O governo atual de X é uma ditadura.*
Defender X não é defender a ditadura, mas defender os donos do poder em X é defender a ditadura.
E é complicado amar a democracia e defender ditadura!
* Aonde X é o seu país sob jugo de um ditador de jour... (pode ser Cuba, Coréia do Norte, Arábia Saudita, etc...)
Este blog tem como propósito sincero esclarecer as notícias e novidades sem confundir.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Quebra cabeça de Engenheiro Eletricista
Este aqui foi me repassado por ex-alunos, e é um daqueles muito bons.
Primeiro o caso do circuito em série!
Agora o caso do circuito em paralelo!
Agora com mais de duas chaves em série!
Agora com mais de duas chaves em série e dois leds em paralelo!
Então... Alguma idéia de qual é o truque?
Eu tenho a minha teoria, que infelizmente não pode ser verificada sem confirmação da pessoa que fez o vídeo. E você?
Primeiro o caso do circuito em série!
Agora o caso do circuito em paralelo!
Agora com mais de duas chaves em série!
Agora com mais de duas chaves em série e dois leds em paralelo!
Então... Alguma idéia de qual é o truque?
Eu tenho a minha teoria, que infelizmente não pode ser verificada sem confirmação da pessoa que fez o vídeo. E você?
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - 9
De modo bastante simples: confundimos determinístico com probabilístico!
Yep! Isto é muito comum e entra na argumentação de modo quase invisível. Quer ver exemplos? Palmada e infância infeliz (ou feliz)! Bebida, direção e acidentes! Fumo e câncer! Doces e cáries! Videogames e violência! Todos estes casos tem nexo probabilístico e NÃO determinístico.
Ah, Leonardo, você está exagerando...
Nem tanto assim, a questão é entender como a influência de variáveis adicionais pode ser adequadamente representada por uma formulação probabilística.
Vamos considerar um jogo simples de "cara ou coroa". Neste jogo, a descrição matemática do problema é bastante conhecida. Mas há uma quantidade adicional de variáveis que impede se conhecer antecipadamente se vai dar cara ou coroa.
Ah, Leonardo, você está exagerando...
Nem tanto assim, a questão é entender como a influência de variáveis adicionais pode ser adequadamente representada por uma formulação probabilística.
Vamos considerar um jogo simples de "cara ou coroa". Neste jogo, a descrição matemática do problema é bastante conhecida. Mas há uma quantidade adicional de variáveis que impede se conhecer antecipadamente se vai dar cara ou coroa.
Note que existe uma ligação, mas não é uma relação causal simples. Nos outros casos, mesmo que exista uma relação precisa entre estes, também há uma quantidade de variáveis extras envolvidas que simplesmente impossibilitam de dizer "isto causa aquilo". Neste caso é dadas condições 1,2,...,N então A causa B. Só que via de regra não conhecemos quais as condições 1, 2..,N. Ora bolas, via de regra sequer sabemos quanto é N.
Então não sabemos nada? Nem tanto... Sabemos que existe uma correlação, sabemos que em média esta correlação liga aumentos percentuais em uma grandeza a aumentos percentuais em outra grandeza. E isto pode ser suficiente.
Suficiente para determinar a importância relativa da grandeza que estudamos com relação ao efeito que estamos interessados. Vamos dizer que temos um processo qualquer f(x,y), aonde x é a variável que estamos modelando. Existe uma representação para pequenos argumentos (x e y) conhecida como série de Taylor (poderíamos utilizar a série de McLaurin se tratassemos da função na origem). Nesta representação podemos modelar f(X+x,Y+y) como:
f(X+x,Y+y) = f(X,Y) +fx (X,Y) *(X+x)+fy (X,Y) *(Y+y)+fxy (X,Y) * (X+x) * (Y+y) +fxx (X,Y) * (X+x) ^2+fyy (X,Y) * (Y+y) ^2+...
Aonde X e Y são os pontos de equilíbrio que estamos interessados. Podemos representar os termos constantes por letras e ficamos com:
f(X+x,Y+y) = A+B*x+C*y+D*x*y+E*x^2+F*y^2+...
Aqui há diversas descrições possíveis dependendo do problema em questão. Mas vamos dizer que o nosso modelo considera y como variável aleatória normal de média 0 e desvio σ . Então:
E{f(X+x,Y+y)} = A+B*x+E*x^2+F*σ^2+... =A'+B*x+E*x^2+...
Note que sumiu a dependência de y, sendo ela totalmente incorporada dentro de A'. Mas podemos definir a variância de f(X+x,Y+y). Isto resulta em:
2*F^2* σ ^4+ σ ^2*C^2+ σ ^2*D^2*x^2+2* σ ^2*C*D*x
Que pode ser reescrito como:
σf^2=A''+B'*x+D'*x^2
Ou seja, temos uma relação ainda causal entre f e x, mas há o efeito de y escondido na forma de uma variação aleatória na curva de f. E há ainda mais detalhes ainda escondidos dentro desta formulação.
Mas não é necessário irmos muito mais longe.
O importante é que na modelagem de variáveis não previamente consideradas, o uso da abordagem probabilística pode ficar com cara de abordagem determinística. Mas não nos enganemos, o conceito de probabilidade, variáveis adicionais e incerteza estão escondidos nos detalhes.
Então não sabemos nada? Nem tanto... Sabemos que existe uma correlação, sabemos que em média esta correlação liga aumentos percentuais em uma grandeza a aumentos percentuais em outra grandeza. E isto pode ser suficiente.
Suficiente para determinar a importância relativa da grandeza que estudamos com relação ao efeito que estamos interessados. Vamos dizer que temos um processo qualquer f(x,y), aonde x é a variável que estamos modelando. Existe uma representação para pequenos argumentos (x e y) conhecida como série de Taylor (poderíamos utilizar a série de McLaurin se tratassemos da função na origem). Nesta representação podemos modelar f(X+x,Y+y) como:
f(X+x,Y+y) = f(X,Y) +fx (X,Y) *(X+x)+fy (X,Y) *(Y+y)+fxy (X,Y) * (X+x) * (Y+y) +fxx (X,Y) * (X+x) ^2+fyy (X,Y) * (Y+y) ^2+...
Aonde X e Y são os pontos de equilíbrio que estamos interessados. Podemos representar os termos constantes por letras e ficamos com:
f(X+x,Y+y) = A+B*x+C*y+D*x*y+E*x^2+F*y^2+...
Aqui há diversas descrições possíveis dependendo do problema em questão. Mas vamos dizer que o nosso modelo considera y como variável aleatória normal de média 0 e desvio σ . Então:
E{f(X+x,Y+y)} = A+B*x+E*x^2+F*σ^2+... =A'+B*x+E*x^2+...
