segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

E continua o festival brasileiro de futilidades

Enquanto atiram pedras em FHC e Serra por ódio mesmo, a turma dos jornalistas sem visão deixou passar uma bombinha relativamente grande.

"BRASÍLIA (Reuters) - A equipe de transição anunciou nesta quarta-feira mais quatro ministros do governo Dilma Rousseff, incluindo o novo chanceler, Antonio Patriota.
Também foram confirmadas as escolhas de Fernando Pimentel para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e Aloizio Mercadante para a pasta de Ciência e Tecnologia. Nelson Jobim seguirá como ministro da Defesa.
Foi anunciado ainda Giles Azevedo, como chefe de gabinete da presidente eleita."

Até aí tudo bem, se não fossem os telegramas do wikileaks:

"The CDA paid a courtesy call November 18 on Brazilian
Ministry of External Relations (MRE or Itamaraty)
Secretary-General (Deputy Minister) Antonio Patriota.
Patriota has just taken up his duties following three years
as Brazil,s ambassador to Washington. Patriota said he sees
great potential for U.S.-Brazil relations to develop, but
stressed the need for high-level USG visits and a
comprehensive strategic bilateral mechanism in order to avoid
the appearance of neglect and to minimize the negative
affects on U.S.-Latin America relations of the Honduras
situation and the U.S.-Colombia bases agreement. Patriota
raised concerns about a pending Tropical Forests Conservation
Act agreement and defended Brazil,s invitation to Iranian
President Ahmadinejad (reftel). Unlike his anti-American and
obstructionist predecessor, Patriota is eager to engage the
United States. But he will do so on the basis of a
traditional Itamaraty nationalist perspective that remains
cautious and often suspicious regarding U.S. actions and
motives.

Patriota began by saying -- and repeated twice more
over the course of the conversation -- how important it is
for U/S Bill Burns to visit Brazil before the end of the
year, so that Brazil can receive Secretary Clinton and
President Lula early in 2010. He noted that President Lula
will be traveling a great deal in the first semester of 2010,
and that the second semester will be out of the question in
light of Brazil,s October elections. Patriota said the
high-level visits are important for the tone of the
relationship with Latin America as a whole, and Brazil in
particular. They will allow our differences to be seen
within a larger, and overall, positive context. Although he
has been the first to stress quality of contact over
quantity, he said there is a growing sense of neglect, which
is made worse by disagreements over Honduras and the
U.S.-Colombia base agreement. "We need new developments," he
said."

Claro que o atual chanceler está certíssimo. Errados estão os puxa-sacos e espalhadores de boatos que pululam a internet. E nem vou falar de jornalistas "sérios".

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Goodbye Blake Edwards

Breakfast at Tiffany´s
Abertura

Tema Principal

Claro que eu podia ter ido com a Pantera Cor-de-Rosa. Mas estes clips aqui são uma forma diferente de lembrar do grande diretor.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Outra conseqüência dos wikileaks

Uma conseqüência não totalmente inesperada, mas certamente um pouco surpreendente do vazamento pelos wikileaks é o desafio que isto traz para mídia.

Não é apenas o desafio de divulgar e tornar claro o que está sendo vazado. Não, nada disso. A imprensa não tem a menor possibilidade de conseguir transmitir este evento em toda sua magnitude. O caso do papéis do Pentágono são um exemplo claro que este tipo de informação, com todas as suas ramificações, está muito acima da capacidade da imprensa de mastigar para seus leitores (as 4 mil páginas podem ser vistas aqui).

O caso atual é diferente por causa que a magnitude do vazamento praticamente impede o controle editorial sobre o assunto. Na realidade é uma situação de um mercado dos vendedores, ou seja os compradores que se virem. Os veículos de mídia tem de se virar para tentar publicar a informação, caso contrário serão soterrados em uma avalanche de dados - pelos competidores.

E assim se vai a discrição editorial.

O que se vê é a publicação sem recortes ou edição do material. Isto é bom? Bem, para os historiadores eu desconfio que sim.

Mas e o público em geral? Se o passado é um indicador do futuro temos então que os leitores serão soterrados em uma avalanche de informação e sairão dela com suas visões particulares, restritas e editadas do material. Certamente serão muito poucos os leitores de todo o material.

