Hoje é dia de Goldfinger.
Este blog tem como propósito sincero esclarecer as notícias e novidades sem confundir.
sábado, 17 de dezembro de 2011
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
A ilusão e outras drogas
Saiu no Jornal de Brasília uma reportagem sobre a ligação entre os homicídios dolosos e o uso de drogas.
O primeiro parágrafo é bem definitivo:
"No Distrito Federal, mais da metade das vítimas de homicídios dolosos praticados com arma de fogo tinham traços de cocaína, maconha ou das duas drogas juntas circulando pelas correntes sanguíneas. Em um estudo denso e inédito, médicos-legistas e toxicologistas do Instituto Médico-Legal necropsiaram um universo de 470 corpos e o resultado foi emblemático: 235 vítimas (63%) haviam consumido drogas pouco antes de morrer."
Como o número da amostra dá margem para tanto, vou dizer que 2/3 das vítimas haviam consumido drogas antes de morrer. Em termos estatísticos isto significa que p(consumiu drogas| vítima de homicídio doloso) = 2/3. Naturalmente isto quer dizer que p(não consumiu drogas| vítima de homicídio doloso) =1/3.
A reportagem tende a elaborar mais sobre o assunto mostrando que:
p(consumiu várias drogas | vítima de homicídio doloso) = 1/3
p(consumiu cocaína e/ou derivados | vítima de homicídio doloso) = 1/4
p(consumou somente maconha | vítima de homicídio doloso) = 1/12
A priori, esta informação pode servir para estimar a probabilidade de ser vítima de homicídio doloso dado que é consumidor de droga. De modo clássico este valor é dado:
p(consumiu drogas| vítima de homicídio doloso)*p(vítima de homicídio doloso) = p(vítima de homicídio doloso | consumiu drogas) * p(consumiu drogas).
Segundo esta referência, no caso da cocaína é cerca de 3/100 (p(consumo cocaína) = 3/100). Como o p(vítima de homicídio doloso) é 22/100000, p(consumo cocaína | vítima de homicídio doloso) = 1/4 temos por Bayes:
1/4*22/100000=p(vítima de homicídio doloso | consumiu drogas)* 3/100
O resultado é um surpreendente 11/6000. Isto quer dizer que enquanto a chance de ser vítima de homicídio doloso no DF é de 1 a cada 5000 (11 a cada 50000), a de ser vítima de homicídio dado que é consumidor de cocaína é de cerca de 1 a cada 600 - ou seja é 10 vezes mais perigoso!
Claro que a chave disto é a estimativa de consumo de drogas. Se por acaso este número for 10 vezes maior (3/10), então o valor tende ao esperado sem o consumo de drogas (11 a cada 60000) - ou seja, o número de usuários é uma fração razoável da população.
Note que isto causa um problema moral:
- Se supormos que o consumo de cocaína não afeta a probabilidade de ser vítima de um homicídio doloso, então uma parcela razoável da população (30%) deve estar consumindo cocaína.
- Já ao supormos que o consumo de cocaína afeta a probabilidade de ser vítima de um homicídio doloso, então consumir cocaína deve aumentar significativamente a chance de ser esta vítima.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
A Média é Medíocre?
A resposta é nem sempre.
Antes de mais nada, a conotação negativa de medíocre é como chifre (uma coisa que colocam na nossa cabeça). Tem até nome para isso: superioridade ilusória.
Nada melhor que esclarecer algumas coisas antes. Primeiro: a diferença entre média e mediana. Tecnicamente, os dois são iguais para distribuições simétricas (com terceiro momento nulo). Este é o caso das distribuições normal e da uniforme.
Então enquanto a mediana divide a distribuição em pedaços iguais (50% - 50%), a média trata do meio do conjunto de dados. Como já foi dito, as duas coincidem no caso de distribuições simétricas.
Mas se a distribuição não for simétrica, a história é completamente diferente. Aí a média e a mediana não são necessariamente coincidentes e pode realmente haver mais de 50% acima da média (mas não 50% acima da mediana).
