quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Caloria, caloria, Joule e kilowatt-hora

Todas estas unidades são de energia. Todas dizem mais ou menos a mesma coisa.

Só que com proporções diferentes:
  • 1 caloria é o equivalente a 4.1868 Joules
  • 1 Caloria é o equivalente a 1000 calorias (1 kilocaloria)
  • 1 kilowatt-hora é o equivalente a 3.6 MegaJoules
  • 1 BTU é o equivalente a 1.05505585 kiloJoules (aproximadamente 1.1 kiloJoules)
  • 1 eletron-Volt é o equivalente a 0.16 attoJoules
  • 1 HP-hora é o equivalente a 2.68 MegaJoules
  • 1 Barril de Óleo é o equivalente a 6.1 GigaJoules
  • 1 Tonelada de TNT é o equivalente a 4.1 GigaJoules
  • 1 Tonelada de Carvão é o equivalente a 29.3 GigaJoules
  • 1 Litro de Ethanol é o equivalente a 23.5 MegaJoules
  • 1 Litro de Diesel é o equivalente a 38.6 MegaJoules
  • 1 Litro de gasolina de aviação é o equivalente a 33.5 MegaJoules
  • 1 Litro de gasolina comum é o equivalente a 32 MegaJoules
Então porque a festa com as diversas unidades?

A razão é que acredito que por vezes utilizamos diversas unidades sem saber que estamos no fundo expressando a mesma coisa.

Um exemplo: uma pessoa gasta em média 100W. Isto quer dizer que em 24 horas teremos um gasto de 2.4 kiloWatt-hora, ou 8.64 MegaJoules, ou 2063.6 Calorias.

Outro exemplo: um carro que faz 10 km com 1 litro, está fazendo na realidade 312.5 metros/MegaJoule.

Outro ponto, a energia cinética necessária uma massa de 1 tonelada se deslocar a 36 km/h é de 50 kiloJoules. Já a 72 km/h esta energia é de 200 kiloJoules.

O fato é que as vezes nos perdemos nas unidades, mesmos sem querer

Um análise fria da situação

Vou mais uma vez tentar usar uma bola de cristal

Como será o desenrolar da crise no distrito federal?

Para analisar isto temos que ter muita calma e sangue frio; e a razão é simples: as ações impulsivas raramente medem todas as consequências de uma decisão;

Então: o que a acusação contra os membros do executivo, legislativo e judiciário causam?

Bem, pelo fato de existirem pessoas nos três poderes, isto infelizmente pode levar a necessidade de se afastar os membros da esfera do poder. Pior ainda, como o número é razoável temos a infeliz possibilidade de ter problemas de composição para que o governo funcione de modo efetivo. Tão sério quanto o afastamento dos envolvidos é o problema que falta de representatividade pode causar.

Além disto existe a questão do funcionamento normal dos ramos em questão. Imagino que o dia-a-dia não seja afetado, mas com certeza o processo decisório certamente foi ou será. Isto pode colocar em uma situação complicada alguns em estágio de planejamento ou em vias de implementação. Naturalmente, há sempre dois aspectos nesta história: o operacional e o político. Infelizmente, devido a forma como as coisas são realizadas aqui na terrinha, a dissociação entre os dois não é completa.

Temos ainda uma grande lista de pessoas envolvidas, e isto traz consigo problemas logísticos e de operacionalização. As pessoas estão sendo listadas em inquérito. Mas pelo meu conhecimento a parte do trâmite judicial está ainda no início.

Existem ainda os interesses envolvidos. O ano de 2010 é um ano eleitoral. Isto significa que o processo judicial tem ramificações no processo eleitoral do ano que se iniciará em breve. Os envolvidos irão tentar ou se livrar do processo judicial ou se refugiar na esperança que não haja barulho ao redor.

Existem ainda acusados que são listados apenas como participação indireta, ou seja não existem indicações concretas do seu envolvimento. Estes membros irão se valer disto para tentar se livrar do processo (o vice Paulo Otávio é um destes casos). Apesar disto, como existem interesses adicionais no desenrolar talvez a coisa não seja tão simples.

No entanto é fundamental separar o problema judicial do político. É até muito provável que alguns dos acusados, mesmo tendo sido filmados, consigam se livrar no processo judicial. No entanto, as chances disto acontecer no processo político são bem remotas.

Por fim, existem interesses na própria população. Apesar da situação, existem diversos setores que estão francamente considerando que mesmo a conduta do atual governador não é o pior dos males em comparação com as alternativas existentes.

Isto é bem natural, dado que o atual governo criou diversos pontos de equilíbrio com oportunidades para estes setores. Não está em julgamento o mérito ou não das oportunidades, apenas o reconhecimento da sua existência.