E aí vem uma parte interessante do problema: muito como em outros sistemas sociais, a enorme maioria das pessoas irá obter suas informações de um número relativamente pequeno de fontes (que podem ser blogueiros, jornalistas, jornais, programas televisivos, etc...). Este fenômeno é bastante estudado e tem resultado em trabalhos interessantes.

A conclusão que a maior parte da informação vêm de um conjunto pequeno de fontes é de uma relevância ímpar. Não só joga por terra a idéia que a disponibilização pura e simples de informação é o suficiente para se tomar decisões informadas, como também mostra o caráter social (e com uma boa dose de preconceitos) de como recebemos e tratamos a informação.

Talvez tenha sido um imperativo biológico, talvez tenha sido um acidente de percurso, mas o fato é que a tendência natural das pessoas é acreditar naquilo que normalmente acreditamos e desconfiar do que não nos é familiar.

E isso esta sendo colocado em xeque pela primeira vez em muito tempo. Agora temos acesso não só ao que as nossas fontes de informação dizem, mas o que as fontes originais de informação disseram.

Em alguns casos o quadro não é bonito - em especial dos colegas blogueiros

As análises de alguns sites são de dar dó pela pobreza e ignorância

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A forma das coisas futuras

A questão do wikileaks trouxe questões muito relevantes para como vemos o mundo.

Não, não estou falando dos telegramas. Estou falando da reação do resto do mundo - principalmente dos Estados Unidos.

Olhe que coisa interessante:já surgiram duas mulheres acusando Julian Assange de violação sexual. Em paralelo a isto a Amazon decidiu não hospedar mais a página do wikileaks, paypal extingue conta do wikileaks, e praticamente temos uma espécie de boicote internacional contra o site.

Mas a vingança veio rápida, hackers decidiram se vingar dos perseguidores.

O problema naturalmente são as ramificações disto. As razões para Amazon rescindirem o contrato de hospedagem do site são francamente de uma candura quase imbecil. Os mesmos livros que a Amazon vende não possuem a garantia demandada para o site. A mesma justificativa tola foi usada pelo paypal.

O problema é que este é um vazamento não controlado. Até agora suspeito que muito poucas pessoas tem conhecimento do que continham os 250 mil documentos.

A impressão que dá é que o governo norte-americano está fazendo o impossível para evitar a divulgação do restante do material. E nisto está arranhando seriamente a própria imagem internacional (talvez até mais seriamente que no governo Bush), detonando a imagem de diversos governos aliados, arrasando as chances de declaração de isenção de algumas corporações transnacionais mundo afora (Amazon, Paypal, Visa e Mastercard certamente não terão o mesmo nível de confiabilidade de antes).

Em suma temos um possível retrato que as ações de governos e empresas irão conflitar cada vez mais com a imagem que tentam apresentar.

E no fundo temos uma prova que informação é realmente poder.

E quem divulga a informação quer exercer o controle sobre o que é publicado.

É uma forma de controle, só que frontalmente oposta aos tempos de hiper-transparência.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Mais sobre o caso Finatec

Esta semana tivemos novamente a divulgação que um professor da UnB foi condenado a 10 anos por fraude. O caso ocorreu devido ao uso da Finatec como forma de driblar a lei de licitações.

Isso me deixou chateado. Primeiro porque eu acalentava a esperança que o professor em questão fosse inocentado - na realidade eu acreditava que ele era inocente.

Bem, e ele é inocente? Não sei, mas não posso também escolher duvidar da sentença do juiz só porque não gostei dela. Então vou me abster pensar nisto (claro que poderia tomar uma posição, mas temo que por motivos lógicos esta posição coincidisse com a do juiz, ou pior passasse a depender da hipótese de uma gigantesca conspiração contra o professor).

Claro que existem interesses neste caso, afinal a notícia original é de 25 de outubro e agora está de novo na mídia. Quando uma notícia velha reaparece como nova então há algum interesse para tanto (ou então é jornalismo de qualidade fraca mesmo)

Mas este não é o segundo motivo. O segundo motivo é que algumas pessoas acreditam que isto é motivo para acabar com a Finatec ou pelo menos encerrar o processo de recredenciamento.

A lógica é esta: o professor que dirigia a Finatec foi condenado por fraude, logo a Finatec é corrupta ( e por conseguinte todas as instituições nos moldes da Finatec são corruptas - e preto é branco).

