Este blog tem como propósito sincero esclarecer as notícias e novidades sem confundir.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Evolução dos Candidatos - Dilma
Já no caso de Dilma surge uma tendência aparentemente constante de crescimento, mesmo no início das pesquisas.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Evolução dos Candidatos - José Serra
Resolvi utilizar a "técnica muito interessante" para analisar o desempenho dos dois candidatos. Uma das vantagens desta técnica é que mostra mais ou menos quando as coisas se acertaram ou desandaram.
Como dá para ver, a coisa desandou entre a pesquisa 3 e 4 (9-12 de agosto e 20 de agosto
Como dá para ver, a coisa desandou entre a pesquisa 3 e 4 (9-12 de agosto e 20 de agosto
Alimentos Orgânicos - Moda?
Saiu no blog Nutritips:
Não é o primeiro e nem será o último caso. Na minha área de atuação temos o "grande temor" dos telefones celulares, da radiação eletromagnética e até do controle da mente por ondas eletromagnéticas (sério - tem gente que acredita).
Portanto, muito cuidado ao entrar "na moda"
Desde a década de 50 começaram a surgir vários estudos abordando a questão dos alimentos orgânicos. Recente artigo publicado em uma importante revista científica apresentou uma revisão de tudo que havia sido publicado até o momento abordando este assunto. Impressionantemente mais 95.000 artigos foram levantados na literatura científica de 1958 até março de 2010, em relação aos orgânicos e seus aspectos nutricionais. Quando se fala em alimentos orgânicos, diversas questões aparecem como: Eles são mais nutritivos? São mais saudáveis do que os alimentos comuns? São melhores para o meio ambiente? Os pesticidas utilizados dentro das quantidades permitidas fazem mal à saúde?
Muitos estudos, realizados com animais e em humanos, têm sido conduzidos com o objetivo de responder algumas destas questões e, no entanto, pouco se concluiu até hoje. Umas das razões para isto é que muito estudos são conduzidos com fraco desenho experimental, por exemplo, em alguns casos não é possível afirmar que o produto analisado era realmente orgânico, pois apesar do cultivo ser adequado, o solo da região encontrava-se já muito contaminado. Outra questão importante diz respeito aos estudos conduzidos em animais que em alguns casos são irreprodutíveis em humanos.
Muitas pessoas compram produtos orgânicos porque entendem que estes produtos são mais saudáveis, no entanto, o que a literatura tem demonstrado é que não há relação entre o consumo de orgânicos e melhora da condição de saúde. De fato, poucos são os artigos que mostraram aumento de algum nutriente, principalmente antioxidantes, nos produtos orgânicos quando comparados com o cultivo normal. Alguns trabalhos encontram aumento de vitamina C, ferro e magnésio em produtos de origem orgânica comparados aos mesmos produtos cultivados de forma tradicional. No entanto, quando indivíduos consumiam estes alimentos nenhum benefício extra foi encontrado. Muitos autores acreditam que uma quantidade um pouco maior de antioxidante em alguns alimentos não é suficiente para trazer benefícios ao ser humano. Mesmo porque a variedade de frutas e vegetais que são consumidos normalmente é suficiente para promover a ingestão adequada de antioxidantes.
Outro aspecto que vem sendo estudado é se o consumo de alimentos de cultivo tradicional poderia trazer algum malefício devido ao uso de pesticidas e outros produtos químicos. O que a literatura mostra é que boa parte destes resíduos são eliminados na preparação dos alimentos. A cocção e higienização, por exemplo, podem levar a uma redução significativa nos níveis de resíduos de pesticidas em alimentos. Procedimentos comerciais de beneficiamento de grãos, como arroz, café e trigo, podem levar a uma redução de até 95% de alguns pesticidas. Em outros casos como no mamão papaia a maior parte dos resíduos encontra-se na casca, que não é consumida in natura. No caso do tomate por exemplo a discussão é ainda maior, pois boa parte dos resíduos encontra-se na casca, onde também está a maior parte do licopeno, importante substância encontrada no tomate. Neste caso, não há consenso se o melhor seria retirar, ou consumir a casca, segundo alguns autores a quantidade de resíduos a serem consumidos ao ingerir a casca seria muito baixa, enquanto a retirada da mesma levaria a uma redução significativa do consumo de licopeno, o que seria mais prejudicial do que o pouco resíduo a ser consumido.
O que se tem comprovadamente até o momento não justifica o consumo de orgânicos pensando em melhorar a saúde. Este consumo pode ser feito por opção, ou filosofia, mas manter o consumo de frutas e vegetais produzidos tradicionalmente até o momento não é prejudicial à saúde.Este talvez seja mais um daqueles casos aonde um movimento criado por suposições ou mesmo ilusões de superioridade leva a toda uma modificação na vida das pessoas.
Não é o primeiro e nem será o último caso. Na minha área de atuação temos o "grande temor" dos telefones celulares, da radiação eletromagnética e até do controle da mente por ondas eletromagnéticas (sério - tem gente que acredita).
Portanto, muito cuidado ao entrar "na moda"
domingo, 5 de setembro de 2010
Avaliação de Lula - Onde você se encontra
Há poucos dias atrás foi divulgada a avaliação do presidente Lula. Esta avaliação traz muito mais informações do que o simples, bom, regular & péssimo.
Ela também traz o equivalente a uma distribuição. E com isto podemos fazer algumas brincadeiras interessantes.