Note que sumiu a dependência de y, sendo ela totalmente incorporada dentro de A'. Mas podemos definir a variância de f(X+x,Y+y). Isto resulta em:
2*F^2* σ ^4+ σ ^2*C^2+ σ ^2*D^2*x^2+2* σ ^2*C*D*x
Que pode ser reescrito como:
σf^2=A''+B'*x+D'*x^2
Ou seja, temos uma relação ainda causal entre f e x, mas há o efeito de y escondido na forma de uma variação aleatória na curva de f. E há ainda mais detalhes ainda escondidos dentro desta formulação.
Mas não é necessário irmos muito mais longe.
O importante é que na modelagem de variáveis não previamente consideradas, o uso da abordagem probabilística pode ficar com cara de abordagem determinística. Mas não nos enganemos, o conceito de probabilidade, variáveis adicionais e incerteza estão escondidos nos detalhes.
domingo, 8 de janeiro de 2012
Enlatados da Minha Infância
Este era o termo que utilizavam nos anos 70 para os seriados norte-americanos que eram comprados e exibidos pelas emissoras brasileiras. No fundo, temos um pequeno ranço nacionalista-do-afro-descendente-mentalmente-instável nesta denominação.
Mas estes enlatados fazem parte da minha infância e adolescência. Então, nem que seja para mostrar que a vida não era filmada em preto-e-branco, coloco aqui alguns menos famosos.
O Homem de Seis Milhões de Dólares - um seriado pré-ficção-científica misturado com espionagem e contra-terrorismo. A música é fora de série (de Oliver Nelson).
O Homem do Fundo do Mar - um seriado aonde um homem capaz de respirar debaixo d´água é encontrado e vira uma espécie de agente secreto (suspeito que isso é um tema recorrente devido a Guerra Fria)
O Incrível Hulk - francamente, o seriado é em muitos aspectos superior aos filmes posteriores. Isso, ainda com todas limitações de um seriado de TV.
Viagem ao Fundo do Mar - é mais antigo, mas muito interessante. O cruzamento cientista-espião parece ser um tema recorrente do período. É incrível não que ainda não tenham lançado os DVDs no Brasil.
Terra de Gigantes - nunca entendi direito a razão de ser desse show, acho que provavelmente é algo ligado à Guerra Fria novamente. Mas eu gostava da nave espacial.
Túnel do Tempo - a premissa de um laboratório sem paredes sempre me pareceu intrigante. Nem vou mencionar que todo mundo fala a mesma língua no passado.
Perdidos no Espaço - também um clássico da TV. É extraordinário como foi que a coisa degringolou com o tempo. Lembro que diziamos que o monstro de Viagem ao Fundo do Mar fazia ponta em Perdidos no Espaço.
Aliás, parando para pensar, acho que Perdidos no Espaço merece um post dele mesmo. Fala-se muito de grandes orçamentos em produção televisivas e cinematográficas, mas muito da magia deste seriado é feita com truques simples, porém efetivos (vide aqui).
Mas estes enlatados fazem parte da minha infância e adolescência. Então, nem que seja para mostrar que a vida não era filmada em preto-e-branco, coloco aqui alguns menos famosos.
O Homem de Seis Milhões de Dólares - um seriado pré-ficção-científica misturado com espionagem e contra-terrorismo. A música é fora de série (de Oliver Nelson).
O Homem do Fundo do Mar - um seriado aonde um homem capaz de respirar debaixo d´água é encontrado e vira uma espécie de agente secreto (suspeito que isso é um tema recorrente devido a Guerra Fria)
O Incrível Hulk - francamente, o seriado é em muitos aspectos superior aos filmes posteriores. Isso, ainda com todas limitações de um seriado de TV.
Viagem ao Fundo do Mar - é mais antigo, mas muito interessante. O cruzamento cientista-espião parece ser um tema recorrente do período. É incrível não que ainda não tenham lançado os DVDs no Brasil.
Terra de Gigantes - nunca entendi direito a razão de ser desse show, acho que provavelmente é algo ligado à Guerra Fria novamente. Mas eu gostava da nave espacial.
Túnel do Tempo - a premissa de um laboratório sem paredes sempre me pareceu intrigante. Nem vou mencionar que todo mundo fala a mesma língua no passado.
Perdidos no Espaço - também um clássico da TV. É extraordinário como foi que a coisa degringolou com o tempo. Lembro que diziamos que o monstro de Viagem ao Fundo do Mar fazia ponta em Perdidos no Espaço.
Aliás, parando para pensar, acho que Perdidos no Espaço merece um post dele mesmo. Fala-se muito de grandes orçamentos em produção televisivas e cinematográficas, mas muito da magia deste seriado é feita com truques simples, porém efetivos (vide aqui).
sábado, 7 de janeiro de 2012
Pequenas Pérolas do Cinema 42
Hoje é dia de The HitchHiker´s Guide to the Galaxy.
Uma característica muito interessante e bastante apropriada do trailer é que ele faz graça consigo mesmo. Algo que posso dizer ser bastante diferente dos tons de outros trailers.
No entanto, há algo que preciso dizer sobre este filme: para você aprecia-lo devidamente é recomendável ler o Guia do Mochileiro das Galáxias (de preferência no original). Talvez seja recomendável ler pelo menos até o segundo livro da série (O Restaurante no Fim do Universo). O filme em si, apesar de auto contido, não faz jus aos livros (poucos são os filmes que conseguem esta mágica).
Mas a razão do número 42 da série Pequenas Pérolas do Cinema ser sobre este filme é uma pequena tirada humorística baseada em metalinguagem. Afinal 42 é a resposta a grande pergunta sobre a Vida, o Universo e Tudo Mais.
Pode verificar: está no Google!
Uma característica muito interessante e bastante apropriada do trailer é que ele faz graça consigo mesmo. Algo que posso dizer ser bastante diferente dos tons de outros trailers.
No entanto, há algo que preciso dizer sobre este filme: para você aprecia-lo devidamente é recomendável ler o Guia do Mochileiro das Galáxias (de preferência no original). Talvez seja recomendável ler pelo menos até o segundo livro da série (O Restaurante no Fim do Universo). O filme em si, apesar de auto contido, não faz jus aos livros (poucos são os filmes que conseguem esta mágica).
Mas a razão do número 42 da série Pequenas Pérolas do Cinema ser sobre este filme é uma pequena tirada humorística baseada em metalinguagem. Afinal 42 é a resposta a grande pergunta sobre a Vida, o Universo e Tudo Mais.