Bem eu nem preciso trazer a lista de falácias lógicas para mostrar o erro do pensamento.

Aqui se está condenado a instituição pela ação do indivíduo. E neste caso pode-se estar super-dimensionando o papel do indivíduo na instituição, sub-dimensionando o papel da instituição sobre o indivíduo ou simplesmente antropomorfizando a instituição (trazendo a mesma características humanas - é muito comum, o pessoal faz isso com o capitalismo, comunismo, governo, a lista é grande).

Mas o fato é que o erro do indivíduo não pode a priori condenar a instituição.

Se seguirmos por esta estrada não vamos gostar de onde vamos chegar

O germezinho do autoritarismo

Já encontrou com uma pessoa que disse assim: "Não sei porque o governo gasta dinheiro com decoração de Natal. Isto é só dinheiro jogado fora!"

É até bastante possível que um dos meus 17 leitores também pensem assim. Não fiquem tristes, eu também tenho estes pensamentos vez por outra.

Mas vamos levar a questão um pouco mais a frente: troque as palavras "decoração de Natal" por "concerto ao ar livre", ou por "desfile militar", ou por "show da vitória/virada". Então, ainda é desperdício de dinheiro?

O ponto é sutil, pois a priori poderíamos incluir qualquer "atividade cultural" no pacote "desperdício de dinheiro". Então pode ser que estivéssemos efetivamente privando a população de cultura.

Aí a coisa fica complicada...

Como justificar racionalmente um gasto de dinheiro em uma "atividade cultural". Bom, imagino que você já foi ao cinema alguma vez na vida (ou teatro, ou dança, ou concerto). Então como você justificou o gasto nesta ocasião?

Claro que nesta linha de raciocínio eu estou trapaceando: enquanto VOCÊ tomou uma decisão de usar seu dinheiro em uma atividade cultural, o uso do dinheiro dos contribuintes em uma atividade cultural não é decidido por todos os contribuintes.

Realmente, é muito raro isto acontecer. Na realidade o uso do dinheiro é decidido pelos representantes do povo - supostamente com no interesse da população. E  aí que a porca torce o rabo...

Enquanto estamos no plano das opiniões está tudo muito bom e razoável. Mas uma vez que passamos do plano das opiniões para o da ação ou mesmo do suporte estamos indiretamente usurpando o poder dado aos representantes pela população.

"Ora bolas, mas se eu vejo que é errado não posso fazer nada a respeito?"

Naturalmente que pode. Mas para ações há conseqüências, para ações existem ramificações.

São situações diferentes uma manifestação popular contra algo considerado errado (por exemplo: um representante popular excedeu sua autoridade ou cometeu um crime) e uma manifestação de um grupo contra algo que consideram errado (por exemplo: gastar dinheiro na decoração de Natal).

No primeiro caso, a manifestação (que pode ser feita por um ou mais grupos) está agindo em defesa da população, mesmo que ela não compreenda isto.

No segundo caso, a manifestação (que pode ser feita por um ou mais grupos) está agindo em defesa do que acha melhor, e a opinião da população realmente não conta nisto.

O segundo caso é o espirro causado pelo germezinho do autoritarismo

Diferenças sutis, porém significativas

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Dá até vontade de dizer

eu bem que avisei. Mas deixo apenas um relato do que aconteceu hoje - talvez como uma forma de lembrar que abrir a caixa de pandora tem conseqüências...

Vejamos o que aconteceu hoje...

Da folha:


Alunos da UnB protestam contra "beijódromo" e gritam "demagogo" para Lula


SIMONE IGLESIAS
DE BRASÍLIA


A inauguração do Memorial Darcy Ribeiro, batizado de "beijódromo", foi marcada por manifestação dos alunos contra o reitor da UnB (Universidade de Brasília), José Geraldo Sousa Júnior e contra a obra. O presidente Lula também foi alvo dos manifestantes.


Sérgio Lima/Folhapress


Alunos com cartazes que pediam hospital, prédios e mais recursos para a educação durante discurso de Lula
Acompanhavam o evento os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e José Mujica (Uruguai).


