quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Olhando no Retrovisor - COVID 19 - Parte 4

 

Antes de entrarmos no efeito da vacina vamos ver mais um exemplo do caso de duas infecções. Os parâmetros do modelo são R1=1.2, R2=2.4 e T0=10. Temos os resultados:

Curvas totais com de R1=

1.2, R2 =2.4 e T0=10.

Curvas de infectados com de R1=

1.2, R2 =2.4 e T0=10.

Aqui vemos que há uma mudança na taxa de aumento dos recuperados. Como no caso real, o número de óbitos é proporcional ao número de casos antes da vacinação, podemos ver que a hipótese de várias variantes se encaixa na forma que a infecção se alastrou.

Infecção da COVID. A vacina começou a ser aplicada na semana

Modelo SIR com duas ondas de infecção

Na linha de tempo, a vacinação começou em janeiro de 2021 (mais ou menos na semana 44) e em setembro de 2021 cerca de 80-90% da população tinha sido ao menos parcialmente vacinada (mais ou menos na semana 77). Dependendo da vacina, o efeito demorava alguns meses e podia demandar diversas doses. No final podemos estimar algo entre 3 e 9 meses para o efeito completo. Isso corresponde a algo entre 12 e 36 semanas, o que na cronologia significa que o efeito total começava a ser visto entre 56 e 80 semanas. Mas como modelar isso?

Bem, o efeito da vacina de modo simplificado é diminuir a quantidade de susceptíveis. Caso haja mais variantes (como é o caso da COVID) temos que o efeito pode se estender as outras variantes ou não. Se não se estender a infecção pode ter sua gravidade diminuída ou inalterada. Do ponto de vista da diminuição da quantidade de susceptíveis o modelo matemático é simples:

Onde  é a fração de pessoas imunizadas em um intervalo de tempo (). Aqui a imunização é instantânea, mas se for o caso também pode ser modelada por atrasos. Assim uma aplicação que só passa a fazer efeito em seis meses pode ser modelada fazendo a equação começar a fazer efeito apenas seis meses após o início da vacinação. Ou seja, a solução é análoga ao caso de várias ondas de infecção com atraso.

A modelagem matemática usa dois conjuntos de equações, sendo um até o início da vacinação:

E outro com modificação apenas na primeira equação, após o efeito da vacinação entrar no cálculo:

 Este é o modelo de apenas uma infecção, mas podemos ver que o efeito é a diminuição da classe dos susceptíveis após a introdução da vacina.

 

Curvas sem vacinação com de R0=

1.5 e T0=10.

Curvas com vacinação com de R0=

1.5 e T0=10.

O efeito é que o número final de infectados será menor (0.4743 contra 0.5838), e será menor o quanto antes a vacina for introduzida. Naturalmente, o caso mais real não elimina o efeito da infecção, mas apenas diminui a severidade dos efeitos. Mas o resultado final é similar: menos óbitos. Portanto, isso fará apenas que os picos subsequentes sejam menores. Nos dados reais temos os seguintes gráficos de casos e óbitos.

Casos por semana

Óbitos por semana

Casos e óbitos em uma escala normalizada para cada um

 

O que vemos é que os picos de óbitos ficam bem menores comparados com os picos de casos, a partir da semana 90 aproximadamente. E daí para frente ficam cada vez menores.

O que se pode dizer a respeito disso é que mesmo que a vacina não tenha diminuído o número de casos imediatamente, certamente teve um efeito na diminuição dos óbitos.

Muito bem, agora que vimos que os picos vem de múltiplas ondas de infecção e que a introdução da vacina tem um efeito na diminuição dos efeitos da infecção (em especial no número final de óbitos), temos de fazer a pergunta mais importante: como foi o desempenho dos países na administração da pandemia de COVID 19?

Bem, isso é assunto para outro post.