Agradeço ao Shami por levantar uma questão que eu tinha esquecido: O que são fasores?
Realmente, eu esqueço de vez em quando que esse negócio de fasor é coisa de engenharia elétrica. E aí, evidentemente que a enorme maioria não estará familiarizado com o conceito.
Bem, mas afinal o que é o fasor? Bem, a explicação mais simples é que é uma forma de representar funções do tipo seno e cosseno de forma integrada. Ou seja, resolve-se o problema para o fasor ao invés do seno e do cosseno.
Na realidade, resolvendo o problema para o fasor já temos tanto a resposta para o seno quanto a resposta para o cosseno.
Para fazer esta mágica temos de resolver o problema utilizando números complexos. Ao usarmos números complexos, a nossa álgebra passa a ser realizada no plano ao invés da reta. Por mais surpreendente que pareça, ao usarmos o plano (complexo) ao invés da reta dos reais o problema fica muito menos complicado.
O nome fasor foi dado pelo seu criador: Charles Proteus Steinmetz. Esta denominação incluía os conceitos de vetor e fase - dois pontos chave no conceito, já que o fasor tinha tanto módulo (ou magnitude) quanto fase (que era representada pelo ângulo no plano complexo).
Este blog tem como propósito sincero esclarecer as notícias e novidades sem confundir.
terça-feira, 29 de abril de 2014
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Room 237
Vi recentemente na TV a cabo o documentário Room 237.
O mesmo trata da análise do filme "O Iluminado" por diversos críticos com as mais variadas teorias sobre o mesmo.
Olha... É uma viagem...
As teorias que são aventadas são no mínimo interessantes: o filme trata do massacre dos índios norte-americanos, do "falso pouso na lua", do holocausto e assim vai...
Muitos dos "significados" são mutuamente exclusivos. E o próprio diretor era um grande fã de interpretações abertas.
O problema é que a maioria delas é totalmente fabricada na cabeça dos proponentes. Não precisa acreditar em mim, leia o que Kubrick disse sobre o filme.
E para clarificar alguns dos pontos levantados no documentário um membro da equipe de Kubrick deixa claro os pontos.
O interessante é que as interpretações são "maquinadas" pelos proponentes que passam a procurar detalhes no filme que suportem a sua teoria. Um pontos é que o número do quarto chave do filme foi alterado de 217 para 237. A razão segundo uma das interpretações? Por causa do "falso pouso" na Lua (vocês tem que ver o documentário para ver a "explicação" desta idéia).
Mas e o que Kubrick disse?
"
Why did the room number switch from 217 in the novel to 237 in the film?
The exterior of the hotel was filmed at the Timberline Lodge, near Mount Hood, in Oregon. It had a room 217 but no room 237, so the hotel management asked me to change the room number because they were afraid their guests might not want to stay in room 217 after seeing the film. There is, however, a genuinely frightening thing about this hotel which nestles high up on the slopes of Mount Hood. Mount Hood, as it happens, is a dormant volcano, but it has quite recently experienced pre-eruption seismic rumbles similar to the ones that a few months earlier preceded the gigantic eruption of Mount St. Helens, less than sixty miles away. If Mount Hood should ever erupt like Mount St. Helens, then the Timberline Hotel may indeed share the fiery fate of the novel's Overlook Hotel.
"
O proponente diz que isso é falso, que Kubrick deliberadamente mentiu....
Então? Qual é o veredito...
Infelizmente, ou felizmente, não há como comprovar nada do que é dito no documentário.
Pois são tudo "interpretações do filme".
Mas se eu tiver que apostar, diria que a maioria delas só existe na cabeça do proponente.
Mas a internet mostra que a explicação é a mesma dada pelo hotel em questão (o das externas).
O mesmo trata da análise do filme "O Iluminado" por diversos críticos com as mais variadas teorias sobre o mesmo.
Olha... É uma viagem...
As teorias que são aventadas são no mínimo interessantes: o filme trata do massacre dos índios norte-americanos, do "falso pouso na lua", do holocausto e assim vai...
Muitos dos "significados" são mutuamente exclusivos. E o próprio diretor era um grande fã de interpretações abertas.
O problema é que a maioria delas é totalmente fabricada na cabeça dos proponentes. Não precisa acreditar em mim, leia o que Kubrick disse sobre o filme.
E para clarificar alguns dos pontos levantados no documentário um membro da equipe de Kubrick deixa claro os pontos.
O interessante é que as interpretações são "maquinadas" pelos proponentes que passam a procurar detalhes no filme que suportem a sua teoria. Um pontos é que o número do quarto chave do filme foi alterado de 217 para 237. A razão segundo uma das interpretações? Por causa do "falso pouso" na Lua (vocês tem que ver o documentário para ver a "explicação" desta idéia).
Mas e o que Kubrick disse?
"
Why did the room number switch from 217 in the novel to 237 in the film?
The exterior of the hotel was filmed at the Timberline Lodge, near Mount Hood, in Oregon. It had a room 217 but no room 237, so the hotel management asked me to change the room number because they were afraid their guests might not want to stay in room 217 after seeing the film. There is, however, a genuinely frightening thing about this hotel which nestles high up on the slopes of Mount Hood. Mount Hood, as it happens, is a dormant volcano, but it has quite recently experienced pre-eruption seismic rumbles similar to the ones that a few months earlier preceded the gigantic eruption of Mount St. Helens, less than sixty miles away. If Mount Hood should ever erupt like Mount St. Helens, then the Timberline Hotel may indeed share the fiery fate of the novel's Overlook Hotel.
"
O proponente diz que isso é falso, que Kubrick deliberadamente mentiu....
Então? Qual é o veredito...
Infelizmente, ou felizmente, não há como comprovar nada do que é dito no documentário.
Pois são tudo "interpretações do filme".
Mas se eu tiver que apostar, diria que a maioria delas só existe na cabeça do proponente.
Mas a internet mostra que a explicação é a mesma dada pelo hotel em questão (o das externas).
sábado, 19 de abril de 2014
Agora com a Inflação de março
Com os dados do IPCA de março, posso fazer algumas estimativas para inflação de 2014.
Como já havia mencionado em outro post, janeiro tinha 50% de ter inflação de 0.34% e 50% de 0.73% (ou 60% de 0.37% e 40% de 0.77%). O resultado oficial ficou em 0.92%.
Com os dados de março, a inflação estimada fica em 5.96%. Vamos as probabilidades:
97% de estar entre 4.5% e 7.0%
99% de chance da inflação ficar abaixo de 7.4%
50% de chance da inflação ficar abaixo de 5.8%
Já a inflação de abril tem 50% de ficar em 0.25% e 50% de ficar em 0.64% , Ou 60% de ficar em 0.29% e 40% de ficar em 0.69%. Algo na vizinhança de 0.45%.
Como já havia mencionado em outro post, janeiro tinha 50% de ter inflação de 0.34% e 50% de 0.73% (ou 60% de 0.37% e 40% de 0.77%). O resultado oficial ficou em 0.92%.
Com os dados de março, a inflação estimada fica em 5.96%. Vamos as probabilidades:
97% de estar entre 4.5% e 7.0%
99% de chance da inflação ficar abaixo de 7.4%
50% de chance da inflação ficar abaixo de 5.8%
Já a inflação de abril tem 50% de ficar em 0.25% e 50% de ficar em 0.64% , Ou 60% de ficar em 0.29% e 40% de ficar em 0.69%. Algo na vizinhança de 0.45%.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Atrasado nos Posts
Peço desculpas aos leitores pelo atraso nos posts. Eu pretendia fazer um post sobre a previsão de inflação na última semana, mas acabei não tendo tempo.
Então vou falar sobre outro assunto: burocracia.
Quando se fala de burocracia, a maioria das pessoas pensa "Xi... Burocracia é coisa chata e inútil!"
Bem, pode até ser chata, mas está longe de ser inútil. Na realidade quando dizem "Burocracia é coisa chata e inútil" deveriam dizer "Burocracia em excesso é coisa chata e inútil". Há diferenças...
E nós aqui na terrinha não sabemos (ou esquecemos) que elas existem.
Para colocar o assunto em perspectiva vou colocar aqui duas Leis de Parkinson
- Trabalho se expande até ocupar todo tempo para sua finalização - serve para descrever como as burocracias incham sem limitações. Tem até como resultado lógico o modelo de maximação do orçamento: a repartição irá tentar maximizar seu orçamento (poder e influência) e com isso irá reduzir sua eficiência social. O modelo de contraste é o de agências. Deixo bem claro: os dois tem problemas. E no nosso caso, os dois tem problemas...
