Hoje é dia de The Man Who Would Be King.
Este blog tem como propósito sincero esclarecer as notícias e novidades sem confundir.
sábado, 17 de setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Acusação - Inocência, Culpa e a Percepção da Verdade
Desta vez a pessoa sob ataque é a mais insuspeita possível: Cristovam Buarque. O TJ-DF condenou Cristovam por improbidade administrativa. Ele responde sobre isto de forma veemente em seu site.
O meu ponto neste artigo não é sobre Cristovam em si, mas pelo fato dele ter sido um dos defensores do ficha limpa, e poder ter seus direitos políticos cassados exatamente pela ficha limpa deve forçar uma reflexão sobre a lei, a pessoa e principalmente a percepção de culpa.
O senador afirmou que: “Sou favorável à Lei da Ficha Limpa e no dia em que houver qualquer suspeita de corrupção contra mim, eu renuncio ao mandato e à vida pública”
Bem, então ele pode renunciar, pois a suspeita já existe. Aliás, ele foi condenado exatamente por isso:
O TJ-DFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios) manteve, em parte, a condenação de 1ª instância do ex-governador do DF Cristovam Buarque e do ex-secretário de Comunicação Social, Moacyr de Oliveira. A condenação refere-se à confecção, em 1995, de material publicitário com uso de dinheiro público para fins eleitoreiros.
Os réus foram condenados a devolver ao erário o valor gasto com a produção do CD "Brasília de Todos Nós - 1 ano de governo democrático e popular do Distrito Federal", orçado em R$ 146.050,00. Além disso, os réus terão que pagar multa civil equivalente a cinco vezes o salário que recebiam à época dos fatos. O montante apurado deverá ser corrigido de 1995 a 2003 pelo INPC mais juros de 0,5% ao mês e, após 2003, pela taxa Selic
Percebam: não estou dizendo que ele é culpado ou inocente, mas que a suspeita já existe. Basta ver os comentários aqui, aqui e aqui.
Cristovam divulgou na nota publicada:
Então há pessoas que acreditam no que ele falou e há outros que já duvidam dele de início.
Se a frase do senador foi realmente dita por ele, então não há outra saída: ele tem que renunciar. Unanimidade é um negócio bem difícil de se conseguir.
O meu ponto neste artigo não é sobre Cristovam em si, mas pelo fato dele ter sido um dos defensores do ficha limpa, e poder ter seus direitos políticos cassados exatamente pela ficha limpa deve forçar uma reflexão sobre a lei, a pessoa e principalmente a percepção de culpa.
O senador afirmou que: “Sou favorável à Lei da Ficha Limpa e no dia em que houver qualquer suspeita de corrupção contra mim, eu renuncio ao mandato e à vida pública”
Bem, então ele pode renunciar, pois a suspeita já existe. Aliás, ele foi condenado exatamente por isso:
O TJ-DFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios) manteve, em parte, a condenação de 1ª instância do ex-governador do DF Cristovam Buarque e do ex-secretário de Comunicação Social, Moacyr de Oliveira. A condenação refere-se à confecção, em 1995, de material publicitário com uso de dinheiro público para fins eleitoreiros.
Os réus foram condenados a devolver ao erário o valor gasto com a produção do CD "Brasília de Todos Nós - 1 ano de governo democrático e popular do Distrito Federal", orçado em R$ 146.050,00. Além disso, os réus terão que pagar multa civil equivalente a cinco vezes o salário que recebiam à época dos fatos. O montante apurado deverá ser corrigido de 1995 a 2003 pelo INPC mais juros de 0,5% ao mês e, após 2003, pela taxa Selic
Percebam: não estou dizendo que ele é culpado ou inocente, mas que a suspeita já existe. Basta ver os comentários aqui, aqui e aqui.
Cristovam divulgou na nota publicada:
Mesmo assim, pouco tempo depois dessa prestação de contas em CD ROM, uma pessoa, sob clara orientação do líder da oposição de então, ingressou com uma ação popular sob o argumento de que o documento fazia publicidade do governo. A ação foi movida porque, ao invés de pagar um ator ou outro apresentador, eu próprio apresentei a prestação de contas, diante de todos os assistentes, e porque a Secretaria de Comunicação do GDF utilizou minha imagem. O CD ROM e a imagem foram feitos e utilizados sem a minha autorização nem meu conhecimento. Mas, como governador, fui responsabilizado pelos atos de meus subordinados.
A ação foi recusada e arquivada pela Justiça. Mas depois disso, toda a publicidade do Governo, então denominado Democrático e Popular, foi objeto de outra ação popular, na qual o Tribunal de Justiça reconheceu que não havia ilegalidade ou promoção pessoal do governador ou de qualquer outra pessoa ou partido.
Não contente com isso, outra Ação Civil Pública foi ajuizada com a mesma denúncia. Porém, nessa segunda vez, uma juíza substituta acolheu a denúncia.
Não se trata de uma condenação por corrupção, por apropriação indevida ou por superfaturamento, recebimento de vantagem de qualquer natureza, dessas de corruptos que quase nunca são julgados.
Então há pessoas que acreditam no que ele falou e há outros que já duvidam dele de início.
Se a frase do senador foi realmente dita por ele, então não há outra saída: ele tem que renunciar. Unanimidade é um negócio bem difícil de se conseguir.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Suspensão do Vestibular?
Sim, mas ainda não é certeza. Esta foi uma das decisões tomadas em virtude da ocupação da reitoria pelos alunos da FCE.
O texto no site do Terra é bem claro:
Claro que há um problema: as agressões ocorridas durante o processo de invasão/ocupação...