Então, o que vai acontecer?

Estamos no final do ano. Com um pouco de habilidade, este problema pode ser empurrado para 2010. Mas ele não vai sumir. Ainda assim o tempo é um aliado de algumas das pessoas sob acusação.

Entretanto, toda demora também tem o risco da paralisia. Isto pode significar um governo trancado, incapaz de finalizar o que se propôs.

Os interesses minoritários irão certamente utilizar esta oportunidade para aumentar a sua projeção ao máximo possível. A estratégia natural destes é sempre de tentar criar maior espaço utilizando a confusão como arma.

Os interesses majoritários tem interesse em que várias da iniciativas do atual governo continuem, mas infelizmente para eles não há um modo correto ou fácil de proceder isto sem que mantenham o apoio e consequentemente se exponham a um possível ataque.

A população pode sofrer devido a desarticulação criada pelo processo, mas o efeito disto é incerto pois depende de como a situação afeta o funcionamento dos ramos do governo.

Em suma, a confusão pode ser maior ainda.

E não podemos esquecer que a estratégia do abraço de afogado pode ainda engrossar o caldo, e muito.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais um escondendo dinheiro na cueca

O empresário Alcir Collaço foi filmado colocando dinheiro na cueca. O empresário é dono do Jornal Tribuna do Brasil.

Complicado. Complô político ou não...

Uma oração digna em uma hora como esta



Só peço justiça.

Que as pessoas sejam julgadas pelos seus atos, e não por rancor ou inveja.

E que o julgamento seja justo

Com recompensas ou penalidades em consonância com os atos realizados

Isto é uma versão do ditado:

Que Deus lhe dê o dobro do que você deseja para as outras pessoas.

Acho este tipo de pensamento muito mais iluminado do que culpar pura e simples.

Inacreditável, porém real

Tem coisas que eu acredito ser um absurdo se utilizar de modo político.

E tem coisas que o próprio uso político transpira ao absurdo.

Caso em questão: A oração da propina (um termo forte - mas infelizmente parece ser preciso)



E a transcrição parcial está aqui:

Pai, quero te agradecer por estarmos aqui, sabemos que nós somos falhos, somos imperfeitos, mas é o teu sangue que nos purifica. Pai, nós somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para essa cidade. Tantas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele, contra nossas vidas. Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça, da Tua sabedoria, de pessoas que tenham, Senhor, armas para nos ajudar essa guerra. Acima de tudo, Senhor, todas as armas que podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas as nossas atividades, mas o Senhor nunca falha.
O Senhor tem pessoas para condicionar e levar o coração para onde o Senhor quer. A sentença é o Senhor que determina. O parecer, o despacho é o Senhor que faz acontecer. Nós precisamos da vida do Durval, dos seus filhos, dos seus familiares. O Senhor é a nossa Justiça.
Quero entregar essa equipe ímpia e má nas Suas mãos. Meu Deus, dá um jeito nessa situação, tira essas pessoas do nosso caminho, meu Pai

Não falei que era inacreditável?

domingo, 29 de novembro de 2009

Operação Caixa de Pandora

Os vídeos a seguir são todos do IG


Eurides Brito


Médico João Luiz
(ubsecretário de Recursos Humanos da Secretaria de Saúde do DF)

José Luiz Vieira Naves
(secretário de Planejamento do governo da ex-governadora Maria Lourdes Abadia (PSDB))

Odilon Aires (presidente do Instituto de Atendimento à Saúde do Servidor do DF (Inas))

Luiz França
(o sub-secretário de Justiça e Cidadania)

Tudo pode ocorrer, ou não.

Como diz o texto original: "Your choices are half chance"

Para quem não sabe o texto em questão é a base do famoso Use Filtro Solar

"As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo. É assim pra todo mundo."

Na realidade isto é uma tremenda falácia.

Porque?

Pois existe uma suposição oculta na sentença: a equi-probabilidade.

Isto como todos devem saber (ou pelo menos deveriam) é bullshit.

A idéia de que eventos são equiprováveis é razoável quando não temos nenhuma informação que possa orientar o resultados dos mesmos. Mas não é razoável quando temos alguma informação.

Um exemplo? Se eu pular quais são minhas chances de não cair (ou seja flutuar no ar ou sair voando)?

Isto pode ser calculado. Considere a aceleração da gravidade como 9.78 e o desvio padrão como 0.01.

Neste caso queremos saber a probabilidade que a aceleração resultante do corpo menor ou igual a zero, ou

9.78-x*0.01=0

Isto significa 978 desvios padrões, o que para todos os efeitos práticos é zero. Isto pode ser verificado com a inequalidade de Chebyscheff.

