sexta-feira, 18 de julho de 2025

Olhando no Retrovisor – COVID 19 - Parte 1

Bom, como já se passaram alguns anos após a pandemia de COVID-19, creio que é hora de olhar de modo mais crítico o problema dos erros e dos acertos durante o período. Para tanto vamos começar dando uma olhada nos dados que colhemos ao longo da pandemia e depois vamos comparar com as predições.

Primeiro vamos ver o número de casos acumulado durante o período da COVID

Temos ao final de 2024 o número de cerca de 39 milhões (39.073.544). Bom, isto não são os 2013 milhões de brasileiros, então a primeira pergunta é por quê?

Bom, a resposta é relativamente simples: após um certo tempo nem todas as infecções de COVID eram informadas, e talvez isso seja mais claro no gráfico do número de casos por semana.

Se olharmos a variação semana a semana fica claro que temos alguns momentos diferentes. Até a semana 94, parece que temos um comportamento mais ou menos esperado de uma doença se difundindo em uma população, mas depois dessa semana temos três picos  bem característicos que indicam algo diferente da infecção inicial. Vamos ver com relação a linha do tempo: a vacinação começou em janeiro de 2021 (mais ou menos na semana 44) e em setembro de 2021 cerca de 80-90% da população tinha sido ao menos parcialmente vacinada (mais ou menos na semana 77). Assim até a última semana de 2021 (semana 94) temos mais ou menos o comportamento esperado.  Mas então temos três picos : semana 98 (1.30 milhões), semana 120 (409 mil) e semana 144 (321 mil). As razões para esses picos? Francamente não sei... Mas tenho suspeitas...

Além do número de casos temos ainda o número de óbitos. Algo que durante muito tempo foi elemento de grande contestação.

Mas para vermos melhor vamos colocar as curvas de casos e óbitos acumulados na mesma escala e em conjunto

Aqui as coisas começa a ficar estranhas: o número de óbitos pré-data o número de casos. Normalmente o que esperamos é que o número de casos aumente e isso seja seguido por um aumento no número de óbitos. Isso só é o caso quando temos vacinação antes, assim o número de óbitos acumulado se estabiliza em um máximo enquanto o número de casos acumulados ainda vai aumentar mais. Mas isso é o que se espera após uma vacinação. Vamos dar uma olhada no número de óbitos a cada semana

Esta curva é bem diferente da curva dos números de casos a cada semana. Para começar, depois da semana 91, os picos são substancialmente menores e ocorrem em pontos diferentes. Os picos de casos infeção após a semana 91 ocorreram na semana 98 (1.30 milhões), semana 120 (409 mil) e semana 144 (321 mil). Já os picos de óbito ocorreram nas semanas 100 (6.3 mil), semana 122 (1.7 mil) e 146 (1.2 mil)

Vamos ver os dois gráficos em conjunto, e com normalizados de modo apropriado (cada um dividido pelo seu número final).

Aqui temos algumas informações interessantes, sendo a primeira é que a taxa de mortalidade varia ao longo do período, sendo maior até a semana 91 e bem menor depois disso. Há também algo estranho no início da pandemia: até a semana 37, a mortalidade parece preceder o aumento no número de casos. Isso em parte pode ser explicado se houver sub notificação no início da pandemia (ou mais especificamente se há alguma dificuldade em associar a causa da morte a COVID).

o primeiro grande salto começa na transição da última semana de 2021 para primeira semana de 2022 (de 40 mil para 208 mil). Aqui é que eu tenho uma suspeita: não temos uma única infecção de COVID, sendo que algumas se misturam. Temos aproximadamente:

  1. Uma infecção da semana 1 até a 30
  2. Uma infecção da semana 30 até 91
  3. Uma infecção da semana 91 até 109
  4. Uma infecção da semana 109 até 117
  5. Uma infecção da semana 136 até 154
Podemos usar o modelo SIR mais simples para ver como seria o comportamento em uma pandemia. E mesmo sendo um modelo simples é isso que vou fazer na continuação desse post.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Um mar morto de links ou um mar de links mortos

Depois de muito tempo, estou de volta.

Tanta coisa aconteceu, fica até difícil resumir tudo. 

Então vou fazer diferente, vou revisitar meus artigos antigos que considero mais interessantes e fazer atualizações deles. Aqui e na nova versão do blog.

O que descobri é que a internet não é um oceano de memórias, mas um mar de links mortos.  Olhando meus artigos postados desde o início do blog, o que vejo é que enorme maiorias dos links estão mortos.

Mortos no sentido de não estarem mais ligados a nada. A minha ilusão que a internet ia ser um repositório de ideias, que poderíamos acessar as partes relevantes simplesmente clicando em alguns links, foi tudo por água abaixo.

Em retrospecto, penso que eu deveria ter esperado isso: Servidores são desativados, programas são atualizados, o espaço de armazenamento é finito e assim vai. Então temos posts aqui cujas referências se desmancharam, cujos links com mais detalhes não existem mais, cujos vídeos foram retirados, cujas músicas sumiram, que os plug-ins não funcionam mais...

E nem vou entrar na questão dos links que sumiram por decisões judiciais (embora talvez devesse).

Em resumo, a internet não é aquilo que imaginei que seria: um repositório, uma fonte de conhecimento, um modo de guardarmos as memórias do que fizemos, tivemos ou vivemos.

