O título é um tirada com uma história de título similar, mas temática ligeiramente diversa.
Os meios de comunicação estão em festa com a confusão do News of the World e uma eventual crucificação pública e política de Murdoch. Mas o ponto deste tópico não é a culpa eventual, real ou mesmo atribuída ao magnata das comunicações.
O ponto é: por que o News of the World chegou no ponto de transgredir leis e normas para obter reportagens? Não há dúvidas que o cobertor da liberdade de imprensa não serve para atenuar o que o jornal fez. Então, por que ele fez?
A resposta simples é que ele fez com o intuito de manter ou aumentar as vendas do tablóide. E claro que isto não justifica, mas certamente explica das razões pelas quais os desvios e crimes foram cometidos.
Então isto explica tudo? Ah, isto leva apenas à fronteira da questão principal: se o objetivo é manter ou aumentar as vendas, então este tipo de informação interessa a quem compra o jornal? Esta é uma pergunta malvada...
Ela é malvada porque indiretamente mostra que o responsável pela audiência, e em última análise sobre quais os assuntos de interesse a serem publicados tem nome e sobrenome. Os americanos o chamam de John Q Public. Ele é o responsável pela programação apavorante da televisão, pelas revistas de fofoca, pelos sites com agendas fundamentalistas e pela dominância dos enlatados norte-americanos.
A verdade é que ele é o homem comum, o espectador que é responsável pela audiência do canal de televisão/ programa de rádio/ filme/ jornal/ revista mais popular. Ele é quem determina o que é popular ou não, ele é quem determina o sucesso ou fracasso de um aventura cultural.
Em outras palavras: o News of the World buscava fornecer a sua audiência exatamente o que a mesma desejava. Para tanto não teve vergonha de usar meios "menos dignos" para obter, ou mesmo fabricar notícias. E tudo estaria muito bem se o esquema não tivesse sido descoberto...
A verdade é que o público tem responsabilidade na criação do monstro. E por conseguinte, o público TAMBÉM tem pelo menos uma parcela de responsabilidade nas ações de sua criação. Pode-se dizer que as atitudes do público favoreceram determinados comportamentos que deveriam ter sido considerados moralmente repreensivos, senão intoleráveis.
Mas a coisa é ainda mais interessante...
Com a mesma voracidade que se banqueteou das fofocas e reducionismos do tablóide, agora o público demanda sangue, bem talvez com um pouco menos de voracidade que determinados setores sociais. Mas ainda assim, há quem aproveite o embalo para propor um controle mais restrito da mídia.
* Um pequeno parêntese: não deixa de ser irônico ao extremo que os setores que querem controle social da mídia usassem o reino unido como exemplo de forma social de controle. *
E o mais interessante é: há quem caia nesta história! Aí eu submeto minha hipótese: no fundo não é o controle da mídia, mas o auto-controle do público que está com problemas. Ao ser confrontado com as consequências de ter dado atenção à organizações midiáticas que buscavam atender seus desejos, o público resolve aceitar que a culpa seja despejada única e exclusivamente no orgão transgressor.
Ou seja, ao invés de fazer a auto-crítica, fica mais conveniente e fácil simplesmente culpar alguém pelo que aconteceu....
Mutatis Mutandi, É mais ou menos como culpar o McDonalds por ser gordo
Este blog tem como propósito sincero esclarecer as notícias e novidades sem confundir.
terça-feira, 19 de julho de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Telefonia celular bate outro recorde: 217 milhões
Notícia fresquinha: o número de celulares bate outro recorde (e minhas previsões ficaram bem atrás).
Mas ao mesmo tempo encontrei uma notícia que achei bem interessante:
A parte interessante é a taxa de queixas de 2.03 a cada 100 mil pessoas. Como é que isso compara com as taxas de queixas da telefonia celular?
TIM - 4.59 reclamações a cada 100 mil aparelhos
Oi - 8.40 reclamações a cada 100 mil aparelhos
Claro - 6.27 reclamações a cada 100 mil aparelhos
Vivo - 1.54 reclamações a cada 100 mil aparelhos
Então, dá para perceber que a taxa do banco (Santander) é maior que a taxa da operadora de celular! Mas é só isso? Nope, mesmo usando os dados globais chega-se a uma taxa de 3.5 a cada 100 mil aparelhos.
Há serviços com taxas piores? Sim os serviços de TV por assinatura tem taxa de 6.69 a cada 100 mil.
Mas há uma coisa interessante nesta história: uma mistura de estatísticas - às vezes usa-se a estatística cheia (reclamações atendidas e não atendidas) com a vazia (reclamações não atendidas).
Não venho aqui defender grupo A ou B, mas apenas para esclarecer que, por vezes, há uma polarização dos divulgadores das notícias que precisa ser ponderada.
Então, para tanto deixo algumas perguntas malvadas:
Mas ao mesmo tempo encontrei uma notícia que achei bem interessante:
18/07/2011 O desrespeito dos bancosDébitos não autorizados ou cobrança irregular de serviços não contratados são as principais queixas de clientes bancários, segundo o ranking de reclamações do Banco Central. Os números de junho comprovam que o desrespeito é maior por parte do Santander. Ele se manteve na liderança do ranking das cinco instituições financeiras com mais de um milhão de clientes mais reclamadas. O banco registrou índice de queixas de 2,03 a cada 100 mil pessoas. O Banco Central precisaria ser firme para alterar isto, mas na prática não é o que se constata. |
A parte interessante é a taxa de queixas de 2.03 a cada 100 mil pessoas. Como é que isso compara com as taxas de queixas da telefonia celular?
Então, dá para perceber que a taxa do banco (Santander) é maior que a taxa da operadora de celular! Mas é só isso? Nope, mesmo usando os dados globais chega-se a uma taxa de 3.5 a cada 100 mil aparelhos.
Há serviços com taxas piores? Sim os serviços de TV por assinatura tem taxa de 6.69 a cada 100 mil.
Mas há uma coisa interessante nesta história: uma mistura de estatísticas - às vezes usa-se a estatística cheia (reclamações atendidas e não atendidas) com a vazia (reclamações não atendidas).
Não venho aqui defender grupo A ou B, mas apenas para esclarecer que, por vezes, há uma polarização dos divulgadores das notícias que precisa ser ponderada.
Então, para tanto deixo algumas perguntas malvadas:
- Qual é o percentual de reclamações em termos da base instalada?
- Há outros serviços/indústrias com percentual de reclamações em termos da base instalada comparável aos dados que vocês estão divulgando?
- Comparado com o resto do mundo, isto é muito ou é pouco?
domingo, 17 de julho de 2011
Contando pessoas - de novo
Neste domingo saiu um artigo na folha de São Paulo sobre contagem de multidões em alguns dos eventos que ocorreram recentemente.
Eu mesmo já tinha expressado dúvidas sobre as contagens que aparecem no Jornal e outros locais. Nas minhas contas eu utilizei a idéia de que uma pessoa em posição de sentido ocupa aproximadamente o tamanho de uma folha de jornal (1 página). Estas folhas tem 60 cm por 38 cm. Isto dá 0.228 metros quadrados. No modo relaxada isto dá 0.456 metros quadrados (2 páginas de jornal).
Depois de diversas análises temos no primeiro caso 4.39 pessoas por metros no caso mais apertado e 2.19 pessoas por metro quadrado no caso mais relaxado. Este número pode variar bastante de menos de uma pessoa por metro quadrado a mais de 8 pessoas por metro quadrado. É possível chegar a mais de 8 pessoas por metro quadrado, mas aí as coisas começam a ficar perigosas (uma pessoa ocuparia perto de 0.125 metros quadrados).
No caso a reportagem usa 7 pessoas por metro quadrado, o que na minha idéia é exagerado.
Usando a UT podemos fazer cálculo pelo menos mais precisos. Mas se queremos um máximo e mínimo podemos considerar 8 pessoas por metro quadrado e 1 pessoa por metro quadrado e ter uma estimativa do tipo máximo-mínimo.
Assim, na Paulista temos um mímino de 216 mil pessoas e um máximo de 1.728 milhões de pessoas (tirando a média temos 972 mil pessoas. No Campo de Bagatele temos um mínimo de 164 mil pessoas e um máximo de 1.312 milhões de pessoas (média de 738 mil pessoas). No Anhangabaú temos um mínimo de 54 mil pessoas e um máximo de 432 mil pessoas (média de 243 mil pessoas).
Se eu tiver que chutar, chutaria pela média...
sábado, 16 de julho de 2011
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Projeto de Lei 220/2010 - Vendendo gato por lebre
Em poucas palavras: é justificado por falácias. O projeto está disponibilizado no site do senado, sendo que a íntegra do mesmo pode ser vista aqui, e o relatório aqui.