O limite superior de probabilidade é então de: 1 em 956484 (esta é a maior probabilidade possível - a real certamente será menor)

Então a chance de você se esborrachar é 99.99989545% e a de você não cair (ou sair voando) é de 0.0001045495795%

Portanto cuidado com esta história que tudo tem 50% de chance de acontecer.

Poder demais faz mal?

Não é só o GDF que anda sob a mira dos investigadores.

Lendo o Blog da Paola Lima encontrei informações sobre um reportagem da Isto-É:

A sucessão no Ministério Público do Distrito Federal (MPDF), no ano que vem, gerou um ambiente de intriga alimentado por acusações de todos os tipos. Dossiês circulam por Brasília e incluem inúmeras denúncias, que vão da quebra de sigilo de e-mails pessoais a perseguições a promotores, inclusive com a abertura de processos disciplinares. O principal alvo dos dossiês é o procurador-geral, Leonardo Bandarra, que exerce seu segundo mandato. Na documentação, alguns promotores e procuradores relatam que vivem dias de medo. Afirmam que tiveram a correspondência pessoal violada e temem ficar expostos a pressões de pessoas que estejam sob investigação. O temor aumentou depois que a procuradora Arinda Fernandes informou aos colegas em outubro que seu e-mail havia sido monitorado irregularmente. “Até o meu correio eletrônico foi violado”, desabafou Arinda, que em uma representação feita contra ela se deparou com dados que só poderiam ter sido tirados de sua correspondência eletrônica.

Apesar de a constatação da procuradora ter sido levada ao comando do MP, a provável quebra de sigilo não foi denunciada à Polícia Federal. Os auxiliares diretos de Bandarra entendem que acessar e-mail de funcionário do MPDF não configura crime. “Trata-se de e-mail funcional”, explica o promotor Libânio Rodrigues. Para Bandarra, por trás das denúncias está sua sucessão. “Isso é uma questão política”, diz.

Este tipo de situação só mostra que os deuses que criamos também tem Pés de Barro.

sábado, 28 de novembro de 2009

Arruda em maus lençois

O governador de Brasília está na mira da PF e da imprensa. Naturalmente, a motivação não é apenas a investigação de crimes, mas também política.

No entanto nada disto muda o fato que o governador foi pego com a boca na botija. Fica muito difícil manter uma defesa dadas as condições e a quantidade de provas envolvidas.

E naturalmente há a questão que esta não é a primeira vez que o Sr. Arruda se mete em confusão.

Em 2006 Arruda foi eleito com a seguinte margem:

arruda - PFL 663.364 50,38 %
maria abadia - PSDB 315.671 23,97%.
arlete - PT 275.660 20,93%
toninho - PSOL 55.898 04,24%
fatima passos - PSDC 4.115 00,31%
expedito mendonça - PCO 2.092 00,16%

Então temos um governador eleito pela população (ou pelo menos por um percentual significativo) que já havia se metido em confusão antes.

Culpado? Inocente? Bem é francamente muito difícil acreditar na inocência dele.

Se tem dúvidas veja o seguinte vídeo:

Complicado

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Processos na FINATEC

Devido a uma séria falta de informações a respeito do trâmite de como os processos de algumas das confusões do ano de 2008, resolvi procurar mais informações a respeito de como os mesmos se encontram. Um colega foi gentil e me repassou informações a respeito.

Acredito ser um deserviço a comunidade que não se saibam em que pé andam estes processos. Sem sabermos a quantas andas, ficamos apenas com as informações da mídia - que invariavelmente se traduzem em apenas acusações.

Portanto um resumo das informações que obtive dos processos da FINATEC:

PROCESSOS JÁ JULGADOS REFERENTES A EX-DIRIGENTES E FUNCIONÁRIOS DA FINATEC

1) Processo nO. 2008.01.1.113141-2 (Vigésima Vara Civil) cuja sentença de mérito proferida em 28/1 0/2009, julgou improcedente o pedido formulado pelo MPDFT.

Objeto da ação: Devolução de valores recebidos por Antonio Manoel O. Henriques a titulo de bolsa de pesquisa no âmbito de convênio firmado entre a FINATEC e a CTEEP

2) Processo n°. 2008.01.1.1573319-4 (Terceira Vara Criminal) cuja sentença de mérito proferida em 25/09/2009, julgou improcedente o pedido formulado pelo MPOFT.

Objeto da ação: Devolução de valores recebidos por Carlos Alberto Bezerra Tomaz a titulo de reembolso de despesas com combustível pagas pela FINATEC.