Pode verificar: está no Google!
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Recomendação de Blogs
Já que estamos em um novo ano que tal introduzir algumas novidades?
A primeira é uma mudança na periodicidade de alguns posts. Na medida do possível vou tentar manter alguma periodicidade com tópicos constantes (Coisas que Mentimos para Nós Mesmos continua toda semana, mas Pequenas Pérolas do Cinema e Televisão no Seu Melhor passam não ser publicados todas semanas - ah, e não vou mais usar numerais romanos). Aliás, vou passar a comentar os filmes e seriados em mais detalhes e opiniões (começando com o próximo post sobre Memento) daqui para frente.
A segunda é que vou tentar introduzir novas categorias com mais comentários. Aproveitando este post vou fazer algumas recomendações de blogs
Bem por enquanto é só... Volto nesses pontos em outros posts...
A primeira é uma mudança na periodicidade de alguns posts. Na medida do possível vou tentar manter alguma periodicidade com tópicos constantes (Coisas que Mentimos para Nós Mesmos continua toda semana, mas Pequenas Pérolas do Cinema e Televisão no Seu Melhor passam não ser publicados todas semanas - ah, e não vou mais usar numerais romanos). Aliás, vou passar a comentar os filmes e seriados em mais detalhes e opiniões (começando com o próximo post sobre Memento) daqui para frente.
A segunda é que vou tentar introduzir novas categorias com mais comentários. Aproveitando este post vou fazer algumas recomendações de blogs
- Lugares Esquecidos - de Renato Pantoja, com uma relação de locais e objetos que foram literalmente esquecidos. Possivelmente irá dar uma sacudida na memória de cada leitor - especialmente os de Brasília.
- Dois blogs de trilhas sonoras, World of Soundtracks e Trilha do Medo - para leitores, que como eu, tenham interesse em trilhas sonoras (muitas estão no youtube).
- Um bom site de humor que vale a pena ver: Cracked - é humor cooperativo para todos os gostos.
- Memes - Know Your Meme - precisa falar algo sobre Memes? All of your base are belong to us!
Bem por enquanto é só... Volto nesses pontos em outros posts...
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
O Triste Fim da Presunção da Inocência
Li no site do Observatório da Imprensa a seguinte matéria:
Me sinto impossibilitado de levantar qualquer defesa para qualquer um dos dois casos. Mas cabe lembrar que eles já foram julgados e condenados pelo tribunal da imprensa. Só podemos esperar que não estejamos sendo alimentados por informações falsas...
Por que se for o caso, mesmo que tenhamos julgado baseados nas evidências a disposição, caberá a nós reconhecer que talvez a nossa fonte de evidências não seja confiável.
William Melo de Souza foi sequestrado e torturado por integrantes do PCC, Primeiro Comando da Capital, organização que, de dentro dos presídios, comanda pelo menos parte do crime organizado em São Paulo. Sob tortura (já confirmada pelas investigações, e com os torturadores condenados pela Justiça), ele foi forçado a admitir que tinha cometido crime de pedofilia. Era o início do famoso Caso de Catanduva – mais uma vez, imprensa e Ministério Público com o mesmo propósito, de mostrar que o réu era culpado.
Como de hábito, os promotores deram aquele show de entrevistas, que jogaram a opinião pública contra William (e à defesa coube pouco mais que aquela tradicional frase, “seu advogado nega as acusações”). Ele ficou quase três anos preso. E foi absolvido. Nada de “falta de provas”, coisas desse tipo: a Justiça o declarou inocente. E como foi que a imprensa noticiou a inocência do cavalheiro que, em seu noticiário anterior, era apontado como culpado, monstro, sem-vergonha, que teria abusado sexualmente de 36 crianças de no máximo 14 anos de idade?
Foi incrível: noticiou a absolvição repetindo as acusações. Num grande jornal de circulação nacional, o Ministério Público, amplamente derrotado no caso, foi ouvido de novo (e, procurando minimizar a notícia, disse que era coisa velha, já que a sentença tinha saído há quatro meses). Se a notícia fosse velha, continuaria verdadeira; mas a sentença saiu na mesma semana em que a matéria da absolvição foi publicada, sem que a reportagem se desse conta disso. E as acusações derrubadas pela Justiça foram repetidas, uma por uma, como se julgamento não tivesse havido.
Os meios de comunicação não quiseram divulgar a sentença (na nota abaixo, veja o motivo). Alegaram que o processo correu em segredo de justiça.
Isto me lembrou de dois casos recentes envolvendo pedofilia. O primeiro parece ser um caso sem maiores dúvidas, enquanto o segundo tem dúvidas menores.Me sinto impossibilitado de levantar qualquer defesa para qualquer um dos dois casos. Mas cabe lembrar que eles já foram julgados e condenados pelo tribunal da imprensa. Só podemos esperar que não estejamos sendo alimentados por informações falsas...
Por que se for o caso, mesmo que tenhamos julgado baseados nas evidências a disposição, caberá a nós reconhecer que talvez a nossa fonte de evidências não seja confiável.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Terremotos e Bolhas especulativas
Estou lendo o livro This Time is Different de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff. E me ocorreu um pensamento interessante: crises econômicas não são totalmente dissimilares a terremotos na sua ocorrência. Naturalmente este pensamento é mais ligado às consequências das crises econômicas do que as razões dinâmicas de sua existência.
Mas isto me fez pensar...
O modelo mais clássico de armazenamento e liberação de energia na compressão e expansão de materiais é o da Lei de Hooke.
De modo simples é uma equação relacionando a força ao deslocamento de modo linear:
A energia armazenada na compressão ou expansão é dada por:
Então fiquei pensando...
Se supomos que o deslocamento linear como uma variável aleatória normal, como é a variação da energia armazenada? Bom, por que eu pensei nisso? Na realidade é na questão sobre a energia liberada em terremotos (ou a magnitude de crises econômicas) que eu estou interessado.
Se a variável x é normal:
Então a Energia Armazenada será dada por:

Aonde y = x2 que é uma distribuição do tipo Chi-Quadrada. Naturalmente este análise é para uma normal com média zero e desvio 1, ao invés de uma normal com média zero e desvio k. Isso pode ser facilmente corrigido usando uma variável z = x/σ (no caso x/σ é x/k).
Mas há uma parte interessante nisso: a escala de terremoto é baseada no uso de compressão logarítimica, ou seja ao invés de uma distribuição do tipo Chi-Quadrada, teremos uma distribuição (que não é log-normal) para escala da energia liberada.
