terça-feira, 16 de outubro de 2012

Polichinelo Lógico

Mais uma vez vejo uma daquelas mentiras que as pessoas contam tentando jogar fumaça no palco do julgamento do STF. A mentira da vez é a seguinte: É injusta a condenação do mensalão do PT já que a privataria tucana não está também em julgamento!
Mais ou menos como torcida de time de futebol.
Como sou professor posso fazer uma analogia: imagine que eu pego um aluno "colando" e o mesmo reclama da injustiça, pois eu não peguei os outros colegas dele também "colando".
Acreditem é bem comum.
Parece mesmo injusto, não?
Mas bem comum mesmo...
Parece, mas notem o seguinte: o fato de outros alunos estarem "colando" não justifica o fato do aluno apanhado estar "colando". Mais ainda: a injustiça é não ter apanhado os colegas do mesmo, e não do dito cujo ter sido apanhado. Mais ainda: pegando ou não outros colando não minimiza em nada o fato que o aluno em questão  estivesse colando.
Este não é o tipo mais comum de cola em sala de aula.
Em suma: não apanhar os demais "meliantes" não é desculpa, justificativa, ou mesmo atenuante para a cola do aluno em questão.

Mas, por que ele usa isso como desculpa?

Aí tem que entender um pouco sobre o que o autor do ato está tentando fazer. Ele está tentando escapar, ou pelo menos minimizar a sua possível punição. E olhe que eu digo que quem cola está enganando a si mesmo, mas aí é outra história...

O que ele está fazendo é um processo de transferência de culpa. Se ele for bem sucedido, pode ser até que escape. O processo funciona da seguinte maneira:

  1. Todo mundo faz - ele afirma que não era o único colando, portanto seu comportamento seria "justificável", ou pelo "menos socialmente comum".
  2. Foi uma injustiça - ele indiretamente indica que o professor não cumpriu seu dever em coibir a cola já que outros "colaram" e escaparam impunes.

Olha, posso dizer de experiência própria que é muito fácil cair nestas armadilhas...

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A dado B e B dado A

Eu já discorri diversas vezes sobre uma falácia comum de tomar o efeito pelas causas. Ela é muito utilizada nas mais diversas argumentações contra e a favor dos mais diversos tópicos.

Este post é para ajudar o claro leitor a identificar quando isto esta sendo usado.

Uma forma matemática de definir este problema é através de probabilidade, e mais especificamente através da probabilidade condicional. Vamos ver como usar esta ferramenta.

Primeiro, a probabilidade de um evento A ocorrer é designada como p(A). Vamos a um exemplo primeiro: qual é a chance de um bebê nascer menina? Há duas possibilidades: menino (h) e menina (m). Para saber qual é chance de o bebê nascer menino p(h) temos de dividir o número de bebês meninos Nh pelo universo total de bebês (meninos Nh e meninas Nm). Em termos matemáticos:

p(h) = Nh/(Nh+Nm)

Naturalmente, isto quer dizer que a chance do bebê nascer menina p(m) será:

p(m) = Nm/(Nh+Nm)

O leitor pode notar que a soma das probabilidades é necessariamente:

p(h)+p(m) = Nh/(Nh+Nm) + Nm/(Nh+Nm) =(Nh+Nm)/(Nh+Nm) = 1

Isto, matematicamente, quer dizer que estamos cobrindo todos os eventos possíveis. Daqui podemos obter várias identidades da teoria de probabilidades, mas isto é outra história. Já a probabilidade condicional implica em um relacionamento entre a chance de um evento A ocorrer dada a ocorrência de um evento B (indicado por p(A|B)).  Vamos então a um exemplo: Em uma classe 25% dos alunos passaram nos dois testes aplicados. No segundo teste 75% passaram. Qual a porcentagem de alunos que passaram no primeiro teste também passaram no segundo teste? Vamos dar nome aos bois primeiro:

P(Passaram Teste 1 e Passaram Teste 2) = 0.25
P(Passaram Teste 2) = 0.75
P(Passaram Teste 2 dado que Passaram Teste 1) é o que queremos saber.
Diagrama de Venn.
O que queremos saber é P(Passaram Teste 2 dado que passaram Teste 1)? Este problema pode ser resolvido pela fórmula de Bayes:

P(Passaram Teste 1 e Passaram Teste 2) = P(Passaram Teste 2)*P(Passaram Teste 2 dado que Passaram Teste 1).

