terça-feira, 13 de setembro de 2016

Resultado das Eleições para Reitor da UnB

Tivemos um pleito para decidir os nomes para reitoria da UnB. A vencedora foi a chapa 94 composta pela Márcia Abraão e Henrique Huelva (vice).

Concorreram o reitor atual (Ivan - chapa 96) e a Profa. Denise Bontempo (chapa 93).

Os resultados foram os seguintes:
Chapa 93 (Denise)

  • Docentes: 202
  • Técnicos: 329
  • Estudantes: 538

Chapa 94 (Márcia)

  • Docentes: 750
  • Técnicos: 1512
  • Estudantes: 6136

Chapa 95 (Ivan)

  • Docentes: 850
  • Técnicos: 500
  • Estudantes: 4487

É interessante comparar o resultado com o segundo turno da eleição de 2012:
Chapa 80 (Márcia)

  • Docentes: 732
  • Técnicos: 956
  • Estudantes: 4382

Chapa 86 (Ivan)

  • Docentes: 1051
  • Técnicos: 815
  • Estudantes: 4457

Já a Profa. Denise concorreu somente no primeiro turno da eleição de 2012 e teve os seguintes números:

  • Docentes: 238
  • Técnicos: 325
  • Estudantes: 349

Olhando os resultados, vemos que em 2016 a Profa. Márcia teve um resultado similar ao de 2012 na categoria dos docentes, enquanto o Prof. Ivan teve um resultado similar ao de 2012 na categoria dos estudantes. A Profa. Denise teve um resultado similar ao de 2012 na categoria dos docentes e técnicos.

A diferença em 2016 foi a diminuição da base do número de docentes (em quase 200) comparado a 2012 do Prof. Ivan, e o aumento de mais de 1700 estudantes e 550 técnicos na chapa da Márcia.

Independente da diminuição no número de docentes, vamos ver quanto foram os totais de votantes em 2016 e 2012
Em 2012:

  • Docentes: 1738
  • Técnicos: 1771
  • Estudantes: 8839
Em 2016:

  • Docentes: 1802
  • Técnicos: 2341
  • Estudantes: 11.161

Em termos percentuais
Em 2012:
Márcia

  • Docentes: 41.05
  • Técnicos: 53.98%
  • Estudantes: 49.58%

Ivan

  • Docentes: 58.95%
  • Técnicos: 46.02%
  • Estudantes: 50.42%
Em 2016:
Márcia

  • Docentes: 41.62%
  • Técnicos: 64.59%
  • Estudantes: 54.98%

Ivan

  • Docentes: 47.17%
  • Técnicos: 21.36%
  • Estudantes: 40.20%
É isso.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Brexit?

Muito se discute sobre o Brexit.

Se foi bom, se foi ruim.

A grande verdade é que... depende.

Essa é uma daquelas decisões cujas ramificações não podem ser totalmente mapeadas a partir do momento que a mesma se torna real.

É algo muito, muito, muito complicado mesmo.

Se vai ser bom ou se vai ser ruim depende dos acordos que serão realizados, de como a saída será efetivada, qual é a reação dos países membros e não membros da UE e ainda qual é reação dos países membros do Reino Unido (Irlanda, Escócia e País de Gales).

Se os acordos comerciais forem bons, então isto levará a novos acontecimentos, podendo até acarretar a saída de outros países da União Européia. Se apenas um grande sair, por exemplo França, a Alemanha poderá ficar em situação privilegiada (ou não).

Então há muitas ramificações possíveis. Nem todas boas e nem todas ruins. Só o tempo dirá com certeza.

Mas...

Se não quisermos certeza, mas apenas probabilidades, então é possível fazer alguns chutes educados.

Por exemplo, podemos fazer alguns chutes educados com relação a Escócia. No plebiscito que tratava da separação, a votação foi 44% a 56%. Já na votação do Brexit a votação foi de 62% a 38%.

Quem votou sim para o não Brexit (Remain) tem duas possibilidades: votou sim para o plebiscito ou não.
p(Remain)=p(Remain|sim)*p(sim) + p(Remain|não)*p(não) = p(Remain|sim)*0.44 + p(Remain|não)*0.56 = 0.62

Quem votou sim para o Brexit tem duas possibilidades: votou sim para o plebiscito ou não.
p(Brexit)=p(Brexit|sim)*p(sim) + p(Brexit|não)*p(não) = p(Brexit|sim)*0.44 + p(Brexit|não)*0.56 = 0.38

A questão é determinar:
p(Remain|sim)
p(Remain|não)
p(Brexit|sim)
p(Brexit|não)
A solução são duas equações

  • p(Remain|não)=1.107142857-.7857142857*p(Remain|sim)
  • p(Brexit|não)=.6785714286-.7857142857*p(Brexit|sim)

O máximo valor de p(Remain|sim) é 1. O que dá que o mínimo valor de p(Remain|não) é 0.32 .Já o máximo valor de (Remain|não) é 1, o que dá o mínimo valor de p(Remain|sim) de 0.14

O mínimo valor de p(Brexit|não) é 0. O que dá que o máximo valor de p(Brexit|sim) é 0.86 .Já o máximo valor de (Brexit|não) é 0.68, o que dá o mínimo valor de p(Brexit|sim) de 0

Assim temos:

  • p(Remain|sim) está entre 0.14 e 1
  • p(Remain|não) está entre 0.32 e 1
  • p(Brexit|sim) está entre 0 e 0.86
  • p(Brexit|não) está entre 0 e 0.68

Sabendo isso temos:

  • p(não|Remain) está entre 0.3 e 0.9
  • p(não|Brexit) está entre 0 e 0.6
  • p(sim|Remain) está entre 0.1 e 0.7
  • p(sim|Brexit) está entre 0.4 e 1

E o que isto quer dizer? O que queremos saber é qual a proporção de votos sim e não em um segundo plebiscito dado quem votou Remain ou Brexit

Ou seja:
p(sim)=p(sim|Brexit)*p(Brexit)+p(sim|Remain)*p(Remain)

Aqui temos combinações

  • p(sim)=0.4*0.38+0.1*0.62 = 0.21
  • p(sim)=0.4*0.38+0.7*0.62 = 0.59
  • p(sim)=1*0.38+0.1*0.62 = 0.44
  • p(sim)=1*0.38+0.7*0.62 = 0.81

Cujo valor esperado é de 51.4%. Isto quer dizer que, caso haja um novo plebiscito, as chances estão do lado da separação da Escócia do Reino Unido.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Narrativa e Realidade - o caso da UnB

Na última sexta-feira a UnB foi invadida por pessoas com slogans fascistas e homofóbicos.

Segundo o próprio correio braziliense, o ato foi organizado por Kelly Bolsonaro (suspeito que não seja parente):
"A Universidade de Brasília (UnB) investiga a atuação de um grupo de manifestantes na noite desta sexta-feira (17/6) que resultou em ataques homofóbicos e racistas a estudantes que estavam no Instituto Central de Ciências (ICC), conhecido como Minhocão. Segundo relatos, os manifestantes chegaram ao local por volta das 20h, gritando palavras de protesto, exigindo a volta da ditadura militar. Eles ainda teriam feito o uso de bomba caseira. A instituição afirma que ainda apura o caso."
Tem até um vídeo com o acontecido


Certamente essa senhora que aparece falando é uma racista homofóbica, não?

Bem... antes do leitor decidir talvez seja melhor ver o mesmo vídeo, só que de outro ângulo.


Agora, o leitor não tem mais certeza, não é?

Claro que o que clarificou o ataque como fascista foi o texto de um dos alunos que viu o incidente:
"Hoje na UnB, aconteceu uma situação assustadora. Um grupo de 15 pessoas entrou no câmpus, vestido com blusas escritas 'Fora PT', 'Bolsonaro presidente' e começou a gritar frases como 'Aqui é lugar de estudar e não de fumar maconha' e ' Vocês são comunistas safados', 'Acabou a mamada'". De acordo com o relato, o grupo ainda ofendeu os estudantes com xingamentos como  "viados"  vagabundos", "comunistas nojentos". Estavam extremamente agressivos e vinha para cima de quem estava passando no ICC com uma postura recheada de razão! No começo de tudo eles soltaram uma bomba, isso mesmo, uma bomba na porta do ICC norte. E logo após uns 10 minutos soltaram outra bomba!!!!!!!! Fiquei extremamente nervoso e com medo. Foi uma cena assustadora. Foram ali para dizer que todos nós éramos vagabundos, maconheiros. A maioria de nós ficamos olhando, perplexos com o que estávamos vendo. E quando um grupo pequeno contrapôs, uma mulher que estava no grupo, tirou com um sorriso frio e nefasto uma arma de choque. Sério, ela tirou e apontou para um estudante. Tinha um dois senhores com cacetetes. E um deles gritou 'Isso é só o começo, vamos voltar"
Bem, adivinhem quem é o aluno em questão no vídeo.