- Organizações dão destaque desproporcional a problemas triviais - qualquer um que tiver participado de reuniões em colegiados deve identificar este problema facilmente. A verdade é que se dança em cima de detalhes para "marcar isso como trabalho". No limite é a famosa piada da reunião de alto nível para determinar qual a cor das latas de lixo que seriam compradas...
Todos esses problemas parecem ser bem brasileiros - mas na realidade são típicos de estruturas burocráticas. Aliás quanto maiores as estruturas, mas claros estes problemas se tornam.
O que leva a crer que nosso país é uma gigantesca estrutura burocrática - de cima até abaixo.
Nesse ponto creio que vale a pena pincelar minha opinião pessoal aqui: em 1808 quando D. João VI se estabeleceu no Brasil com sua corte, nós eramos um país colônia muito na sua. Mas com a chegada das cortes, tivemos uma revolução nos costumes - talvez para pior. De repente deveriamos nos tornar mais sofisticados e sabedores dos rapapés e procedimentos de uma corte real.
Creio que isso trouxe uma esquizofrenia para nossa sociedade: ao mesmo tempo um sentimento de inferioridade e uma necessidade de ser servido.
Mas isso fica para um outro post....
Então vou falar sobre outro assunto: burocracia.
Quando se fala de burocracia, a maioria das pessoas pensa "Xi... Burocracia é coisa chata e inútil!"
Bem, pode até ser chata, mas está longe de ser inútil. Na realidade quando dizem "Burocracia é coisa chata e inútil" deveriam dizer "Burocracia em excesso é coisa chata e inútil". Há diferenças...
E nós aqui na terrinha não sabemos (ou esquecemos) que elas existem.
Para colocar o assunto em perspectiva vou colocar aqui duas Leis de Parkinson
- Trabalho se expande até ocupar todo tempo para sua finalização - serve para descrever como as burocracias incham sem limitações. Tem até como resultado lógico o modelo de maximação do orçamento: a repartição irá tentar maximizar seu orçamento (poder e influência) e com isso irá reduzir sua eficiência social. O modelo de contraste é o de agências. Deixo bem claro: os dois tem problemas. E no nosso caso, os dois tem problemas...
- Organizações dão destaque desproporcional a problemas triviais - qualquer um que tiver participado de reuniões em colegiados deve identificar este problema facilmente. A verdade é que se dança em cima de detalhes para "marcar isso como trabalho". No limite é a famosa piada da reunião de alto nível para determinar qual a cor das latas de lixo que seriam compradas...
Todos esses problemas parecem ser bem brasileiros - mas na realidade são típicos de estruturas burocráticas. Aliás quanto maiores as estruturas, mas claros estes problemas se tornam.
O que leva a crer que nosso país é uma gigantesca estrutura burocrática - de cima até abaixo.
Nesse ponto creio que vale a pena pincelar minha opinião pessoal aqui: em 1808 quando D. João VI se estabeleceu no Brasil com sua corte, nós eramos um país colônia muito na sua. Mas com a chegada das cortes, tivemos uma revolução nos costumes - talvez para pior. De repente deveriamos nos tornar mais sofisticados e sabedores dos rapapés e procedimentos de uma corte real.
Creio que isso trouxe uma esquizofrenia para nossa sociedade: ao mesmo tempo um sentimento de inferioridade e uma necessidade de ser servido.
Mas isso fica para um outro post....
terça-feira, 8 de abril de 2014
Fourier Visualização
Recomendação de Visualização: Série de Fourier. Temos também esse aqui.
Que é como os fasores em diferentes frequências se somam para fazer uma onda quadrada.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
O IPEA errou! E viva ao IPEA
Bem, o título pode parecer irônico. Mas não é...
O fato que o IPEA errou, mas o fato de ter admitido me dá esperança. Pode ser que a admissão veio para evitar críticas maiores, mas ainda assim a admissão indica uma preocupação com a qualidade dos dados.
Claro que o erro altera por completo a percepção do resultado da pesquisa, ao contrário do que os autores da errata relatam (há um notável silêncio da parte do pessoal que saiu jogando pedra na sociedade brasileira - e isso é bem menos louvável do que a atitude do IPEA de admitir o erro).
Mas o melhor de tudo é que o IPEA liberou os microdados! Isso sim é muito louvável! Eu vou me debruçar sobre os dados e depois trago minhas análises. Quem estiver curioso aqui tem um resumo do próprio IPEA!
Ah, os leitores talvez se lembrem que eu falei que eram 27 afirmações, mas o estudo só publicou a resposta a 25. Sabem qual eram as outras afirmações?
O fato que o IPEA errou, mas o fato de ter admitido me dá esperança. Pode ser que a admissão veio para evitar críticas maiores, mas ainda assim a admissão indica uma preocupação com a qualidade dos dados.
Claro que o erro altera por completo a percepção do resultado da pesquisa, ao contrário do que os autores da errata relatam (há um notável silêncio da parte do pessoal que saiu jogando pedra na sociedade brasileira - e isso é bem menos louvável do que a atitude do IPEA de admitir o erro).
Mas o melhor de tudo é que o IPEA liberou os microdados! Isso sim é muito louvável! Eu vou me debruçar sobre os dados e depois trago minhas análises. Quem estiver curioso aqui tem um resumo do próprio IPEA!
Ah, os leitores talvez se lembrem que eu falei que eram 27 afirmações, mas o estudo só publicou a resposta a 25. Sabem qual eram as outras afirmações?
- as mulatas são mais fogosas do que as mulheres brancas
- piada de preto é só brincadeira, não é racismo
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Não leram a pesquisa, mas a manchete do jornal!
Pesquisa do IPEA revela: sociedade brasileira é uma merda! (Normalmente evito escrever este tipo de interjeição - mas hoje abri uma exceção)
Bem, a manchete é bombástica. E não se trata exatamente disso. Este post trata da pesquisa do IPEA divulgada amplamente por aí.
Meu interesse são os dados da pesquisa original. As pessoas foram perguntadas se concordavam com certas frases ou não. As frases são:
Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser estupradas.
E, aqui mora o busílis: eu suspeito que se a afirmação fosse "merecem ser estupradas" ao invés de "merecem ser atacadas", então a resposta da pesquisa seria muito diferente. Naturalmente o estupro é uma uma forma de ataque, mas nem todo ataque é estupro. Então eu suspeito que temos um caso de substituição aí (pro causa da possível ambiguidade da pergunta), mas é preciso ter certeza que este é o caso. Para tanto vamos ver como é que os brasileiro responderam em cada questão. Para simplificar vou postar somente o concorda/concorda parcialmente com a afirmação.
Logistic regression Number of obs = 3810
LR chi2(4) = 209.14
Prob > chi2 = 0.0000
Log likelihood = -2079.1928 Pseudo R2 = 0.0479
------------------------------------------------------------------------------
depq15 | Odds Ratio Std. Err. z P>|z| [99% Conf. Interval]
-------------+----------------------------------------------------------------
sse | .419368 .0319289 -11.41 0.000 .3446867 .5102302
jovem | .6887316 .0619444 -4.15 0.000 .5463076 .8682859
edumedia | .67498 .0588612 -4.51 0.000 .5391854 .8449747
edusuper | .3421983 .0754895 -4.86 0.000 .1938643 .604029
_cons | .7112971 .0430464 -5.63 0.000 .6086271 .8312866
------------------------------------------------------------------------------
Correctly classified 73.99%
Só dá para fazer a análise mesmo do grupo geográfico
Bem, a manchete é bombástica. E não se trata exatamente disso. Este post trata da pesquisa do IPEA divulgada amplamente por aí.
Meu interesse são os dados da pesquisa original. As pessoas foram perguntadas se concordavam com certas frases ou não. As frases são:
- Os homens devem ser a cabeça do lar
- Toda mulher sonha em se casar
- Uma mulher só se sente realizada quando tem filhos
- Casais de pessoas do mesmo sexo devem ter os mesmos direitos dos outros casais
- Casamento de homem com homem ou de mulher com mulher deve ser proibido
- Um casal de dois homens vive um amor tão bonito quanto entre um homem e uma mulher
- Incomoda ver dois homens, ou duas mulheres, se beijando na boca em público
- A mulher casada deve satisfazer o marido na cama, mesmo quando não tem vontade
- Tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama
- A questão da violência contra as mulheres recebe mais importância do que merece
- O que acontece com o casal em casa não interessa aos outros
- Em briga de marido e mulher, não se mete a colher
- A roupa suja deve ser lavada em casa
- Casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família.
- Quando há violência, os casais devem se separar
- Homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia
- A mulher que apanha em casa deve ficar quieta para não prejudicar os filhos.
