segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Mini Turbina para Geração Hidroelétrica

Com os conceitos da Lei de Faraday é possível projetar e montar uma mini-turbina para geração de energia elétrica




O conceito é simples: queda de água que possui determinada energia potencial é convertida em energia cinética. Parte desta energia cinética é convertida em potência. Se o sistema tem uma vazão v e uma densidade rho com uma altura h então a potência é:

P=v*rho*g*h

Um torneira de pia tem vazão de cerca de 0.5 l/s, rho é 1, g é 10 e h é 0.2

Temos então:

P=0.5*0.2*10 = 1 W

Supondo uma eficiência de 50% temos cerca de 0,5 W. Se dá para acender os Leds? Sim, desde que se use um valor apropriado para as bobinas envolvidas.

domingo, 30 de agosto de 2009

Lei de Ampere

Similar a Lei de Faraday, temos a Lei de Ampere. Embora esta lei tenha ramificações eletrodinâmicas, o exemplo mostrado aqui é essencialmente baseado em conceitos da magnetostática.



De modo simples, a corrente que flui pela bobina é responsável pelo surgimento de um campo magnético. Este campo irá causar uma força que fará a agulha se alinhar com o campo gerado.

Lei de Faraday

Seguindo a idéia, coloco aqui um exemplo em vídeo do funcionamento da Lei de Faraday. Claro que a versão em inglês do texto é bem mais completa.




A Lei de Faraday diz mais ou menos que a variação do fluxo magnético em uma superfície definida por um caminho fechado causa uma força eletromotiva neste caminho (que no fundo é uma voltagem, tensão, ou...).

Lei de Coulomb

Resolvi iniciar uma novo tema: eletromagnetismo.

A idéia é postar vídeos de experimentos que demonstram conceitos considerados fundamentais.

O primeiro destes é a Lei de Coulomb




De modo simples, temos uma explicação mais detalhada no wikipedia. Mas em inglês a explicação é mais detalhada.

Vou tentar na medida do possível incluir novos exemplos com experimentos no youtube

Pensando sobre "A Onda"

Ver o filme (bem algumas partes) foi muito interessante.

Primeiro porque eu vi o filme muitos anos atrás (décadas mesmo).

Segundo porque o tempo adiciona mais bagagem para entender os eventos descritos no filme. Na época que vi o filme pela primeira vez o Brasil ainda se encontrava sob governo militar. Então o filme foi entendido como uma forma de rebelião contra opressores e as formas que se podia cair nas "armadilhas" dos mesmos.

Hoje vejo que os eventos descritos apenas trazem a luz características intrínsecas a condição humana. Como animais sociais temos "programada" na nossa psique o comportamento descrito em "A Onda". Ao nos juntarmos a um grupo, qualquer que seja, estamos de alguma forma abandonando elementos de comportamento sozinho em benefício do comportamento grupal.

E por sermos sociais, isto é algo muito muito poderoso. Com as confusões na UnB em 2008, foi com grande esforço que consegui mesmo que parcialmente escapar da tendência do julgamento coletivo e da auto isenção (tendência que não é das mais corajosas - mas foi adotada pela imensa maioria dos meus colegas).

Ao mesmo tempo, por fazer parte do grupo, a tendência a desculpar e justificar o comportamento do grupo - mesmo que apenas dos cabeças do grupo - era também muito poderosa. O contraste entre o acontecido e a reconciliação com a realidade ainda é algo que estou aprendendo a administrar.

Fico imaginando se de um jeito ou de outro não é este o comportamento real que temos quando passamos a fazer parte de qualquer grupo.

Algo como fases:

Curiosidade - uma espécie de ensaio do que a participação do grupo pode trazer (levamos meio que na brincadeira ou espírito aventureiro). Não notamos, mas começamos a levar o grupo a sério pouco a pouco.

Participação - passamos a atuar dentro do grupo de modo mais ativo e menos na brincadeira. Ficamos satisfeitos quando as tarefas assinaladas são cumpridas.

Compromisso - passamos a adotar o grupo da mesma forma como ele nos adotou. Neste ponto, tarefas mais importantes são realizadas e temos sensação de direção e propósito.