Enquanto discursava, o reitor foi vaiado e teve que ouvir gritos dos manifestantes, que são estudantes da universidade. "UnB sucateada", "chega de mentira" e "fora repressão" foram algumas das expressões gritadas em coro pelos alunos.


Quando foi discursar, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, pediu um acordo com os manifestantes, que parassem de gritar em respeito a Lula e Mujica.


"A hora é de saudar o mestre Darcy Ribeiro", afirmou Ferreira, que desistiu de discursar por causa do calor. Disse que publicará seu discurso no site do Ministério da Cultura.
Os manifestantes ensaiaram vaiar o ministro e não suspenderam a manifestação.


O beijódromo custou cerca de R$ 8,5 milhões e ficou pronto em poucos meses. Por conta da rapidez das obras, os alunos criticavam o fato de a Casa do Estudante não ter ficado pronta como foi prometido pela reitoria.


A cerimônia foi realizada ao lado do memorial e a cobertura montada pela organização do evento era de plástico transparente, o que deixava vazar o sol para os convidados.


DEMAGOGO


Ao começar a discursar, Lula também foi alvo dos manifestantes. Enquanto falava da biografia de Darcy Ribeiro, os alunos gritavam "demagogo". O presidente pareceu irritado e o volume do microfone foi aumentado, abafando a voz dos manifestantes que foram barrados pela segurança e ficaram do lado de fora das grades que separavam o palco e convidados dos alunos da universidade. "Ô Lula, deixa a galera entrar", gritaram, durante boa parte do discurso presidencial.

Será que Lula gostou?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Provavelmente a melhor interpretação até hoje - tirando um filme



Some day, when I'm awfully low, 
When the world is cold, 
I will feel a glow just thinking of you... 
And the way you look tonight. 

Yes you're lovely, with your smile so warm 
And your cheeks so soft, 
There is nothing for me but to love you, 
And the way you look tonight. 

With each word your tenderness grows, 
Tearing my fear apart... 
And that laugh that wrinkles your nose, 
It touches my foolish heart. 

Lovely ... Never, ever change. 
Keep that breathless charm. 
Won't you please arrange it ? 
'Cause I love you ... Just the way you look tonight. 

Mm, Mm, Mm, Mm, 
Just the way you look to-night. 

Wikileaks - Fazendo minha parte

O site do wikileaks está sem atualizar por causa do cablegate.

Mas a internet é uma caixinha de surpresas - aqui você pode ler sem problemas

Eu não tenho problema com os Estados Unidos, mas neste caso eles estão tomando a decisão errada. Os pais fundadores iriam desaprovar o rumo que o governo tomou neste caso.

They who can give up essential liberty to obtain a little temporary safety, deserve neither liberty nor safety. - Benjamin Franklin

Taxas de Homicídio

Já faz algum tempo que desconfio que as pessoas tendem a acreditar mais nas suas crendices do que nos fatos. E quando falo crendices não estou falando de pessoas de pouca educação... Muito pelo contrário.

Já vi diversas pessoas ditas esclarecidas falando sandices a torto e a direito. E há quem acredite.

Então vamos falar da percepção do perigo do homicídio. As taxas são geralmente por 100.000 pessoas - e a mundial está em 7.6. Isto efetivamente é algo como uma probabilidade menor do que 1 em 10.000 (ou menor que 0.0001%).

Já no Brasil está taxa sobe para 25.2 para cada 100.000. Isso é muito alto em comparação com a Argentina (5.27), Paraguai (12.9) e Uruguai (4.3). Esta taxa coloca o Brasil no número 9 de países com maior taxa de homicídio (atrás apenas de El Salvador, Honduras, Jamaica, Guatemala, Venezuela, África do Sul, Colômbia e Belize).

Mas mesmo dentro do Brasil temos diferenças. Primeiro que as taxas de homicídios para homens (47.7) e para mulheres (3.9) são muito diferentes (inesperado? Nem tanto...).

Segundo que os locais que imaginamos ter altas taxas de homicídio (Rio de Janeiro - 31.2 ou São Paulo - 17.7) são bem diferentes dos locais que realmente tem altas taxas de homicídios (Foz do Iguaçu - 91.2 ou Maceió - 92.4).

Então, este é daqueles casos aonde imaginamos uma coisa e a realidade é outra...

Mais probabilidades

Fiquei encucado com uma questão apresentada no Discovery channel: quão distante você deve estar de uma explosão?