Vamos ao exemplo: seja uma distribuição discreta composta por 4 elementos. Cada um destes 4 elementos recebem uma "nota" que varia de 0 a 10. Sejam 2 elementos com nota abaixo de 5 e 2 elementos com nota acima de 5.
- Caso 1: Conjunto de notas {1, 2, 8, 9} - Média 5.0 e Mediana 5.0
- Caso 2: Conjunto de notas {1, 5, 7, 9} - Média 5.5 e Mediana 6.0
- Caso 3: Conjunto de notas {4, 4, 7, 9} - Média 6.0 e Mediana 5.5
- Caso 4: Conjunto de notas {1, 5.75, 6.25,9} - Média 5.5 e Mediana 6.0
- Caso 5: Conjunto de notas {4, 4, 5, 9} - Média 5.5 e Mediana 4.5
Olhando este exemplo podemos afirmar: é possível ter 75% abaixo ou acima da média, mas nunca se pode se dizer isso com relação a mediana.
A diferença é sútil, mas suspeito que caímos na armadilha de acreditar que pensamos assim pela costumeira impressão de suspeitar que a distribuição é simétrica.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - VII
Você sabe o resumo da coisa, ou a coisa inteira?
Perguntinha básica, mas importante! No frigir dos ovos, na maioria dos casos o que sabemos é apenas o resumo da coisa. E nisto a coisa pode ser uma nova teoria científica, um novo medicamento, uma possível pandemia, ou mesmo um novo estudo sobre algo relevante.
Isto quer dizer que só conhecemos a narrativa e não a história. A diferença entre os dois é que a narrativa é construída por um interlocutor (que pode ser um relator), e a história é uma coleção de figuras, fatos e números. A conexão histórica ainda precisa ser montada - preferencialmente por alguém de confiança e alguma isenção.
Vamos a alguns exemplos?
Considere o caso do famoso do efeito coriolis. Este efeito é usado para justificar que a água na pia gira em um sentido no hemisfério e no sentido oposto no outro hemisfério. Isto seria a explicação perfeita se não fossem dois pequenos problemas: o primeiro é que não é verdade que a água na pia gira num sentido em hemisfério e no sentido oposto no outro. E o segundo problema é que se colocarmos os números na força de coriolis no caso da pia veremos que a pequenas vibrações locais tem muito mais influência do que esta força.
Este é um exemplo em que conhecemos a narrativa e a confundimos com a história - ou seja, sabemos o resumo e achamos que entendemos o que está acontecendo.
Um outro exemplo é o mito de que beber corta o efeito de antibióticos. Este não é propriamente um mito, mas uma generalização exagerada do problema: na realidade algumas bebidas atrapalham os efeitos de alguns antibióticos. Como o problema é complexo, então ficamos com um resumo da coisa (álcool corta efeitos de antibióticos), ao invés da história completa (bebida A atrapalha antibiótico B). Algo similar ocorre com equipamentos emissores de energia eletromagnética e aviões.
Este blog tem vários exemplos de resumos furados que acabaram substituindo a história real (a questão do que determina das estações do ano, quantos meses há em um ano se há 4 semanas por mês e 7 dias por semana, que as velocidades de carros colidindo em sentidos opostos não se somam, entre outras coisas).
O fato é que é importante perceber a diferença entre conhecer a narrativa e conhecer a história. Conhecer a narrativa é apenas reproduzir o que outras pessoas dizem, mas conhecer a história é montar a SUA narrativa.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
sábado, 10 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
O Mito da Soma de Velocidades
Você já deve ter ouvido falar da história que "colisão frontal entre dois carros a 100 km/h é equivalente a uma colisão entre um carro e uma barreira de concreto a 200 km/h".
Isso na realidade é falso. Primeiro vamos ver um vídeo que mostra exatamente que é falso. Depois vamos ver a física por trás.