Narrativas, pessoal, narrativas...


terça-feira, 14 de junho de 2016

Narrativa e Realidade - o caso de Orlando

Neste fim de semana uma tragédia horrível aconteceu em Orlando: um atirador matou cerca de 50 pessoas em uma boate gay.

E para piorar, há informações que ele jurou lealdade ao estado islâmico, era filho de afegãos, comprou armas legalmente apesar de ser investigado como terrorista e teve motivações homofóbicas.

Ou seja, um prato cheio tanto para radicais de direita (deportações de imigrantes e ações militares contra o Islã) quanto de esquerda (controle de armas e criminalização da homofobia).

Só que...

A realidade é bem mais complicada.

  1. O atirador era descendente de imigrantes, mas nasceu em Nova Iorque - ou seja, a narrativa de expulsão de imigrantes se complica.
  2. O atirador era segurança e tinha permissão legal para porte de armas - ou seja,a narrativa da necessidade o controle de armas se complica.
  3. O atirador frequentou o clube gay por muito tempo antes do massacre e usava um app para encontros gays - ou seja, há uma possibilidade que ele fosse gay, ainda que secretamente - ou seja, a narrativa da homofobia se complica. 

Então o que sobra?

O que sobra é que a realidade é bem mais complicada e difícil de encaixar nas narrativas que são fabricadas para polarizar opiniões.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Sobre a Última Assembléia de Professores da UnB

Bem, segundo o encaminhamento votado em assembléia ontem, os professores da UnB devem construir uma greve contra o "golpe" contra Dilma.

Essencialmente o que eles decidiram o segundo semestre não deve começar até que Dilma volte ao governo.

Ai, aí... Fica difícil.

Mas ao mesmo tempo é fácil entender a tolice da proposta. Segundo o calendário do impeachment, a votação está prevista para a primeira semana de agosto.

O início das aulas do segundo semestre na UnB se dará na segunda semana de agosto.

Ok. Portanto até o início das aulas já saberemos se Dilma volta ou não. E aí a greve fica como?

  • Se Dilma volta, não faz sentido fazer greve, já que a razão da greve desaparece.
  • Se Dilma não volta, não faz sentido fazer greve, já que o afastamento terá sido ratificado pelo poder legislativo.

Em suma: o resultado do processo de impeachment não será alterado independente dos professores fazerem ou não uma greve após o resultado do processo.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Sobre as autoridades, a mídia, os ativistas e o estupro

Com as confusões a respeito do estupro de uma garota de 16 anos por 33 homens, há muito o que se esclarecer.

Mas o problema é que nem a mídia e nem os ativistas estão fazendo um papel honesto nesta história.

Não me entendam mal: todos estão fazendo o papel que mais se adéqua a agenda de cada um.

Só que ninguém está cuidando dos interesses da vítima.

Vamos ao que realmente aconteceu: a vítima (twitter dela aqui) foi a um baile funk com a intenção de se divertir.

E aí cabe dizer que a vítima era menor de idade e pode ser que estivesse sob efeito de álcool ou entorpecentes. E isto caracteriza o que aconteceu a partir daí como estupro de vulnerável.  Então não há dúvida: sob está ótica é estupro mesmo.

Mas

Há uma série de complicações na história. A primeira é que a vítima já fazia este tipo de festinhas há tempos.

E nunca reclamou, aliás nas suas próprias palavras...

Há ainda evidências que isto teria sido planejado.

E há dúvidas se ela teria mesmo usado drogas ou bebido.

E então o que realmente aconteceu?

Bem, sem uma forma perfeita de olhar o passado, só posso especular uma possível linha do tempo.

Uma linha plausível é que ela foi a festa, possivelmente consumindo álcool e/ou entorpecentes, depois foi ao local da "festa particular", fez o que queria, e depois dormiu. Ao dormir o pessoal a filmou sem roupa e nessa brincadeira o telefone dela desapareceu. E daí, a situação escalou.

A divulgação do vídeo, em conjunto com a advogada ativista só transformou a situação em algo mais midiático.

Então foi estupro? Pelo que foi escrito até agora, o acontecido entra na categoria de estupro de vulnerável. Então, sim! E ela é vítima. Pena que ninguém parece estar zelando pelo bem-estar da vítima.

E esta história está longe de se encaixar no quadro de estupro que normalmente se pinta por aí.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Contexto é fundamental

Na análise do contexto das gravações de Renan e Juca é fundamental descobrir algumas informações antes de fazer qualquer julgamento.

A primeira coisa que devemos fazer no casos desses áudios é estabelecer uma cronologia.

Pelas indicações na transcrição de ambos, as gravações ocorreram depois de 8 de março de 2016.

Isto é porque a popularidade de 18% de Moro em uma pesquisa para presidente que foi divulgada no dia 08/03/16.

Na transcrição da conversa com Jucá, Machado diz: "Você viu a pesquisa de ontem que deu o Moro com 18% para a Presidência da República". Então dá para colocar a data da gravação na vizinhança de 9 a 11 de março

O trecho na conversa com Renan:"Mesma coisa, já deu sinal com a filha do Eduardo e a mulher... Aquele negócio da filha do Eduardo, a porra da menina não tem nada, Renan, inclusive falsificaram o documento dela. Ela só é usuária de um cartão de crédito"

Esta notícia é de 09/03/16.

Já na conversa de Renan temos:"Que aí não entra só o petista, entra o legalista. Ontem o Cassio falou."

E aí eu aposto em 11/03/2016. A data é consistente com a condução coercitiva de Lula.

Então melhores chutes: a conversa de Romero ocorreu no dia 09/03 e a de Renan 11/03

Isto é depois da condução coercitiva de Lula. Mas antes da divulgação dos grampos de Lula por Moro.

Portanto, qualquer análise sobre o conteúdo tem de levar em conta o contexto que as conversas ocorreram depois da condução coercitiva de Lula mas antes da divulgação dos grampos por Moro. Ou seja, não havia ocorrido a mega manifestação pelo impeachment (13/03/2016) e a comissão do impeachment ainda não tinha sido formada (17/03/2016). (a cronologia pode ser vista aqui)

Vamos a uma cronologia das reviravoltas no processo na época das gravações então:

  • Delação de Delcídio do Amaral - 03/03/16
  • Condução coercitiva de Lula - 04/03/16
  • Protestos de 13 de março - 13/03/16
  • Lula Ministro - 16/03/16
  • Vazam áudios de conversas de Lula e Dilma - 16/03/16

