segunda-feira, 30 de junho de 2014

Uma forma de sentir as probabilidades

Pelo que já andei relatando, nós temos problemas para "acompanhar" o que significa probabilidade.

Mas creio que há algo que possa ajudar, pelo menos no caso mais simples.

Vamos dizer que eu lhe desse duas moedas, e dissesse para você: Muito bem, você sabe que a chance de tirar cara é 50% e coroa é 50%. Mas como fica a chance de você tirar pelo menos 1 cara com essas duas moedas? Ou seja você joga as duas moedas e o que desejo saber é qual é a chance de pelo menos 1 cara.

Ora, este processo pode ser analisado por tentativas de Bernoulli.

(p+q)^2.

p^2 - 2 caras
p*q - 1 cara na primeira tentativa
q*p - 1 cara na segunda tentativa

Então dá para ver que a única configuração que leva a perda é tirar duas coroas. Portanto a chance de tirar pelo menos 1 cara é

p^2+2*p*q=1-q^2 = 3/4

Portanto a chance de tirar pelo menos uma cara é 75%. Até que não é ruim, não?
Mas e se eu quisesse, digamos 90%?

Ora aí é a questão de resolver a equação 1-(1/2)^n=0.9

Esta equação pode ser simplificada usando logaritimos (base 2 é melhor)

log[(1/2)^n] =log(1-0.9) -> n=-log(0.1)

Bem dá para ver o que número não é inteiro (3.32). Para que o número seja inteiro, o valor dentro do logaritmo tem de ser uma potência de 2.

Mas vamos fazer uma tabela
  • A chance de tirar pelo menos 1 cara com 1 moedas é  50%
  • A chance de tirar pelo menos 1 cara com 2 moedas é  75%
  • A chance de tirar pelo menos 1 cara com 3 moedas é  87.5%
  • A chance de tirar pelo menos 1 cara com 4 moedas é  93.75%
  • A chance de tirar pelo menos 1 cara com 5 moedas é  96.875%
  • A chance de tirar pelo menos 1 cara com 6 moedas é  98.4375%
  • A chance de tirar pelo menos 1 cara com 7 moedas é  99.21875%
  • A chance de tirar pelo menos 1 cara com 8 moedas é  99.609375% 
  • A chance de tirar pelo menos 1 cara com 9 moedas é  99.8046875%
  • E por fim, a chance de tirar pelo menos 1 cara com 10 moedas é  99.90234375%
Então dizer que há 99.9% de chance é equivalente a dizer: esta é a mesma chance que você teria de tirar pelo menos uma cara jogando 10 moedas (simultaneamente ou em sequência - aí não faz diferença)

quarta-feira, 25 de junho de 2014

O que o pessoal parece não compreender

Copa está aí. E como já indiquei nesse blog, a tendência é de que todo mundo entre no espírito.

As pesquisas estavam disponíveis para quem quisesse enxergar: 81% estavam interessados na copa.

Mas o pessoal preferiu enxergar apenas o que queria: que a maioria achava que a copa seria apenas "regular"

O que deu errado nas análises? Bem, os dados estavam claros - eu mesmo disse aqui neste blog. Mas parece que havia uma "pauta" negativa.

Interesse? Conspiração?

Não acredito nisso. Acredito na navalha de Occam: a explicação mais simples e que satisfaz todos os dados disponíveis é, provavelmente, a verdadeira: as pessoas enxergaram o que queriam enxergar, nem que para isso tivessem que "arrumar" os dados.

Este tipo de atitude (selection bias) me leva a dois outros acontecimentos recentes: o xingamento da presidente na abertura e uma análise recente sobre mídias sociais e seus impactos.

Vamos por partes: primeiro o xingamento

Fenômenos de massa em estádios são extremamente bem documentados e xingamentos não são nada novo. A análise mais simples não é que uma "elite branca racista" foi responsável.

A análise mais simples é que as pessoas estão realmente com raiva da presidente. A idéia que foi uma elite é apenas mais uma tentativa de dividir o "nós contra eles" que tanto apetece aos demagogos. Aliás, suspeito que o efeito real é justamente o contrário: a explicação das "elites" só fez quem tem raiva ficar com mais raiva e quem não tem raiva começar a ter um pouquinho.

A raiva tem uma razão bem simples: a presidente tem em suas mãos um país aparentemente em pior estado do que recebeu. E isso as pessoas perceberam. Adicione a isso as dores de cabeça que transtornaram os cidadãos nos últimos anos em função das promessas não cumpridas e a deterioração do que antes mal ou bem funcionava e aí temos um bom motivo para a raiva.

O segundo ponto é sobre a questão das mídias sociais: o que mudou de 2013 para cá? Em 2013 tivemos manifestações gigantes conclamadas por mídias sociais. A enorme maioria sem uma agenda claramente definida. O ponto de partida comum era a insatisfação.

E a mesma só aumentou (não se iluda, caro leitor, com o efeito da copa - este só veio do início de junho para cá e a insatisfação não desapareceu).

Então o que mudou? Aonde estão as manifestações gigantes? De novo parto para explicação mais simples: os convites para as manifestações ainda estão lá nas mídias sociais, mas as pessoas simplesmente não estão aderindo as mesmas,

Vejamos então: os convites estão lá, a insatisfação continua, então qual o ingrediente que está faltando?

Aí tenho apenas uma suspeita: as pessoas não estão acreditando em quem faz os convites. Agora também há uma desconfiança sobre a agenda de quem organiza as manifestações. Por mais isentos que pareçam, vários já mostraram que querem mais participantes apenas para fazer número para satisfazer suas demandas.

E aínda assim, com números reduzidos, esse pessoal diz representar o povo.

Francamente, a cara de pau é inacreditável!

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Agora com a Inflação de maio

Sei que ando meio desleixado com o blog - o mundo anda maluco (o PT reclamando de xingamentos contra a presidente - gente, o PT!). E eu, sem muita paciência...


Mas vamos lá.

Com os dados do IPCA de maio, posso fazer algumas estimativas para inflação de 2014.

Como já havia mencionado em outro post, abril tinha 50% de ter inflação de 0.17% e 50% de 0.56% (ou 60% de 0.21% e 40% de 0.61%). O resultado oficial ficou em 0.46%.

Com os dados de maio, a inflação estimada fica em 6.3%. Vamos as probabilidades:

    97% de estar entre 5.3% e 7.3%
    99% de chance da inflação ficar abaixo de 7.3%
    50% de chance da inflação ficar abaixo de 6.1%

 Já a inflação de junho tem 50% de ficar em 0.11% e 50% de ficar em 0.50% , Ou 60% de ficar em 0.15% e 40% de ficar em 0.55%. Algo na vizinhança de 0.31%.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Palhanagem!

Palhanagem, caro leitor é um neologismo por mim cunhado significando a mescla de palhaçada com sacanagem.

Leio nesta segunda (02/05) um texto em um blog: O problema não é o Brasil. É você.  Não gostei do texto e vou dizer porque, mas antes vamos a questão da autoria.