Eu não sei se a formatação irá aparecer, mas o caso é o seguinte:
Nota média de Lula: 7.95
Desvio Padrão: 2.25
Distorção: -22.80 (quão torta está a curva - no caso para o lado positivo da avaliação)
Excesso de Curtosis: 2.38 (mede a quantidade de gente nos locais mais distantes da média)
Com estes dados, você pode a priori se colocar dentro da distribuição. Por exemplo
| Nota | %l | Número | %l | Média | Variância | Distorção | Curtosis |
| 0 | 2 | 218,96 | 0,02 | 0,00 | 1,26 | -10,05 | 79,89 |
| 1 | 1 | 109,48 | 0,01 | 0,01 | 0,48 | -5,01 | 23,33 |
| 2 | 1 | 109,48 | 0,01 | 0,02 | 0,35 | -4,99 | 12,53 |
| 3 | 1 | 109,48 | 0,01 | 0,03 | 0,25 | -4,97 | 6,00 |
| 4 | 2 | 218,96 | 0,02 | 0,08 | 0,31 | -9,75 | 4,87 |
| 5 | 6 | 656,88 | 0,06 | 0,30 | 0,52 | -26,86 | 4,54 |
| 6 | 6 | 656,88 | 0,06 | 0,36 | 0,23 | -26,23 | 0,87 |
| 7 | 13 | 1423,24 | 0,13 | 0,91 | 0,12 | -45,36 | 0,11 |
| 8 | 21 | 2299,08 | 0,21 | 1,68 | 0,00 | -51,76 | 0,00 |
| 9 | 14 | 1532,72 | 0,14 | 1,26 | 0,15 | -41,92 | 0,17 |
| 10 | 33 | 3612,84 | 0,33 | 3,30 | 1,39 | -33,18 | 5,83 |
| 100 | 10948 | 1,00 | 7,95 | 5,07 | -260,08 | 138,14 | |
| 2,25 | -22,80 | 5,38 | |||||
Eu não sei se a formatação irá aparecer, mas o caso é o seguinte:
Nota média de Lula: 7.95
Desvio Padrão: 2.25
Distorção: -22.80 (quão torta está a curva - no caso para o lado positivo da avaliação)
Excesso de Curtosis: 2.38 (mede a quantidade de gente nos locais mais distantes da média)
Com estes dados, você pode a priori se colocar dentro da distribuição. Por exemplo
- Se minha avaliação de Lula é 7.95 então minha dispersão normalizada é zero, minha distorção relativa é zero & minha curtosis relativa é zero
- Se minha avaliação de Lula é 5.00 então minha dispersão normalizada é 1.72, minha distorção relativa é -2.25 & minha curtosis relativa é -0.05
- Se minha avaliação de Lula é 10.00 então minha dispersão normalizada é 0.83, minha distorção relativa é 0.76 & minha curtosis relativa é -2.31
- Se minha avaliação de Lula é 2.00 então minha dispersão normalizada é 6.99, minha distorção relativa é -18.47 & minha curtosis relativa é 45.81
O que significa isto?
Quanto maior a dispersão, mais longe minha avaliação está do valor médio. Quando a minha distorção é positiva minha avaliação tende a ser mais positiva que a média. E a curtosis indica se tem muita gente que pensa como eu... (basicamente quanto maior a curtosis, mais longe eu estou da distribuição normal)
E você? Que nota dá para Lula? Vale a pena ver a tabela
| Nota | Erro | Desvio | Distorção | Curtosis |
| 0 | -7,95 | 12,47 | -44,02 | 152,40 |
| 1 | -6,95 | 9,53 | -29,41 | 87,77 |
| 2 | -5,95 | 6,98 | -18,45 | 45,76 |
| 3 | -4,95 | 4,83 | -10,62 | 20,36 |
| 4 | -3,95 | 3,08 | -5,40 | 6,47 |
| 5 | -2,95 | 1,72 | -2,25 | -0,05 |
| 6 | -1,95 | 0,75 | -0,65 | -2,44 |
| 7 | -0,95 | 0,18 | -0,08 | -2,97 |
| 8 | 0,05 | 0,00 | 0,00 | -3,00 |
| 9 | 1,05 | 0,22 | 0,10 | -2,95 |
| 10 | 2,05 | 0,83 | 0,76 | -2,31 |
sábado, 4 de setembro de 2010
Um problema Interessante - Explicando
A questão que levantei no último post pode ser sumarizada da seguinte forma:
O que pode ser feito é utilizar uma curva mais sofisticada para representar os dados. Nesta situação, o uso de aproximações polinomiais pode eventualmente levar a instabilidades ou resultados espúrios. Assim, busca-se o uso de curvas "naturais" ao processo (tais como a família de curvas logísticas).
Mas aqui eu proponho uma abordagem diferente:
y=[178.741 181.106 183.383 185.564 187.642 189.613]
Se usarmos uma reta única temos:
y=2.1757*X + 178.9023 (para todos os pontos - dispersão de 302 mil pessoas)
Mas podemos utilizar não apenas 1, mas duas retas. As retas que minimizam o erro são:
y=2.3210*X + 178.7557 (para os primeiros 4 pontos)
y=2.0245*X + 179.5083 (para os últimos 4 pontos)
O erro global das duas retas é de 55.6 mil pessoas.
O erro é de 0.0556 (em milhões de pessoas), bem melhor do que o do caso linear com uma única reta (erro de 0.302 - também em milhões de pessoas).
Além disto notamos uma mudança na derivada entre o terceiro e quarto pontos ( entre 183.383 milhões e 185.564 milhões).
Isto foi usado para uma estimativa populacional, mas pode muito bem ser usado para outros conjuntos de dados
- Ao termos um conjunto de dados numéricos, do qual desejamos verificar a tendência dos mesmos usamos geralmente técnicas de regressão linear. No fundo, a forma mais utilizada é assumir uma aproximação linear, ou seja uma reta.
O que pode ser feito é utilizar uma curva mais sofisticada para representar os dados. Nesta situação, o uso de aproximações polinomiais pode eventualmente levar a instabilidades ou resultados espúrios. Assim, busca-se o uso de curvas "naturais" ao processo (tais como a família de curvas logísticas).
Mas aqui eu proponho uma abordagem diferente:
- Vamos usar um conjunto de 2 ou mais retas para fazer a aproximação. A escolha da inclinação e constante destas retas pode ser realizada de forma a minimizar a variância do resíduo (diferença entre os pontos medidos e os pontos obtidos na reta).
y=[178.741 181.106 183.383 185.564 187.642 189.613]
Se usarmos uma reta única temos:
y=2.1757*X + 178.9023 (para todos os pontos - dispersão de 302 mil pessoas)
Mas podemos utilizar não apenas 1, mas duas retas. As retas que minimizam o erro são:
y=2.3210*X + 178.7557 (para os primeiros 4 pontos)
y=2.0245*X + 179.5083 (para os últimos 4 pontos)
O erro global das duas retas é de 55.6 mil pessoas.