Muito bem, agora vocês viram que a história é mito. Na realidade um modelo bem simples é o de uma colisão elástica unidimensional. As equações básicas são conservação de momento e conservação de energia.
Conservação de Momento:

Conservação de Energia:

Resolvendo estas equações temos dois conjuntos de soluções possíveis, sendo que a solução :
, 
Então podemos substituir cada caso e ver o que acontece. No caso de objetos com mesma massa indo em direção oposta, o que acontece é uma troca de velocidades.
O que acabo de mostrar? Que você já sabia a resposta, mas nunca nunca parou para pensar a respeito.
Isso na realidade é falso. Primeiro vamos ver um vídeo que mostra exatamente que é falso. Depois vamos ver a física por trás.
Muito bem, agora vocês viram que a história é mito. Na realidade um modelo bem simples é o de uma colisão elástica unidimensional. As equações básicas são conservação de momento e conservação de energia.
Conservação de Momento:
Conservação de Energia:
Resolvendo estas equações temos dois conjuntos de soluções possíveis, sendo que a solução :
Então podemos substituir cada caso e ver o que acontece. No caso de objetos com mesma massa indo em direção oposta, o que acontece é uma troca de velocidades.
O que acabo de mostrar? Que você já sabia a resposta, mas nunca nunca parou para pensar a respeito.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Preste atenção quando argumenta...
Frequentemente entramos em discussões por um motivo ou outro. Talvez devido a natureza de confronto destas muitas discussões, por vezes caímos em armadilhas argumentativas.
Uma dessas é muito comum e terrivelmente fácil de ser seguida: mudança do tópico da discussão.
Um exemplo? Vamos dizer que você está discutindo com uma pessoa sobre a pontualidade da mesma - que digamos ser fraca. Então de repente, a discussão de repente envereda pela capacidade de cumprir as tarefas no tempo programado - que digamos ser forte.
Nesta mudança de tópico, a crítica a pontualidade se perde e claramente deixa de ter sentido. Mais ainda: ao trocar uma crítica em um ponto fraco, por outra em um ponto forte, muito provavelmente a razão da discussão fica perdida. E a mensagem também...
Então quando entrar em uma discussão ou debate há de se cuidar para não ser levado para campos desconhecidos.
Quais são as regras nesse caso? Não fuja do tópico em questão por mais tentador que isto pareça.
Uma dessas é muito comum e terrivelmente fácil de ser seguida: mudança do tópico da discussão.
Um exemplo? Vamos dizer que você está discutindo com uma pessoa sobre a pontualidade da mesma - que digamos ser fraca. Então de repente, a discussão de repente envereda pela capacidade de cumprir as tarefas no tempo programado - que digamos ser forte.
Nesta mudança de tópico, a crítica a pontualidade se perde e claramente deixa de ter sentido. Mais ainda: ao trocar uma crítica em um ponto fraco, por outra em um ponto forte, muito provavelmente a razão da discussão fica perdida. E a mensagem também...
Então quando entrar em uma discussão ou debate há de se cuidar para não ser levado para campos desconhecidos.
Quais são as regras nesse caso? Não fuja do tópico em questão por mais tentador que isto pareça.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Inexorabilidade Histórica? Think again...
Já ouviu falar da tese da inevitabilidade histórica? Muitas pessoas utilizam este conceito de uma forma mais personalizada na forma do "o que tem que acontecer, acontece"
Mas será que os acontecimentos não dependem também de fatores aleatórios ou mesmo de decisões individuais de repercussão apenas dos envolvidos?
SE você acha que não, então eu peço que conheça Henry Tandey.
Em 1914, poupou a vida de um jovem cabo ferido na linha de batalha.
Conheça o cabo:
Parece familiar? Deveria...
Muito bem, pela decisão individual de um indivíduo tivemos toda uma série de eventos que no fim das contas moldou o mundo moderno.
Aonde esta a inevitabilidade agora?
Mas será que os acontecimentos não dependem também de fatores aleatórios ou mesmo de decisões individuais de repercussão apenas dos envolvidos?