Então, é a luz destes acontecimentos que devemos analisar as transcrições. No caso de Jucá:
"Machado - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel.
Jucá - [concordando] Só o Renan que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.
Machado - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
Jucá - Com o Supremo, com tudo.
Machado - Com tudo, aí parava tudo.
Jucá - É. Delimitava onde está, pronto.
Machado - Parava tudo. Ou faz isso... Você viu a pesquisa de ontem que deu o Moro com 18% para a Presidência da República?"
Então parar neste contexto pode também ser interpretado como parar o processo de impeachment e não necessariamente fazer o impeachment. Já no caso de Renan:
"MACHADO - E essa é a preocupação. Porque é o seguinte, ela [Dilma] não se sustenta mais. Ela tem três saídas. A mais simples seria ela pedir licença...
RENAN - Eu tive essa conversa com ela.
MACHADO - Ela continuar presidente, o Michel assumiria e garantiria ela e o Lula, fazia um grande acordo. Ela tem três saídas: licença, renúncia ou impeachment. E vai ser rápido. A mais segura para ela é pedir licença e continuar presidente. Se ela continuar presidente, o Michel não é um sacana...
RENAN - A melhor solução para ela é um acordo que a turma topa. Não com ela. A negociação é botar, é fazer o parlamentarismo e fazer o plebiscito, se o Supremo permitir, daqui a três anos. Aí prepara a eleição, mantém a eleição, presidente com nova..."
Também pode ser interpretado como Temer governando sob a batuta de Lula.
"MACHADO - Tá mesmo. Ela acabou. E o Lula, como foi a conversa com o Lula?
RENAN - O Lula está consciente, o Lula disse, acha que a qualquer momento pode ser preso. Acho até que ele sabia desse pedido de prisão lá...
MACHADO - E ele estava, está disposto a assumir o governo?
RENAN - Aí eu defendi, me perguntou, me chamou num canto. Eu acho que essa hipótese, eu disse a ele, tem que ser guardada, não pode falar nisso. Porque se houver um quadro, que é pior que há, de radicalização institucional, e ela resolva ficar, para guerra...
MACHADO - Ela não tem força, Renan.
RENAN - Mas aí, nesse caso, ela tem que se ancorar nele. Que é para ir para lá e montar um governo. Esse aí é o parlamentarismo sem o Lula, é o branco, entendeu?"
Também pode ser interpretado (com um certo sentido) em um Lula primeiro ministro de facto.
"MACHADO - A bola está no seu colo. Não tem um cara na República mais importante que você hoje. Porque você tem trânsito com todo mundo. Essa tua conversa com o PSDB, tu ganhou uma força que tu não tinha. Então [inaudível] para salvar o Brasil. E esse negócio só salva se botar todo mundo. Porque deixar esse Moro do jeito que ele está, disposto como ele está, com 18% de popularidade de pesquisa, vai dar merda. Isso que você diz, se for ruptura, vai ter conflito social. Vai morrer gente.
RENAN - Vai, vai. E aí tem que botar o Lula. Porque é a intuição dele...
MACHADO - Aí o Lula tem que assumir a Casa Civil e ser o primeiro ministro, esse é o governo. Ela não tem mais condição, Renan, não tem condição de nada. Agora, quem vai botar esse guizo nela?
RENAN - Não, [com] ela eu converso, quem conversa com ela sou eu, rapaz."
De novo faz sentido a hipótese do parlamentarismo com Lula primeiro-ministro.
"MACHADO - [...] A meu ver, a grande chance, Renan, que a gente tem, é correr com aquele semi-parlamentarismo...
RENAN - Eu também acho.
MACHADO -...paralelo, não importa com o impeach... Com o impeachment de um lado e o semi-parlamentarismo do outro.
RENAN - Até se não dá em nada, dá no impeachment.
MACHADO - Dá no impeachment.
RENAN - É plano A e plano B.
MACHADO - Por ser semi-parlamentarismo já gera para a sociedade essa expectativa [inaudível]. E no bojo do semi-parlamentarismo fazer uma ampla negociação para [inaudível].
RENAN - Mas o que precisa fazer, só precisa tres três coisas: reforma política, naqueles dois pontos, o fim da proibição..."
Me parece que isto soa como um grande acordo para escapar da cadeia.
"MACHADO - E tem que encontrar, Renan, como foi feito na Anistia, com os militares, um processo que diz assim: 'Vamos passar o Brasil a limpo, daqui para frente é assim, pra trás...' [bate palmas] Porque senão esse pessoal vão ficar eternamente com uma espada na cabeça, não importa o governo, tudo é igual."
Só me faz acreditar em um grande acordão com Lula primeiro-ministro.
"MACHADO - Não dá pra ficar como está, precisa encontrar uma solução, porque se não vai todo mundo... Moeda de troca é preservar o governo [inaudível].
RENAN - [inaudível] sexta-feira. Conversa muito ruim, a conversa com a menina da Folha... Otavinho [a conversa] foi muito melhor. Otavinho reconheceu que tem exageros, eles próprios tem cometido exageros e o João [provável referência a João Roberto Marinho] com aquela conversa de sempre, que não manda. [...] Ela [Dilma] disse a ele 'João, vocês tratam diferentemente de casos iguais. Nós temos vários indicativos'. E ele dizendo 'isso virou uma manada, uma manada, está todo mundo contra o governo.'
MACHADO - Efeito manada.
RENAN - Efeito manada. Quer dizer, uma maneira sutil de dizer "acabou", né."
Para mim essa é a pérola: Dilma se reunindo com os "donos da mídia" para debelar a crise.

Pois é, datas são fundamentais...

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Delações e Danações

Uma das delações mais bombásticas foi finalmente homologada. A delação de Sérgio Machado já se tornou dor de cabeça antes mesmo de começar.

Isto porque o próprio Sérgio Machado já divulgou áudios de conversas com Renan Calheiros e Romero Jucá. E aí é que o caldo entorna...

Eu vou colocar alguns trechos dos áudios para comentários e análises posteriores.
Primeiro Jucá.
Os áudios com legenda:

E agora Renan. Eu não sei se são apenas trechos ou o completo.


Com relação a transcrição, temos o seguinte:

Jucá:
Sérgio Machado - Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisão de segunda instância], vai todo mundo delatar.
Romero Jucá - Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo, e a Odebrecht, vão fazer.
Machado - Odebrecht vai fazer.
Jucá - Seletiva, mas vai fazer.
Machado - A Camargo vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que... O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho.
Jucá - [inaudível]
Machado - Hum?
Jucá - Mas como é que está sua situação?
Machado - Minha situação não tem nada, não pegou nada, mas ele quer jogar tudo pro Moro. Como não tem nada e como eu estou desligado...
Jucá - É, não tem conexão né...
Machado - Não tem conexão, aí joga pro Moro. Aí fodeu. Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu "desça"? Se eu descer...
Jucá - O que que você acha? Como é que voc...
Machado - Eu queria discutir com vocês. Eu cheguei a essa conclusão essa semana. Ele acha que eu sou o caixa de vocês, o Janot. Janot não vale "cibazol" [algo sem valor]. Quem esperar que ele vai ser amigo, não vai... [...] E ele está visando o Renan e vocês. E acha que eu sou o canal. Não encontrou nada, não tem nada.
Jucá - Nem vai encontrar, né, Sérgio.
Machado - Não encontrou nada, não tem nada, mas acha... O que é que faz? Como tem aquela delação do Paulo Roberto dos 500 mil e tem a delação do Ricardo, que é uma coisa solta, ele quer pegar essas duas coisas. 'Não tem nada contra os senadores, joga ele para baixo' [Curitiba]. Tem que encontrar uma maneira...
Jucá - Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. [...] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.
Machado - Tem que ser uma coisa política e rápida. Eu acho que ele está querendo... o PMDB. Prende, e bota lá embaixo. Imaginou?
Jucá - Você conversou com o Renan?
Machado - Não, quis primeiro conversar contigo porque tu é o mais sensato de todos.
Jucá - Eu acho que a gente precisa articular uma ação política.
Machado -...quis conversar primeiro contigo, que tenho maior intimidade. Depois eu quero conversar com Sarney e o Renan, com vocês três. [...] Eu estou convencido, com essa sinalização que conseguiu do Eduardo [incompreensível]. Desvincula do Renan.
Jucá - Mas esse negócio do Eduardo está atacando [incompreensível].
Machado - Mas ele [Janot] está querendo pegar vocês, tenho certeza absoluta.
Jucá - Não tem duas dúvidas.
Machado - Não, tenho certeza absoluta. E ele não vale um 'cibazol'. É um cara raivoso, rancoroso e etc. Então como é que ele age? Como não encontrou nada nem vai encontrar. [inaudível]
Jucá - O Moro virou uma 'Torre de Londres'.
Machado - Torre de Londres.
Jucá - Mandava o coitado pra lá para o cara confessar.
Machado - Pro cara confessar. Então a gente tem que agir como [incompreensível] e pensar numa fórmula para encontrar uma solução para isso.
Jucá - Converse com ele [Renan], converse com o Sarney, ouça eles, e vamos sentar pra gente...
Machado - Isso, Romero, o que eu acho primeiro: que é bom pra gente.
[...]
Jucá - Eu acho que você deveria procurar o Sarney, devia procurar o Renan,e a gente voltar a conversar depois. [incompreensível] 'como é que é'.
Machado - É porque... Se descer, Romero, não dá.
Jucá - Não é um desastre porque não tem nada a ver. Mas é um desgaste, porque você, pô, vai ficar exposto de uma forma sem necessidade. [...]
Machado - O Marcelo, o dono do Brasil, está preso há um ano. Sacanagem com Marcelo, rapaz, nunca vi coisa igual. Sacanagem com aquele André Esteves, nunca vi coisa igual.
Jucá - Rapaz... [concordando]
Machado - Outra coisa. A frouxidão de vocês em prender o Delcídio foi um negócio inacreditável. [O Senado concordou com prisão decretada pelo STF]
Jucá - Sim, pô, não adianta soltar o Delcidio, aí o PT dá uma nota, tira o cara, diz que o cara é culpado, como é que você segura uma porra dentro do plenário?
Machado - Mas o cara não foi preso em flagrante, tem que respeitar a lei. Respeito à lei, a lei diz clara...
Jucá - Pô, pois então. Ali não teve jeito não. A hora que o PT veio, entendeu, puxou o tapete dele, o Rui, a imprensa toda, os caras não seguraram, não.
Machado - Eu sei disso, foi uma cagada.
Jucá - Foi uma cagada geral.
Machado - Foi uma cagada geral. Foi uma cagada o Supremo fazer o que fez com o negócio de prender em segunda instância, isso é absurdo total que não que não dá interpretar, e ninguém fez nada. Ninguém fez ADIN, ninguém se questionou. Isso aí é para precipitar as delações. Romero, esquentou as delações, não escapa pedra...
Jucá - [incompreensível] no Brasil.
Machado - Não escapa pedra sobre pedra.
[incompreensível]
Machado - Eu estou com todos os certificados do TCU, agora me deram, não devo nada, zero. E isso adianta alguma coisa? Então estou preocupado.
Jucá - Não, tem que cuidar mesmo.
Machado - Eu estou preocupado porque estou vendo que esse negócio da filha do Eduardo, da mulher, foi uma advertência para mim. E das histórias que estou sabendo, o interesse é pegar vocês. Nós. E o Renan, sobretudo.
Jucá - Não, o alvo na fila é o Renan. Depois do Eduardo Cunha... É o Eduardo Cunha, a Dilma, e depois é o Renan.
Machado - E ele [Janot] não tem nada. Se ele tivesse alguma coisa, ele ia me manter aqui em cima, para poder me forçar aqui em cima, porque ele não vai dar esse troféu pro Moro. Como ele não tem nada, ele quer ver se o Moro arranca...
Jucá -...para subir de novo.
Machado -...para poder subir de novo. É esse o esquema. Agora, como fazer? Porque arranjar uma imunidade não tem como, não tem como. A gente tem que ter a saída porque é um perigo. E essa porra... A solução institucional demora ainda algum tempo, não acha?
Jucá - Tem que demorar três ou quatro meses no máximo. O país não aguenta mais do que isso, não.
Machado - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel.
Jucá - [concordando] Só o Renan que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.
Machado - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
Jucá - Com o Supremo, com tudo.
Machado - Com tudo, aí parava tudo.
Jucá - É. Delimitava onde está, pronto.
Machado - Parava tudo. Ou faz isso... Você viu a pesquisa de ontem que deu o Moro com 18% para a Presidência da República?
Jucá - Não vi, não. O Moro?
Machado - É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma...
Jucá - Não, esquece. Nenhum político desse tradicional não ganha eleição, não.
Machado - O Aécio, rapaz... O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB...
Jucá - É, a gente viveu tudo.