Logo:

0.25=0.75*P(Passaram Teste 2 dado que Passaram Teste 1), ou seja, P(Passaram Teste 2 dado que Passaram Teste 1) = 1/3 =(0.3333...).

Matematicamente, podemos dizer o seguinte: estamos relacionando o número dos que passaram no Teste 1, com o número dos que passaram no teste 2, com o número total de alunos, e com o número de alunos que passaram nos testes 1 e 2.

Muito bem, e o que isso tem a ver com a falácia de tomar as causas pelo efeito? Bem, esta falácia é essencialmente confundir p(A|B) com p(B|A). Apesar de parecerem iguais, os dois podem ser bastante diferentes. Um exemplo clássico: p(bandido | pobre) com p(pobre | bandido). Quão diferentes os dois podem ser?

Bem, p(bandido | pobre) é a razão do número de pessoas que são bandidas em uma população de pobres. Matematicamente é isso: a população de pobres (Np) é composta por dois tipos de pessoas, as que são bandidas (Npb) e as que não são bandidas (Npnb). Como a população é composta destes dois elementos então: Np=Npb+Npnb. O que estamos calculando p(bandido | pobre) é:

p(bandido | pobre) = Npb/Np = Npb/(Npb+Npnb)

p(pobre | bandido) é a razão do número de pessoas pobres em uma população de bandidos. Matematicamente é isso: a população de bandidos (Nb) é composta por dos tipos de pessoas, as que são pobres (Nbp) e as que não são pobres (Nbnp). Como a população é composta destes dois elementos então: Nb=Nbp+Nbnp. O que estamos calculando p(pobre | bandido) é:

p(pobre | bandido) = Nbp/Nb = Nbp/(Nbp+Nbnp)*

Note que apesar do numerador ser o mesmo se o conjunto for toda a população (Npb=Nbp), o denominador não necessariamente é o mesmo, e isto faz com que as probabilidade não sejam necessariamente iguais. Elas podem até ser iguais, mas este é o caso particular, e não o geral.

E é aí que a falácia ocorre. Ao julgarmos p(filha da p. | característica X), consideramos isto igual a p(característica X | filha da p.). Não é...

Mas, um aviso é importante: apesar de soar como, isto não é necessariamente preconceito. Nosso funcionamento é assim, usamos este tipo de racionalidade é o que fazemos ao identificarmos padrões. O mais importante é entendermos que fazemos isto naturalmente, mesmo que isso seja falacioso.

* Agradeço ao leitor que corrigiu meu erro! Muito obrigado!

sábado, 13 de outubro de 2012

Raízes

Uma série muito boa dos anos 70 foi Raizes.

A série contava a história do ancestral do escritor Alex Haley: Kunta Kinte.

Infelizmente, não tive oportunidade de ler o livro original.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Foi o Crime, Estúpido!

Li neste dia das crianças uma coluna da Barbara Gancia intitulada: Bem x Mal.
Eu gostava dos artigos dela, mas acho que o tempo passou...
E fiquei, mais uma vez, triste em ver como, mais uma vez, pessoas que eu costumava ler com gosto entraram em uma "viajem intileqtuau" para salvar os condenados do julgamento do mensalão. Neste lamentável exemplo de "não entender p.n" do que ocorre, temos algumas pérolas que precisam ser analisadas.
E já que não faz sentido, então a colunista resolveu inventar um sentido!
Vamos aos pontos do texto:
Os cornos de José Dirceu?
É claro que quem tem culpa que pague o que deve. E eu também, co­mo todo o resto do Ocidente (excluindo talvez o Suriname, Cuba e a Cristina Kirchner --que deve sentir coisas por ele), não vou com os cornos do Zé Dirceu. O homem escondeu a pró­pria identidade da mulher, vive de amassos com os Castro, não é exatamente exemplo de democrata e blá-blá-blá-blá-blá.
O ponto aqui é não gostar ou não do José Dirceu, mas se ele fez o malfeito ou não. Não é torcida de futebol, é a questão é de culpa ou não. Ou em outras palavras: Foi o crime, estúpido!
Imagine só se foi exagero da colunista?
Acontece que não consigo disso­ciar a imagem de Joaquim Barbosa de Torquemada e o julgamento do mensalão da Inquisição. Estamos assistindo a um massacre e há mui­to ainda a considerar.
Mais uma vez, não tem nada a ver com torcida de futebol. A questão é absolutamente outra. Suspeito que a colunista esteja associando a atuação do juiz com a imagem de um fortão humilhando fraquinhos - o que não é o caso.