Ruptura - pode ser que não ocorra, mas se ocorrer trás em si uma sensação de abandono ou isolamento. Também há uma sensação de impotência e desilusão.

Isto valeria para todos os grupos: partidos, agremiações, sociedades, etc...

E mesmo o trabalho, quando for o caso.

Fico imaginando, se com as relações sociais cada vez mais presentes nas redes e no modo virtual se isto não está evoluindo para novas formas até mais abrangentes.

sábado, 29 de agosto de 2009

A Onda

Finalmente encontrei no youtube o filme "A Onda" de 1981. O link para o youtube é esse aqui:



É um filme interessante e baseado em um episódio real.

O que acho mais interessante é que este episódio conta algo sobre nós como sociedade. Parece ser quase irrestível a pressão para fazer parte de grupos e para ser parte de grupos (note que usei "fazer parte" e "ser parte" de modo diferente - isto é intencional).

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O Banquete de Platão

Você sabe o que significa "Amor Platônico"?

E de onde vem a expressão?

Bem, vem do livro "O Banquete" de Platão. A expressão é utilizada para designar a situação peculiar entre Alcebíades e Sócrates.

Muito ao contrário do que se pensa, a expressão não denota o amor não consumado (fisicamente) entre homem e mulher.

Mas trata do amor não consumado entre dois homens.

Este é mais um exemplo da série "Coisas que você pensava que sabia"

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Papéis na mídia

Todos temos nossa parte a fazer, certo?

Bem, será realmente que o mundo é um grande palco?

Eu acredito que sim. Pelo menos na questão do que nos é apresentado nos veículos de comunicação.

Já havia notado este tipo de efeito em uma viagem que fiz anos atrás aos Estados Unidos. Na época comentaristas tais como Rush Limbaugh and Ann Coulter já me davam nos nervos.

Até eu entender o papel que estas pessoas tem no palco.

No Brasil temos como fenômenos recentes Reinaldo Azevedo, Diego Casagrande e outros...

O objetivo é criar polêmica mesmo. A controvérsia é o objetivo!

E porque ter como objetivo a controvérsia e a polêmica? Bom, aí temos que entender um pouco da psicologia de massas e de como as pessoas se convencem das coisas.

Primeiro, apesar do debate racional argumentativo e fundamentado ser uma forma precisa e com pouca ou nenhuma polarização, não é assim que as pessoas chegam as conclusões.

Na realidade, qualquer um pode tentar fazer a experiência: tentar usar lógica quando uma pessoa já tem decisão formada com pouco embasamento lógico mas um forte embasamento emocional é uma tarefa difícil e até perigosa. Pode ser em tópicos como religião, aborto ou mesmo time de futebol.

E aí chegamos ao cerne: a forma de convencimento que os polemistas usam é mais baseada na emoção (ou manipulações delas) que em lógica argumentativa. Então é mais fácil que a mensagem ressone com as pessoas previamente dispostas emocionalmente as idéias apresentadas.

Então neste caso vale tudo: ironia, desprezo, uma mentirinha difícil de ser rebatida aqui ou acolá. Vale realmente tudo.

Quem é a audiência? Geralmente quem se opõe de modo PRIMARIAMENTE emocional ao alvo em questão.

Se é Lula então a audiência é o público bem educado, com recursos que se sente desprezado e até mesmo ameaçado pelo político com educação secundária mas com ligação direta com o povo.

E notem que o alvo é atacado justamente nos pontos que se dissocia da audiência (exemplo: Lula é analfabeto - e ele não é, muito pelo contrário, Lula é populista - pode até ser, mas na realidade ele é popular).

E se o alvo for outro? Por exemplo, Sarney? Bem, ele é rico, não tem respeito pela opinião de vocês, é político - e portanto duas caras... Pode escolher.

Se é verdade? Bem para o polemista isto pouco importa, ele não está interessado na verdade, ele está interessado é na sua audiência e com base nisto que ele polemiza.

Infelizmente o polemista está aqui para ficar - o papel que esta figura atua começou a se tornar mais visível a partir da tendência mundial que os veículos de informação se transformem também em veículos de entretenimento.