- É violência falar mentiras sobre uma mulher para os outros.
- Um homem pode xingar e gritar com sua própria mulher.
- Dá para entender que um homem que cresceu em uma família violenta agrida sua mulher
- Dá para entender que um homem rasgue ou quebre as coisas da mulher se ficou nervoso
- É da natureza do homem ser violento
- Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar
- Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas
- Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros
Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser estupradas.
E, aqui mora o busílis: eu suspeito que se a afirmação fosse "merecem ser estupradas" ao invés de "merecem ser atacadas", então a resposta da pesquisa seria muito diferente. Naturalmente o estupro é uma uma forma de ataque, mas nem todo ataque é estupro. Então eu suspeito que temos um caso de substituição aí (pro causa da possível ambiguidade da pergunta), mas é preciso ter certeza que este é o caso. Para tanto vamos ver como é que os brasileiro responderam em cada questão. Para simplificar vou postar somente o concorda/concorda parcialmente com a afirmação.
- Os homens devem ser a cabeça do lar - 63.8% concorda,
- Toda mulher sonha em se casar - 77.8% concorda
- Uma mulher só se sente realizada quando tem filhos - 59.5% concorda
- Casais de pessoas do mesmo sexo devem ter os mesmos direitos dos outros casais - 50.1% concorda
- Casamento de homem com homem ou de mulher com mulher deve ser proibido - 51.7% concorda
- Um casal de dois homens vive um amor tão bonito quanto entre um homem e uma mulher - 41.1% concorda
- Incomoda ver dois homens, ou duas mulheres, se beijando na boca em público - 59.2% concorda
- A mulher casada deve satisfazer o marido na cama, mesmo quando não tem vontade - 27.2% concorda
- Tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama -54.9% concorda
- A questão da violência contra as mulheres recebe mais importância do que merece - 22.4% concorda
- O que acontece com o casal em casa não interessa aos outros - 81.9% concorda
- Em briga de marido e mulher, não se mete a colher - 78.7% concorda
- A roupa suja deve ser lavada em casa - 87% concorda
- Casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família - 63% concorda
- Quando há violência, os casais devem se separar- 85% concorda
- Homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia - 91.4% concorda
- A mulher que apanha em casa deve ficar quieta para não prejudicar os filhos. - 15.5% concorda
- É violência falar mentiras sobre uma mulher para os outros - 68.1% concorda
- Um homem pode xingar e gritar com sua própria mulher - 89.2% concorda
- Dá para entender que um homem que cresceu em uma família violenta agrida sua mulher
- Dá para entender que um homem rasgue ou quebre as coisas da mulher se ficou nervoso - 23.9% concorda
- É da natureza do homem ser violento - 21.5% concorda
- Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar - 26% concorda
- Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas - 65.1% concorda
- Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros - 58.5% concorda
"O questionário foi composto de uma parte inicial de caracterização socioeconômica dos respondentes, alguns módulos fixos do SIPS (perguntas da iniciativa My World e sobre satisfação com a vida) e de uma seção específica composta por 27 frases relacionadas à tolerância à violência contra mulher, das quais 25 foram analisadas neste documento. Essas frases foram lidas para os entrevistados, que em seguida deveriam dizer se concordavam total ou parcialmente, ou se discordavam total ou parcialmente, ou se nem concordavam nem discordavam (neutralidade)."
Então, das 27 frases lidas, o documento apresentou 25 frases. As frases que não estão aqui podem ou não ser relevantes. Mas isso não é tão importante assim.
Ao entramos nas notas técnicas o primeiro ponto importante é o uso da regressão logística. E aí olha só o que nós temos:
Os homens devem ser a cabeça do lar - 63.8% concorda
O modelo de regressão logística é um modelo de classificação probabilística que usa uma curva já bastante mencionada neste blog. Eu não conheço muito bem, mas parece utilizar a famosa curva logística como modelo de cdf. Vamos ao que foi colocado no relatório:
- Discorda totalmente: 24.8%
- Discorda parcialmente: 8.5%
- Neutro 2.7%
- Concorda parcialmente 22.9%
- Concorda totalmente 40.9%
Pelo que pude averiguar, este resultado é o global. Infelizmente não consegui obter exatamente estes dados das respostas colocadas no relatório. Mas há informações interessantes.:
Logistic regression Number of obs = 3810
LR chi2(8) = 275.76
Prob > chi2 = 0.0000
Log likelihood = -2357.5647 Pseudo R2 = 0.0553
------------------------------------------------------------------------------
depq18 | Odds Ratio Std. Err. z P>|z| [99% Conf. Interval]
-------------+----------------------------------------------------------------
sse | .6156194 .0445374 -6.71 0.000 .5109536 .7417254
idoso | 1.694951 .1756411 5.09 0.000 1.297878 2.213504
fem | .5824232 .0447548 -7.03 0.000 .4778345 .7099043
cato | 1.395442 .1632311 2.85 0.004 1.032419 1.886112
evan | 2.126829 .2793695 5.74 0.000 1.516317 2.983151
edufunda | .680706 .0656162 -3.99 0.000 .5310389 .8725552
edumedia | .5733209 .0501974 -6.35 0.000 .4575644 .7183619
edusuper | .3172155 .0495986 -7.34 0.000 .2120526 .4745317
_cons | 2.879624 .4109589 7.41 0.000 1.993827 4.158953
------------------------------------------------------------------------------
Correctly classified 65.93%
Pesquisando um pouco vejo que este tipo de saída é a do software stata. Eu até procurei saber mais sobre o software e regressão logística. Mais ainda eu vejo esta informação adicional:
"Além disso, buscou-se modelar, para cada uma das sentenças, a variação da concordância em função de características objetivas dos indivíduos entrevistados. Para tanto, foram elaborados modelos logit clássicos, cuja variável dependente dividia os entrevistados em dois grupos, com os que concordaram total e parcialmente codificados como um, e, os demais como zero. Foram considerados, inicialmente sete grupos de características: região de residência, sexo, cor ou raça, idade, religião, escolaridade e renda."
Isto quer dizer:
- Concorda total ou parcialmente = 1
- Discorda total ou parcialmente =0
As características da população entrevistada (3810 pessoas) são estas:
A) Residentes no Sul ou Sudeste (sse): 56,7%
B) Residentes em áreas metropolitanas (metro): 29,1%
C) Pessoas jovens, 16 a 29 anos (jovem): 28,5%
D) Pessoas adultas, 30 a 59 anos: 52,4%
E) Pessoas idosas, 60 ou mais anos (idoso): 19,1%
F) Mulheres (fem): 66,5%
G) Brancos (branco): 38,7%
H) Católicos (cato): 65,7%
I) Evangélicos (evan): 24,7%
J) Demais religiões, ateus e sem religião: 9,6%
K) Menos que o ensino fundamental: 41,5%
L) Ensino fundamental (edufunda): 22,3%
M) Ensino médio (edumedia): 30,8%
N) Ensino superior (edusuper): 5,4%
O) Renda domiciliar per capita média: R$ 531,26
Note que segundo estas informações podemos afirmar, baseado na tabela que
O texto de análise neste tópico diz:
"Em relação a pessoas que não são católicas ou evangélicas, os primeiros têm chance 1,4 vez maior de tender a concordar e os últimos, 2,1 vezes maior. A chance de os homens concordarem total ou parcialmente é 1,7 vez maior do que a das mulheres. E quanto mais elevada é a escolaridade, menor é a tendência a concordar."
Isto quer dizer cato=1.4, evan=2.1, fem=1/1.7 =.5882352941. A tabela mostra: cato= 1.395442, evan=2.126829 e fem=.5824232. O grupo de odds ratio maior que 1 tende a concordar mais com a sentença. Eu imagino que os grupos omitidos na lista provavelmente tem a mesma igual a 1 (não dá para ter certeza se metade concorda e metade discorda - possivelmente o intervalo de confiança continha o 1).
Muito bem, isso quer dizer que odds ratio permite saber o incremento ou decremento de acordo com a variável. No caso da variável mulheres (fem):
OR=(p_mulheres_concorda/p_mulheres_discorda)/(p_não_mulheres concorda/p_não_mulheres_discorda) =(p_mulheres_concorda/p_mulheres_discorda)/(p_homens_concorda/p_homens_discorda)
p_mulheres_concorda/p_mulheres_discorda=0.58*p_homens_concorda/p_homens_discorda
p_mulheres_concorda*66.5+p_homens_concorda*33.5=0.657
p_mulheres_discorda*66.5+p_homens_discorda*33.5=24.8+8.5=0.343
p_mulheres_concorda+p_mulheres_discorda=1
Isso dá um conjunto de 4 equações e 4 icógnitas.
