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Este blog tem como propósito sincero esclarecer as notícias e novidades sem confundir.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Não sai mais da cabeça
Esta avisado - esta música fica na cabeça mesmo. Mas é legalzinha
Milton Zaminato - Uma lenda na internet
Pesquisando na internet sobre a UnB encontrei o seguinte texto:
Resposta de um professor da UNB à campanha anti-lula
Não vou fazer parte de campanha ANTI-PT
Acredito que somente uma pessoa que nada aprendeu, não muda suas opiniões.
Passei a vida toda lutando contra a Ditadura Militar e políticos da Arena; PDS; PFL; PSDB.
Vivi a era FHC e vi o país ser posto à venda.
Vi mais de 100 empresas públicas serem privatizadas", sem que o produto da venda tenha sido utilizado em favor do País.
Fiquei 08 anos sem nenhum centavo de reajuste salarial.
Vi colegas de trabalho, concursados, serem demitidos, através do malsinado RH 008.
Vi todo o processo de desmonte da Caixa para a privatização.
Vi escandalizado, dezenas e dezenas de CPIs serem abortadas a custa de muita grana.
Vi o Procurador Geral da União ser chamado de Engavetador Geral da União.
Vi a Polícia Federal de mãos amarradas.
Vi o FMI mandando e desmandando e os Governos dizendo amém.
Vi um país que gerou apenas 8 mil empregos mensais durante 08 longos anos.
Vi trabalhadores escravos.
Vi e vivi. Participei de dezenas de passeatas.
Vi o "pensamento único" do PSDB calando jornais, rádios e TVs.
Vi um mensalão ocultado, de 200 mil reais pago a cada parlamentar corrupto, pela reeleição de FHC
Vi o Banco Central "doando" milhões de dólares para os banqueiros falidos salvarem suas peles.
Vi milhares de micros e pequenas empresas fechando suas portas (o famoso governo "latinha") para dar lugar aos importados pela paridade do dólar.
Vi um presidente e sua enorme comitiva, passeando pelos céus mais caros do planeta para a sua auto promoção.
Vi o apagão e como fomos forçados a custear essa falha nas contas de luz.
Vi o escândalo do SIVAM.
Agora que o Brasil gera mais de 100 mil empregos mensais;
Que as indústrias batem recordes de produção;
Que o comércio bate recordes de venda;
Que o país bate recordes de exportações;
Que dispensamos a tutela do FMI;
Que o BB contrata milhares de novos empregados concursados;
Que estamos entrando em período de deflação;
Que 09 milhões de famílias são atendidas pelos programas sociais do Governo;
Que jovens de baixa classe social podem ter acesso à Universidade através do PROUNI
Que a agricultura familiar está tendo acesso ao crédito e de fato sendo valorizada;
Que as pequenas e micros empresas voltam a abrir portas;
Que a Polícia federal atua sem amarras e desbarata uma quadrilha atrás da outra, como nunca em toda a sua história;
Que a fiscalização da Receita Federal está fazendo as grandes empresas e bancos recolherem impostos (tanto que a Receita federal também bate recordes de arrecadação);
Que o Ministério do trabalho fiscaliza as empresas (o FGTS também bate recordes históricos de arrecadação) e está erradicando o trabalho escravo no campo.
Agora vem alguém me pedir para ir às ruas contra LULA e o governo popular???!!!
E ainda ver o alkmin no palanque pedindo "ética na política" ao lado de sabem quem? seu Jorge Bornhausen!!!!! (Clique aqui para saber quem é esse cara)
Meu amigo: TÔ FORA!!!!!
Estou pronto para ir às ruas pedir investigação de quaisquer atos de corrupção praticados por quem quer que seja. Que a Polícia Federal, O Ministério Público Federal e outras instituições sérias investiguem com total isenção, e que a Justiça puna exemplarmente todo aquele que tenha praticado irregularidade.
Fazer o jogo e servir de instrumento de pessoas como ACM e o netinho malcriado, Bornhausen,FHC, Serra, Alckmin, Arthur Virgílio, Álvaro Dias, Jeffersons da vida, e outros, que todos sabemos muito bem quem são, JAMAIS!
(Milton Zaminato - Prof. da UNB)
Muito bem, e daí?
Bem, Milton Zaminato não é professor da UnB. Não há nenhum documento com seu nome no site da UnB (o que é muito difícil) e nenhum currículo Lattes de tal pessoa (o que praticamente é impossível).
Ao procurar na internet o único documento relacionado a este nome é justamente o mostrado acima.
Então o que isto quer dizer? Bem, provavelmente Milton Zaminato foi "criado" apenas para dar autoria a esta mensagem e foi utilizado o título de professor da UnB apenas para dar credibilidade ao texto.
Por si só isto é errado, mas não é diferente de alguns textos de lenda urbana. O ruim é que foi usado como ferramenta promocional política.
E a internet esta cheia disso
Resposta de um professor da UNB à campanha anti-lula
Não vou fazer parte de campanha ANTI-PT
Acredito que somente uma pessoa que nada aprendeu, não muda suas opiniões.
Passei a vida toda lutando contra a Ditadura Militar e políticos da Arena; PDS; PFL; PSDB.
Vivi a era FHC e vi o país ser posto à venda.
Vi mais de 100 empresas públicas serem privatizadas", sem que o produto da venda tenha sido utilizado em favor do País.
Fiquei 08 anos sem nenhum centavo de reajuste salarial.
Vi colegas de trabalho, concursados, serem demitidos, através do malsinado RH 008.
Vi todo o processo de desmonte da Caixa para a privatização.
Vi escandalizado, dezenas e dezenas de CPIs serem abortadas a custa de muita grana.
Vi o Procurador Geral da União ser chamado de Engavetador Geral da União.
Vi a Polícia Federal de mãos amarradas.
Vi o FMI mandando e desmandando e os Governos dizendo amém.
Vi um país que gerou apenas 8 mil empregos mensais durante 08 longos anos.
Vi trabalhadores escravos.
Vi e vivi. Participei de dezenas de passeatas.
Vi o "pensamento único" do PSDB calando jornais, rádios e TVs.
Vi um mensalão ocultado, de 200 mil reais pago a cada parlamentar corrupto, pela reeleição de FHC
Vi o Banco Central "doando" milhões de dólares para os banqueiros falidos salvarem suas peles.
Vi milhares de micros e pequenas empresas fechando suas portas (o famoso governo "latinha") para dar lugar aos importados pela paridade do dólar.
Vi um presidente e sua enorme comitiva, passeando pelos céus mais caros do planeta para a sua auto promoção.
Vi o apagão e como fomos forçados a custear essa falha nas contas de luz.
Vi o escândalo do SIVAM.
Agora que o Brasil gera mais de 100 mil empregos mensais;
Que as indústrias batem recordes de produção;
Que o comércio bate recordes de venda;
Que o país bate recordes de exportações;
Que dispensamos a tutela do FMI;
Que o BB contrata milhares de novos empregados concursados;
Que estamos entrando em período de deflação;
Que 09 milhões de famílias são atendidas pelos programas sociais do Governo;
Que jovens de baixa classe social podem ter acesso à Universidade através do PROUNI
Que a agricultura familiar está tendo acesso ao crédito e de fato sendo valorizada;
Que as pequenas e micros empresas voltam a abrir portas;
Que a Polícia federal atua sem amarras e desbarata uma quadrilha atrás da outra, como nunca em toda a sua história;
Que a fiscalização da Receita Federal está fazendo as grandes empresas e bancos recolherem impostos (tanto que a Receita federal também bate recordes de arrecadação);
Que o Ministério do trabalho fiscaliza as empresas (o FGTS também bate recordes históricos de arrecadação) e está erradicando o trabalho escravo no campo.
Agora vem alguém me pedir para ir às ruas contra LULA e o governo popular???!!!
E ainda ver o alkmin no palanque pedindo "ética na política" ao lado de sabem quem? seu Jorge Bornhausen!!!!! (Clique aqui para saber quem é esse cara)
Meu amigo: TÔ FORA!!!!!
Estou pronto para ir às ruas pedir investigação de quaisquer atos de corrupção praticados por quem quer que seja. Que a Polícia Federal, O Ministério Público Federal e outras instituições sérias investiguem com total isenção, e que a Justiça puna exemplarmente todo aquele que tenha praticado irregularidade.
Fazer o jogo e servir de instrumento de pessoas como ACM e o netinho malcriado, Bornhausen,FHC, Serra, Alckmin, Arthur Virgílio, Álvaro Dias, Jeffersons da vida, e outros, que todos sabemos muito bem quem são, JAMAIS!
(Milton Zaminato - Prof. da UNB)
Muito bem, e daí?
Bem, Milton Zaminato não é professor da UnB. Não há nenhum documento com seu nome no site da UnB (o que é muito difícil) e nenhum currículo Lattes de tal pessoa (o que praticamente é impossível).
Ao procurar na internet o único documento relacionado a este nome é justamente o mostrado acima.
Então o que isto quer dizer? Bem, provavelmente Milton Zaminato foi "criado" apenas para dar autoria a esta mensagem e foi utilizado o título de professor da UnB apenas para dar credibilidade ao texto.
Por si só isto é errado, mas não é diferente de alguns textos de lenda urbana. O ruim é que foi usado como ferramenta promocional política.
E a internet esta cheia disso
domingo, 11 de abril de 2010
Capitão de Indústria
Mais conhecida como "Terra do Chocolate"
| Joe Jackson - Captain Of Industry .mp3 | ||
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sexta-feira, 9 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
A questão do inimigo externo
Uma técnica muito utilizada na condução de interesses é a criação de um inimigo externo.
O mesmo pode ser real ou imaginário e mesmo congregar classes de interesses muito diversos.
Esta técnica é tão utilizada por tantos grupos que mesmo governos costumam fazer uso dela de modo praticamente diário. O primeiro passo é congregar todos os que mesmo remotamente se inserem nesta classe e classifica-los por uma nomenclatura.
Podem ser comunistas, direitistas, terroristas, mercantilistas, rorizistas, arrudistas, petistas, psdbistas e assim vai.
A vantagem desta técnica é que tende a congregar as ações focadas para um grupo e assim dá uma "cara" ao adversário.
A desvantagem é que trata-se de uma mentira deslavada
Ao congregar diversos interesses sob uma máscara comum, perdem-se exatamente as características que podem ser utilizadas como pontos comuns. Afinal, um inimigo não pode ter nada de comum com os "mocinhos", certo?
Errado. Ao inimigo externo são geralmente associadas todas as mazelas que reconhecidamente também há pontos em comum com o "mocinho". Aliás, o inimigo externo costuma ser o para raio de tudo que não dá certo.
Estamos com desabastecimento? Culpa dos especuladores (alguém já parou para pensar porque? E porque o especulador só contribuí para o desabastecimento e não pelo aumento da disponibilidade de recursos?)
Estamos com divisões internas? Culpa dos divisionistas que querem acabar conosco (divisionismo é ruim, mas como levar em conta as opiniões divergentes então?).
E naturalmente os meus favoritos: capitalistas e comunistas. Trocam-se políticas de países e agrupamentos por ações de um grupo místico com poderes quase sobrenaturais. O capitalista é ao mesmo tempo capaz de uma sagacidade de um semideus e tolo a ponto de deixar clara a sua participação no "complo". Já o comunista é de uma maldade sem limites, tendo provavelmente devorado os próprios pais e estando de olho nos filhos.
Está na hora de denunciar este tipo de argumentação falaciosa para as pessoas...
Mas será que as pessoas estão preparadas para ouvir? Errrr, não!
Na minha visão, devido a forma que nós funcionamos, estamos presos neste tipo de generalização tola. As mesmas ferramentas que nos permitiram avançar na ciência - reducionismo vem a mente - nos limitam na análise de situações mais complicadas.
E o fato de estarmos todos envolvidos diretamente não ajuda em nada.
Caso em questão: URP
De nada adianta explicar as complexidades envolvidas no problema, os interesses em jogo e as ramificações das decisões. Nos movimentos tudo se resume a: Nós (alunos, professores ou técnicos) contra Eles (governo).
Não há interesse em passar que diferentes atores no governo tem diferentes visões sobre o problema. Não há interesse em passar que parte dos problemas não foram causados por alguns dos atores.
Nada disso é importante
Quanto mais simples, quanto mais básico, mais fácil é congregar os interesses
Mesmo que estejam fundamentalmente equivocados.
A verdade é que bom-senso é mercadoria rara, mas devido as inclinações anti mercantilistas aqui na UnB ele não vale nada.
O mesmo pode ser real ou imaginário e mesmo congregar classes de interesses muito diversos.
Esta técnica é tão utilizada por tantos grupos que mesmo governos costumam fazer uso dela de modo praticamente diário. O primeiro passo é congregar todos os que mesmo remotamente se inserem nesta classe e classifica-los por uma nomenclatura.
Podem ser comunistas, direitistas, terroristas, mercantilistas, rorizistas, arrudistas, petistas, psdbistas e assim vai.
A vantagem desta técnica é que tende a congregar as ações focadas para um grupo e assim dá uma "cara" ao adversário.
A desvantagem é que trata-se de uma mentira deslavada
Ao congregar diversos interesses sob uma máscara comum, perdem-se exatamente as características que podem ser utilizadas como pontos comuns. Afinal, um inimigo não pode ter nada de comum com os "mocinhos", certo?
Errado. Ao inimigo externo são geralmente associadas todas as mazelas que reconhecidamente também há pontos em comum com o "mocinho". Aliás, o inimigo externo costuma ser o para raio de tudo que não dá certo.
Estamos com desabastecimento? Culpa dos especuladores (alguém já parou para pensar porque? E porque o especulador só contribuí para o desabastecimento e não pelo aumento da disponibilidade de recursos?)
Estamos com divisões internas? Culpa dos divisionistas que querem acabar conosco (divisionismo é ruim, mas como levar em conta as opiniões divergentes então?).
E naturalmente os meus favoritos: capitalistas e comunistas. Trocam-se políticas de países e agrupamentos por ações de um grupo místico com poderes quase sobrenaturais. O capitalista é ao mesmo tempo capaz de uma sagacidade de um semideus e tolo a ponto de deixar clara a sua participação no "complo". Já o comunista é de uma maldade sem limites, tendo provavelmente devorado os próprios pais e estando de olho nos filhos.
Está na hora de denunciar este tipo de argumentação falaciosa para as pessoas...
Mas será que as pessoas estão preparadas para ouvir? Errrr, não!
Na minha visão, devido a forma que nós funcionamos, estamos presos neste tipo de generalização tola. As mesmas ferramentas que nos permitiram avançar na ciência - reducionismo vem a mente - nos limitam na análise de situações mais complicadas.
E o fato de estarmos todos envolvidos diretamente não ajuda em nada.
Caso em questão: URP
De nada adianta explicar as complexidades envolvidas no problema, os interesses em jogo e as ramificações das decisões. Nos movimentos tudo se resume a: Nós (alunos, professores ou técnicos) contra Eles (governo).
Não há interesse em passar que diferentes atores no governo tem diferentes visões sobre o problema. Não há interesse em passar que parte dos problemas não foram causados por alguns dos atores.
Nada disso é importante
Quanto mais simples, quanto mais básico, mais fácil é congregar os interesses
Mesmo que estejam fundamentalmente equivocados.
A verdade é que bom-senso é mercadoria rara, mas devido as inclinações anti mercantilistas aqui na UnB ele não vale nada.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Dia da Mentira
Ah, se fosse apenas no dia primeiro de abril...
Mas penso eu que mentira pode ser uma estratégia evolutiva de grande sucesso na linguagem. Já temos vários exemplos da mentira sendo usada de modo mais físico - como camuflagem por exemplo.
Na linguagem, que é relativamente recente, a mentira pode ser uma estratégia evolutiva. E por estratégia evolutiva eu digo ferramenta de adaptação mesmo.
Não sei, mas penso que mentir pode ser uma forma de convencimento. E convencimento pode facilitar a vida do interlocutor.