A autora chama-se Priscilla Silva e este é, aparentemente, o único texto do seu blog.

Sua descrição diz em ser: "Jornalista, feminista e mais alguns outros “istas”. Fã de gastronomia e de literatura de esquerda. Procurando entender o mundo, um dia de cada vez."

Dou uma olhada na foto é vejo que é Simone de Beauvoir.
Então temos o seguinte: uma jornalista feminista com um blog que contém um único texto! Como o mesmo foi postado no dia 27 de maio, então é de supor que a jornalista tenha sido um tantinho relapsa com seu blog.

Isso tudo acende uma luz amarela com relação ao texto. Mas, para evitar problemas com falácias, eu costumo não fazer julgamentos baseados em "quem escreveu!", mas "no que escreveu". Mesmo assim, uma luzinha amarela indica palhaçada!

E vamos ao texto:

Toda vez que um assunto polêmico surge na mídia, viraliza nas redes sociais e chega às rodas de amigos, reuniões de família e mesas de bar, começam a pipocar, por toda parte, juízos de valor genéricos a respeito “do Brasil” e “do povo brasileiro”.

Essas “análises”, que estão em alta no atual período pré-Copa, costumam ser, mais especificamente, materializadas na forma de chavões babacas mais antigos que a minha avó: são os famosos “só no Brasil”, “isso é Brasil!”, e, ainda, o clássico e meu preferido “o problema é a cabeça do brasileiro” (que também pode aparecer na carinhosa versão “o povo brasileiro é burro”).

Ah, os chavões babacas! Esses mudam de dono, mas não perdem a majestade. Me lembro bem do "Agora mais do que nunca: e povinho bunda!". Quando vem com um texto adjetivando chavões com babacas, imediatamente voou pela janela a imparcialidade. Portanto, cuidado leitores!
Isso é bem antigo mesmo...
Que a internet e os círculos sociais estão recheados de ideias idiotas, preconceituosas e desprovidas de qualquer senso lógico ou nexo com a realidade não é novidade.

O problema aqui é que as pérolas pertencentes à categoria “Brasil é uma merda porque é uma merda, e eu não tenho nada a ver com isso” não vêm sendo enquadradas como apatia mental, como deveriam, mas como demonstração de revolta consciente e politizada “contra tudo que está aí”.

Notaram, caros leitores? "Revolta consciente e politizada". Já dá para ver aonde este boi está indo, não?

Um quarto dos brasileiros acha que uma mulher de shortinho merece ser estuprada? “Isso é Brasil!”. A Petrobrás fez um mau negócio em Pasadena? “Brasil, né?”. Algumas obras da Copa do Mundo atrasaram? “Só no Brasil mesmo!”.

Algumas obras? Sério que foram apenas algumas? Ah, caro leitor, já deu para ver que isso é encomendado. Mas vamos continuar.

Não. Não. E não. Na verdade, esse tipo de pensamento vazio, reducionista e arrogante empobrece o debate dos problemas que estão por detrás dos acontecimentos (que acabam sendo levianamente rotulados como “coisa do Brasil”), além de estimular e legitimar uma atitude resignada e egoísta ao melhor (ou pior) estilo Pôncio Pilatos (“lavo minhas mãos, porque a merda já estava feita quando eu cheguei aqui”).

Ah, aqui temos um clássico da Izquerda revoltada : Pensamento vazio, reducionista e arrogante. Não disse porque é vazio, nem porque é reducionista, e nem porque é arrogante. Isso apenas é xingamento. Duvida? Vamos contar a adjetivação típica de revoltados?
  1. Vazio
  2. Reducionista
  3. Arrogante
  4. levianamente
  5. rotulados
  6. egoísta
  7. atitude resignada
Uau! Sete em um parágrafo de três linhas! Talvez isso seja um recorde.

“Só no Brasil”? Não.

Em primeiro lugar, vale uma pesquisa prévia a respeito do assunto sobre o qual se está emitindo opinião: será mesmo que o Brasil é o único país a enfrentar esse problema específico que você conheceu superficialmente através do link que seu amigo compartilhou no Facebook? Pode ter certeza que, em 99% dos casos, a gente carrega o fardo junto com mais algumas dezenas de países (se não com todas as nações do planeta), ainda que ele pese mais ou menos conforme o caso.

Isso é 100% verdade: muito provavelmente o Brasil não é o único país a enfrentar este problema específico.

E não estamos falando apenas de países considerados “mais atrasados” e “menos civilizados” que o Brasil.

Tem corrupção na Europa, os Estados Unidos mal possuem um sistema público de saúde, o racismo segue forte em diversos países “desenvolvidos”, e a Inglaterra é descaradamente sexista. Por isso, antes de iniciar um festival de ignorância, babar ovo de gringo gratuitamente e resumir seu discurso a uma frase despolitizada como essa, lembre-se que o Google está a apenas um clique.

Claro que tem corrupção, claro que há problemas na saúde, claro que há racismo! O problema é o grau! Se formos comparar o grau do problema no Brasil e nestes países, chegaremos a conclusão que são iguais? Hummm, dificilmente! E não podemos deixar de notar mais um cacoete de izquerda: mais xingamentos com uma pitada de xenofobia seletiva:
  1. Festival de Ignorância
  2. Babar ovo de gringo
  3. Frase despolitizada.
Caso contrário, você corre o risco de continuar contribuindo para que 40% dos nascidos no Brasil prefiram ter outra nacionalidade (apesar de o Brasil ser sonho de consumo internacionalmente).

Hummm, senti uma referência oblíqua ao amei-o ou deixe-o. Mas pode ser impressão... Já o Brasil ser sonho de consumo internacional? Acho que alguém está acreditando demais no marketing do partido.

Se “isso é Brasil”, então “isso” é você também.

Dou a qualquer um o direito de achar o Brasil uma merda monumental e sem precedentes, desde que admita ser uma merda de pessoa também. Assim, quando alguém disser “o Brasil é um lixo” ou “o povo brasileiro é burro”, na verdade estará dizendo “eu sou um lixo” e “eu sou burro”. Combinado?

Porque, caros amigos niilistas radicais, é estranhamente conveniente excluir-se, deliberadamente, do conjunto de brasileiros, negando a própria cultura e origem, bem na hora em que “a coisa aperta”, não é?

Não, caro marketeiro(a)! A média ser ruim não quer dizer que todos são ruins. Assim como dizer que a média é boa não quer dizer que todos são bons. Eu posso achar o Brasil uma merda monumental e sem precedentes e não me considerar ser uma merda de pessoa! Isso não é arrogância. Eu posso - e é meu direito, achar o que bem entender - posso achar que Cuba é uma merda, que a Coréia do Norte é uma merda e não preciso me considerar uma merda de pessoa. O fato de ser brasileiro não me faz igual a todos os brasileiros e - pasmem caros leitores: o fato de eu ser engenheiro não me faz igual aos demais engenheiros.

Ora bolas, os demais engenheiros não são iguais entre si.

Portanto: não, não está combinado não...