Renan:
SÉRGIO MACHADO - Agora, Renan, a situação tá grave.
RENAN CALHEIROS - Grave e vai complicar. Porque Andrade fazer [delação], Odebrecht, OAS. [falando a outra pessoa, pede para ser feito um telefonema a um jornalista]
MACHADO - Todos vão fazer.
RENAN - Todos vão fazer.
MACHADO - E essa é a preocupação. Porque é o seguinte, ela [Dilma] não se sustenta mais. Ela tem três saídas. A mais simples seria ela pedir licença...
RENAN - Eu tive essa conversa com ela.
MACHADO - Ela continuar presidente, o Michel assumiria e garantiria ela e o Lula, fazia um grande acordo. Ela tem três saídas: licença, renúncia ou impeachment. E vai ser rápido. A mais segura para ela é pedir licença e continuar presidente. Se ela continuar presidente, o Michel não é um sacana...
RENAN - A melhor solução para ela é um acordo que a turma topa. Não com ela. A negociação é botar, é fazer o parlamentarismo e fazer o plebiscito, se o Supremo permitir, daqui a três anos. Aí prepara a eleição, mantém a eleição, presidente com nova...
[atende um telefonema com um jornalista]
RENAN - A perspectiva é daquele nosso amigo.
MACHADO - Meu amigo, então é isso, você tem trinta dias para resolver essa crise, não tem mais do que isso. A economia não se sustenta mais, está explodindo...
RENAN - Queres que eu faça uma avaliação verdadeira? Não acredito em 30 dias, não. Porque se a Odebrecht fala e essa mulher do João Santana fala, que é o que está posto...
[apresenta um secretário de governo de Alagoas]
MACHADO - O Janot é um filho da puta da maior, da maior...
RENAN - O Janot... [inaudível]
MACHADO - O Janot tem certeza que eu sou o caixa de vocês. Então o que que ele quer fazer? Ele não encontrou nada nem vai encontrar nada. Então ele quer me desvincular de vocês, mediante Ricardo e mediante e mediante do Paulo Roberto, dos 500 [mil reais], e me jogar para o Moro. E aí ele acha que o Moro, o Moro vai me mandar prender, aí quebra a resistência e aí fudeu. Então a gente de precisa [inaudível] presidente Sarney ter de encontro... Porque se me jogar lá embaixo, eu estou fodido. E aí fica uma coisa... E isso não é análise, ele está insinuando para pessoas que eu devo fazer [delação], aquela coisa toda... E isso não dá, isso quebra tudo isso que está sendo feito.
RENAN - [inaudível]
MACHADO - Renan, esse cara é mau, é mau, é mau. Agora, tem que administrar isso direito. Inclusive eu estou aqui desde ontem... Tem que ter uma ideia de como vai ser. Porque se esse vagabundo jogar lá embaixo, aí é uma merda. Queria ver se fazia uma conversa, vocês, que alternativa teria, porque aí eu me fodo.
RENAN - Sarney.
MACHADO - Sarney, fazer uma conversa particular. Com Romero, sei lá. E ver o que sai disso. Eu estou aqui para esperar vocês para poder ver, agora, é um vagabundo. Ele não tem nada contra você nem contra mim.
RENAN - Me disse [inaudível] 'ó, se o Renan tiver feito alguma coisa, que não sei, mas esse cara, porra, é um gênio. Porque nós não achamos nada.'
MACHADO - E já procuraram tudo.
RENAN - Tudo.
MACHADO - E não tem. Se tivesse alguma coisa contra você, já tinha jogado... E se tivesse coisa contra mim [inaudível]. A pressão que ele quer usar, que está insinuando, é que...
RENAN - Usou todo mundo.
MACHADO -...está dando prazos etc é que vai me apartar de vocês. Mesma coisa, já deu sinal com a filha do Eduardo e a mulher... Aquele negócio da filha do Eduardo, a porra da menina não tem nada, Renan, inclusive falsificaram o documento dela. Ela só é usuária de um cartão de crédito. E esse é o caminho [inaudível] das delações. Então precisa ser feito algo no Brasil para poder mudar jogo porque ninguém vai aguentar. Delcídio vai dizer alguma coisa de você?
RENAN - Deus me livre, Delcídio é o mais perigoso do mundo. O acordo [inaudível] era para ele gravar a gente, eu acho, fazer aquele negócio que o J Hawilla fez.
MACHADO - Que filho da puta, rapaz.
RENAN - É um rebotalho de gente.
MACHADO - E vocês trabalhando para poder salvar ele.
RENAN - [Mudando de assunto] Bom, isso aí então tem que conversar com o Sarney, com o teu advogado, que é muito bom. [inaudível] na delação.
MACHADO - Advogado não resolve isso.
RENAN - Traçar estratégia. [inaudível]
MACHADO - [inaudível] quanto a isso aí só tem estratégia política, o que se pode fazer.
RENAN - [inaudível] advogado, conversar, né, para agir judicialmente.
MACHADO - Como é que você sugeriria, daqui eu vou passar na casa do presidente Sarney.
RENAN - [inaudível]
MACHADO - Onde?
RENAN - Lá, ou na casa do Romero.
MACHADO - Na casa do Romero. Tá certo. Que horas mais ou menos?
RENAN - Não, a hora que você quiser eu vou estar por aqui, eu não vou sair não, eu vou só mais tarde vou encontrar o Michel.
MACHADO - Michel, como é que está, como é que está tua relação com o Michel?
RENAN - Michel, eu disse pra ele, tem que sumir, rapaz. Nós estamos apoiando ele, porque não é interessante brigar. Mas ele errou muito, negócio de Eduardo Cunha... O Jader me reclamou aqui, ele foi lá na casa dele e ele estava lá o Eduardo Cunha. Aí o Jader disse, 'porra, também é demais, né'.
MACHADO - Renan, não sei se tu viu, um material que saiu na quinta ou sexta-feira, no UOL, um jornalista aqui, dizendo que quinta-feira tinha viajado às pressas...
RENAN - É, sacanagem.
MACHADO - Tu viu?
RENAN - Vi.
MACHADO - E que estava sendo montada operação no Nordeste com Polícia Federal, o caralho, na quinta-feira.
RENAN - Eu vi.
MACHADO - Então, meu amigo, a gente tem que pensar como é que encontra uma saída para isso aí, porque isso aí...
RENAN - Porque não...
MACHADO - Renan, só se fosse imbecil. Como é que tu vai sentar numa mesa para negociar e diz que está ameaçado de preso, pô? Só quem não te conhece. É um imbecil.
RENAN - Tem que ter um fato contra mim.
MACHADO - Mas mesmo que tivesse, você não ia dizer, porra, não ia se fragilizar, não é imbecil. Agora, a Globo passou de qualquer limite, Renan.
RENAN - Eu marquei para segunda-feira uma conversa inicial com [inaudível] para marcar... Ela me disse que a conversa dela com João Roberto [Marinho] foi desastrosa. Ele disse para ela... Ela reclamou. Ele disse para ela que não tinha como influir. Ela disse que tinha como influir, porque ele influiu em situações semelhantes, o que é verdade. E ele disse que está acontecendo um efeito manada no Brasil contra o governo.
MACHADO - Tá mesmo. Ela acabou. E o Lula, como foi a conversa com o Lula?
RENAN - O Lula está consciente, o Lula disse, acha que a qualquer momento pode ser preso. Acho até que ele sabia desse pedido de prisão lá...
MACHADO - E ele estava, está disposto a assumir o governo?
RENAN - Aí eu defendi, me perguntou, me chamou num canto. Eu acho que essa hipótese, eu disse a ele, tem que ser guardada, não pode falar nisso. Porque se houver um quadro, que é pior que há, de radicalização institucional, e ela resolva ficar, para guerra...
MACHADO - Ela não tem força, Renan.
RENAN - Mas aí, nesse caso, ela tem que se ancorar nele. Que é para ir para lá e montar um governo. Esse aí é o parlamentarismo sem o Lula, é o branco, entendeu?
MACHADO - Mas, Renan, com as informações que você tem, que a Odebrecht vai tacar tiro no peito dela, não tem mais jeito.
RENAN - Tem não, porque vai mostrar as contas. E a mulher é [inaudível].
MACHADO - Acabou, não tem mais jeito. Então a melhor solução para ela, não sei quem podia dizer, é renunciar ou pedir licença.
RENAN - Isso [inaudível]. Ela avaliou esse cenário todo. Não deixei ela falar sobre a renúncia. Primeiro cenário, a coisa da renúncia. Aí ela, aí quando ela foi falar, eu disse, 'não fale não, pelo que conheço, a senhora prefere morrer'. Coisa que é para deixar a pessoa... Aí vai: impeachment. 'Eu sinceramente acho que vai ser traumático. O PT vai ser desaparelhado do poder'.
MACHADO - E o PT, com esse negócio do Lula, a militância reacendeu.
RENAN - Reacendeu. Aí tudo mundo, legalista... Que aí não entra só o petista, entra o legalista. Ontem o Cassio falou.
MACHADO - É o seguinte, o PSDB, eu tenho a informação, se convenceu de que eles é o próximo da vez.
RENAN - [concordando] Não, o Aécio disse isso lá. Que eu sou a esperança única que eles têm de alguém para fazer o...
MACHADO - [Interrompendo] O Cunha, o Cunha. O Supremo. Fazer um pacto de Caxias, vamos passar uma borracha no Brasil e vamos daqui para a frente. Ninguém mexeu com isso. E esses caras do...
RENAN - Antes de passar a borracha, precisa fazer três coisas, que alguns do Supremo [inaudível] fazer. Primeiro, não pode fazer delação premiada preso. Primeira coisa. Porque aí você regulamenta a delação e estabelece isso.
MACHADO - Acaba com esse negócio da segunda instância, que está apavorando todo mundo.
RENAN - A lei diz que não pode prender depois da segunda instância, e ele aí dá uma decisão, interpreta isso e acaba isso.
MACHADO - Acaba isso.
RENAN - E, em segundo lugar, negocia a transição com eles [ministros do STF].
MACHADO - Com eles, eles têm que estar juntos. E eles não negociam com ela.
RENAN - Não negociam porque todos estão putos com ela. Ela me disse e é verdade mesmo, nessa crise toda –estavam dizendo que ela estava abatida, ela não está abatida, ela tem uma bravura pessoal que é uma coisa inacreditável, ela está gripada, muito gripada– aí ela disse: 'Renan, eu recebi aqui o Lewandowski,
querendo conversar um pouco sobre uma saída para o Brasil, sobre as dificuldades, sobre a necessidade de conter o Supremo como guardião da Constituição. O Lewandowski só veio falar de aumento, isso é uma coisa inacreditável'.
MACHADO - Eu nunca vi um Supremo tão merda, e o novo Supremo, com essa mulher, vai ser pior ainda. [...]
MACHADO - [...] Como é que uma presidente não tem um plano B nem C? Ela baixou a guarda. [inaudível]
RENAN - Estamos perdendo a condição política. Todo mundo.
MACHADO - [inaudível] com Aécio. Você está com a bola na mão. O Michel é o elemento número um dessa solução, a meu ver. Com todos os defeitos que ele tem.
RENAN - Primeiro eu disse a ele, 'Michel, você tem que ficar calado, não fala, não fala'.
MACHADO - [inaudível] Negócio do partido.
RENAN - Foi, foi [inaudível] brigar, né.
MACHADO - A bola está no seu colo. Não tem um cara na República mais importante que você hoje. Porque você tem trânsito com todo mundo. Essa tua conversa com o PSDB, tu ganhou uma força que tu não tinha. Então [inaudível] para salvar o Brasil. E esse negócio só salva se botar todo mundo. Porque deixar esse Moro do jeito que ele está, disposto como ele está, com 18% de popularidade de pesquisa, vai dar merda. Isso que você diz, se for ruptura, vai ter conflito social. Vai morrer gente.
RENAN - Vai, vai. E aí tem que botar o Lula. Porque é a intuição dele...
MACHADO - Aí o Lula tem que assumir a Casa Civil e ser o primeiro ministro, esse é o governo. Ela não tem mais condição, Renan, não tem condição de nada. Agora, quem vai botar esse guizo nela?
RENAN - Não, [com] ela eu converso, quem conversa com ela sou eu, rapaz.
MACHADO - Seguinte, vou fazer o seguinte, vou passar no presidente, peço para ele marcar um horário na casa do Romero.
RENAN - Ou na casa dele. Na casa dele chega muita gente também.
MACHADO - É, no Romero chega menos gente.
RENAN - Menos gente.
MACHADO - Então marco no Romero e encontra nós três. Pronto, acabou. [levanta-se e começam a se despedir] Amigo, não perca essa bola, está no seu colo. Só tem você hoje. [caminhando] Caiu no seu colo e você é um cara predestinado. Aqui não é dedução não, é informação. Ele está querendo me seduzir, porra.
RENAN - Eu sei, eu sei. Ele quem?
MACHADO - O bicho daqui, o Janot.
RENAN - Mandando recado?
MACHADO - Mandando recado.
RENAN - Isso é?
MACHADO - É... Porra. É coisa que tem que conversar com muita habilidade para não chegar lá.
RENAN - É. É.
MACHADO - Falando em prazo... [se despedem]
MACHADO - [...] A meu ver, a grande chance, Renan, que a gente tem, é correr com aquele semi-parlamentarismo...
RENAN - Eu também acho.
MACHADO -...paralelo, não importa com o impeach... Com o impeachment de um lado e o semi-parlamentarismo do outro.
RENAN - Até se não dá em nada, dá no impeachment.
MACHADO - Dá no impeachment.
RENAN - É plano A e plano B.
MACHADO - Por ser semi-parlamentarismo já gera para a sociedade essa expectativa [inaudível]. E no bojo do semi-parlamentarismo fazer uma ampla negociação para [inaudível].
RENAN - Mas o que precisa fazer, só precisa tres três coisas: reforma política, naqueles dois pontos, o fim da proibição...
MACHADO - [Interrompendo] São cinco pontos:
[...]
RENAN - O voto em lista é importante. [inaudível] Só pode fazer delação... Só pode solto, não pode preso. Isso é uma maneira e toda a sociedade compreende que isso é uma tortura.
MACHADO - Outra coisa, essa cagada que os procuradores fizeram, o jogo virou um pouco em termos de responsabilidade [...]. Qual a importância do PSDB... O PSDB teve uma posição já mais racional. Agora, ela [Dilma] não tem mais solução, Renan, ela é uma doença terminal e não tem capacidade de renunciar a nada. [inaudível]
[...]
MACHADO - Me disseram que vai. Dentro da leniência botaram outras pessoas, executivos para falar. Agora, meu trato com essas empresas, Renan, é com os donos. Quer dizer, se botarem, vai dar uma merda geral, eu nunca falei com executivo.
RENAN - Não vão botar, não. [inaudível] E da leniência, detalhar mais. A leniência não está clara ainda, é uma das coisas que tem que entrar na...
MACHADO -...No pacote.
RENAN - No pacote.
MACHADO - E tem que encontrar, Renan, como foi feito na Anistia, com os militares, um processo que diz assim: 'Vamos passar o Brasil a limpo, daqui para frente é assim, pra trás...' [bate palmas] Porque senão esse pessoal vão ficar eternamente com uma espada na cabeça, não importa o governo, tudo é igual.
RENAN - [concordando] Não, todo mundo quer apertar. É para me deixar prisioneiro trabalhando. Eu estava reclamando aqui.
MACHADO - Todos os dias.
RENAN - Toda hora, eu não consigo mais cuidar de nada.
[...]
MACHADO - E tá todo mundo sentindo um aperto nos ombros. Está todo mundo sentindo um aperto nos ombros.
RENAN - E tudo com medo.
MACHADO - Renan, não sobra ninguém, Renan!
RENAN - Aécio está com medo. [me procurou] 'Renan, queria que você visse para mim esse negócio do Delcídio, se tem mais alguma coisa.'
MACHADO - Renan, eu fui do PSDB dez anos, Renan. Não sobra ninguém, Renan.
[...]
MACHADO - Não dá pra ficar como está, precisa encontrar uma solução, porque se não vai todo mundo... Moeda de troca é preservar o governo [inaudível].
RENAN - [inaudível] sexta-feira. Conversa muito ruim, a conversa com a menina da Folha... Otavinho [a conversa] foi muito melhor. Otavinho reconheceu que tem exageros, eles próprios tem cometido exageros e o João [provável referência a João Roberto Marinho] com aquela conversa de sempre, que não manda. [...] Ela [Dilma] disse a ele 'João, vocês tratam diferentemente de casos iguais. Nós temos vários indicativos'. E ele dizendo 'isso virou uma manada, uma manada, está todo mundo contra o governo.'
MACHADO - Efeito manada.
RENAN - Efeito manada. Quer dizer, uma maneira sutil de dizer "acabou", né.
E o que se pode tirar disso? Bem, isto vamos analisar em outro post.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Twitter, seguir ou não?

Após a turbulência dos últimos dias (essencialmente devido a questão do afastamento da presidente), eu começo a pensar se devo ou não deixar de seguir algumas pessoas no twitter.

Eu explico...

As redes sociais tem um efeito curioso sobre as pessoas. Em geral tendemos a seguir pessoas que pensam mais ou menos como a gente, e isso cria um efeito "bolha" nas nossas opiniões.

Então, para contrabalançar este problema, eu tendo a seguir pessoas com opiniões diferentes da minha.

Mas agora há um problema: muitas dessas pessoas estão visivelmente irritadas pelo afastamento da presidente, e basicamente não sentem que suas mensagens se tornam ofensivas e até mesmo antagonísticas de pessoas que pensam diferente.

Mesmo eu, que não sou particularmente contrário ao afastamento, mas nem por isso sou favorável, me sinto atingindo pela bile e fel destas pessoas. Algumas afrontam a lógica, outros afrontam o direito de pensar diferente, mas todas tem o pensamento enraizado que o ocorrido foi um golpe.

Não foi golpe. Aliás ainda nem foi impeachment.

E claro passam a pecha de golpistas em todos que não concordam com eles.

Está ficando difícil seguir este pessoal.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

O placar final

O afastamento da presidente foi aprovado por 55 votos a 22.

E não é que manteve a proporção de 5/7 e 2/7?

Ou se preferirem 5 votos a favor para cada 2 votos contrários (5 a 2)

Ou seja: regra de 3
5 *11 a 2*11 = 55 a 22.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Momentos constrangedores

Primeiro o contexto: Waldir Maranhão anula votação do impeachment.

Agora o vídeo:


Depois a reviravolta: Waldir Maranhão revoga anulação.

A propósito, sou só eu ou o refrão "Não vai ter golpe! Vai ter luta!" soou mais como "Não, vai ter golpe! Vai ter luta!"

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Previsões sobre a eleição da Adunb

Eu resolvi dar um chute no resultado da eleição da Adunb. A ideia é usar as curtidas no facebook das páginas da três chapas:
E a partir daí dar um chute nos resultados.

O total de votantes da Adunb é em torno de 2,3 mil, mas na última eleição o número de votantes foi de 1189. O resultado foi:
Vamos supor que os percentuais se mantenham:
  • Chapa 1: 178/594 = 30%
  • Chapa 2: 338/594 = 57%
  • Chapa 3: 78/594 = 13%
Se isto se confirmar, as coisas não parecem boas para chapa 1. E isto é uma pena, pois esta é a chapa que eu apoio.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

E as causas?

Hoje li três notícias que me fizeram ficar pensando um pouco sobre os fundamentos do nosso país:


Depois de ler as mesmas e mais um artigo de opinião no correio brasiliense de hoje sobre as causas da lava-jato...

Eu cheguei a uma conclusão: o problema a ser resolvido é outro. Corrupção é sintoma e não causa.

E antes que digam, este não é um texto favorável ao PT ou a corrupção (as vezes parecem sinônimos)

Então vou fazer umas perguntas.

  1. Existe um número ótimo de partidos para uma democracia?
  2. É melhor que o presidente e o vice sejam da mesma coalizão eleitoral?
  3. Existe um sistema de votação melhor para cada país?
  4. Como garantir que o resultado de votação de urnas eletrônicas seja confiável?

Em cima destas perguntas é que eu pretendo me debruçar em posts futuros.

terça-feira, 3 de maio de 2016

O Estranho Caso da Analista de Banco que sabia mais do que o ex-presidente

Há diversas coisas curiosas a respeito do governo Dilma. E eu mesmo já falei de diversas delas.

Mas provavelmente uma das coisas que mais irritam e possivelmente ainda irão gerar lágrimas no futuro é a dissociação do discurso com a realidade.

Não estou falando em suavizar ou "jogar com os fatos" para manter a governabilidade. Eu estou falando de mentir na cara dura mesmo - quando os fatos deixam claro que é mentira sem vergonha mesmo, mas a mentira continua como se nada tivesse acontecido.

Isso é bem humano, mas demonstra uma tendência lamentável a se prender a preconceitos e crenças - algo quase religioso mesmo (e não estamos falando de religiões milenares não, estamos falando de crenças do tipo coelhinho da páscoa, papai noel ou coisa que valha).

Talvez o leitor acredite que estou sendo muito duro, que todos fazem isto, que o PT não inventou isso ou coisa parecida.

Mas, se o leitor permitir, eu vou relembrar uma história acontecida há pouco menos de 2 anos. Em julho de 2014, o Santander enviou a seus clientes premium uma carta alertando sobre o efeito negativo que uma reeleição de Dilma teria na economia.

A reação do governo foi imediata: condenação da carta pela presidente (talvez em um tom meio ameaçador - mas isso pode ser dos meus viéses). E do lado da artilharia pesada, o ex-presidente Lula disse de alto e bom tom que a analista responsável pela carta "não entende porra nenhuma do Brasil":

As palavras foram: Botin, é o seguinte querido. Eu tenho consciência de que não foi você que falou, mas essa moça tua que falou não entende nada de Brasil e não entende nada de governo Dilma. Manter uma mulher dessa em um cargo de chefia? Pode mandar embora.

A analista chefe, Sinara Policarpo, talvez nem tenha sido a autora da carta. Mas o fato é que o Santander e seu presidente pediram desculpas e ela foi demitida (não creio ter sido a única).

Claro que os blogueiros amestrados do governo atacaram o informe e a analista sem descanso.

Mas o tempo é o senhor da razão.

E cá estamos em 2016... Será que o conteúdo da carta se mostrou próximo ao acontecido? Será que a analista cumpriu o seu papel? Será que o banco foi subserviente ao governo? Será que o banco agiu nos melhores interesses de seus clientes? Vejamos o texto:

"Você e seu dinheiro

A economia brasileira continua apresentando baixo crescimento, inflação alta e déficit em conta corrente. A quebra de confiança e pessimismo crescente em relação ao Brasil em derrubar ainda mais a popularidade da presidente, que vai caindo nas últimas pesquisas, e que tem contribuído para a subida do Ibovespa. Difícil saber até quando vai durar esse cenário e qual será o desdobramento final de uma queda ainda maior de Dilma Rousseff nas pesquisas. Se a presidente se estabilizar ou voltar a subir nas pesquisas, um cenário de reversão pode surgir. O câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta e um o índice da Bovespa caíra, revertendo parte das altas recentes. Esse último cenário estaria mais de acordo com a deterioração de nossos fundamentos macroeconômicos. Diante desse cenário, converse com o seu Gerente de Relacionamento Select para alocar seus investimentos da maneira mais adequada ao ser perfil de investimento."

Este comunicado é de julho de 2014.

  • O dólar estava a R$ 2,275 (em 31/07 - com o risco país a 212 pontos) 
  • O juro estava a 10,90% (em 31/07)
  • O Ibovespa estava a 61288,15

Estamos em maio de 2016

  • O dólar está a R$ 3,440 (em 30/04 - com o risco país a 385 pontos)
  • O juro está a 14,10% (Maio)
  • O Ibovespa está a 53561,54

O que indica que a análise enviada aos clientes estava certa. E também deixa claro que:

  1. O analista cumpriu seu papel
  2. O banco foi subserviente ao governo
  3. O banco não agiu no melhor interesse dos seus clientes.

Antes de finalizar quero clarificar alguns pontos. O fato do banco ter demitido os analistas após a divulgação do relatório lança suspeita sobre o banco e seu relacionamento com o governo. A resposta de Dilma foi até bastante comedida e a de Lula demonstra, se havia dúvidas, que ele realmente já incorporou a mentira e a acusação como método.

E a mesma coisa para os sites petistas. Eu vou me despedir com algumas pérolas que mostram que a radicalização não começou hoje, mas já vem de muito tempo.

  1. Conversa Afiada - "Precisamos da reforma política para impedir que o Banco Santander venha e diga para não votar na Dilma. Se é ruim para o Santander é bom para o país"
  2. Viomundo - "O banco espanhol Santander, acusado de ter ligações com a seita ultraconservadora Opus Dei, tirou a máscara de vez."
  3. Mandacaru 13 - "Quando a executiva sem juízo e noção do Santander elaborou um texto de caráter mequetrefe e rastaquera cujo objetivo era “orientar” seus clientes bem de vida quanto aos riscos de empregar suas fortunas no mercado brasileiro por causa de uma vitória eleitoral de Dilma Rousseff e, portanto, do PT. Evidentemente que tal banco estrangeiro está a fazer política e, não, como afirma o colunista de O Globo, Merval Pereira, que o Governo e lideranças, a exemplo de Lula e de Dilma, impeçam que o Santander expresse sua opinião sobre a situação econômica do País."

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Negue enquanto puder, e quando não puder continue negando

Estas, caros leitores, é uma estratégia muita utilizada em debates, disputas, julgamentos e eleições.

E está sendo utilizada no impeachment na presidente. Mais especificamente na defesa da presidente.

Não importa realmente à defesa qual bem fundamentada está a acusação. A estratégia vigente demanda que se nega que houve crime.

Mesmo que o crime seja óbvio e patente.

Uma das ideias por trás disso é a geração da dúvida razoável. Não em todos, mas pelo menos em alguns.

A outra das ideias é assegurar aos defensores da presidente que estão do "lado certo da história".

Notem caros leitores, que a admissão de crime (não é nem questão mesmo de culpa) tornaria a defesa moralmente questionável - e mais ainda tornaria os defensores em si moralmente questionáveis caso não alterassem de imediato a posição.

Claro que há defensores profissionais, estes não estão defendendo por ideologia, mas por outra razão. Qual razão? Bem, geralmente estas são mesmo pessoais - e não vou entrar neste buraco.

Mas existe um porém: com o passar do tempo esta tática vira uma paródia de si mesma.

Aí só sobra a ressaca moral.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Previsões do Placar do Impeachment no Senado

Segundo a imprensa há 50 votos favoráveis à abertura do processo no senado, 20 contra, 7 sem declarar, 1 sem responder e dois indecisos.

Supondo a mesma lógica de manutenção da proporções (5/7 a favor e 2/7 contra) temos que a previsão é

Votos favoráveis: 58
Votos contrários: 23

Vamos ver se vai se assim? A votação será 12 maio segundo as previsões.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Sobre Cusparadas

Hoje temos já dois exemplos famosos de cusparadas recentes: Jean Wyllys e José de Abreu.


Bem, ambos casos são lamentáveis

Sabem porque, caros leitores?

Por dois motivos. O primeiro é que a falência do debate, da argumentação. É a transformação do discurso de ódio na ação de ódio (ou de desprezo). Desse momento em diante não é mais possível discutir, pois se cruzou a linha da troca de idéias, pela troca de insultos, pela agressão física.

E o segundo motivo, e mais grave é o seguinte: nenhum lado tem monopólio do cuspe ou da porrada.

Receio que estejamos entrando numa fase de vale-tudo.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

E como se portaram as previsões?

Neste domingo foi a votação na câmara pela admissibilidade do processo de impeachment de Dilma.

O resultado foram 367 votos a favor, 137 contra, 7 abstenções e 2 faltosos. Isto dá 367 a 146.

Como foram as previsões do post anterior?
  1. Considerando a proporção mantida nos indecisos e sem resposta (72% a favor e 28 % contra): neste caso teremos um placar final de 368 a 145.
  1. Considerando a proporção invertida nos indecisos e sem resposta (28% a favor e 72 % contra): neste caso teremos um placar final de 322 a 191. 
  2. Considerando que a proporção se mantém nos indecisos, mas muda para 100% contrário ao impeachment nos sem resposta: neste caso teremos um placar final de 335 a 178.
  3. Considerando que a proporção de 50% nos indecisos e nos sem resposta: neste caso teremos um placar final de 345 a 168.
  4. Considerando que a proporção de 50% nos indecisos, mas 100% contrário ao impeachment nos sem resposta: neste caso teremos um placar final de 322 a 191.
Ora, foi justamente a primeira previsão que se aproximou mais do resultado final. Ou seja: manteve-se a proporção dos favoráveis e contrários entre os 60 indecisos e os 46 que não quiseram responder.

O que isto prova? Bem, que de acordo com a tabela divulgada há 7 dias, praticamente nada mudou. E isto me faz questionar se as intensas mudanças mencionadas nos noticiários e redes sociais realmente aconteceram.

terça-feira, 12 de abril de 2016

O que há em um impeachment

Li hoje na Folha uma entrevista com Roberto Mangabeira Unger.

E mais uma vez me decepcionei...

Não sei, talvez fosse o fato de Mangabeira Unger dar aulas em Harvard. Talvez seja simplesmente um cansaço de explicações sem lastro na realidade. Não sei...

Então vamos a entrevista dele e minhas colocações

"Impeachment

Não, não e não. Práticas fiscais usadas por todos os presidentes recentes não podem servir para derrubar presidente. Qualificação progressiva e prospectiva das práticas fiscais, sim. Utilização casuística dessa qualificação para mudar o poder, não. Não há qualquer indício tampouco de que a presidente tenha tentado obstruir a Justiça.

Conheço Dilma Rousseff há mais de 30 anos. Como todos nós, ela é cheia de defeitos, mas é uma pessoa íntegra e ilibada. Desde Prudente de Morais (1894-1898), não vemos tanta severidade moral na pessoa do chefe de Estado.

Eu espero que o impedimento seja derrotado na Câmara dos Deputados e, se não for derrotado na Câmara, derrotado no Senado."

Já expliquei antes e vou explicar novamente. O processo de impeachment é eminentemente político. E feito dentro de uma série de procedimentos jurídicos bem definidos. O fato de Dilma ter reputação ilibada não impede de ter cometido erros graves. E como já expliquei antes: pedalada é um nome bonitinho para fraude.

"Renúncia

A renúncia é muito menos danosa do que o impedimento, porque não significaria por si só uma perversão constitucional. Mas não é a solução melhor. O melhor para o país, e eu digo como crítico severo dos erros do governo Dilma, é que a presidente seja resguardada no exercício do seu mandato, mas que, em seguida, reoriente radicalmente o seu governo. Que se supere a si mesma. Que faça uma autocrítica profunda. Que chame os melhores."

Dilma não renuncia e dificilmente fará uma autocrítica de si mesma. Começo a me perguntar se Mangabeira Unger chegou a conhecer mesmo Dilma

"Corrupção localizada

A tentativa de impedimento nasce de um processo e de um contexto que ameaçam a democracia brasileira. O ponto de partida é a preocupação com a corrupção no Brasil. A corrupção é um problema nacional sério, porém localizado.

A sua causa principal está na relação entre os políticos e as empresas que financiam as campanhas eleitorais. É um problema solucionável pela mudança das regras de financiamento da política.

O Brasil é, de longe, o menos corrupto dos grandes países emergentes. Embora a corrupção tanto nos aborreça, é nada em comparação com o que existe, por exemplo, na China, na Rússia ou na Índia. E não pode servir para nos desviar do enfrentamento de nossos problemas reais."

A corrupção é um problema sério. Mas não está localizado (aliás o pessoal precisa decidir se a corrupção está generalizada ou localizada - não dá para ser os dois). A leitura da causa está completamente errada - basta olhar o caso da Petrobrás e fica claro que o problema não é só financiamento de campanha eleitoral.

"Onda contra Dilma

Criou-se uma onda no Brasil. Embrulhamos o ódio e a frustração no manto do moralismo. A onda passará e deixará gosto amargo na boca da nação. Não há atalhos para construir o Brasil. A polícia, os procuradores e a grande mídia se associaram para construir essa onda e conseguiram sensibilizar a imprensa internacional. A onda utilizou o instituto perigoso das prisões preventivas, num verdadeiro assalto às liberdades públicas no país.

Uma parte da elite jurídica e judicial abdicou de sua responsabilidade de por freio às paixões do momento. Temos de enfrentar a corrupção, sim, mas não a custo de fragilizar a democracia brasileira ou de eximir de enfrentar os verdadeiros problemas nacionais."

O ódio e a frustração nasceram na campanha política (eu lembro da frase "depois reconstruiremos pontes") e só foram sendo aprofundados depois que Dilma eleita fez exatamente o que acusava o seus adversários de estarem tramando. Quanto a questão da elite jurídica, suspeito que Mangabeira Unger só está reclamando porque agora ela está atrás dos seus amigos - ao invés dos adversários bobos, feios e sujos.

"Imprensa e a crise

A imprensa entrou na onda [do impeachment]. Com isso, também abdicou a sua responsabilidade. A responsabilidade essencial da imprensa, numa democracia, é aprofundar o entendimento da realidade, ampliando a imaginação do possível. Não do possível remoto, mas do possível adjacente.

A imprensa se deixou contaminar pelas paixões da onda. Isso nos deve lembrar da necessidade de reconstruir também o contexto institucional da própria mídia. Desfazer os oligopólios da mídia no Brasil e fomentar a multiplicação de formas de iniciativa e de propriedade nos meios de comunicação. Nada de regulação da imprensa, nada de monitoramento. É o contrário, radicalizar a diversidade."

Essa parte eu francamente não entendo. Parece que esqueceram propositalmente que a onda do impeachment começou sem apoio da imprensa nas redes sociais - e sob gozação de várias pessoas. Minha suspeita é que a ideia é usar esta coisa do impeachment como desculpa para cassar direitos de transmissão de várias empresas de comunicação - que vergonha!