Aqui está o momento da confusão em destaque:
A verdade é que a agressão ao funcionário público constitui crime tipificado no código penal. E neste caso não tem dúvida mesmo: é desacato sem sombra de dúvida.
Mas o ponto mais surpreendente é a suspensão do vestibular. Pelo que sei esta é a primeira vez que tal medida tenha sido aceita. Dentro do conceito do REUNI, este tipo de decisão era, na minha interpretação, inimaginável.
Não estou fazendo pouco caso das reivindicações (em boa parte bem justas - eles ainda apresentaram um segundo conjunto de reivindicações) dos alunos.
Naturalmente, há o outro lado da questão. A suspensão do vestibular implica em adiamento de futuras entradas na FCE. E há quem ache isto uma injustiça.
Quem está certo e quem está errado? A maior parte disso pode ser colocado na conta da paralisação do GDF em virtude da operação Caixa de Pandora - e subsequente vácuo administrativo do GDF. Uma pequena parte disso pode ser colocado na conta de como UnB administrou o problema dos campi avançados e outros problemas nos últimos anos (a parte é pequena pois a maior parte da responsabilidade não era da universidade). Podemos ainda elencar mesmo os professores, orgãos superiores da UnB e mesmo os alunos.
O fato é que dificilmente há uma causa única. Talvez apenas uma causa principal.
Mas nunca é apenas ela....
O texto no site do Terra é bem claro:
Depois de três dias de protestos e de ter ocupado a reitoria da Universidade de Brasília (UnB), alunos do campus de Ceilândia - cidade-satélite a cerca de 25 quilômetros de Brasília - conseguiram com que a abertura de novos cursos e o vestibular 2012 para o campus de Ceilândia fossem suspensos. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira pelo Conselho Pleno da UnB.
Hoje os alunos estiveram reunidos por quase cinco horas com integrantes do conselho. Eles argumentavam que os prédios do campus são precários, não tendo condições de atender aos alunos. Segundo alunos, há apenas dez salas e oito laboratórios em funcionamento em Ceilândia. Na reunião, a UnB informou que alunos e professores que participaram dos protestos não serão punidos.
Claro que há um problema: as agressões ocorridas durante o processo de invasão/ocupação...
Aqui está o momento da confusão em destaque:
A verdade é que a agressão ao funcionário público constitui crime tipificado no código penal. E neste caso não tem dúvida mesmo: é desacato sem sombra de dúvida.
Mas o ponto mais surpreendente é a suspensão do vestibular. Pelo que sei esta é a primeira vez que tal medida tenha sido aceita. Dentro do conceito do REUNI, este tipo de decisão era, na minha interpretação, inimaginável.
Não estou fazendo pouco caso das reivindicações (em boa parte bem justas - eles ainda apresentaram um segundo conjunto de reivindicações) dos alunos.
Naturalmente, há o outro lado da questão. A suspensão do vestibular implica em adiamento de futuras entradas na FCE. E há quem ache isto uma injustiça.
Quem está certo e quem está errado? A maior parte disso pode ser colocado na conta da paralisação do GDF em virtude da operação Caixa de Pandora - e subsequente vácuo administrativo do GDF. Uma pequena parte disso pode ser colocado na conta de como UnB administrou o problema dos campi avançados e outros problemas nos últimos anos (a parte é pequena pois a maior parte da responsabilidade não era da universidade). Podemos ainda elencar mesmo os professores, orgãos superiores da UnB e mesmo os alunos.
O fato é que dificilmente há uma causa única. Talvez apenas uma causa principal.
Mas nunca é apenas ela....
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Sutilezas de Escolhas
Há um debate na internet sobre a questão do voto distrital, e de como ele pode ser a salvação ou danação do sistema político no Brasil.
A regra geral neste tipo de situação é que nenhum dos dois lados está realmente interessado em encontrar a verdade, mas em fazer prevalecer o seu ponto de vista. Isto é extremamente arraigado na natureza humana, felizmente ou infelizmente.
Então o voto distrital é bom ou não? Aí a questão é sempre definir o que é bom ou não. O voto distrital se opõe ao sistema de voto proporcional. No voto distrital, o universo de eleitores é dividido em distritos aonde cada qual elege representantes que comporão o parlamento. No proporcional, a divisão entre representantes é dada pela proporção de votos obtidos por cada um. A lista de candidatos pode ser aberta ou fechada.
A verdade é que nenhum dos dois sistemas é perfeito - como seria de esperar na aplicação de qualquer sistema. A pergunta que não é realizada é: qual dos dois sistemas é o melhor dadas as características do Brasil?
Nenhum dos dois sistemas irá resolver tudo e certamente cada um deles tem problemas intrínsecos que são difíceis de evitar. Mesmo o voto distrital pode ser implantado de diversas maneiras - todas com vantagens e desvantagens intrínsecas (o método pode ser substancialmente mais sofisticado do que querem crer os simplificadores).
E como ficamos no Brasil? Aqui teremos um debate maniqueista, aonde os adversários irão acusar seus oponentes de sintetizarem todos os problemas do Brasil. Infelizmente, isto não irá resolver o problema eleitoral do país. Afinal, o interesses dos envolvidos no debate é ganhar o debate e não fazer a coisa certa.
Isso já deveria indicar alguma coisa...
Ah, o leitor deve estar se perguntando sobre o que eu acho. Francamente, não tenho certeza de qual alternativa é melhor. Isto é simplesmente porque não sei quais os problemas que estamos tentando resolver ao adotar um sistema ou o outro. É corrupção? É aumentar a representatividade?
Sem saber quais os problemas que estamos tentando resolver fica difícil escolher uma solução, não?
A regra geral neste tipo de situação é que nenhum dos dois lados está realmente interessado em encontrar a verdade, mas em fazer prevalecer o seu ponto de vista. Isto é extremamente arraigado na natureza humana, felizmente ou infelizmente.