Isto leva a surpreendente conclusão, dado que nosso lado emocional é quem toma decisões e nossoa lado racional as justifica, que a melhor mentira é a que queremos ouvir.
Mas penso eu que mentira pode ser uma estratégia evolutiva de grande sucesso na linguagem. Já temos vários exemplos da mentira sendo usada de modo mais físico - como camuflagem por exemplo.
Na linguagem, que é relativamente recente, a mentira pode ser uma estratégia evolutiva. E por estratégia evolutiva eu digo ferramenta de adaptação mesmo.
Não sei, mas penso que mentir pode ser uma forma de convencimento. E convencimento pode facilitar a vida do interlocutor.
Isto leva a surpreendente conclusão, dado que nosso lado emocional é quem toma decisões e nossoa lado racional as justifica, que a melhor mentira é a que queremos ouvir.
Bola de Cristal - O Apagão de 2009
Finalmente, depois de muito spin, chegou-se a conclusão sobre a causa do apagão.
Como eu já havia falado em posts anteriores (vide Apagão), a história do raio era furada. E finalmente verificou-se que era mesmo.
O Blog do Noblat traz a notícia:
Só agora , quase cinco meses depois do apagão que atingiu ao menos 1.800 cidades em 18 Estados do país, surge uma explicação oficial satisfatória para o corte abrupto e generalizado de energia no final de 2009.
Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica, divulgado na semana passada, a responsabilidade recai sobre a empresa estatal Furnas, cujas linhas de transmissão cruzam os mais de 900 km que separam Itaipu de São Paulo.
Equipamentos obsoletos, falta de manutenção e de investimentos, além de erros operacionais conspiraram para produzir a mais séria falha do sistema de geração e distribuição de energia do país desde o traumático racionamento de 2001.
Técnicos da Aneel já haviam constatado, em julho de 2009, problemas nos "sistemas de proteção das instalações de transmissão" de Furnas. Foi em seguida conferido à empresa um prazo de mais de dois meses para que se procedessem aos ajustes e investimentos necessários -de maneira específica, nas subestações de Ivaiporã (PR) e Itaberá (SP), onde o blecaute teve origem. Como nenhuma medida foi tomada, o sistema ficou "sujeito a risco de novos desligamentos".
Em novembro, a crise anunciada aconteceu. Temeroso do possível desgaste eleitoral que a falha poderia acarretar para a candidata petista Dilma Rousseff, a gestora do sistema de energia do país, o governo lançou uma nuvem de fumaça sobre o episódio. O ministro Edison Lobão logo tratou de atribuir a um temporal em Itaberá um curto-circuito nas linhas de transmissão.
Além de proteger Dilma, ao governo não interessava jogar luz sobre um setor da administração estatal entregue à esfera de influência do PMDB, sigla que se tornou uma espécie de modelo de fisiologia na política.
O relatório da agência não deixa dúvida sobre a responsabilidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva no apagão. O que houve, em resumo, foi falta de acompanhamento do sistema e de investimentos por parte do Estado.
O problema é: eu desconfio que não foi só isto não. A hipótese de invasão passou de remota a ser factível. E infelizmente, esta é uma notícia que não vai aparecer de modo algum.
Então vamos ficar com as causas divulgadas mesmo.
Como eu já havia falado em posts anteriores (vide Apagão), a história do raio era furada. E finalmente verificou-se que era mesmo.
O Blog do Noblat traz a notícia:
Só agora , quase cinco meses depois do apagão que atingiu ao menos 1.800 cidades em 18 Estados do país, surge uma explicação oficial satisfatória para o corte abrupto e generalizado de energia no final de 2009.
Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica, divulgado na semana passada, a responsabilidade recai sobre a empresa estatal Furnas, cujas linhas de transmissão cruzam os mais de 900 km que separam Itaipu de São Paulo.
Equipamentos obsoletos, falta de manutenção e de investimentos, além de erros operacionais conspiraram para produzir a mais séria falha do sistema de geração e distribuição de energia do país desde o traumático racionamento de 2001.
Técnicos da Aneel já haviam constatado, em julho de 2009, problemas nos "sistemas de proteção das instalações de transmissão" de Furnas. Foi em seguida conferido à empresa um prazo de mais de dois meses para que se procedessem aos ajustes e investimentos necessários -de maneira específica, nas subestações de Ivaiporã (PR) e Itaberá (SP), onde o blecaute teve origem. Como nenhuma medida foi tomada, o sistema ficou "sujeito a risco de novos desligamentos".
Em novembro, a crise anunciada aconteceu. Temeroso do possível desgaste eleitoral que a falha poderia acarretar para a candidata petista Dilma Rousseff, a gestora do sistema de energia do país, o governo lançou uma nuvem de fumaça sobre o episódio. O ministro Edison Lobão logo tratou de atribuir a um temporal em Itaberá um curto-circuito nas linhas de transmissão.
Além de proteger Dilma, ao governo não interessava jogar luz sobre um setor da administração estatal entregue à esfera de influência do PMDB, sigla que se tornou uma espécie de modelo de fisiologia na política.
O relatório da agência não deixa dúvida sobre a responsabilidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva no apagão. O que houve, em resumo, foi falta de acompanhamento do sistema e de investimentos por parte do Estado.
O problema é: eu desconfio que não foi só isto não. A hipótese de invasão passou de remota a ser factível. E infelizmente, esta é uma notícia que não vai aparecer de modo algum.
Então vamos ficar com as causas divulgadas mesmo.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Dívida
Estou devendo a um dos nossos leitores (são 9 pelas minhas contas até agora) um post sobre a situação da URP em outras universidades.
Ele ainda especificou os casos da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e a UFMA (Universidade Federal do Maranhão).
Eu procurei dados a respeito, mas a parte judicial está quase impenetrável. Ainda assim não desisti! Vou continuar procurando.
Este post é só para indicar que não esqueci da minha dívida
Ele ainda especificou os casos da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e a UFMA (Universidade Federal do Maranhão).
Eu procurei dados a respeito, mas a parte judicial está quase impenetrável. Ainda assim não desisti! Vou continuar procurando.
Este post é só para indicar que não esqueci da minha dívida
terça-feira, 30 de março de 2010
A questão da interpretação
Qual é o cerne do último impasse entre professores e o MPOG?
Agora a questão é sobre como será calculada a URP. Pela Adunb, este cálculo deve ter com base o salário base e todas as gratificações a partir de fevereiro de 2009. E pelo MPOG, este cálculo deve ser feito com base no cálculo da URP em 2006, data da liminar do STF que os professores ganharam.
Qual a diferença?
Para o meu caso (adjunto 3) a URP era:
Em janeiro de 2009 de R$ 893,77
Em fevereiro de 2009 de R$ 1.821,28 - Este é o valor que esta sendo pleiteado pelos professores
Pelos cálculos do MPOG, o meu caso terá uma URP de R$ 909,36 (por que é ligeiramente maior do que em janeiro? porque a estrutura do pagamento mudou)
A idéia do MPOG é consistente com o conceito por trás do Acordão 2161/2005.
Agora resta entender o que o STF entende da situação. E aí só lendo o parecer da ministra:
...cumprimento do que determinado na liminar por mim deferida, que importa no pagamento da parcela discutida na forma como vinha sendo antes da prolação do ato impugnado...
O MPOG entendeu errado mesmo. O parecer da ministra é claro: é do jeito que era antes que o MPOG resolvesse fazer as alterações
Agora a questão é sobre como será calculada a URP. Pela Adunb, este cálculo deve ter com base o salário base e todas as gratificações a partir de fevereiro de 2009. E pelo MPOG, este cálculo deve ser feito com base no cálculo da URP em 2006, data da liminar do STF que os professores ganharam.
Qual a diferença?
Para o meu caso (adjunto 3) a URP era:
Em janeiro de 2009 de R$ 893,77
Em fevereiro de 2009 de R$ 1.821,28 - Este é o valor que esta sendo pleiteado pelos professores
Pelos cálculos do MPOG, o meu caso terá uma URP de R$ 909,36 (por que é ligeiramente maior do que em janeiro? porque a estrutura do pagamento mudou)
A idéia do MPOG é consistente com o conceito por trás do Acordão 2161/2005.
Agora resta entender o que o STF entende da situação. E aí só lendo o parecer da ministra:
...cumprimento do que determinado na liminar por mim deferida, que importa no pagamento da parcela discutida na forma como vinha sendo antes da prolação do ato impugnado...
O MPOG entendeu errado mesmo. O parecer da ministra é claro: é do jeito que era antes que o MPOG resolvesse fazer as alterações
Tentando entender o emaranhado de informações - URP
Resolvi dar uma verificada nas notas que o MPOG lançou desde o início desta confusão da URP para fazer algum sentido a luz do que sabemos hoje.
A primeira nota é de 19/11/2009 e essencialmente informa que:
Não houve um pedido de suspensão do pagamento da URP pelo MPOG a UnB. A nota também diz que o lançamento da URP é responsabilidade do do SRH/UnB e que mais de 500 servidores não foram processados na folha de novembro de 2009.
A segunda nota é de 03/02/2010 e essencialmente informa que:
A área jurídica do MPOG está elaborando um parecer sobre o pagamento da URP aos professores e funcionários da UnB. Fala também que a URP não é uma gratificação, mas um índice criado em 1987 para reajuste, que desde 1989 o índice vinha sendo pago como decisão judicial, mas em 2009 uma auditoria do SRH do MPOG apontou irregularidade na movimentação financeira (pagamento do índice estendido a todos como se fosse gratificação). A nota ainda menciona que o lançamento era de responsabilidade da UnB e vinha sendo lançado no SIAPE em rubrica exclusiva para pagamento de retroativos referentes ao cumprimento de sentenças judiciais. A nota levanta questionamentos ao fato que os pagamentos vinham sendo feitos de forma indistinta sem identificar a sentença que ampararia cada beneficiado e vinha sendo atualizado todas as vezes que ocorria alteração no vencimento básico das categorias.
A terceira nota é de 09/03/2010 e essencialmente informa que:
O MPOG irá proceder o pagamento proceder ao pagamento da URP – Unidade Referência de Preços apenas aos servidores beneficiários de decisões judiciais na Universidade de Brasília. Mais ainda a posição final da área jurídica do governo federal foi encaminhada à UnB para regularizar os pagamentos referentes à URP até a data de fechamento da folha de pagamento do mês de março, cujo efeito financeiro se dará em abril de 2010. Ou seja, os servidores que hoje têm direito ao recebimento do índice são exclusivamente os beneficiários das reclamações trabalhistas e os beneficiários das liminares dos mandados de segurança em tramitação no STF. Não há amparo judicial para a extensão aos técnico-administrativos.
A quarta nota é de 19/03/2010 e essencialmente informa que:
Que o secretário de recursos humanos se reuniu com o reitor para dar ciência das providências que devem ser adotadas para regularização dos pagamentos referentes a URP (nota completa aqui). Uma das providências era a abertura em caráter excepcional da folha de pagamento para inclusão dos valores da URP no SICAJ até às 18:00 do dia 22/03/10 (segunda). Além disto, o secretário alertou que a UnB deve observar estritamente as medidas liminares proferidas nos autos do MS Nº 25.678,STF/APOSFUB; do MS Nº 26.156, STF/ANDES e no processo judicial nº 2005.34.00.033292-1 em trâmite no TRF da 1ª Região.
E a quinta e última nota é de 25/03/2010 e já foi postada aqui anteriormente.
Em sumário esta nota informa a responsabilidade para o pagamento da URP é da UnB, que a única exigência é que o pagamento seja feito pelo SICAJ. Além disto que o SICAJ é utilizado por toda administração federal. Em 2009, depois da mudança da tabela remuneratória da UnB, constatou-se divergência entre os valores lançados no SICAJ, conforme a decisão do STF da data da liminar, e os valores finais da remuneração dos servidores. Que apesar de sucessivas dilações de prazo, a UnB encaminhou apenas parte dos dados de pessoal para serem processados e por fim assim que a Universidade de Brasília ajustar os pagamentos da URP como determina a decisão do Supremo Tribunal Federal, o Ministério do Planejamento editará folha suplementar para homologar o pagamento.
Observando as diversas notas é possível notar alguns pontos interessantes:
Então com isto temos uma parte do retrato do problema. A suspensão do pagamento de novembro provavelmente teve como responsável a UnB. No entanto, a forma que o MPOG quer que a URP seja inserida é muito diferente do que os servidores querem. No SICAJ este benefício tem de ser identificado, e isto traz um dilema: como identificar algo que somente alguns ganharam mas que foi estendido para todos utilizando a autonomia universitária? Ao informar que a alteração no pagamento era resultante de sentença que amparava a determinação de extensão do benefício existe o risco que isto seja considerado um "forma incorreta de administrar".
Então ficamos com o MPOG insistindo no uso do SICAJ e a UnB resistindo - pelo menos na forma que MPOG quer que o mesmo seja usado.
Mas existem complicações adicionais
A primeira nota é de 19/11/2009 e essencialmente informa que:
A segunda nota é de 03/02/2010 e essencialmente informa que:
A área jurídica do MPOG está elaborando um parecer sobre o pagamento da URP aos professores e funcionários da UnB. Fala também que a URP não é uma gratificação, mas um índice criado em 1987 para reajuste, que desde 1989 o índice vinha sendo pago como decisão judicial, mas em 2009 uma auditoria do SRH do MPOG apontou irregularidade na movimentação financeira (pagamento do índice estendido a todos como se fosse gratificação). A nota ainda menciona que o lançamento era de responsabilidade da UnB e vinha sendo lançado no SIAPE em rubrica exclusiva para pagamento de retroativos referentes ao cumprimento de sentenças judiciais. A nota levanta questionamentos ao fato que os pagamentos vinham sendo feitos de forma indistinta sem identificar a sentença que ampararia cada beneficiado e vinha sendo atualizado todas as vezes que ocorria alteração no vencimento básico das categorias.
A terceira nota é de 09/03/2010 e essencialmente informa que:
O MPOG irá proceder o pagamento proceder ao pagamento da URP – Unidade Referência de Preços apenas aos servidores beneficiários de decisões judiciais na Universidade de Brasília. Mais ainda a posição final da área jurídica do governo federal foi encaminhada à UnB para regularizar os pagamentos referentes à URP até a data de fechamento da folha de pagamento do mês de março, cujo efeito financeiro se dará em abril de 2010. Ou seja, os servidores que hoje têm direito ao recebimento do índice são exclusivamente os beneficiários das reclamações trabalhistas e os beneficiários das liminares dos mandados de segurança em tramitação no STF. Não há amparo judicial para a extensão aos técnico-administrativos.
Que o secretário de recursos humanos se reuniu com o reitor para dar ciência das providências que devem ser adotadas para regularização dos pagamentos referentes a URP (nota completa aqui). Uma das providências era a abertura em caráter excepcional da folha de pagamento para inclusão dos valores da URP no SICAJ até às 18:00 do dia 22/03/10 (segunda). Além disto, o secretário alertou que a UnB deve observar estritamente as medidas liminares proferidas nos autos do MS Nº 25.678,STF/APOSFUB; do MS Nº 26.156, STF/ANDES e no processo judicial nº 2005.34.00.033292-1 em trâmite no TRF da 1ª Região.
Em sumário esta nota informa a responsabilidade para o pagamento da URP é da UnB, que a única exigência é que o pagamento seja feito pelo SICAJ. Além disto que o SICAJ é utilizado por toda administração federal. Em 2009, depois da mudança da tabela remuneratória da UnB, constatou-se divergência entre os valores lançados no SICAJ, conforme a decisão do STF da data da liminar, e os valores finais da remuneração dos servidores. Que apesar de sucessivas dilações de prazo, a UnB encaminhou apenas parte dos dados de pessoal para serem processados e por fim assim que a Universidade de Brasília ajustar os pagamentos da URP como determina a decisão do Supremo Tribunal Federal, o Ministério do Planejamento editará folha suplementar para homologar o pagamento.
Observando as diversas notas é possível notar alguns pontos interessantes:
- O MPOG levanta dúvidas sobre quem foi o responsável pela suspensão do pagamento da URP para mais de 500 servidores na folha de novembro de 2009.