As expressões “isso é Brasil” ou “esse é o povo brasileiro” não são, portanto, apenas generalizantes e reducionistas, mas também um tanto arrogantes. Quem as profere se julga acima dos defeitos da sociedade brasileira, e é incapaz de perceber que suas próprias convicções, ideias e preconceitos são na verdade um reflexo das características e problemas da sociedade brasileira como um todo.

Olha o toc do izquerdista natural:
  1. generalizantes
  2. reducionista
  3. arrogantes.
E mais uma vez: os defeitos da sociedade brasileira não são compartilhados por todos os brasileiros!

Nem é preciso nem dizer que esse tipo de perspectiva segregatória, em que o locutor se coloca em posição imparcial e de superioridade em relação ao restante da população, gera verdadeiros fenômenos de cegueira coletiva.

Será que o izquerdista natural não percebeu que este parágrafo se aplica não apenas aos outros?

Um exemplo clássico é a inabilidade de algumas pessoas em enxergar o próprio racismo, o que popularizou expressões como “não sou racista, mas…”, culminando com a negação da existência de racismo no Brasil por determinadas “correntes ideológicas”.

Então, antes que comecemos a negar outros “ismos” por aí (o que, a bem da verdade, já acontece), vamos parar de subir em pedestais imaginários e nos colocar em nossos devidos lugares: na arquibancada junto com o resto do povão e toda a torcida do Flamengo.

De novo: a lógica do autor(a) é torcida: ao conclamar os dissidentes a se juntar a massa, ele não está justamente considerando que os mesmos são realmente diferentes? Ou será que existem diferentes, mas só entre os izquerdistas?

Se “isso é Brasil”, repetir esse chavão não vai mudar nada (talvez só pra pior).

Não, você não entendeu nada! O chavão é um desabafo, um reclame, uma desesperança - é o reconhecimento que não vai mudar!

Imagine a seguinte situação hipotética: um sujeito dito “politizado” está surfando na rede, checando o feed de notícias do Facebook, dando um rolê pelo Twitter e teclando no WhatsApp, quando, casualmente, se depara com uma notícia revoltante (sabemos que a internet está cheia delas).

Indignado com a situação ultrajante da qual acaba de tomar conhecimento, nosso amigo resolve mostrar toda a sua revolta por meio de um comentário impactante no perfil de quem, muito sagazmente, compartilhou aquela notícia chocante com ele. “Fazer o que, né, colega? Isso é o país em que vivemos. Viva o Bra-ziu!”.

Satisfeito com sua contribuição, o internauta bem informado segue para os próximos “hits do dia” nas redes sociais, afinal, “isso é Brasil” — não tem jeito. E ele, pessoa politizada e, portanto, ciente do “beco sem saída” que é o nosso país, nem vai se dar ao trabalho de pensar sobre o assunto (e muito menos fazer algo a respeito), uma vez que essa nação é feita de pessoas naturalmente incompetentes e políticos naturalmente corruptos. Confere? Não confere. Na verdade, cidadão politizado, o problema, neste cenário, não é o Brasil. É você.

Quando um indivíduo, ao deparar-se com determinado problema que considera sério, resume seu pensamento e manifestação à depreciação verbal genérica e gratuita de seu país, só podemos concluir que ele atingiu um nível sobre-humano de apatia mental e social.

Isso eu meio que concordo, mas suspeito que tem mais a ver com as mídias sociais do que outros fatores.

Além de não mover uma palha para mudar a situação que o indignou, contribui para difundir um clima negativo, conformista e preguiçoso por onde passa, contagiando outras pessoas com a ideia deturpada de que é impossível mudar as coisas para melhor (ou que simplesmente não vale a pena), porque “o povo brasileiro é assim mesmo”.

Olha o toc de novo:
  1. Negativo
  2. Conformista
  3. Preguiçoso
Resumo da ópera: quem não quiser realmente tentar entender o problema, trocar ideias sobre como solucioná-lo, contribuir com organizações e movimentos sociais envolvidos no assunto, criar ou participar de campanhas de conscientização, e procurar votar em políticos empenhados na causa em questão, que pelo menos pare de encher o saco com reducionismos pessimistas e burros. A esfera pública agradece.

Ah, movimentos sociais... Hummm. E se a pessoa que está apática e desesperançada tem realmente razão de estar apático e desesperançado? Então como ficamos? E já que estamos nisso:
Reducionismos pessimistas e burros
encher o saco

“Isso é Brasil” agora, mas pode mudar. E depende de você também.

Imaginem se, há 30, 40 anos atrás, quando ainda vivíamos uma ditadura, todos pensassem que o “Brasil é assim mesmo”, que “somos um povo submisso que só funciona na ‘base da porrada’”?

Imaginem se a população tivesse desistido de exigir a redemocratização, e se resignado, limitando-se a comentar com seus conhecidos, em cafés e restaurantes, que “aquilo era o Brasil”.

Foi porque as pessoas não se conformaram com o que o Brasil era ou parecia ser que hoje nós vivemos uma democracia plena, onde todos podem se manifestar da forma que julgam melhor (até de forma superficial e não construtiva, como a que estamos tratando neste texto).

Essa parte me irrita em particular. Isso porque claramente o autor(a) não viveu nessa época e está fazendo inferências sobre quem viveu nesta época. Eu sei, porque eu estava lá. Havia sim o "aquilo é Brasil", lembram-se do "Eta povinho bunda"?

O direito à liberdade de pensamento e expressão é indiscutível, e o que deixo aqui é apenas um humilde conselho: vamos usar essas prerrogativasde verdade. Para debater, e não para cair em chavões limitados e vazios de que o país é uma porcaria generalizada, pior que qualquer outro, que nosso povo é burro e corrupto, que estamos no fundo poço e nunca sairemos dele, e que é impossível mudar a realidade em que vivemos.

Aí o problema é que debater com assessor de imprensa é difícil. Debater com militante é muito difícil e finalmente debater com assessor de imprensa militante é praticamente impossível.

Isso não quer dizer, de forma alguma, que devemos fugir dos problemas ou nos conformarmos com o que já foi conquistado, pois ainda existem inúmeros desafios a serem superados nesse Brasil continental. Se “isso” é mesmo o Brasil, a mudança só depende de nós.

Ah, quem dera que tudo dependesse apenas de nós. Infelizmente o Brasil é muito mais complicado do que se pensa, e infinitamente mais delicado do que se faz parecer....

Só pode ser sacanagem...

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Falta de Paciência

Ontem, para o "deleite" de todos os motoristas de Brasília, tivemos uma manifestação dos "Índios" contra a Copa (aparentemente)

Olha, isso já cansou.

"Sabia que você era um reaça contrário as manifestações por causas sociais, RAX"

Sério? Peço que dê uma olhada nessa imagem - que acredito sumarizar o movimento.
Muito bem! Isso mostra um "índio" usando um arco contra a "puliça" repressora, não?

Pois bem, agora, caro leitor, peço que veja essa imagem aqui:
Sem falar que este índio está em forma física consideravelmente melhor.
Agora, a semelhança é impressionante, não? Afinal somente os Índios para atirar assim para se defender!

