Depois do turbilhão de emoções dos últimos dias, eu resolvi fazer minha parte: segue o compilado dos grampos da Lava Jato tratando de Lula de 10 de fevereiro a 16 de março.
São 2 horas e 32 minutos de conversas telefônicas - podem dar vazão ao lado Voyeur de cada um
Quem quiser ler ao invés de ouvir, pode ver aqui.
Este blog tem como propósito sincero esclarecer as notícias e novidades sem confundir.
terça-feira, 22 de março de 2016
quarta-feira, 16 de março de 2016
Sobre Pretérito e Futuro
Li que Lula está certo para ser ministro . Se isso é verdade eu ainda não sei, porque ainda está no futuro (enquanto escrevo este post)
Mas
Do passado eu sei. A frase de Lula:
“No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai para a cadeia, mas quando um rico rouba ele vira ministro”
É real e pode ser vista na página A-4 (Política) da Folha de São Paulo de Segunda-Feira, 15 de fevereiro de 1988.
Ironicamente, o título da reportagem com a frase é "Governo deveria prender e não só acusar" (não sou o primeiro blog a postar isso) e trata de uma lista com nomes de parlamentares que teriam recebido ajuda financeira de empresas privadas para suas campanhas eleitorais.
Mas
Do passado eu sei. A frase de Lula:
“No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai para a cadeia, mas quando um rico rouba ele vira ministro”
É real e pode ser vista na página A-4 (Política) da Folha de São Paulo de Segunda-Feira, 15 de fevereiro de 1988.
Ironicamente, o título da reportagem com a frase é "Governo deveria prender e não só acusar" (não sou o primeiro blog a postar isso) e trata de uma lista com nomes de parlamentares que teriam recebido ajuda financeira de empresas privadas para suas campanhas eleitorais.
quarta-feira, 9 de março de 2016
Melhoras na Economia?
Leio hoje que a inflação desacelerou em fevereiro.
Ufa, a crise acabou afinal?
Infelizmente não. Como já mencionei antes na previsão de inflação há uma componente cíclica (0.2%), uma componente constante (0.45%) e uma componente aleatória no meu modelo de predição (0.17%).
A inflação costuma ser mais alta em janeiro/fevereiro e mais baixa em junho/julho. Esta é a parte da componente cíclica. Se fizermos uma análise harmônica, chegamos que a maior componente tem uma periodicidade de 12 meses.
Se fizermos uma média de todos os valores de inflação antes de 2010 encontraremos o valor de 0.45%. Esta é a componente constante. Também pode ser encontrada pela análise mencionada anteriormente.
Já observando as variações descontadas as componentes anteriores permitem a estimativa da componente aleatória.
E fevereiro ainda está bem acima do valor esperado pelo modelo. Acima do teto planejado.
No modelo original: 50% de 0.40% e 50% 0.79%
Portanto, precisamos ainda esperar..;
Ufa, a crise acabou afinal?
Infelizmente não. Como já mencionei antes na previsão de inflação há uma componente cíclica (0.2%), uma componente constante (0.45%) e uma componente aleatória no meu modelo de predição (0.17%).
A inflação costuma ser mais alta em janeiro/fevereiro e mais baixa em junho/julho. Esta é a parte da componente cíclica. Se fizermos uma análise harmônica, chegamos que a maior componente tem uma periodicidade de 12 meses.
Se fizermos uma média de todos os valores de inflação antes de 2010 encontraremos o valor de 0.45%. Esta é a componente constante. Também pode ser encontrada pela análise mencionada anteriormente.
Já observando as variações descontadas as componentes anteriores permitem a estimativa da componente aleatória.
E fevereiro ainda está bem acima do valor esperado pelo modelo. Acima do teto planejado.
No modelo original: 50% de 0.40% e 50% 0.79%
Portanto, precisamos ainda esperar..;
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
A inflação em 2015
E a inflação passou dos 10% (10.67%).
Eu mencionei no início de 2015 que, dado que a inflação de janeiro tinha ultrapassado 1% (1.24%), que iria ser bem difícil (mas não impossível) manter a inflação abaixo de 10%.
E quase realmente ficamos abaixo dos 10%.
Isso significa que a situação não está tão grave quanto se fala por aí?
Infelizmente não.
O fato da equipe econômica ter voltado a estar sob a batuta do pessoal que causou a confusão é, pelo menos, um indicador que a situação pode retornar a tal "matriz econômica" criada por esse pessoal.