Logo: p_homens_concorda=.7356546325 e p_mulheres_concorda=.6174590692
O que isso significa?
Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas - 65.1% concordaMuito bem, isso quer dizer que odds ratio permite saber o incremento ou decremento de acordo com a variável. No caso da variável mulheres (fem):
OR=(p_mulheres_concorda/p_mulheres_discorda)/(p_não_mulheres concorda/p_não_mulheres_discorda) =(p_mulheres_concorda/p_mulheres_discorda)/(p_homens_concorda/p_homens_discorda)
p_mulheres_concorda/p_mulheres_discorda=0.58*p_homens_concorda/p_homens_discorda
p_mulheres_concorda*66.5+p_homens_concorda*33.5=0.657
p_mulheres_discorda*66.5+p_homens_discorda*33.5=24.8+8.5=0.343
p_mulheres_concorda+p_mulheres_discorda=1
Isso dá um conjunto de 4 equações e 4 icógnitas.
Logo: p_homens_concorda=.7356546325 e p_mulheres_concorda=.6174590692
O que isso significa?
- 73.6% dos homens concorda com a afirmativa e 26.4% discorda da alternativa
- 61.7% das mulheres concorda com a afirmativa e 38.3% discorda da alternativa
Logistic regression Number of obs = 3810
LR chi2(4) = 209.14
Prob > chi2 = 0.0000
Log likelihood = -2079.1928 Pseudo R2 = 0.0479
------------------------------------------------------------------------------
depq15 | Odds Ratio Std. Err. z P>|z| [99% Conf. Interval]
-------------+----------------------------------------------------------------
sse | .419368 .0319289 -11.41 0.000 .3446867 .5102302
jovem | .6887316 .0619444 -4.15 0.000 .5463076 .8682859
edumedia | .67498 .0588612 -4.51 0.000 .5391854 .8449747
edusuper | .3421983 .0754895 -4.86 0.000 .1938643 .604029
_cons | .7112971 .0430464 -5.63 0.000 .6086271 .8312866
------------------------------------------------------------------------------
Correctly classified 73.99%
Só dá para fazer a análise mesmo do grupo geográfico
p_sul_sudeste_concorda/p__sul_sudeste_discorda=.419368*p_não_sul_sudeste_concorda/p_não_sul_sudeste_discorda
p_sul_sudeste_concorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.67
p_sul_sudeste_discorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.33
Ou seja: p_sul_sudeste_concorda=.5903358167 e p_não_sul_sudeste_concorda=.7743177643
Isso é interessante: a maior parte da concordância das respostas veio do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O que isso significa?
p_sul_sudeste_concorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.67
p_sul_sudeste_discorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.33
p_sul_sudeste_concorda+p_sul_sudeste_discorda=1
Ou seja: p_sul_sudeste_concorda=.5903358167 e p_não_sul_sudeste_concorda=.7743177643
Isso é interessante: a maior parte da concordância das respostas veio do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O que isso significa?
- 59% dos entrevistados provenientes do sul-sudeste concorda com a alternativa e 41% discorda.
- 77.4% dos entrevistados provenientes do restante do Brasil concorda com a alternativa e 22.6% discorda da alternativa.
Logistic regression Number of obs = 3810
LR chi2(7) = 160.91
Prob > chi2 = 0.0000
Log likelihood = -2505.0631 Pseudo R2 = 0.0311
------------------------------------------------------------------------------
depq21 | Odds Ratio Std. Err. z P>|z| [99% Conf. Interval]
-------------+----------------------------------------------------------------
sse | .5735135 .039498 -8.07 0.000 .4802869 .684836
jovem | .7965794 .0619156 -2.93 0.003 .6520465 .9731495
cato | 1.403487 .1612127 2.95 0.003 1.044027 1.88671
evan | 1.5347 .1943147 3.38 0.001 1.107604 2.126487
edufunda | .7706809 .0704765 -2.85 0.004 .6089417 .9753792
edumedia | .7431292 .0617396 -3.57 0.000 .5999635 .9204578
edusuper | .3688188 .0570729 -6.45 0.000 .2475738 .5494414
_cons | 1.843867 .2308136 4.89 0.000 1.335659 2.545444
------------------------------------------------------------------------------
Correctly classified 61.18%
p_sul_sudeste_concorda/p__sul_sudeste_discorda=.57*p_não_sul_sudeste_concorda/p_não_sul_sudeste_discorda
p_sul_sudeste_concorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.61
p_sul_sudeste_discorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.39
Ou seja: p_sul_sudeste_concorda=.5530255880 e p_não_sul_sudeste_concorda=.6846062162
Como o caso anterior, a maior parte da concordância veio do Nordeste, Centro-Oeste e Norte. O que isso significa?
Mas já podemos tirar algumas conclusões
O questionário tem problemas sérios:
As pessoas não lêem! Creio que algo na vizinhança de 99+% emitiu opinião sobre o resultado da pesquisa do IPEA sem ler uma linha da mesma. Pior ainda: suspeito que há um percentual que só leu a manchete e a partir daí começou a emitir opinião.
Post Scriptum
O IPEA errou na pesquisa. Na realidade a conta é a seguinte:
p_sul_sudeste_concorda/p__sul_sudeste_discorda=.57*p_não_sul_sudeste_concorda/p_não_sul_sudeste_discorda
p_sul_sudeste_concorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.61
p_sul_sudeste_discorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.39
p_sul_sudeste_concorda+p_sul_sudeste_discorda=1
Ou seja: p_sul_sudeste_concorda=.5530255880 e p_não_sul_sudeste_concorda=.6846062162
Como o caso anterior, a maior parte da concordância veio do Nordeste, Centro-Oeste e Norte. O que isso significa?
- 55.3% dos entrevistados provenientes do sul-sudeste concorda com a alternativa e 45% discorda.
- 68.4% dos entrevistados provenientes do restante do Brasil concorda com a alternativa e 31.6% discorda da alternativa.
Mas já podemos tirar algumas conclusões
O questionário tem problemas sérios:
- A escolha de ditados populares foi equivocada (Briga de marido e mulher e Roupa Suja). Não é a toa que a enorme maioria concordou (essencialmente 3 de cada 4 pessoas). E concordavam mesmo quando o ditado contrariava opiniões de outras perguntas.
- A escolha de "devem ser atacadas" cria ambiguidade. Se eu acreditasse em teoria de conspiração, iria falar que a ambiguidade foi de propósito.
- As notas técnicas não tem informações suficientes, mas estão longe de estarem incompletas. Fica realmente difícil avaliar com imparcialidade
As pessoas não lêem! Creio que algo na vizinhança de 99+% emitiu opinião sobre o resultado da pesquisa do IPEA sem ler uma linha da mesma. Pior ainda: suspeito que há um percentual que só leu a manchete e a partir daí começou a emitir opinião.
Post Scriptum
O IPEA errou na pesquisa. Na realidade a conta é a seguinte:
Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas
Vamos ao que foi colocado no relatório:
- Discorda totalmente: 58.4%
- Discorda parcialmente: 11.6%
- Neutro 3.4%
- Concorda parcialmente 12.8%
- Concorda totalmente 13.2%
Isso dá 26% concorda. Comparando com o resultado de antes
- Discorda totalmente: 24%
- Discorda parcialmente: 8.4%
- Neutro 1.9%
- Concorda parcialmente 22.4%
- Concorda totalmente 42.7%
Ou seja: o resultado é o oposto do que foi divulgado. O interessante é que o resultado anterior fica:
p_sul_sudeste_concorda/p__sul_sudeste_discorda=.419368*p_não_sul_sudeste_concorda/p_não_sul_sudeste_discorda
p_sul_sudeste_concorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.27
p_sul_sudeste_discorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.73
Ou seja: p_sul_sudeste_concorda=.1964360483 e p_não_sul_sudeste_concorda=.3682542585
Isso é interessante: a maior parte da concordância das respostas veio do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O que isso significa?
p_sul_sudeste_concorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.27
p_sul_sudeste_discorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.73
p_sul_sudeste_concorda+p_sul_sudeste_discorda=1
Ou seja: p_sul_sudeste_concorda=.1964360483 e p_não_sul_sudeste_concorda=.3682542585
Isso é interessante: a maior parte da concordância das respostas veio do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O que isso significa?
- 19.6% dos entrevistados provenientes do sul-sudeste concorda com a alternativa e 80.4% discorda.