Apesar de não ser clara, esta distribuição é do tipo que eventos de maior magnitude (energia) são substancialmente menos prováveis que eventos de menor magnitude (por exemplo: probabilidade de eventos abaixo de 1 é de 81.4% e de eventos acima de 2 é de 10%).
Naturalmente, tudo isto depende da suposição da normalidade da variável x. Outros tipos de distribuição resultam em diferentes configurações.
A lição é que eventos de maior magnitude são mais raros. Quão mais raros? Depende da distribuição de probabilidade do deslocamento (representada pela Lei de Hooke) e portanto da energia liberada neste deslocamento.
No entanto, a coisa é completamente diferente na presença de uma função forçante. A energia passa a ser:
k(X0-x)^2 = k*X0^2-2*k*X0*x+k*x^2. Então teremos um nova distribuição, bem diferente da que tínhamos anteriormente. Este é um dos casos em que a função forçante pode fazer bastante diferença (em especial se ela é de magnitude comparável a variação aleatória).
E no caso econômico? Suspeito que não é algo totalmente dissimilar...
Mas isto me fez pensar...
O modelo mais clássico de armazenamento e liberação de energia na compressão e expansão de materiais é o da Lei de Hooke.
De modo simples é uma equação relacionando a força ao deslocamento de modo linear:
A energia armazenada na compressão ou expansão é dada por:
Então fiquei pensando...
Se supomos que o deslocamento linear como uma variável aleatória normal, como é a variação da energia armazenada? Bom, por que eu pensei nisso? Na realidade é na questão sobre a energia liberada em terremotos (ou a magnitude de crises econômicas) que eu estou interessado.
Se a variável x é normal:
Então a Energia Armazenada será dada por:
Aonde y = x2 que é uma distribuição do tipo Chi-Quadrada. Naturalmente este análise é para uma normal com média zero e desvio 1, ao invés de uma normal com média zero e desvio k. Isso pode ser facilmente corrigido usando uma variável z = x/σ (no caso x/σ é x/k).
Mas há uma parte interessante nisso: a escala de terremoto é baseada no uso de compressão logarítimica, ou seja ao invés de uma distribuição do tipo Chi-Quadrada, teremos uma distribuição (que não é log-normal) para escala da energia liberada.
Apesar de não ser clara, esta distribuição é do tipo que eventos de maior magnitude (energia) são substancialmente menos prováveis que eventos de menor magnitude (por exemplo: probabilidade de eventos abaixo de 1 é de 81.4% e de eventos acima de 2 é de 10%).
Naturalmente, tudo isto depende da suposição da normalidade da variável x. Outros tipos de distribuição resultam em diferentes configurações.
A lição é que eventos de maior magnitude são mais raros. Quão mais raros? Depende da distribuição de probabilidade do deslocamento (representada pela Lei de Hooke) e portanto da energia liberada neste deslocamento.
No entanto, a coisa é completamente diferente na presença de uma função forçante. A energia passa a ser:
k(X0-x)^2 = k*X0^2-2*k*X0*x+k*x^2. Então teremos um nova distribuição, bem diferente da que tínhamos anteriormente. Este é um dos casos em que a função forçante pode fazer bastante diferença (em especial se ela é de magnitude comparável a variação aleatória).
E no caso econômico? Suspeito que não é algo totalmente dissimilar...
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
27 vezes 12 é 324
O leitor mais atento deve ter notado que em 2011 tivemos 324 posts.
Foram 27 posts por mês, todos os meses.
Será que isto foi coincidência? Sim e Não.
Inicialmente não houve planejamento algum. Mas posteriormente, eu decidi que iria manter uma média constante ao longo do ano inteiro. Por que? Bem, para ver se conseguia. Não foi exatamente fácil, mas acabei aprendendo uma lição: a produtividade está ligada a disciplina.
Não foi uma lição fácil de aprender. Muito do que faço e penso é baseado no conceito que idéias devem ser livres e ocorrerem quando ocorrem, e isto irá fazer com que a qualidade geral das idéias seja melhor do que se fosse uma obrigação.
Bem, não é bem assim. Naturalmente, como tudo mais na vida, escrever bons posts é uma questão de dedicação, inspiração e sorte. Mas vi que a inspiração sem a decisão consciente de fazer é ilusória. Também vi que a obrigação pode eventualmente piorar ou melhorar a qualidade do trabalho. Em suma, para fazer é preciso disciplina. É preciso querer fazer e estar determinado a cumprir os passos necessários.
Foi uma lição importante.
Neste ano vou fazer um pouco diferente. Vou manter como meta mínima 25 posts por mês. Mas ao mesmo tempo vou deixar que este número flutue - sempre para mais quando for possível, mas não para menos.
Outra lição importante que tive foi o planejamento. Depois de um tempo vi a beleza de preparar posts com antecedência (este post esta sendo preparado no dia 23/12/11). Desta forma, é possível colocar no "papel" idéias que surgem de repente, sem ter que perder tempo adicional. Sei que isto "mata" a espontaneidade, mas a verdade é que espontaneidade é por definição espontânea (e esporádica), e portanto nem sempre vem na dose que desejamos ou mesmo quando desejamos.
Vamos então torcer por um bom e próspero 2012 - se tiver que acabar, que acabe. Mas se não tiver que acabar que seja um marco de iluminação na nossa vida.
Foram 27 posts por mês, todos os meses.
Será que isto foi coincidência? Sim e Não.
Inicialmente não houve planejamento algum. Mas posteriormente, eu decidi que iria manter uma média constante ao longo do ano inteiro. Por que? Bem, para ver se conseguia. Não foi exatamente fácil, mas acabei aprendendo uma lição: a produtividade está ligada a disciplina.
Não foi uma lição fácil de aprender. Muito do que faço e penso é baseado no conceito que idéias devem ser livres e ocorrerem quando ocorrem, e isto irá fazer com que a qualidade geral das idéias seja melhor do que se fosse uma obrigação.
Bem, não é bem assim. Naturalmente, como tudo mais na vida, escrever bons posts é uma questão de dedicação, inspiração e sorte. Mas vi que a inspiração sem a decisão consciente de fazer é ilusória. Também vi que a obrigação pode eventualmente piorar ou melhorar a qualidade do trabalho. Em suma, para fazer é preciso disciplina. É preciso querer fazer e estar determinado a cumprir os passos necessários.
Foi uma lição importante.
Neste ano vou fazer um pouco diferente. Vou manter como meta mínima 25 posts por mês. Mas ao mesmo tempo vou deixar que este número flutue - sempre para mais quando for possível, mas não para menos.