Mas quais são as falácias que o justificam? Bom aí tem que entra um estudo mais aprofundado de qual a sua justificativa e qual a proposta que ele apresenta. Vamos ao texto do relatório.
Chega a esta Comissão o Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 220, de 2010, de autoria da Comissão de Serviços de Infraestrutura desta Casa.
O PLS pretende alterar o art. 66 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (LDB), que fixa as diretrizes e bases da educação nacional, para facultar aos portadores de curso superior não titulados em nível de pós-graduação o acesso ao magistério na educação superior.
O art. 1º do projeto explicita, ao acrescer ao art. 66 um segundo parágrafo, que serão admitidos como docentes nas áreas tecnológica e de infraestrutura, na forma de regulamento, os portadores de diploma de graduação, desde que comprovem relevante experiência profissional.
A justificação se concentra em dois argumentos: o da preocupante falta de docentes pós-graduados, particularmente com mestrado e doutorado, nas áreas de tecnologia e engenharias – o que comprometeria seriamente o ritmo de desenvolvimento econômico exigido para o País no momento – e a existência de profissionais de notório saber nessas áreas, que têm seu acesso à docência cerceado pela exigência do atual parágrafo único, a saber, o reconhecimento por universidade que tenha programa de doutorado na área.
O art. 2º do projeto prevê que a lei proposta entre em vigor na data de sua publicação.
Vamos então a análise.
Há falta de docentes pós-graduados nas áreas de engenharia?
Para investigar esta afirmação temos de saber quantos cursos temos, quantos docentes em média cada curso tem, taxa de aposentadoria e criação de novos cursos.
O número de estudantes matriculados em cursos de engenharia é cerca de 420 mil. O número de engenheiros formados em 2008 foi de 30 mil. Estes números não deveriam ser tomados como estado permanente pois o número de matrículas em cursos de engenharia vem crescendo faz algum tempo, mas não fazer isto dificulta a análise. Como o curso de engenharia tem uma duração de 4 a 5 anos, se considerarmos estes dados temos que deveriam estar se formando anualmente de 105 a 84 mil alunos. Com uma saída de 30 mil anualmente, isto implica em uma evasão entre 65% e 72%.
Mas há realmente falta? Segundo este artigo esta possível falta esta sendo exagerada. Mas isto não vem realmente ao caso, pois o interesse é estimar o número de docentes médio, o número médio de cursos e se há realmente falta de docentes com pós-graduação.
O MEC tem uma meta de 18 alunos por professores (vamos assumir o pior caso arredondar para 10 alunos por professor). Assim temos cerca de 42 mil professores de engenharia no país. Segundo este artigo, o número de cursos é de cerca de 2 mil. ( O que dá 21 docentes/curso e 210 alunos por curso).
Supondo aposentadoria aos 30 anos de serviço temos a cada ano uma demanda de 1400 docentes por ano só devido a aposentadoria. Com um crescimento de 5% ao ano nos cursos, mantida a demanda então seriam necessários mais 2100 docentes por ano. Assumindo 1% de taxa de má sorte, temos um adicional de 400 docentes adicionais. Então no final a demanda de crescimento de disponibilização de novos docentes é de 1400+2100+400=3900 docentes/ano
Segundo o portal geocapes, em 2009 tivemos 1097 mestrandos titulados e 267 doutorandos titulados na área de engenharias I (civil). Em engenharias II (química, minas, materiais e metalúrgica) este número foi de 933 mestrandos e 339. Em engenharias III (naval, mecânica, aeroespacial e produção) o número foi de 1324 mestrandos e 335. Finalmente, nas engenharias IV (elétrica e afins) o número foi de 1005 mestrandos e 323.
Então para engenharia temos anualmente um fluxo de 4359 mestres e 1264 doutores. Isto dá 5623 docentes/ano
Comparando a demanda de 3900 docentes/ano com a oferta de 5623 docentes/ano pode-se dizer que não há falta de docentes pós-graduados nas áreas de engenharia.
Bem, visto que a premissa principal do projeto é falsa, então qual é a razão do mesmo existir? Você deve ter notado que o desequilíbrio entre a demanda e a oferta está do lado da oferta, mas professores com pós-graduação devem receber salários mais altos do que professores sem pós-graduação!
Ah, aí está o cerne da questão: não é o desenvolvimento do país que é a preocupação, mas a oferta de mão de obra mais barata para a docência.
Então viram? O real objetivo do projeto é poder ter docentes com menor custo na oferta de cursos de engenharia (e tecnológicos). Nada a ver com o bem do país e com crescimento sustentado.
E a propósito, este projeto não é filho apenas do PSDB não...
Mas quais são as falácias que o justificam? Bom aí tem que entra um estudo mais aprofundado de qual a sua justificativa e qual a proposta que ele apresenta. Vamos ao texto do relatório.
Chega a esta Comissão o Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 220, de 2010, de autoria da Comissão de Serviços de Infraestrutura desta Casa.
O PLS pretende alterar o art. 66 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (LDB), que fixa as diretrizes e bases da educação nacional, para facultar aos portadores de curso superior não titulados em nível de pós-graduação o acesso ao magistério na educação superior.
O art. 1º do projeto explicita, ao acrescer ao art. 66 um segundo parágrafo, que serão admitidos como docentes nas áreas tecnológica e de infraestrutura, na forma de regulamento, os portadores de diploma de graduação, desde que comprovem relevante experiência profissional.
A justificação se concentra em dois argumentos: o da preocupante falta de docentes pós-graduados, particularmente com mestrado e doutorado, nas áreas de tecnologia e engenharias – o que comprometeria seriamente o ritmo de desenvolvimento econômico exigido para o País no momento – e a existência de profissionais de notório saber nessas áreas, que têm seu acesso à docência cerceado pela exigência do atual parágrafo único, a saber, o reconhecimento por universidade que tenha programa de doutorado na área.
O art. 2º do projeto prevê que a lei proposta entre em vigor na data de sua publicação.
Vamos então a análise.
Há falta de docentes pós-graduados nas áreas de engenharia?
Para investigar esta afirmação temos de saber quantos cursos temos, quantos docentes em média cada curso tem, taxa de aposentadoria e criação de novos cursos.
O número de estudantes matriculados em cursos de engenharia é cerca de 420 mil. O número de engenheiros formados em 2008 foi de 30 mil. Estes números não deveriam ser tomados como estado permanente pois o número de matrículas em cursos de engenharia vem crescendo faz algum tempo, mas não fazer isto dificulta a análise. Como o curso de engenharia tem uma duração de 4 a 5 anos, se considerarmos estes dados temos que deveriam estar se formando anualmente de 105 a 84 mil alunos. Com uma saída de 30 mil anualmente, isto implica em uma evasão entre 65% e 72%.
Mas há realmente falta? Segundo este artigo esta possível falta esta sendo exagerada. Mas isto não vem realmente ao caso, pois o interesse é estimar o número de docentes médio, o número médio de cursos e se há realmente falta de docentes com pós-graduação.
O MEC tem uma meta de 18 alunos por professores (vamos assumir o pior caso arredondar para 10 alunos por professor). Assim temos cerca de 42 mil professores de engenharia no país. Segundo este artigo, o número de cursos é de cerca de 2 mil. ( O que dá 21 docentes/curso e 210 alunos por curso).
Supondo aposentadoria aos 30 anos de serviço temos a cada ano uma demanda de 1400 docentes por ano só devido a aposentadoria. Com um crescimento de 5% ao ano nos cursos, mantida a demanda então seriam necessários mais 2100 docentes por ano. Assumindo 1% de taxa de má sorte, temos um adicional de 400 docentes adicionais. Então no final a demanda de crescimento de disponibilização de novos docentes é de 1400+2100+400=3900 docentes/ano
Segundo o portal geocapes, em 2009 tivemos 1097 mestrandos titulados e 267 doutorandos titulados na área de engenharias I (civil). Em engenharias II (química, minas, materiais e metalúrgica) este número foi de 933 mestrandos e 339. Em engenharias III (naval, mecânica, aeroespacial e produção) o número foi de 1324 mestrandos e 335. Finalmente, nas engenharias IV (elétrica e afins) o número foi de 1005 mestrandos e 323.
Então para engenharia temos anualmente um fluxo de 4359 mestres e 1264 doutores. Isto dá 5623 docentes/ano
Comparando a demanda de 3900 docentes/ano com a oferta de 5623 docentes/ano pode-se dizer que não há falta de docentes pós-graduados nas áreas de engenharia.
Bem, visto que a premissa principal do projeto é falsa, então qual é a razão do mesmo existir? Você deve ter notado que o desequilíbrio entre a demanda e a oferta está do lado da oferta, mas professores com pós-graduação devem receber salários mais altos do que professores sem pós-graduação!
Ah, aí está o cerne da questão: não é o desenvolvimento do país que é a preocupação, mas a oferta de mão de obra mais barata para a docência.