SE você acha que não, então eu peço que conheça Henry Tandey.
Em 1914, poupou a vida de um jovem cabo ferido na linha de batalha.
Conheça o cabo:
Parece familiar? Deveria...
Muito bem, pela decisão individual de um indivíduo tivemos toda uma série de eventos que no fim das contas moldou o mundo moderno.
Aonde esta a inevitabilidade agora?
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - Parte VI
Que poder tem as figurinhas mal-feitas... Você já viu a figura abaixo?
A coisa na realidade não é bem assim....
Recebi um texto de um professor amigo meu, e o texto levanta um ponto muito importante: entendemos a informação que recebemos?
O ponto em questão é a distância do sol à terra. Como sabemos a órbita da terra é uma elipse. Mas, talvez muitos não saibam que o círculo também é uma elipse - cuja excentricidade é zero.
E no caso do sistema terra-sol, esta excentricidade é de apenas 0.017. Isto significa que esta elipse é quase um círculo (raio maior de 1.017 e raio menor de 0.983). Sério... estamos falando de algo assim:
Se compararmos com outros planetas, teremos diversas outras excentridades(Marte 0.09, Vênus 0.007,Júpiter 0.05, Saturno 0.06, Urano 0.04, Mercúrio 0.21).
Naturalmente, excentricidades próximas de zero fazem elipses próximas de círculos. E excentricidades próximas de 1 fazem elipses bem alongadas. No caso da terra, a elipse é muito próxima de um círculo...
O pior é que é bem óbvio, uma vez que se pense um pouco a respeito do assunto...
E nem vou falar que os planetas não estão plano definido pelo equador do sol... Ora bolas, nem vou falar que os planetas não estão em um plano comum...
A coisa na realidade não é bem assim....
Recebi um texto de um professor amigo meu, e o texto levanta um ponto muito importante: entendemos a informação que recebemos?
O ponto em questão é a distância do sol à terra. Como sabemos a órbita da terra é uma elipse. Mas, talvez muitos não saibam que o círculo também é uma elipse - cuja excentricidade é zero.
E no caso do sistema terra-sol, esta excentricidade é de apenas 0.017. Isto significa que esta elipse é quase um círculo (raio maior de 1.017 e raio menor de 0.983). Sério... estamos falando de algo assim:
Se compararmos com outros planetas, teremos diversas outras excentridades(Marte 0.09, Vênus 0.007,Júpiter 0.05, Saturno 0.06, Urano 0.04, Mercúrio 0.21).
Naturalmente, excentricidades próximas de zero fazem elipses próximas de círculos. E excentricidades próximas de 1 fazem elipses bem alongadas. No caso da terra, a elipse é muito próxima de um círculo...
O pior é que é bem óbvio, uma vez que se pense um pouco a respeito do assunto...
E nem vou falar que os planetas não estão plano definido pelo equador do sol... Ora bolas, nem vou falar que os planetas não estão em um plano comum...
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
domingo, 4 de dezembro de 2011
sábado, 3 de dezembro de 2011
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
A Catástrofe de Belo Monte
Os ânimos estão acirrados. Há vídeos na internet a favor e contra* a construção da usina de Belo Monte.
Então o que é a catástrofe de que falo no título: a construção ou seu impedimento?
Na verdade, não é nenhum dos dois. A catástrofe é que as meias verdades e mentiras estão dominando o debate. E como este blog trata exatamente destas questões, então vamos a elas.
O pessoal do consórcio montou um blog que explica muita coisa. Mas o problema é mais sério, pois a difusão de informação está sendo prejudicada por meias verdades - até levantadas pelo próprio site. Então para isto resolvi elencar 10 informações importantes acerca de questões relevantes sobre Belo Monte:
Então o que é a catástrofe de que falo no título: a construção ou seu impedimento?
Na verdade, não é nenhum dos dois. A catástrofe é que as meias verdades e mentiras estão dominando o debate. E como este blog trata exatamente destas questões, então vamos a elas.