3) Processo n°. 2008.01.1.157308-0 (Terceira Vara Criminal) cuja sentença de mérito proferida em 25/09/2009, julgou improcedente o pedido formulado pelo MPDFT.

Objeto da ação: Devolução de valores recebidos por Carlos Alberto Bezerra Tomaz a titulo de reembolso de despesas com refeição pagas pela FINATEC.

4) Processo n°. 2008.34.00.028462-3 (12a Vara Federal do Distrito Federal) cuja decisão proferida em 03/04/2009, foi a de rejeitar a denuncia por inépcia em ação penal proposta pelo MPF. O MPF entrou com recurso que novamente foi negado em 19/06/2009 pelo Juíz.

Objeto da ação: Ação Penal contra Romilda Macarini, Lauro Morhy, Antonio Manoel D. Henriques, Nelson Martin e Marco Antonio visando a devolução de 24 milhões em poder da FINATEC referentes ao contrato assinado entre a FUB e o INSS.

5) Processo n°. 2008.34.00.005184-0 (4a Vara Federal do Distrito Federal) cuja sentença de mérito proferida em 30/1 0/2008, julgou improcedente o pedido formulado pelo MPF. Neste processo foi feito um pedido de liminar que foi negado pelo Juízo e, também, em grau de recurso, por unanimidade, pela 3" Turma do Egrégio TRF da 1 ° Região.

Objeto da ação: Ação de bloqueio e devolução pela FINATEC de 24 milhões de reais referentes ao contrato assinado entre a FUB e o INSS.

6) Processo n°. 2008.01.1.006488-6 (Sexta Vara Civil) cuja sentença de mérito proferida em 24/06/2008, julgou improcedente todos os pedidos formulados pelo MPDFT, em relação aos seguintes ex-dirigentes da FINATEC: Antonio Manoel D. Henriques, Carlos Alberto B. Tomaz, Guilherme Sales S. de Azevedo Meio e André Pacheco de Assis.

Objeto da ação: Ação de destituição de dirigentes da FINATEC.

Fico aguardando novas informações quando as tiver...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

UnB: Hospício Administrativo?

No ato conjunto desta quinta feira o reitor da UnB, José Geraldo Júnior discursou:

“Há muitos anos não temos uma convergência desse porte na universidade. O ato é um modelo exemplar de como a comunidade pode se organizar em torno de uma causa comum, que diz respeito a direitos legitimamente conquistados. Espero que a greve seja curta, mas é preciso manter a vigilância e a mobilização”

Mas não é só isto, quem lê a nota da SECOM sobre a questão jura que a reitoria não tem nada nenhuma relação com o problema. Eu só vou reproduzir o final da nota pois mostra o grau de irresponsabilidade da administração atual da UnB:

Nesta quinta-feira, o Ministério do Planejamento encaminhou ao Supremo Tribunal Federal nota explicando os motivos do não cumprimento de decisão judicial que determinava o pagamento da URP. No documento, o setor jurídico e a Secretaria de Recursos Humanos do ministério afirmam que a UnB não informou em tempo hábil a rejeição do pagamento da gratificação aos 502 servidores prejudicados.

O secretário de Recursos Humanos da UnB, Afonso de Souza, explica que o prazo dado à universidade para o envio do arquivo da folha salarial de novembro foi curto. “Nos enviaram um e-mail no início da tarde e tivemos que mandar tudo até as 18h”, conta. O prazo chegou a ser estendido por mais um dia, mas a SRH da UnB não teve condições de corrigir as inconsistências.

E dito isto, eles passaram quase um mês dizendo que não tinham feito nada de errado e quem estava causando o problema no pagamento era o MPOG. Vejam esta nota anterior:

Na última segunda-feira, a Secretaria de Recursos Humanos divulgou nota oficial sobre dificuldades no pagamento da URP de 503 professores e funcionários contratados a partir de outubro de 2008.
De acordo com o RH, falhas técnicas podem ter provocado o problema. As dificuldades teriam ocorrido no momento de o Ministério do Planejamento lançar a remuneração no Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (SIAPE).

A universidade está investigando se a falha ocorreu aqui ou no Ministério. O Planejamento, no entanto, informa que não altera o arquivo quando o recebe. “Pode ter havido alguma incorreção, já que é a primeira vez que efetuamos o pagamento dessa forma”, diz o secretário de Recursos Humanos, Afonso de Souza. Ele se comprometeu a reenviar os dados dos servidores na manhã de quinta-feira para o Ministério do Planejamento. Também mandará documento feito pela Procuradoria Geral Federal com a análise dos efeitos da decisão da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal sobre o tema.