Então, só podemos nos preparar

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Regra de Trânsito

Após olhar em um determinado site verifiquei que há uma espécie de regra que diz:

"A diminuição de 1km/h na velocidade média leva a uma diminuição de 3% no risco de acidente com lesão no trânsito".

Chegando a alguns números no Brasil , vi que o aumento no número de carros de 1.2% leva a 1% na diminuição do número de acidentes com lesão no trânsito.

Isto não é mal, pois de um modo mais ou menos aproximado que se quisermos diminuir em 10% as mortes, o melhor efeito será com um aumento de 12% no número de carros.

A conta é que um aumento de 29% no número de veículos levou a uma diminuição de 8 km/h na velocidade média. O que dá 3.6% de aumento no número de veículos leva a uma diminuição de 1 km/h.

Portanto um aumento de 3.6% no número de veículos leva a uma diminuição de 3% no número de acidentes com lesão no trânsito. O que dá 1.2% de aumento leva a 1% na diminuição de acidentes.

Mas é claro que é só aproximação. Afinal o mundo não é linear...

Uma questão séria

Vamos pensar em um produto imaginário X.

Mais ainda X é um narcótico/estimulante/sedativo/alucinógeno.

Este produto, por ter propriedades viciantes, pode levar a situações de mercado cativo.

Mais ainda, devido ao vício, X tem consequências na saúde pública.

Como os governos e populações devem lidar com este problema?

Este é um pepinão.

Proibição? Bem, isto funcionou muito bem com a pirataria, não?

Liberalização? Mas e as consequências para saúde pública?

A questão é complexa. Acredito, por razões ainda não muito claras para mim, que a melhor abordagem para resolver esta questão é uma análise de custo versus benefício (ou custo 1 versus custo 2).

Se olharmos a história, a proibição de substâncias narcóticas (ou relacionadas) teve sempre outros objetivos não tão nobres ou mesmo totalmente equivocados em mente. Tivemos proibições sobre café, álcool, ópio, marijuana, etc...

E estamos com o mesmo problema há várias centenas (quiça milhares de anos).

Do modo que vejo temos um produto X com um mercado. Para evitar o consumo deste produto só podemos atuar em duas frentes: na oferta e na demanda.

Podemos atuar em uma ou nas duas. A proibição com criminalização pode atuar em âmbos, sendo que neste caso teremos um custo associado maior para manter o produto X fora do mercado.

Mas será que é efetivo? Uma atuação só do lado da oferta faz com que o custo para o consumo de X aumente. Inicialmente como existem mais mercado do que produtores, parece fazer sentido atuar na produção de X.

Ao mesmo tempo pode-se seletivamente tornar X economicamente inviável. Para tanto, o modo mais simples é tornar os custos de produção muito elevados. No entanto, há o mercado...

E se mesmo diminuir o mercado, este estiver determinado a pagar mais pelo consumo de X então ele o fará. E a menos que se eliminem todos os produtores (e que tornem impossível o surgimento de novos candidatos), então qualquer que seja a estratégia tem-se estar preparado para o fato que um percentual de X sempre será produzido e consumido.

O que leva a outro ponto, atuar sobre a produção terá um custo. E o custo para erradicação será função de quão simples é a produção de X. Quanto mais simples, maior o custo.

E isto leva a conclusão lógica que um campo de teste para uma política de drogas é justamente no consumo de substâncias de manufatura complexa. A priori, este será o campo que apresentará maior relação de custo-benefício no caso do combate a produção.

Mas, naturalmente este campo é geralmente o de mercado mais restrito. E aí cai-se na questão de se o esforço é realmente necessário.

Então, o campo de testes tem de ser de uma substância de manufatura complexa e mercado grande. Nesta arena temos diversos candidatos: heroína, cocaína, extasy, LSD...

Mas claramente o campo aonde tudo é mais complicado é claramente o das drogas que podem ser feitas de modo mais simples. E o mais caro...

Então o que fazer com relação a X?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O problema da fonte

Uma das regras básicas que se deve ter em mente quando se lê uma notícia é: quem é o responsável pela estória e a quem interessa sua divulgação.

Se os dois elementos são coincidentes, então muito cuidado com o que esta sendo dito.