- 33.7% dos entrevistados provenientes do restante do Brasil concorda com a alternativa e 66.3% discorda da alternativa.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
50 anos do Golpe Militar
Esta semana foi marcada pelo aniversário de 50 anos do golpe militar de 1964. Felizmente, a maioria das manifestações é de repúdio pela ditadura que se instalou por 20 anos do Brasil começando naquela data.
Mas este post não é para relembrar isto.
Este post é para mostrar um truque para descobrir o apoio a democracia ou não.
O truque é o seguinte: Pergunte a quem repudia o golpe de 1964 qual é a opinião do mesmo sobre a ditadura cubana. Se a pessoa tergiversar, então...
Quem condena o golpe de 1964, mas apoia a ditadura cubana não é democrata. Apenas hipócrita: apoia somente as "ditaduras do bem" (fico imaginando o tipo de pessoa que tem a Coréia do Norte como exemplo de "ditadura do bem").
Para esse pessoal "democracia é quando eu mando, e ditadura é quando você manda em mim". Nem mais, nem menos...
Mas este post não é para relembrar isto.
Este post é para mostrar um truque para descobrir o apoio a democracia ou não.
O truque é o seguinte: Pergunte a quem repudia o golpe de 1964 qual é a opinião do mesmo sobre a ditadura cubana. Se a pessoa tergiversar, então...
Quem condena o golpe de 1964, mas apoia a ditadura cubana não é democrata. Apenas hipócrita: apoia somente as "ditaduras do bem" (fico imaginando o tipo de pessoa que tem a Coréia do Norte como exemplo de "ditadura do bem").
Para esse pessoal "democracia é quando eu mando, e ditadura é quando você manda em mim". Nem mais, nem menos...
segunda-feira, 31 de março de 2014
No Espaço não há som... Mas...
Existem formas de captar vibrações no espaço - não é som como conhecemos, mas não deixa de ser interessante. Agucei a curiosidade, caros leitores? Então aqui vai um clipe.
sexta-feira, 28 de março de 2014
Colocando dinheiro aonde a boca está
O título deste post é uma variante da frase em inglês Put Your Money where your Mouth is.
E este é o ponto aonde falham miseravelmente todos os "ativistas" da internet.
Diz que é um complô contra a Petrobrás?: Ótimo! Compre ações da mesma, assim você estará auxiliando a Petrobrás a vencer os momentos difíceis, mostrando aos críticos que acredita realmente naquilo que você fala, e de quebra ainda saí com um dinheiro - pois certamente a empresa irá se valorizar depois que perceberem que houve sub-avaliação.
Não quer fazer isto? Então, francamente....
Em tempo: em 2009 eu acreditei na Petrobrás e comprei R$ 5.000,00 de do fundo de ações da Petrobrás no Banco do Brasil - dinheiro suado! Sabe quanto é o valor hoje desta aplicação? R$ 1.738,10. Praticamente 1/3 do valor original.
Mas podia ser pior... Imagine se eu tivesse FGTS aplicado em ações da Petrobrás?
Então, quem quiser defender a evolução da Petrobrás na minha frente terá de colocar dinheiro aonde a boca está, ou seja: só vai merecer alguma atenção se comprar ações da Petrobrás.
De nada vale se já as tiver, e de nada vale se a compra for meramente simbólica (valores simbólicos).
Depois que tiver comprado os papéis, então só aí vai merecer um pouco de credibilidade...
Na minha opinião deveríamos fazer isto com todos os debates: que discute tem que demonstrar que realmente crê naquilo - e crê o suficiente para colocar em jogo algo de valor.
Suspeito que aí a enorme maioria dos "ativistas" iria preferir ficar quieto.
PS: Eu estou usando agora a palavra "ativistas" de modo um tanto quanto ruim. A razão é que estou gradativamente ficando sem paciência com gente que sempre teve tudo e age como revoltado.
E este é o ponto aonde falham miseravelmente todos os "ativistas" da internet.
Diz que é um complô contra a Petrobrás?: Ótimo! Compre ações da mesma, assim você estará auxiliando a Petrobrás a vencer os momentos difíceis, mostrando aos críticos que acredita realmente naquilo que você fala, e de quebra ainda saí com um dinheiro - pois certamente a empresa irá se valorizar depois que perceberem que houve sub-avaliação.
Não quer fazer isto? Então, francamente....
Em tempo: em 2009 eu acreditei na Petrobrás e comprei R$ 5.000,00 de do fundo de ações da Petrobrás no Banco do Brasil - dinheiro suado! Sabe quanto é o valor hoje desta aplicação? R$ 1.738,10. Praticamente 1/3 do valor original.
Mas podia ser pior... Imagine se eu tivesse FGTS aplicado em ações da Petrobrás?
Então, quem quiser defender a evolução da Petrobrás na minha frente terá de colocar dinheiro aonde a boca está, ou seja: só vai merecer alguma atenção se comprar ações da Petrobrás.
De nada vale se já as tiver, e de nada vale se a compra for meramente simbólica (valores simbólicos).
Depois que tiver comprado os papéis, então só aí vai merecer um pouco de credibilidade...
Na minha opinião deveríamos fazer isto com todos os debates: que discute tem que demonstrar que realmente crê naquilo - e crê o suficiente para colocar em jogo algo de valor.
Suspeito que aí a enorme maioria dos "ativistas" iria preferir ficar quieto.
PS: Eu estou usando agora a palavra "ativistas" de modo um tanto quanto ruim. A razão é que estou gradativamente ficando sem paciência com gente que sempre teve tudo e age como revoltado.
quinta-feira, 27 de março de 2014
Torcendo o Pepino, e a Verdade também
Saiu recentemente uma pesquisa sobre população carcerária.
Foram analisados os perfis de 751 presos de dez unidades de
Vamos aos fatos?
E aqui há algumas informações importantes. A primeira delas é sobre o tamanho da amostra. Com 751 amostras e percentagem de 50%, o intervalo de confiança é de 3.57% (com 99% é de 4.7%). Então todos os dados na pesquisa tem mais ou menos 3.6% de margem de erro neles.
A segunda coisa é que se 25% dos detentos tinha fugido de casa e 35.5% destes tomaram esta atitude devido a violência familiar, isto constitui cerca de 8.875% do total - ou 66 detentos.
O terceiro e mais interessantes é quanto a natureza do roubo: 66% dos crimes relacionados à drogas foi cometido por 5% da população. Quer dizer:
p(mulher | crime relativo a drogas) = 0.66
p(homem | crime relativo a drogas) = 0.34
p(homem)=0.95
p(mulher)=0.05
Rearranjando:
p(crime relativo a drogas | mulher)=(0.66 *0.95)/(0.05*0.34)*p(crime relativo a drogas | homem)
ou seja:
p(crime relativo a drogas | mulher)=37*p(crime relativo a drogas | homem)
O que quer dizer que a razão de que o tráfico de drogas é razão de encarceramento 37 vezes mais provável para mulheres do que para homens.
Foram analisados os perfis de 751 presos de dez unidades de
Vamos aos fatos?
- Aproximadamente 50% era reincidente
- Aproximadamente 25% tinha fugido de casa antes de completar 15 anos, sendo que 35.5% destes tomaram esta atitude devido à violência familiar
- 40% dos detentos foi preso por roubo
- 30% dos detentos foi preso por porte ou tráfico (66% dos crimes foi cometido por mulheres)
- 16% dos detentos foi preso por crimes sexuais
- 11% dos detentos foi preso por homicídio
- 95% dos detentos é homem
- 70% dos detentos tem filhos
- 30% dos detentos não trabalhavam antes de serem presos
- 84% dos detentos não conseguiu concluir o ensino médio.
E aqui há algumas informações importantes. A primeira delas é sobre o tamanho da amostra. Com 751 amostras e percentagem de 50%, o intervalo de confiança é de 3.57% (com 99% é de 4.7%). Então todos os dados na pesquisa tem mais ou menos 3.6% de margem de erro neles.
A segunda coisa é que se 25% dos detentos tinha fugido de casa e 35.5% destes tomaram esta atitude devido a violência familiar, isto constitui cerca de 8.875% do total - ou 66 detentos.
O terceiro e mais interessantes é quanto a natureza do roubo: 66% dos crimes relacionados à drogas foi cometido por 5% da população. Quer dizer:
p(mulher | crime relativo a drogas) = 0.66
p(homem | crime relativo a drogas) = 0.34
p(homem)=0.95
p(mulher)=0.05
Rearranjando:
p(crime relativo a drogas | mulher)=(0.66 *0.95)/(0.05*0.34)*p(crime relativo a drogas | homem)
ou seja:
p(crime relativo a drogas | mulher)=37*p(crime relativo a drogas | homem)
O que quer dizer que a razão de que o tráfico de drogas é razão de encarceramento 37 vezes mais provável para mulheres do que para homens.
quarta-feira, 26 de março de 2014
Mais um Fim do Mundo?