O erro é de 0.0556 (em milhões de pessoas), bem melhor do que o do caso linear com uma única reta (erro de 0.302 - também em milhões de pessoas).
Além disto notamos uma mudança na derivada entre o terceiro e quarto pontos ( entre 183.383 milhões e 185.564 milhões).
Isto foi usado para uma estimativa populacional, mas pode muito bem ser usado para outros conjuntos de dados
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Um problema interessante
Hoje tive de acompanhar dois membros do IEEE em uma maratona de reuniões. Neste caso meu papel foi essencialmente o de guia/motorista. Não foi ruim e os dois eram pessoas bastante simpáticas e agradáveis.
Mas em um dos momentos de espera eu comecei a pensar em um problema interessante.
Via de regra, dado um conjunto de medidas tentamos montar um modelo que relacione variáveis de entrada com variáveis de saída. Este é um problema de regressão linear. Na sua forma mais simples temos a equação:
Y=aX+b
E esta equação irá descrever um conjunto de pontos. Podemos fazer isto para mais de uma variável, como por exemplo:
Y=a1X1+a2X2+b
E o problema é praticamente o mesmo. Em geral temos um conjunto grande de X e Y para montar o sistema:
[X 1]*[a;b]=[Y]
Ou seja temos uma matriz N x 2 multiplicada por uma 2 x 1 resultando em um vetor N x 1.
A solução normalmente envolve o uso de pseudo-inversa (ou inversa generalizada). No fundo é encontrar a reta que tem menor variância em relação aos pontos existentes. Esta variância é calculada pelo somatório de:
(Yk-a*Xk-b)^2
Mas comecei a pensar
Por que uma reta? Por que não um conjunto de retas? Ou seja, por que não resolver o problema por partes?
No caso de duas retas usaríamos N1 pontos para primeira reta e N-N1 para segunda reta. O valor de N1 deveria ser determinado de modo a que a variância fosse a menor possível. Este tipo de problema tem algumas diferenças.
Primeiro a variância é calculada pelo somatório até N1 de
(Yk-a1*Xk-b1)^2
Adicionado ao somatório de N1 até N de
(Yk-a2*Xk-b2)^2
A vantagem desta representação é que pode-se avaliar possíveis pontos de ruptura ou de mudança de derivada (apesar de que possivelmente o processo deve ser contínuo). No fundo temos o problema original:
int (f(x)-a*x-b)^2 de 0 até cf
por
int (f(x)-a1*x-b1)^2 de 0 até c1 e int (f(x)-a2*x-b2)^2 de c1 até cf
Este é o problema original. Vamos ver o que podemos fazer a respeito...
Mas em um dos momentos de espera eu comecei a pensar em um problema interessante.
Via de regra, dado um conjunto de medidas tentamos montar um modelo que relacione variáveis de entrada com variáveis de saída. Este é um problema de regressão linear. Na sua forma mais simples temos a equação:
Y=aX+b
E esta equação irá descrever um conjunto de pontos. Podemos fazer isto para mais de uma variável, como por exemplo:
Y=a1X1+a2X2+b
E o problema é praticamente o mesmo. Em geral temos um conjunto grande de X e Y para montar o sistema:
[X 1]*[a;b]=[Y]
Ou seja temos uma matriz N x 2 multiplicada por uma 2 x 1 resultando em um vetor N x 1.
A solução normalmente envolve o uso de pseudo-inversa (ou inversa generalizada). No fundo é encontrar a reta que tem menor variância em relação aos pontos existentes. Esta variância é calculada pelo somatório de:
(Yk-a*Xk-b)^2
Mas comecei a pensar
Por que uma reta? Por que não um conjunto de retas? Ou seja, por que não resolver o problema por partes?
No caso de duas retas usaríamos N1 pontos para primeira reta e N-N1 para segunda reta. O valor de N1 deveria ser determinado de modo a que a variância fosse a menor possível. Este tipo de problema tem algumas diferenças.
Primeiro a variância é calculada pelo somatório até N1 de
(Yk-a1*Xk-b1)^2
Adicionado ao somatório de N1 até N de
(Yk-a2*Xk-b2)^2
A vantagem desta representação é que pode-se avaliar possíveis pontos de ruptura ou de mudança de derivada (apesar de que possivelmente o processo deve ser contínuo). No fundo temos o problema original:
int (f(x)-a*x-b)^2 de 0 até cf
por
int (f(x)-a1*x-b1)^2 de 0 até c1 e int (f(x)-a2*x-b2)^2 de c1 até cf
Este é o problema original. Vamos ver o que podemos fazer a respeito...
sábado, 21 de agosto de 2010
Composição do Eleitorado - parte 5
Vamos agora analisar outra categoria de composição do eleitorado: o gênero (masculino & feminino).
Serra
Serra
Dilma
Dilma
Então a chance é mesmo que 2% dos eleitores de Serra tenha passado para Dilma e 1% das eleitoras de Serra tenha feito o mesmo. Claro que com as incertezas associadas aos erros amostrais está afirmação não pode ser inteiramente comprovada.
Serra
- Em 24/05/2010 - 47% masculino e 53% feminino
- Em 30/06/2010 - 41% masculino e 59% feminino
- Em 23/07/2010 - 46% masculino e 54% feminino
- Em 16/08/2010 - 45% masculino e 55% feminino
Serra
- Em 24/05/2010 - 17% masculino e 19% feminino (total 36%)
- Em 30/06/2010 - 16% masculino e 23% feminino (total 39%)
- Em 23/07/2010 - 17% masculino e 20% feminino (total 37%)
- Em 16/08/2010 - 15% masculino e 18% feminino (total 33%)
Dilma
- Em 24/05/2010 - 54% masculino e 46% feminino
- Em 30/06/2010 - 58% masculino e 42% feminino
- Em 23/07/2010 - 56% masculino e 44% feminino
- Em 16/08/2010 - 55% masculino e 45% feminino
Dilma
- Em 24/05/2010 - 20% masculino e 17% feminino (total 37%)
- Em 30/06/2010 - 21% masculino e 15% feminino (total 36%)
- Em 23/07/2010 - 20% masculino e 16% feminino (total 36%)
- Em 16/08/2010 - 22% masculino e 18% feminino (total 40%)
Então a chance é mesmo que 2% dos eleitores de Serra tenha passado para Dilma e 1% das eleitoras de Serra tenha feito o mesmo. Claro que com as incertezas associadas aos erros amostrais está afirmação não pode ser inteiramente comprovada.