Caso em questão: matéria do Correio Brasiliense de segunda afirmando que a pirataria é consumida essencialmente por população de alta renda.

Bem, de certa forma faz sentido. E ao mesmo tempo não faz.

Uma pesquisa similar já havia sido feita em 2007 (e novamente aqui) e também em 2008.

E tem-se registros de uma similar em 2005.

O interessante é quem financia a pesquisa e subsequente publicação: em geral as associações de produtores que são de certa forma lesados com a pirataria.

Não há nada errado com isto, exceto que na realidade a intenção não pode ser considerada exatamente descompromissada com a questão. As pessoas responsáveis por isto são parte interessada no fim da pirataria.

A última pesquisa foi realizada pelo Instituto Milenium.

O texto do Correio diz: "As informações constam de estudo encomendado pelo Instituto Millenium, organização sem fins lucrativos com foco no desenvolvimento humano, sobre o hábito do brasileiro em relação à pirataria."

Ah, mas quem financia o Instituto? Basta dar uma olhada na parte de quem é o instituto. E aí fica difícil acreditar que não existe interesse direto envolvido na história,

Mas não é só isto, a reportagem fala que: "A entidade pretende enviar as informações, ainda inéditas, a autoridades que atuam no combate à pirataria."

O problema é que as reportagens de 2005, 2007 e 2008 já falavam mais ou menos isto.

Então eles estão mentindo? Muito provavelmente não. Apenas estão adequando suas informações ao maior impacto possível.

Bem, então eu sou favorável a pirataria? Muito pelo contrário.

Mas meu ponto é outro: porque temos pirataria? Quem são os responsáveis reais pela pirataria? É a carga tributária? É a internacionalização do processo produtivo? É a exclusão do consumidor do mercado?

Ah! Esta é a questão...

E não é nada fácil de responder - os japoneses começaram com cópias de má qualidade. E agora são os mais avançados nas áreas que atuaram.

E claro, existem exemplos que chegam a ser hilários mostrando o que as pessoas consideravam como cópias ilegais ou idéias realmente idiotas que ainda são usadas.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Erros de imprensa

Em uma busca recente encontrei diversos casos de erros da mídia que valem a pena ser observados.

Temos:

- Leonardo Teodoro de Castro

- Geovan Joaquim da Silva

- Caso do Bar Bodega

- Caso da queda do Fooker 402

Todos eles mostram de modo inequívoco que a cobertura da imprensa pode sob certas condições levar a acusações levianas e errôneas com consequências nada simples.

Mas isto desmerece o trabalho da mídia? Bem, sim e não.

Todos estão sujeitos a erros. Isto é parte da natureza humana. E acredito mais ainda nisto depois de ler este artigo da Physics Org.

No entanto, o que conta realmente como prova de caráter (ou falta dele) é quais são as nossas ações uma vez que os erros são verificados.

E neste ponto, muitos veículos tem tido comportamento menos do que estelar.

Aparentemente, a estratégia mais comum é fingir que não é com ele. Seguida da negação do erro e por fim minimização do mesmo.

Dificilmente e a muito custo é que se chega na parte de aceitação do fato e tentativa de reparação do mesmo.

Isto, por mais perverso que pareça tem uma certa lógica. É importante lembrar que a credibilidade do veículo é parte importante na sua existência. E um erro poderia ser percebido como uma falha na aura de busca da verdade - mais ainda um erro com consequências potencialmente trágicas.

Acredito que uma forma de mitigar este tipo de problema é permitir que os leitores/ espectadores possam procurar mais detalhes com referenciamento adequado (pela divulgação de notas escritas, depoimentos, etc...).

Digo mitigar, pois não creio que resolva o problema da publicação de erros. Mas ao menos parte da responsabilidade dos mesmos passa aos espectadores/ leitores.

Pois afinal, buscamos de um modo ou de outro informações que conformem e fortaleçam nossa visão de mundo.

Difícil é fazer o contrário...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Teste importante

A hipótese nula é verdadeira?

O que dá melhor resultado open source ou não?

a pergunta existe...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A lente de aumento e a instabilidade

O efeito lente de aumento tem um lado que pode se tornar perverso.

Ao ampliar o tamanho do problema, ele causa uma realimentação na sociedade.