Bem, o caso é que possivelmente índios realmente atiravam assim... se fossem caçar aves.
Ou que esse fosse um típico policial brasiliense.
Como a "puliça" não é composta de homens-passáros voadores, então dá para supor com razoável grau de certeza que:
  1. a foto foi posada
  2. quem posou para foto não tem muita intimidade com arco e flecha usado em caça
E isso, caro leitor, é o que está me deixando sem paciência: farsantes fingindo representar a vontade do povo.

Isso porque se juntarem todos estes farsantes, não conseguem votos suficientes para eleger um deputado distrital.

terça-feira, 20 de maio de 2014

O que faz uma narrativa

Recentemente, o PT se valeu da tática do "tenho muito medo" como propaganda.

O resultado é esse:

Mas o pessoal não deixou barato e lançou esta versão como refutação.

Francamente, a versão de refutação ficou melhor do que o original.

Mas eu não posso deixar de lembrar que a campanha do PT em 2002 era A Esperança Venceu o Medo.

Será que a de 2014 é O Medo Venceu a Esperança?

sábado, 17 de maio de 2014

Agora com a Inflação de abril

Com os dados do IPCA de abril, posso fazer algumas estimativas para inflação de 2014.

Como já havia mencionado em outro post, abril tinha 50% de ter inflação de 0.25% e 50% de 0.64% (ou 60% de 0.29% e 40% de 0.69%). O resultado oficial ficou em 0.67%.

Com os dados de março, a inflação estimada fica em 6.2%. Vamos as probabilidades:

    97% de estar entre 4.9% e 7.4%
    99% de chance da inflação ficar abaixo de 7.4%
    50% de chance da inflação ficar abaixo de 6.1%

 Já a inflação de maio tem 50% de ficar em 0.17% e 50% de ficar em 0.56% , Ou 60% de ficar em 0.21% e 40% de ficar em 0.61%. Algo na vizinhança de 0.37%.

terça-feira, 6 de maio de 2014

O Bandido e a Bruxa

No imaginário popular ainda existem bruxas, e demônios e assombrações...

E por causa disso, uma pessoa foi cruelmente espancada até a morte. Bem, tecnicamente não foi por causa disso, mas por causa da divulgação de uma notícia falsa no facebook.

Claro, que não poderia deixar de ser, já tem gente misturando tudo com outro caso aonde pessoas resolveram "pegar" os culpados.

Os casos podem ser parecidos, mas há algumas diferenças básicas:
  1. O rapaz preso ao poste ainda está vivo (e cometendo crimes). A vítima que foi linchada não está.
  2. O rapaz preso ao poste era criminoso contumaz (e não mudou). A vítima que foi linchada foi acusada de ser "bruxa" e matar crianças, e tudo isso era boato
  3. A vítima acusada de ser bruxa foi linchada. O rapaz preso ao poste não.
As pessoas tem que parar de confundir pessoas tentando parecer justiceiros com multidões linchando pessoas. Frequentemente são casos bem diferentes.

Tentar colocar os dois no mesmo saco soa como desonestidade intelectual (para ser bem light)

terça-feira, 29 de abril de 2014

Fasores

Agradeço ao Shami por levantar uma questão que eu tinha esquecido: O que são fasores?

Realmente, eu esqueço de vez em quando que esse negócio de fasor é coisa de engenharia elétrica. E aí, evidentemente que a enorme maioria não estará familiarizado com o conceito.

Bem, mas afinal o que é o fasor? Bem, a explicação mais simples é que é uma forma de representar funções do tipo seno e cosseno de forma integrada. Ou seja, resolve-se o problema para o fasor ao invés do seno e do cosseno.
Na realidade, resolvendo o problema para o fasor já temos tanto a resposta para o seno quanto a resposta para o cosseno.
Para fazer esta mágica temos de resolver o problema utilizando números complexos. Ao usarmos números complexos, a nossa álgebra passa a ser realizada no plano ao invés da reta. Por mais surpreendente que pareça, ao usarmos o plano (complexo) ao invés da reta dos reais o problema fica muito menos complicado.

O nome fasor foi dado pelo seu criador: Charles Proteus Steinmetz. Esta denominação incluía os conceitos de vetor e fase - dois pontos chave no conceito, já que o fasor tinha tanto módulo (ou magnitude) quanto fase (que era representada pelo ângulo no plano complexo).

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Room 237

Vi recentemente na TV a cabo o documentário Room 237.

O mesmo trata da análise do filme "O Iluminado" por diversos críticos com as mais variadas teorias sobre o mesmo.

Olha... É uma viagem...

As teorias que são aventadas são no mínimo interessantes: o filme trata do massacre dos índios norte-americanos, do "falso pouso na lua", do holocausto e assim vai...

Muitos dos "significados" são mutuamente exclusivos. E o próprio diretor era um grande fã de interpretações abertas.

O problema é que a maioria delas é totalmente fabricada na cabeça dos proponentes. Não precisa acreditar em mim, leia o que Kubrick disse sobre o filme.

E para clarificar alguns dos pontos levantados no documentário um membro da equipe de Kubrick deixa claro os pontos.

O interessante é que as interpretações são "maquinadas" pelos proponentes que passam a procurar detalhes no filme que suportem a sua teoria. Um pontos é que o número do quarto chave do filme foi alterado de 217 para 237. A razão segundo uma das interpretações? Por causa do "falso pouso" na Lua (vocês tem que ver o documentário para ver a "explicação" desta idéia).

Mas e o que Kubrick disse?
"
Why did the room number switch from 217 in the novel to 237 in the film?
The exterior of the hotel was filmed at the Timberline Lodge, near Mount Hood, in Oregon. It had a room 217 but no room 237, so the hotel management asked me to change the room number because they were afraid their guests might not want to stay in room 217 after seeing the film. There is, however, a genuinely frightening thing about this hotel which nestles high up on the slopes of Mount Hood. Mount Hood, as it happens, is a dormant volcano, but it has quite recently experienced pre-eruption seismic rumbles similar to the ones that a few months earlier preceded the gigantic eruption of Mount St. Helens, less than sixty miles away. If Mount Hood should ever erupt like Mount St. Helens, then the Timberline Hotel may indeed share the fiery fate of the novel's Overlook Hotel.
"


O proponente diz que isso é falso, que Kubrick deliberadamente mentiu....

Então? Qual é o veredito...

Infelizmente, ou felizmente, não há como comprovar nada do que é dito no documentário.

Pois são tudo "interpretações do filme".

Mas se eu tiver que apostar, diria que a maioria delas só existe na cabeça do proponente.

Mas a internet mostra que a explicação é a mesma dada pelo hotel em questão (o das externas).

sábado, 19 de abril de 2014

Agora com a Inflação de março

Com os dados do IPCA de março, posso fazer algumas estimativas para inflação de 2014.

Como já havia mencionado em outro post, janeiro tinha 50% de ter inflação de 0.34% e 50% de 0.73% (ou 60% de 0.37% e 40% de 0.77%). O resultado oficial ficou em 0.92%.