Então o voto distrital é bom ou não? Aí a questão é sempre definir o que é bom ou não. O voto distrital se opõe ao sistema de voto proporcional. No voto distrital, o universo de eleitores é dividido em distritos aonde cada qual elege representantes que comporão o parlamento. No proporcional, a divisão entre representantes é dada pela proporção de votos obtidos por cada um. A lista de candidatos pode ser aberta ou fechada.
A verdade é que nenhum dos dois sistemas é perfeito - como seria de esperar na aplicação de qualquer sistema. A pergunta que não é realizada é: qual dos dois sistemas é o melhor dadas as características do Brasil?
Nenhum dos dois sistemas irá resolver tudo e certamente cada um deles tem problemas intrínsecos que são difíceis de evitar. Mesmo o voto distrital pode ser implantado de diversas maneiras - todas com vantagens e desvantagens intrínsecas (o método pode ser substancialmente mais sofisticado do que querem crer os simplificadores).
E como ficamos no Brasil? Aqui teremos um debate maniqueista, aonde os adversários irão acusar seus oponentes de sintetizarem todos os problemas do Brasil. Infelizmente, isto não irá resolver o problema eleitoral do país. Afinal, o interesses dos envolvidos no debate é ganhar o debate e não fazer a coisa certa.
Isso já deveria indicar alguma coisa...
Ah, o leitor deve estar se perguntando sobre o que eu acho. Francamente, não tenho certeza de qual alternativa é melhor. Isto é simplesmente porque não sei quais os problemas que estamos tentando resolver ao adotar um sistema ou o outro. É corrupção? É aumentar a representatividade?
Sem saber quais os problemas que estamos tentando resolver fica difícil escolher uma solução, não?
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Em Brasília, 13%
Esta é a umidade relativa do ar às 15:00 h de hoje. Bem, isto está claramente baixo. Mas o que é umidade relativa afinal de contas?
A primeira pergunta a ser feita é relativa a que... No caso é relação entre a pressão de vapor de água na atmosfera e a pressão de saturação de vapor de água.
Como temos pressão sobre pressão, então o número é adimensional. Por questões talvez de conveniência, o mesmo é expresso em porcentagens. A parte interessante disto é que a umidade pode ser expressão de modo absoluto (em gramas por metro cúbico, ou gramas por litro).
A parte interessante é que enquanto a umidade absoluta é um número independente de outras variáveis da atmosfera, a umidade relativa não funciona assim. Por exemplo: 100% de umidade relativa a 1 atmosfera (101.325 kPa) e 30 graus Celsius na saturação de vapor de água temos 30.4 gramas de água por metro cúbico de ar.
Já mudando a temperatura para 40 graus Celsius, a umidade absoluta passa a ser de 51.1 gramas de água por metro cúbico de ar. Há várias equações descrevendo esta relação. Mas o fator é que dependendo da temperatura (e da pressão), 10% de umidade relativa constituem umidades absolutas diferentes. Uma boa aproximação é a equação a seguir.

De qualquer modo, a equação deixa claro que é necessário saber qual é pressão atmosférica (em hPa - hectopascal), e a temperatura (em graus Celsius) para determinar o valor da pressão de saturação do vapor de água, e portanto a umidade relativa do ar.
Para os curiosos, a umidade relativa está em 13%, a pressão em 1019 hPa, e a temperatura está em 33 graus Celsius. Com isto dá para calcular quanto de umidade absoluta temos agora.
A primeira pergunta a ser feita é relativa a que... No caso é relação entre a pressão de vapor de água na atmosfera e a pressão de saturação de vapor de água.
Como temos pressão sobre pressão, então o número é adimensional. Por questões talvez de conveniência, o mesmo é expresso em porcentagens. A parte interessante disto é que a umidade pode ser expressão de modo absoluto (em gramas por metro cúbico, ou gramas por litro).
A parte interessante é que enquanto a umidade absoluta é um número independente de outras variáveis da atmosfera, a umidade relativa não funciona assim. Por exemplo: 100% de umidade relativa a 1 atmosfera (101.325 kPa) e 30 graus Celsius na saturação de vapor de água temos 30.4 gramas de água por metro cúbico de ar.
Já mudando a temperatura para 40 graus Celsius, a umidade absoluta passa a ser de 51.1 gramas de água por metro cúbico de ar. Há várias equações descrevendo esta relação. Mas o fator é que dependendo da temperatura (e da pressão), 10% de umidade relativa constituem umidades absolutas diferentes. Uma boa aproximação é a equação a seguir.
De qualquer modo, a equação deixa claro que é necessário saber qual é pressão atmosférica (em hPa - hectopascal), e a temperatura (em graus Celsius) para determinar o valor da pressão de saturação do vapor de água, e portanto a umidade relativa do ar.
Para os curiosos, a umidade relativa está em 13%, a pressão em 1019 hPa, e a temperatura está em 33 graus Celsius. Com isto dá para calcular quanto de umidade absoluta temos agora.
domingo, 11 de setembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
Pequenas Pérolas do Cinema XXV
O filme de hoje é The Quatermass Xperiment (conhecido também como The Creeping Unknown)
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Não podia deixar de postar
Um reimaginação da abertura de Jonny Quest:
Jonny Quest Opening Titles from Roger D. Evans on Vimeo.
E a original para comparação:
Jonny Quest Opening Titles from Roger D. Evans on Vimeo.
E a original para comparação:
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
A Escolha de Pascoal
Na realidade é a aposta de Pascal (a fezinha de Pascoal poderia ter sido outro título). Ela é um belo exemplo de lógica e probabilidade aplicado a decisão. Há uma certa distorção, mas não invalida necessariamente a estrutura da mesma.