Isso é um pouco triste, um pouco desalentador...


quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

O mundo nos tempos de pandemia

 Este post está muito, muito atrasado.

A verdade é que descuidei do blog. Descaso, preguiça, resignação, raiva - o leitor pode escolher o motivo.

Mas nos tempos de COVID, a verdade inconveniente ficou visível: é tudo mentira...

Sim, as certezas, os planejamentos, a confiança... tudo faz de conta.

E o mais triste de tudo: existe um acordo implícito para não apontar os problemas.

Vamos por partes

O primeiro sinal que tudo era enganação foram os modelos matemáticos da pandemia. Eu até fiz algumas simulações com modelos SIR simplificados. E a primeira coisa que notei foi que ninguém falava do tempo que a pandemia iria durar. Nas minhas simulações, com os dados inicialmente disponibilizados o tempo estava na casa das centenas de dias.

O primeiro gráfico do problema - segundo ele, em 60 dias teríamos 46 milhões de infectados

Mas quando eu apliquei a UT ao problema a curva mudou:

E mudou muito - note que o pico mudou de 60 dias para 150-170 dias.

Bom, e como isso se compara com a coisa real?

O pico de casos por dia é de 7000 - aproximadamente 2000 vezes menor do que o projetado

Como o modelo podia estar tão errado? Bem, o modelo só tem dois parâmetros R0 (número básico de reprodução) e T0 (tempo de infecção), ou seja não leva em conta possíveis medidas de mitigação.

Então, na esperança de melhorar a predição, eu inclui medidas de mitigação.

Mas aí surge o problema: incerteza no efeito destas medidas. Mesmo assim prossegui. E o melhor resultado que tive foi o seguinte.

Ainda sim o número de infectados máximo é de 4 milhões - ainda 650 vezes maior que o real

Então eu percebi que o problema não era apenas meu, mas de todo mundo (veja aqui, aqui e aqui). Todos estavam operando as cegas, tomando decisões sem dados suficientes (o que não é incomum) e mudando as decisões sem dados suficiente (o que é incomum). Podemos culpar esperança, confiança - o que for mas a verdade é simples:

Predizendo como baratas tontas.

E muita gente acreditou, ou fingiu acreditar

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Loucuras de fim de ano

Bem, finalmente aconteceu...

A URP (que já falei anteriormente) foi congelada nos valores de 2016.

No final das contas, esta é a melhor solução possível para o problema.

Mas, como esperado, o pessoal resolveu agir e "provocar" o STF para se pronunciar sobre o assunto.

Olha, francamente não sei se o pessoal é burro, mal-informado, traíra, ou alguma combinação dos anteriores.

Quem ler o que escrevi sobre URP (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) vai entender que a posição dos professores da UnB na questão não é apenas delicada.

Se o STF for cumprir a lei, TODOS os professores e funcionários recebendo atualmente URP perderiam imediatamente o benefício

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Sobre seriados de televisão

Bem, tenho de colocar duas opiniões impopulares aqui:

1) Adorei o fim de Game of Thrones
2) Estou adorando Watchmen

Como não posso simplesmente escrever isso e deixar como uma bomba vou gastar um pouco de tempo explicando o porque de cada um.

Primeiro Game of Thrones

Quem não viu o final, bem devo dizer que vou revelar alguns detalhes. No final Daenerys massacra toda uma cidade devido ao seu estado mental. E o massacre ocorre depois da cidade se render. E como que para provar que tudo foi premeditado, suas forças matam todos os soldados inimigos sobreviventes.

Muita gente ficou com raiva deste final.

Mas francamente é perfeito: está totalmente de acordo com o personagem e com o conceito do "tirano que faz tudo pelo bem da humanidade/povo/raça". E isso é um tema comum na história, e muita gente cai ainda hoje na estória da carochinha do tirano. Stalin, Mao, Guevara, Hitler, Pol Pot e muitos, muitos outros. E Daenerys era exatamente isso: uma tirana fazendo tudo pelo "bem maior".

Muito curioso que estes nunca pensem em dar fim própria vida constituiria um "bem maior". O conceito de sacrifício é sempre uma espécie de cálculo para o ganho futuro. E sempre que possível, o sacrifício deve ser de outros.

Isso foi perfeito: eu torci pela Daenerys até o momento que vi o massacre. E nesse momento, vi que essa ação não foi fruto de um momento de loucura: mas algo sistemático ao longo de toda a trajetória. Só que ela fazia para outros que tinham comportamento de vilões.

E quanto a Watchmen?

Bom, a série ainda não terminou. Mas é claro que o tema de mocinhos e bandidos que os quadrinhos tão bem descontruiram está presente. E no caso são os racistas versus não racistas.

Eu imagino que no fim os não racistas irão fazer algo inacreditavelmente cruel e ruim com os racistas. Mesmo que, nesse caso, os racistas não tenha culpa direta...

Vamos ver

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Aconteceu tanta coisa

Pois é, depois da minha última postagem aconteceu tanta coisa.

É difícil até se atualizar a respeito...

E isso é um problema: a enxurrada contínua de notícias impede qualquer análise aprofundada.

Isso é estratégia de comunicação: inunde o adversário com um mar de notícias (algumas relevantes, outras nem tanto).

O problema é que o adversário pode fazer algo parecido. Criar factóides não é privilégio de ninguém.

Mas tudo isso tem um preço: erode a credibilidade e impede a análise sem paixões.

Em suma, é uma ferramente para uma erra de extremos