saber de modo claro que quando a polícia "vaza" uma informação existe uma probabilidade que isto seja intencional - com uma finalidade que pode não ser tão bonita assim.

Qual a forma de regular isto? Bem, acredito que a divulgação com intenção de difamar ou de escarnecer uma pessoa sob investigação só deveria ser punida no caso em que verifique-se que a inocência da pessoa.

Neste caso, a punição tem de ser exemplar para o agente policial ou do poder judiciário que fez isto. Demissão e divulgação pública do abuso de poder.

Assim se "protegem" os possíveis inocentes do abuso - com a penalização forte dos abusos ocorridos.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Entretenimento e Doutrinação

Ao ver alguns documentários na televisão, passei a ficar especialmente atento ao que dizem. A questão não é nem tanto o interesse, mas o fato que a televisão tem uma tendência a nos informar enquanto nos desligamos.

Isto mesmo, assistimos televisão normalmente em piloto automático

E isto é até bem tranquilizador, exceto quando se trata de algo que utilizamos para tomar decisões. Em suma, ficamos um pouco mais vulneráveis a opiniões quando assistimos televisão.

A boa notícia é que não adianta fazer doutrinação pura e simples. Isto só fará que as pessoas mudem de canal. Ou mesmo que não assistam a televisão no horário em questão (veja como fica a audiência no horário eleitoral se não acredita em mim).

No entanto, se o programa for interessante - em suma contanto uma história que prenda os espectadores então parte da batalha de passar a idéia (informação ou doutrina) está já encaminhada.

Então a forma de passar mensagens na televisão com sucesso tem menos a ver com racionalidade do que entretenimento. A maior chance de sucesso é exatamente misturando entretenimento com mensagem.

E caímos no outro ponto: como passar a mensagem de modo a afetar o maior número de pessoas?

Não é simplesmente uma história. Esta histórica precisa ressonar a fundo na pessoa. E para isto temos algumas técnicas interessantes baseadas em como as pessoas funcionam:

  1. Convite a aventura - de modo simples, apresenta-se o tema a ser doutrinado como uma aventura que o espectador pode participar e mudar o mundo com isto.
  2. Confirmação dos preconceitos - em outros palavras, confirmar tudo que a pessoa acredita, ou pelo menos um percentual suficiente para que possa "cair" no papo.
  3. Você faz parte - convencer que a pessoa sempre fez parte do movimento, pois o movimento representa o que ela pensa (ligeiramente diferente do item anterior)

Estas armas são muito poderosas quando colocadas em um contexto de história (não histórico - mas uma narrativa consturada). É quase impossível não se envolver por ele - precisa de muito treinamento para ver de modo imparcial num caso.

Mesmo alguns argumentos racionais são impotente quando alguém se convence do que está lhe sendo dito.

Mais ainda quando pensa que isto vai torna-la parte de algo "maior do que si mesmo".

Perigoso

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O que todos receiam

em uma palavra: intervenção!

A crise no DF pode, se levada às últimas consequências, levar a uma intervenção federal.

Aqui cabem algumas palavras: eu acredito que o DF nunca deveria ter tido eleições para governador, deputado e o escambaú.

Se estas eleições provaram alguma coisa é que não somos mais esclarecidos que ninguém e até mais imaturos em comparação com a maioria.

Mas é fato. Então...

Uma intervenção tem um custo político muito grande. Infelizmente, há possibilidades que dada a confusão este seja um preço pequeno a ser pago em vista do benefício.

O problema é que o problema fundamental não desaparece. Os mesmos vícios podem surgir se as estruturas forem mantidas, e isto é simplesmente adiar um problema maior.

O melhor jeito de uma democracia encontrar a maturidade é através do tempo. Naturalmente, é bem humano de todos nós querermos minimizar os desastres de percurso.

Mas, na minha opinião, isto só tem o efeito de atrasar a evolução natural do sistema.

Então, mesmo contra todas as vontades, o melhor é deixar a coisa correr e tentar manter o que está funcionando.

O resto eventualmente se encaixa

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Algo muito errado mesmo

Li hoje em no twitter uma mensagem dizendo:

...as aulas são o que tem de pior na Universidade! Só atrapalham minha vida acadêmica, não contribuem em nada!

Bem, isto me fez chegar a conclusão que há algo muito errado.

Pode ser com o aluno, com o curso ou com a universidade.

Vamos investigar esta idéia em mais profundidade. Certamente que há algo errado com a universidade, e certamente as aulas não são tudo. Mas também é certo que isto não é verdadeiro em outros cursos. Então, pode ser que a universidade seja inerentemente ruim, mas haja algumas exceções redentoras.

O problema é que isto não se sustenta. Os cursos com maior base tecnológica necessitam de aulas (do contrário seu funcionamento é deficiente - raramente se verifica o caso contrário). Então:

- Portanto podemos riscar da lista a conclusão que a universidade está errada.

Vamos agora a questão do curso. No caso do aluno em questão, o curso é de ciência política. O mesmo é um dos mais antigos do país - mas isto não é garantia de absolutamente nada. O curso é reconhecido pelo MEC, mas apesar de isto ser uma informação positiva, isto na realidade não é nenhuma certeza de qualidade.

O curso possui uma empresa junior de consultoria política, organiza colóquios e especializações. O conceito CAPES é 4.

- É, acho que dá para riscar da lista a conclusão que o curso está errado.

Então só sobra o aluno.

Apenas um trabalho de eliminar as hipóteses de modo racional.