Essencialmente é o seguinte:
Aposta que Deus Existe
|
Aposta que Deus não Existe
|
|
Deus Existe
|
Ganho Infinito (Vai ao Céu)
|
Perda Infinita (Vai ao Inferno)
|
Deus não Existe
|
Nenhuma Perda
|
Nenhum ganho
|
A conclusão lógica é que a única forma de perder é apostar que Deus não existe. A aposta pode ser modificada de modo a incluir também um elemento "esquecido" nesta formulação:
Probabilidade
|
Aposta na ocorrência do evento A
|
Aposta na não ocorrência do evento A
|
|
Ocorre Evento A
|
½
|
G
|
-G
|
Não ocorre evento A
|
½
|
0
|
0
|
O ganho pode ser calculado da seguinte forma:
- Aposta na ocorrência do evento A: 1/2*G+1/2*0 = G/2
- Aposta na não ocorrência do evento A: 1/2*(-G)+1/2*0 = - G/2
A aposta pode ser usada virtualmente para provar uma série de pontos de vista um tanto quanto cínicos:
- Com relação a mentira
Aposta que Pessoa Mente
|
Aposta que Pessoa não Mente
|
|
Pessoa mente
|
Não se surpreende
|
Se surpreende negativamente
|
Pessoa não mente
|
Se surpreende positivamente
|
Não se surpreende
|
Portanto a única forma de se surpreender positivamente é apostar que as pessoas estão mentindo.
- Com relação a viajar de avião
Aposta que Avião Cairá (não embarca)
|
Aposta que Avião não Cairá (embarca)
|
|
Avião Caí
|
Não morre
|
Morre
|
Avão não Caí
|
Sem perdas
|
Sem ganhos
|
Neste caso a única forma de sair perdendo é embarcando no avião.
Um problema da aposta é a assimetria que distorce os ganhos e perdas e faz com que se tenda a seguir o conceito de aversão à perdas. O problema é o seguinte:
Probabilidade
|
Aposta na ocorrência do evento A
|
Aposta na não ocorrência do evento A
|
|
Ocorre Evento A
|
p
|
Grande Ganho (G)
|
Grande Perda (-G)
|
Não ocorre evento A
|
1-p
|
Perda desprezível (-g)
|
Ganho desprezível (g)
|
Note que a assimetria é visível nesta forma. Mas ao colocarmos na forma matemática temos que o ganho se torna:
- Aposta na ocorrência do evento: p*G+(1-p)*(-g)
- Aposta na não ocorrência do evento: p*(-G) +(1-p)*g
Montando a estrutura desta forma vemos que o ganho é nulo (qualquer uma das escolhas dá o mesmo resultado), se a probabilidade p for g/(g+G).
Isto é significativo, pois apesar da escolha de Pascal parecer ser óbvia, ela se baseia em conceitos como ganho infinito, perda infinita, perdas desprezíveis e ganhos desprezíveis. Ou seja: a assimetria da escolha parece que torna o problema visivelmente simples.
Esta diferença se torna mais visível quando consideramos repetições da aposta. Como a estrutura da aposta não permite escolhas intermitentes (você vai com uma até o final) temos:
- Aposta na ocorrência do evento: p^n*G+(1-p^n)*(-g)
- Aposta na não ocorrência do evento: p^n*(-G) +(1-p^n)*g
Ou seja: para g não zero e G finito, deve-se analisar com muito carinho qual é a posição que permite maior ganho. Pode ser que escolher acreditar que as pessoas não estão mentindo para você possa levar a pequenas perdas no final das contas.
Se a probabilidade de estarem mentindo for suficientemente baixa, é claro...
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Distorção dos fatos ou de interpretação?
Não posso deixar de registrar a quantidade de textos apresentando-se como isentos quando, na realidade acabam por privilegiar (ou mesmo mostrar apenas) um ponto de vista em particular.
Nada contra pontos de vista... Afinal opiniões são construídas em cima deles. Mas como chega-se a uma decisão baseado apenas em opiniões?
A forma mais simples é a análise de custo versus benefício para o resultado da implantação de cada opinião. Naturalmente o problema é que quando se consegue fazer isto direito, então decidir torna-se tarefa relativamente simples. E aí já não é mais o caso de opiniões.
Outra forma é tentar montar cenários. É uma versão simplificada de análise custo versus benefício, mas ao mesmo permite que se estabeleçam pontos fortes e fracos de cada opinião em questão.
A montagem de cenários é relativamente simples:
- Opinião A (agora conhecido formalmente como Argumento A)
* Pontos Fortes
* Pontos Fracos
Por uma tendência natural de tomar lados, costumamos carregar nas tintas dos pontos fracos ou fortes do argumento. Isso de acordo com nossas preferências...
Mesmo que inerente ao ser humano, a tendência a tomar lados fica um pouco mitigada quando se tenta listar pontos fortes e fracos dos argumentos. Naturalmente, a omissão de informações cruciais na tomada de decisão acaba por tornar mais óbvia a parcialidade da análise (e até o grau de mau-caratismo em certos casos).
Mas divago antes de chegar no caso em questão...
O caso em questão é sobre o voto distrital. Eu fiz o link do mesmo com o verbete em wikipedia justamente para permitir que se leia a respeito de pontos fracos e fortes antes de mostrar os links menos isentos.
Casos em questão? As posições da Veja a respeito do voto distrital e a dos oponentes ao voto distrital.
Veja:
A edição de VEJA que chega às bancas neste sábado traz dez motivos pelos quais essa ideia merece o seu apoio. Entre eles estão o barateamento das campanhas, o fim do efeito Tiririca, o enfraquecimento das oligarquias e a diminuição da corrupção.
