Caro leitor, você é a favor da pena de morte?
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| Essa foto é de filme (Sin City para ser exato). |
Bem, imagino eu, que qualquer pessoa sob circunstâncias graves pode ser favorável a tomar decisão favorável à pena de morte...
Mas, lhe pergunto, caro leitor, no caso que o dito cujo "cabra marcado para morrer" for inocente de qualquer crime?
Não estou colocando o "e se" na jogada, estou perguntando se o leitor poderia ser favorável a terminar a vida de um ser humano quando, sem a menor sombra de dúvida, o mesmo é inocente...
Pergunta difícil? Nem tanto?
Muito bem, mas não é exatamente isto que fazemos quando abortamos propositalmente um feto? Não é exatamente o caso de terminar a vida de um ser humano quando, sem a menor sombra de dúvida, o mesmo é inocente?
Ah, aí a coisa é diferente... Não é um ser humano... Ainda é apenas um amontoado de células....
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| Aparentemente, estas são células tronco. |
Este argumento eu conheço bem:
desumanização do adversário. O efeito final é
bem conhecido na ciência.
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| Não precisa nem ter fenótipo muito diferente. |
Mas deixemos o caso aonde a desumanização é bastante óbvia, e vamos ao caso aonde a gravidez pode causar dano a mulher. No caso do dano físico, temos uma escolha de Sofia, mas o dilema do "eu versus você", ou mesmo o de "eu e você vamos juntos nessa" é compreensível e intelectualmente mais fácil de se relacionar. Se a gravidez é de risco, a opção de finalizar a vida do feto torna-se pelo menos racionalmente compreensível.
A questão é que a definição de gravidez de risco pode ser esticada, dependendo de quem estiver utilizando. Pode-se incluir fatores sociais na definição do que seria "risco" (incapacidade da mãe, pobreza, insanidade, drogas, e uma lista bem grande). E aí é que vemos as pessoas no seu pior...
Não nos fatores em si, mas como defensores de direitos moralmente insustentáveis. Aí as pessoas passam a usar de sofismas, de falácias e das boas e velhas mentiras para justificarem suas posições ou decisões.
Então, no fundo, a maioria das justificativas acaba sendo baseada no famoso mantra: "eu, eu e eu!".
E aqui eu quero deixar um ponto bem claro: não creio que ninguém tenha o direito de decidir sobre vida ou morte de alguém, mas não ignoro que ter ou não o direito não costuma deter pessoas de fazer o que querem. Talvez por isso mesmo, acredito que só as pessoas vivenciando o fato é que podem tomar as decisões pertinentes. Não é que não possam consultar com outras pessoas, mas só os envolvidos (ou interessados) é que devem realmente decidir.
Em resumo:
Não se deve matar, na medida do possível &
Não se deve querer mandar na vida das pessoas, também na medida do possível.
Francamente, creio que uma decisão desta magnitude não é para ser tomada de modo leve.