Com os dados de março, a inflação estimada fica em 5.96%. Vamos as probabilidades:

    97% de estar entre 4.5% e 7.0%
    99% de chance da inflação ficar abaixo de 7.4%
    50% de chance da inflação ficar abaixo de 5.8%

 Já a inflação de abril tem 50% de ficar em 0.25% e 50% de ficar em 0.64% , Ou 60% de ficar em 0.29% e 40% de ficar em 0.69%. Algo na vizinhança de 0.45%.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Atrasado nos Posts

Peço desculpas aos leitores pelo atraso nos posts. Eu pretendia fazer um post sobre a previsão de inflação na última semana, mas acabei não tendo tempo.

Então vou falar sobre outro assunto: burocracia.

Quando se fala de burocracia, a maioria das pessoas pensa "Xi... Burocracia é coisa chata e inútil!"

Bem, pode até ser chata, mas está longe de ser inútil. Na realidade quando dizem "Burocracia é coisa chata e inútil" deveriam dizer "Burocracia em excesso é coisa chata e inútil". Há diferenças...

E nós aqui na terrinha não sabemos (ou esquecemos) que elas existem.

Para colocar o assunto em perspectiva vou colocar aqui duas Leis de Parkinson
- Trabalho se expande até ocupar todo tempo para sua finalização - serve para descrever como as burocracias incham sem limitações. Tem até como resultado lógico o modelo de maximação do orçamento: a repartição irá tentar maximizar seu orçamento (poder e influência) e com isso irá reduzir sua eficiência social. O modelo de contraste é o de agências. Deixo bem claro: os dois tem problemas. E no nosso caso, os dois tem problemas...
- Organizações dão destaque desproporcional a problemas triviais - qualquer um que tiver participado de reuniões em colegiados deve identificar este problema facilmente. A verdade é que se dança em cima de detalhes para "marcar isso como trabalho". No limite é a famosa piada da reunião de alto nível para determinar qual a cor das latas de lixo que seriam compradas...

Todos esses problemas parecem ser bem brasileiros - mas na realidade são típicos de estruturas burocráticas. Aliás quanto maiores as estruturas, mas claros estes problemas se tornam.

O que leva a crer que nosso país é uma gigantesca estrutura burocrática - de cima até abaixo.

Nesse ponto creio que vale a pena pincelar minha opinião pessoal aqui: em 1808 quando D. João VI se estabeleceu no Brasil com sua corte, nós eramos um país colônia muito na sua. Mas com a chegada das cortes, tivemos uma revolução nos costumes - talvez para pior. De repente deveriamos nos tornar mais sofisticados e sabedores dos rapapés e procedimentos de uma corte real.

Creio que isso trouxe uma esquizofrenia para nossa sociedade: ao mesmo tempo um sentimento de inferioridade e uma necessidade de ser servido.

Mas isso fica para um outro post....

terça-feira, 8 de abril de 2014

Fourier Visualização

Recomendação de Visualização: Série de Fourier. Temos também esse aqui.
Que é como os fasores em diferentes frequências se somam para fazer uma onda quadrada.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O IPEA errou! E viva ao IPEA

Bem, o título pode parecer irônico. Mas não é...

O fato que o IPEA errou, mas o fato de ter admitido me dá esperança. Pode ser que a admissão veio para evitar críticas maiores, mas ainda assim a admissão indica uma preocupação com a qualidade dos dados.

Claro que o erro altera por completo a percepção do resultado da pesquisa, ao contrário do que os autores da errata relatam (há um notável silêncio da parte do pessoal que saiu jogando pedra na sociedade brasileira - e isso é bem menos louvável do que a atitude do IPEA de admitir o erro).

Mas o melhor de tudo é que o IPEA liberou os microdados! Isso sim é muito louvável! Eu vou me debruçar sobre os dados e depois trago minhas análises. Quem estiver curioso aqui tem um resumo do próprio IPEA!

Ah, os leitores talvez se lembrem que eu falei que eram 27 afirmações, mas o estudo só publicou a resposta a 25. Sabem qual eram as outras afirmações?
  • as mulatas são mais fogosas do que as mulheres brancas
  • piada de preto é só brincadeira, não é racismo
Curioso, não?

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Não leram a pesquisa, mas a manchete do jornal!

Pesquisa do IPEA revela: sociedade brasileira é uma merda! (Normalmente evito escrever este tipo de interjeição - mas hoje abri uma exceção)

Bem, a manchete é bombástica. E não se trata exatamente disso. Este post trata da pesquisa do IPEA divulgada amplamente por aí.

Meu interesse são os dados da pesquisa original. As pessoas foram perguntadas se concordavam com certas frases ou não. As frases são:
  1. Os homens devem ser a cabeça do lar
  2. Toda mulher sonha em se casar
  3. Uma mulher só se sente realizada quando tem filhos
  4. Casais de pessoas do mesmo sexo devem ter os mesmos direitos dos outros casais
  5. Casamento de homem com homem ou de mulher com mulher deve ser proibido
  6. Um casal de dois homens vive um amor tão bonito quanto entre um homem e uma mulher
  7. Incomoda ver dois homens, ou duas mulheres, se beijando na boca em público
  8. A mulher casada deve satisfazer o marido na cama, mesmo quando não tem vontade
  9. Tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama
  10. A questão da violência contra as mulheres recebe mais importância do que merece
  11. O que acontece com o casal em casa não interessa aos outros
  12. Em briga de marido e mulher, não se mete a colher
  13. A roupa suja deve ser lavada em casa
  14. Casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família.
  15. Quando há violência, os casais devem se separar
  16. Homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia
  17. A mulher que apanha em casa deve ficar quieta para não prejudicar os filhos.
  18. É violência falar mentiras sobre uma mulher para os outros.
  19. Um homem pode xingar e gritar com sua própria mulher. 
  20. Dá para entender que um homem que cresceu em uma família violenta agrida sua mulher
  21. Dá para entender que um homem rasgue ou quebre as coisas da mulher se ficou nervoso
  22. É da natureza do homem ser violento
  23. Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar
  24. Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas
  25. Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros
Muito bem, estas são as perguntas. Vamos ver como foi que foi divulgado? Bem, quase nada das anteriores, mas um bocado das duas últimas. Só que se você der uma olhada na internet e notícias vai ver que a penúltima pergunta foi mudada para:

Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser estupradas.