Sim, há a chance que os rumos sejam diferentes dos que criaram a confusão.
Mas eu não tenho muitas expectativas quanto a isso.
Muito bem, e quanto a inflação de 2016? Bem, teremos de esperar até fevereiro para ter alguma ideia a respeito
Eu mencionei no início de 2015 que, dado que a inflação de janeiro tinha ultrapassado 1% (1.24%), que iria ser bem difícil (mas não impossível) manter a inflação abaixo de 10%.
E quase realmente ficamos abaixo dos 10%.
Isso significa que a situação não está tão grave quanto se fala por aí?
Infelizmente não.
O fato da equipe econômica ter voltado a estar sob a batuta do pessoal que causou a confusão é, pelo menos, um indicador que a situação pode retornar a tal "matriz econômica" criada por esse pessoal.
Sim, há a chance que os rumos sejam diferentes dos que criaram a confusão.
Mas eu não tenho muitas expectativas quanto a isso.
Muito bem, e quanto a inflação de 2016? Bem, teremos de esperar até fevereiro para ter alguma ideia a respeito
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Uma questão de Engenharia
Um dos comentários do blog perguntou porque não devemos utilizar o fio neutro como o fio terra.
Bem, eu vou colocar dois vídeos aqui explicando. Mas o fato é que o terra só existe porque de vez em quando as coisas dão errado. Em um mundo perfeito, bastaria uma fase e um retorno (que pode ou não ser o neutro).
Mas o terra existe justamente para os casos aonde há falhas no neutro e o retorno de corrente passa a ser o usuário. Por isso que equipamentos não aterrados vez por outra "dão choque" (geladeiras vêm a mente nesse caso).
Os vídeos:
Bem, eu vou colocar dois vídeos aqui explicando. Mas o fato é que o terra só existe porque de vez em quando as coisas dão errado. Em um mundo perfeito, bastaria uma fase e um retorno (que pode ou não ser o neutro).
Mas o terra existe justamente para os casos aonde há falhas no neutro e o retorno de corrente passa a ser o usuário. Por isso que equipamentos não aterrados vez por outra "dão choque" (geladeiras vêm a mente nesse caso).
Os vídeos:
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
Olhando no Retrovisor 11
Este é particularmente curioso pois fala sobre a falta de transparência do governo tucano de SP.
domingo, 18 de outubro de 2015
sábado, 17 de outubro de 2015
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
terça-feira, 13 de outubro de 2015
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
domingo, 11 de outubro de 2015
Olhando no retrovisor 3
Não, não irei parar...
Queria saber o que pensa esse pessoal que participa destes programas...
sábado, 10 de outubro de 2015
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Olhando no Retrovisor
Nada como um dia depois do outro.
"Um assessor presidencial diz que não é possível cobrar "racionalidade" durante uma campanha eleitoral e que o governo está numa guerra. Segundo ele, a prioridade é ganhar a eleição. Depois, pontes serão reconstruídas."
A lição é simples: destruir pontes é fácil. Difícil é construir. E dá mais trabalho ainda reconstruir.
Será que o camarada que disse isso já se arrependeu? Só para dar uma relembrada (afinal, recordar é viver) vou postar vídeos de Dilma de 2014 a partir de hoje:
Quero que percebam só se passou 1 ano desde que esse vídeo foi postado!
"Um assessor presidencial diz que não é possível cobrar "racionalidade" durante uma campanha eleitoral e que o governo está numa guerra. Segundo ele, a prioridade é ganhar a eleição. Depois, pontes serão reconstruídas."
A lição é simples: destruir pontes é fácil. Difícil é construir. E dá mais trabalho ainda reconstruir.
Será que o camarada que disse isso já se arrependeu? Só para dar uma relembrada (afinal, recordar é viver) vou postar vídeos de Dilma de 2014 a partir de hoje:
Quero que percebam só se passou 1 ano desde que esse vídeo foi postado!
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
O Homem de 50 Bilhões de Dólares
Esse título é emblemático
E se refere a Jorge Paulo Lemann.
Hoje provavelmente é até mais do que isso.
Mas o que isso quer dizer? Bem normalmente se pensa em uma das duas opções:
- Que ele tem 50 Bilhões em caixa.
- Que se ele vender tudo que tem terá 50 Bilhões.
E ambas estão erradas. Aqui há um conceito muito importante e central em toda a economia: o valor de algo.
Imaginem o seguinte, caros leitores, que hoje uma companhia fictícia presidida por fulano está cotada a R$ 10,00 por ação com um total de 1 milhão de ações. Então o valor de "compra" desta companhia é de 10 milhões de reais.