Em uma nota posterior temos mais informações contraditórias:

O problema na folha dos 502 funcionários ocorreu por um erro no lançamento dos códigos que identificam os servidores. “Pelo pouco tempo que tivemos para elaborar o documento, acabamos colocando um código diferente para o grupo que não recebeu a URP”, explicou Afonso. O representante da Secretaria de Recursos Humanos (SRH) explica que, quando a falha foi constatada, a folha do mês já tinha rodado, o que impediu a correção do equívoco.

Mas a leitura de outra nota é igualmente divertida:

ISONOMIA - Durante a assembléia, Flávio Botelho frisou que o posicionamento da administração é favorável ao pagamento da URP. "O reitor já se manifestou pela isonomia (garantia dos mesmos benefícios a todos os professores). Não há como acharmos um culpado. A situação é complexa", afirmou. Na última segunda-feira, a Secretaria de Recursos Humanos divulgou nota oficial sobre as dificuldades no pagamento da URP para 503 professores e funcionários contratados a partir de outubro de 2008.

E o reitor disse ainda:

MANIFESTAÇÃO – O reitor José Geraldo de Sousa Junior apresentou carta em que se compromete a participar pessoalmente das negociações para manutenção da URP. "Manifesto minha solidariedade a todos os professores e técnicos-administrativos que foram afetados pelas incertezas relacionadas ao pagamento da URP nos últimos meses. Esta Administração seguirá identificando falhas e solicitando ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) a imediata correção da folha. De minha parte, cancelei a viagem da próxima semana e abri a agenda de compromissos para acompanhar pessoalmente os desdobramentos da questão ao lado da comunidade universitária e continuar implementando as medidas necessárias para a defesa dos direitos dos servidores da Universidade de Brasília", afirma no documento.

Eu fico me perguntando: Será que ele não sabe que é o responsável pela greve? Será que ele não entende que foram as ações que ele tomou que levaram a este curso?

Juro que parece coisa do mundo Bizarro!

* Nota posterior: Eu entendo que pareço muito duro, mas a UnB parece que se encontra em tempos difíceis. Talvez minha frustração tenha sido aumentada por mais um professor sob fogo. Eu o conheço apenas de poucas ocasiões, mas ele sempre me pareceu uma pessoa razoável. A falta de apoio, que já vi acontecer antes, talvez seja o que me deixa mais frustrado.

Torço para que tudo se resolva da melhor forma.

Mais um professor acusado na imprensa

Mais um professor da UnB está na imprensa sendo acusado. Eu conheço o referido professor, e me parece que ao contrário do que o texto indica o professor não tinha objetivo de locupletar-se, mas de diminuir os custos para o Estado Brasileiro.

A reportagem está no UOL

TCU detecta irregularidades em contratos da Secretaria de Educação a Distância do MEC

Da Redação*
Em São Paulo
O TCU (Tribunal de Contas da União) condenou João Carlos Teatini de Souza Clímaco, ex-secretário da Seed (Secretaria de Educação à Distância) do MEC (Ministério da Educação), a devolver R$ 381.150,46 ao Tesouro Nacional. Segundo o TCU, Clímaco utilizou verba pública para contratar a empresa Adag Serviços de Publicidade Ltda. para prestar serviços de publicidade e de editoração e impressão da revista TV Escola, o que ocasionou seleção de proposta não vantajosa para a secretaria.

Em outra celebração de convênio, a secretaria, por meio da FUB (Fundação Universidade de Brasília), havia contratado sem licitação a Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos) para fornecimento de funcionários de apoio administrativo à Seed. Segundo a fiscalização, 35,6% da força de trabalho da secretaria, composta de 163 pessoas, provinha da Finatec.

De acordo com o relator do processo, ministro Benjamin Zymler, a dispensa de licitação da lei restringe-se às ações de pesquisa, ensino e desenvolvimento institucional, e não pode ser estendida para incluir a execução indireta de mão de obra.

João Clímaco terá de pagar ainda multa de R$ 10 mil ao Tesouro Nacional pelas irregularidades. A cobrança judicial da dívida já foi autorizada. O TCU recomendou à Seed que reanalise as prestações de contas referentes ao convênio; cópia da decisão foi encaminhada à Procuradoria da República, no Distrito Federal, para ajuizamento das ações civis e penais cabíveis. Cabe recurso da decisão.

Será que há culpa? Não sei. Infelizmente, não conheço o professor com grande profundidade. Mas pelo pouco que já conversei com ele me parece improvável que ele tenha tido interesse em "faturar dinheiro as custas da Viúva!".

Acredito que o estudo deste problema merece atenção. Eu voltarei a isto em outros posts.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Blagues e Blogues

O Brasil ainda não se acostumou com a liberdade de expressão. E digo isto não só da parte dos ofendidos, mas da parte dos divulgadores.