As profecias deles são famosas, embora um bocado erradas.
Diziam que o julgamento seria parcial porque Lula havia escolhi­do os juízes. Não aconteceu. Aliás, essa desconfiança preconceituosa me faz lembrar o terceiro mandato de Lula, que não houve.
Enunciavam também que o men­salão ia dar a vitória a Russomanno em primeiro turno. Não aconteceu. Por sinal, a economia nem vai tão bem e Haddad lidera as pesquisas.
E Lula, ora, Lula foi o grande ven­cedor do primeiro turno (tadinha da Martoca) e vai levar São Paulo de enxurrada, né não?

Muito, bem, mas é daí? O que isso tem a ver com o julgamento do mensalão? Aliás quem disse isso? Os maias?
Talvez seja da nossa cultura: ignorância com opinionismo!
Fica claro tam­bém que a classe média alta que se diz informada, mas que raramente acaba obtendo colocação profissio­nal fora do âmbito familiar, quer ver o PT ser varrido do mapa. Essa é a turma que torce como nunca no Fla-Flu do julgamento do STF.
Nos últimos tempos, até a Dilma eles têm tratado com um desdém que antes não havia ali. Já para o zé povinho, tanto faz. Para a perifa, obviamente não só despida de pre­conceito contra o Lula como iden­tificada com ele até a alma e beneficiada pelas mudanças sociais, escândalo de compra de votos da reeleição, anões do Con­gresso, Sivam, Zé Dirceu, Collor... é tudo a mesma lasanha.

Dá para sentir o veneno escorrendo em cada letra (classe média alta, raramente obtendo colocação profissional fora do âmbito familiar, torce no Fla-Flu do STF...). O julgamento reflete sim no PT, mas por causa do malfeito em si, e na pseudo imagem de partido limpo que o PT tenta ainda manter de qualquer modo. De novo, foi o crime, estúpido!
As faces da Inocência e da Culpa? Ou simplesmente dois camaradas que abusaram do seu poder?
Eu até concordo que a gente quei­ra ver canalhas ricos o bastante pa­ra contratar advogados top na ca­deia. Mas, vem cá: o Genoino, gen­te? Todo mundo conhece o Genoi­no, sabe que ele não vive no luxo. E não merece o que está acontecen­do.
Nesta semana vi gente com san­gue nos olhos dizendo que queria vê-lo atrás das grades. Isso não po­de ser sede de justiça. É outra coisa. É preconceito puro. E olha que o Muro de Berlim já caiu há mais de 20 anos!

Mais uma vez: e daí? É perfeitamente normal condenar José Dirceu dado que ele cometeu um ato ilícito, mas é um absurdo condenar José Genoíno dado que ele cometeu um ato ilícito? O preconceito aqui é da colunista: penalidades infinitas a quem não se gosta, não importando inocência ou culpa, e perdão infinito a quem se gosta, não importando inocência ou culpa. Pergunto: isso é justiça?
Perceba, caro leitor: segundo a colunista esta capa é uma deturpação muito danosa ao país!
É uma deturpação das mais dano­sas ao país colocar na capa da maior revista semanal tapuia uma crian­ça negra e pobre que subiu na vida pelo próprio esforço como se ela fosse o novo Pelé.
É como se a classe dominante dissesse: "Os nossos pretos pobres são melhores do que os deles". Os negros pobres do Lula precisam do Bolsa Família e de cotas para chegar lá. Joaquim Barbosa (que, note, se declara eleitor do PT) venceu sozinho, não precisou de "política assistencialista", não é mesmo? Pessoal ainda não enten­deu que não é muleta, mas repara­ção por séculos de apartheid social.