Mas vamos um pouco além: vamos também supor que fulano possui 10% das ações. Então pela lógica podemos supor que ele "possui" 1 milhão de reais.
Até aí tudo bem. Mas sabemos que o mercado é bastante oscilatório. Então esta empresa, mesmo sem comprar ou vender nada, pode muito bem ter o valor da ação alterado tanto para cima quanto para baixo.
Aliás está é a norma - raramente você vê uma ação tendo o mesmo preço no dia-a-dia, ou mesmo no hora-a-hora. Então, vamos supor que no dia D a ação esteja cotada a R 12,00 e no dia dia D+7 o valor cai para R$ 8,00. E isto ocorre sem que a companhia fictícia mude um parafuso sequer na sua linha de produção.
Então como conciliar isso? No dia D, fulano vale 1.2 milhão de reais, mas uma semana depois ele vale "apenas" 800 mil?
Pois é exatamente assim que a maioria dos bilionários funciona. O dinheiro dos bilhões na realidade é apenas expectativa. Ele não existe e nunca existiu. A bem da verdade, ele possivelmente nem pode tentar vender suas ações para obter o dinheiro - o próprio ato de vender as ações iria afetar negativamente o valor da companhia.
Então é isso: o dinheiro na realidade não existe. Não é que o camarada não tenha dinheiro. É apenas que o dinheiro não é "líquido" (não no sentido de molhado, mas no sentido que não pode ser liquidado). E para complicar, a norma é que quanto mais exorbitante a fortuna, menos líquida ela realmente é.
Percebem, caros leitores, como este fato em si torna extremamente complicado taxar, roubar, ou mesmo classificar a riqueza destas pessoas.
E isto é algo que está faltando no debate sobre desigualdades, riqueza e pobreza e coisas afins. O fato de 0.7% da população terem 241 trilhões de dólares não quer dizer o mesmo que essas pessoas TEM esse dinheiro. E isso deveria até ser bastante óbvio, dado que o PIB mundial é de cerca de 71 trilhões de dólares.
Bem, pensando bem, é meio óbvio não?
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
De novo a provocação
Não... Não é possível. Pelo jeito não aprendem mesmo.
Pessoalmente não quero o impeachment de Dilma. Não vejo motivo para tanto. E pelo que tenho lido, a maioria dos motivos listados se resume a "qualquer coisa é melhor do que ela, então vamos arranjar uma justificativa plausível para retirá-la".
Não entenda errado: eu acho que a presidência da Dilma é muito ruim e irá ainda piorar bastante. Só que creio que mais do que nossa vontade pessoal, devemos obedecer as regras que nós mesmos criamos.
No caso de Collor, hoje está claro para mim que sua retirada foi fundamentada na vontade de tirá-lo de lá. Pura e simplesmente. O governo dele era muito ruim, sua popularidade era baixa e as pessoas que votaram nele se sentiram traídas. Mas foi isso só, a motivação e todo o processo para retirá-lo foi montado com o objetivo de retirá-lo e não o de "fortalecer as instituições" ou coisa que valha.
Por uma sorte ímpar, tivemos Itamar Franco e o Plano Real em seguida (apesar de me lembrar claramente do que falavam do Itamar na época).
E agora, percorremos o círculo completo com Dilma no papel que foi de Collor.
Hoje sou contra este tipo de procedimento. E justamento porque o que ele faz não é fortalecer as instituições, muito pelo contrário. Imagino eu que irão criar alguma justificativa plausível e possivelmente até legítima (como as pedaladas fiscais).
Mas
Esta mesma justificativa seria alegremente esquecida se o governo fosse um sucesso. Ou para ligar a uma linguagem da estatística: a probabilidade de impeachment e o sucesso do governo não são eventos independentes.
E por isso que sou contrário ao impeachement. Creio que se o objetivo é fortalecer nossas instituições (e educar o povo civicamente), então será muito mais proveitoso no longo prazo termos Dilma até o fim do seu mandato.
Dito isso...
O pessoal do PT não consegue resistir. Creio que está no DNA do partido. Vejo o pessoal do PT pedindo que se exerça a tolerância, pedindo paz, pedindo que se busque a harmonia, pedindo que se pare o ódio
e aí
o Líder máximo do partido sai-se com "Essas pessoas que se apresentam como solução se esqueceram de qua, quando cheguei a presidência do país, ele estava quebrado"
Ok. Isso é mentira! Isso é difamação! Isso NÃO É exercer tolerância! Isso NÃO É buscar a harmonia! Isso é precisamente o contrário de tudo que estão pedindo.