Dono de blog é condenado a pagar R$ 16 mil por comentário de internauta


Post abordava briga em colégio do CE; internauta insultou diretora.
Blogueiro perdeu prazo para recurso e juiz ordenou penhora de bens.

Por conta do comentário de um internauta em seu blog, o estudante de jornalismo Emílio Moreno da Silva Neto, de 33 anos, morador de Fortaleza (CE), foi condenado pela Justiça cearense no mês de julho a pagar uma indenização de R$ 16 mil.

Emílio perdeu o prazo para recorrer e, no último fim de semana, recebeu uma notificação de penhora de bens para o pagamento do valor.


O caso começou em março do ano passado, quando o universitário repercutiu em seu blog uma briga entre dois estudantes do Colégio Santa Cecília, na capital cearense. No comentário, um internauta insultou a diretora, uma freira chamada Eulália Maria Wanderley de Lima, e criticou sua atuação na intermediação da briga dos estudantes.

No segundo semestre do ano passado, a diretora da escola abriu uma ação por danos morais contra o blogueiro. Nas quatro primeiras audiências, segundo informações do Tribunal de Justiça do Ceará, o estudante compareceu e a diretora, não. Ela alegou viagens e outros compromissos profissionais.

Na quinta audiência, foi o estudante quem faltou, mas, ao contrário da diretora, não deu justificativas. Por conta disso, o juiz aceitou a ação e o condenou ao pagamento de 40 salários mínimos, o equivalente a R$ 16,6 mil na época. Emílio perdeu o prazo para recorrer e a ação transitou "em julgado" -- ou seja, não há mais possibilidade de recursos.

No último sábado, dia 21 de novembro, Emílio foi notificado sobre o mandado da Justiça de penhora de bens para pagar a quantia e tem possibilidade de tentar reverter a penhora.
...

Reportagem do
G1.

Absurdo? Certamente.

O comentário não foi do blogueiro, mas de um internauta. E por este motivo o blogueiro é que deve ser responsabilizado?

No fundo, isto leva a seguinte questão: comentário só com identificação - o que é o que está escrito na constituição;

Mas ao mesmo tempo mostra como ainda não temos costume de lidar com a liberdade de expressão.

E a UnB vai entrar em greve

O motivo?

Este é fácil. A razão é a insegurança que todos os professores e funcionários e em especial os mais novos sentem por causa do pagamento da URP.

A parcela da URP incidente nas gratificações de outubro e novembro não foram depositadas para 316 professores e quase 200 servidores.

Isto está em desacordo com as determinação da ministra Carmem Lúcio do próprio STF.

E contra quem?

Bom, uma greve não é necessariamente "contra" alguém ou alguma coisa. Mas se há uma coisa em comum com causas deste tipo é que existe sempre um "outro lado". No caso de greves sindicais, o outro lado geralmente é o patrão.

O problema é que isto não está muito claro.

Na realidade eu deveria dizer que isto não está nada claro.

O patrão neste caso pode ser interpretado como o MEC (não tem nada a ver com o problema diretamente), o MPOG (afirma categoricamente que não foi ele quem cortou a URP) ou a administração da UnB (que tem sido apontada como a responsável pelo corte).

O corte foi deliberado? Apesar das inconvenientes jogadas tentando passar a responsabilidade para outros, é muito difícil dizer que foi.

Muito provavelmente foi devido a uma série de erros do SRH - UnB.

E então, isto seria suficiente para que a greve não ocorresse, não?

Infelizmente, os acontecimentos tomaram um momento que parece não haver mais retorno. O fato de um número significativo de professores e funcionários terem sido prejudicados DUAS vezes torna o problema complicado.

Percebam que agora existe massa crítica para um movimento grevista aonde não tinha. E neste caso, a racionalidade parece ter ido para o espaço como em todo bom movimento de multidões.

Quem grita mais alto, quem traz explicações confortantes, quem nomeia culpados (verdadeiros ou não) torna-se capaz de alavancar um movimento em direções que seriam consideradas tolas. Mais ainda, a tolice de muitos pode fazer a sabedoria de poucos parecer estúpida - até que as coisas se arrebentem, é claro.

Então... Estamos entrando de greve e o "outro lado" parece que vai mais cedo ou mais tarde recair sobre a reitoria.

E claro que a reitoria vai tentar de todos os modos defletir isto.

Mas vai custar caro. Muito caro...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Confusões na UnB, a continuação

Com a divulgação da nota do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) e da SECOM ficou claro que o erro foi no SRH da UnB. (uma prévia está aqui)

Então o que isto tem a ver?