E claro que a sociedade irá responder a esta realimentação. A forma como irá responder pode causar uma série de consequências. Imagino que seja algo na linha da realimentação descrita em teoria de controle.

O problema é que este efeito pode levar a situações complicadas.

Pensando em um sistema linear aonde a saída é função da entrada:

Vout=H*Vin

No caso, a realimentação introduz um efeito de amostragem da saída na entrada novamente:

Vin' =Vin - G*Vout

Assim, o novo sistema se torna

Vout = H*Vin-G*H*Vout

Rearranjando:

Vout =H/(1+G*H)*Vin

Dá para ver que seja G=-1/H, teremos problemas.

Se o sistema não for linear então

Vout=H(Vin)

Vin'=Vin+G(Vout)

Logo

Vout=H(Vin+G(Vout))

Este tipo de problema pode ser considerado a procura de um ponto fixo (Vout). E por não ser linear pode dar problemas.

Exemplo, vamos dizer que H= ()^2 e G=sqrt()

Se Vin=x, então temos de resolver a equação:

y=(x+sqrt(y))^2

resolvendo:

y=x^2+2*x*sqrt(y)+y

Logo:

x^2+2*x*sqrt(y)=0

A solução é:

sqrt(y)=-x/2

Portanto, só existe solução real para x negativo. Substituindo uns números podemos ver isto:

se x=-1, então temos:

sqrt(y)=1/2 e y=1/4 -> y=(-1+sqrt(1/4)^2 = 1/4

se x=1, não temos solução real - e o sistema pode levar a instabilidade. Isto é o que significa o reforço positivo que pode causar que o sistema atue de modo descontrolado 0 ou até mesmo caótico.

Efeito lente de aumento

É conhecido um efeito que existe na divulgação de notícias: o efeito lente de aumento.

Ele é naturalmente consequência de como as coisas funcionam.

A mídia informa o que considera notícias. A reação da população (mais especificamente do público alvo) a estas notícias é que serve de mecanismo de realimentação para a mídia. Caso a mídia insista em veicular notícias que não interessem ao seu público alvo, então terá o seguinte dilema: o que ela considera notícia não coincide com o que o público alvo considera notícia.

Então de um modo ou de outro, em primeira aproximação, a mídia realmente mostra o que o público tem interesse em ver.

E isto causa uma realimentação positiva também no público alvo. Ao enxergar o que lhe interessa e apraz veiculado na mídia, a tendência é reforçar o interesse naquele tópico em particular.

E caso em questão: mesmo que os eventos veiculados sejam um percentual pequeno da realidade, a tendência é considerar estes eventos como de singular importância.

Naturalmente, existem informações que transcendem este tipo de relacionamento devido a sua amplitude ou gravidade. Mas mesmos esta notícias podem ser interpretadas neste contexto dependendo da sua severidade.

Eu volto a este ponto depois

Um adendo sobre determinadas relações

O que a Lei de Smeed mostra é que o mundo tem certas complexidades que parecem desafiar soluções intuitivas.

Uma curva como a de Smeed se reflete em um comportamento do tipo normal entre número de acidentes fatais e número de carros registrados.

Isto quer dizer que dependendo do ponto da curva determinadas soluções intuitivas podem piorar o problema ao invés de melhora-lo. E isto tem ramificações profundas.

Um exemplo: no início da curva, a diminuição do número de carros registrados irá levar a uma diminuição no número de acidentes fatais.

Já no final da curva, a diminuição do número de carros registrados irá levar a um aumento no número de acidentes fatais.

Então uma política que serve para um determinado estágio do problema tem o efeito contrário se aplicada em outro estágio.

Eu desconfio que o número de regras segue uma trajetória similar.

Ao incentivar a criação e uso de regras claras, a dinâmica da sociedade tende a melhorar.

Mas é possível que a partir de uma determinada quantidade de regras, o aumento das mesmas pode levar a dinâmica da sociedade a se deteriorar.

É algo a se pensar...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ora, ora, não fui o primeiro

O post anterior trata da questão do número de acidentes fatais em relação ao número de carros. E chegamos a conclusão que o aumento indefinido do número de carros não leva a um aumento indefinido no número de acidentes fatais.