- Houve uma auditoria em 2009 que levantou irregularidades na movimentação financeira - essencialmente o pagamento de índice estendido como se fosse gratificação
- O pagamento vinha sendo feito através do SIAPE em rubrica exclusiva para pagamento de retroativos referentes ao cumprimento de sentenças judiciais (sem identificar a sentença que beneficia o servidor e com reajustes atualizados segundo alteração no vencimento básico.
- Em algum ponto o MPOG tomou a posição de pagar apenas os beneficiários das decisões judiciais, isto excluia os servidores técnico-administrativos.
- O MPOG abriu o SICAJ por 3 dias para que a UnB regularizasse o pagamento da URP. E aí temos o Acordão 2161/2005 que faz uma série de recomendações que podemos destacar: não mais uso de percentuais e sim valores nominais (e em particular o item 9.2.1.2).
Então com isto temos uma parte do retrato do problema. A suspensão do pagamento de novembro provavelmente teve como responsável a UnB. No entanto, a forma que o MPOG quer que a URP seja inserida é muito diferente do que os servidores querem. No SICAJ este benefício tem de ser identificado, e isto traz um dilema: como identificar algo que somente alguns ganharam mas que foi estendido para todos utilizando a autonomia universitária? Ao informar que a alteração no pagamento era resultante de sentença que amparava a determinação de extensão do benefício existe o risco que isto seja considerado um "forma incorreta de administrar".
Então ficamos com o MPOG insistindo no uso do SICAJ e a UnB resistindo - pelo menos na forma que MPOG quer que o mesmo seja usado.
Mas existem complicações adicionais
Entrevista com o reitor - URP novamente
Vou reproduzi aqui a entrevista que o reitor deu a Associação dos Docentes da UnB sobre a questão da URP.
José Geraldo fala à ADUnB sobre nota do MPOG
Em entrevista exclusiva à ADUnB, o reitor da Universidade de Brasília, José Geraldo, falou da diferença de interpretações entre a UnB e o Ministério do Planejamento sobre a liminar do Supremo Tribunal e apontou as dificuldades impostas pelo MPOG para a realização do pagamento da URP a todos os servidores.
Um dos seus assessores, Paulo César Marques, disse que existe uma diferença de interpretação da liminar do STF entre a UnB e o Ministério do Planejamento. O senhor concorda?
O Ministério, desde o ano passado, começou a orientar no sentido de que não cabia a extensão para todos, dos que só participavam das ações, de que não havia cobertura judicial, e de que a base da ação era anterior à liminar de 2006. E aí que se dá a nossa contradição: o MPOG não tem nosso ponto de vista, mas manteve o núcleo base. Se a gente for comparar o ofício de 2006 e o de nº 33 a gente vai ver que há alterações de entendimento, reduzindo sua visão de incidência, mas mantendo esse núcleo. E a nota divulgada no dia 25 de março reafirma aquilo que, na sexta-feira passada, o secretário Duvanier havia me dito quando me convocou para entregar em mãos o ofício no qual estabelece os pagamentos que deve entrar no lançamento. O que não dá pra fazer por conta de tempo. E porque havia dúvidas no modo de calcular tendo em vista as orientações que se estabeleceu. Essa dúvida permanece e só vai ser respondida dentro do plano judicial. Porque só quem pode definir isso no plano judicial é o órgão judicial. Certamente a visita da ministra ao ministro tem esse intuito. Mas é preciso que ela se manifeste.
O MPOG disse, em nota, que entende a liminar da ministra do STF e que a única exigência que eles fazem é que o pagamento de sentenças judiciais seja realizado pelo SICAJ.
Pelo ofício nº33, essa não é a única exigência. Se fosse essa, a gente lançaria tudo no SICAJ e pronto. Antes não se admitia extensão nenhuma e agora estabelecem limite de prazo de 2005? O fato é que, na orientação escrita que foi encaminhada e que me levou a pedir mais esclarecimentos, exclui todos aqueles admitidos depois de 2008. Exclui da estrutura remuneratória os valores definidos em 2009. Porque o SICAJ implica com o aumento dos valores. Vai implicar numa redefinição da natureza da rubrica. E a URP passaria a ser uma vantagem e não um resultado de um padrão de isonomia que a UnB estabeleceu na extensão de 1991, que foi reconhecida pelo STJ e que foi transitado e julgado. Agora é claro que aquilo não entraria no sistema. Então é importante que se esclareça essas limitações e essa matéria deveria ser objeto de uma liquidação de sentença lá atrás. Mas se nos gestores, sistema aqui nos Recursos Humanos, não interpelar judicialmente, a liquidação da sentença está definida no seus distintos termos no que era cabível e o que não era. E constituiu no sistema de forma fundada nos termos da decisão do STJ, no princípio da isonomia e da autonomia. Decisão que foi transitada e julgada. Para desconstituí-la é preciso que se faça por meios judiciais. A desconstituição administrativa é uma invasão da administração. Então, se a única exigência fosse aquela, não haveria problema de fazer o lançamento.
O MPOG diz que só pode cadastrar no SICAJ quem está coberto pela ação judicial. Mas, ao mesmo tempo, a ministra Cármen Lúcia diz que não se pode reduzir a URP nem das pessoas que não estão cobertas pela medida judicial. Como agente político, como o senhor pode fazer pra ir contra essa posição do MPOG?
Essa questão já está superada. Desse modo como o ministério orientou, eles não estão deixando claro se a URP vai ser paga sobre as gratificações ou não. Isso a gente já explicou. Primeiro pelo ato da isonomia. Segundo pelo congelamento dos valores, conforme está sendo colocado, os valores não vão ser atualizados. Vão ser congelados. Eu fiz um novo ofício ao MPOG pedindo que se esclareça sobre isso. Essa é uma questão política também. A técnica é decorrente da interpretação de uma decisão judicial. Como agente político eu integro um sistema de gestão. Não estou fazendo cabo de guerra administrativo de natureza política. Tenho que seguir o que manda o STF. O equilíbrio entre as forças políticas é mediado pelo STF. O que estou dizendo o tempo todo é que é preciso discernir a orientação a partir do que determina o STF. Aliás, o Ministério também tem esse cuidado. Veja o cuidado do MPOG de dizer que está seguindo o que determina a decisão do Supremo Tribunal. Veja o cuidado do Ministério em dizer que há uma determinação da ministra. Essa determinação que eu estou esperando. Como o MPOG diz que não é parte da ação, estou esperando para ver o que significa ser parte da ação. Eu comuniquei a ministra. O mesmo ato administrativo entre os secretários eu transformei numa expressão de agente político e encaminhei para a ministra. E é a este ato que ela vai responder.
E como vai ser feito esse lançamento no SICAJ? O Ministério do Planejamento vai editar uma folha suplementar, mas o sistema já está aberto.
Estou esperando essa determinação aqui ou uma nova diretriz dele. Eu encaminhei uma série de dúvidas.
Como o senhor reage à declaração do MPOG de que o ministério não impede o pagamento?
O MPOG não está impedindo o pagamento. Está impedindo nos termos que nós achamos que devem ser feitos. O pagamento que não está impedindo é com a exclusão de todos aqueles admitidos depois de 2008, com congelamento dos valores, com redução dos valores da base remuneratória de 2005, com devolução de tudo que foi pago a partir daí... Se a questão é essa, eu posso lançar os pagamentos aqui. Se for feito nesses termos, não adiantou nada do que foi feito até agora. Nem juridicamente, nem administrativamente, nem politicamente. Não é a única condição. A outra é não abrir mais o seqüencial de 6-9, rubrica na qual foram feitas as inserções desde então até aqui, com o acolhimento do MP.
Meu comentário é que por minhas limitações não consigo entender o que o reitor fala. Mas aparentemente não sou o único.
José Geraldo fala à ADUnB sobre nota do MPOG
Em entrevista exclusiva à ADUnB, o reitor da Universidade de Brasília, José Geraldo, falou da diferença de interpretações entre a UnB e o Ministério do Planejamento sobre a liminar do Supremo Tribunal e apontou as dificuldades impostas pelo MPOG para a realização do pagamento da URP a todos os servidores.
Um dos seus assessores, Paulo César Marques, disse que existe uma diferença de interpretação da liminar do STF entre a UnB e o Ministério do Planejamento. O senhor concorda?
O Ministério, desde o ano passado, começou a orientar no sentido de que não cabia a extensão para todos, dos que só participavam das ações, de que não havia cobertura judicial, e de que a base da ação era anterior à liminar de 2006. E aí que se dá a nossa contradição: o MPOG não tem nosso ponto de vista, mas manteve o núcleo base. Se a gente for comparar o ofício de 2006 e o de nº 33 a gente vai ver que há alterações de entendimento, reduzindo sua visão de incidência, mas mantendo esse núcleo. E a nota divulgada no dia 25 de março reafirma aquilo que, na sexta-feira passada, o secretário Duvanier havia me dito quando me convocou para entregar em mãos o ofício no qual estabelece os pagamentos que deve entrar no lançamento. O que não dá pra fazer por conta de tempo. E porque havia dúvidas no modo de calcular tendo em vista as orientações que se estabeleceu. Essa dúvida permanece e só vai ser respondida dentro do plano judicial. Porque só quem pode definir isso no plano judicial é o órgão judicial. Certamente a visita da ministra ao ministro tem esse intuito. Mas é preciso que ela se manifeste.
O MPOG disse, em nota, que entende a liminar da ministra do STF e que a única exigência que eles fazem é que o pagamento de sentenças judiciais seja realizado pelo SICAJ.
Pelo ofício nº33, essa não é a única exigência. Se fosse essa, a gente lançaria tudo no SICAJ e pronto. Antes não se admitia extensão nenhuma e agora estabelecem limite de prazo de 2005? O fato é que, na orientação escrita que foi encaminhada e que me levou a pedir mais esclarecimentos, exclui todos aqueles admitidos depois de 2008. Exclui da estrutura remuneratória os valores definidos em 2009. Porque o SICAJ implica com o aumento dos valores. Vai implicar numa redefinição da natureza da rubrica. E a URP passaria a ser uma vantagem e não um resultado de um padrão de isonomia que a UnB estabeleceu na extensão de 1991, que foi reconhecida pelo STJ e que foi transitado e julgado. Agora é claro que aquilo não entraria no sistema. Então é importante que se esclareça essas limitações e essa matéria deveria ser objeto de uma liquidação de sentença lá atrás. Mas se nos gestores, sistema aqui nos Recursos Humanos, não interpelar judicialmente, a liquidação da sentença está definida no seus distintos termos no que era cabível e o que não era. E constituiu no sistema de forma fundada nos termos da decisão do STJ, no princípio da isonomia e da autonomia. Decisão que foi transitada e julgada. Para desconstituí-la é preciso que se faça por meios judiciais. A desconstituição administrativa é uma invasão da administração. Então, se a única exigência fosse aquela, não haveria problema de fazer o lançamento.
O MPOG diz que só pode cadastrar no SICAJ quem está coberto pela ação judicial. Mas, ao mesmo tempo, a ministra Cármen Lúcia diz que não se pode reduzir a URP nem das pessoas que não estão cobertas pela medida judicial. Como agente político, como o senhor pode fazer pra ir contra essa posição do MPOG?
Essa questão já está superada. Desse modo como o ministério orientou, eles não estão deixando claro se a URP vai ser paga sobre as gratificações ou não. Isso a gente já explicou. Primeiro pelo ato da isonomia. Segundo pelo congelamento dos valores, conforme está sendo colocado, os valores não vão ser atualizados. Vão ser congelados. Eu fiz um novo ofício ao MPOG pedindo que se esclareça sobre isso. Essa é uma questão política também. A técnica é decorrente da interpretação de uma decisão judicial. Como agente político eu integro um sistema de gestão. Não estou fazendo cabo de guerra administrativo de natureza política. Tenho que seguir o que manda o STF. O equilíbrio entre as forças políticas é mediado pelo STF. O que estou dizendo o tempo todo é que é preciso discernir a orientação a partir do que determina o STF. Aliás, o Ministério também tem esse cuidado. Veja o cuidado do MPOG de dizer que está seguindo o que determina a decisão do Supremo Tribunal. Veja o cuidado do Ministério em dizer que há uma determinação da ministra. Essa determinação que eu estou esperando. Como o MPOG diz que não é parte da ação, estou esperando para ver o que significa ser parte da ação. Eu comuniquei a ministra. O mesmo ato administrativo entre os secretários eu transformei numa expressão de agente político e encaminhei para a ministra. E é a este ato que ela vai responder.
E como vai ser feito esse lançamento no SICAJ? O Ministério do Planejamento vai editar uma folha suplementar, mas o sistema já está aberto.
Estou esperando essa determinação aqui ou uma nova diretriz dele. Eu encaminhei uma série de dúvidas.
Como o senhor reage à declaração do MPOG de que o ministério não impede o pagamento?
O MPOG não está impedindo o pagamento. Está impedindo nos termos que nós achamos que devem ser feitos. O pagamento que não está impedindo é com a exclusão de todos aqueles admitidos depois de 2008, com congelamento dos valores, com redução dos valores da base remuneratória de 2005, com devolução de tudo que foi pago a partir daí... Se a questão é essa, eu posso lançar os pagamentos aqui. Se for feito nesses termos, não adiantou nada do que foi feito até agora. Nem juridicamente, nem administrativamente, nem politicamente. Não é a única condição. A outra é não abrir mais o seqüencial de 6-9, rubrica na qual foram feitas as inserções desde então até aqui, com o acolhimento do MP.
Meu comentário é que por minhas limitações não consigo entender o que o reitor fala. Mas aparentemente não sou o único.
sexta-feira, 26 de março de 2010
URP e suas complicações
Após o ato dos professores hoje, o MPOG soltou uma nota que diz o seguinte:
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, convidado pela ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, esteve no STF para esclarecer e demonstrar os fundamentos jurídicos das medidas adotadas pelo Ministério do Planejamento para o fiel cumprimento da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança de 6 de novembro de 2006 e posteriormente em 7 de outubro de 2009, da relatoria da senhora ministra Cármen Lúcia, visando o pagamento da URP – Unidade de Referência de Preços, índice econômico criado em 1987 para reajuste de preços e salários no Plano Verão.
Assim, a propósito desse pagamento, o Ministério do Planejamento esclarece:
O problema com esta nota é que ela claramente coloca a culpa pelo problema na UnB. Especificamente na administração atual. E aí vem a complicação, em algum ponto no futuro próximo a reitoria da UnB terá de soltar uma nota contestando as declarações do ministro - efetivamente chamando-o de mentiroso (este é um daqueles casos em que alguém se encontra escondendo a verdade mesmo), ou admitir erros no seu funcionamento.
E o caminho tomado por qualquer uma destas duas possibilidades leva a paragens ainda não navegadas.
Existe também a possibilidade da administração da UnB ficar calada, mas aí DADA A NOTA A IMPRENSA, fica a nítida impressão que a culpa realmente está do lado da UnB.
Minha opinião? Quando se chega a este ponto nenhum dos interlocutores fala inteiramente a verdade. Isto quer dizer que a nota em toda probabilidade está correta - mas omite fatos. As chances maiores são que exista uma parcela de culpa do MPOG e da UnB.
Será que o jogo de xadrez está próximo a um chequemate?
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, convidado pela ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, esteve no STF para esclarecer e demonstrar os fundamentos jurídicos das medidas adotadas pelo Ministério do Planejamento para o fiel cumprimento da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança de 6 de novembro de 2006 e posteriormente em 7 de outubro de 2009, da relatoria da senhora ministra Cármen Lúcia, visando o pagamento da URP – Unidade de Referência de Preços, índice econômico criado em 1987 para reajuste de preços e salários no Plano Verão.
Assim, a propósito desse pagamento, o Ministério do Planejamento esclarece:
- O Ministério do Planejamento não é parte na ação do Supremo Tribunal Federal que determina o pagamento da URP a um grupo de servidores.
- Não estamos impedindo o pagamento. A responsabilidade para isso é da Universidade de Brasília
- A única exigência do Ministério do Planejamento é que se cumpra o Decreto nº 2.830, de 6 de novembro de 1998, que determina que o pagamento de sentenças judiciais seja realizado através do SICAJ – Sistema de Cadastramento, Controle e Acompanhamento de Sentenças Judiciais, uma vez a URP é uma decisão judicial.
- Todos os órgãos civis do Poder Executivo estão obrigados a fazer o lançamento do pagamento de sentenças judiciais através do SICAJ, um eficiente instrumento de controle e gerenciamento da folha de pagamento do Poder Executivo.
- Em 2009, depois da mudança da tabela remuneratória da UnB, constatou-se divergência entre os valores lançados no SICAJ, conforme a decisão do STF da data da liminar, e os valores finais da remuneração dos servidores.
- Até a presente data, apesar de sucessivas dilações de prazo, a UnB encaminhou apenas parte dos dados de pessoal para serem processados. Por determinação da Ministra Cármen Lúcia, assim que a Universidade de Brasília ajustar os pagamentos da URP como determina a decisão do Supremo Tribunal Federal, o Ministério do Planejamento editará folha suplementar para homologar o pagamento.
Brasília, 25 de março de 2010
O problema com esta nota é que ela claramente coloca a culpa pelo problema na UnB. Especificamente na administração atual. E aí vem a complicação, em algum ponto no futuro próximo a reitoria da UnB terá de soltar uma nota contestando as declarações do ministro - efetivamente chamando-o de mentiroso (este é um daqueles casos em que alguém se encontra escondendo a verdade mesmo), ou admitir erros no seu funcionamento.
E o caminho tomado por qualquer uma destas duas possibilidades leva a paragens ainda não navegadas.
Existe também a possibilidade da administração da UnB ficar calada, mas aí DADA A NOTA A IMPRENSA, fica a nítida impressão que a culpa realmente está do lado da UnB.
Minha opinião? Quando se chega a este ponto nenhum dos interlocutores fala inteiramente a verdade. Isto quer dizer que a nota em toda probabilidade está correta - mas omite fatos. As chances maiores são que exista uma parcela de culpa do MPOG e da UnB.
Será que o jogo de xadrez está próximo a um chequemate?
quinta-feira, 25 de março de 2010
As pernas curtas da mentira
A mentira em si pode tomar muitas formas, mas da mesma forma que um cobertor curto não dá para esconder simultaneamente a cabeça e os pés.
Estou lendo História Econômica do Brasil de Caio Prado Jr. E com os olhos de hoje vejo de modo cristalino os preconceitos e pre-julgamentos que o fato do mesmo ser marxista causou à análise descrita no livro.
A bem da verdade, existe mérito em um livro assim escrito em 1945 mesmo que enviesado do ponto de vista econômico E social. Afinal, obras de referência sempre tem seu lugar garantido. O problema é que os erros saltam a vista.
Vamos a alguns:
E porque este ponto?
Bem, chamo a atenção sobre o papel da imprensa na abolição da escravidão! As análises atuais sofrem do mesmo problema que a de Caio Prado Jr.
Tiragem da Veja: cerca de 1 milhão e 100 mil
Tiragem da Isto é: cerca de 370 mil
Tiragem da Época: cerca de 420 mil
Portanto a soma da tiragem dos semanários brasileiros atinge cerca de 1% da população do Brasil. No caso dos jornais a coisa é ainda um pouco menor, tendo a Folha de São Paulo uma circulação menor do que meio milhão de exemplares.
Então uma estimativa da circulação destes meios certamente irá ser abaixo de 2% da população.
O que leva a pegunta: qual o efeito real deste tipo de mídia.
Desconfio que muito, muito pequeno mesmo.
Estou lendo História Econômica do Brasil de Caio Prado Jr. E com os olhos de hoje vejo de modo cristalino os preconceitos e pre-julgamentos que o fato do mesmo ser marxista causou à análise descrita no livro.
A bem da verdade, existe mérito em um livro assim escrito em 1945 mesmo que enviesado do ponto de vista econômico E social. Afinal, obras de referência sempre tem seu lugar garantido. O problema é que os erros saltam a vista.
Vamos a alguns:
- Na questão da escravidão ele faz a confusão até hoje realizada do papel da imprensa no apoio popular. O caso é que o Brasil tem tiragens pífias de revistas semanais e mesmo de jornais até hoje. Colocando isto em perspectiva no século XIX temos um país feito por analfabetos - então qual é o efeito real de um artigo escrito? Ou de um milhão de artigos escritos? A verdade é que o movimento para abolição da escravatura nunca foi um movimento popular. E o que isso diz? Eram elites se digladiando ao redor de duas visões de desenvolvimento diferentes - sendo uma delas claramente condenada ao passado, vivendo os estertores do fim.
- Na questão da imigração ele mostra claramente um preconceito com o seu país, um certo envergonhamento poderia se dizer em relação a nossa posição comparada a Europa. Efetivamente, associando a imigração ao clima menos quente do sul do Brasil, ele nega um papel histórico do nordeste que foi cumprido por franceses e holandeses. E neste ponto, a sua falha é composta pelo fato que o sul foi o maior alvo da imigração pois era lá que as oportunidades estavam. Esse papo de clima tem um fundo de verdade, mas não pode ser utilizado como razão fundamental.
- Há também um distinto preconceito contra D. Pedro II. E este preconceito se reflete na eliminação do papel que o mesmo teve durante o período do império. Por mais comum e simples que fosse o monarca, a sua influência é bem razoável na medida que por vezes sua vontade se transformava em lei. E claro, temos de lembrar do efeito que D. Pedro II teve ao realizar sucessivas trocas de gabinete entre os dois partidos - que eram essencialmente de conservadores ligados inicialmente à escravidão e posteriormente ao latifúndio; e o os demais de orientação um pouco mais liberal (mas nem tanto)
E porque este ponto?
Bem, chamo a atenção sobre o papel da imprensa na abolição da escravidão! As análises atuais sofrem do mesmo problema que a de Caio Prado Jr.
Tiragem da Veja: cerca de 1 milhão e 100 mil
Tiragem da Isto é: cerca de 370 mil
Tiragem da Época: cerca de 420 mil
Portanto a soma da tiragem dos semanários brasileiros atinge cerca de 1% da população do Brasil. No caso dos jornais a coisa é ainda um pouco menor, tendo a Folha de São Paulo uma circulação menor do que meio milhão de exemplares.
Então uma estimativa da circulação destes meios certamente irá ser abaixo de 2% da população.
O que leva a pegunta: qual o efeito real deste tipo de mídia.
Desconfio que muito, muito pequeno mesmo.
domingo, 14 de março de 2010
URP for dummies - parte 2
Pois bem, então em 1992 o STJ mandou que a URP fosse paga a todos os professores e funcionários da UnB. E mais ainda que fosse paga sobre o salário e não apenas vencimento básico. Só para relembrar:
“a) diferenças salariais decorrentes do reajuste devido no mês de fevereiro de 1989, em proporção idêntica à URP (26,05%, vinte e seis vírgula zero cinco por cento), calculada com base no período de setembro a novembro de 1988, bem como as demais diferenças decorrentes dos aumentos e reajustes posteriores e futuros, que deverão incidir sobre o salário já aumentado, parcelas vencidas e vincendas, inclusive diferenças de férias, 13º salário, FGTS, repouso semanal remunerado e demais gratificações e parcelas calculadas com base no salário;
b) diferenças de salário decorrentes da aplicação do reajuste automático de 20% (vinte por cento), de que tratam os D.L. 2.284/86 e 2.302/86, sobre os salários de junho de 1987, a serem pagas a partir de julho de 1987, e mais 6,05% (seis vírgula zero seis por cento) a título de resíduo, parcelas vencidas e vincendas, com reflexos em todos os aumentos ocorridos após aquela data, bem como nos itens a, b e c, acima e em todos os períodos de férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, FGTS e demais gratificações e parcelas calculadas com base no salário”.
Bem, isto já estava claro na postagem anterior. Mas e daí?
Bem o MEC continou pagando como se fosse um ato administrativo do reitor e não uma decisão judicial. Mas isto foi decorrente do parecer judicial do ministério:
"é de se registrar que a Consultoria Jurídica junto àquele Ministério novamente se posicionou no sentido de que não se tratava de pagamento puro e simples de decisão judicial, mas tão-somente de habilitação, pela via administrativa, de que o ato do Reitor da UnB perfizesse seus ordinários efeitos"
Isto levou a Adunb a impetrar mandatos para garantir que o pagamento fosse incorporado aos vencimentos. Ou seja a Fundação Universidade de Brasília (MS 928-0/DF) e a Associação dos Docentes da UNB (MS 929-0/DF), propuseram perante o STJ as Reclamações nºs 526/DF (ADUNB) e 529/DF (FUB) o seguinte pedido:
“a) imediatamente, a obrigação de fazer (arts. 878 a 881 do Código Civil e 632 do Código de Processo Civil) no sentido de incorporar definitivamente o percentual de 26,05% (vinte e seis inteiros e cinco centésimos por cento) aos vencimentos dos docentes da Universidade de Brasília;
b) a concessão de antecipação parcial de tutela para que seja incorporado imediatamente o percentual de 26,05% (vinte e seis inteiros e cinco centésimos por cento) aos vencimentos dos docentes amparados pelo mandamus, bem como o pagamento dos atrasados referentes ao exercício financeiro de 1997;
c) o quanto antes, no prazo de 10 (dez) dias, o pagamento das parcelas atrasadas, consoante cálculos elaborados pela Fundação Universidade de Brasília e já repassados para o MEC, relativas aos exercícios financeiros anteriores – 1994 a 1996”.
O STJ decidiu em sessão do dia 08 de setembro de 1998 positivamente para a Reclamação n.º 526-DF:
“CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. RECLAMAÇÃO. CABIMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA CONCEDIDO. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. DEMORA INJUSTIFICADA NA EXECUÇÃO. PEDIDO PROCEDENTE.
Elegeu a Constituição Federal, entre as matérias de competência deste Colegiado, o processo e julgamento, originariamente, da reclamação, com o objetivo especial de garantir a autoridade de suas decisões.
Insurgindo-se a reclamante contra a posição da autoridade apontada coatora, ao protelar e, em conseqüência, retardar o atendimento à decisão desta Primeira Seção, já não há mais dúvida de que cabível o meio utilizado para fazer cumprir o Mandado de Segurança concedido.
Decorridos cinco anos, inexiste justificativa plausível para não estar ainda obedecida a determinação judicial, como se esta nada valesse, ainda mais diante da situação singular, quando a execução chegou a ser iniciada.
Procedência da reclamação”.
A partir deste ponto a coisa começa a ficar meio bizarra. Em 1992 foi criada a GAE (gratificação por atividade executiva). E os 26,05% passaram a incidir também sobre a mesma. O bizarro é que não existia GAE na época da ação em questão.
Já em 1998 foi criada a GED e sobre ela a URP nunca incidiu.
E aí temos o palco para a confusão. Porque? Porque ninguém efetivamente sabe exatamente como este índice deve ser calculado.
Não, não estou inventando. As decisões judicias são bem elípticas neste ponto
“a) diferenças salariais decorrentes do reajuste devido no mês de fevereiro de 1989, em proporção idêntica à URP (26,05%, vinte e seis vírgula zero cinco por cento), calculada com base no período de setembro a novembro de 1988, bem como as demais diferenças decorrentes dos aumentos e reajustes posteriores e futuros, que deverão incidir sobre o salário já aumentado, parcelas vencidas e vincendas, inclusive diferenças de férias, 13º salário, FGTS, repouso semanal remunerado e demais gratificações e parcelas calculadas com base no salário;
b) diferenças de salário decorrentes da aplicação do reajuste automático de 20% (vinte por cento), de que tratam os D.L. 2.284/86 e 2.302/86, sobre os salários de junho de 1987, a serem pagas a partir de julho de 1987, e mais 6,05% (seis vírgula zero seis por cento) a título de resíduo, parcelas vencidas e vincendas, com reflexos em todos os aumentos ocorridos após aquela data, bem como nos itens a, b e c, acima e em todos os períodos de férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, FGTS e demais gratificações e parcelas calculadas com base no salário”.
Bem, isto já estava claro na postagem anterior. Mas e daí?
Bem o MEC continou pagando como se fosse um ato administrativo do reitor e não uma decisão judicial. Mas isto foi decorrente do parecer judicial do ministério:
"é de se registrar que a Consultoria Jurídica junto àquele Ministério novamente se posicionou no sentido de que não se tratava de pagamento puro e simples de decisão judicial, mas tão-somente de habilitação, pela via administrativa, de que o ato do Reitor da UnB perfizesse seus ordinários efeitos"
Isto levou a Adunb a impetrar mandatos para garantir que o pagamento fosse incorporado aos vencimentos. Ou seja a Fundação Universidade de Brasília (MS 928-0/DF) e a Associação dos Docentes da UNB (MS 929-0/DF), propuseram perante o STJ as Reclamações nºs 526/DF (ADUNB) e 529/DF (FUB) o seguinte pedido:
“a) imediatamente, a obrigação de fazer (arts. 878 a 881 do Código Civil e 632 do Código de Processo Civil) no sentido de incorporar definitivamente o percentual de 26,05% (vinte e seis inteiros e cinco centésimos por cento) aos vencimentos dos docentes da Universidade de Brasília;
b) a concessão de antecipação parcial de tutela para que seja incorporado imediatamente o percentual de 26,05% (vinte e seis inteiros e cinco centésimos por cento) aos vencimentos dos docentes amparados pelo mandamus, bem como o pagamento dos atrasados referentes ao exercício financeiro de 1997;
c) o quanto antes, no prazo de 10 (dez) dias, o pagamento das parcelas atrasadas, consoante cálculos elaborados pela Fundação Universidade de Brasília e já repassados para o MEC, relativas aos exercícios financeiros anteriores – 1994 a 1996”.
O STJ decidiu em sessão do dia 08 de setembro de 1998 positivamente para a Reclamação n.º 526-DF:
“CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. RECLAMAÇÃO. CABIMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA CONCEDIDO. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. DEMORA INJUSTIFICADA NA EXECUÇÃO. PEDIDO PROCEDENTE.
Elegeu a Constituição Federal, entre as matérias de competência deste Colegiado, o processo e julgamento, originariamente, da reclamação, com o objetivo especial de garantir a autoridade de suas decisões.
Insurgindo-se a reclamante contra a posição da autoridade apontada coatora, ao protelar e, em conseqüência, retardar o atendimento à decisão desta Primeira Seção, já não há mais dúvida de que cabível o meio utilizado para fazer cumprir o Mandado de Segurança concedido.
Decorridos cinco anos, inexiste justificativa plausível para não estar ainda obedecida a determinação judicial, como se esta nada valesse, ainda mais diante da situação singular, quando a execução chegou a ser iniciada.
Procedência da reclamação”.
A partir deste ponto a coisa começa a ficar meio bizarra. Em 1992 foi criada a GAE (gratificação por atividade executiva). E os 26,05% passaram a incidir também sobre a mesma. O bizarro é que não existia GAE na época da ação em questão.
Já em 1998 foi criada a GED e sobre ela a URP nunca incidiu.
E aí temos o palco para a confusão. Porque? Porque ninguém efetivamente sabe exatamente como este índice deve ser calculado.
Não, não estou inventando. As decisões judicias são bem elípticas neste ponto
quinta-feira, 11 de março de 2010
URP for dummies - parte 1
Devido a informações truncadas eu resolvi esclarecer em alguns posts o que é a URP e sua relação com a atual greve da UnB (iniciada em 09/03/2010).
Primeiro o que é URP?
URP é a Unidade de Referência de Preços. A sua definição exata encontra-se neste decreto de 1989. Ela é fruto de um dos planos econômicos do mandato de José Sarney. Efetivamente, tivemos um congelamento de preços e a URP virou o indexador salarial de facto.