Então viram? O real objetivo do projeto é poder ter docentes com menor custo na oferta de cursos de engenharia (e tecnológicos). Nada a ver com o bem do país e com crescimento sustentado.
E a propósito, este projeto não é filho apenas do PSDB não...
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Mas Falem de Mim...
Hoje o ex-presidente Lula foi ao congresso da UNE e deu umas pancadas na imprensa...
Por que? Talvez isto explique:
E no caso da Dilma:
Notem com do início de 2011, o grande vilão de Lula diminuiu significativamente o volume de informações sobre ele, ao contrário do que ele afirma.
Talvez a razão seja que agora ele está recebendo as informações sem os filtros dos assessores...
Por que? Talvez isto explique:
E no caso da Dilma:
Notem com do início de 2011, o grande vilão de Lula diminuiu significativamente o volume de informações sobre ele, ao contrário do que ele afirma.
Talvez a razão seja que agora ele está recebendo as informações sem os filtros dos assessores...
Tudo o que poderia ter sido, mas não foi
Nesta semana li um pedaço da tese/memorial que o Prof. Cristovam Buarque escreveu para a sua banca de concurso para titular na UnB.
Naquele texto aonde ele fala sobre a economia e seu papel (até bem interessante por sinal), ele apresenta o seguinte texto:
A Ciência Econômica não fez o mundo melhor nem mais belo. Apenas o fez mais rico, definindo riqueza como aquilo que a economia produz. A Ciência Econômica tornou-se tautológica: ela afirma que seu propósito é aumentar a riqueza, e define riqueza como aquilo que ela ajuda a produzir.
Nos últimos anos, entrevistando economistas[4], perguntei se eles ajudaram a melhorar o mundo. A maior parte respondeu que sim. Apesar da desigualdade social, das crises cíclicas e do desequilíbrio ecológico, para eles o mundo de hoje é melhor do que aquele de há 50 anos. Mas creio que a resposta não seja tão simples. Como disse o Professor Ignacy Sachs, “não se pode responder, porque não se pode comparar alternativas que não ocorreram”.
Creio que a resposta não deve comparar pontos extremos no começo e no fim do século, mas sim o começo e os finais hipotéticos do que poderia ter acontecido, se a organização e o funcionamento econômico tivessem perseguido outros propósitos e usado outros meios, em vez de terem determinado os destinos do mundo moderno.
Bem, de início pensei que ear muito cruel a idéia que "não se poderia responder porque não se poderia comparar as alternativas que não ocorreram". Afinal, que parâmetro de comparação justo é o que poderia ter ocorrido e não ocorreu?
Temos de lembrar que costumamos julgar as pessoas pelo que fizeram e não pelo que poderiam ter feito (Beeemmm, isto não é inteiramente verdade - mas de qualquer modo mesmo nessa questão nosso julgamento costuma ser polarizado negativamente para as pessoas).
Então como avaliar o que poderia ter sido? Foi aí que vi que havia uma certa sabedoria em julgar o que poderia ter sido e não foi...
Sim, eu comecei a ver que realmente isto poderia ser uma forma interessante de ver o problema. A idéia vem de física quântica com a soma das histórias (a interpretação de Feynman é bem interessante, mas alternativamente podemos seguir a idéia de um multiverso).
Só que os eventos possíveis não são equiprováveis! Esta é a questão que realmente torna-se chave neste estudo. Mais ainda, com o uso do Teorema de Bayes, estas probabilidades poderiam ser ajustadas a medida que determinados eventos ocorressem.
Claro que o problema da determinação das probabilidades dos mais diversos cursos de ação é que é difícil de estabelecer. Mas para tanto há uma alternativa desde que se tenha conhecimento suficiente do sistema - um método do tipo Monte Carlo pode verificar algumas ramificações e verificar o que poderia ser diferente. Isto poderia ser feito como uma investigação exaustiva das possibilidades e cobriria parcialmente o espaço de probabilidades.
No fundo, uma versão mais simplificada poderia ser feita caso houvesse paralelo com determinados eventos de probabilidade conhecida. Infelizmente, meu conhecimento econômico é fraco nesse sentido e, como tantos, sou vítima dos meus preconceitos e superstições quando se trata de estimar probabilidade de eventos.
Talvez assim poderia se julgar o sucesso ou fracasso baseado no que poderia ter sido.
Naquele texto aonde ele fala sobre a economia e seu papel (até bem interessante por sinal), ele apresenta o seguinte texto:
A Ciência Econômica não fez o mundo melhor nem mais belo. Apenas o fez mais rico, definindo riqueza como aquilo que a economia produz. A Ciência Econômica tornou-se tautológica: ela afirma que seu propósito é aumentar a riqueza, e define riqueza como aquilo que ela ajuda a produzir.
Nos últimos anos, entrevistando economistas[4], perguntei se eles ajudaram a melhorar o mundo. A maior parte respondeu que sim. Apesar da desigualdade social, das crises cíclicas e do desequilíbrio ecológico, para eles o mundo de hoje é melhor do que aquele de há 50 anos. Mas creio que a resposta não seja tão simples. Como disse o Professor Ignacy Sachs, “não se pode responder, porque não se pode comparar alternativas que não ocorreram”.
Creio que a resposta não deve comparar pontos extremos no começo e no fim do século, mas sim o começo e os finais hipotéticos do que poderia ter acontecido, se a organização e o funcionamento econômico tivessem perseguido outros propósitos e usado outros meios, em vez de terem determinado os destinos do mundo moderno.
Bem, de início pensei que ear muito cruel a idéia que "não se poderia responder porque não se poderia comparar as alternativas que não ocorreram". Afinal, que parâmetro de comparação justo é o que poderia ter ocorrido e não ocorreu?
Temos de lembrar que costumamos julgar as pessoas pelo que fizeram e não pelo que poderiam ter feito (Beeemmm, isto não é inteiramente verdade - mas de qualquer modo mesmo nessa questão nosso julgamento costuma ser polarizado negativamente para as pessoas).
Então como avaliar o que poderia ter sido? Foi aí que vi que havia uma certa sabedoria em julgar o que poderia ter sido e não foi...
Sim, eu comecei a ver que realmente isto poderia ser uma forma interessante de ver o problema. A idéia vem de física quântica com a soma das histórias (a interpretação de Feynman é bem interessante, mas alternativamente podemos seguir a idéia de um multiverso).
Só que os eventos possíveis não são equiprováveis! Esta é a questão que realmente torna-se chave neste estudo. Mais ainda, com o uso do Teorema de Bayes, estas probabilidades poderiam ser ajustadas a medida que determinados eventos ocorressem.
Claro que o problema da determinação das probabilidades dos mais diversos cursos de ação é que é difícil de estabelecer. Mas para tanto há uma alternativa desde que se tenha conhecimento suficiente do sistema - um método do tipo Monte Carlo pode verificar algumas ramificações e verificar o que poderia ser diferente. Isto poderia ser feito como uma investigação exaustiva das possibilidades e cobriria parcialmente o espaço de probabilidades.
No fundo, uma versão mais simplificada poderia ser feita caso houvesse paralelo com determinados eventos de probabilidade conhecida. Infelizmente, meu conhecimento econômico é fraco nesse sentido e, como tantos, sou vítima dos meus preconceitos e superstições quando se trata de estimar probabilidade de eventos.
Talvez assim poderia se julgar o sucesso ou fracasso baseado no que poderia ter sido.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Sinal dos tempos 2
Como escrevi ontem a situação econômica mundial pode estar se encaminhando para um desequilíbrio. No entanto há mais informações nos jornais (aqui, aqui e aqui).
Mas temos um texto de Martin Wolf que mais ou menos sumariza algumas de minhas idéias a respeito.
Mas temos um texto de Martin Wolf que mais ou menos sumariza algumas de minhas idéias a respeito.
Na zona do euro, a crise fiscal está chegando à Itália. Nos Estados Unidos, o governo declara que ficará sem fundos no início do mês que vem caso o teto da dívida não seja elevado. Bem menos europeus do que americanos acreditam que calotes do setor público são benéficos. Mas europeus importantes compartilham o ponto de vista de republicanos de que há resultados muito piores. Para os europeus relutantes, a zona do euro não deve ser uma “união de transferência”. Para os republicanos recalcitrantes, impostos não devem ser aumentados. Fiat justitia, et pereat mundus –faça-se a justiça, mesmo que pereça o mundo– é o lema.
As crises fiscais que vemos são um legado do excesso de endividamento dos setores público e privado do Ocidente nas últimas décadas. Como o McKinsey Global Institute nos diz em uma atualização do estudo do ano passado sobre o período pós-bolha de crédito, este é um estágio inicial de um processo doloroso de desalavancagem em várias economias.* “Se a história servir como guia”, notou o relatório de 2010, “nós podemos esperar muitos anos de redução de dívida em setores específicos de algumas das maiores economias do mundo, e este processo exercerá um freio significativo no crescimento do PIB”. É como está comprovado, com decepção em quase toda parte.