Isso é provocação.
Resultado? Eu não ia na manifestação de 16 de agosto, mas agora eu vou!
Pessoalmente não quero o impeachment de Dilma. Não vejo motivo para tanto. E pelo que tenho lido, a maioria dos motivos listados se resume a "qualquer coisa é melhor do que ela, então vamos arranjar uma justificativa plausível para retirá-la".
Não entenda errado: eu acho que a presidência da Dilma é muito ruim e irá ainda piorar bastante. Só que creio que mais do que nossa vontade pessoal, devemos obedecer as regras que nós mesmos criamos.
No caso de Collor, hoje está claro para mim que sua retirada foi fundamentada na vontade de tirá-lo de lá. Pura e simplesmente. O governo dele era muito ruim, sua popularidade era baixa e as pessoas que votaram nele se sentiram traídas. Mas foi isso só, a motivação e todo o processo para retirá-lo foi montado com o objetivo de retirá-lo e não o de "fortalecer as instituições" ou coisa que valha.
Por uma sorte ímpar, tivemos Itamar Franco e o Plano Real em seguida (apesar de me lembrar claramente do que falavam do Itamar na época).
E agora, percorremos o círculo completo com Dilma no papel que foi de Collor.
Hoje sou contra este tipo de procedimento. E justamento porque o que ele faz não é fortalecer as instituições, muito pelo contrário. Imagino eu que irão criar alguma justificativa plausível e possivelmente até legítima (como as pedaladas fiscais).
Mas
Esta mesma justificativa seria alegremente esquecida se o governo fosse um sucesso. Ou para ligar a uma linguagem da estatística: a probabilidade de impeachment e o sucesso do governo não são eventos independentes.
E por isso que sou contrário ao impeachement. Creio que se o objetivo é fortalecer nossas instituições (e educar o povo civicamente), então será muito mais proveitoso no longo prazo termos Dilma até o fim do seu mandato.
Dito isso...
O pessoal do PT não consegue resistir. Creio que está no DNA do partido. Vejo o pessoal do PT pedindo que se exerça a tolerância, pedindo paz, pedindo que se busque a harmonia, pedindo que se pare o ódio
e aí
o Líder máximo do partido sai-se com "Essas pessoas que se apresentam como solução se esqueceram de qua, quando cheguei a presidência do país, ele estava quebrado"
Ok. Isso é mentira! Isso é difamação! Isso NÃO É exercer tolerância! Isso NÃO É buscar a harmonia! Isso é precisamente o contrário de tudo que estão pedindo.
Isso é provocação.
Resultado? Eu não ia na manifestação de 16 de agosto, mas agora eu vou!
sexta-feira, 3 de julho de 2015
E as estatísticas?
O debate da maioridade (de novo ela) trouxe a tona outro ponto importante: não temos estatísticas confiáveis aqui no país.
Bem, isso não é inteiramente verdade!
Na realidade até temos estatísticas confiáveis, e não apenas comparados a países que manipulam desavergonhadamente os números. Mas o problema é na guerra de informação a verdade é sempre a primeira vítima (bem talvez seja em todas as guerras). Então ficou muito fácil inventar, manipular ou até mesmo interpretar incorretamente uma estatística nacional.
O caso que chama a atenção para o debate da maioridade é a famosa estatística do "1% dos menores", sendo que este número é achismo (ou chutismo para mantermos um número saudável de neologismos).
O que isso tem a ver?
Isto é de uma clareza impressionante: não sabemos o tamanho real do problema! Não fazemos a menor idéia mesmo.
E estamos discutindo a lei baseado em que afinal?
Eu respondo: estamos discutindo baseados apenas em preconceitos e opiniões informais. Mais ou menos como uma partida de futebol (que aliás é uma analogia muito boa com quase tudo que se faz aqui).
E aí fica muito difícil resolver o problema.
Mas eu vou deixar uma possível solução: temos que encontrar uma variável que seja correlacionada com o resultado que desejamos monitorar (pode ser, por exemplo, o número de mortes devido a causas violentas). Apesar desta estatística não ser inteiramente confiável (pode parecer incrível mas nem nisso nos realmente temos certeza), podemos pelo menos estimar mudanças (desde que não se mude a metodologia de súbito).
Bem, isso não é inteiramente verdade!