Composição do Eleitorado - parte 4
Apesar de ter saído a mais nova pesquisa DATAFOLHA com Dilma a 47% das intenções de voto, acredito que tenho de ver a evolução da composição do eleitorado para ter uma idéia mais clara do que acontece.
Então vamos aos candidatos. Os dados estão um pouco distintos dos posts anteriores devido ao arredondamento e ao uso dos percentuais atualizados segundo o número de pesquisados.
Serra
Já a análise com relação aos pontos percentuais totais mostra um quadro diferente. Esta análise permite indicar aonde foi a perda de Serra.
Dilma
Então vamos aos candidatos. Os dados estão um pouco distintos dos posts anteriores devido ao arredondamento e ao uso dos percentuais atualizados segundo o número de pesquisados.
Serra
- Em 24/05/2010 - 66% acham o governo Lula positivo, 27% acham o governo Lula neutro e 7% acham o governo Lula ruim
- Em 30/06/2010 - 69% acham o governo Lula positivo, 25% acham o governo Lula neutro e 6% acham o governo Lula ruim
- Em 23/07/2010 - 64% acham o governo Lula positivo, 29% acham o governo Lula neutro e 7% acham o governo Lula ruim
- Em 16/08/2010 - 62% acham o governo Lula positivo, 30% acham o governo Lula neutro e 8% acham o governo Lula ruim
Já a análise com relação aos pontos percentuais totais mostra um quadro diferente. Esta análise permite indicar aonde foi a perda de Serra.
Serra
- Em 24/05/2010 - 24% acham o governo Lula positivo, 10% acham o governo Lula neutro e 3% acham o governo Lula ruim (total 37%)
- Em 30/06/2010 - 27% acham o governo Lula positivo, 10% acham o governo Lula neutro e 2% acham o governo Lula ruim (total 39%)
- Em 23/07/2010 - 24% acham o governo Lula positivo, 11% acham o governo Lula neutro e 3% acham o governo Lula ruim (total 38%)
- Em 16/08/2010 - 21% acham o governo Lula positivo, 10% acham o governo Lula neutro e 3% acham o governo Lula ruim (total 34%)
Dilma
- Em 24/05/2010 - 92% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 0% acham o governo Lula ruim
- Em 30/06/2010 - 95% acham o governo Lula positivo, 5% acham o governo Lula neutro e 1% acham o governo Lula ruim
- Em 23/07/2010 - 92% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 0% acham o governo Lula ruim
- Em 16/08/2010 - 92% acham o governo Lula positivo, 8% acham o governo Lula neutro e 1% acham o governo Lula ruim
Dilma
- Em 24/05/2010 - 34% acham o governo Lula positivo, 3% acham o governo Lula neutro e 0% acham o governo Lula ruim (total 37%)
- Em 30/06/2010 - 34% acham o governo Lula positivo, 2% acham o governo Lula neutro e 0% acham o governo Lula ruim (total 36%)
- Em 23/07/2010 - 32% acham o governo Lula positivo, 3% acham o governo Lula neutro e 0% acham o governo Lula ruim (total 35%)
- Em 16/08/2010 - 37% acham o governo Lula positivo, 3% acham o governo Lula neutro e 0% acham o governo Lula ruim (total 40%)
O valor médio é de 34% acham o governo Lula bom, 3% acham o governo Lula neutro e 0% acham o governo Lula ruim (total é de 37%). A diferença entre os dados da pesquisa de 24/05 e 16/08 é de +3% que acham o governo Lula positivo, 0% que acham o governo Lula neutro e 0% que acham o governo Lula ruim. Isto indica que Dilma teve um ganho de 3% no percentual do eleitorado que acha o governo Lula bom (dos quais 3% podem ser reportados a Serra).
A verdade é que este tipo de análise só mostra as variações ocorridas dentro de uma categoria: popularidade do presidente. Para uma análise melhor é necessário ver outras categorias.
Isto fica para um próximo post
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Equação de Price
Acho que encontrei o equivalente de uma das Leis do Eletromagnetismo na biologia evolutiva

Esta é a chamada equação de Price. Parecem existir muitas ramificações além da biologia.
Suspeito que esta equação pode ser utilizada para explicar e possivelmente quantificar processos similares aos efeitos da evolução e seleção natural. Em outras palavras: talvez seja possível aplicá-la para fenômenos sociais.
Percebo, ao olhar para ela, que algo que sempre me escapou na descrição matemática de populações foi a interação entre o comportamento individual e o coletivo. Agora vejo que o comportamento coletivo estará ligado às médias e o individual ao agrupamento dos mesmos.
No caso da equação acima:

é a variação da característica no grupo i da geração k para k+1

é a variação média da característica na população da geração k para k+1. E claro que wi é a aptidão associada a característica zi .
Outro ponto interessante da equação é que sua derivação é exata (matematicamente). A covariância entre a aptidão e característica no grupo i é dado por:

Já o valor esperado para taxa de alteração da característica no grupo i é dado por:

Somando os dois termos temos:

Sinto que um modelo baseado no relacionamento entre médias e indivíduos é chave para o entendimento de um comportamento social. Mas descobrir isto é um senhor problema
Esta é a chamada equação de Price. Parecem existir muitas ramificações além da biologia.
Suspeito que esta equação pode ser utilizada para explicar e possivelmente quantificar processos similares aos efeitos da evolução e seleção natural. Em outras palavras: talvez seja possível aplicá-la para fenômenos sociais.