Brizola Neto:
Quem é do Rio e anda pelos 50 anos ou mais lembra que já tivemos aqui um “voto distrital”. Era o chaguismo e sua “política da bica d´água”. Chagas Freitas nomeava os administradores regionais, eles faziam clientelismo político e saíam eleitos dos “distritos”. Um esquema corruptíssimo para angariar votos, sobretudo dos mais pobres.
Os méritos que a ideia do voto distrital possa ter vão se perdendo a medida em que se revelam seus apoiadores: José Serra, Veja, etc.. Aliás, a Veja publica um gráfico (este aí acima)que mostra como ficaria o Congresso com o voto distrital. A esquerda perde e o centro-direita ganha, exceto pelo DEM, que hoje perde corrida até se disputar sozinho. A projeção, porém, não deve ser vista senão como uma besteira, porque chega a “eleger” candidatos com 1% dos votos no suposto distrito.
Mas vale tudo para despolitizar as eleições, não é?
Notaram a satanização dos adversários? Notem que as duas posições não podem estar simultaneamente corretas quanto a diminuição da corrupção... Ou podem?
Nada contra pontos de vista... Afinal opiniões são construídas em cima deles. Mas como chega-se a uma decisão baseado apenas em opiniões?
A forma mais simples é a análise de custo versus benefício para o resultado da implantação de cada opinião. Naturalmente o problema é que quando se consegue fazer isto direito, então decidir torna-se tarefa relativamente simples. E aí já não é mais o caso de opiniões.
Outra forma é tentar montar cenários. É uma versão simplificada de análise custo versus benefício, mas ao mesmo permite que se estabeleçam pontos fortes e fracos de cada opinião em questão.
A montagem de cenários é relativamente simples:
- Opinião A (agora conhecido formalmente como Argumento A)
* Pontos Fortes
* Pontos Fracos
Por uma tendência natural de tomar lados, costumamos carregar nas tintas dos pontos fracos ou fortes do argumento. Isso de acordo com nossas preferências...
Mesmo que inerente ao ser humano, a tendência a tomar lados fica um pouco mitigada quando se tenta listar pontos fortes e fracos dos argumentos. Naturalmente, a omissão de informações cruciais na tomada de decisão acaba por tornar mais óbvia a parcialidade da análise (e até o grau de mau-caratismo em certos casos).
Mas divago antes de chegar no caso em questão...
O caso em questão é sobre o voto distrital. Eu fiz o link do mesmo com o verbete em wikipedia justamente para permitir que se leia a respeito de pontos fracos e fortes antes de mostrar os links menos isentos.
Casos em questão? As posições da Veja a respeito do voto distrital e a dos oponentes ao voto distrital.
Veja:
A edição de VEJA que chega às bancas neste sábado traz dez motivos pelos quais essa ideia merece o seu apoio. Entre eles estão o barateamento das campanhas, o fim do efeito Tiririca, o enfraquecimento das oligarquias e a diminuição da corrupção.
Brizola Neto:
Quem é do Rio e anda pelos 50 anos ou mais lembra que já tivemos aqui um “voto distrital”. Era o chaguismo e sua “política da bica d´água”. Chagas Freitas nomeava os administradores regionais, eles faziam clientelismo político e saíam eleitos dos “distritos”. Um esquema corruptíssimo para angariar votos, sobretudo dos mais pobres.
Os méritos que a ideia do voto distrital possa ter vão se perdendo a medida em que se revelam seus apoiadores: José Serra, Veja, etc.. Aliás, a Veja publica um gráfico (este aí acima)que mostra como ficaria o Congresso com o voto distrital. A esquerda perde e o centro-direita ganha, exceto pelo DEM, que hoje perde corrida até se disputar sozinho. A projeção, porém, não deve ser vista senão como uma besteira, porque chega a “eleger” candidatos com 1% dos votos no suposto distrito.
Mas vale tudo para despolitizar as eleições, não é?
Notaram a satanização dos adversários? Notem que as duas posições não podem estar simultaneamente corretas quanto a diminuição da corrupção... Ou podem?
domingo, 4 de setembro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
Pequenas Pérolas do Cinema - XXIV
Apesar de ser um filme para TV, o filme de hoje é Pirates of Silicon Valley.
Curiosamente, há também um documentário!
Curiosamente, há também um documentário!
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
A narrativa histórica como reescrita
Vendo algumas das notícias recentes e em particular um artigo da internet, senti que devia deixar um exemplo de como a narrativa histórica pode servir para reescrever o passado.
Exemplo em questão? A abertura de Guerra nas Estrelas (1977).
Tempos depois ao ver o VHS, notei que havia algo que não tinha notado - um subtítulo (A New Hope).
Eu francamente não me lembrava disto. Mas corria a história que a saga de Star Wars tinha sido planejada como 9 filmes (3 antes, 3 intermediários e 3 finais - ou algo parecido). É importante lembrar que Star Wars foi um enorme sucesso.
Pois bem, eu realmente comecei a pensar que eu apenas não tinha reparado que havia este subtítulo. Mas a verdade é que o subtítulo foi adicionado depois das exibições originais de 1977.
Ok, então por que o subtítulo foi adicionado? Se formos ao wikipedia, veremos a seguinte explicação:
When originally released in 1977, the first film was simply titled Star Wars, as 20th Century Fox forbade Lucas to use a subtitle because it could be confusing, since there had been no other Star Wars movies prior to 1977
O problema com esta explicação é que ela não convence (vide alguns exemplos - basta ver os roteiros de Star Wars).
Sim, é verdade que uma das versões de 1976 tem o nome A New Hope, mas outras versões não (aliás a maioria lista simplesmente Saga 1).