Outra lição importante que tive foi o planejamento. Depois de um tempo vi a beleza de preparar posts com antecedência (este post esta sendo preparado no dia 23/12/11). Desta forma, é possível colocar no "papel" idéias que surgem de repente, sem ter que perder tempo adicional. Sei que isto "mata" a espontaneidade, mas a verdade é que espontaneidade é por definição espontânea (e esporádica), e portanto nem sempre vem na dose que desejamos ou mesmo quando desejamos.
Vamos então torcer por um bom e próspero 2012 - se tiver que acabar, que acabe. Mas se não tiver que acabar que seja um marco de iluminação na nossa vida.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
domingo, 1 de janeiro de 2012
Jogos Velhos e Novos
Bem, hoje é o primeiro dia de 2012. Achei que estava na hora de atualizar a base de jogos. Que tal o extraordinariamente popular Angry Birds?
sábado, 31 de dezembro de 2011
Pequenas Pérolas do Cinema - XLI
Hoje é véspera de ano novo. Feliz 2012 para todo mundo! Aproveite Dead Poets Society.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - VIII
Hoje é dia de mostrar a timeline cara-de-pau.
O que é isso? Datas, pessoal! Simplesmente atenção às datas!
Esconder ou alterar uma sequência temporal é uma das formas mais insidiosas de "provar" argumentos, ou pior estabelecer nexos causais espúrios.
Infelizmente, a enorme maioria das pessoas não presta atenção nisto. Mas é remediável...
Há dois pontos a serem observados
Este é bastante rechonchudo: a ditadura militar de 1964 e a guerrilha de esquerda que se seguiu.
Notem um detalhes: entre o golpe 04/1964 e a primeira "reação" em 07/1966 há um interstício de 2 anos! Já se perguntou por que?
Melhor ainda: se o regime era essa malvadeza toda, por que a demora de 2 anos até surgir uma reação? Quão realmente impopular foi o golpe de 1964 em 1964?
Sim, sim, houve alguma resistência ao golpe no Rio Grande do Sul, mas na realidade seu papel nem de perto chega ao nível das manifestações de guerrilha ocorridas depois.
A pergunta malvada permanece: quais os fatores que levaram a que a reação só ocorresse dois anos após o golpe? Responda a pergunta e provavelmente saberá um pouco mais sobre o Brasil de 1964 e de quebra mais sobre o Brasil dos últimos 30 anos...
O que é isso? Datas, pessoal! Simplesmente atenção às datas!
Esconder ou alterar uma sequência temporal é uma das formas mais insidiosas de "provar" argumentos, ou pior estabelecer nexos causais espúrios.
Infelizmente, a enorme maioria das pessoas não presta atenção nisto. Mas é remediável...
Há dois pontos a serem observados
- Existe uma sequência temporal? Há nexo causal entre possível causa e efeito?
- A sequência temporal faz sentido? Há tempo de menos ou tempo demais entre ação e reação?
Este é bastante rechonchudo: a ditadura militar de 1964 e a guerrilha de esquerda que se seguiu.
Melhor ainda: se o regime era essa malvadeza toda, por que a demora de 2 anos até surgir uma reação? Quão realmente impopular foi o golpe de 1964 em 1964?
Sim, sim, houve alguma resistência ao golpe no Rio Grande do Sul, mas na realidade seu papel nem de perto chega ao nível das manifestações de guerrilha ocorridas depois.
A pergunta malvada permanece: quais os fatores que levaram a que a reação só ocorresse dois anos após o golpe? Responda a pergunta e provavelmente saberá um pouco mais sobre o Brasil de 1964 e de quebra mais sobre o Brasil dos últimos 30 anos...
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
domingo, 25 de dezembro de 2011
sábado, 24 de dezembro de 2011
Pequenas Pérolas do Cinema - XL
Amanhã é Natal! Feliz Natal! Nada melhor que uma comédia como Trading Places.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Mercadores de Dúvidas
Este é o título do livro que acabei de ler no domingo (18/12/11).
O livro tem um espírito não totalmente dissimilar ao deste blog. Ele trata de expor grupos de pressão que se valem de credenciais acadêmicas e de marketing jornalístico para fazer valer suas idéias, enquanto denigrem ou incutem dúvidas sobre a argumentação oposta.
A diferença marcante está que estes grupos atacam sociedade científicas e cientistas bem estabelecidos e bastante sérios.
Ou pelo menos é o que o livro tende a ilustrar.
Na realidade, o livro sofre dos mesmos problemas que confronta. Há situações aonde os autores acusam os grupos de pressão de determinada ação, somente para páginas depois fazerem precisamente a mesma coisa.
Ainda assim, o livro é um tour de force. Há um website com mais informações a respeito aqui.
Mas há algo que é importante frisar: o livro ilustra como agenda políticas tendem a se superpor a questões científicas. Isto, ao contrário do que os autores tentam fazer parecer, não é privilégio de uma ou outra corrente ideológica. O problema real é que este tipo de atuação é comum para todas as causas em que há questões econômicas envolvidas (principalmente aonde há uma etiqueta de preço).
Podemos facilmente adaptar vários dos pontos levantados no livro sobre os mercadores da dúvida (assim chamados pois a função deles é levantar dúvidas sobre consensos científicos) para o caso mais conhecido no Brasil como o da Usina de Belo Monte.
Só que aí, os mercadores de dúvidas não pertencem ao espectro político da direita...
O livro tem um espírito não totalmente dissimilar ao deste blog. Ele trata de expor grupos de pressão que se valem de credenciais acadêmicas e de marketing jornalístico para fazer valer suas idéias, enquanto denigrem ou incutem dúvidas sobre a argumentação oposta.
A diferença marcante está que estes grupos atacam sociedade científicas e cientistas bem estabelecidos e bastante sérios.
Ou pelo menos é o que o livro tende a ilustrar.
Na realidade, o livro sofre dos mesmos problemas que confronta. Há situações aonde os autores acusam os grupos de pressão de determinada ação, somente para páginas depois fazerem precisamente a mesma coisa.
Ainda assim, o livro é um tour de force. Há um website com mais informações a respeito aqui.
Mas há algo que é importante frisar: o livro ilustra como agenda políticas tendem a se superpor a questões científicas. Isto, ao contrário do que os autores tentam fazer parecer, não é privilégio de uma ou outra corrente ideológica. O problema real é que este tipo de atuação é comum para todas as causas em que há questões econômicas envolvidas (principalmente aonde há uma etiqueta de preço).
Podemos facilmente adaptar vários dos pontos levantados no livro sobre os mercadores da dúvida (assim chamados pois a função deles é levantar dúvidas sobre consensos científicos) para o caso mais conhecido no Brasil como o da Usina de Belo Monte.