Sim eu entendo que há muitas variáveis em questão, mas imagino que no final é uma questão de área. Ou seja a probabilidade deve ser proporcional a razão de áreas (entre a área coberta pela explosão e a área do corpo em questão.

No caso a área do corpo é Ac e a área coberta pela explosão é pi*R^2.

Então podemos dizer que a probabilidade em R=R1 é Ac/(pi*R^2)

Alternativamente, a razão de probabilidades p(R1)/p(R2) é R2^2/R1^2

Ou em português claro: quando se dobra a distância a probabilidade de ser atingindo é dividida por 1/4.

Claro que isto só vale para explosões simétricas

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O beijódromo e o resto dos campi

Nesta semana será inaugurado o beijódromo.

Como isto aqui é um espaço de opinião meu eu vou dizer o que penso: não era o momento.

A inauguração de uma obra assim com baixa prioridade em tão pouco tempo (?) quando outras obras se atrasam se configura em uma rematado mau gosto. Transmite-se uma expressão de escárnio. A impressão ou percepção é o que fica.

Felizmente o dinheiro para construção veio da Fundação Darcy Ribeiro e do Ministério da Cultura. Mesmo assim, empatam-se recursos da UnB senão na construção então certamente na manutenção.

Enquanto isso, os campi sofrem com atrasos de obras - com destaque para os prazos fictícios que já corroeram a credibilidade quanto ao tempo que as obras irão ainda perdurar.

A idéia de um memorial a Darcy Ribeiro é boa (com todas as reservas que tenho com o mesmo - eu li algumas coisas do referido ex-reitor).

O timing é péssimo. E timing, assim como percepção, é tudo.

E com isto vai aumentando o coro dos insatisfeitos com as decisões tomadas.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Wikileaks

Seria o vazamento um evento cisne negro? Se for então podemos nos preparar para conseqüências inesperadas e de grande impacto.

Para a maioria do público nacional, a política externa é algo não muito bem compreendido. No fundo é a defesa de interesses. Alguns tem maior poder de barganha, outros nem tanto, uns tem mais credibilidade, outros nem tanto... e assim toca-se o barco.

Mas uma constante em todas as negociações entre países tem sido a duplicidade. Há a "verdade pública" e a "verdade de gabinetes". Tudo isto é tácito e bem resolvido nesta esfera do mundo.

O problema é que por vezes, discursos políticos aproveitadores, velhos rancores e simplesmente má sorte podem acabar ditando política interna e política externa. E aí é que o vazamento entra.

Temos uma quebra de barreira entre as verdade pública e de gabinete. E as pessoas não estão muito acostumadas com isto.

Mas não deixa de ser engraçado ver uma superpotência envergonhada do que pode ser divulgado (e sim, isto é uma grande questão). Não podemos nos esquecer que este tipo de informações traz alguns depoimentos muito cândidos que nunca veriam a luz da divulgação pública se tivessem chance.

Então o potencial para confusão está criado. Vou fazer minha parte e divulgar links de informações interessantes a medida que elas surjam.

Começando aqui.

domingo, 28 de novembro de 2010

O cisne negro

O conceito do cisne negro é o de um evento que é raro e tem grande impacto. Essencialmente a idéia está ligada à distribuições com grande distorção e curtosis.

Alguns tipos de distribuição podem ser associados a este tipo de situação.

Ao meu ver, um evento do tipo cisne negro só é mais comum caso tenhamos sucessivos eventos raros que possibilitem a sua ocorrência. Em suma há uma série de eventos raros que devem ocorrer para que um evento do tipo cisne negro ocorra com maior facilidade.

Mas é claro que aí temos a chave do problema: os eventos que podem aumentar a probabilidade de um evento do tipo cisne negro podem ou não ser independentes. E a falha em perceber uma possível dependência pode levar a subestimar a probabilidade de ocorrência de um evento do tipo cisne negro.

Fico imaginando que espécie de eventos que podem ocorrer desta forma, então me vem a mente o conceitos de eventos periódicos cuja combinação de máximos pode levar a problemas. Mas nem de longe precisa ser algo assim... Um problema do tipo cisne negro...

Talvez seja melhor que o criador do conceito recente fale a respeito:


E a continuação: