Como vimos anteriormente, um dos modelos de cálculo de evolução no preço de ações usava o conceito de teto de valor (mercado finito) e era descrito pela equação:
A equação precisa de dois dados para ser
resolvida: a taxa e o valor
. Este modelo contrasta
com o primeiro modelo de retornos logarítmicos:
Nos dois casos conseguimos obter a
densidade de probabilidade de retorno em função do tempo:
Para cada t tínhamos uma distribuição
específica. Mas em geral, o estudo de ações é realizado através da variação de
preços (ou seja, da derivada do preço no tempo). Então ao invés de estudarmos a
distribuição do preço vamos estudar a distribuição da variação de preço. Com
isso vamos considerar as equações da variação relativa de preço:
No caso usamos as soluções para
determinar a densidade de probabilidade da variação de preço. No caso da
log-normal:
Então isso quer dizer que a densidade de
probabilidade de tem a mesma densidade de probabilidade de
, ou seja, gaussiana.
Isso não corresponde ao que sabemos das variações de ações em casos práticos.
O caso da distribuição com máximo tem a
solução:
Para o efeito de cálculo vamos usar T=0,
assim:
Vamos calcular a equação:
Mas ao substituirmos na equação temos:
Então precisamos determinar a densidade
de probabilidade da função:
Sabendo que é gaussiana. Para tanto temos de calcular a
função inversa. E isso é um problema pois temos uma função transcendental mesmo
sabendo a transformação:
Do ponto de vista de simulações, desde
que , a densidade é
essencialmente gaussiana. Mas se
for próximo a
temos uma distribuição extrema (com valores
muito superiores a 6 desvios padrões). O problema é que não conseguimos
calcular analiticamente estes valores.
|
|
|
|
Densidade
quando |
Densidade
quando |
Então isso quer dizer que pelo menos uma
parte do comportamento da variação do preço de ações em casos reais pode ser
explicada pelo parâmetro . Na realidade, podemos
pensar que o mercado ajusta a percepção do valor de
a cada instante gerando um movimento no preço
da ação. Isso é realista? Bem, em parte serve como o parâmetro adicional que
permite que este modelo simples acompanhe o mercado:
·
Boas notícias? aumenta
·
Más notícias? diminui
E com esse parâmetro temos um ajuste
externo do modelo:
Mas como usar este modelo com as
informações dos preços das ações? Bem, podemos
determinar os fatores desconhecidos ( e
) a partir dos dados
que tínhamos (
). Vamos modificar a
equação para:
Originalmente consideramos um valor
arbitrário para e fizemos os cálculos a partir dessa
suposição. Mas podemos ter uma ideia de
se fizermos uma troca de variáveis:
Com isso temos uma equação:
Se considerarmos dois conjuntos temos
Com isso podemos montar o sistema de
equações:
A solução é:
Depois de resolver o sistema podemos
encontrar usando:
No caso da TIM, se usarmos os dois
valores finais temos:
Bem, idealmente é melhor resolver isso
por mínimos quadrados pois afinal temos muitos pontos então
A solução é obtida usando:
Uma das vantagens é que obtermos o valor
esperado de sem precisar fazer cálculos adicionais. O valor
do máximo obtido da TIM e da VIVO são:
E com isso podemos montar uma nova tabela
de valorização da ação usando os diversos métodos.
|
Preço/Ação |
TIM |
VIVO |
|
Graham |
R$
9.37 |
R$
29.95 |
|
Bazin |
R$
12.50 |
R$
23.83 |
|
Modelo
Logístico |
R$
25.27 |
R$
33.16 |
|
Mercado |
R$
24.58 |
R$
33.39 |
Este resultado tem algumas informações
relevantes:
·
O valor da ação está muito próximo do
valor máximo calculado pela série temporal. Isto indica chance de variações
abruptas
·
No caso da VIVO, o valor máximo está ligeiramente
abaixo da cotação. Isto indica tendência de baixa com variações abruptas.
Bom, mas podemos usar isso? Sim e não.
Assim como os outros métodos de valorização isso é apenas uma estimativa. Serve
para indicar possíveis movimentos, mas não dá para ser um indicador sem erros.