O elo entre dívida pública e privada é íntimo. Em alguns países, notadamente na Grécia, o crédito fácil levou a um grande aumento da tomada de empréstimo pelo setor público. Em outros, notadamente a Itália, ele encorajou os governos a relaxarem sua atenção à redução da dívida: o orçamento fiscal primário (antes dos juros) passou de um superávit de 6% do produto interno bruto em 1997, antes do ingresso na união monetária, para 0,6% em 2005. Em outros lugares, o fim repentino do boom de crédito no setor privado levou diretamente a colapsos na receita do governo e aumentos de gastos públicos: Estados Unidos, Reino Unido, Espanha e Irlanda são exemplos.
A explosão dos déficits fiscais são principalmente resultado dos colapsos na atividade e receita, e não dos resgates aos bancos. Mas a fraqueza fiscal mina os bancos, em parte porque estes são detentores de grandes quantidades de dívida pública doméstica e em parte por dependerem de apoio fiscal. Os setores público e privado estão interligados. A visão dos falcões republicanos nos Estados Unidos e dos falcões alemães na Europa de que as crises têm raízes apenas fiscais é equivocada. Crédito fácil termina em crises fiscais.
A evidência americana é notável. Compare as previsões para os anos fiscais de 2010, 2011 e 2012 nos orçamentos presidenciais de 2008 e 2012, o primeiro sob George W. Bush, pouco antes da crise, e o segundo sob Barack Obama, bem depois dela. O déficit de 2011 foi previsto em 2008 como sendo de meros US$ 54 bilhões (0,3% do PIB). Mas no orçamento de 2012, a previsão é de que seja de US$ 1,645 trilhão (10,9% do PIB). A receita inesperadamente baixa é responsável por 58% desse aumento e apenas 42% se deve ao aumento de gastos, ambas mudanças em grande parte por causa da crise financeira, não devido ao modesto pacote de estímulo (cerca de 6% do PIB).
A característica mais notável da posição fiscal federal é que a previsão era de que as receitas seriam de meros 14,4% do PIB em 2011, bem abaixo da média pós-guerra, próxima de 18%. A previsão é de que o imposto de renda de pessoa física seja de meros 6,3% do PIB em 2011. Este não-americano não consegue entender o motivo de tanto estardalhaço: em 1988, no final do mandato de Ronald Reagan, as receitas foram de 18,2% do PIB. A receita tributária precisa aumentar substancialmente caso haja interesse de eliminação do déficit.
Não é que lidar com a posição fiscal americana seja urgente. Em um momento de desalavancagem do setor privado, é útil. Os Estados Unidos podem tomar emprestado em termos fáceis, com rendimentos dos títulos de 10 anos próximos de 3%, como previram os poucos não-histéricos. O desafio fiscal é a longo prazo, não imediato. Uma decisão de não permitir que o governo tome emprestado para financiar os programas já ordenados pelo Congresso seria insano. Como argumentou o especialista fiscal, Bruce Bartlett, a lei que exige aprovação pelo Congresso de endividamento adicional pode até mesmo ser inconstitucional.
Mas, surpreendentemente, muitos dos republicanos contrários ao aumento do teto da dívida americana não desejam apenas coibir os gastos federais: eles desejam entusiasticamente um calote. Ou eles não têm ideia de quão profundo seria o choque para a economia e sociedade de seu país de um repúdio das dívidas contraídas legalmente por seu Estado, ou eles se enquadram na categoria de revolucionários utópicos, totalmente inconsequentes. Enquanto isso, na Europa, felizmente ninguém acredita que calotes são bons. Mas os europeus estão presos a seu próprio projeto utópico: a moeda única. Assim como os membros do Tea Party (Festa do Chá, movimento republicano que faz referência à Festa do Chá de Boston, um protesto antitaxação no século 18) odeiam pagar impostos para aqueles que consideram indignos, os europeus solventes odeiam transferências para aqueles que consideram irresponsáveis.
A propósito, como muitos há muito previam, aquilo que seria, na ausência de uma união monetária, uma crise monetária comum, agora se transformou, dentro dessas limitações, em uma agonizante crise financeira e fiscal. Pior, os spreads entre os títulos de 10 anos espanhóis e italianos e os títulos alemães já atingiram 328 e 296 pontos-base, respectivamente.
Em economias de baixo crescimento com taxas de câmbio reais sobrevalorizadas, esses spreads começam a ficar perigosos. Se chegarem e permanecerem, digamos, a 400 pontos-base, a taxa de juros real sobre a dívida a longo prazo seria de 5%. Esses países então passariam lentamente de um bom equilíbrio, com uma dívida administrável, para um equilíbrio ruim, com uma dívida próxima de não administrável. A Itália, com a quarta maior dívida pública do mundo, é provavelmente grande demais para salvar: os próprios italianos devem tomar as medidas decisivas necessárias para aumentar a taxa de crescimento. Essa combinação é viável? Apenas com dificuldade, é a resposta.
Estes são tempos perigosos. Os Estados Unidos podem estar à beira de cometer os maiores e menos necessários erros fiscais da história mundial. A zona do euro pode estar à beira de uma crise fiscal e financeira capaz de destruir não apenas a solvência de países importantes, mas até mesmo a união monetária e, na pior das hipóteses, grande parte do projeto europeu. Estes tempos exigem sabedoria e coragem entre aqueles encarregados de nossos interesses. Nos Estados Unidos, utópicos da direita estão buscando esmagar o Estado que surgiu após os anos 30 e a Segunda Guerra Mundial. Na Europa, os políticos estão lidando com o legado de um projeto utópico, que exige certo grau de solidariedade que seus povos não sentem. Como esses confrontos entre utopia e realidade terminarão? No final de agosto, quando eu voltar das minhas férias, nós poderemos saber ao menos algumas das respostas.
* Post-scriptum: aqui tem uma análise bem mais sombria da situação.
* Post-scriptum: aqui tem uma análise bem mais sombria da situação.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Sinal dos tempos
Estamos vivendo tempos curiosos. Há uma sombra de crise econômica de uma magnitude nunca antes encontradas, mas todos fazem o máximo para ignorar a existência da mesma.
O Euro pode virar geleia se as predições mais sombrias se concretizarem. Os países chamados hoje de PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), podem criar instabilidades na zona do Euro com potencial de se propagar por todo o mundo.
Do outro lado do Atlântico, flerta-se com a possibilidade que os Estados Unidos não possam rolar sua dívida. Isto terá consequências sérias em praticamente todos os países do globo (China inclusive). O que pode acontecer?
Ninguém faz idéia, porque ninguém quer realmente contemplar a possibilidade. Talvez por ter ramificações praticamente ilimitadas no sistema econômico (a questão do padrão dólar), talvez porque se a hipótese for seriamente considerada será necessário se preparar para tal, ou talvez porque se acredite que as pessoas não serão loucas o suficiente para permitir que isso aconteça.
Não posso falar das primeiras razões, mas posso falar da última.
A verdade é que as pessoas são loucas o suficiente para permitir que isso aconteça. Digo isso porque esse tipo de comportamento já foi visto antes - mais recentemente na crise de 2008.
Talvez 2012 tenha uma certa ressonância com a realidade.
O Euro pode virar geleia se as predições mais sombrias se concretizarem. Os países chamados hoje de PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), podem criar instabilidades na zona do Euro com potencial de se propagar por todo o mundo.
Do outro lado do Atlântico, flerta-se com a possibilidade que os Estados Unidos não possam rolar sua dívida. Isto terá consequências sérias em praticamente todos os países do globo (China inclusive). O que pode acontecer?
Ninguém faz idéia, porque ninguém quer realmente contemplar a possibilidade. Talvez por ter ramificações praticamente ilimitadas no sistema econômico (a questão do padrão dólar), talvez porque se a hipótese for seriamente considerada será necessário se preparar para tal, ou talvez porque se acredite que as pessoas não serão loucas o suficiente para permitir que isso aconteça.
Não posso falar das primeiras razões, mas posso falar da última.
A verdade é que as pessoas são loucas o suficiente para permitir que isso aconteça. Digo isso porque esse tipo de comportamento já foi visto antes - mais recentemente na crise de 2008.
Talvez 2012 tenha uma certa ressonância com a realidade.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Bueiros explosivos?
Como é possível? Na verdade é fácil. O Rio de Janeiro não é o único com estes problemas. Existem várias localidades que sofrem deste problema. O que acontece?
É a velha combinação de gás + fonte de ignição.Claro que com manutenção adequada este problema pode ser minimizado.
Suspeito que no caso do Rio de Janeiro a tubulação de gás subterrânea pode ter ajudado um pouco nas explosões.