Percebo, ao olhar para ela, que algo que sempre me escapou na descrição matemática de populações foi a interação entre o comportamento individual e o coletivo. Agora vejo que o comportamento coletivo estará ligado às médias e o individual ao agrupamento dos mesmos.
No caso da equação acima:
é a variação da característica no grupo i da geração k para k+1
é a variação média da característica na população da geração k para k+1. E claro que wi é a aptidão associada a característica zi .
Outro ponto interessante da equação é que sua derivação é exata (matematicamente). A covariância entre a aptidão e característica no grupo i é dado por:
Já o valor esperado para taxa de alteração da característica no grupo i é dado por:
Somando os dois termos temos:
Sinto que um modelo baseado no relacionamento entre médias e indivíduos é chave para o entendimento de um comportamento social. Mas descobrir isto é um senhor problema
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Composição do eleitorado - parte 3
Sairam os novos dados do DATAFOLHA. E eles são muito completos...
Para adiantar, vou colocar um primeiro post sobre estes novos dados e depois trago mais detalhes.
Serra
Dilma
Marina
Brancos
Não sabe
Então é possível ver algumas mudanças interessantes a partir destes dados. Eu vou a estes pontos mais tarde
Para adiantar, vou colocar um primeiro post sobre estes novos dados e depois trago mais detalhes.
Serra
- Em 14/04/2010 - 67% acham o governo Lula positivo, 26% acham o governo Lula neutro e 8% acham o governo Lula ruim
- Em 20/05/2010 - 65% acham o governo Lula positivo, 27% acham o governo Lula neutro e 8% acham o governo Lula ruim
- Em 30/06/2010 - 68% acham o governo Lula positivo, 26% acham o governo Lula neutro e 6% acham o governo Lula ruim
- Em 26/07/2010 - 66% acham o governo Lula positivo, 28% acham o governo Lula neutro e 6% acham o governo Lula ruim
- Em 16/08/2010 - 63% acham o governo Lula positivo, 28% acham o governo Lula neutro e 8% acham o governo Lula ruim
Dilma
- Em 14/04/2010 - 93% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 0% acham o governo Lula ruim
- Em 20/05/2010 - 92% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 1% acham o governo Lula ruim
- Em 30/06/2010 - 94% acham o governo Lula positivo, 4% acham o governo Lula neutro e 0.4% acham o governo Lula ruim
- Em 26/07/2010 - 93% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 0% acham o governo Lula ruim
- Em 16/08/2010 - 92% acham o governo Lula positivo, 7% acham o governo Lula neutro e 1% acham o governo Lula ruim
Marina
- Em 14/04/2010 - 70% acham o governo Lula positivo, 24% acham o governo Lula neutro e 6% acham o governo Lula ruim
- Em 20/05/2010 - 67% acham o governo Lula positivo, 25% acham o governo Lula neutro e 8% acham o governo Lula ruim
- Em 30/06/2010 - 70% acham o governo Lula positivo, 27% acham o governo Lula neutro e 6% acham o governo Lula ruim
- Em 26/07/2010 - 71% acham o governo Lula positivo, 21% acham o governo Lula neutro e 2% acham o governo Lula ruim
- Em 16/08/2010 - 77% acham o governo Lula positivo, 22% acham o governo Lula neutro e 4% acham o governo Lula ruim
Brancos
- Em 14/04/2010 - 69% acham o governo Lula positivo, 22% acham o governo Lula neutro e 8% acham o governo Lula ruim
- Em 20/05/2010 - 57% acham o governo Lula positivo, 28% acham o governo Lula neutro e 15% acham o governo Lula ruim
- Em 30/06/2010 - 58% acham o governo Lula positivo, 30% acham o governo Lula neutro e 18% acham o governo Lula ruim
- Em 26/07/2010 - 54% acham o governo Lula positivo, 31% acham o governo Lula neutro e 14% acham o governo Lula ruim
- Em 16/08/2010 - 46% acham o governo Lula positivo, 29% acham o governo Lula neutro e 9% acham o governo Lula ruim
Não sabe
- Em 14/04/2010 - 73% acham o governo Lula positivo, 23% acham o governo Lula neutro e 5% acham o governo Lula ruim
- Em 20/05/2010 - 76% acham o governo Lula positivo, 23% acham o governo Lula neutro e 1% acham o governo Lula ruim
- Em 30/06/2010 - 78% acham o governo Lula positivo, 17% acham o governo Lula neutro e 0.5% acham o governo Lula ruim
- Em 26/07/2010 - 77% acham o governo Lula positivo, 21% acham o governo Lula neutro e 2% acham o governo Lula ruim
- Em 16/08/2010 - 77% acham o governo Lula positivo, 22% acham o governo Lula neutro e 2% acham o governo Lula ruim
Então é possível ver algumas mudanças interessantes a partir destes dados. Eu vou a estes pontos mais tarde
Esperando os dados do DATAFOLHA
Ainda não postei nenhuma análise sobre os últimos dados da pesquisa para presidente de 2010 pois estou esperando os dados de tabela ficarem disponíveis.
Estou bastante curioso sobre as possíveis alterações nos percentuais dos candidatos - em particular da Dilma e do Serra. Não nos percentuais divulgados, mas nos calculados utilizando Bayes.
Estou bastante curioso sobre as possíveis alterações nos percentuais dos candidatos - em particular da Dilma e do Serra. Não nos percentuais divulgados, mas nos calculados utilizando Bayes.
domingo, 15 de agosto de 2010
Se havia alguma dúvida...
Depois das declarações de Roriz no blog da Ana Maria Campos:
"...
Agora não resta dúvida nenhuma: Roriz orquestrou a motivação do Fora Arruda.
Eu sempre suspeitei, mas nunca consegui nada para corroborar esta suspeita. Até esta declaração...
Só posso imaginar a sensação de ter sido uma marionete dos que participaram do movimento. Mas nem tudo está perdido: o ficha limpa foi algo que estava totalmente fora do script.
Pena que haja dúvidas sobre sua constitucionalidade.
"...