Só que aí, os mercadores de dúvidas não pertencem ao espectro político da direita...
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Educação: Amostragem e Confiança
Já pensou em como descobrir algo usando amostragem?
Eu já pensei nisso na questão da educação. Como? Meu questionamento era descobrir quantas questões deveria ter uma prova.
Sim, isto mesmo. Podemos pensar na prova como um teste estatístico aonde através de um conjunto de experimentos (cada questão), tentamos descobrir o quanto o estudante sabe do assunto. Ou seja é um problema não totalmente dissimilar ao de saber quantas bolas de determinada cor existem em um saco cheio de bolas multicoloridas.
É uma simplificação? Claro, mas as similaridades são maiores que as diferenças. Então a pergunta é: quantas bolas eu tenho de tirar de um saco para ter uma idéia da proporção de uma determinada cor?
A resposta é que para ter uma resposta exata, você precisa tirar todas as bolas. Mas para ter uma resposta com determinada probabilidade o número pode ser substancialmente menor. E é esta a questão... O problema é bastante similar ao de determinar o número de espécies em ecossistema por amostragem.
Bem, isto pode ser visto como um problema de repetição de Bernoulli aonde você tem proporções de p bolas da cor que você está interessado e q=1-p bolas de outras cores. A questão interessante é você descobrir quanto é aproximadamente p dado N repetições (p+q)^N.
Vamos começar supor que a cor é branca com p=2/3. Se tiramos 3 vezes teremos como possibilidades:
Bem, dá para entender a idéia.
Só que no caso das provas queremos saber não o valor exato, mas a probabilidade dele ser menor que um determinado ponto. Por exemplo, se a proporção é 2/3, qual a chance de tirarmos menos do que p=0.5 por exemplo:
O problema em questão é que quando a proporção é próxima a 1/2, o número de experimentos necessários (que no caso poderiam ser consideradas questões independentes de uma prova aumentam de modo significativo). Isso significa que o número de questões independentes para ter resolução suficiente para distinguir uma nota 4 de uma nota 5 também aumenta.
Vamos a questão real: Dado que a nota real do aluno é 5, qual o número de questões necessárias para garantir com 99% de confiança que a nota obtida em uma prova (na realidade uma avaliação satisfazendo conceitos de aleatoriedade e independência de eventos), seja maior que 4.75?
Se fizermos uma aproximação gaussiana (considerando o limite de uma repetição de Bernoulli), chegamos que para satisfazer:
Mas o que realmente acontece? Bem, os professores acreditam na capacidade de resolução dos seus instrumentos de avaliação. Acreditam tanto que, em grande parte, atribuem capacidade de diferenciação entre alunos que os instrumentos não tem garantia de possuir. Uma prova com 7 questões (aleatórias e independentes) garante a resolução binária do passa-não passa, mas não é o instrumento para diferenciar alunos de rendimento superior, médio ou insuficiente. Para tanto é necessária uma prova de 15 questões aleatórias e independentes.
Como garantir uma avaliação isenta então? Primeiro é necessário um banco de questões independentes tratando do assunto em estudo. Depois é necessário que estas questões sejam escolhidas aleatoriamente. Se 7 questões forem escolhidas, será possível diferenciar os estudantes nas categorias Passa e Não Passa (ou Suficiente e Insuficiente). Se 15 questões forem escolhidas é possível diferenciar os estudantes em 3 categorias: Superior, Médio e Insuficiente. Com 42 questões é possível diferenciar os estudantes em 5 categorias (Superior, Médio-Superior, Médio, Médio-Insuficiente e Insuficiente).
Tudo isto é uma aproximação. Mas uma daquelas extremamente educada!
Eu já pensei nisso na questão da educação. Como? Meu questionamento era descobrir quantas questões deveria ter uma prova.
Sim, isto mesmo. Podemos pensar na prova como um teste estatístico aonde através de um conjunto de experimentos (cada questão), tentamos descobrir o quanto o estudante sabe do assunto. Ou seja é um problema não totalmente dissimilar ao de saber quantas bolas de determinada cor existem em um saco cheio de bolas multicoloridas.
É uma simplificação? Claro, mas as similaridades são maiores que as diferenças. Então a pergunta é: quantas bolas eu tenho de tirar de um saco para ter uma idéia da proporção de uma determinada cor?
A resposta é que para ter uma resposta exata, você precisa tirar todas as bolas. Mas para ter uma resposta com determinada probabilidade o número pode ser substancialmente menor. E é esta a questão... O problema é bastante similar ao de determinar o número de espécies em ecossistema por amostragem.
Bem, isto pode ser visto como um problema de repetição de Bernoulli aonde você tem proporções de p bolas da cor que você está interessado e q=1-p bolas de outras cores. A questão interessante é você descobrir quanto é aproximadamente p dado N repetições (p+q)^N.
Vamos começar supor que a cor é branca com p=2/3. Se tiramos 3 vezes teremos como possibilidades:
- 29.62% de chances de tirarmos 3 bolas brancas (p=1)
- 44.44% de chances de tirarmos 2 bolas brancas e 1 bola não branca (p=2/3)
- 22.22% de chances de tirarmos 1 bola branca e 2 bolas não brancas (p=1/3)
- 3.7% de chances de tirarmos 3 bolas não brancas (p=0)
- 8.78% de chances de tirarmos 6 bolas brancas (p=1/6)
- 26.33% de chances de tirarmos 5 bolas brancas e 1 bola não branca (p=5/6)
- 32.92% de chances de tirarmos 4 bola branca e 2 bolas não brancas (p=2/3)
- 21.94% de chances de tirarmos 3 bolas brancas e 3 bola não branca (p=1/2)
- 8.32% de chances de tirarmos 2 bola branca e 4 bolas não brancas (p=1/3)
- 1.65% de chances de tirarmos 1 bola branca e 5 bolas não brancas (p=1/6)
- 0.13% de chances de tirarmos 5 bolas não brancas (p=0)
Bem, dá para entender a idéia.
Só que no caso das provas queremos saber não o valor exato, mas a probabilidade dele ser menor que um determinado ponto. Por exemplo, se a proporção é 2/3, qual a chance de tirarmos menos do que p=0.5 por exemplo:
- No caso de tirarmos 3 vezes esta chance é de 55.7%
- No caso de tirarmos 5 vezes esta chance é de 10.0%
- No caso de tirarmos 36 vezes esta chance é de 1.2%
O problema em questão é que quando a proporção é próxima a 1/2, o número de experimentos necessários (que no caso poderiam ser consideradas questões independentes de uma prova aumentam de modo significativo). Isso significa que o número de questões independentes para ter resolução suficiente para distinguir uma nota 4 de uma nota 5 também aumenta.