Não é exatamente culpa da privatização... apenas da natureza humana (brasileira?)
domingo, 10 de julho de 2011
Dois pesos e duas medidas
Com certeza o leitor já ouviu esta expressão. Mas qual é sua origem?
Corre a informação que é de Voltaire. Mas o problema é que não se encontra a citação original nas citações do mesmo. Há indicações que a frase é bem mais antiga, estando presente na bíblia no livro de provérbios.
Mas há o problema da tradução. Se partirmos do original em hebráico, a frase toma forma diferente.
O texto fica mais ou menos assim (אֶ֣בֶן וָ֭אֶבֶן אֵיפָ֣ה וְאֵיפָ֑ה תֹּועֲבַ֥ת יְ֝הוָ֗ה גַּם־ שְׁנֵיהֶֽם׃ ):
Pesos diferentes e medidas diferentes são igualmente abomináveis para o Senhor.
Comparando com outra tradução:
O peso fraudulento e a medida falsa são abominação ao Senhor, tanto uma como outra coisa.
E ainda uma versão mais corrente:
Dois pesos diferentes e duas espécies de medida são abominação ao SENHOR, tanto um como outro
Podemos traduzir do Latim (Pondus et pondus, mensura et mensura : utrumque abominabile est apud Deum):
Pesos diversos e medidas diversas: ambos são abomináveis diante de Deus.
Ou seja, todos querem dizer essencialmente a mesma coisa - padrão duplo não é aceitável por Deus.
Me parece que a frase original é uma versão posterior deste dito bíblico.
Corre a informação que é de Voltaire. Mas o problema é que não se encontra a citação original nas citações do mesmo. Há indicações que a frase é bem mais antiga, estando presente na bíblia no livro de provérbios.
Mas há o problema da tradução. Se partirmos do original em hebráico, a frase toma forma diferente.
O texto fica mais ou menos assim (אֶ֣בֶן וָ֭אֶבֶן אֵיפָ֣ה וְאֵיפָ֑ה תֹּועֲבַ֥ת יְ֝הוָ֗ה גַּם־ שְׁנֵיהֶֽם׃ ):
Pesos diferentes e medidas diferentes são igualmente abomináveis para o Senhor.
Comparando com outra tradução:
O peso fraudulento e a medida falsa são abominação ao Senhor, tanto uma como outra coisa.
E ainda uma versão mais corrente:
Dois pesos diferentes e duas espécies de medida são abominação ao SENHOR, tanto um como outro
Podemos traduzir do Latim (Pondus et pondus, mensura et mensura : utrumque abominabile est apud Deum):
Pesos diversos e medidas diversas: ambos são abomináveis diante de Deus.
Ou seja, todos querem dizer essencialmente a mesma coisa - padrão duplo não é aceitável por Deus.
Me parece que a frase original é uma versão posterior deste dito bíblico.
sábado, 9 de julho de 2011
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Escuta de Celular no Reino Unido
Para os que não sabem Rupert Murdoch se meteu em confusão no Reino Unido. A razão foi o uso de escutas ilegais para notícias em um de seus jornais.
Mas como isso é feito? Na realidade é mais simples do que se imagina. Os serviços de correio-de-voz das operadoras de telefonia celular geralmente tem um código de acesso que é necessário caso o usuário esteja acessando o mesmo não do seu telefone.
O problema é que este código geralmente não é alterado pelo usuário (que costuma usar o celular, aonde este código não é requerido).
Mas uma pessoa pode acessar o SEU correio-de-voz desde que saibam a senha. A verdade é que raramente, muito raramente mesmo o usuário chega a alterar a senha default do sistema. E aí basta saber a senha default para poder acessar o seu correio de voz. Este tipo de problema é até muito comum devido a divulgação das senhas padrão.
Mesmo no Brasil isto pode acontecer, tanto a Claro, quanto TIM, quanto OI, quanto Vivo estão passíveis deste problema.
Então o que pode acontecer? Bem, alguém, de algum telefone, liga para o seu número enquanto o mesmo estiver ocupado. Essa pessoa será direcionada para caixa postal, lá ele/ela pode fornecer a senha padrão e escutar TODAS as mensagens armazenadas para você.
Um pouco assustador, não?
Mas como isso é feito? Na realidade é mais simples do que se imagina. Os serviços de correio-de-voz das operadoras de telefonia celular geralmente tem um código de acesso que é necessário caso o usuário esteja acessando o mesmo não do seu telefone.
O problema é que este código geralmente não é alterado pelo usuário (que costuma usar o celular, aonde este código não é requerido).
Mas uma pessoa pode acessar o SEU correio-de-voz desde que saibam a senha. A verdade é que raramente, muito raramente mesmo o usuário chega a alterar a senha default do sistema. E aí basta saber a senha default para poder acessar o seu correio de voz. Este tipo de problema é até muito comum devido a divulgação das senhas padrão.
Mesmo no Brasil isto pode acontecer, tanto a Claro, quanto TIM, quanto OI, quanto Vivo estão passíveis deste problema.
Então o que pode acontecer? Bem, alguém, de algum telefone, liga para o seu número enquanto o mesmo estiver ocupado. Essa pessoa será direcionada para caixa postal, lá ele/ela pode fornecer a senha padrão e escutar TODAS as mensagens armazenadas para você.
Um pouco assustador, não?
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Uma carta de outra pessoa
Por motivos apenas de duplicação coloco aqui a carta do Prof. Márcio Pimentel que foi enviada a SECOM - UnB. Tenho muito respeito pelo Prof. Pimentel e prefiro divulgar a íntegra de suas considerações ao invés de me aventurar a tecer interpretações ou teorias.
À Secom/UnB
Em função da matéria recentemente veiculada por Veja sobre a UnB e sobre a resposta do reitor à mesma, nas quais sou citado, solicito que a mensagem abaixo seja divulgada. Não tenho outro meio de divulgação na UnB, portanto busco a Secom.
Apesar de me encontrar em missão oficial no exterior, acompanhei a matéria publicada na revista Veja e a resposta do reitor à mesma. No que me toca, acredito que alguns pontos têm que ser esclarecidos; tanto em relação à matéria da revista quanto à resposta do Reitor. Esclareço que depois de deixar a Universidade de Brasília nunca mais me manifestei publicamente sobre a atual gestão da UnB. Não foi diferente em relação à recente matéria da Veja.
Por motivos obviamente éticos, simplesmente sempre me recusei a emitir publicamente qualquer juízo sobre a atual administração da UnB, uma vez que fui candidato na última eleição para a reitoria da UnB. Eu e minha esposa fomos, de fato, há cerca de dois meses, procurados pelo repórter de Veja. Entretanto, simplesmente nos recusamos a emitir qualquer comentário sobre a UnB. Julgamos que isso não nos diz mais respeito. Hoje faço parte do quadro docente de outra universidade federal e não me toca mais emitir juízo sobre o que se passa na UnB. Confesso que muito me entristeceu a matéria de Veja, assim como me decepcionou a resposta da reitoria que nos acusa de intolerância ao procurar a imprensa para divulgar nossas frustrações ou queixas. Esse definitivamente não foi o caso.
Não procuramos ninguém pois isso não faz parte de nossas motivações e nossas prioridades. Buscamos nossas satisfações pessoais em outras fontes. Assim, ao sermos procurados pela imprensa, não nos manifestamos e definitivamente nos recusamos a falar com o repórter. Portanto, não há porque nos cobrar provas sobre o que foi alegado em relação à perseguição política, como sugerido por alguns, simplesmente porque não formulamos qualquer acusação em relação a isso.
Espero que o episódio represente um ponto final de nossa história com a UnB, o que eu achava que já havia ocorrido.
Márcio Pimentel
terça-feira, 5 de julho de 2011
Presente, Passado e Futuro
Na minha universidade está ocorrendo uma verdadeira comoção. O motivo é uma reportagem da revista Veja intitulada o Madraçal do Planalto.
A reportagens traz alguns exageros e alguns pontos que não podem ser tão facilmente esquecidos. Em resposta a carta tivemos uma carta do reitor aonde ele contesta diversos pontos da reportagem.
Em adição a tudo isto ainda tivemos manifestações de diversas partes tomando lados a respeito da questão. Coloco aqui um artigo a favor da reportagem e outro contra a reportagem. Por uma questão de simetria coloco aqui também o texto que o DCE-UNB fez a respeito do tema.
Posso colocar a argumentação das diversas partes aqui e entrar mais ainda na confusão do que é ou não verdade, do que aconteceu ou não, e do que apenas imagina-se que aconteceu.
Mas meu ponto vai ser outro...
Hoje eu exemplificar como há conivência coletiva tanto no esquecimento de mentiras quanto de verdades.