Eu - O senhor acredita que tudo o que Durval contou sobre o governo Arruda aconteceu também no seu?
Roriz - Não, no meu não. Ele foi nomeado por mim. Agora eu acho que o Durval, vocês me desculpem dizer, acho que ele prestou um relevante serviço ao meu país. Ter a coragem de denunciar as falcatruas de um governo... Isso um dia vai ser reconhecido. Eu acho que ele prestou um trabalho extraordinário para o Brasil, não só para Brasília, para o Brasil. Qual é o homem que tem coragem de ser governo e denunciar o seu próprio governo? Precisa pensar nisso. Porque hoje qualquer governante tem receio, a partir da denúncia do Durval. Vamos respeitar o homem. O homem que vai moralizar a coisa pública desse país. Não foi só de Brasília, não. Mas em Brasília ele erradicou. Depôs governador, depôs vice-governador, depôs tudo.
..."Agora não resta dúvida nenhuma: Roriz orquestrou a motivação do Fora Arruda.
Eu sempre suspeitei, mas nunca consegui nada para corroborar esta suspeita. Até esta declaração...
Só posso imaginar a sensação de ter sido uma marionete dos que participaram do movimento. Mas nem tudo está perdido: o ficha limpa foi algo que estava totalmente fora do script.
Pena que haja dúvidas sobre sua constitucionalidade.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Eleições - Histórico da cotação do Real
Em mais um esforço para detonar a propaganda, estou colocando aqui a série temporal de cotação do Real com o Dólar. Os dados são do IPEA.
Espero que isto ajude a diminuir os erros que surgem quando as pessoas acreditam em propaganda enganosa.
O fato é que olhando gráfico ficam claros os momentos da flutuação do câmbio, no governo FHC, a eleição de Lula e a nova crise financeira.
Como ponto positivo do governo Lula, notem que a cotação diminuiu de modo consistente durante boa parte do seu mandato (com exceção da crise de 2008).
Já durante o governo FHC, após a flutuação do câmbio, a cotação subiu de modo consistente durante todo mandato
Espero que isto ajude a diminuir os erros que surgem quando as pessoas acreditam em propaganda enganosa.
O fato é que olhando gráfico ficam claros os momentos da flutuação do câmbio, no governo FHC, a eleição de Lula e a nova crise financeira.
Como ponto positivo do governo Lula, notem que a cotação diminuiu de modo consistente durante boa parte do seu mandato (com exceção da crise de 2008).
Já durante o governo FHC, após a flutuação do câmbio, a cotação subiu de modo consistente durante todo mandato
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Época de Eleições - Spin a mil
De novo surge a história de "FHC faliu o país" e "Itamar não é o pai do Real". Como isso é mentira mesmo, resolvi colocar aqui um gráfico com a série história de inflação de 1980 a 2009.
Para facilitar ainda coloquei de modo destacado a intervenção de cada governante do respectivo período de modo destacado (como um traço vertical).
Notem a eleição de 2002 - e o efeito que teve na inflação
Para facilitar ainda coloquei de modo destacado a intervenção de cada governante do respectivo período de modo destacado (como um traço vertical).
Notem a eleição de 2002 - e o efeito que teve na inflação
domingo, 8 de agosto de 2010
Época de Eleições
E como já disse começa o spin:
O presidente estadual do Partido Verde no Rio, Alfredo Sirkis, ironizou hoje Plínio de Arruda, candidato à Presidência pelo PSOL.
"Ele é um burguês quatrocentão que mora em um apartamento de R$ 1 milhão falando de uma menina pobre, nascida na floresta, que se alfabetizou aos 16 anos e passou fome", disse, em referência ao apelido de "ecocapitalista" dado por Plínio à candidata do PV à Presidência, Marina Silva, durante o debate televisivo de quinta-feira.
Não deixa de ser moderadamente curioso
Pesquisas influenciam o eleitorado?
Este pergunta é tema de muitos trabalhos acadêmicos. Podemos mencionar este, este e este.
Mas o fator é que há uma grande incerteza sobre o potencial de influência de uma pesquisa.
No caso das eleições do Brasil há diversos pontos que se destacam. Um dele é como uma pesquisa pode influenciar eleições se sua divulgação é primariamente em meio impresso. No Brasil, a circulação de meio impresso é cerca de 5% da população total. Se considerarmos também a internet, talvez este número suba até 20%. Mas de qualquer modo ainda restam 80% da população para ser influenciada.
Há também a questão de pesquisas divulgadas pela televisão tem uma abrangência ainda maior. Mas o fato é que se vários institutos divulgarem, fica difícil forçar algum tipo de manipulação. O máximo efeito seria que a pesquisa talvez reforçasse os dados da população (ou seja, a pesquisa é o espelho da opinião da população, e este espelho faria a população tentar se parecer com a pesquisa).
Mas acredito que a pesquisa poderá somente influenciar o percentual de eleitores que podem mudar de voto (o que não significa indecisos). Em um post anterior eu disse:
Este valor é de cerca de 27%. A sua divisão é a seguinte: 11,44% em Serra, 7,45% em Dilma, 3,91% em Marina e 4,31% em Brancos e Nulos. O pessoal que não sabe chega a um total de 5%.
Este resultado diz que 27% dos eleitores pode mudar o voto. Podemos imaginar que este percentual é o que potencialmente pode ser influenciado por pesquisas. E desta influência, temos que alguns podem ser sofrer efeitos positivos (p), negativos (n) ou indiferentes (i). Ou seja, os 11,4% de Serra seriam multiplicados por a soma dos efeitos positivos, negativos e indiferentes. O efeito negativo teria a ter influência contrária a da pesquisa (se Serra aumenta ele tende a diminuir, se Serra diminui ele tende a aumentar).
O fato é que mesmo estes 11,4% tem de ser categorizados sobre o grau de influência que a pesquisa tem sobre a sociedade. Nisto o primeiro passo é determinar qual é a penetração de uma pesquisa. Dado situações anteriores, eu iria longe o suficiente para afirmar que um pesquisa divulgada em televisão terá no máximo 50% de penetração. Isto é baseado em dados de pesquisa anteriores com relação a audiência de programas televisivos (o Jornal Nacional tem tido audiência na casa dos 38 pontos).