E, aqui mora o busílis: eu suspeito que se a afirmação fosse "merecem ser estupradas" ao invés de "merecem ser atacadas", então a resposta da pesquisa seria muito diferente. Naturalmente o estupro é uma uma forma de ataque, mas nem todo ataque é estupro. Então eu suspeito que temos um caso de substituição aí (pro causa da possível ambiguidade da pergunta), mas é preciso ter certeza que este é o caso. Para tanto vamos ver como é que os brasileiro responderam em cada questão. Para simplificar vou postar somente o concorda/concorda parcialmente com a afirmação.
  1. Os homens devem ser a cabeça do lar - 63.8% concorda,
  2. Toda mulher sonha em se casar - 77.8% concorda
  3. Uma mulher só se sente realizada quando tem filhos - 59.5% concorda
  4. Casais de pessoas do mesmo sexo devem ter os mesmos direitos dos outros casais - 50.1% concorda
  5. Casamento de homem com homem ou de mulher com mulher deve ser proibido - 51.7% concorda
  6. Um casal de dois homens vive um amor tão bonito quanto entre um homem e uma mulher - 41.1% concorda
  7. Incomoda ver dois homens, ou duas mulheres, se beijando na boca em público - 59.2% concorda
  8. A mulher casada deve satisfazer o marido na cama, mesmo quando não tem vontade - 27.2% concorda
  9. Tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama -54.9% concorda
  10. A questão da violência contra as mulheres recebe mais importância do que merece - 22.4% concorda
  11. O que acontece com o casal em casa não interessa aos outros - 81.9% concorda
  12. Em briga de marido e mulher, não se mete a colher - 78.7% concorda
  13. A roupa suja deve ser lavada em casa - 87% concorda
  14. Casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família - 63% concorda 
  15. Quando há violência, os casais devem se separar- 85% concorda 
  16. Homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia - 91.4% concorda
  17. A mulher que apanha em casa deve ficar quieta para não prejudicar os filhos. - 15.5% concorda
  18. É violência falar mentiras sobre uma mulher para os outros - 68.1% concorda
  19. Um homem pode xingar e gritar com sua própria mulher - 89.2% concorda
  20. Dá para entender que um homem que cresceu em uma família violenta agrida sua mulher
  21. Dá para entender que um homem rasgue ou quebre as coisas da mulher se ficou nervoso - 23.9% concorda
  22. É da natureza do homem ser violento - 21.5% concorda
  23. Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar - 26% concorda
  24. Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas - 65.1% concorda
  25. Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros - 58.5% concorda
Mas vamos dizer que eu esteja me iludindo, acreditando que o povo brasileiro é melhor do que na realidade.  Bem, para ter um ponto de partida, eu tenho que desconfiar do IPEA. E aí começar a olhar a letrinha miúda no contrato. Um detalhe que chama a atenção é este:
"O questionário foi composto de uma parte inicial de caracterização socioeconômica dos respondentes, alguns módulos fixos do SIPS (perguntas da iniciativa My World e sobre satisfação com a vida) e de uma seção específica composta por 27 frases relacionadas à tolerância à violência contra mulher, das quais 25 foram analisadas neste documento. Essas frases foram lidas para os entrevistados, que em seguida deveriam dizer se concordavam total ou parcialmente, ou se discordavam total ou parcialmente, ou se nem concordavam nem discordavam (neutralidade)."
Então, das 27 frases lidas, o documento apresentou 25 frases. As frases que não estão aqui podem ou não ser relevantes. Mas isso não é tão importante assim.

Ao entramos nas notas técnicas o primeiro ponto importante é o uso da regressão logística. E aí olha só o que nós temos:

Os homens devem ser a cabeça do lar - 63.8% concorda
O modelo de regressão logística é um modelo de classificação probabilística que usa uma curva já bastante mencionada neste blog. Eu não conheço muito bem, mas parece utilizar a famosa curva logística como modelo de cdf. Vamos ao que foi colocado no relatório:
  • Discorda totalmente: 24.8%
  • Discorda parcialmente: 8.5%
  • Neutro 2.7%
  • Concorda parcialmente 22.9%
  • Concorda totalmente 40.9%
Pelo que pude averiguar, este resultado é o global. Infelizmente não consegui obter exatamente estes dados das respostas colocadas no relatório. Mas há informações interessantes.:

Logistic regression Number of obs = 3810 
 LR chi2(8) = 275.76 
Prob > chi2 = 0.0000 
Log likelihood = -2357.5647 Pseudo R2 = 0.0553 
 ------------------------------------------------------------------------------ 
 depq18 |   Odds Ratio      Std. Err.        z    P>|z|    [99% Conf. Interval] 
-------------+---------------------------------------------------------------- 
 sse |             .6156194    .0445374   -6.71   0.000    .5109536 .7417254 
 idoso |       1.694951      .1756411     5.09   0.000  1.297878 2.213504 
 fem |            .5824232    .0447548   -7.03   0.000    .4778345 .7099043 
 cato |         1.395442      .1632311     2.85   0.004  1.032419 1.886112 
 evan |        2.126829      .2793695     5.74    0.000  1.516317 2.983151 
 edufunda |   .680706      .0656162    -3.99   0.000    .5310389 .8725552 
 edumedia |  .5733209    .0501974    -6.35   0.000    .4575644 .7183619 
 edusuper |   .3172155    .0495986    -7.34   0.000    .2120526 .4745317 
 _cons |      2.879624     .4109589      7.41   0.000  1.993827 4.158953 
------------------------------------------------------------------------------ 
Correctly classified 65.93% 
Pesquisando um pouco vejo que este tipo de saída é a do software stata. Eu até procurei saber mais sobre o software e regressão logística. Mais ainda eu vejo esta informação adicional:
"Além disso, buscou-se modelar, para cada uma das sentenças, a variação da concordância em função de características objetivas dos indivíduos entrevistados. Para tanto, foram elaborados modelos logit clássicos, cuja variável dependente dividia os entrevistados em dois grupos, com os que concordaram total e parcialmente codificados como um, e, os demais como zero. Foram considerados, inicialmente sete grupos de características: região de residência, sexo, cor ou raça, idade, religião, escolaridade e renda."
Isto quer dizer:
  • Concorda total ou parcialmente = 1
  • Discorda total ou parcialmente =0
As características da população entrevistada (3810 pessoas) são estas:
A) Residentes no Sul ou Sudeste (sse): 56,7% 
B) Residentes em áreas metropolitanas (metro): 29,1% 
C) Pessoas jovens, 16 a 29 anos (jovem): 28,5% 
D) Pessoas adultas, 30 a 59 anos: 52,4% 
E) Pessoas idosas, 60 ou mais anos (idoso): 19,1% 
F) Mulheres (fem): 66,5% 
G) Brancos (branco): 38,7% 
H) Católicos (cato): 65,7% 
I) Evangélicos (evan): 24,7% 
J) Demais religiões, ateus e sem religião: 9,6% 
K) Menos que o ensino fundamental: 41,5% 
L) Ensino fundamental (edufunda): 22,3% 
M) Ensino médio (edumedia): 30,8% 
N) Ensino superior (edusuper): 5,4% 
O) Renda domiciliar per capita média: R$ 531,26 
Note que segundo estas informações podemos afirmar, baseado na tabela que
O texto de análise neste tópico diz:
"Em relação a pessoas que não são católicas ou evangélicas, os primeiros têm chance 1,4 vez maior de tender a concordar e os últimos, 2,1 vezes maior. A chance de os homens concordarem total ou parcialmente é 1,7 vez maior do que a das mulheres. E quanto mais elevada é a escolaridade, menor é a tendência a concordar."
Isto quer dizer cato=1.4, evan=2.1, fem=1/1.7 =.5882352941. A tabela mostra: cato= 1.395442, evan=2.126829 e fem=.5824232. O grupo de odds ratio maior que 1 tende a concordar mais com a sentença. Eu imagino que os grupos omitidos na lista provavelmente tem a mesma igual a 1 (não dá para ter certeza se metade concorda e metade discorda - possivelmente o intervalo de confiança continha o 1).