Como todos se lembram os planos econômicos desta era além de não funcionar se tornaram um magneto para ações judiciais. O fato é que devido a inflação não repassada aos servidores na época dos planos houve uma enxurrada de ações na justiça buscando compensação. Alguns exemplos:
URP e aposentados.
URP e servidores da UnB.
Então a URP não é uma gratificação. Foi um indexador econômico para reajustes de salários de 1987 a 1989.
E o que a URP tem a ver com os salários dos professores?
Bem, como era de se esperar, as perdas advindas do plano Bresser levaram a diversas ações judiciais. Um 1990, um grupo de servidores da UnB entrou na justiça e ganhou (Reclamatórias Trabalhistas 689/1989). Bem, até aí tudo bem. A questão é que em 1991, o reitor Antônio Ibañez Ruiz extendeu o benefício para todos os professores e funcionários da UnB. A justificativa desta extensão foi a da autonomia universitária.
O ministro da educação não gostou e resolveu entrar na situação:
“Em cumprimento ao que determina o Parecer n.º CS 30, de 14 de maio de 1991, exarado pela Consultoria Geral e aprovado pelo Excelentíssimo Senhor Presidente da República, comunico as medidas explicitadas a seguir, ao tempo em que solicito a sua observância:
a) os efeitos decorrentes das decisões judiciais que autorizaram o pagamento da URP aos servidores dessa Instituição não beneficiam terceiros alheios às demandas. Por conseguinte, é indevida a sua extensão às categorias profissionais não associadas aos seus respectivos sindicatos;
b) nessas circunstâncias, solicito a V. S.ª as providências necessárias para que se proceda a devolução das quantias indevidamente pagas, e de boa-fé recebidas pelos pretensos beneficiados, em 10 parcelas mensais de igual valor;
c) na hipótese de que os recursos repassados pelo MEC a essa Universidade não sejam suficientes para cobertura dos vencimentos dos reais beneficiados, deverá V.S.ª comunicar o montante da diferença, a fim de que possamos providenciar, de imediato, a sua complementação”.
Em resposta a esta situação a FUB e a Adunb impetraram mandatos de segurança (n.º 928-0/DF e 929-0/DF) com o argumento que o ministro estaria ferindo a autonomia da universidade (que está na artigo 207 da constituição).
E ganharam no STJ (Ofício n.º 165/93-SJ/DESP e o acordão MS n.º 928-DF). Naturalmente, coube ao ministro obedecer a decisão.
A questão dos 26,05% fica clara ao olharmos uma determinada parte do despacho do ministro:
“a) diferenças salariais decorrentes do reajuste devido no mês de fevereiro de 1989, em proporção idêntica à URP (26,05%, vinte e seis vírgula zero cinco por cento), calculada com base no período de setembro a novembro de 1988, bem como as demais diferenças decorrentes dos aumentos e reajustes posteriores e futuros, que deverão incidir sobre o salário já aumentado, parcelas vencidas e vincendas, inclusive diferenças de férias, 13º salário, FGTS, repouso semanal remunerado e demais gratificações e parcelas calculadas com base no salário;
b) diferenças de salário decorrentes da aplicação do reajuste automático de 20% (vinte por cento), de que tratam os D.L. 2.284/86 e 2.302/86, sobre os salários de junho de 1987, a serem pagas a partir de julho de 1987, e mais 6,05% (seis vírgula zero seis por cento) a título de resíduo, parcelas vencidas e vincendas, com reflexos em todos os aumentos ocorridos após aquela data, bem como nos itens a, b e c, acima e em todos os períodos de férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, FGTS e demais gratificações e parcelas calculadas com base no salário”.
Como dá para ver, aqui começa o problema real. Aqui começam os 26,05% incidindo no salário dos professores e demais servidores.
Bem, evidentemente que não parou por aqui. Mas eu continuo em outro post
Primeiro o que é URP?
URP é a Unidade de Referência de Preços. A sua definição exata encontra-se neste decreto de 1989. Ela é fruto de um dos planos econômicos do mandato de José Sarney. Efetivamente, tivemos um congelamento de preços e a URP virou o indexador salarial de facto.
Como todos se lembram os planos econômicos desta era além de não funcionar se tornaram um magneto para ações judiciais. O fato é que devido a inflação não repassada aos servidores na época dos planos houve uma enxurrada de ações na justiça buscando compensação. Alguns exemplos:
URP e aposentados.
URP e servidores da UnB.
Então a URP não é uma gratificação. Foi um indexador econômico para reajustes de salários de 1987 a 1989.
E o que a URP tem a ver com os salários dos professores?
Bem, como era de se esperar, as perdas advindas do plano Bresser levaram a diversas ações judiciais. Um 1990, um grupo de servidores da UnB entrou na justiça e ganhou (Reclamatórias Trabalhistas 689/1989). Bem, até aí tudo bem. A questão é que em 1991, o reitor Antônio Ibañez Ruiz extendeu o benefício para todos os professores e funcionários da UnB. A justificativa desta extensão foi a da autonomia universitária.
O ministro da educação não gostou e resolveu entrar na situação:
“Em cumprimento ao que determina o Parecer n.º CS 30, de 14 de maio de 1991, exarado pela Consultoria Geral e aprovado pelo Excelentíssimo Senhor Presidente da República, comunico as medidas explicitadas a seguir, ao tempo em que solicito a sua observância:
a) os efeitos decorrentes das decisões judiciais que autorizaram o pagamento da URP aos servidores dessa Instituição não beneficiam terceiros alheios às demandas. Por conseguinte, é indevida a sua extensão às categorias profissionais não associadas aos seus respectivos sindicatos;
b) nessas circunstâncias, solicito a V. S.ª as providências necessárias para que se proceda a devolução das quantias indevidamente pagas, e de boa-fé recebidas pelos pretensos beneficiados, em 10 parcelas mensais de igual valor;
c) na hipótese de que os recursos repassados pelo MEC a essa Universidade não sejam suficientes para cobertura dos vencimentos dos reais beneficiados, deverá V.S.ª comunicar o montante da diferença, a fim de que possamos providenciar, de imediato, a sua complementação”.
Em resposta a esta situação a FUB e a Adunb impetraram mandatos de segurança (n.º 928-0/DF e 929-0/DF) com o argumento que o ministro estaria ferindo a autonomia da universidade (que está na artigo 207 da constituição).
E ganharam no STJ (Ofício n.º 165/93-SJ/DESP e o acordão MS n.º 928-DF). Naturalmente, coube ao ministro obedecer a decisão.
A questão dos 26,05% fica clara ao olharmos uma determinada parte do despacho do ministro:
“a) diferenças salariais decorrentes do reajuste devido no mês de fevereiro de 1989, em proporção idêntica à URP (26,05%, vinte e seis vírgula zero cinco por cento), calculada com base no período de setembro a novembro de 1988, bem como as demais diferenças decorrentes dos aumentos e reajustes posteriores e futuros, que deverão incidir sobre o salário já aumentado, parcelas vencidas e vincendas, inclusive diferenças de férias, 13º salário, FGTS, repouso semanal remunerado e demais gratificações e parcelas calculadas com base no salário;
b) diferenças de salário decorrentes da aplicação do reajuste automático de 20% (vinte por cento), de que tratam os D.L. 2.284/86 e 2.302/86, sobre os salários de junho de 1987, a serem pagas a partir de julho de 1987, e mais 6,05% (seis vírgula zero seis por cento) a título de resíduo, parcelas vencidas e vincendas, com reflexos em todos os aumentos ocorridos após aquela data, bem como nos itens a, b e c, acima e em todos os períodos de férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, FGTS e demais gratificações e parcelas calculadas com base no salário”.
Como dá para ver, aqui começa o problema real. Aqui começam os 26,05% incidindo no salário dos professores e demais servidores.
Bem, evidentemente que não parou por aqui. Mas eu continuo em outro post
quarta-feira, 10 de março de 2010
UnB em greve
Então estamos novamente em greve. A decisão foi tomada em assembleia na terça feira. Curiosamente, a posição da greve não era a da associação. Porque...
Bem, isto realmente tem uma certa curiosidade: a greve não tende a resolver os problemas, mas agrava-los.
Este aparente paradoxo pode ser esclarecido com um pouco de estudo: o orgão que tem maior chance de emitir decisão favoravel aos professores (e talvez funcionarios) é o STF e não o MPOG.
A verdade é que se o MPOG ceder, uma avalanche de processos relativos a URP pode muito bem surgir de todas as universidades. Já se for o STF que conceder ganho então é uma vitória judicial, o que poderá ou não dar certo caso outras universidades se aventurem.
E quanto a mim, eu estou de greve. Não porque acho que seja a estratégia correta, mas simplesmente porque não tenho paciência ou força para encarar uma luta aonde qualquer que seja o resultado eu saio perdendo
E quanto tempo a greve irá durar...
Isto ninguém realmente sabe, mas dado que se iniciou antes que se tivesse alguma posição do MPOG a respeito do pagamento ou não da URP parece indicar que as coisas vão realmente longe.
Aliás, vale a pena ver o que o MPOG disse:
O Planejamento informa também que, como os servidores que hoje têm direito ao recebimento do índice são exclusivamente os beneficiários das reclamações trabalhistas e os beneficiários das liminares dos mandados de segurança em tramitação no STF, não há amparo judicial para a extensão do pagamento aos técnico-administrativos.
Bem, isto realmente tem uma certa curiosidade: a greve não tende a resolver os problemas, mas agrava-los.
Este aparente paradoxo pode ser esclarecido com um pouco de estudo: o orgão que tem maior chance de emitir decisão favoravel aos professores (e talvez funcionarios) é o STF e não o MPOG.
A verdade é que se o MPOG ceder, uma avalanche de processos relativos a URP pode muito bem surgir de todas as universidades. Já se for o STF que conceder ganho então é uma vitória judicial, o que poderá ou não dar certo caso outras universidades se aventurem.
E quanto a mim, eu estou de greve. Não porque acho que seja a estratégia correta, mas simplesmente porque não tenho paciência ou força para encarar uma luta aonde qualquer que seja o resultado eu saio perdendo
E quanto tempo a greve irá durar...
Isto ninguém realmente sabe, mas dado que se iniciou antes que se tivesse alguma posição do MPOG a respeito do pagamento ou não da URP parece indicar que as coisas vão realmente longe.
Aliás, vale a pena ver o que o MPOG disse:
O Planejamento informa também que, como os servidores que hoje têm direito ao recebimento do índice são exclusivamente os beneficiários das reclamações trabalhistas e os beneficiários das liminares dos mandados de segurança em tramitação no STF, não há amparo judicial para a extensão do pagamento aos técnico-administrativos.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Então não somos Virgens Vestais?
Não, não somos mesmo.
Aliás qualquer que diga que é está mentindo. O choque falsificado com a corrupção existente, ou a indignação que "avassala a alma" são típicas de pessoas sem caráter.
Não estarei sendo muito duro?
Até que não. A ignorância de provas da corrupção é aceitável, mas a surpresa pela sua existência é falsidade mesmo.
Corrupção não é coisa recente, e mesmo a sua descoberta não é também recente. Existem até certas similaridades entre o que ocorre hoje e no passado.
A ilusão do passado mais que perfeito é o que o nome diz: uma ilusão!
Bom, e o caso da URP?
Resumindo temos o seguinte imbroglio: a URP era antes calculada como 26.05% do valor combinado do vencimento básico e gratificação de atividade executiva (VB+GAE). Com a mudança de nomes e de valores, o cálculo da URP não é mais tão simples:
- Pode ser 26.05% somente em cima do vencimento básico
- Pode ser 26.05% em cima da soma do vencimento básico e da retribuição por titulação
- ou pode ser 26.05% em cima de tudo (VB+RT+GEMAS - o que é improvável).
A alternativa que faz mais sentido é a primeira. Mas foi a última que o reitor implementou.
E de lá para cá, todos tem jogado com as armas que possuem para se defender
E mentir é uma delas
Aliás qualquer que diga que é está mentindo. O choque falsificado com a corrupção existente, ou a indignação que "avassala a alma" são típicas de pessoas sem caráter.
Não estarei sendo muito duro?
Até que não. A ignorância de provas da corrupção é aceitável, mas a surpresa pela sua existência é falsidade mesmo.
Corrupção não é coisa recente, e mesmo a sua descoberta não é também recente. Existem até certas similaridades entre o que ocorre hoje e no passado.
A ilusão do passado mais que perfeito é o que o nome diz: uma ilusão!
Bom, e o caso da URP?
Resumindo temos o seguinte imbroglio: a URP era antes calculada como 26.05% do valor combinado do vencimento básico e gratificação de atividade executiva (VB+GAE). Com a mudança de nomes e de valores, o cálculo da URP não é mais tão simples:
- Pode ser 26.05% somente em cima do vencimento básico
- Pode ser 26.05% em cima da soma do vencimento básico e da retribuição por titulação
- ou pode ser 26.05% em cima de tudo (VB+RT+GEMAS - o que é improvável).
A alternativa que faz mais sentido é a primeira. Mas foi a última que o reitor implementou.
E de lá para cá, todos tem jogado com as armas que possuem para se defender
E mentir é uma delas
segunda-feira, 1 de março de 2010
Veritas vos liberabit
E a mentira nos aprisionará.
Este é um texto analisando a questão da URP na UnB sob o ponto de vista de como a mesma é paga. O objetivo é esclarecer sem polarizar.
Nos idos de 2002, já 4 anos após a minha entrada os termos do eu salário eram (adjunto 2 na época):
- Vencimento Básico - VB: R$ 1.072,59
- Gratificação de Atividade Executiva - GAE: R$ 1.716,14
Se somarmos os dois e calcularmos 26.05% teremos: R$ 726,46
Neste mesmo contracheque vinha o termo "Decisão Judicial Tran Jug at" correspondendo a R$ 726,44. Esta é a parcela que costumamos chamar de URP.
Neste contracheque ainda tinhamos a GED, que para 140 correspondia a R$ 1.481,20.
Em junho de 2008, a GED se transformou na GTMS e não alterou em nada o cálculo da URP.
Em janeiro de 2009, eu já tinha me tornado adjunto 3. A tabela informava:
- Vencimento Básico - VB: R$ 1.319,61
- Gratificação de Atividade Executiva - GAE: R$ 2.111,38
e a Gratificação Temporária do Magistério Superior (Medida Provisória nº 431/2008) - GTMS: R$ 3.293,29
Além disto, há uma série de parcelas que não são importantes para o cálculo da URP. Ao somarmos o VB e GAE e calcularmos 26.05% teremos: URP em janeiro de 2009 era de R$ 893,77.
Neste mesmo contracheque também vinha o termo "Decisão Judicial Tran Jug at" correspondendo a R$ 893,74.
Já em fevereiro de 2009, a coisa mudou. Agora a conta passa a ser:
- Vencimento Básico - VB: R$ 2.459,91
- Gratificação Específica do Magistério Superior - GEMAS: R$ 1.054,58
- RT - Retribuição a Titulação - doutorado: R$ 3.476,98
Bem, a GEMAS substituiu a GMTS que por sua fez fazia o papel da GED. E aí que mora o problema... Se olharmos os vencimento de janeiro e de fevereiro de 2009 tivemos um mudança no vencimento básico, a extinção da GAE e a introdução do GEMAS e da RT.
* Se calcularmos 26.05% apenas com VB (vencimento básico) o valor é R$ 640,81
* Se calcularmos 26.05% apenas da RT (retribuição a titulação) o valor é R$ 905,75
* Se calcularmos 26.05% na soma da RT e VB, o valor é de R$ 1.546,56
* Se calcularmos 26.05% na soma de RT, VB e GEMAS, o valor é de R$ 1.821,28
Viram o problema? Aí surge além da parcela de R$ 893,77 uma parcela adicional de R$ 927,51.
Se eu olhar no meu contracheque, tenho agora duas linhas com o termo "Decisão Judicial Tran Jug at" correspondendo a R$ 893,74 e R$ 927,54. Então passamos a calcular a URP contando a GEMAS, o que francamente tenho sérias dúvidas.