Uma manchete de impacto: O colapso da civilização?

Source:LiveScience
Mas, naturalmente, há diversos poréns não explicados no texto do artigo.
O paper 'Human and Nature Dynamics (HANDY): Modeling Inequality and Use of Resources in the Collapse or Sustainability of Societies' não foi solicitado, revisado ou pedido pela Nasa. Mas sim, teve financiamento parcial.
O artigo original (bem como outro) traz muito mais informações do que o texto indica, e uma dessas informações mais importante é há o espectro do colapso em sociedades igualitárias (sem elites), com trabalhadores e sem trabalhadores, e nas sociedades com elites. Ou seja: Todas as formas de sociedade simuladas apresentaram colapso sob certas condições.
Isto é bem diferente do que o texto do artigo com a manchete anterior tenta repassar :"Ele sugere que a civilização moderna pode estar à beira de um colapso, da qual pode até não se recuperar mais."
O que o texto do artigo diz? "In this paper we attempt to build a simple mathematical model to explore the essential dynamics of interaction between population an natural resources"
A palavra importante aqui é "simple". Este é um modelo simplificado (mas não podemos dizer que simplista) que inclui parte da dinâmica do processo.
Ele não é o modelo completo e sequer um modelo que permita realizar predições em sociedades já conhecidas.
Mas o importante, tirando a mensagem fatalista da manchete, é que já há modelos razoavelmente complexos que permitem observar alguns dos comportamentos vistos em sociedades humanas. E isso já um grande achado!
Source:LiveScience
Mas, naturalmente, há diversos poréns não explicados no texto do artigo.
O paper 'Human and Nature Dynamics (HANDY): Modeling Inequality and Use of Resources in the Collapse or Sustainability of Societies' não foi solicitado, revisado ou pedido pela Nasa. Mas sim, teve financiamento parcial.
O artigo original (bem como outro) traz muito mais informações do que o texto indica, e uma dessas informações mais importante é há o espectro do colapso em sociedades igualitárias (sem elites), com trabalhadores e sem trabalhadores, e nas sociedades com elites. Ou seja: Todas as formas de sociedade simuladas apresentaram colapso sob certas condições.
Isto é bem diferente do que o texto do artigo com a manchete anterior tenta repassar :"Ele sugere que a civilização moderna pode estar à beira de um colapso, da qual pode até não se recuperar mais."
O que o texto do artigo diz? "In this paper we attempt to build a simple mathematical model to explore the essential dynamics of interaction between population an natural resources"
A palavra importante aqui é "simple". Este é um modelo simplificado (mas não podemos dizer que simplista) que inclui parte da dinâmica do processo.
Ele não é o modelo completo e sequer um modelo que permita realizar predições em sociedades já conhecidas.
Mas o importante, tirando a mensagem fatalista da manchete, é que já há modelos razoavelmente complexos que permitem observar alguns dos comportamentos vistos em sociedades humanas. E isso já um grande achado!
terça-feira, 25 de março de 2014
54% acreditam que a Copa do Mundo no Brasil será no Máximo Regular
Esta é a manchete publicada aqui. Parece meio desesperador para a Copa, não?
Bem...
Felizmente há mais dados no artigo que merecem ser divulgados:
Do total:
Colocado dessa forma a notícia parece mudar de tom, não é mesmo?
Pois a pesquisa tem muito mais dados interessantes
Mas há mais alguns pontos interessantes:
Bem...
Felizmente há mais dados no artigo que merecem ser divulgados:
Do total:
- 8% acreditam que a Copa será ruim
- 16% acreditam que será péssima
- 30% que será regular
- 31% que será boa
- 13% que será ótima
Colocado dessa forma a notícia parece mudar de tom, não é mesmo?
Pois a pesquisa tem muito mais dados interessantes
- Dos entrevistados com mais de 60 anos, 36% acreditam que a copa será boa e 10% que será ruim (17% que será péssima)
- Dos entrevistados com menos de 24 anos, 30% acreditam que a copa será boa e 6% que será ruim (14% que será péssima)
- A avaliação da Copa mais positiva é entre as pessoas menos escolarizadas (8% Ruim e 15% Péssimo) e nas Classes D e E (7% Ruim e 12% Péssimo).
- A avaliação da Copa mais negativa é entre as pessoas mais escolarizadas (9% Ruim e 19% Péssimo) e nas Classes A e B (10% Ruim e 20% Péssimo)
- Dado o intervalo de confiança e o número de entrevistados dá para dizer que 8 e 9 são a mesma coisa, Já 15 e 19 (e 12 e 20) são informações distintas.
Mas há mais alguns pontos interessantes:
- 82% tem intenção de assistir aos jogos
- 81% tem interesse pela Copa
O que isso quer dizer?
A maioria do povo brasileiro quer Copa. Quem tentar acreditar o contrário vai quebrar a cara (talvez literalmente).
segunda-feira, 24 de março de 2014
Sete Conselhos Sobre Andar de Bicicleta
Eu tenho mudado meus hábitos a respeito de locomoção.
Na realidade, passei a juntar o útil ao agradável: passei a vir ao trabalho de bicicleta. As razões não são as do cicloativismo, mas essencialmente saúde e racionalidade.
O fato é que andar de bicicleta é bem agradável e mesmo a ida ao trabalho passa a ser bastante interessante e, por que não dizer, saudável.
Mas há algumas coisas que descobri que merecem ser compartilhadas:
| Minha berlinetinha! |
| Voar? Seriously? |
| Cicloativismo: tentando convencer as pessoas a fazer o certo do modo errado. |
- Bicicleta e chuva não combinam - vai ter gente que vai dizer que pode funcionar e até juram de pés juntos que você vai gostar. Mas o teste para verificar é simples: saia na chuva sem guarda-chuva e veja se você gosta. De preferência em uma chuva torrencial.
- Distâncias menores que 10 km são o ideal para deslocamento de bicicleta - passou de 10 km, o percurso de bicicleta passa a ter inconvenientes respeitáveis: o conceito de tomar banho no trabalho passa a ser mais do que apenas um conceito. Acima de 10 km , há necessidade de uma muda de roupas e o tempo de trânsito começa a encostar na faixa de 60 minutos.
- É necessário planejamento - uma programação bem planejada tem de ser feita para levar em conta os deslocamentos de ida e volta, bem como os horários de trabalho.
- O deslocamento a noite exige cuidados adicionais - faróis de carro demais e iluminação de menos são uma combinação danada para causar acidentes em ciclovias.
- Vá em ciclovia - andar na rua de bicicleta parece bonitinho, mas se você preza sua vida (ou sua integridade física) evite esta opção o máximo possível. Idealmente carros, bicicletas e pedestres deveriam dividir irmamente as ruas, assim como os leões e os cordeiros...
- O percurso de ida ao trabalho deve ser de preferência em declive ou plano - andar de bicicleta exige esforço físico, e isso leva ao suor. Não tem jeito: É tolice pedir as pessoas para se deslocarem morro acima de bicicleta, quando as mesmas tem opções que não irão cansa-las.
- Não dá para carregar muita coisa na bicicleta - mas dá para carregar alguma coisa. É perfeitamente possível incluir o bicicleta para ir ao mercado (quando as compras são poucas), ou para deslocamentos curtos. Qualquer coisa mais longa ou com mais itens para carregar passa a ficar complicado...
quarta-feira, 19 de março de 2014
Possível, mas Improvável
Um dos argumentos que ouço muito quando em algum debate é baseado no conceito de "Ah, mas isso pode acontecer!".
Francamente, este aí só perde em "falta-de-argumentos-consistentes" para "Ah, mas essa é minha opinião!"
O problema com o argumento do "Pode acontecer" é que realmente pode acontecer! Para poder acontecer basta ser listado no rol das possibilidades. Isso não tem dúvidas, e mais ainda há eventos que são praticamente impossíveis de acreditar mas possíveis de acontecer (como atravessar paredes, teleportar-se espontaneamente, água transforma-se em ouro, etc...).
Mas são isso mesmo: apenas possibilidades.
E o problema com possibilidades é que, em geral, as pessoas não ligam diretamente a seu qualificador mais importante: a probabilidade.
Por exemplo: Se eu jogo uma moeda três vezes, há possibilidade de tirar três caras (ou três coroas, ou duas caras e uma coroa, ou duas coroas e uma cara). Mas a probabilidade de tirar as três caras é 1 em 8, enquanto a probabilidade de tirar duas coroas e uma cara é 3 em 8. E o pior: a probabilidade de tirar qualquer coisa que não seja três caras é 7 em 8.