Muito bem, isso quer dizer que odds ratio permite saber o incremento ou decremento de acordo com a variável. No caso da variável mulheres (fem):

OR=(p_mulheres_concorda/p_mulheres_discorda)/(p_não_mulheres concorda/p_não_mulheres_discorda) =(p_mulheres_concorda/p_mulheres_discorda)/(p_homens_concorda/p_homens_discorda)

p_mulheres_concorda/p_mulheres_discorda=0.58*p_homens_concorda/p_homens_discorda
p_mulheres_concorda*66.5+p_homens_concorda*33.5=0.657
p_mulheres_discorda*66.5+p_homens_discorda*33.5=24.8+8.5=0.343
p_mulheres_concorda+p_mulheres_discorda=1

Isso dá um conjunto de 4 equações e 4 icógnitas.

Logo: p_homens_concorda=.7356546325 e p_mulheres_concorda=.6174590692

O que isso significa?
  • 73.6% dos homens concorda com a afirmativa e 26.4% discorda da alternativa
  • 61.7% das mulheres concorda com a afirmativa e 38.3% discorda da alternativa
Muito bem, colocado isso vamos as duas questões polêmicas:
Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas - 65.1% concorda

Logistic regression Number of obs = 3810
 LR chi2(4) = 209.14
Prob > chi2 = 0.0000
Log likelihood = -2079.1928 Pseudo R2 = 0.0479

------------------------------------------------------------------------------
 depq15 | Odds Ratio Std. Err. z P>|z| [99% Conf. Interval]
-------------+----------------------------------------------------------------
 sse | .419368 .0319289 -11.41 0.000 .3446867 .5102302
 jovem | .6887316 .0619444 -4.15 0.000 .5463076 .8682859
 edumedia | .67498 .0588612 -4.51 0.000 .5391854 .8449747
 edusuper | .3421983 .0754895 -4.86 0.000 .1938643 .604029
 _cons | .7112971 .0430464 -5.63 0.000 .6086271 .8312866
------------------------------------------------------------------------------
Correctly classified 73.99%

Só dá para fazer a análise mesmo do grupo geográfico

p_sul_sudeste_concorda/p__sul_sudeste_discorda=.419368*p_não_sul_sudeste_concorda/p_não_sul_sudeste_discorda
p_sul_sudeste_concorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.67
p_sul_sudeste_discorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.33
p_sul_sudeste_concorda+p_sul_sudeste_discorda=1

Ou seja: p_sul_sudeste_concorda=.5903358167 e p_não_sul_sudeste_concorda=.7743177643

Isso é interessante: a maior parte da concordância das respostas veio do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O que isso significa?
  • 59% dos entrevistados provenientes do sul-sudeste concorda com a alternativa e 41% discorda.
  • 77.4% dos entrevistados provenientes do restante do Brasil concorda com a alternativa e 22.6% discorda da alternativa.
Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros - 58.5% concorda

Logistic regression Number of obs = 3810 
 LR chi2(7) = 160.91 
Prob > chi2 = 0.0000 
Log likelihood = -2505.0631 Pseudo R2 = 0.0311 
------------------------------------------------------------------------------ 
 depq21 | Odds Ratio Std. Err. z P>|z| [99% Conf. Interval] 
-------------+---------------------------------------------------------------- 
 sse | .5735135 .039498 -8.07 0.000 .4802869 .684836 
 jovem | .7965794 .0619156 -2.93 0.003 .6520465 .9731495 
 cato | 1.403487 .1612127 2.95 0.003 1.044027 1.88671 
 evan | 1.5347 .1943147 3.38 0.001 1.107604 2.126487 
 edufunda | .7706809 .0704765 -2.85 0.004 .6089417 .9753792 
 edumedia | .7431292 .0617396 -3.57 0.000 .5999635 .9204578 
 edusuper | .3688188 .0570729 -6.45 0.000 .2475738 .5494414 
 _cons | 1.843867 .2308136 4.89 0.000 1.335659 2.545444 
------------------------------------------------------------------------------ 
Correctly classified 61.18%

p_sul_sudeste_concorda/p__sul_sudeste_discorda=.57*p_não_sul_sudeste_concorda/p_não_sul_sudeste_discorda
p_sul_sudeste_concorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.61
p_sul_sudeste_discorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.39
p_sul_sudeste_concorda+p_sul_sudeste_discorda=1

Ou seja: p_sul_sudeste_concorda=.5530255880 e p_não_sul_sudeste_concorda=.6846062162
Como o caso anterior, a maior parte da concordância veio do Nordeste, Centro-Oeste e Norte. O que isso significa?
  • 55.3% dos entrevistados provenientes do sul-sudeste concorda com a alternativa e 45% discorda.
  • 68.4% dos entrevistados provenientes do restante do Brasil concorda com a alternativa e 31.6% discorda da alternativa.
Aqui é possível fazer a análise com mais detalhes também na educação. Mas há o problema de ter mais categorias.

Mas já podemos tirar algumas conclusões

O questionário tem problemas sérios:
  1. A escolha de ditados populares  foi equivocada (Briga de marido e mulher e Roupa Suja). Não é a toa que a enorme maioria concordou (essencialmente 3 de cada 4 pessoas). E concordavam mesmo quando o ditado contrariava opiniões de outras perguntas.
  2. A escolha de "devem ser atacadas" cria ambiguidade. Se eu acreditasse em teoria de conspiração, iria falar que a ambiguidade foi de propósito.
  3. As notas técnicas não tem informações suficientes, mas estão longe de estarem incompletas. Fica realmente difícil avaliar com imparcialidade
E por fim:
As pessoas não lêem! Creio que algo na vizinhança de 99+% emitiu opinião sobre o resultado da pesquisa do IPEA sem ler uma linha da mesma. Pior ainda: suspeito que há um percentual que só leu a manchete e a partir daí começou a emitir opinião.

Post Scriptum

O IPEA errou na pesquisa. Na realidade a conta é a seguinte:

Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas

 Vamos ao que foi colocado no relatório:
  • Discorda totalmente: 58.4%
  • Discorda parcialmente: 11.6%
  • Neutro 3.4%
  • Concorda parcialmente 12.8%
  • Concorda totalmente 13.2%
Isso dá 26% concorda. Comparando com o resultado de antes
  • Discorda totalmente: 24%
  • Discorda parcialmente: 8.4%
  • Neutro 1.9%
  • Concorda parcialmente 22.4%
  • Concorda totalmente 42.7%
Ou seja: o resultado é o oposto do que foi divulgado. O interessante é que o resultado anterior fica:
p_sul_sudeste_concorda/p__sul_sudeste_discorda=.419368*p_não_sul_sudeste_concorda/p_não_sul_sudeste_discorda
p_sul_sudeste_concorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.27
p_sul_sudeste_discorda*56.7+p_não_sul_sudeste_concorda*43.3=0.73
p_sul_sudeste_concorda+p_sul_sudeste_discorda=1

Ou seja: p_sul_sudeste_concorda=.1964360483 e p_não_sul_sudeste_concorda=.3682542585

Isso é interessante: a maior parte da concordância das respostas veio do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O que isso significa?
  • 19.6% dos entrevistados provenientes do sul-sudeste concorda com a alternativa e 80.4% discorda.
  • 33.7% dos entrevistados provenientes do restante do Brasil concorda com a alternativa e 66.3% discorda da alternativa.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

50 anos do Golpe Militar

Esta semana foi marcada pelo aniversário de 50 anos do golpe militar de 1964. Felizmente, a maioria das manifestações é de repúdio pela ditadura que se instalou por 20 anos do Brasil começando naquela data.