E aí vem a questão? Qual é a forma correta de calcular a URP? No meu entendimento deveria ser exclusivamente em cima do vencimento básico. Mas no ato de fevereiro este entendimento era que deveria ser na soma do VB com, RT e GEMAS. Vamos ver como ficam as coisas?
Remuneração em Janeiro de 2009 com URP:
Possíveis remunerações para fevereiro de 2009 com a URP
Então reparem que em nenhum dos cenários temos perdas. O pior que acontece é o salário de fevereiro ficar igual ao de janeiro. Então qual é a conta certa? Eu honestamente não sei, mas tenho minhas opiniões.
Saudações
LeoRAX
PS 1: Uma análise similar já foi realizada pelo Prof. Marcelo Hermes ( aqui e aqui)
PS 2 : O texto da medida provisória é ilustrativo:
"Docentes de 3º Grau – Carreira de Magistério Superior
1 – Gratificação Temporária para o Magistério Superior – GTMS – Foi instituída a respectiva gratificação a contar de 01/03/2008, conforme Anexo XVI, em substituição a Gratificação de Estímulo a Docência – GED.
2 – Outras alterações serão implementadas a partir de 1º fevereiro de 2009, como a criação da Retribuição por Titulação – RT e a Gratificação Específica do Magistério Superior – GEMAS, sendo extintas a Vantagem Pecuniária Individual – VPI, a Gratificação de Atividade Executiva –GAE e a Gratificação Temporária para o Magistério Superior – GTMS. A Retribuição por Titulação – RT substitui o acréscimo de percentual de que trata o art. 6º da Lei nº 11.344, de 08 de setembro de 2006."
Este é um texto analisando a questão da URP na UnB sob o ponto de vista de como a mesma é paga. O objetivo é esclarecer sem polarizar.
Nos idos de 2002, já 4 anos após a minha entrada os termos do eu salário eram (adjunto 2 na época):
- Vencimento Básico - VB: R$ 1.072,59
- Gratificação de Atividade Executiva - GAE: R$ 1.716,14
Se somarmos os dois e calcularmos 26.05% teremos: R$ 726,46
Neste mesmo contracheque vinha o termo "Decisão Judicial Tran Jug at" correspondendo a R$ 726,44. Esta é a parcela que costumamos chamar de URP.
Neste contracheque ainda tinhamos a GED, que para 140 correspondia a R$ 1.481,20.
Em junho de 2008, a GED se transformou na GTMS e não alterou em nada o cálculo da URP.
Em janeiro de 2009, eu já tinha me tornado adjunto 3. A tabela informava:
- Vencimento Básico - VB: R$ 1.319,61
- Gratificação de Atividade Executiva - GAE: R$ 2.111,38
e a Gratificação Temporária do Magistério Superior (Medida Provisória nº 431/2008) - GTMS: R$ 3.293,29
Além disto, há uma série de parcelas que não são importantes para o cálculo da URP. Ao somarmos o VB e GAE e calcularmos 26.05% teremos: URP em janeiro de 2009 era de R$ 893,77.
Neste mesmo contracheque também vinha o termo "Decisão Judicial Tran Jug at" correspondendo a R$ 893,74.
Já em fevereiro de 2009, a coisa mudou. Agora a conta passa a ser:
- Vencimento Básico - VB: R$ 2.459,91
- Gratificação Específica do Magistério Superior - GEMAS: R$ 1.054,58
- RT - Retribuição a Titulação - doutorado: R$ 3.476,98
Muito bem e agora como se calcula a URP?
Bem, a GEMAS substituiu a GMTS que por sua fez fazia o papel da GED. E aí que mora o problema... Se olharmos os vencimento de janeiro e de fevereiro de 2009 tivemos um mudança no vencimento básico, a extinção da GAE e a introdução do GEMAS e da RT.
* Se calcularmos 26.05% apenas com VB (vencimento básico) o valor é R$ 640,81
* Se calcularmos 26.05% apenas da RT (retribuição a titulação) o valor é R$ 905,75
* Se calcularmos 26.05% na soma da RT e VB, o valor é de R$ 1.546,56
* Se calcularmos 26.05% na soma de RT, VB e GEMAS, o valor é de R$ 1.821,28
Viram o problema? Aí surge além da parcela de R$ 893,77 uma parcela adicional de R$ 927,51.
Se eu olhar no meu contracheque, tenho agora duas linhas com o termo "Decisão Judicial Tran Jug at" correspondendo a R$ 893,74 e R$ 927,54. Então passamos a calcular a URP contando a GEMAS, o que francamente tenho sérias dúvidas.
E aí vem a questão? Qual é a forma correta de calcular a URP? No meu entendimento deveria ser exclusivamente em cima do vencimento básico. Mas no ato de fevereiro este entendimento era que deveria ser na soma do VB com, RT e GEMAS. Vamos ver como ficam as coisas?
Remuneração em Janeiro de 2009 com URP:
- Cenário Padrão - VB+GAE+GTMS+URP (26,05% de VB+GAE) = R$ 1.319,61 + R$ 2.111,38 + R$ 3.293,29 + R$ 893,77 = R$ 7.618.05
Possíveis remunerações para fevereiro de 2009 com a URP
- Cenário 1 - URP em cima de VB - VB+GEMAS+RT+URP (26,05% de VB) = R$ 2.459,91 + R$ 1.054,58 + R$ 3.476,98 + R$ 640,81 = R$ 7.632.28
- Cenário 2 - URP em cima de RT - VB+GEMAS+RT+URP (26,05% de RT) = R$ 2.459,91 + R$ 1.054,58 + R$ 3.476,98 + R$ 905,75 = R$ 7.897,22
- Cenário 3 - URP em cima de VB+RT - VB+GEMAS+RT+URP (26,05% de VB+RT) = R$ 2.459,91 + R$ 1.054,58 + R$ 3.476,98 + R$ 1.546,56 = R$ 8.538,03
- Cenário 4 - URP em cima de VB+RT+GEMAS - VB+GEMAS+RT+URP (26,05% de VB+RT+GEMAS) = R$ 2.459,91 + R$ 1.054,58 + R$ 3.476,98 + R$ 1.821,28 = R$ 8.812,75
Então reparem que em nenhum dos cenários temos perdas. O pior que acontece é o salário de fevereiro ficar igual ao de janeiro. Então qual é a conta certa? Eu honestamente não sei, mas tenho minhas opiniões.
Saudações
LeoRAX
PS 1: Uma análise similar já foi realizada pelo Prof. Marcelo Hermes ( aqui e aqui)
PS 2 : O texto da medida provisória é ilustrativo:
"Docentes de 3º Grau – Carreira de Magistério Superior
1 – Gratificação Temporária para o Magistério Superior – GTMS – Foi instituída a respectiva gratificação a contar de 01/03/2008, conforme Anexo XVI, em substituição a Gratificação de Estímulo a Docência – GED.
2 – Outras alterações serão implementadas a partir de 1º fevereiro de 2009, como a criação da Retribuição por Titulação – RT e a Gratificação Específica do Magistério Superior – GEMAS, sendo extintas a Vantagem Pecuniária Individual – VPI, a Gratificação de Atividade Executiva –GAE e a Gratificação Temporária para o Magistério Superior – GTMS. A Retribuição por Titulação – RT substitui o acréscimo de percentual de que trata o art. 6º da Lei nº 11.344, de 08 de setembro de 2006."
sábado, 27 de fevereiro de 2010
O auto engano e a modelagem
Apesar do post anterior tratar de modo ruim o fato de selecionarmos a fatia de realidade que consideramos interessante, este mesmo conceito é chave na modelagem física de fenômenos.
A verdade é que na modelagem de fenômenos físicos é fundamental representar o fenômeno de forma mais precisa possíve com o menor número de variáveis possíveis.
Um exemplo: a famosa maça da gravidade teve como variáveis a posição e massa. Além disto temos a geometria, cor e etc...
Mas a pergunta é: a cor afeta a velocidade de queda da maça?
Na realidade sim. Existe a pressão luminosa, que no caso da maça tem mais efeito se a mesma é vermelha.
Entretanto, nas forças envolvidas, o efeito da pressão de radiação é desprezível.
E portanto não afeta o comportamento geral. Então o que se faz é desprezar os efeitos que são pequenos em comparação com o comportamento geral. E aí é que está a arte do negócio: quantificar os efeitos e saber quais deles desprezar.
Em geral isto está ligado a parte experimental, mas pode nascer do uso de insights.
A verdade é que na modelagem de fenômenos físicos é fundamental representar o fenômeno de forma mais precisa possíve com o menor número de variáveis possíveis.
Um exemplo: a famosa maça da gravidade teve como variáveis a posição e massa. Além disto temos a geometria, cor e etc...
Mas a pergunta é: a cor afeta a velocidade de queda da maça?
Na realidade sim. Existe a pressão luminosa, que no caso da maça tem mais efeito se a mesma é vermelha.
Entretanto, nas forças envolvidas, o efeito da pressão de radiação é desprezível.
E portanto não afeta o comportamento geral. Então o que se faz é desprezar os efeitos que são pequenos em comparação com o comportamento geral. E aí é que está a arte do negócio: quantificar os efeitos e saber quais deles desprezar.
Em geral isto está ligado a parte experimental, mas pode nascer do uso de insights.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
O auto engano
Este é o título do livro de Eduardo Gianneti sobre o assunto. A resenha traz:
Este é um livro sobre as mentiras que contamos a nós mesmos. Mentimos para nós o tempo todo: adiantamos o despertador para não perder a hora, acreditamos nas juras da pessoa amada, só levamos realmente a sério os argumentos que sustentam nossas crenças. Além disso, temos a nosso próprio respeito uma opinião que quase nunca coincide com a extensão de nossos defeitos e qualidades. Sem o auto-engano, a vida seria excessivamente dolorosa e desprovida de encanto. Abandonados a ele, entretanto, perdemos a dimensão que nos reúne às outras pessoas e possibilita a convivência social.
O problema é que as mentiras que nos contamos não trazem seu nome verdadeiro estampado na fronte. É preciso, por isso, analisar os caminhos que nos levam até elas: encontraremos aí a origem de grandes conquistas e alegrias, mas também dos sofrimentos que muitas vezes causamos a nós mesmos e às pessoas que nos cercam.
Reflexão profunda e original sobre a necessidade que tem o ser humano de iludir a si mesmo, bem como sobre as implicações éticas dessa tendência na vida pública e na vida pessoal.
Eu quero frisar a parte que diz:
só levamos realmente a sério os argumentos que sustentam nossas crenças
Isto é bastante verdadeiro e um verdadeiro desafio de superação.
Quero propor ao leitor um desafio: identificar as vezes quando descartamos fatos que não são consistentes com a nossa forma de ver o mundo em nossa mente.
É um exercício esclarecedor
Este é um livro sobre as mentiras que contamos a nós mesmos. Mentimos para nós o tempo todo: adiantamos o despertador para não perder a hora, acreditamos nas juras da pessoa amada, só levamos realmente a sério os argumentos que sustentam nossas crenças. Além disso, temos a nosso próprio respeito uma opinião que quase nunca coincide com a extensão de nossos defeitos e qualidades. Sem o auto-engano, a vida seria excessivamente dolorosa e desprovida de encanto. Abandonados a ele, entretanto, perdemos a dimensão que nos reúne às outras pessoas e possibilita a convivência social.
O problema é que as mentiras que nos contamos não trazem seu nome verdadeiro estampado na fronte. É preciso, por isso, analisar os caminhos que nos levam até elas: encontraremos aí a origem de grandes conquistas e alegrias, mas também dos sofrimentos que muitas vezes causamos a nós mesmos e às pessoas que nos cercam.
Reflexão profunda e original sobre a necessidade que tem o ser humano de iludir a si mesmo, bem como sobre as implicações éticas dessa tendência na vida pública e na vida pessoal.
Eu quero frisar a parte que diz:
só levamos realmente a sério os argumentos que sustentam nossas crenças
Isto é bastante verdadeiro e um verdadeiro desafio de superação.
Quero propor ao leitor um desafio: identificar as vezes quando descartamos fatos que não são consistentes com a nossa forma de ver o mundo em nossa mente.
É um exercício esclarecedor
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Paulo Octávio novamente
Hoje 23/02/2010, o governador interino do DF, Paulo Octávio, renunciou ao cargo.
Porque? Bem fala-se de todos os motivos possíveis. Mas o mais estranho é que sua renúncia iria ajudar a governabilidade.
Como se chegou a esta conclusão ainda é um mistério para mim. A ascenção de Wilson Lima ao cargo de governador não trás nenhuma perspectiva de melhora para o problema.
Infelizmente, não vejo solução à vista diferente da intervenção.
E o pessoal não faz idéia do que é isto.
Porque? Bem fala-se de todos os motivos possíveis. Mas o mais estranho é que sua renúncia iria ajudar a governabilidade.
Como se chegou a esta conclusão ainda é um mistério para mim. A ascenção de Wilson Lima ao cargo de governador não trás nenhuma perspectiva de melhora para o problema.
Infelizmente, não vejo solução à vista diferente da intervenção.
E o pessoal não faz idéia do que é isto.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
O que me dá uma idéia
Confusão - é o maior aliado e o maior inimigo de crises midiáticas!
Esta é a solução: em uma crise midiática se cria muito mais confusão do que os meios de comunicação estão dispostos a suportar. A racionalidade é simples, como os meios dependem de credibilidade para notícia, então a sequência de notícias que minem esta credibilidade é a cortina de fumaça correta para o problema.
Em resumo: com muitas notícias desencontradas, todas se alterando a medida que o tempo passa, a credibilidade do veículo passa a ser minada. Como fazer: histórias diferentes para jornalistas diferentes, só realizar esclarecimentos para negar todas as informações dos jornalistas.
Porque isto agora?
Minha análise do caso Paulo Octávio se provou correta. Não há fato novo que justifique uma renúncia neste momento. De ontem para hoje não houve mudanças significativas, então porque renunciar?
Para os que não sabem, no post anterior (15:32) eu fiz um mea-culpa por divulgar a notícia que P.O. iria renunciar. Depois de pensar um pouco vi que realmente não havia nenhum fato que justificasse a renúncia dele HOJE. E as 17:10 ele veio a público não renunciar.
Portanto: pensar é útil e ajuda a separar o joio do trigo
Esta é a solução: em uma crise midiática se cria muito mais confusão do que os meios de comunicação estão dispostos a suportar. A racionalidade é simples, como os meios dependem de credibilidade para notícia, então a sequência de notícias que minem esta credibilidade é a cortina de fumaça correta para o problema.
Em resumo: com muitas notícias desencontradas, todas se alterando a medida que o tempo passa, a credibilidade do veículo passa a ser minada. Como fazer: histórias diferentes para jornalistas diferentes, só realizar esclarecimentos para negar todas as informações dos jornalistas.
Porque isto agora?
Minha análise do caso Paulo Octávio se provou correta. Não há fato novo que justifique uma renúncia neste momento. De ontem para hoje não houve mudanças significativas, então porque renunciar?
Para os que não sabem, no post anterior (15:32) eu fiz um mea-culpa por divulgar a notícia que P.O. iria renunciar. Depois de pensar um pouco vi que realmente não havia nenhum fato que justificasse a renúncia dele HOJE. E as 17:10 ele veio a público não renunciar.
Portanto: pensar é útil e ajuda a separar o joio do trigo
Eu devia ter mais confiança nas minhas análises
Como um papagaio, divulguei a mensagem que Paulo Octávio iria renunciar.
Li a notícia no blog do Josias do UOL e por isto passei para frente.
Mas depois comecei a ver alguns problemas com a idéia:
- Apesar de tudo, o governador Arruda não está impedido. E mesmo com a prisão, ainda corre o processo de impeachment dele. Então, oficialmente qual seria o efeito de P.O renunciar? Só o próprio iria sofrer algum efeito.
- De modo similar, os pedidos de impeachment do governador interino (P.O.) são baseados em evidências muito circunstanciais. O que se vê em gravações são pessoas que dizem estar falando em nome de Paulo Octávio. É verdade? Pode ser, mas também pode não ser.