Em 2008, o reitor Timothy Mulholland sofreu uma série de acusações. Na época, tentou-se fazer uma oposição ao movimento que denunciava suas ações como moralmente erradas. Os defensores do reitor afirmavam existir uma campanha midiática contra a Universidade.
Avancemos 3 anos
Em 2011, o reitor José Geraldo de Sousa Júnior sofreu de uma série de acusações. Na época, tentou-se fazer uma oposição ao movimento que denunciava suas ações como moralmente erradas. Os defensores do reitor afirmavam existir uma campanha midiática contra a Universidade.
Soa similar? Think again... Os defensores de 2008 e 2011 são completamente diferentes. Digamos que os de 2011 tem mais proeminência. E alguns bem visíveis.
O fato é que estas duas atitudes não tão diferentes assim separadas por 3 anos deveria servir de baliza para a conduta das pessoas tanto na defesa de um ou outro reitor.
Mas o privilégio de memória curta e descorrelacionada parece estar se espalhando com rapidez.
A reportagens traz alguns exageros e alguns pontos que não podem ser tão facilmente esquecidos. Em resposta a carta tivemos uma carta do reitor aonde ele contesta diversos pontos da reportagem.
Em adição a tudo isto ainda tivemos manifestações de diversas partes tomando lados a respeito da questão. Coloco aqui um artigo a favor da reportagem e outro contra a reportagem. Por uma questão de simetria coloco aqui também o texto que o DCE-UNB fez a respeito do tema.
Posso colocar a argumentação das diversas partes aqui e entrar mais ainda na confusão do que é ou não verdade, do que aconteceu ou não, e do que apenas imagina-se que aconteceu.
Mas meu ponto vai ser outro...
Hoje eu exemplificar como há conivência coletiva tanto no esquecimento de mentiras quanto de verdades.
Em 2008, o reitor Timothy Mulholland sofreu uma série de acusações. Na época, tentou-se fazer uma oposição ao movimento que denunciava suas ações como moralmente erradas. Os defensores do reitor afirmavam existir uma campanha midiática contra a Universidade.
Avancemos 3 anos
Em 2011, o reitor José Geraldo de Sousa Júnior sofreu de uma série de acusações. Na época, tentou-se fazer uma oposição ao movimento que denunciava suas ações como moralmente erradas. Os defensores do reitor afirmavam existir uma campanha midiática contra a Universidade.
Soa similar? Think again... Os defensores de 2008 e 2011 são completamente diferentes. Digamos que os de 2011 tem mais proeminência. E alguns bem visíveis.
O fato é que estas duas atitudes não tão diferentes assim separadas por 3 anos deveria servir de baliza para a conduta das pessoas tanto na defesa de um ou outro reitor.
Mas o privilégio de memória curta e descorrelacionada parece estar se espalhando com rapidez.
sábado, 2 de julho de 2011
Hackear era coisa do meu tempo, hoje em dia a coisa é diferente...
Como assim? Bem deixo aqui dois vídeos relacionados a ataques DDoS. É extraordinário como este tipo de ataque se tornou simples com ferramentas como o Hotspot Shield e o DoShttp.
Bem aqui vai o vídeo sobre o Hotspot Shield (usado anteriormente para jogos):
E aqui sobre o como fazer um ataque DDoS:
Bem aqui vai o vídeo sobre o Hotspot Shield (usado anteriormente para jogos):
E aqui sobre o como fazer um ataque DDoS:
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Finalizando o mês com uma boa música
La Donna É Mobile
E não podia de dar uma chance aos amantes do canto em si:
| Luciano Pavarotti - La Donna E' Mobile .mp3 | ||
| | ||
| Found at bee mp3 search engine |
La donna è mobile
Qual piuma al vento
Muta d'accento
E di pensiero
Sempre un amabile
Leggiadro viso
In pianto o in riso
È mensognero
La donna è mobile
Qual piuma al vento
Muta d'accento
E di pensier
E di pensier
E di pensier
È sempre misero
Chi a lei s'affida
Chi le confida
Mal cauto il cor
Pur mai no sentesi
Felice appieno
Chi sul quel seno
Non liba amor
La donna è mobile
Qual piuma al vento
Muta d'accento
E di pensier
E di pensier
E di pensier
Qual piuma al vento
Muta d'accento
E di pensiero
Sempre un amabile
Leggiadro viso
In pianto o in riso
È mensognero
La donna è mobile
Qual piuma al vento
Muta d'accento
E di pensier
E di pensier
E di pensier
È sempre misero
Chi a lei s'affida
Chi le confida
Mal cauto il cor
Pur mai no sentesi
Felice appieno
Chi sul quel seno
Non liba amor
La donna è mobile
Qual piuma al vento
Muta d'accento
E di pensier
E di pensier
E di pensier
terça-feira, 28 de junho de 2011
Nunca é uma coisa só
Saiu na revista Piauí o relatório completo da queda do Vôo Gol 1907 em 2006.
Vou transcrever alguns pedaços aqui que acho relevantes.
"...
O fato é que o acidente não teve causa única e nem um único culpado. A lição que deve ficar é que raramente há apenas um único culpado, exceto quando decidimos arbitrariamente nomear um (os americanos, o governo brasileiro, o capitalismo, ou o que valha).
A verdade é que existem parcelas de merecimento em todos estes eventos, sejam eles bons ou ruins. E certamente um dos responsáveis é aquele camarada que você encontra toda vez que olha no espelho. Ele não costuma ser responsável por 100% do que acontece de bom ou de ruim com você, mas em determinados casos a parcela de atribuição pode ser bastante elevada.
Por que você não conversa um pouco com ele sobre isso?
Vou transcrever alguns pedaços aqui que acho relevantes.
"...
Se Lepore e Paladino tiveram grande parcela de culpa no desastre do Gol 1907, a responsabilidade dos controladores de voo brasileiros não foi menor. Em seu laudo, um dos apêndices do relatório do Cenipa, o NTSB americano salientou, adequadamente, que Lepore e Paladino tentaram, sem sucesso, entrar em contato com o Cindacta 1 por pelo menos quinze vezes na meia hora que antecedeu à colisão.
Os operadores do Centro de Controle Aéreo de Brasília simplesmente não selecionaram em seus equipamentos as frequências 123,3 e 133,05 mega-hertz, previstas nas cartas aeronáuticas para aquele setor e usadas pelos pilotos do Legacy. Se a seleção tivesse sido feita no console, conforme ditavam as normas, o nível errado de voo e o desligamento do transponder teriam sido detectados e a colisão não ocorreria.
Entre os erros graves cometidos pelo Cindacta 1, um dos principais foi o de não ter chamado o Legacy assim que os sinais do transponder desapareceram das telas de radar. Isso ocorreu às 19h02 Zulu, ou seja, 54 minutos antes do choque com o Boeing da Gol.
Outra causa contribuinte do acidente foi a instrução dada, pela torre de São José dos Campos, para que o Legacy seguisse até o Aeroporto Internacional de Manaus no nível de voo 370, o que significava voar a maior parte do percurso na contramão. Embora se deva supor que nenhum piloto, em pleno juízo, vá considerar como última palavra uma autorização de nível de cruzeiro para uma distância (2,7 mil quilômetros) e um tempo de voo (três horas e 34 minutos) tão grandes, essa permissão descuidada e errada foi usada na defesa de Lepore e Paladino.
O inglês deficiente dos controladores de voo, aliado à apatia dos pilotos americanos em lidar com a fraseologia muitas vezes incompreensível dos operadores brasileiros, fez com que ambos os lados procurassem se comunicar o mínimo possível. Inúmeras oportunidades para a correção do nível de voo e para o restabelecimento das emissões do transponder foram perdidas por causa desse descaso.
Para Lepore e Paladino, faltou airmanship. Para os controladores, entre diversas outras coisas, um melhor treinamento em inglês. Só como exemplo, a última avaliação dos operadores de São José dos Campos nesse quesito havia sido feita em 2003. Nela, cinco dos profissionais obtiveram resultado “não satisfatório”. Mas nenhum deles foi afastado do serviço. Continuaram se “comunicando” com pilotos estrangeiros. O mesmo aconteceu com o pessoal do Cindacta 1. Segundo a própria Aeronáutica, Jomarcelo Fernandes dos Santos, o sargento que assumiu primeiramente o Legacy no console, tem conhecimento limitado da língua inglesa.
Entre as causas do acidente, há que se considerar também a liberação prematura, por parte da Embraer, da aeronave para traslado, tendo em vista que Joe Lepore e Jan Paladino tinham poucas horas de voo noequipamento Legacy. O mais prudente era que ambos fossem acompanhados, entre São José dos Campos e Fort Lauderdale (ou, no mínimo, entre São José e Manaus), por um piloto da própria Embraer.