Mas este post não é para relembrar isto.

Este post é para mostrar um truque para descobrir o apoio a democracia ou não.

O truque é o seguinte: Pergunte a quem repudia o golpe de 1964 qual é a opinião do mesmo sobre a ditadura cubana. Se a pessoa tergiversar, então...

Quem condena o golpe de 1964, mas apoia a ditadura cubana não é democrata. Apenas hipócrita: apoia somente as "ditaduras do bem" (fico imaginando o tipo de pessoa que tem a Coréia do Norte como exemplo de "ditadura do bem").

Para esse pessoal "democracia é quando eu mando, e ditadura é quando você manda em mim". Nem mais, nem menos...

sexta-feira, 28 de março de 2014

Colocando dinheiro aonde a boca está

O título deste post é uma variante da frase em inglês Put Your Money where your Mouth is.

E este é o ponto aonde falham miseravelmente todos os "ativistas" da internet.

Diz que é um complô contra a Petrobrás?: Ótimo! Compre ações da mesma, assim você estará auxiliando a Petrobrás a vencer os momentos difíceis, mostrando aos críticos que acredita realmente naquilo que você fala, e de quebra ainda saí com um dinheiro - pois certamente a empresa irá se valorizar depois que perceberem que houve sub-avaliação.

Não quer fazer isto? Então, francamente....

Em tempo: em 2009 eu acreditei na Petrobrás e comprei R$ 5.000,00 de do fundo de ações da Petrobrás no Banco do Brasil - dinheiro suado! Sabe quanto é o valor hoje desta aplicação? R$ 1.738,10. Praticamente 1/3 do valor original.

Mas podia ser pior... Imagine se eu tivesse FGTS aplicado em ações da Petrobrás?

Então, quem quiser defender a evolução da Petrobrás na minha frente terá de colocar dinheiro aonde a boca está, ou seja: só vai merecer alguma atenção se comprar ações da Petrobrás.

De nada vale se já as tiver, e de nada vale se a compra for meramente simbólica (valores simbólicos).

Depois que tiver comprado os papéis, então só aí vai merecer um pouco de credibilidade...

Na minha opinião deveríamos fazer isto com todos os debates: que discute tem que demonstrar que realmente crê naquilo - e crê o suficiente para colocar em jogo algo de valor.

Suspeito que aí a enorme maioria dos "ativistas" iria preferir ficar quieto.

PS: Eu estou usando agora a palavra "ativistas" de modo um tanto quanto ruim. A razão é que estou gradativamente ficando sem paciência com gente que sempre teve tudo e age como revoltado.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Torcendo o Pepino, e a Verdade também

Saiu recentemente uma pesquisa sobre população carcerária.
Foram analisados os perfis de 751 presos de dez unidades de
Vamos aos fatos?

  • Aproximadamente 50% era reincidente
  • Aproximadamente 25%  tinha fugido de casa antes de completar 15 anos, sendo que 35.5% destes tomaram esta atitude devido à violência familiar
  • 40% dos detentos foi preso por roubo
  • 30% dos detentos foi preso por porte ou tráfico (66% dos crimes foi cometido por mulheres)
  • 16% dos detentos foi preso por crimes sexuais
  • 11% dos detentos foi preso por homicídio
  • 95% dos detentos é homem
  • 70% dos detentos tem filhos
  • 30% dos detentos não trabalhavam antes de serem presos
  • 84% dos detentos não conseguiu concluir o ensino médio.

E aqui há algumas informações importantes. A primeira delas é sobre o tamanho da amostra. Com 751 amostras e percentagem de 50%, o intervalo de confiança é de 3.57% (com 99% é de 4.7%). Então todos os dados na pesquisa tem mais ou menos 3.6% de margem de erro neles.

A segunda coisa é que se 25% dos detentos tinha fugido de casa e 35.5% destes tomaram esta atitude devido a violência familiar, isto constitui cerca de 8.875% do total - ou 66 detentos.

O terceiro e mais interessantes é quanto a natureza do roubo: 66% dos crimes relacionados à drogas foi cometido por 5% da população. Quer dizer:

p(mulher | crime relativo a drogas) = 0.66
p(homem | crime relativo a drogas) = 0.34
p(homem)=0.95
p(mulher)=0.05

Rearranjando:

p(crime relativo a drogas | mulher)=(0.66 *0.95)/(0.05*0.34)*p(crime relativo a drogas | homem)

ou seja: 

 p(crime relativo a drogas | mulher)=37*p(crime relativo a drogas | homem)

O que quer dizer que a razão de que o tráfico de drogas é razão de encarceramento 37 vezes mais provável para mulheres do que para homens.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Mais um Fim do Mundo?

Uma manchete de impacto: O colapso da civilização?
      Charts show possible scenarios for collapse of civilization.
     
Source:LiveScience
Mas, naturalmente, há diversos poréns não explicados no texto do artigo.

O paper  'Human and Nature Dynamics (HANDY): Modeling Inequality and Use of Resources in the Collapse or Sustainability of Societies' não foi solicitado, revisado ou pedido pela Nasa. Mas sim, teve financiamento parcial.

O artigo original (bem como outro) traz muito mais informações do que o texto indica, e uma dessas informações mais importante é há o espectro do colapso em sociedades igualitárias (sem elites), com trabalhadores e sem trabalhadores, e nas sociedades com elites. Ou seja: Todas as formas de sociedade simuladas apresentaram colapso sob certas condições.

Isto é bem diferente do que o texto do artigo com a manchete anterior tenta repassar :"Ele sugere que a civilização moderna pode estar à beira de um colapso, da qual pode até não se recuperar mais."

O que o texto do artigo diz? "In this paper we attempt to build a simple mathematical model to explore the essential dynamics of interaction between population an natural resources"

A palavra importante aqui é "simple". Este é um modelo simplificado (mas não podemos dizer que simplista) que inclui parte da dinâmica do processo.

Ele não é o modelo completo e sequer um modelo que permita realizar predições em sociedades já conhecidas.

Mas o importante, tirando a mensagem fatalista da manchete, é que já há modelos razoavelmente complexos que permitem observar alguns dos  comportamentos vistos em sociedades humanas. E isso já um grande achado!