O pessoal do consórcio montou um blog que explica muita coisa. Mas o problema é mais sério, pois a difusão de informação está sendo prejudicada por meias verdades - até levantadas pelo próprio site. Então para isto resolvi elencar 10 informações importantes acerca de questões relevantes sobre Belo Monte:
- A primeira informação a se saber é nada é de graça. Belo Monte terá impactos ambientais e sociais. Alguns deles desconhecidos. Não se sabe sequer se serão positivos ou negativos para sociedade brasileira, embora se imagine que a usina trará mais desenvolvimento para região (o que para alguns é uma coisa ruim, e para outros é uma coisa boa).
- A segunda informação a saber é que toda geração de energia tem um custo associado. Aliás se formos precisos na linguagem, o termo correto não é "geração de energia", e sim "conversão de energia". Energia advinda de usinas térmicas tem um determinado custo (R$ 143,00/MWh), energia advinda de usinas eólicas (R$ 148,00/MWh) também tem um custo e energia advinda de usinas solares também tem um custo (R$ 500,00/MWh).
- A terceira informação é que não dá para prescindir da energia de Belo Monte. O custo de não ter a energia é muito mais alto do que o custo de tê-la. Mas também é importante saber que existem outros tipos de fontes de energia que poderiam ser usadas. A escolha pela energia hidrelétrica foi determinada por ser a alternativa de custo mais baixo. E quando falamos mais baixo, não é pouca coisa não (R$ 77,97/MWh).
- A quarta informação é que quem paga o custo da energia é o consumidor. Isto é todos que usam energia elétrica. Como o sistema é compartilhado, o uso de energia com custo mais caro encarece para todos. Mas se isto não fosse feito seria impossível custear o sistema como um todo (e não apenas Belo Monte).
- A quinta informação é que crescimento econômico e disponibilidade de energia elétrica barata estão correlacionados positivamente. Isto quer dizer que energia cara atrapalha o desenvolvimento econômico, e o mesmo pode ser dito da indisponibilidade.
- A sexta informação é que Belo Monte foi sim debatido exaustivamente na sociedade. Há mais de 30 anos que se debate Belo Monte nos mais diversos foros. Já teve debates no congresso nacional, em conferências, em universidades... Com a presença de indígenas e sem a presença de indígenas. Infelizmente há quem ainda diga que "não houve debate" ou que "não foi debatido o suficiente".
- A sétima informação é que a lógica econômica é que geralmente determina escolhas do tipo de energia a ser utilizado. O uso de energias alternativas é substancialmente mais caro que as escolhas tradicionais, e isto irá certamente encarecer a energia no curto e médio prazo. Então estas energias são escolhidas quando, em geral, as escolhas tradicionais trazem um custo associado fora do razoável ou podem ser até impossíveis de implantar.
- A oitava informação é que a radicalização gera radicalização. Ao se denominar as pessoas que pensam diferentes de "burros", "plays" ou "ecochatos" perde-se a oportunidade de identificar os pontos aonde há uma certa razão na argumentação do lado oposto.
- A nona informação é que um vídeo de protesto, divulgação ou apoio tem que começar pelo princípio de que toda informação nele é precisa. Errar em um ponto pode ter o efeito deletério de minar outros pontos que sejam corretos. E ao contrário do que o vídeo contrário à construção diz, o parque nacional do Xingu não fica nem Pará ( e sim em Mato Grosso) e nem perto de Belo Monte. O que fica perto de Belo Monte é o município de São Félix do Xingu. Isto meio que estraga o "Você já foi a Amazônia?" do início do vídeo e levanta dúvidas sobre outros pontos.
- A décima informação é que todas formas de "geração de energia" tem um impacto ambiental. A diferença é que sabemos o impacto de algumas delas, mas desconhecemos o de outras. Não há, repito, nada de graça. Tudo tem um custo associado - não se tira algo da natureza sem algum tipo de retorno
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Reconhecendo a calhordice
Preste atenção nesta imagem...