"Paralelo com os EUA

Alguns compararam a situação com o impeachment do presidente Richard Nixon (1969-74). Se fizermos uma comparação com a experiência americana, a mais pertinente é com a tentativa de impedir o presidente Andrew Johnson, em 1868, pouco após o fim da Guerra Civil.

Ele era teimoso e impopular e tentou reverter algumas das conquistas da Guerra Civil no Sul. Houve uma tentativa de impedimento. O impedimento acabou sendo derrotado por um único voto no julgamento do Senado americano. Inclusive pelos votos dos adversários políticos de Johnson.

Embora o presidente Johnson continue a ser considerado um péssimo presidente, até hoje a derrota de seu impedimento é comemorada como um marco na evolução constitucional do país. Os americanos compreenderam que a tarefa do processo do impeachment não é salvar o país ou os Poderes dos seus erros políticos e converter impopularidade em mudança de governo."

Aí se faz o paralelo que quiser. Pode fazer com Nixon, pode fazer com Bill Clinton e certamente nenhum paralelo será precisamente igual ao daqui.

"Erros da presidente

Ao condenar a tentativa de impedimento nestas circunstâncias, afirmo ao mesmo tempo a importância de registrar graves e numerosos erros de seu governo. A fonte maior de todos esses erros é não haver reconhecido a necessidade de mudar o nosso caminho nacional.

Não me conformo com o abandono da suposta prioridade do governo: a qualificação do ensino público, a pretexto da falta de dinheiro e da necessidade de tratar, dia e noite, da cooptação dos políticos. Exemplifica, de maneira candente, a observação de André Gide de que o erro mais comum em política é confundir o urgente com importante.

Nós temos tido, pelo menos desde os governos dos mandatos de FHC, o mesmo projeto no poder, liderado primeiro pelo PSDB e depois pelo PT. E é um projeto hoje exaurido. Os seus traços são os seguintes: na política econômica, a dependência das commodities, dos recursos naturais como o motor do nosso crescimento. E a tentativa de democratizar a economia do lado da demanda sem uma democratização correspondente do lado da oferta e da produção.

Os interesses do trabalho e da produção foram subordinados aos interesses do rentismo financeiro. E as commodities pagaram a conta. Estes governos todos aceitaram o nível muito baixo de poupança nacional e de consequente dependência de poupança externa.

A prática política que acompanha essa persistência no rumo errado foi a prática de dividir o governo em duas partes: entre o círculo íntimo, o presidente cercado pelos seus amigos e tecnocratas confiáveis, e o resto do governo, usado para saciar os apetites dos partidos políticos nesse nosso monstruoso presidencialismo de coalizão, que é a combinação dos piores defeitos do presidencialismo americano clássico copiado no Brasil e do regime parlamentar europeu."

Esse talvez seja um problema típico do presidencialismo de coalizão e não do governo A,B ou C.

"Mudança de rumo

Entendo que a alternativa nacional a ser construída, se possível, no resto do mandato da atual presidente e de qualquer forma a partir da sucessão presidencial passa por quatro grandes eixos: o primeiro eixo é a reorganização das finanças públicas como preliminar de uma nova estratégia nacional de desenvolvimento. Não podemos reorganizar as finanças públicas mexendo apenas nos 10% de orçamento de gasto discricionário. Temos de enfrentar os 90%, que são gasto compulsório. Inclusive as vinculações constitucionais.

Mas o país só aceitará este sacrifício se vier no bojo de um projeto de democratização das oportunidades econômicas e das capacitações educacionais. Não pode ser uma iniciativa tecnocrática. Tem de ser uma condição antecedente de uma mudança de rumo no interesse da maioria. Portanto, que sirva aos interesses da produção e do trabalho e que permita em seguida começar a aprofundar a democracia brasileira.

O segundo eixo é organizar no nosso país um produtivismo includente. Fazer aquilo que o modelo vigente até agora não fez, democratizar a economia do lado da produção, e não apenas do lado da demanda e do consumo.

O terceiro eixo é uma revolução na qualidade da educação pública. Novamente, começa em dois conjuntos de ações que não custam dinheiro, custam ideias e inovações institucionais. Um conjunto é a organização da cooperação federativa em educação, a maneira do governo federal trabalhar com Estados e municípios. Não podemos permitir que a qualidade da educação que um jovem brasileiro recebe dependa do acaso do lugar onde ele nasce.

O segundo conjunto de ações na revolução educacional é o currículo nacional, que determina aquilo que cada jovem brasileiro tem o direito de aprender. Uma nova educação capacitadora e analítica, que substitua de vez o enciclopedismo raso e passivo que sempre predominou entre nós.

O quarto eixo é a reinvenção do nosso federalismo. Uma estratégia nacional, como esta que estou propondo, só se efetiva quando toca o chão da realidade nas grandes regiões do país. Uma nova política regional focada em vir ao encontro das vanguardas já emergentes em cada região do país para lhes dar o equipamento econômico e educacional necessário para construir novas vantagens comparativas. Uma política regional que, em vez de ser formulada em Brasília e imposta a partir do centro, seja construída pelas próprias regiões e microrregiões, com apoio do governo central. Já está acontecendo na notável auto-organização do Centro-Oeste brasileiro, que passou a se chamar Brasil Central. O Brasil não está esperando ser salvo, está se levantando na escuridão por sua própria conta.

Agora, esses quatro eixos precisam ser complementados pela reconstrução do Estado e da política, com uma cautela: é comum, entre a elite reformadora do Brasil, imaginar que a reforma do Estado e da política sejam a mãe de todas as reformas. Uma condição anterior à reorientação do rumo. A verdade é oposta. Nenhum país muda a sua política e o seu Estado para só depois decidir o que fazer com o Estado e a política reformada. A reforma do Estado e da política só ocorre de fato no meio do caminho de uma luta para reorientar o rumo social e econômico e assim terá de ser entre nós."

O primeiro eixo é inviável no contexto do mandato de Dilma. E tenho quase certeza que Mangabeira Unger sabe disso. O segundo eixo é daqueles mais diferentes do que o PT pensa: como democratizar a economia do lado da produção? É quebrando grandes empresas em pequenas empresas? Isso é exatamente o contrário de estimular os grandes campeões da produção. O terceiro eixo implica em mudar toda a educação brasileira. Federalizar a educação parece uma boa ideia, mas será que é viável? O que estamos falando é tirar uma parcela grande de recursos de municípios e colocarmos na mão do governo federal. Essa revolução do currículo me causa receio: já foi feito isso e deu errado antes. E claro, não podemos esquecer que mesmo com 100% de sucesso este eixo tem constante de tempo em décadas e não meses. Já o quarto eixo é praticamente oposto a federalização do ensino.

"Do PMDB ao PDT

Sou fundador do PMDB e, mais do que isso, o autor do manifesto de fundação do partido. Concebi o PMDB como um instrumento político de uma grande coalizão majoritária a favor da predominância dos interesses do trabalho e da produção. E o PMDB tem um recurso precioso, a sua incomparável base municipal. Mas os atos recentes, culminando no lançamento do documento "Uma Ponte para o Futuro", demonstraram o fechamento dos grupos que hoje controlam o partido à construção de uma alternativa como a que proponho.

Saí do PMDB e voltei ao meu partido histórico, o PDT. E lá vou trabalhar para apoiar a candidatura de Ciro Gomes, que vejo como o melhor instrumento na sucessão presidencial da alternativa que defendo. Ele demonstra a necessária capacidade de enfrentamento, tem clareza intelectual, e esse casamento é daquilo que precisamos hoje na liderança do país."

Ciro Gomes? Ah, tá de sacanagem...

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Impeachment e Previsões

Bem, já era hora de fazer previsões sobre o impeachment

Antes de mais nada, a quantas anda o placar do impeachment:
292 a favor
115 contra
60 indecisos
46 não quiseram responder

Para o impeachment são necessários 342 votos.

Vamos a algumas possibilidades

  1. Considerando a proporção mantida nos indecisos e sem resposta (72% a favor e 28 % contra): neste caso teremos um placar final de 368 a 145.
  2. Considerando a proporção invertida nos indecisos e sem resposta (28% a favor e 72 % contra): neste caso teremos um placar final de 322 a 191. 
  3. Considerando que a proporção se mantém nos indecisos, mas muda para 100% contrário ao impeachment nos sem resposta: neste caso teremos um placar final de 335 a 178.
  4. Considerando que a proporção de 50% nos indecisos e nos sem resposta: neste caso teremos um placar final de 345 a 168.
  5. Considerando que a proporção de 50% nos indecisos, mas 100% contrário ao impeachment nos sem resposta: neste caso teremos um placar final de 322 a 191.

Naturalmente há toda uma série de cenários possíveis na questão. Mas se considerarmos estes 5 cenários como igualmente prováveis, chegaremos a um número de "consenso": 338 a 175

Mas aí depende de cada um: será que os cenários 1 e 4 são mais prováveis do que o 2, 3 e 5? O fato é que dos cenários, o mais calcado na realidade é o 4. Mas notem a diferença de 3 votos a favor do impeachment - o fato é que o impeachment não é de modo algum garantido.