Bem, de modo sucinto é receita para desastre.

Este não é o primeiro contracheque que o SRH se atrapalha e causa problemas.

Este é o segundo.

O que traz sérias considerações se poderia haver um terceiro.

E porque isto é um cenário de pesadelo? Bem, em primeiro lugar a reitoria é responsável pelo SRH. Então em última análise a responsabilidade é da reitoria.

Então temos o problema maior: durante 4 dias ficou-se jogando a culpa entre o SRH da UnB, o SRH do MPOG e até o do MEC.

O SRH da UnB tentava de qualquer modo se eximir de culpa.

Mas o jogo acabou e eventualmente todas as cartas tiveram de ser apresentadas. E aí em vista da obviedade de culpa declarada, o SRH timidamente assumiu sua parcela de culpa.

E tudo isto empesteia o ar com o cheiro de incompetência administrativa.

Em segundo lugar, os atingidos foram os professores mais novos. Estes não tem necessariamente uma ligação grande com a UnB, e se sentirem que a universidade não os apoia - bem, digamos que eles estão no começo de carreira e existem várias oportunidades por aí.

Uma debandada de 10 a 20% já seria suficiente para causar problemas sérios em alguns departamentos e institutos. E a gravidade disto não pode ser subestimada.

Mas o que causaria este tipo de reação? Bem, erros contínuos na folha de pagamento são uma razão boa. Mas existem outros problemas: a administração atual tem se mostrado muito pouco ativa no suporte das atividades de inovação e captação de recursos pelos professores.

Então a coisa pode levar a um xeque nas pretensões de funcionamento e abragência da UnB.

Mas ainda existe o terceiro ponto: a administração que não tinha uma imagem muito boa está com a mesma em franca deterioração. Existe o risco, e o mesmo não é pequeno que os segmentos da UnB passem a se opor frontalmente a administração.

E ai o problema com Timothy vai parecer muito pequeno.

Em termos simples: intervenção.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Confusões na UnB

Aparentemente o problema da URP na UnB não foi resolvido.

Agora temos uma lista com 316 professores que não receberão URP no salário de novembro (pago no início de dezembro).

Tudo muito confuso.

No entanto, existe um lado positivo nisto. Com um número tão grande de professores, há uma boa chance que os mesmos se organizem para resolver o problema. Talvez com a Adunb, talvez com a reitoria, ou mesmo entre si.

E isto pode indicar uma mudança nos rumos do problema e, quem sabe, até mostrar o caminho para uma solução.

No entanto, tudo depende de como estes professores irão prosseguir tendo em vista a situação.

Se não fizerem nada, com certeza sairão perdendo.

Se deixarem que outros façam sozinhos, também certamente irão sair mais fracos do problema.

A bola está agora com eles...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O lado que ninguém olha

O problema com o apagão do dia 10 de novembro é que de qualquer lado que você olha, tudo parece muito mais enrolado do que se noticia.

Caso em questão: não a causa do apagão. Mas as causas pela demora no reestabelecimento da energia.

Dado que não houve dano físico, então o religamento seria mais ou menos breve (em menos de uma hora). Mas não foi.

A despeito do que foi dito, o religamento demorou substancialmente mais do que o esperado. E isto não está bem explicado. A razão?

Bem, não sei. Mas noto que o ministro fez de tudo para convencer que a energia voltou com muita velocideade. O que é verdade, até certo ponto. Realmente, algumas unidades tiveram o retorno bem rápido.

Mas aí outras unidades não 0 e justamente as unidades mais importantes (como o Rio e São Paulo). E lá o retorno demorou algo cerca de 5 a 6 vezes mais do que o esperado.

E isto sim merece uma excelente explicação.

Mas em outras notícias, tenho investigado sobre o tempo médio entre falhas no sistema elétrico.

Infelizmente, estou tendo informações contraditórias de vários lados.

Já li algo de 1 em 20 (o que francamente não faz sentido).

Mas também li algo como 10 horas de falha a cada 10 anos (o que dá 10/(3650*24) = 0.00011 ou cerca de 0.01% de taxa de falha - ou 99.98% de confiabilidade).

Esta taxa é a mesma de 1 hora em 1 ano (1/(365*24)).

No fundo estamos tratando de duração média de falha dividida por tempo médio entre falhas. Em um site consegui encontrar 6,3 horas de falha em 1088 (o que dá 0.006 ou 0.6% de taxa de falha).

Se observarmos, o que tivemos foram cerca de 4 horas em 6 anos (o que dá 1/2190 ou 0.0005 ou cerca de 0.05% de taxa de falha - ou 99.95% de confiabilidade).