Vamos a questão real: Dado que a nota real do aluno é 5, qual o número de questões necessárias para garantir com 99% de confiança que a nota obtida em uma prova (na realidade uma avaliação satisfazendo conceitos de aleatoriedade e independência de eventos), seja maior que 4.75?
Se fizermos uma aproximação gaussiana (considerando o limite de uma repetição de Bernoulli), chegamos que para satisfazer:
- 0.25 precisamos de 2655 questões
- 0.50 precisamos de 665 questões
- 0.75 precisamos de 296 questões
- 1.00 precisamos de 166 questões
- 1.25 precisamos de 106 questões
- 1.50 precisamos de 74 questões
- 1.75 precisamos de 54 questões
- 2.00 precisamos de 42 questões
- 2.25 precisamos de 33 questões
- 2.50 precisamos de 27 questões
- 2.75 precisamos de 22 questões
- 3.00 precisamos de 18 questões
- 3.33 precisamos de 15 questões.
Mas o que realmente acontece? Bem, os professores acreditam na capacidade de resolução dos seus instrumentos de avaliação. Acreditam tanto que, em grande parte, atribuem capacidade de diferenciação entre alunos que os instrumentos não tem garantia de possuir. Uma prova com 7 questões (aleatórias e independentes) garante a resolução binária do passa-não passa, mas não é o instrumento para diferenciar alunos de rendimento superior, médio ou insuficiente. Para tanto é necessária uma prova de 15 questões aleatórias e independentes.
Como garantir uma avaliação isenta então? Primeiro é necessário um banco de questões independentes tratando do assunto em estudo. Depois é necessário que estas questões sejam escolhidas aleatoriamente. Se 7 questões forem escolhidas, será possível diferenciar os estudantes nas categorias Passa e Não Passa (ou Suficiente e Insuficiente). Se 15 questões forem escolhidas é possível diferenciar os estudantes em 3 categorias: Superior, Médio e Insuficiente. Com 42 questões é possível diferenciar os estudantes em 5 categorias (Superior, Médio-Superior, Médio, Médio-Insuficiente e Insuficiente).
Tudo isto é uma aproximação. Mas uma daquelas extremamente educada!
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Ler o livro que é bom ninguém faz...
Li uma versão do livro Privataria Tucana de Amaury Ribeiro Jr. Assim o fiz por pensar que antes de acreditar no que os outros falam, creio que é melhor verificar as informações da melhor forma possível.
Como verificar a informação da melhor forma possível consistia em ler o livro, então foi isto o que fiz.
O resultado foi revelador...
Não pelo conteúdo do livro em si, este já era mais ou menos conhecido de antemão. Também não foi pela multitude de documentos digitalizados que fazem parte do livro (cerca de 1/4 ou mais do livro são estes documentos).
O que foi revelador? A reação das pessoas. Sim, isto mesmo. Poderia dizer até: polarização de confirmação para todos os lados. E o melhor: suspeito fortemente que a enorme maioria sequer leu o livro.
Como posso dizer isto? Bem, eu li o livro e vendo o que as pessoas escreveram a respeito, fica claro que a enorme maioria não leu.
Em primeiro lugar, o livro trata essencialmente de lavagem de dinheiro - que não é propriamente lavagem de dinheiro, mas remessas para o exterior em paraísos fiscais. E mais ainda: não há prova de irregularidade nisto. Sequer há prova que o dinheiro enviado tenha alguma coisa a ver com as privatizações.
Em segundo lugar, o livro traz problemas na linha do tempo descrita. José Serra foi ministro do planejamento de 1995 a 1996, sendo que privatização que o livro foca ocorreu pelo menos dois anos após este período, justamente quando ele estava como ministro da saúde. Isto por si só complica a argumentação que Serra teve alguma coisa a ver com isso (e com os demais citados também). O que poderia ser relevante é a informação que Serra montou um grupo de arapongas quando ministro da saúde - só que aí fica a questão que o próprio autor poderia ser incluído na pecha de araponga.
Em terceiro lugar, por todo o livro sente-se a impressão palpável que o livro foi escrito com os objetivos de colocar o autor em uma luz favorável, atacar Serra e outras pessoas. O autor vez por outra esquece da "isenção jornalística" e parte para o ataque direto sem luvas. Certamente que vários dos políticos citados não são santos, e também me arriscaria a dizer que vários tem culpa no cartório. Mas o livro não deixa isso realmente claro e cristalino. Tudo é muito circustancial e pode ser interpretado justamente como apenas uma visão enviesada da questão.
Em suma, se o livro fosse base para montar um caso de polícia, qualquer juiz iria derruba-lo por inconsistência em dois ou três tempos.
Mas como aqui estamos interessados é nas mentiras que as pessoas contam, vou fornecer um pequeno roteiro de perguntas que podem atrapalhar o "papo cabeça" dos que não leram, mas dizem que sim:
Portanto meu conselho é: leiam o livro e tirem suas próprias conclusões. Mais uma vez: ler o livro é fundamental para ter opiniões embasadas
Como verificar a informação da melhor forma possível consistia em ler o livro, então foi isto o que fiz.
O resultado foi revelador...
Não pelo conteúdo do livro em si, este já era mais ou menos conhecido de antemão. Também não foi pela multitude de documentos digitalizados que fazem parte do livro (cerca de 1/4 ou mais do livro são estes documentos).
O que foi revelador? A reação das pessoas. Sim, isto mesmo. Poderia dizer até: polarização de confirmação para todos os lados. E o melhor: suspeito fortemente que a enorme maioria sequer leu o livro.
Como posso dizer isto? Bem, eu li o livro e vendo o que as pessoas escreveram a respeito, fica claro que a enorme maioria não leu.
Em primeiro lugar, o livro trata essencialmente de lavagem de dinheiro - que não é propriamente lavagem de dinheiro, mas remessas para o exterior em paraísos fiscais. E mais ainda: não há prova de irregularidade nisto. Sequer há prova que o dinheiro enviado tenha alguma coisa a ver com as privatizações.
Em segundo lugar, o livro traz problemas na linha do tempo descrita. José Serra foi ministro do planejamento de 1995 a 1996, sendo que privatização que o livro foca ocorreu pelo menos dois anos após este período, justamente quando ele estava como ministro da saúde. Isto por si só complica a argumentação que Serra teve alguma coisa a ver com isso (e com os demais citados também). O que poderia ser relevante é a informação que Serra montou um grupo de arapongas quando ministro da saúde - só que aí fica a questão que o próprio autor poderia ser incluído na pecha de araponga.