Então, o que é verdade? Isso dificilmente poderemos saber com certeza. O que é propalado como verdade é a narrativa que foi sendo divulgada para explicar os acontecimentos.
Será que esta narrativa é um retrato fiel do que realmente aconteceu? No caso de Star Wars, eu suspeito que não.
Exemplo em questão? A abertura de Guerra nas Estrelas (1977).
Tempos depois ao ver o VHS, notei que havia algo que não tinha notado - um subtítulo (A New Hope).
Eu francamente não me lembrava disto. Mas corria a história que a saga de Star Wars tinha sido planejada como 9 filmes (3 antes, 3 intermediários e 3 finais - ou algo parecido). É importante lembrar que Star Wars foi um enorme sucesso.
Pois bem, eu realmente comecei a pensar que eu apenas não tinha reparado que havia este subtítulo. Mas a verdade é que o subtítulo foi adicionado depois das exibições originais de 1977.
Ok, então por que o subtítulo foi adicionado? Se formos ao wikipedia, veremos a seguinte explicação:
When originally released in 1977, the first film was simply titled Star Wars, as 20th Century Fox forbade Lucas to use a subtitle because it could be confusing, since there had been no other Star Wars movies prior to 1977
O problema com esta explicação é que ela não convence (vide alguns exemplos - basta ver os roteiros de Star Wars).
Sim, é verdade que uma das versões de 1976 tem o nome A New Hope, mas outras versões não (aliás a maioria lista simplesmente Saga 1).
Então, o que é verdade? Isso dificilmente poderemos saber com certeza. O que é propalado como verdade é a narrativa que foi sendo divulgada para explicar os acontecimentos.
Será que esta narrativa é um retrato fiel do que realmente aconteceu? No caso de Star Wars, eu suspeito que não.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
E Jaqueline Roriz não foi cassada, voto secreto é culpado?
Bem a notícia de hoje é sobre o arquivamento do processo de cassação de Jaqueline Roriz. Naturalmente isto deu origem a muitas manifestações de repúdio de diversos deputados. O problema naturalmente é mais embaixo.
Uma rápida pesquisa por um site da transparência mostra que mesmo entre os detratores, existem aqueles que tem uma relação, digamos, tempestuosa com a justiça. Existe ainda toda a questão que se as provas contra Jaqueline Roriz tivessem sido divulgadas antes, os eleitores não a teriam escolhido.
Pode ser que sim, mas pode ser que não. Há realmente um elemento assimétrico nesta história. De qualquer modo fica a certeza que o julgamento (e a votação) foram políticos. E isto, conforme já disse anteriormente neste blog, não tem nada a ver com fazer justiça.
Então temos um mistura de hipocrisia de uma maioria (tanto dos que votaram e não se rebelaram, quanto dos que não votaram e se rebelaram). Mas junto com isto há a questão do voto secreto. Há indicações que a anonimidade do voto secreto permitiu que os deputados fizessem um discurso e votassem de outro modo. Da mesma forma existem estudos que indicam que a anonimidade traz um efeito curioso.
Essencialmente a falta de responsabilização, ou mesmo sua pulverização em um grupo, pode eventualmente gerar um comportamento contrário ao eticamente esperado.
Mas nesse caso, dado que diversos membros do congresso teriam razão para se preocupar com o precedente aberto pela condenação E todos puderam votar no conforto do voto secreto, então o resultado não é exatamente inesperado.
Bem, por isso o voto secreto deve ser abolido? Bem, aí há controvérsias... Existe um perigo de termos decisões eminentemente populistas saindo da câmara. Temos também o perigo de compra deliberada de votos nesta história.
Minha opinião? Quanto mais transparente, melhor.
Uma rápida pesquisa por um site da transparência mostra que mesmo entre os detratores, existem aqueles que tem uma relação, digamos, tempestuosa com a justiça. Existe ainda toda a questão que se as provas contra Jaqueline Roriz tivessem sido divulgadas antes, os eleitores não a teriam escolhido.
Pode ser que sim, mas pode ser que não. Há realmente um elemento assimétrico nesta história. De qualquer modo fica a certeza que o julgamento (e a votação) foram políticos. E isto, conforme já disse anteriormente neste blog, não tem nada a ver com fazer justiça.
Então temos um mistura de hipocrisia de uma maioria (tanto dos que votaram e não se rebelaram, quanto dos que não votaram e se rebelaram). Mas junto com isto há a questão do voto secreto. Há indicações que a anonimidade do voto secreto permitiu que os deputados fizessem um discurso e votassem de outro modo. Da mesma forma existem estudos que indicam que a anonimidade traz um efeito curioso.
Essencialmente a falta de responsabilização, ou mesmo sua pulverização em um grupo, pode eventualmente gerar um comportamento contrário ao eticamente esperado.
Mas nesse caso, dado que diversos membros do congresso teriam razão para se preocupar com o precedente aberto pela condenação E todos puderam votar no conforto do voto secreto, então o resultado não é exatamente inesperado.
Bem, por isso o voto secreto deve ser abolido? Bem, aí há controvérsias... Existe um perigo de termos decisões eminentemente populistas saindo da câmara. Temos também o perigo de compra deliberada de votos nesta história.
Minha opinião? Quanto mais transparente, melhor.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Mentiras, Estatísticas e Lei Seca
Bem, de novo a Lei Seca chega ao Correio Braziliense. O foco é a queda no número de mortes depois da aprovação da referida lei. Queda no DF, diga-se de passagem.
Mas a reportagem traz alguns números. E isto é sempre interessante, pois apesar da interpretação ser torcida, os números costumam indicar aonde isso ocorreu.