Mas provavelmente existem outras medidas.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O Calcanhar de Aquiles

O apagão provocou uma série de reações.

Mas para a sucessão de 2010, a maior de todas talvez seja a exposição do calcanhar de Aquiles da candidata Dilma Roussef.

Ele tem sérias dificuldades no controle do seu temperamento.

A priori, este tipo de comportamento se devidamente explorado por adversários pode causar um efeito devastador nas pretensões eleitorais.

Mais ainda, que ela parece ter sérias dificuldades em lidar com seus erros.

Isto é naturalmente muito normal. É necessária muita calma e paciência quando confrontado com os próprios erros. A melhor atitude é confirmar se são mesmo erros, tomar responsabilidade por eles, tentar consertá-los e seguir em frente.

Mas o comportamento natural é tentar evitar que os erros sejam reconhecidos como seus. E aí existem diversas maneiras: jogar a culpa em alguém (bode expiatório) e negar que os erros existam são os mais comuns.

Então a estratégia é transformar Dilma em destemperada.

O que não é muito difícil pelo visto.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Elogiando Lula

A diferença entre um crítico fundamentalista e um críticoa racional é simples: quando o objeto da crítica mostra seu valor, o crítico tem de reconhecer.

O presidente Lula apresentou uma declaração demonstrando que a explicação do ministro Lobão poderia estar incorreta.

Eu tenho que admitir

Nota 10 para o Lula!

Não posso deixar de elogiar a posição do presidente.

O Senhor me força a dizer com todo orgulho: Bravo!

E olhe que não posso dizer isto diretamente de FHC. Só indiretamente

Eu sei que desagradei. Mas meu compromisso não é com pessoas, mas com a verdade.

Jogo de empurra

O ministro Lobão comete o famoso erro dos poderosos: a arrogância.

A explicação oficial do apagão é no mínimo fraca. Já falei sobre isto em outros posts.

Mas ao ser acuado, um comportamento padrão dos primatas é parecer maior do que é. Isto pode ser feito inchando o peito, batendo na grama ou no caso do ministro tentando ridicularizar a opinião ou os fatos contrários ao sua posição.

O texto destila a arrogância típica de alguém ignorante do assunto em uma posição de poder:

Lobão diz que Inpe deve se manifestar sobre meteorologia e deixar de lado apagão

Do globo.

RIO e BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) deve se manifestar sobre meteorologia e deixar de lado questões sobre energia ou apagão. O ministro dissera na quinta-feira que o assunto apagão estava "encerrado" .
O coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Inpe, Osmar Pinto Junior, afirmara que a chance de um raio ter provocado o blecaute é mínima, também segundo o G1 .
- O Inpe não discordou. Um pesquisador do Inpe fez manifestações de natureza pessoal. Ontem (quinta-feira) mesmo o presidente do Inpe expediu uma nota dizendo que aquela não era a palavra do Inpe. O Inpe está estudando o assunto para ter manifestações a respeito de fenômenos climáticos e não sobre questões de energéticas. Não é atribuição do Inpe opinar sobre energia elétrica, ele opina sobre fatos climáticos e nada mais - afirmou Lobão, que está no Maranhão, em entrevista ao Jornal Hoje, da TV Globo.
Na quinta-feira, o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, preferiu não se comprometer com um diagnóstico sobre os reais motivos do apagão. A instituição, segundo ele, está preparando um relatório, que será entregue ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) na próxima semana.
- O Inpe não garante nada. Quem tem que dar a palavra final é o ONS. Existem discrepâncias - comentou Câmara.
Ainda é prematuro, segundo ele, afirmar o que realmente teria acontecido:
- Em ciência, sempre se podem cometer erros e fazer inferências.
Em nota oficial na quarta-feira, o Inpe sugeriu que eram mínimas as possibilidades de um raio ter sido a causa do apagão. Nesta sexta-feira, técnicos do Elat e do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cpetec) se reúnem para cruzar dados e chegarem a uma conclusão.
Mesmo admitindo a ocorrência de raios em Itaberá, técnicos do Elat afirmaram, em nota, que "a baixa intensidade da descarga não seria capaz de produzir um desligamento da linha". No dia do apagão, os raios caíram a aproximadamente a 30 quilômetros da subestação, a cerca de 10 quilômetros de uma das linhas e a 2 quilômetros de outra linha. Apenas um raio com intensidade superior a 100 quilo amperes (kA), atingindo diretamente uma linha, poderia causar, segundo técnicos do Inpe, um desligamento de linhas operando com tensões tão elevadas como as de Itaipu. O raio detectado na região era menor que 20 kA.
Chega a ser sintomático.