Em terceiro lugar, por todo o livro sente-se a impressão palpável que o livro foi escrito com os objetivos de colocar o autor em uma luz favorável, atacar Serra e outras pessoas. O autor vez por outra esquece da "isenção jornalística" e parte para o ataque direto sem luvas. Certamente que vários dos políticos citados não são santos, e também me arriscaria a dizer que vários tem culpa no cartório. Mas o livro não deixa isso realmente claro e cristalino. Tudo é muito circustancial e pode ser interpretado justamente como apenas uma visão enviesada da questão.
Em suma, se o livro fosse base para montar um caso de polícia, qualquer juiz iria derruba-lo por inconsistência em dois ou três tempos.
Mas como aqui estamos interessados é nas mentiras que as pessoas contam, vou fornecer um pequeno roteiro de perguntas que podem atrapalhar o "papo cabeça" dos que não leram, mas dizem que sim:
- De que Serra é acusado no livro?
- De que Eduardo Jorge é acusado no livro?
- De que FHC é acusado no livro?
- Como o livro prova que a grana da privatização é a grana da lavagem de dinheiro?
- Qual é a relação do autor com orgãos de informação?
Portanto meu conselho é: leiam o livro e tirem suas próprias conclusões. Mais uma vez: ler o livro é fundamental para ter opiniões embasadas
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - VIII
Certamente sabemos quando uma política, ou ação faz efeito, não?
Bem, na realidade temos a tendência a torcer um tanto a realidade para fortalecer o que achamos. Não dá é claro para torcer demais antes de começar a mentir de verdade. Mas dá para torcer o suficiente para suportar uma dúvida razoável.
Exemplo? Lei Seca! Diminuiu o número de acidentes? Aumentou o número de acidentes?
A triste verdade é que não dá para ter certeza nem de um nem de outro. Como pode ser? Bom, os números podem ser suficientes para afirmar que não se pode afirmar.
Antes de chegar nisto temos de saber qual é o tamanho do problema. Se formos olhar pelas blitzes e notícias temos informações conflitantes. Mas pelos números dá para ver que algo entre 5% e 20% dos condutores abordados foi multada (p(dirigindo embriagado | abordado)).
p(dirigindo embriagado) = p(dirigindo embriagado | abordado)*p(abordado) + p(dirigindo embriagado | não abordado)* p(não abordado)
Se a abordagem for puramente aleatória (as chances de ser abordado e não abordado são iguais e dirigir embriagado e ser abordado são independentes - o que na realidade não é, então podemos considerar que p(dirigindo embriagado) é p(dirigindo embriagado | abordado). Dado que a maioria das Blitzes ocorre a noite, eu consideraria que 10% dos motoristas é um compromisso razoável com relação a dimensão do problema.
Muito bem, qual o percentual de acidentes que estes 10% poderiam causar? Teoricamente é muito alto, mas estamos interessados nos acidentes com vítimas.Bem, supondo alguns cenários eu diria que nestes casos extremos o tamanho do estrago teria o teto de 11%. Por que? Bom, de modo simples eu iria pelo número médio de envolvidos em acidentes (em Brasília isto é 1.1) - isto seria o fator multiplicador dos 10%. Então teríamos reduções de média de até cerca de 11% neste modelo.
Muito bem, mas como é que a realidade se comporta?:
Olhando a série histórica dos acidentes fatais temos que antes da lei seca a média anual era de 405 com desvio padrão de 31. Depois da lei seca a média ficou em 410 com desvio de 24.
Não é possível afirmar que houve diferença significativa! Mesmo uma variação de 11% cairia dentro de pouco mais do que um desvio padrão. Seria necessário um número suficientemente grande de amostras para se afirmar que houve uma variação significativa.
Aliás diga-se de passagem: a alteração de 405 para 410 está dentro do desvio padrão anual. Ou seja: não dá para afirmar que aumentou ou diminuiu!
Eu sei que não é esta a informação que gostaríamos. Mas é como as coisas são...
Bem, na realidade temos a tendência a torcer um tanto a realidade para fortalecer o que achamos. Não dá é claro para torcer demais antes de começar a mentir de verdade. Mas dá para torcer o suficiente para suportar uma dúvida razoável.
Exemplo? Lei Seca! Diminuiu o número de acidentes? Aumentou o número de acidentes?
A triste verdade é que não dá para ter certeza nem de um nem de outro. Como pode ser? Bom, os números podem ser suficientes para afirmar que não se pode afirmar.
Antes de chegar nisto temos de saber qual é o tamanho do problema. Se formos olhar pelas blitzes e notícias temos informações conflitantes. Mas pelos números dá para ver que algo entre 5% e 20% dos condutores abordados foi multada (p(dirigindo embriagado | abordado)).
p(dirigindo embriagado) = p(dirigindo embriagado | abordado)*p(abordado) + p(dirigindo embriagado | não abordado)* p(não abordado)
Se a abordagem for puramente aleatória (as chances de ser abordado e não abordado são iguais e dirigir embriagado e ser abordado são independentes - o que na realidade não é, então podemos considerar que p(dirigindo embriagado) é p(dirigindo embriagado | abordado). Dado que a maioria das Blitzes ocorre a noite, eu consideraria que 10% dos motoristas é um compromisso razoável com relação a dimensão do problema.
Muito bem, qual o percentual de acidentes que estes 10% poderiam causar? Teoricamente é muito alto, mas estamos interessados nos acidentes com vítimas.Bem, supondo alguns cenários eu diria que nestes casos extremos o tamanho do estrago teria o teto de 11%. Por que? Bom, de modo simples eu iria pelo número médio de envolvidos em acidentes (em Brasília isto é 1.1) - isto seria o fator multiplicador dos 10%. Então teríamos reduções de média de até cerca de 11% neste modelo.
Muito bem, mas como é que a realidade se comporta?:
Olhando a série histórica dos acidentes fatais temos que antes da lei seca a média anual era de 405 com desvio padrão de 31. Depois da lei seca a média ficou em 410 com desvio de 24.
Não é possível afirmar que houve diferença significativa! Mesmo uma variação de 11% cairia dentro de pouco mais do que um desvio padrão. Seria necessário um número suficientemente grande de amostras para se afirmar que houve uma variação significativa.
Aliás diga-se de passagem: a alteração de 405 para 410 está dentro do desvio padrão anual. Ou seja: não dá para afirmar que aumentou ou diminuiu!
Eu sei que não é esta a informação que gostaríamos. Mas é como as coisas são...
Assinar:
Postagens (Atom)