"Ah, mas algum resultado tem de sair! Pode muito bem ser o que eu escolhi!"
Sim isto é verdade. Mas o que é necessário perguntar é o contrário: "qual são as chances de não sair o que eu escolhi!". Se estas forem muito grandes, então talvez seja melhor repensar o argumento.
O que estou falando é que ao invés de pensar esperançosamente "Há uma chance em mil desta possibilidade ocorrer", pense em "Há novecentas e noventa e nove chances desta possibilidade não ocorrer!"
Parece mais pessimista? Talvez, mas na realidade é apenas realista!
Mas este post não tem como objetivo forçar as pessoas a abandonar suas esperanças (ou sonhos). O ponto principal deste post é lembrar que para cada argumento "Ah, mas isso pode acontecer!" existe um "Mas é muito mais provável que não aconteça".
E o segundo argumento é logicamente mais forte que o primeiro...
Francamente, este aí só perde em "falta-de-argumentos-consistentes" para "Ah, mas essa é minha opinião!"
O problema com o argumento do "Pode acontecer" é que realmente pode acontecer! Para poder acontecer basta ser listado no rol das possibilidades. Isso não tem dúvidas, e mais ainda há eventos que são praticamente impossíveis de acreditar mas possíveis de acontecer (como atravessar paredes, teleportar-se espontaneamente, água transforma-se em ouro, etc...).
Mas são isso mesmo: apenas possibilidades.
E o problema com possibilidades é que, em geral, as pessoas não ligam diretamente a seu qualificador mais importante: a probabilidade.
Por exemplo: Se eu jogo uma moeda três vezes, há possibilidade de tirar três caras (ou três coroas, ou duas caras e uma coroa, ou duas coroas e uma cara). Mas a probabilidade de tirar as três caras é 1 em 8, enquanto a probabilidade de tirar duas coroas e uma cara é 3 em 8. E o pior: a probabilidade de tirar qualquer coisa que não seja três caras é 7 em 8.
"Ah, mas algum resultado tem de sair! Pode muito bem ser o que eu escolhi!"
Sim isto é verdade. Mas o que é necessário perguntar é o contrário: "qual são as chances de não sair o que eu escolhi!". Se estas forem muito grandes, então talvez seja melhor repensar o argumento.
O que estou falando é que ao invés de pensar esperançosamente "Há uma chance em mil desta possibilidade ocorrer", pense em "Há novecentas e noventa e nove chances desta possibilidade não ocorrer!"
Parece mais pessimista? Talvez, mas na realidade é apenas realista!
Mas este post não tem como objetivo forçar as pessoas a abandonar suas esperanças (ou sonhos). O ponto principal deste post é lembrar que para cada argumento "Ah, mas isso pode acontecer!" existe um "Mas é muito mais provável que não aconteça".
E o segundo argumento é logicamente mais forte que o primeiro...
segunda-feira, 17 de março de 2014
Mais Divagações
Creio que comecei a enxergar uma abordagem para a questão da confiabilidade.
Em uma pesquisa da Adunb tivemos 616 respondentes (de um universo de 2241 professores).
Nesta pesquisa foram perguntadas duas questões. A primeira foi "Você é a favor da paralisação do dia 19/03?". Dos 616 respondentes 466 foram contrários e 150 a favor
Já a segunda questão "Você é a favor da retomada da greve de 2012?" teve 101 votos favoráveis e 515 contrários.
Esta pesquisa foi feita pela internet e até por isso não pode se analisada pelas mesmas ferramentas disponibilizadas em testes estatísticos comuns.
Mas há algo aqui.
Na primeira questão, o número mínimo de favoráveis do universo dos professores é 150 e o máximo é 2241-466 = 1775. Então o número de favoráveis encontra-se no intervalo [150, 1775].
Já o número mínimo de contrários a paralisação é 466 e o máximo é 2241-150 = 2091. Então o número de contrários encontra-se no intervalo [466, 2091].
Muito bem, na ausência de qualquer informação adicional sobre a distribuição de votos, a melhor alternativa é assumir que todos os pontos são equiprováveis. Isto significa modelar o intervalo como uma distribuição uniforme.
A distribuição uniforme dos votos favoráveis tem média: (150+1775)/2 = 962.5. Já a dos votos contrários tem média 1278.5.
Isto corresponde a um percentual de 43% favoráveis a paralisação e 57% contrários a paralisação.
E assumindo a distribuição uniforme, a probabilidade da média dos favoráveis a paralisação ser menor que 1278.5 é de 69.45%. Já a probabilidade da média dos contrários ser menor que 962.5 é 30.55%
A mesma idéia pode ser usada para o cálculo da segunda pergunta (dá 41.3% a 58.7%). O único ponto de suposição estatística usado aqui foi a distribuição uniforme - baseada no fato que não sabemos nenhum dado adicional
Em uma pesquisa da Adunb tivemos 616 respondentes (de um universo de 2241 professores).
Nesta pesquisa foram perguntadas duas questões. A primeira foi "Você é a favor da paralisação do dia 19/03?". Dos 616 respondentes 466 foram contrários e 150 a favor
Já a segunda questão "Você é a favor da retomada da greve de 2012?" teve 101 votos favoráveis e 515 contrários.
Esta pesquisa foi feita pela internet e até por isso não pode se analisada pelas mesmas ferramentas disponibilizadas em testes estatísticos comuns.
Mas há algo aqui.
Na primeira questão, o número mínimo de favoráveis do universo dos professores é 150 e o máximo é 2241-466 = 1775. Então o número de favoráveis encontra-se no intervalo [150, 1775].
Já o número mínimo de contrários a paralisação é 466 e o máximo é 2241-150 = 2091. Então o número de contrários encontra-se no intervalo [466, 2091].
Muito bem, na ausência de qualquer informação adicional sobre a distribuição de votos, a melhor alternativa é assumir que todos os pontos são equiprováveis. Isto significa modelar o intervalo como uma distribuição uniforme.
A distribuição uniforme dos votos favoráveis tem média: (150+1775)/2 = 962.5. Já a dos votos contrários tem média 1278.5.
Isto corresponde a um percentual de 43% favoráveis a paralisação e 57% contrários a paralisação.
E assumindo a distribuição uniforme, a probabilidade da média dos favoráveis a paralisação ser menor que 1278.5 é de 69.45%. Já a probabilidade da média dos contrários ser menor que 962.5 é 30.55%
A mesma idéia pode ser usada para o cálculo da segunda pergunta (dá 41.3% a 58.7%). O único ponto de suposição estatística usado aqui foi a distribuição uniforme - baseada no fato que não sabemos nenhum dado adicional
domingo, 16 de março de 2014
Pesquisas e Divagações
Depois de ler sobre tantas pesquisas na internet, passei a pensar se há alguma maneira de quantificar a probabilidade da mesma estar certa.
Por que? Porque em geral as pesquisas na internet falham no quesito de aleatoriedade. Via de regra, as mesmas raramente tem respostas de forma aleatória.
Então pensei em um experimento.
Imagine que temos uma proporção de p e 1-p em uma população de M pessoas. E vamos dizer que temos uma pesquisa com N respostas. Onde temos p1*N respostas a favor e (1-p1)*N respostas contrárias.
Quão diferente p1 pode ser de p? E qual é a probabilidade disto?
O melhor modo é fazer com pequenos números primeiro. Vamos dizer que M=10 e N=4. Vamos expandir N*(p1+q1)^4
p1^4+4*p1^3*q1+6*p1^2*q1^2+4*p1*q1^3+q1^4
p1^4 - os quatro respondentes votaram na opção relativa a p
4*p1^3*q1 - três respondentes votaram na opção relativa a p e 1 na relativa a 1-p
6*p1^2*q1^2 - dois votaram em p e dois em 1-p
4*p1*q1^3 - um votou em p e três em 1-p
q1^4 - os quatro respondentes votaram na opção relativa a 1-p
Tivermos 3 votos em p de 4. Como fica o gráfico da probabilidade quando variamos p de 0 até 1?

Note, caro leitor que quando p1 é 3/4 temos um máximo, mas podemos calcular as áreas relativas de ver a razão entre as áreas acima de 0.5 e abaixo de 0.5. A área abaixo de 0.5 vale 3/80 e a acima de 0.5 vale 13/80.