Não foi preciso muito tempo, nem muito estudo, para se apurarem as causas do desastre: imperícia e negligência dos pilotos do jatinho, imperícia e negligência dos controladores de voo e afobação do fabricante (Embraer) e do operador (ExcelAire) na hora de entregar e de receber o avião. Esses ingredientes combinados foram responsáveis pela morte das 154 pessoas que viajavam no Boeing."
O fato é que o acidente não teve causa única e nem um único culpado. A lição que deve ficar é que raramente há apenas um único culpado, exceto quando decidimos arbitrariamente nomear um (os americanos, o governo brasileiro, o capitalismo, ou o que valha).
A verdade é que existem parcelas de merecimento em todos estes eventos, sejam eles bons ou ruins. E certamente um dos responsáveis é aquele camarada que você encontra toda vez que olha no espelho. Ele não costuma ser responsável por 100% do que acontece de bom ou de ruim com você, mas em determinados casos a parcela de atribuição pode ser bastante elevada.
Por que você não conversa um pouco com ele sobre isso?
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Coisas que você pensa que sabe
Quem inventou a lâmpada elétrica? Thomas Alva Edison? Ah, não é bem assim não...
Esta é uma lição importante: Edison fez a primeira lâmpada elétrica economicamente viável para comercialização. E não a primeira lâmpada elétrica (nem mesmo foi a única na competição).
A honra da primeira lâmpada elétrica começa em Humphry Davy e segue uma lista de diversos "inventores". Mas no final, foi Edison que ficou com a vitória. Como as primeira lâmpadas usavam filamentos de platina, o resultado não tinha muita aplicação prática.
A razão? Bem, podemos listar várias. Mas na minha opinião o diferencial é a comercialização. Este efeito é mais comum do que se originalmente imagina. Aliás, dois dos presentes na lista dos inventores (Henry Woodward e Mathew Evans) venderam a sua patente de lâmpada elétrica para Edison.
Esta situação é alarmantemente mais comum do que se imagina. O conceito de "História é escrita pelos vencedores" é muito presente na narrativa dos acontecimentos. Outras invenções tiveram destino similar devido a diferença entre inventar e tornar de uso prático.
Da minha parte, considero que tornar de uso prático tem valor tão grande (talvez até maior) do que inventar. Mas aparentemente sou minoria...
Esta é uma lição importante: Edison fez a primeira lâmpada elétrica economicamente viável para comercialização. E não a primeira lâmpada elétrica (nem mesmo foi a única na competição).
A honra da primeira lâmpada elétrica começa em Humphry Davy e segue uma lista de diversos "inventores". Mas no final, foi Edison que ficou com a vitória. Como as primeira lâmpadas usavam filamentos de platina, o resultado não tinha muita aplicação prática.
A razão? Bem, podemos listar várias. Mas na minha opinião o diferencial é a comercialização. Este efeito é mais comum do que se originalmente imagina. Aliás, dois dos presentes na lista dos inventores (Henry Woodward e Mathew Evans) venderam a sua patente de lâmpada elétrica para Edison.
Esta situação é alarmantemente mais comum do que se imagina. O conceito de "História é escrita pelos vencedores" é muito presente na narrativa dos acontecimentos. Outras invenções tiveram destino similar devido a diferença entre inventar e tornar de uso prático.
Da minha parte, considero que tornar de uso prático tem valor tão grande (talvez até maior) do que inventar. Mas aparentemente sou minoria...
domingo, 26 de junho de 2011
Pequenas Pérolas do Cinema - XIV
O filme de hoje é Låt den rätte komma in. Pode-se dizer que este filme é a versão cruel de Crepúsculo.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Na mesma linha do narcisismo na internet
Eu não posso deixar de relatar sobre um efeito particular que toda juventude sente. Este efeito é o velho "Vamos mudar o mundo fazendo manifestações".
Se eu soar como um velho rabugento, peço que perdoem, mas devido a uma série de eventos absolutamente bizarros relacionados à percepção juvenil de correlação e causalidade, eu ando meio sem paciência para algumas coisas.
Então vamos ao que interessa.
A grande verdade é que a ação da juventude é renovadora. Sim, é verdade! Mas não é só isso: ela causa confusão e desorganização. E isto pode até vir a ser uma coisa boa, mas costuma ter o efeito contrário do que o esperado (senão ramificações sequer próximas do esperado). Posso dar dois exemplos de ações juvenis que causaram muita confusão e potencialmente mais mal do que bem: a invasão da reitoria da UnB e o movimento Fora Arruda.
E naturalmente existem pessoas, por sua natureza de ave de rapina, ou por ignorância mascarada de inteligência que tentam atribuir a própria agenda à das pessoas em manifestação. A quantidade de exemplos deste comportamento é impressionante. Temos hoje casos assim ligados a análise das revoluções de primavera dos países árabes e mesmo de marchas e manifestações aqui Brasil.
Claro que, como todas as pessoas, os participantes são mais permeáveis aos elogios do que as críticas.
Sumarizando:
É assim que os participantes da manifestação enxergam seu movimento
É assim que ele realmente é
Não é a questão de não fazer nada, mas entender o que deve ser feito...
Se eu soar como um velho rabugento, peço que perdoem, mas devido a uma série de eventos absolutamente bizarros relacionados à percepção juvenil de correlação e causalidade, eu ando meio sem paciência para algumas coisas.
Então vamos ao que interessa.
A grande verdade é que a ação da juventude é renovadora. Sim, é verdade! Mas não é só isso: ela causa confusão e desorganização. E isto pode até vir a ser uma coisa boa, mas costuma ter o efeito contrário do que o esperado (senão ramificações sequer próximas do esperado). Posso dar dois exemplos de ações juvenis que causaram muita confusão e potencialmente mais mal do que bem: a invasão da reitoria da UnB e o movimento Fora Arruda.
E naturalmente existem pessoas, por sua natureza de ave de rapina, ou por ignorância mascarada de inteligência que tentam atribuir a própria agenda à das pessoas em manifestação. A quantidade de exemplos deste comportamento é impressionante. Temos hoje casos assim ligados a análise das revoluções de primavera dos países árabes e mesmo de marchas e manifestações aqui Brasil.
Claro que, como todas as pessoas, os participantes são mais permeáveis aos elogios do que as críticas.
Sumarizando:
É assim que os participantes da manifestação enxergam seu movimento
É assim que ele realmente é
Não é a questão de não fazer nada, mas entender o que deve ser feito...
O que realmente está por trás das Brigas na Internet
A triste verdade é que a internet funciona como um filtro desumanizador e seletivo do mundo. Isto invariavelmente tende a fortalecer determinadas tendências narcisistas presentes em praticamente todos e diminuir os controles naturais que temos para discussão mais amenas.
Em outras palavras, as pessoas que discutem até brigar estão tentando provar que:
E para quem não entendeu, aqui tem um link para a letra da música do Luni.
Em outras palavras, as pessoas que discutem até brigar estão tentando provar que:
E para quem não entendeu, aqui tem um link para a letra da música do Luni.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Solstício de Inverno - aqui ao sul do Equador, pelo menos
E em homenagem uma trilha sonora apropriada
Mas em homenagem ao pessoal do hemisfério norte, também coloco a trilha apropriada para ocasião
| mp3-slovo.ru - Vivaldi - Four Seasons - Winter .mp3 | ||
| | ||
| Found at bee mp3 search engine |
Mas em homenagem ao pessoal do hemisfério norte, também coloco a trilha apropriada para ocasião
| mp3-slovo.ru - Vivaldi - Four Seasons - Summer .mp3 | ||
| | ||
| Found at bee mp3 search engine |
sábado, 18 de junho de 2011
Do bom senso e da lógica
Em tempos de marchas é de se esperar consistência nos pedidos. Mas francamente, parece que isto não é mais necessário.
Teremos neste sábado as marchas da liberdade e das vadias. Creio ser importante colocar alguns pontos do manifesto da marcha da liberdade e o manifesto da marcha das vadias.
Vamos aos casos - Manifesto da Marcha da Liberdade:
"...Todos aqueles que não se intimidam, e que insistem em não se calar diante da violência. Contamos com as pernas e braços dos que se movimentam, com as vozes dos que não consentem. Ligas, correntes, grupos de teatro, dança, coletivos, povos da floresta, grafiteiros, operários, hackers, feministas, bombeiros, maltrapilhos e afins. Associações de bairros, ONGs, partidos, anarcos, blocos, bandos e bandas. Todos os que condenam a impunidade, que não suportam a violência policial repressiva, o conservadorismo e o autoritarismo do judiciário e do Estado. Que reprime trabalhadores e intimida professores. Que definha o serviço público em benefício de interesses privados.
Ciclistas, lutem pelo fim do racismo. Negros, tragam uma bandeira de arco-íris. LGBTT, gritem pelas florestas. Ambientalistas, cantem. Artistas de rua, defendam o transporte público.