Então o potencial de mudança devido a pesquisas pode ser algo perto de 27*0.5 ou cerca de 14%. Provavelmente este percentual pode ser maior em relação ao pessoal que não sabe, mas para simplificar temos algo como potencial para mudança devido a pesquisa de 6 pontos em Serra, 4 pontos em Dilma, 2 pontos em Marina, 2 pontos em Nulos e Brancos e 2 pontos em não sabe.
Mas por enquanto só pode-se especular
Mas o fator é que há uma grande incerteza sobre o potencial de influência de uma pesquisa.
No caso das eleições do Brasil há diversos pontos que se destacam. Um dele é como uma pesquisa pode influenciar eleições se sua divulgação é primariamente em meio impresso. No Brasil, a circulação de meio impresso é cerca de 5% da população total. Se considerarmos também a internet, talvez este número suba até 20%. Mas de qualquer modo ainda restam 80% da população para ser influenciada.
Há também a questão de pesquisas divulgadas pela televisão tem uma abrangência ainda maior. Mas o fato é que se vários institutos divulgarem, fica difícil forçar algum tipo de manipulação. O máximo efeito seria que a pesquisa talvez reforçasse os dados da população (ou seja, a pesquisa é o espelho da opinião da população, e este espelho faria a população tentar se parecer com a pesquisa).
Mas acredito que a pesquisa poderá somente influenciar o percentual de eleitores que podem mudar de voto (o que não significa indecisos). Em um post anterior eu disse:
Este valor é de cerca de 27%. A sua divisão é a seguinte: 11,44% em Serra, 7,45% em Dilma, 3,91% em Marina e 4,31% em Brancos e Nulos. O pessoal que não sabe chega a um total de 5%.
Este resultado diz que 27% dos eleitores pode mudar o voto. Podemos imaginar que este percentual é o que potencialmente pode ser influenciado por pesquisas. E desta influência, temos que alguns podem ser sofrer efeitos positivos (p), negativos (n) ou indiferentes (i). Ou seja, os 11,4% de Serra seriam multiplicados por a soma dos efeitos positivos, negativos e indiferentes. O efeito negativo teria a ter influência contrária a da pesquisa (se Serra aumenta ele tende a diminuir, se Serra diminui ele tende a aumentar).
O fato é que mesmo estes 11,4% tem de ser categorizados sobre o grau de influência que a pesquisa tem sobre a sociedade. Nisto o primeiro passo é determinar qual é a penetração de uma pesquisa. Dado situações anteriores, eu iria longe o suficiente para afirmar que um pesquisa divulgada em televisão terá no máximo 50% de penetração. Isto é baseado em dados de pesquisa anteriores com relação a audiência de programas televisivos (o Jornal Nacional tem tido audiência na casa dos 38 pontos).
Então o potencial de mudança devido a pesquisas pode ser algo perto de 27*0.5 ou cerca de 14%. Provavelmente este percentual pode ser maior em relação ao pessoal que não sabe, mas para simplificar temos algo como potencial para mudança devido a pesquisa de 6 pontos em Serra, 4 pontos em Dilma, 2 pontos em Marina, 2 pontos em Nulos e Brancos e 2 pontos em não sabe.
Mas por enquanto só pode-se especular
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Ficha Limpa e Roriz
Acaba e sair a notícia que Roriz teve seu pedido de candidatura negado pelo TRE-DF.
Eu não sou eleitor dele e tenho muitas divergência com os setores que o apoiam. Então, não estou nada triste com isto.
Mas cabe um alerta de sobriedade: o resultado ainda cabe recurso no TSE (e caso seja no STF). E o problema é justamente a questão de porque o ficha limpa está sendo aplicado. Eu explico: neste caso não é nem a questão temporal do problema, mas o fato que ele está sendo enquadrado por ter renunciado.
A renúncia teve como causa provável a estratégia para escapar de uma possível cassação. Isto até as folhas das árvores já estão sabendo.
Mas causa provável não é causa certa. E mais ainda: renunciar é um direito e não há uma necessidade de provar nexo causal (por mais óbvio que ele pareça) para justificar a renúncia.
Ou seja, como não existiu um processo real contra ele a renúncia PODE ser interpretada como tentativa de escapar da cassação. Mas ao mesmo tempo PODE ser interpretada de outra forma. Não há como provar conclusivamente um caso ou outro (a não ser que exista um vídeo do Roriz explicando que renunciou para escapar da cassação).
Mas vamos como as coisas andam
Eu não sou eleitor dele e tenho muitas divergência com os setores que o apoiam. Então, não estou nada triste com isto.
Mas cabe um alerta de sobriedade: o resultado ainda cabe recurso no TSE (e caso seja no STF). E o problema é justamente a questão de porque o ficha limpa está sendo aplicado. Eu explico: neste caso não é nem a questão temporal do problema, mas o fato que ele está sendo enquadrado por ter renunciado.
A renúncia teve como causa provável a estratégia para escapar de uma possível cassação. Isto até as folhas das árvores já estão sabendo.
Mas causa provável não é causa certa. E mais ainda: renunciar é um direito e não há uma necessidade de provar nexo causal (por mais óbvio que ele pareça) para justificar a renúncia.
Ou seja, como não existiu um processo real contra ele a renúncia PODE ser interpretada como tentativa de escapar da cassação. Mas ao mesmo tempo PODE ser interpretada de outra forma. Não há como provar conclusivamente um caso ou outro (a não ser que exista um vídeo do Roriz explicando que renunciou para escapar da cassação).
Mas vamos como as coisas andam
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Theodor Adorno
Estou lendo Introdução a Sociologia de Theodor Adorno.
Estou na segunda aula - o livro é organizado desta forma: cada aula é um capítulo.
Devo dizer que não estou muito contente com o que li até agora. Até o momento ele desviou de definir o que é Sociologia (se bem que de vez em quando escapou uma ou outra frase com cheiro de definição), incutiu a tradicional centelha de teoria da conspiração (o orçamento da exploração espacial é o provável responsável por não termos curado o câncer) e lançou uma ou outra idéia aqui e acolá.
Talvez seja o velho problema da dialética - que criticamente não permite conhecer nada, apenas defini-lo pelo que ele não é...
Eu tendo a desconfiar que a origem da pessoa está intimamente ligada ao seu desenvolvimento. Adorno era alemão e viveu a primeira guerra como adolescente e a segunda como adulto. Isto certamente isto foi um fator importante na construção de seu pensamento.
Quando ele menciona Auschwitz, não posso deixar de pensar que o campo de concentração (ou de trabalhos forçados, ou de contenção, ou de prisioneiros) não é um fenômeno nazista. É algo cruelmente mais abrangente e comum (mesmo os Estados Unidos e o Brasil tiveram os seus). Suspeito que eles seguem na linha de "Longe dos olhos..."
Mas vou continuar lendo e tentar extrair mais informações
Estou na segunda aula - o livro é organizado desta forma: cada aula é um capítulo.
Devo dizer que não estou muito contente com o que li até agora. Até o momento ele desviou de definir o que é Sociologia (se bem que de vez em quando escapou uma ou outra frase com cheiro de definição), incutiu a tradicional centelha de teoria da conspiração (o orçamento da exploração espacial é o provável responsável por não termos curado o câncer) e lançou uma ou outra idéia aqui e acolá.
Talvez seja o velho problema da dialética - que criticamente não permite conhecer nada, apenas defini-lo pelo que ele não é...
Eu tendo a desconfiar que a origem da pessoa está intimamente ligada ao seu desenvolvimento. Adorno era alemão e viveu a primeira guerra como adolescente e a segunda como adulto. Isto certamente isto foi um fator importante na construção de seu pensamento.
Quando ele menciona Auschwitz, não posso deixar de pensar que o campo de concentração (ou de trabalhos forçados, ou de contenção, ou de prisioneiros) não é um fenômeno nazista. É algo cruelmente mais abrangente e comum (mesmo os Estados Unidos e o Brasil tiveram os seus). Suspeito que eles seguem na linha de "Longe dos olhos..."
Mas vou continuar lendo e tentar extrair mais informações
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Mais formas de ver a diferença entre IBOPE e DATAFOLHA
Acredito que a melhor forma de ver as diferenças entre as pesquisas é mostrar os números do eleitorado em categorias
Percentuais de Serra com relação ao nível educacional:
Percentuais de Serra com relação ao nível educacional:
- DATAFOLHA - 18,18% com ensino fundamental, 14,01% com ensino médio e 4,29% com ensino superior
- IBOPE - 16,40% com ensino fundamental, 12,25% com ensino médio e 5,18% com ensino superior
Percentuais de Dilma com relação ao nível educacional:
- DATAFOLHA - 16,70% com ensino fundamental, 14,77% com ensino médio e 4,68% com ensino superior
- IBOPE - 20,90% com ensino fundamental, 14,35% com ensino médio e 4,48% com ensino superior
Percentuais de Marina com relação ao nível educacional:
- DATAFOLHA - 3,44% com ensino fundamental, 4,16% com ensino médio e 2,47% com ensino superior
- IBOPE - 2,49% com ensino fundamental, 12,45% com ensino médio e 2,24% com ensino superior
Percentuais de Brancos/Nulos com relação ao nível educacional:
- DATAFOLHA - 1,96% com ensino fundamental, 1,89% com ensino médio e 0,65% com ensino superior
- IBOPE - 2,49% com ensino fundamental, 2,80% com ensino médio e 1,26% com ensino superior
Percentuais de Não sabe com relação ao nível educacional:
- DATAFOLHA - 7,37% com ensino fundamental, 2,27% com ensino médio e 0,65% com ensino superior
- IBOPE - 8,20% com ensino fundamental, 2,80% com ensino médio e 0,84% com ensino superior
Diferenças:
- 4,2% a mais na contagem do IBOPE para o percentual de eleitores de Dilma com ensino médio. O resultado é um total de 3.58% a mais do que o valor do DATAFOLHA para Dilma. Para Serra há um aumento de 2,65% no DATAFOLHA. Para Marina há um aumento de 2,80% no DATAFOLHA. Os demais índices encontram-se dentro da margem de 2% esperada.
Percentuais de Serra quanto ao gênero:
- DATAFOLHA - 17,32% são homens e 19,72% são mulheres
- IBOPE - 15,64% são homens e 18,41% são mulheres
Percentuais de Dilma quanto ao gênero:
- DATAFOLHA - 20,21% são homens e 15,57% são mulheres
- IBOPE - 20,86% são homens e 18,41% são mulheres
Percentuais de Marina quanto ao gênero:
- DATAFOLHA - 4,33% são homens e 5,71% são mulheres
- IBOPE - 3,32% são homens e 3,68% são mulheres
Percentuais de Brancos/Nulos quanto ao gênero:
- DATAFOLHA - 1,92% são homens e 2,59% são mulheres
- IBOPE - 3,32% são homens e 3,16% são mulheres
Percentuais de Não Sabe quanto ao gênero:
- DATAFOLHA - 3,37% são homens e 6,74% são mulheres
- IBOPE - 3,79% são homens e 7,89% são mulheres
Diferenças:
- 2,83% a mais na contagem do IBOPE para o percentual feminino de eleitores de Dilma (e 0,65% para o eleitorado masculino). O resultado é um total de 3,48% a mais do que o valor do DATAFOLHA para Dilma. Para Serra há um aumento de 2,98% no DATAFOLHA. Para Marina há um aumento de 3,04% no DATAFOLHA. Os demais índices encontram-se dentro da margem de 2% esperada.
Assim fica parecendo que a maior diferença em Dilma se concentra em um número maior de eleitores com ensino fundamental e número maior de eleitoras. Já em Serra, a diferença positiva para o DATAFOLHA é mais distribuída nas diversas categorias. Acredito que vale a pena fazer uma comparação entre as duas pesquisas do IBOPE (atual e anterior).
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