Os chavões "Pela Ética", "Fora Corrupto", "Justiça" e "Chega de Corrupção" são claramente mentirosos.
Sim... Isto mesmo. Se eles fossem reais, deveriam estar presentes nos dois casos da charge.
Então, nestes casos, estes chavões eram apenas uma forma "ética" de acusar o adversário de ser bandido. Se o adversário era bandido ou não, isto era o menor dos detalhes...
Este comportamento é conhecido como assassinato de caráter. E pode ser encontrado em membros de todo espectro político.
Mas é importante reconhecer quem levanta estas bandeiras apenas quando convém...
São calhordas mesmo...
Mas talvez eu esteja sendo muito duro, ou não?
Hummm...Não creio
Se as "virgens vestais" da moral superior admitissem os seus erros... Aí talvez o comportamento pudesse ser perdoado. O duro é que não é como funciona...
O que acontece? Quando os calhordas, ou os que estes apoiaram são pegos de calças curtas, então há um roteiro previsível: negação, acusação do acusador e por fim "todos fazem isto".
Felizmente há variações: no caso do governador de Brasília temos que "palavra de um governador de Estado já é, por si, uma prova"(believe it or not)
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Coisas que Mentimos para Nós mesmos - Parte V
Escorregadio como gelo.
A expressão é bem conhecida. Mas sabia que não entendemos direito porque o gelo é escorregadio? Aliás, a pergunta certa é o que faz o gelo ser escorregadio?
Curiosamente, a explicação que se encontra nos livros mundo afora está errada. Isto pode ser visto em detalhes aqui. Um ponto bizarramente interessante é que teoria mais antiga parece estar sendo reabilitada.
O que isso nos diz?
Bom, parte do nosso "conhecimento" é na realidade um credo de segurança. O que é isso? De modo simples são informações que acreditamos como verdadeiras, mesmo com evidências em contrário. Eu encontrei este belo insight em uma crônica de Isaac Asimov.
Isto também é conhecido como Efeito Forer. Uma explicação mais detalhada pode ser encontrada aqui.
Mesmo na ciência o efeito Forer faz das suas. Podemos identificar explicações "científicas" que na realidade estão bem equivocadas (como por exemplo, que o inverno e verão são causados pela variação da distância até o sol - o que é falso).
O gelo escorregadio é só mais uma dessas coisas. E ainda por cima é possível verificar que a explicação encontrada nos livros era matematicamente errada...
Então esta é mais uma daquelas coisinhas que achamos que sabemos, mas na verdade estamos mentindo para nós mesmos.
A expressão é bem conhecida. Mas sabia que não entendemos direito porque o gelo é escorregadio? Aliás, a pergunta certa é o que faz o gelo ser escorregadio?
Curiosamente, a explicação que se encontra nos livros mundo afora está errada. Isto pode ser visto em detalhes aqui. Um ponto bizarramente interessante é que teoria mais antiga parece estar sendo reabilitada.
O que isso nos diz?
Bom, parte do nosso "conhecimento" é na realidade um credo de segurança. O que é isso? De modo simples são informações que acreditamos como verdadeiras, mesmo com evidências em contrário. Eu encontrei este belo insight em uma crônica de Isaac Asimov.
Isto também é conhecido como Efeito Forer. Uma explicação mais detalhada pode ser encontrada aqui.
Mesmo na ciência o efeito Forer faz das suas. Podemos identificar explicações "científicas" que na realidade estão bem equivocadas (como por exemplo, que o inverno e verão são causados pela variação da distância até o sol - o que é falso).
O gelo escorregadio é só mais uma dessas coisas. E ainda por cima é possível verificar que a explicação encontrada nos livros era matematicamente errada...
Então esta é mais uma daquelas coisinhas que achamos que sabemos, mas na verdade estamos mentindo para nós mesmos.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
domingo, 27 de novembro de 2011
sábado, 26 de novembro de 2011
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