Pedestres, falem em nome dos animais. Vegetarianos, façam um churrasco diferenciado!
Nossas reivindicações não têm hierarquia. Todas as pautas se completam na perspectiva da luta por uma sociedade igualitária, por uma vida digna, de amor e respeito mútuos. Somos todos pedestres, motoristas, cadeirantes, catadores, estudantes, trabalhadores. Somos todos idosos, índios, travestis. Somos todos nordestinos, bolivianos, brasileiros, vira-latas...."
Percebam: não há pauta única! O interesse é juntar o maior número de pessoas possível. E fazem uma série de suposições que não necessariamente são verdadeiras (que todas a categorias listadas são "progressistas" - quando mesmo o termo progressista está em discussão).
Bem, aqui cabe mencionar que comecei esta postagem na sexta-feira 17/06/11. Mas eu só pude retoma-la no sábado 18/06/11. Neste sábado já ficou claro que a marcha da liberdade falhou em Brasília. Já a marcha das vadias fez mais sucesso.
Então para finalizar, vou colocar um trecho do manifesto da marcha das vadias.
...Em Brasília, marchamos porque apenas nos primeiros cinco meses desse ano, foram 283 casos registrados de mulheres estupradas, uma média de duas mulheres estupradas por dia, e sabemos que ainda há várias mulheres e meninas abusadas cujos casos desconhecemos; marchamos porque muitas de nós dependemos do precário sistema de transporte público do Distrito Federal, que nos obriga a andar longas distâncias sem qualquer segurança ou iluminação para proteger as várias mulheres que são violentadas ao longo desses caminhos.
No Brasil, marchamos porque aproximadamente 15 mil mulheres são estupradas por ano, e mesmo assim nossa sociedade acha graça quando um humorista faz piada sobre estupro, chegando ao cúmulo de dizer que homens que estupram mulheres feias não merecem cadeia, mas um abraço; marchamos porque nos colocam rebolativas e caladas como mero pano de fundo em programas de TV nas tardes de domingo e utilizam nossa imagem semi-nua para vender cerveja, vendendo a nós mesmas como mero objeto de prazer e consumo dos homens; marchamos porque vivemos em uma cultura patriarcal que aciona diversos dispositivos para reprimir a sexualidade da mulher, nos dividindo em “santas” e “putas”, e muitas mulheres que denunciam estupro são acusadas de terem procurado a violência pela forma como se comportam ou pela forma como estavam vestidas; marchamos porque a mesma sociedade que explora a publicização de nossos corpos voltada ao prazer masculino se escandaliza quando mostramos o seio em público para amamentar nossas filhas e filhos; marchamos porque durante séculos as mulheres negras escravizadas foram estupradas pelos senhores, porque hoje empregadas domésticas são estupradas pelos patrões e porque todas as mulheres, de todas as idades e classes sociais, sofreram ou sofrerão algum tipo de violência ao longo da vida, seja simbólica, psicológica, física ou sexual....
Quero deixar claro: este texto é bem mais focado do que o da marcha da liberdade. Não entro no mérito de estar certo (há controvérsias sobre o que se deseja atingir - a questão do público alvo salta a mente: será uma esta marcha irá diminuir a incidência de estupros em uma unidade sequer?).
Mas no mundo de hoje aonde percepção é realidade talvez este abordagem pragmática não tenha espaço
Pequenas Pérolas do Cinema - XIII
O filme de hoje é Reds. Serve como homenagem e lição de história para os participantes de marchas Brasil afora.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Mais sobre as Marchas
Ontem, o STF deliberou sobre a legalidade da Marcha da Maconha (rebatizada de Marcha da Liberdade - talvez por motivos de copyright (?)).
O interessante é que a decisão do STF reflete o conceito de liberdade de expressão:
Em decisão unânime (8 votos), o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou a realização dos eventos chamados “marcha da maconha”, que reúnem manifestantes favoráveis à descriminalização da droga. Para os ministros, os direitos constitucionais de reunião e de livre expressão do pensamento garantem a realização dessas marchas. Muitos ressaltaram que a liberdade de expressão e de manifestação somente pode ser proibida quando for dirigida a incitar ou provocar ações ilegais e iminentes.
O fato é que existe um sério problema lógico envolvendo o conceito de liberdade de expressão. É o famoso problema do barbeiro:
O paradoxo é resolvido quando modificamos a primeira afirmação:
Naturalmente, paradoxos como este são convenientemente esquecidos ou colocados em segundo plano quando interesses pessoais ou coletivos tomam importância nas decisões.
Por que me interessei por isto? Por que li uma graphic novel bastante interessante: Logicomix.
Recomendo a todos...
O interessante é que a decisão do STF reflete o conceito de liberdade de expressão:
Em decisão unânime (8 votos), o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou a realização dos eventos chamados “marcha da maconha”, que reúnem manifestantes favoráveis à descriminalização da droga. Para os ministros, os direitos constitucionais de reunião e de livre expressão do pensamento garantem a realização dessas marchas. Muitos ressaltaram que a liberdade de expressão e de manifestação somente pode ser proibida quando for dirigida a incitar ou provocar ações ilegais e iminentes.
O fato é que existe um sério problema lógico envolvendo o conceito de liberdade de expressão. É o famoso problema do barbeiro:
O paradoxo considera uma aldeia onde, todos os dias, um barbeiro faz a barba de todos os homens que não se barbeiam sozinhos e não faz a barba de quem se barbeia sozinho. Isso vale para todos que estão na aldeia. Ora tal aldeia não pode existir:
- Se o barbeiro é um homem que não se barbeia sozinho, então ele deve fazer a barba a si mesmo imediatamente, tornando-se um homem que se barbeia sozinho.
- Se agora ele é um homem que se barbeia sozinho, então ele deve parar imediatamente de fazer a própria barba, tornando-se um homem que não se barbeia sozinho.
A regra resulta num paradoxo, pois o barbeiro ao mesmo tempo deve e não deve fazer a própria barba, não podendo se decidir sem quebrar a regra.
Em outros termos: é possível usar a liberdade de expressão para exigir o fim da liberdade de expressão? São duas condições contraditórias. Em parte pela complexidade de conceituar liberdade, em parte pelo problema que pode ser descrito como:- Liberdade de expressão é poder manifestar sua opinião sobre qualquer tópico
- Minha opinião sobre a liberdade de expressão é que a mesma não deve se aplicar a qualquer tópico
O paradoxo é resolvido quando modificamos a primeira afirmação:
- Liberdade de expressão é poder manifestar sua opinião sobre qualquer tópico, exceto sobre a negação da liberdade de expressão.
Naturalmente, paradoxos como este são convenientemente esquecidos ou colocados em segundo plano quando interesses pessoais ou coletivos tomam importância nas decisões.
Por que me interessei por isto? Por que li uma graphic novel bastante interessante: Logicomix.
Recomendo a todos...
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Divulgando a ocupação da reitoria por alunos da FCE
A FCE é o campus avançado da UnB na Ceilândia. Não sou favorável a ocupações, mas acredito que a demanda dos estudantes é justa. Então coloco aqui o live-stream
Jabuticaba também é Fruta
Existe no Brasil a teoria da jabuticaba. Em poucas palavras:
Teoria da jabuticaba é tudo aquilo que só existe no Brasil, como essa saborosa fruta selvagem da respeitada família das mirtáceas (myrciaria jaboticaba). Isso significa, para ser rápido, pertencer a uma família de “explicações sociais” única e exclusiva neste planeta Terra, situação inédita no plano universal, que consiste em propor, defender e sustentar, contra qualquer outra evidência lógica em sentido contrário, soluções, propostas, medidas práticas, iniciativas teóricas ou mesmo teses (em alguns casos, até antíteses) que só existem no Brasil e que só aqui funcionam...
Esta idéia singular, porém estranhamente familiar. No fundo este conceito é baseado no provérbio:
Explanations exist; they have existed for all time; there is always a well-known solution to every human problem — neat, plausible, and wrong. (H.L. Mencken)
A verdade é que resolver um problema não é necessariamente uma atividade aonde é necessário inventar, descobrir ou desenvolver uma solução única e inovadora. Ao contrário, via de regra é melhor adaptar uma solução conhecida, consolidada e testada.
Claro que existem soluções inovadoras brasileiras. Mas pensar que "ser brasileiro" é pré-requisito de uma boa solução é um equívoco.
Um exemplo aonde parece ser necessário rever o conceito de "soluções nacionais" é justamente a educação. Talvez seja hora de perceber que existem outras frutas além da jabuticaba - muitas delas igualmente deliciosas e que podem matar a necessidade
Um exemplo aonde parece ser necessário rever o conceito de "soluções nacionais" é justamente a educação. Talvez seja hora de perceber que existem outras frutas além da jabuticaba - muitas delas igualmente deliciosas e que podem matar a necessidade
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