Vamos a eles:
Antes e depois da tolerância zero
Estatísticas do Detran-DF revelam que o número de vítimas e de
acidentes fatais ainda é menor que antes de a lei seca entrar em vigor,
em 20 de junho de 2008. A má notícia é que o percentual de
redução tem sido menor ano a ano.
20 de junho de 2007 a 20 de junho de 2008
Acidentes fatais 462
Mortes no trânsito 500
20 de junho de 2008 a Variação em relação ao
19 de junho de 2009 ano anterior à lei (em %)
Acidentes fatais: 384 - 16,9
Mortes no trânsito: 422 - 15,6
20 junho de 2009 a 19 de junho de 2010
Acidentes fatais: 402 - 13
Mortes no trânsito: 442 - 11,6
20 de junho de 2010 a 20 junho de 2011
Acidentes fatais: 417 - 9,7
Mortes no trânsito: 453 - 9,4
Mas e de onde vieram os dados? Bem, do DETRAN-DF. Na realidade os gráficos são muito mais interessantes de serem observados do que os dados dos jornal. Prestem atenção ao gráfico de índice de mortos por 10 mil veículos. Ele vem DIMINUINDO de modo consistente desde 1995! A mesma coisa pode ser dita do índice de mortos por 100 mil habitantes.
A pergunta óbvia é: mas está diminuindo desde ANTES da lei Seca? A resposta óbvia é: SIM. O gráfico do número de acidentes é bem ilustrativo. O que aconteceu no período de maior diminuição (1995-1998)? A obrigatoriedade do cinto de segurança, a instalação dos pardais, a campanha paz no trânsito e as faixas de pedestres.
Estas reduções foram muito mais significativas que a ocorrida em virtude da Lei Seca. É bastante sintomática uma frase do texto do jornal:
Um estudo do Instituto de Medicinal Legal do DF (IML-DF) apontou que 49% das pessoas que perderam a vida no local do acidente estavam alcoolizadas. O exame de sangue foi realizado em 262 dos 292 mortos (no local) entre 1º de julho de 2008 e 31 de dezembro de 2009. Do total de vítimas, 115 eram condutores e 52,2% delas estavam alcoolizadas. Parece ironia, mas, entre os 58 passageiros mortos, apenas 36,2% estavam alcoolizados.
Se 49% estava alcoolizadas, isto quer dizer que 51% não estavam alcoolizadas. O que isto quer dizer? Nada, absolutamente nada se não soubermos a percentagem de pessoas que dirigem alcoolizadas (?). Supondo algo como 10%, temos p(morrer|bebado) = p(bebado|morrer)*p(morrer)/p(bebado) [p(bebado|morrer) = 0.49, p(morrer) = 0.08, p(bebado) =0.1, ou seja 0.392]
Mas a reportagem traz alguns números. E isto é sempre interessante, pois apesar da interpretação ser torcida, os números costumam indicar aonde isso ocorreu.
Vamos a eles:
Antes e depois da tolerância zero
Estatísticas do Detran-DF revelam que o número de vítimas e de
acidentes fatais ainda é menor que antes de a lei seca entrar em vigor,
em 20 de junho de 2008. A má notícia é que o percentual de
redução tem sido menor ano a ano.
20 de junho de 2007 a 20 de junho de 2008
Acidentes fatais 462
Mortes no trânsito 500
20 de junho de 2008 a Variação em relação ao
19 de junho de 2009 ano anterior à lei (em %)
Acidentes fatais: 384 - 16,9
Mortes no trânsito: 422 - 15,6
20 junho de 2009 a 19 de junho de 2010
Acidentes fatais: 402 - 13
Mortes no trânsito: 442 - 11,6
20 de junho de 2010 a 20 junho de 2011
Acidentes fatais: 417 - 9,7
Mortes no trânsito: 453 - 9,4
Mas e de onde vieram os dados? Bem, do DETRAN-DF. Na realidade os gráficos são muito mais interessantes de serem observados do que os dados dos jornal. Prestem atenção ao gráfico de índice de mortos por 10 mil veículos. Ele vem DIMINUINDO de modo consistente desde 1995! A mesma coisa pode ser dita do índice de mortos por 100 mil habitantes.
A pergunta óbvia é: mas está diminuindo desde ANTES da lei Seca? A resposta óbvia é: SIM. O gráfico do número de acidentes é bem ilustrativo. O que aconteceu no período de maior diminuição (1995-1998)? A obrigatoriedade do cinto de segurança, a instalação dos pardais, a campanha paz no trânsito e as faixas de pedestres.
Estas reduções foram muito mais significativas que a ocorrida em virtude da Lei Seca. É bastante sintomática uma frase do texto do jornal:
Um estudo do Instituto de Medicinal Legal do DF (IML-DF) apontou que 49% das pessoas que perderam a vida no local do acidente estavam alcoolizadas. O exame de sangue foi realizado em 262 dos 292 mortos (no local) entre 1º de julho de 2008 e 31 de dezembro de 2009. Do total de vítimas, 115 eram condutores e 52,2% delas estavam alcoolizadas. Parece ironia, mas, entre os 58 passageiros mortos, apenas 36,2% estavam alcoolizados.
Se 49% estava alcoolizadas, isto quer dizer que 51% não estavam alcoolizadas. O que isto quer dizer? Nada, absolutamente nada se não soubermos a percentagem de pessoas que dirigem alcoolizadas (?). Supondo algo como 10%, temos p(morrer|bebado) = p(bebado|morrer)*p(morrer)/p(bebado) [p(bebado|morrer) = 0.49, p(morrer) = 0.08, p(bebado) =0.1, ou seja 0.392]
domingo, 28 de agosto de 2011
Pequenas Pérolas do Cinema - XXIII
Infelizmente não postei ontem, mas deixo a comédia - A Vida de Brian.
sábado, 27 de agosto de 2011
Fina estampa
Grande trilha instrumental. Muito melhor que o original, na minha opinião!