Na realidade até temos estatísticas confiáveis, e não apenas comparados a países que manipulam desavergonhadamente os números. Mas o problema é na guerra de informação a verdade é sempre a primeira vítima (bem talvez seja em todas as guerras). Então ficou muito fácil inventar, manipular ou até mesmo interpretar incorretamente uma estatística nacional.
O caso que chama a atenção para o debate da maioridade é a famosa estatística do "1% dos menores", sendo que este número é achismo (ou chutismo para mantermos um número saudável de neologismos).
O que isso tem a ver?
Isto é de uma clareza impressionante: não sabemos o tamanho real do problema! Não fazemos a menor idéia mesmo.
E estamos discutindo a lei baseado em que afinal?
Eu respondo: estamos discutindo baseados apenas em preconceitos e opiniões informais. Mais ou menos como uma partida de futebol (que aliás é uma analogia muito boa com quase tudo que se faz aqui).
E aí fica muito difícil resolver o problema.
Mas eu vou deixar uma possível solução: temos que encontrar uma variável que seja correlacionada com o resultado que desejamos monitorar (pode ser, por exemplo, o número de mortes devido a causas violentas). Apesar desta estatística não ser inteiramente confiável (pode parecer incrível mas nem nisso nos realmente temos certeza), podemos pelo menos estimar mudanças (desde que não se mude a metodologia de súbito).
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Sobre a Maioridade Penal
Foi aprovada ontem na câmara dos deputados a proposta de redução da maioridade penal.
Bem, antes de continuar, devo dizer que a redução não é solução. Mas também não é problema. A solução para pelo menos parte do problema é a responsabilização efetiva caso a caso.
Mas este não é o ponto do post
O ponto é que na noite anterior uma outra proposta de redução da maioridade penal não foi aprovada o que, neste caso, é diferente do foi rejeitada. Por que é diferente? Porque para aprovar a proposta de redução eram necessários 308 votos favoráveis, o que não ocorreu: 303 votos foram favoráveis, 184 foram contrários e 3 se abstiveram. Ou seja:
- Deputados que votaram sim: 303
- Deputados que votaram não: 184
- Deputados que se abstiveram:3
- Quorum: 490
A lista dos votos está aqui.
Note, caro leitor, que a enorme maioria 61.8% foram favoráveis, e 37.6% foram contrários. E não é só isso: a imensa maioria do povo brasileiro é a favor da redução da maioridade.
O que isso quer dizer? Bem, antes de tudo temos de olhar a lista dos deputados que mudaram o voto na segunda votação. Ao total foram 24.
- Deputados que votaram não ou se abstiveram na primeira votação e que votaram sim na segunda: 23
- Deputados que votaram sim na primeira votação e que votaram não ou se abstiveram na segunda: 3
- Deputados que votaram sim na primeira votação e faltaram à segunda: 7
- Deputados que faltaram à primeira votação e votaram sim na segunda:6
E nos demais números
- Deputados que votaram sim: 323
- Deputados que votaram não: 155
- Deputados que se abstiveram:2
- Quorum: 480
Bem, e como analisar isso? Bem, vamos primeiro ver o caso da diferença de quorum. Na primeira votação tivemos 490 votos e na segunda 480. Isso dá uma diferença de 10. Só que temos 6 que faltaram a primeira votação e votaram sim na segunda, e temos 7 que votaram sim na primeira votação e faltaram a segunda. Isto dá o saldo de 9 possíveis votos não e 1 voto sim na segunda votação. De posse desta informação é possível afirmar que "caso o quorum fosse o mesmo da primeira votação" o resultado seria no máximo de 166 votos não (324 votos sim) ou no mínimo de 145 votos não (e 335 votos sim).
Ou seja: a proposta seria aprovada.
Bem, e o fato que o presidente da câmara usou uma manobra regimental para aprovar a redução? Isto é verdade, mas daí a dizer que Cunha é o responsável pela aprovação é ignorar que 323 deputados votaram sim e 155 votaram não. A manobra poderia ou não ter dado certo, mas o fato é que a proporção de favoráveis para contrários era muito próxima de 2 para (ou seja de 1.65 para 1) já na primeira votação e mudou muito pouco (para 2.08 para 1).
Esquecer isso é tapar o sol com a peneira.
Ditadura da maioria ou representação legítima do povo brasileiro? Bem, isso cabe a cada um decidir. Mas ao meu ver, os deputados se comportaram mais ou menos como os representantes dos que os elegeram. E não sou o único a pensar assim.
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