Muito pelo contrário

Podemos dizer que inicialmente o aumento no número de carros leva a um aumento no número de acidentes. Mas a partir de certo ponto, este aumento no número de carros tem de levar a uma diminuição no número de acidentes.

Isto já tinha sido notado por um camarada chamado Rubens Smeed.

A lógica por trás do raciocínio é diferente da que usei, mas ele enunciou a Lei de Smeed que diz mais ou menos a mesma coisa.

Na minha visão, a questão central era a velocidade média. A partir de um determinado volume de carros, esta velocidade tem de cair.

Se consideramos X metros de pista e o tempo de reação de T segundos temos que poderíamos ter que o quanto cada carro ocuparia deste comprimento seria o seu comprimento + o equivalente em metros ao tempo de frenagem que ele teria: L+DL

Aonde DL é uma função do tempo de reação e da velocidade do carro:

DL=f(V,T)

Então o número de carros por X metros de pista seria: N_carros = X/(L+DL)

A medida que V aumenta DL também aumenta - e portanto o número de carros em X metros diminui.

A medida que V diminui DL também diminui - e portanto o número de carros em X metros aumenta.

Assim, o número de carros por via é negativamente correlacionado com a velocidade média dos carros.

Para simplificar vamos considerar que DL=V_med*T, assim:

N_carros=X/(L+V_med*T)

Chamando X/L do máximo número de carros por via N_max então:

N_carros = N_max/(1+V_med*T/L)

Se todos os carros e motoristas forem iguais então podemos chamar L/T de V_base

Então temos:

N_carros = N_max/(1+V_med/V_base)

Agora temos de definir o percentual de vítimas fatais em acidentes.

Podemos modelar os acidentes fatais como uma função g(Vmed, N_carros). Para evitar problemas, sabemos que aumentando o número de carros no local o número de acidentes deve aumentar, mas para serem fatais temos de ter uma velocidade média elevada.

Então em uma primeira aproximação:

n_acidentes = n0+k1*N_carros+k2*Vmed+k3*N_carros^2+k4*V_med^2+k5*N_carros*V_med+...

Descontando um número residual de acidentes, então se Vmed=0 então não podem ter acidentes fatais. Da mesma forma com N_carros igual a zero a mesma coisa deve acontecer.

Então os termos que só dependem de uma das variáveis devem ser zero. O que significa que:

n_acidentes =k*N_carros*V_med*(1+termos de ordem superior)

Então em primeira aproximação:

n_acidentes =k*N_carros*V_med

Mas N_carros é conhecido:

N_carros = N_max/(1+V_med/V_base)

Logo podemos dizer que:

n_acidentes =k*V_base*N_max*V_med/Vbase/(1+V_med/V_base)

Essencialmente isto se comporta como:

x/(1+x)

Ou seja, tende a zero para V_med zero e a um valor constante quando V_med vai a infinito

Na realidade, o máximo que V_med pode alcançar é V_base então o valor máximo ocorre como:

k*V_base*Nmax/2

Quando V_med é zero significa totalmente congestionado (N_carros = N_max)

Então temos aí a queda esperada. De forma alternativa:

N_max/N_carros =(1+V_med/V_base)

Logo Vmed = Vbase*(N_max/N_carros -1)

e portanto:

n_acidentes =k*V_base*(N_max-N_carros)

Que também tem uma queda, só que linear...

Mas é um modelo interessante

Tráfego e acidentes

Li no jornal de hoje (Correio Brasiliense) que o trânsito aumentou, mas o número de mortes caiu.

Francamente, não acredito que isto seja surpresa. Pensando calmamente a respeito, dadas condições iguais, o número de acidentes fatais deve ser proporcional ao número de veículos nas ruas.

N_acidentes = k1*N_carros

Até aí tudo bem.

Mas ao mesmo tempo, o número de mortes deve ser proporcional a velocidade média do sistema.

N_acidentes = k2*V_médio

Bem, na realidade pode ser que este número seja proporcional a raiz quadrada, ao quadrado, mas vamos simplificar...