O "original":
Porque das aspas? Veja o Karoke...
O "original":
Porque das aspas? Veja o Karoke...
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Fatos e Versões
É sempre o problema do telefone sem fio... Mas a coisa fica legal quando temos acesso a mensagem divulgada e a mensagem original. Nesta semana o site Opera Mundi saiu com o texto bombástico:
Vamos ao que foi dito pelo Opera Mundi:
No documento, fica explícito o estranhamento do embaixador norte-americano em relação a demora de três anos para divulgação do possível financiamento. "A história mais parece uma manobra política. O que é incontestável é que os membros do PT e representantes das FARC estiveram juntos em um encontro, mas não há provas de colaboração financeira", disse.
Para ele, o que deveria ser uma denúncia importante tornou-se uma ferramenta arquitetada pela Veja para minar a candidatura de Lula ao segundo mandato. "Enquanto os opositores e a outros veículos de comunicação estão notavelmente desinteressados em prosseguir com as acusações e investigações, parece que a Veja está exagerando os fatos", conclui o embaixador.
E o que foi dito pelo texto da embaixada:
The FARC-PT meeting occurred as campaigning for the 2002 elections was heating up and Lula's campaign gained steam. This raises the question, if ABIN and the then-Cardoso administration were aware of something as explosive as a FARC-PT link in the run-up to the election, why was this not leaked immediately to damage Lula's campaign against their preferred candidate? After all, the Cardoso administration is believed to have torpedoed another candidate, Roseana Sarney, in April 2002 by ordering a police raid on her husband's office. Thus, the Brazilian political questions are less explosive than the original story: why the case was not made public in the midst of the 2002 campaign, why it was made public now, and why senior ABIN officials are publicly indicating that they did not take the case terribly seriously in 2002, when other ABIN sources tell mission elements that there was in fact a thorough investigation.
Post believes part of the answer is bureaucratic infighting. ABIN chief Mauro Marcelo was appointed by Lula after a career as a Sao Paulo police officer, and he is still distrusted by some in the military and ABIN, who may have leaked the story to discredit him and Lula. (Note, a few weeks ago there was a similar leak that ABIN agents would travel to Cuba for professional exchanges.) Other animosities have been stoked because the administration allows FARC to send representatives to Brazil (including a delegation at January's World Social Forum in Porto Alegre) over the objections of the Colombian government. Unless there are further, concrete disclosures, this case may go the way of most Brazilian mini-scandals and be forgotten in a few weeks.
Então, qual é o veredito?
Brigas internas que usaram Veja como instrumento de vazamento. Coisa que Veja aceitou de bom grado.
Mas como vemos pelo próprio texto e a fonte original, o mau uso de informações bombásticas por motivos menos altruístas não é privilégio de Veja mas também prerrogativa do Ópera Mundi.
Wikileaks: Para EUA, Veja fabricou proximidade do PT com as FARC por objetivos políticos
Mas o que é verdade? A verdade é que o texto da embaixada fala da motivação política, mas deixa claro que as suspeitas são de brigas internas entre militares a a ABIN.Vamos ao que foi dito pelo Opera Mundi:
No documento, fica explícito o estranhamento do embaixador norte-americano em relação a demora de três anos para divulgação do possível financiamento. "A história mais parece uma manobra política. O que é incontestável é que os membros do PT e representantes das FARC estiveram juntos em um encontro, mas não há provas de colaboração financeira", disse.
Para ele, o que deveria ser uma denúncia importante tornou-se uma ferramenta arquitetada pela Veja para minar a candidatura de Lula ao segundo mandato. "Enquanto os opositores e a outros veículos de comunicação estão notavelmente desinteressados em prosseguir com as acusações e investigações, parece que a Veja está exagerando os fatos", conclui o embaixador.
E o que foi dito pelo texto da embaixada:
The FARC-PT meeting occurred as campaigning for the 2002 elections was heating up and Lula's campaign gained steam. This raises the question, if ABIN and the then-Cardoso administration were aware of something as explosive as a FARC-PT link in the run-up to the election, why was this not leaked immediately to damage Lula's campaign against their preferred candidate? After all, the Cardoso administration is believed to have torpedoed another candidate, Roseana Sarney, in April 2002 by ordering a police raid on her husband's office. Thus, the Brazilian political questions are less explosive than the original story: why the case was not made public in the midst of the 2002 campaign, why it was made public now, and why senior ABIN officials are publicly indicating that they did not take the case terribly seriously in 2002, when other ABIN sources tell mission elements that there was in fact a thorough investigation.
Post believes part of the answer is bureaucratic infighting. ABIN chief Mauro Marcelo was appointed by Lula after a career as a Sao Paulo police officer, and he is still distrusted by some in the military and ABIN, who may have leaked the story to discredit him and Lula. (Note, a few weeks ago there was a similar leak that ABIN agents would travel to Cuba for professional exchanges.) Other animosities have been stoked because the administration allows FARC to send representatives to Brazil (including a delegation at January's World Social Forum in Porto Alegre) over the objections of the Colombian government. Unless there are further, concrete disclosures, this case may go the way of most Brazilian mini-scandals and be forgotten in a few weeks.
Então, qual é o veredito?
Brigas internas que usaram Veja como instrumento de vazamento. Coisa que Veja aceitou de bom grado.
Mas como vemos pelo próprio texto e a fonte original, o mau uso de informações bombásticas por motivos menos altruístas não é privilégio de Veja mas também prerrogativa do Ópera Mundi.
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