Eu diria que a razão das áreas é de 3 para 13 (perto de 1 para 4.3)
Isso é uma probabilidade? Bem, não necessariamente. Mas vamos ver no caso de 20 , aonde 16 votaram p e 4 votaram 1-p. Neste caso temos a curva

A razão entre as áreas é de 7547 para 2089605 (perto de 1 para 277)
Mas o que realmente quero saber é o seguinte: em uma pesquisa com 4 respostas eu tive o 3 a favor p e 1 contrário. Qual é a chance de eu ter o mesmo tipo de resposta na pesquisa com 20 pessoas?
Isso eu ainda estou estudando... Mas suspeito que as curvas acima tem parte da resposta.
Por que? Porque em geral as pesquisas na internet falham no quesito de aleatoriedade. Via de regra, as mesmas raramente tem respostas de forma aleatória.
Então pensei em um experimento.
Imagine que temos uma proporção de p e 1-p em uma população de M pessoas. E vamos dizer que temos uma pesquisa com N respostas. Onde temos p1*N respostas a favor e (1-p1)*N respostas contrárias.
Quão diferente p1 pode ser de p? E qual é a probabilidade disto?
O melhor modo é fazer com pequenos números primeiro. Vamos dizer que M=10 e N=4. Vamos expandir N*(p1+q1)^4
p1^4+4*p1^3*q1+6*p1^2*q1^2+4*p1*q1^3+q1^4
p1^4 - os quatro respondentes votaram na opção relativa a p
4*p1^3*q1 - três respondentes votaram na opção relativa a p e 1 na relativa a 1-p
6*p1^2*q1^2 - dois votaram em p e dois em 1-p
4*p1*q1^3 - um votou em p e três em 1-p
q1^4 - os quatro respondentes votaram na opção relativa a 1-p
Tivermos 3 votos em p de 4. Como fica o gráfico da probabilidade quando variamos p de 0 até 1?
Note, caro leitor que quando p1 é 3/4 temos um máximo, mas podemos calcular as áreas relativas de ver a razão entre as áreas acima de 0.5 e abaixo de 0.5. A área abaixo de 0.5 vale 3/80 e a acima de 0.5 vale 13/80.
Eu diria que a razão das áreas é de 3 para 13 (perto de 1 para 4.3)
Isso é uma probabilidade? Bem, não necessariamente. Mas vamos ver no caso de 20 , aonde 16 votaram p e 4 votaram 1-p. Neste caso temos a curva
A razão entre as áreas é de 7547 para 2089605 (perto de 1 para 277)
Mas o que realmente quero saber é o seguinte: em uma pesquisa com 4 respostas eu tive o 3 a favor p e 1 contrário. Qual é a chance de eu ter o mesmo tipo de resposta na pesquisa com 20 pessoas?
Isso eu ainda estou estudando... Mas suspeito que as curvas acima tem parte da resposta.
quinta-feira, 13 de março de 2014
Agora com a Inflação de fevereiro
Com os dados do IPCA de fevereiro, posso fazer algumas estimativas para inflação de 2014.
Como já havia mencionado em outro post, janeiro tinha 50% de ter inflação de 0.40% e 50% de 0.79% (ou 60% de 0.43% e 40% de 0.83%). O resultado oficial ficou em 0.69%.
Com os dados de janeiro, a inflação estimada fica em 5.56%. Vamos as probabilidades:
97% de estar entre 3.9% e 6.8%
99% de chance da inflação ficar abaixo de 6.8%
37% de chance da inflação ficar abaixo de 5.2%
Já a inflação de março tem 50% de ficar em 0.34% e 50% de ficar em 0.73% , Ou 60% de ficar em 0.37% e 40% de ficar em 0.77%. Algo na vizinhança de 0.53%.
Como já havia mencionado em outro post, janeiro tinha 50% de ter inflação de 0.40% e 50% de 0.79% (ou 60% de 0.43% e 40% de 0.83%). O resultado oficial ficou em 0.69%.
Com os dados de janeiro, a inflação estimada fica em 5.56%. Vamos as probabilidades:
97% de estar entre 3.9% e 6.8%
99% de chance da inflação ficar abaixo de 6.8%
37% de chance da inflação ficar abaixo de 5.2%
Já a inflação de março tem 50% de ficar em 0.34% e 50% de ficar em 0.73% , Ou 60% de ficar em 0.37% e 40% de ficar em 0.77%. Algo na vizinhança de 0.53%.
terça-feira, 11 de março de 2014
Dados Interessantes
Saiu uma grande pesquisa encomendada sobre a SECOM sobre mídia.
E esta pesquisa tem detalhes interessantíssimos, sendo que alguns deles confirmam algumas idéias que eu já tinha.
Eu vou comentar muito mais sobre o assunto, mas alguns pontos valem ser destacados agora mesmo:
Isto está condizente com um post que fiz há muito tempo. Mas eu vou voltar a este assunto depois...
E esta pesquisa tem detalhes interessantíssimos, sendo que alguns deles confirmam algumas idéias que eu já tinha.
Eu vou comentar muito mais sobre o assunto, mas alguns pontos valem ser destacados agora mesmo:
- 97% dos brasileiros vêem televisão (sendo 65% todo o dia)
- O programa mais assistido da TV Brasileira é o Jornal Nacional (35.1%), seguido da novela das 8/9 (31.5%)
- 31% tem TV por assinatura
- 60% dos brasileiros ouvem rádio
- 46% dos brasileiros acessam a internet
- 75% dos brasileiros NÃO leem jornais impressos
- 95% dos brasileiros NÃO leem revistas impressas.
Isto está condizente com um post que fiz há muito tempo. Mas eu vou voltar a este assunto depois...
sexta-feira, 7 de março de 2014
Igualdade a Qualquer Preço
Leio sempre em várias redes sociais: boa parte dos problemas do Brasil é causada por sua desigualdade econômica.
Bem, difícil argumentar o contrário, não? Afinal temos até um coeficiente que explicita como é a distribuição de renda: o Gini.
Ora Bolas! Podemos até ver que os países com o Gini mais baixo são exatamente os mais avançados e com menos confilitos, não?
Em primeiro lugar temos a Dinamarca, com 24! Um exemplo de país! Seguido por Suécia (25), Noruega (25.8), Austria (26), República Checa (26), Slováquia (26), Ucrânia (26.4), Belarússia (26.5), Finlândia (26.9), Afeganistão (27.8) - Opa, Opa, Opa... Afeganistão????
Sim, o Afeganistão tem um Gini melhor do que o Brasil (54.7). Mas não é só ele... Melhor do que o Brasil temos ainda Cazaquistão, Etiópia, Paquistão, Egito, Iraque, Bangladesh, Índia, Albânia, Sudão, Síria. Irã, Uganda e muitos outros...
Então, caro leitor.... Como fica a explicação que boa parte dos problemas é causada por desigualdade econômica?
Ah... complicou um pouco agora, não?
Naturalmente, a saída para esse dilema é ver que igualdade econômica não é uma panacéia: se eu tenho 1 e todo mundo tem 1 o Gini é zero. Mas isso vale tanto para distribuição de pobreza quanto para distribuição de riqueza...
Lição? Temos de ter cuidado com o que repetimos cegamente. A maioria do que está sendo repetido por aí não se sustenta depois de uma análise de 10 segundos...
Bem, difícil argumentar o contrário, não? Afinal temos até um coeficiente que explicita como é a distribuição de renda: o Gini.
Ora Bolas! Podemos até ver que os países com o Gini mais baixo são exatamente os mais avançados e com menos confilitos, não?
Em primeiro lugar temos a Dinamarca, com 24! Um exemplo de país! Seguido por Suécia (25), Noruega (25.8), Austria (26), República Checa (26), Slováquia (26), Ucrânia (26.4), Belarússia (26.5), Finlândia (26.9), Afeganistão (27.8) - Opa, Opa, Opa... Afeganistão????
Sim, o Afeganistão tem um Gini melhor do que o Brasil (54.7). Mas não é só ele... Melhor do que o Brasil temos ainda Cazaquistão, Etiópia, Paquistão, Egito, Iraque, Bangladesh, Índia, Albânia, Sudão, Síria. Irã, Uganda e muitos outros...
Então, caro leitor.... Como fica a explicação que boa parte dos problemas é causada por desigualdade econômica?
Ah... complicou um pouco agora, não?
Naturalmente, a saída para esse dilema é ver que igualdade econômica não é uma panacéia: se eu tenho 1 e todo mundo tem 1 o Gini é zero. Mas isso vale tanto para distribuição de pobreza quanto para distribuição de riqueza...
Lição? Temos de ter cuidado com o que repetimos cegamente. A maioria do que está sendo repetido por aí não se sustenta depois de uma análise de 10 segundos...
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