- A expulsão do DEM é algo sério. Mas olhando desapaixonadamente o efeito mais sério é a impossibilidade de eleição em 2010. E só isto
Então não havia razão para que Paulo Octávio renunciasse agora. Talvez ele ainda o faça, mas fazer isto agora não tem efeito benéfico nem no curto, nem no médio prazo.
Em resumo: Porque Paulo Octávio renunciaria agora?
Li a notícia no blog do Josias do UOL e por isto passei para frente.
Mas depois comecei a ver alguns problemas com a idéia:
- Apesar de tudo, o governador Arruda não está impedido. E mesmo com a prisão, ainda corre o processo de impeachment dele. Então, oficialmente qual seria o efeito de P.O renunciar? Só o próprio iria sofrer algum efeito.
- De modo similar, os pedidos de impeachment do governador interino (P.O.) são baseados em evidências muito circunstanciais. O que se vê em gravações são pessoas que dizem estar falando em nome de Paulo Octávio. É verdade? Pode ser, mas também pode não ser.
- A expulsão do DEM é algo sério. Mas olhando desapaixonadamente o efeito mais sério é a impossibilidade de eleição em 2010. E só isto
Então não havia razão para que Paulo Octávio renunciasse agora. Talvez ele ainda o faça, mas fazer isto agora não tem efeito benéfico nem no curto, nem no médio prazo.
Em resumo: Porque Paulo Octávio renunciaria agora?
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Briga pela candidatura?
Yep. Não tem jeito.
O blog dos amigos do Magela tenta colocar em campo a candidatura do mesmo. Isto vai de encontro (ou seja chocar-se mesmo) com o que tem sido dito pela diretoria do PT em Brasília que o candidato é Agnelo.
Felizmente, este tipo de coisa não me surpreende.
Infelizmente, o mesmo parece ser verdade para quem deveria ficar surpreso.
É o estação dos cornos (chulo, eu sei - mas preciso)
O blog dos amigos do Magela tenta colocar em campo a candidatura do mesmo. Isto vai de encontro (ou seja chocar-se mesmo) com o que tem sido dito pela diretoria do PT em Brasília que o candidato é Agnelo.
Felizmente, este tipo de coisa não me surpreende.
Infelizmente, o mesmo parece ser verdade para quem deveria ficar surpreso.
É o estação dos cornos (chulo, eu sei - mas preciso)
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Governo Geral do Brasil
Estou lendo agora A Cruz, a Coroa e a Espada de Eduardo Bueno. E é um livro muito interessante.
Não estou muito adiantado no livro, mas vejo uma relação entre os direitos outorgados aos donatários pelo Rei e a subsequente confusão jurídica que se instalou nas capitanias que funcionaram.
Ao mesmo tempo é interessante a visão que a justiça daqueles tempos tem literalmente duas medidas diferentes para os delitos dependendo da classe social que o acusado pertencia.
Para quem era "comum", a justiça incluia até pena de morte. Já para quem não era "comum", as penalidades eram bem mais brandas.
Isto me faz pensar se este tipo de mentalidade não é o mesmo que encontramos aqui hoje em dia. Dado o que li no livro sobre Mauá, tendo a acreditar que parte dos nosso problemas começaram nesta época - o que mais ou menos quer dizer que não havia muita escapatória.
Ao mesmo tempo, a burocracia portuguesa era primariamente jurídica - era a burocracia dos juízes e desembargadores. O que de novo me faz pensar se não temos este ranço instalado no nosso sistema.
Pode ser paranóia, mas um país mais moderno precisa de uma burocracia mais eficiente. E isto mais ou menos alija a burocracia jurídica da jogada. Ao mesmo tempo, uma forma da burocracia jurídica retomar as rédeas da situação é engessando todas as iniciativas de eficiência que possam surgir.
Soa muito familiar, terrivelmente familiar. E o pior é que dados os privilégios, o engessamento não precisa nem ter fundamento - basta funcionar desta forma para atrapalhar.
Naturalmente, não acredito muito em conspirações - então se isto fosse verdade seria necessário uma forma de contraposição mais monolítica. Organizada não pela vontade humana, mas pelo coletivo de diversas vontades.
Não estou muito adiantado no livro, mas vejo uma relação entre os direitos outorgados aos donatários pelo Rei e a subsequente confusão jurídica que se instalou nas capitanias que funcionaram.
Ao mesmo tempo é interessante a visão que a justiça daqueles tempos tem literalmente duas medidas diferentes para os delitos dependendo da classe social que o acusado pertencia.
Para quem era "comum", a justiça incluia até pena de morte. Já para quem não era "comum", as penalidades eram bem mais brandas.
Isto me faz pensar se este tipo de mentalidade não é o mesmo que encontramos aqui hoje em dia. Dado o que li no livro sobre Mauá, tendo a acreditar que parte dos nosso problemas começaram nesta época - o que mais ou menos quer dizer que não havia muita escapatória.
Ao mesmo tempo, a burocracia portuguesa era primariamente jurídica - era a burocracia dos juízes e desembargadores. O que de novo me faz pensar se não temos este ranço instalado no nosso sistema.
Pode ser paranóia, mas um país mais moderno precisa de uma burocracia mais eficiente. E isto mais ou menos alija a burocracia jurídica da jogada. Ao mesmo tempo, uma forma da burocracia jurídica retomar as rédeas da situação é engessando todas as iniciativas de eficiência que possam surgir.
Soa muito familiar, terrivelmente familiar. E o pior é que dados os privilégios, o engessamento não precisa nem ter fundamento - basta funcionar desta forma para atrapalhar.
Naturalmente, não acredito muito em conspirações - então se isto fosse verdade seria necessário uma forma de contraposição mais monolítica. Organizada não pela vontade humana, mas pelo coletivo de diversas vontades.
Monkeysphere
Este termo foi cunhado por David Wong para representar o número de Dunbar.
O conceito é intuitivo quando se sabe um pouco de sistemas de informações mas tem implicações profundas sobre como a sociedade funciona e como os seres humanos funcionam em geral.
A idéia principal é que qualquer que seja o funcionamento do nosso cérebro, existe uma capacidade de armazenamento finita nele. Então devido a esta capacidade de armazenamento finita o número de conexões estáveis que podemos realizar com outros seres humanos também é finito.
Um camarada chamado Robin Dunbar estimou este número em 150. Ele estimou baseado em regressões na população de símios e suas comunidades (tribos? bandos?).
A questão é que este número não pode realmente ser muito alto. Se considerarmos a quantidade de informação que guardamos com relação as pessoas que fazem parte do nosso círculo de relacionamentos, fica bem claro que não dá para realmente guardar informação de muitas pessoas.
Vamos fazer uma listinha?
- Nome
- Características físicas (isso é um monte de informação)
- Características vocais (isso também é um monte de informação)
- Dados pessoas (mini bio)
- Características do relacionamento entre si.
- Relacionamento com outras pessoas do seu círculo de relacionamentos.
Guardar estas características de todas as pessoas que você já conheceu pode se tornar rapidamente impossível (ou pelo menos tomando um bocado de energia).
Mas não é só isso. Ainda é necessário guardar informações dos relacionamentos entre as diversas partes. Como se vê rapidamente esta quantidade de informação cresce.
Então devem existir limites.
Do jeito que funcionamos, imagino que devemos categorizar as pessoas dentro de círculos de relacionamento. Os círculos mais internos contém maior quantidade de informação sobre as pessoas dentro daqueles círculos. Quanto mais externos, menos informações guardamos e progressivamente menos nos importamos.
Isto poderia explicar porque somos afetados mais pela vida das pessoas dos círculos internos do que dos externos.
E considerando nossa capacidade de abstração, imagino eu que juntamos mais e mais pessoas que não conhecemos dentro de categorias abstratas.
Então temos: o governo, os outros motoristas, os taxistas e afins...
Isto também explica um pouco a nossa sujeição aos preconceitos: eles não são coisas ruins criadas pela sociedade, mas meramente categorizações incompletas criadas por nós mesmos - com uma ajuda dos nossos relacionamentos.
A vida fica mais fácil e nos tornamos um tanto quanto indiferentes aos seres que não fazem parte dos nossos círculos. Seria de se esperar que como esta indiferança advém do nosso funcionamento, então nosso comportamento também reflita a mesma,
E as evidências suportam estas conclusões. Comportamentos como o da tragédia dos comuns cabem perfeitamente neste modelo.
O modelo é bem razoável e a evidência está a favor. Isto quer dizer que é a verdade? Não. Mas quer dizer que este modelo captura este aspecto da verdade com bastante exatidão.
E o que podemos extrapolar?
Bem, não somos exatamente egoístas. Mas enquanto amar a humanidade pode estar no nosso DNA, amar todos os membros da humanidade parece não estar. E isto torna formas de organização que não levam isto em conta sujeitas ao fracasso...
O conceito é intuitivo quando se sabe um pouco de sistemas de informações mas tem implicações profundas sobre como a sociedade funciona e como os seres humanos funcionam em geral.
A idéia principal é que qualquer que seja o funcionamento do nosso cérebro, existe uma capacidade de armazenamento finita nele. Então devido a esta capacidade de armazenamento finita o número de conexões estáveis que podemos realizar com outros seres humanos também é finito.
Um camarada chamado Robin Dunbar estimou este número em 150. Ele estimou baseado em regressões na população de símios e suas comunidades (tribos? bandos?).
A questão é que este número não pode realmente ser muito alto. Se considerarmos a quantidade de informação que guardamos com relação as pessoas que fazem parte do nosso círculo de relacionamentos, fica bem claro que não dá para realmente guardar informação de muitas pessoas.
Vamos fazer uma listinha?
- Nome
- Características físicas (isso é um monte de informação)
- Características vocais (isso também é um monte de informação)
- Dados pessoas (mini bio)
- Características do relacionamento entre si.
- Relacionamento com outras pessoas do seu círculo de relacionamentos.
Guardar estas características de todas as pessoas que você já conheceu pode se tornar rapidamente impossível (ou pelo menos tomando um bocado de energia).
Mas não é só isso. Ainda é necessário guardar informações dos relacionamentos entre as diversas partes. Como se vê rapidamente esta quantidade de informação cresce.
Então devem existir limites.
Do jeito que funcionamos, imagino que devemos categorizar as pessoas dentro de círculos de relacionamento. Os círculos mais internos contém maior quantidade de informação sobre as pessoas dentro daqueles círculos. Quanto mais externos, menos informações guardamos e progressivamente menos nos importamos.
Isto poderia explicar porque somos afetados mais pela vida das pessoas dos círculos internos do que dos externos.
E considerando nossa capacidade de abstração, imagino eu que juntamos mais e mais pessoas que não conhecemos dentro de categorias abstratas.
Então temos: o governo, os outros motoristas, os taxistas e afins...
Isto também explica um pouco a nossa sujeição aos preconceitos: eles não são coisas ruins criadas pela sociedade, mas meramente categorizações incompletas criadas por nós mesmos - com uma ajuda dos nossos relacionamentos.
A vida fica mais fácil e nos tornamos um tanto quanto indiferentes aos seres que não fazem parte dos nossos círculos. Seria de se esperar que como esta indiferança advém do nosso funcionamento, então nosso comportamento também reflita a mesma,
E as evidências suportam estas conclusões. Comportamentos como o da tragédia dos comuns cabem perfeitamente neste modelo.
O modelo é bem razoável e a evidência está a favor. Isto quer dizer que é a verdade? Não. Mas quer dizer que este modelo captura este aspecto da verdade com bastante exatidão.
E o que podemos extrapolar?
Bem, não somos exatamente egoístas. Mas enquanto amar a humanidade pode estar no nosso DNA, amar todos os membros da humanidade parece não estar. E isto torna formas de organização que não levam isto em conta sujeitas ao fracasso...
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Estrutura Fundiária do Brasil
Quando eu estava na escola de primeiro e segundo grau (hoje ensino fundamental e médio), ouvia incessantemente sobre como a estrutura fundiária do Brasil tinha começado errado desde as capitanias hereditárias.
E para mim, sempre considerei aquilo como verdade.
O problema é que não é.
As capitanias hereditárias, tirando a de Duarte Coelho, nunca funcionaram direito. Para ser mais claro: foi uma tentativa fracassada de colonização do Brasil.
Vamos uma a uma:
Ao estudarmos estas capitanias veremos que o fracasso foi o destino de quase todas. Então como é que ficamos com a nítida impressão na escola que a estrutura fundiária vem daí?
Neste ponto acredito que é a junção de dois problemas: primeiro que a estrutura fundiária tem raízes em propriedades grandes mesmo e o fato das capitanias servirem como exemplo ajuda. E segundo que existe uma certa preguiça (ou talvez simplificação) no estudo do problema fundiário.
E a partir daí, a coisa desanda.
E naturalmente, ao ler um pouco mais sobre a capitania, pude entender finalmente porque o índio não se adaptou ao trabalho tendo sido substituído por escravos da África.
O índio não se adaptou ao trabalho escravo quando os mesmos não eram fornecidos de tribos rivais. Ou seja, os índios não tinham muito problemas desde que os colonizadores os deixassem em paz.
Não deixaram...
Então como prova da sua incapacidade de adaptação ao trabalho, os índios e aliados destruiram tudo que poderia funcionar nas capitanias em instalação. E no processo mataram um bom número de colonizadores.
Isso é que é falta de adaptação...
E para mim, sempre considerei aquilo como verdade.
O problema é que não é.
As capitanias hereditárias, tirando a de Duarte Coelho, nunca funcionaram direito. Para ser mais claro: foi uma tentativa fracassada de colonização do Brasil.
Vamos uma a uma:
Ao estudarmos estas capitanias veremos que o fracasso foi o destino de quase todas. Então como é que ficamos com a nítida impressão na escola que a estrutura fundiária vem daí?
Neste ponto acredito que é a junção de dois problemas: primeiro que a estrutura fundiária tem raízes em propriedades grandes mesmo e o fato das capitanias servirem como exemplo ajuda. E segundo que existe uma certa preguiça (ou talvez simplificação) no estudo do problema fundiário.
E a partir daí, a coisa desanda.
E naturalmente, ao ler um pouco mais sobre a capitania, pude entender finalmente porque o índio não se adaptou ao trabalho tendo sido substituído por escravos da África.
O índio não se adaptou ao trabalho escravo quando os mesmos não eram fornecidos de tribos rivais. Ou seja, os índios não tinham muito problemas desde que os colonizadores os deixassem em paz.
Não deixaram...
Então como prova da sua incapacidade de adaptação ao trabalho, os índios e aliados destruiram tudo que poderia funcionar nas capitanias em instalação. E no processo mataram um bom número de colonizadores.
Isso é que é falta de adaptação...
Mais problemas da URP
Recomendo aos interessados que dêem uma olhada no blog Ciência Brasil do Prof. Marcelo Hermes.
Há muita informação interessante lá que é do interesse dos possíveis prejudicados.
Em resumo: a situação está a ponto de complicar de um modo que nunca antes foi visto na UnB.
É uma pena, mas....
Sei que é deselegante fazer isto , mas é mais forte do que eu.
Há muita informação interessante lá que é do interesse dos possíveis prejudicados.
Em resumo: a situação está a ponto de complicar de um modo que nunca antes foi visto na UnB.
É uma pena, mas....
EU AVISEI, EU AVISEI, EU AVISEI, EU AVISEI, EU AVISEI, EU AVISEI....
Sei que é deselegante fazer isto , mas é mais forte do que eu.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Bola de Cristal defeituosa?
Minhas previsões sobre a crise no DF se confirmaram em parte.
Mas ao mesmo tempo falharam em prever a prisão do governador ontem a noite.
E falharam mais ainda em que o STF iria negar o recurso de habeas corpus.
É bem verdade que eu havia dito:
Imagino que tivemos um pico de 2 mil a 3 mil no dia da repressão. E durante o tempo do conflito este número já era substancialmente menor. E ao contrário do que se tem falado, o número vem diminuindo a cada dia depois daquela tarde.