Então

N_acidentes = k3* N_carros * V_médio

(Na realidade, isto me faz pensar se não seria N_acidentes = sqrt(k1*k2*N_carros*V_médio) - mas isto fica para depois)

Então neste modelo simples, aumentando o número de carros, aumenta-se o número de acidentes E aumentando-se o V_médio aumenta-se o número de acidentes.

No entanto, V_médio é função de N_carros. Quanto maior N_carros, menor é o V_médio.

Então temos: se V_médio diminuir de modo linear com relação ao N_carros:

V_médio=V_0-a*N_carros

Então N_acidentes=k3*[V_0*N_carros-a*N_carros^2]

Então o número de acidentes irá passar por um máximo em:

N_carros = V_0/(2*a)

Com um número de acidentes:

N_acidentes = k3*[V_0^2/(4*a)]

E claro, o V_médio será zero em:

N_carros = V_0/a

Este tipo de análise é muito simplificada, mas pode trazer alguns benefícios pois como está baseada em aproximações lineares então é possível extrair dados do modelo de curvas reais (número de carros x acidentes fatais e velocidade média x acidentes fatais - por exemplo)

Isto merece mais investigação

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Auto consciência

Neste post quero divagar um pouco sobre a questão do chamado "Self Awareness"

Dizemos que somos a única espécie na terra que possui esta característica. Mas será que é verdade?

A questão é frequentemente definda em termos da existência do pensamento - e na capacidade de pensar sobre a própria condição. Isto é o que originalmente fez Descarte em "Cogito Ergo Sum"

Mas esta característica parece ser mais comum do que se inicialmente pensava. Hoje se sabe que diversos animais possuem a capacidade de "Self Awareness"

A verdade pura e simples é que: provavelmente, dada a forma como se evoluiu, devem existir diversos animais que podem possuir esta capacidade.

Mas e daí?

Bem, o ponto mais importante é que este tipo de conhecimento muda a nossa percepção sobre nós mesmos. O que não é de todo mal...

Mas as ramificações são muito mais poderosas e amplas

sábado, 15 de agosto de 2009

Julgando um governo

Aqui no Brasi, como em diversas partes do mundo, temos uma certa dificuldade de caracterizarmos de modo objetivo o desempenho do governo.

Ao meu ver poderíamos utilizar um sistema de notas não muito diferente do que utilizamos em um post anterior.

Qual seriam os itens a serem analisados?

Acredito que cada um tem seu conjunto de características preferido, mas poderíamos tentar chegar a denominadores comuns. Algo do tipo: melhorou ou piorou?

Na minha opinião poderíamos dividir os itens em econômicos e sociais. E cada um dos itens, apesar de uma forma ou outras estarem correlacionados poderiam indicar como vemos cada item do governo.

Minha idéia é dividir os itens nestes agregadores principais. Assim teríamos

* Economia
- Desemprego
- Custos de Alimentação
- Custos de Moradia
- Poder de compra

* Sociais
- Segurança
- Educação
- Saúde
- Acesso a serviços (telefone, transporte, etc...)

Então teríamos as seguintes perguntas:

Com relação ao problema do(a) ...., como você caracterizaria sua situação em comparação com a de antes do início deste governo:
(a) Melhorou bastante
(b) Melhorou um pouco
(c) Não se alterou
(d) Piorou um pouco
(e) Piorou bastantes

Assim cada um dos itens teriam um pontuação associada (1 (e) a 5(a)). E assim poderíamos montar uma nota para o governo.

No caso os pesos seriam decididos baseados na experiência do que é importante para cada um. Mas eu começaria dando peso 0.25 para cada um dos itens e somando o resultado final.

Vamso a um exemplo - minha opinião:

* Economia
- Desemprego - 5
- Custos de Alimentação - 5
- Custos de Moradia - 4
- Poder de compra - 4

* Sociais
- Segurança - 2
- Educação - 4
- Saúde - 3
- Acesso a serviços (telefone, transporte, etc...) - 5

Assim teríamos:

0.25*(5+5+4+4)+0.25*(2+4+3+5) = 8

Isto resulta em uma nota 8 para o governo. Isto traz um pouco de peso às decisões individuais e tira um pouco de poder das decisões sem argumentos (baseadas no achismo)