E realmente isto ser verificou, quando tentou-se repetir este número nesta quarta e o mesmo não chegou a 300 (e mesmo este número foi inchado).
Ao mesmo tempo boa parte do que foi predito realmente aconteceu:
Nada mal como análise no dia 4 de dezembro.
Mas a prisão de Arruda e a negação do habeas corpus? Nunca imaginei mesmo
Mas ao mesmo tempo falharam em prever a prisão do governador ontem a noite.
E falharam mais ainda em que o STF iria negar o recurso de habeas corpus.
É bem verdade que eu havia dito:
Imagino que tivemos um pico de 2 mil a 3 mil no dia da repressão. E durante o tempo do conflito este número já era substancialmente menor. E ao contrário do que se tem falado, o número vem diminuindo a cada dia depois daquela tarde.
E realmente isto ser verificou, quando tentou-se repetir este número nesta quarta e o mesmo não chegou a 300 (e mesmo este número foi inchado).
Ao mesmo tempo boa parte do que foi predito realmente aconteceu:
- Estamos no final do ano. Com um pouco de habilidade, este problema pode ser empurrado para 2010. Mas ele não vai sumir. Ainda assim o tempo é um aliado de algumas das pessoas sob acusação.
-
- Os interesses minoritários irão certamente utilizar esta oportunidade para aumentar a sua projeção ao máximo possível. A estratégia natural destes é sempre de tentar criar maior espaço utilizando a confusão como arma.
- Os interesses majoritários tem interesse em que várias da iniciativas do atual governo continuem, mas infelizmente para eles não há um modo correto ou fácil de proceder isto sem que mantenham o apoio e consequentemente se exponham a um possível ataque.
Nada mal como análise no dia 4 de dezembro.
Mas a prisão de Arruda e a negação do habeas corpus? Nunca imaginei mesmo
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Demografia e Democracia
Este post trata de uma coisa espinhosa.
A questão é o que chamamos de indústria do entretenimento de massa.
Primeiro temos que contrapor entretenimento elitista com entretenimento de massa. O entretenimento elitista é realizado com vista ao seu consumo por uma elite, ou pelo menos uma audiência restrita. Como isto é feito? Em geral, somente o que é do agrado desta audiência restrita é que é efetivamente consumido. O restante sobra e pode ser descartado.
No fundo todo entretenimento de massa é uma forma de entretenimento elitista. O que difere é essencialmente a escala. E aí vem o primeiro ponto:
1) O entretenimento é realizado com vista ao seu consumo pela audiência esperada. Não adianta tentar criar uma forma de entretenimento aonde não existe mercado para o mesmo. É perda de recursos. Portanto os autores do entretenimento o realizarão com o objetivo de agradar a audiência desejada.
2) Quanto maior a audiência atingida, maior é a economia de escala e maiores os retornos do entretenimento. Essencialmente isto é o formato mais comum de retorno - quanto maior a audiência, maior o retorno.
3) Devido ao seu formato limitado a audiências específicas, o entretenimento elitista não tem a mesma penetração do entretenimento de massa.
4) O entretenimento de massa pode introduzir elementos específicos, mas em geral irá ser realizado com a expectativa de utilizar elementos facilmente reconhecíveis e interessantes para a audiência. Em poucas palavras: a Ilíada é um grande poema, mas não vai ser um campeão de vendas no espaço que hoje existe.
5) Por fim, quanto maior a audiência mais diferenciados devem ser os mecanismos de cobrança. Portanto, mais diferenciados devem ser os métodos de medida da eficiência de penetração da audiência.
Por que tudo isto?
Bem, tudo isto é para dizer que o entretenimento é um reflexo da população alvo. Podem existir elementos diferentes e novos, mas o mesmo é primariamente o que a audiência quer.
De uma forma simples podemos imaginar como os produtores lançam uma moeda. Se acertarem o que a audiência está pensando eles ganham dinheiro. Vamos supor que um percentual da audiência quer cara e outro quer coroa - o que sair vai agradar um determinado potencial. Quanto maior for este percentual, maior será o sucesso.
Então de uma forma torta temos "Vox Populi, Vox Dei"
A questão que vem disto é que realmente é interessante.
Por vezes, determinados setores da sociedade não se colocam de acordo com o que é apresentado como entretenimento de massa. E naturalmente, atacar a razão do entretenimento ser na forma que é tem uma tendência a parecer extremamente autoritário e anti-democrático.
O que se faz então? Atacar a população por mau gosto é uma proposta indigesta. Sobra portanto atacar o produtor do entretenimento de massa, ou pelo menos um dos elos que fazem esta cadeia. E aí temos várias opções, mas via de regra sobra para o distribuidor do entretenimento.
O setor da sociedade está certo em sua ação? Er... Não! O método continua sendo anti-democrático. Só que travestido com uma bandeira diferente. E aí pode escolher o seu estandarte:
"Moral e Bons Costumes" ou "Dominação Cultural Alienante"
Os dois filmes tem o mesmo enredo e o mesmo final...
A questão é o que chamamos de indústria do entretenimento de massa.
Primeiro temos que contrapor entretenimento elitista com entretenimento de massa. O entretenimento elitista é realizado com vista ao seu consumo por uma elite, ou pelo menos uma audiência restrita. Como isto é feito? Em geral, somente o que é do agrado desta audiência restrita é que é efetivamente consumido. O restante sobra e pode ser descartado.
No fundo todo entretenimento de massa é uma forma de entretenimento elitista. O que difere é essencialmente a escala. E aí vem o primeiro ponto:
1) O entretenimento é realizado com vista ao seu consumo pela audiência esperada. Não adianta tentar criar uma forma de entretenimento aonde não existe mercado para o mesmo. É perda de recursos. Portanto os autores do entretenimento o realizarão com o objetivo de agradar a audiência desejada.
2) Quanto maior a audiência atingida, maior é a economia de escala e maiores os retornos do entretenimento. Essencialmente isto é o formato mais comum de retorno - quanto maior a audiência, maior o retorno.
3) Devido ao seu formato limitado a audiências específicas, o entretenimento elitista não tem a mesma penetração do entretenimento de massa.
4) O entretenimento de massa pode introduzir elementos específicos, mas em geral irá ser realizado com a expectativa de utilizar elementos facilmente reconhecíveis e interessantes para a audiência. Em poucas palavras: a Ilíada é um grande poema, mas não vai ser um campeão de vendas no espaço que hoje existe.
5) Por fim, quanto maior a audiência mais diferenciados devem ser os mecanismos de cobrança. Portanto, mais diferenciados devem ser os métodos de medida da eficiência de penetração da audiência.
Por que tudo isto?
Bem, tudo isto é para dizer que o entretenimento é um reflexo da população alvo. Podem existir elementos diferentes e novos, mas o mesmo é primariamente o que a audiência quer.
De uma forma simples podemos imaginar como os produtores lançam uma moeda. Se acertarem o que a audiência está pensando eles ganham dinheiro. Vamos supor que um percentual da audiência quer cara e outro quer coroa - o que sair vai agradar um determinado potencial. Quanto maior for este percentual, maior será o sucesso.
Então de uma forma torta temos "Vox Populi, Vox Dei"
A questão que vem disto é que realmente é interessante.
Por vezes, determinados setores da sociedade não se colocam de acordo com o que é apresentado como entretenimento de massa. E naturalmente, atacar a razão do entretenimento ser na forma que é tem uma tendência a parecer extremamente autoritário e anti-democrático.
O que se faz então? Atacar a população por mau gosto é uma proposta indigesta. Sobra portanto atacar o produtor do entretenimento de massa, ou pelo menos um dos elos que fazem esta cadeia. E aí temos várias opções, mas via de regra sobra para o distribuidor do entretenimento.
O setor da sociedade está certo em sua ação? Er... Não! O método continua sendo anti-democrático. Só que travestido com uma bandeira diferente. E aí pode escolher o seu estandarte:
"Moral e Bons Costumes" ou "Dominação Cultural Alienante"
Os dois filmes tem o mesmo enredo e o mesmo final...
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Será o caso de dize-me com quem andas?
O blog da Ana Maria Campos mostra um pouco da história de Edson Sombra.
O que me interessa é este pedaço:
Com a voz grossa característica, ele comandou nos últimos quatro anos o programa "Na Boca do Povo", na rádio 104 FM que até o ano passado pertencia ao ex-senador Luiz Estevão. Com a venda da rádio, Sombra perdeu o programa.
Quem diria?
O que me interessa é este pedaço:
Com a voz grossa característica, ele comandou nos últimos quatro anos o programa "Na Boca do Povo", na rádio 104 FM que até o ano passado pertencia ao ex-senador Luiz Estevão. Com a venda da rádio, Sombra perdeu o programa.
Quem diria?
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Vítima de Preconceito
Ah, nossos preconceitos são muito fortes mesmo.
Eu listei anteriormente alguns traficantes de escravos que fizeram fortuna com suas viagens.
Mal sabia eu que estava caindo em uma armadilha preparada por anos de condicionamento: estave tentando associar estes homens à miséria do país. Como se os mesmos fossem parasitas da nação.
O problema é que as coisas não são tão simples: as famílias destas pessoas tiveram seu apogeu de glória e foram aos poucos diminuindo de importância.
Substituídos por novo dinheiro e novos interesses.
Certamente alguns ainda permanecem aqui e acolá, mas a grande maioria perdeu a importância que outrora teve. Desconfio até que de influência nacional, o poder foi gradualmente diminuindo até virar regional ou mesmo local.
E por fim a importância se torna mais imaginária do que real.
Eu listei anteriormente alguns traficantes de escravos que fizeram fortuna com suas viagens.
Mal sabia eu que estava caindo em uma armadilha preparada por anos de condicionamento: estave tentando associar estes homens à miséria do país. Como se os mesmos fossem parasitas da nação.
O problema é que as coisas não são tão simples: as famílias destas pessoas tiveram seu apogeu de glória e foram aos poucos diminuindo de importância.
Substituídos por novo dinheiro e novos interesses.
Certamente alguns ainda permanecem aqui e acolá, mas a grande maioria perdeu a importância que outrora teve. Desconfio até que de influência nacional, o poder foi gradualmente diminuindo até virar regional ou mesmo local.
E por fim a importância se torna mais imaginária do que real.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Mercadores de escravos
Como já disse antes: escravos não custavam pouco. E portanto, ter escravos era realmente para poucos.
Por curiosidade estou tentando relacionar o nome de alguns traficantes ou envolvidos no tráfico de escravos. Todos já morreram faz muito tempo mesmo
Fico curioso para saber como se sairam os descendentes
Por curiosidade estou tentando relacionar o nome de alguns traficantes ou envolvidos no tráfico de escravos. Todos já morreram faz muito tempo mesmo
- Francisco Pinheiro Neto
- Antônio Pinheiro Neto
- Baltazar Álvares de Araújo
- José Narciso Soares
- João Bonifácio Alves da Silva
- Manoel José de Magalhães
- Francisco José Luís Vieira
- José de Assunção Melo
- Joaquim José de Andrade e Souza Meneses
- João Ferreira Guedes
- José Antônio Rodrigues Viana
- família carioca Ferreira dos Santos
- José Ricardo da Silva
- família dos Velho da Silva
- Pedro Gomes Caldeira
- Simão Pinto de Queiroz
- Agostinho Gomes
- Antônio Cardoso dos Santos
- Luís Coelho Ferreira
- David de Oliveira Lopes
- Clemente José da Costa
- Inocêncio José da Costa
- Bernabé Cardoso Pereira Ribeiro
- José Pinheiro de Queirós
- Inácio Antunes Guimarães
- José Inácio Aviaivoli Vasconcelos Brandão
Fico curioso para saber como se sairam os descendentes
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O problema histórico
Como fica fácil de ver, devido aos nosso preconceitos e tendência natural para ver padrões, o ensino de história tende a ser pouco confiável.
Os fatos e datas estão em geral mais ou menos corretos. Mas o problema é que misturam-se com fantasias e preconceitos. As vezes estes são do nosso tempo, mas na maioria das vezes vem de antemão.
Isto deveria nos alertar sobre o mal que os preconceitos fazem no estudo de história. Mas ao invés disto a tendência é que nos consideremos superiores e deixemos os mesmos como "tolices dos antepassados".
Caso em questão: Potosi. A história de Potosi e do Rei Branco não só soa como falsa como provavelmente assim o é.
Como sei disto? Números...
É algo como um trabalho de detetive. Precisamos antes de mais nada descobrir evidências. E só a partir destas evidências é que poderemos traçar hipóteses e teses.
No entanto, como somos "superiores" deixamos nossos preconceitos - que aqui funcionam como a palavra ideologia - nos dominarem.
Vamos aos casos: primeiro do pau Brasil. No texto que estou lendo falam sobre 2700 troncos de pau Brasil pesando 70 toneladas. Vamos arrendondar para 2800 troncos.
Ora se 2800 troncos pesam 70 toneladas então 40 troncos pesam 1 tonelada. Isto quer dizer que 1 tronco pesa 1/40 toneladas ou 25 kg.
Um tronco de 25 kg? Isto não faz muito sentido, faz? Faria muito mais sentido um tronco com 250 kg, o que faria um total de 280 troncos reais - algo muito mais razoável.
E aí temos um exemplo dos números ilustrando que algo está errado na contagem.
Vamos ao caso do Potosi.
A suposta montanha tinha seis mil metros cubicos de prata.
Quanto é isto? Eu não estou com acesso a wikipedia, mas eu tenho a impressão que 1 metro cúbico de prata pesa 10.5 toneladas.
Então a prata toda corresponde a 60 mil toneladas de prata.
Mas segundo o wikipedia foram extraídos de 1556 até 1783 cerca de 45 mil toneladas de prata. Isto dá quase 200 toneladas por ano.
Como se transporta isto com um número reduzido de homens?
Dá para ver que também há algo errado com os dados. Mesmo assim, os livros de Eduardo Bueno são muito interessantes.
Os fatos e datas estão em geral mais ou menos corretos. Mas o problema é que misturam-se com fantasias e preconceitos. As vezes estes são do nosso tempo, mas na maioria das vezes vem de antemão.
Isto deveria nos alertar sobre o mal que os preconceitos fazem no estudo de história. Mas ao invés disto a tendência é que nos consideremos superiores e deixemos os mesmos como "tolices dos antepassados".
Caso em questão: Potosi. A história de Potosi e do Rei Branco não só soa como falsa como provavelmente assim o é.
Como sei disto? Números...
É algo como um trabalho de detetive. Precisamos antes de mais nada descobrir evidências. E só a partir destas evidências é que poderemos traçar hipóteses e teses.
No entanto, como somos "superiores" deixamos nossos preconceitos - que aqui funcionam como a palavra ideologia - nos dominarem.
Vamos aos casos: primeiro do pau Brasil. No texto que estou lendo falam sobre 2700 troncos de pau Brasil pesando 70 toneladas. Vamos arrendondar para 2800 troncos.
Ora se 2800 troncos pesam 70 toneladas então 40 troncos pesam 1 tonelada. Isto quer dizer que 1 tronco pesa 1/40 toneladas ou 25 kg.
Um tronco de 25 kg? Isto não faz muito sentido, faz? Faria muito mais sentido um tronco com 250 kg, o que faria um total de 280 troncos reais - algo muito mais razoável.
E aí temos um exemplo dos números ilustrando que algo está errado na contagem.
Vamos ao caso do Potosi.
A suposta montanha tinha seis mil metros cubicos de prata.
Quanto é isto? Eu não estou com acesso a wikipedia, mas eu tenho a impressão que 1 metro cúbico de prata pesa 10.5 toneladas.
Então a prata toda corresponde a 60 mil toneladas de prata.
Mas segundo o wikipedia foram extraídos de 1556 até 1783 cerca de 45 mil toneladas de prata. Isto dá quase 200 toneladas por ano.
Como se transporta isto com um número reduzido de homens?
Dá para ver que também há algo errado com os dados. Mesmo assim, os livros de Eduardo Bueno são muito interessantes.
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