Notem que tudo isso está na cabeça da colunista. E daí que a maior revista coloque a foto de Joaquim Barbosa? O mensalão não é notícia? A condenação de políticos e empresários neste esquema de corrupção não é histórica? O artífice mor dessa condenação não esta sendo justamente Joaquim Barbosa? Sei não viu, mas senti um cheirinho de preconceito nisso...
Não, cara colunista. O sentimento é de fim da impunidade mesmo...
Seria lição de democracia se do julgamento do STF constassem não só PT, mas PSDB, DEM etc. Julgar ignorando garantias, sem direito a recurso e partindo da cer­teza de que quanto menos provas, maior o poder do réu e, portanto, hipoteticamente, maior sua culpa, é inver­ter a lógica. Isso não pode ser coisa boa, viu, "Times" de Londres?
Muito provavelmente, a colunista não leu as 50 mil páginas da AP-470. Portanto TUDO ISSO QUE ELA ESCREVEU ACIMA É OPINIÃO SEM NENHUM EMBASAMENTO. A colunista poderia muito bem estar falando sobre as emoções das plantas, ou coisa que valha.
Apenas uma alegoria...
Conclusão? Temos aqui apenas uma peça de opinião. E mais opinião com preconceitos, com suposições e ignorância. Pura e simples....

Mas engraçado mesmo é a reação do PT aos pensamentos de Barbara Gancia - ontem e hoje.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Racionalizações

Na última terça-feira, José Dirceu foi condenado no já famoso julgamento do mensalão no STF.
A coisa ficou complicada para ele.
Em momentos como esse eu fico imaginando o que determinadas figuras (praticamente públicas) estavam pensando (como por exemplo: Leonardo Boff, Paulo Moreira Leite (mais de uma vez), e esse bando de gente desta carta aqui). 
É mais ou menos assim que esse pessoal da carta vê o STF - a banda que condenou Dirceu, é claro.
Mas mais do que estes casos, eu fico pensando sobre o personagem condenado em questão: José Dirceu.
O tempo passa, e as fotografias contam a história... Ou pelo menos, parte dela.
Sim, ele publicou no blog dele um texto do tipo jus sperneandi. No fundo apenas tenta passar a idéia que, do mesmo modo que foi "caçado" em 1969 por motivos políticos, também está sendo cassado agora por motivos políticos.
De lá para cá, ele aprendeu a lidar com a imprensa em outros termos.
Claro que é uma falácia: as circunstâncias, motivos, ações e resultados de 2012 são totalmente diferentes de 1969. No fundo é mais uma tentativa se passar por vítima de perseguição. Como já mencionei neste blog, errar é humano, mas o que se faz a partir disso é que define o caráter de uma pessoa.
Picaretas mesmo!
Mas uma vez que se é condenado na mais alta corte do país, de modo bastante público, pelos decanos da justiça brasileira (beeemmm, não vou cutucar esse ninho de vespas), então como conciliar a auto-imagem de bom mocinho com o comportamento de vilão?
Duas caras - começou mocinho e terminou vilão...
Eu sempre fiquei um tanto surpreso sobre como os vilões eram retratados de modo um tanto quanto superficial em várias representações artísticas. Um dos casos mais bizarros é o da série de videogames/ filmes Resident Evil). O vilão é uma corporação, cujo plano de negócios parece ser causar o apocalipse (não creio que isto constitua um sucesso comercial, sob qualquer ótica).
Plano de negócios digno da SPECTRE.
Isso faz algum sentido para alguém? E qual seria a auto-imagem desta companhia (os quatro cavaleiros do apocalipse, talvez)?
Mocinho ou Bandido? Bem, parece que a decisão depende das datas...
Pois no caso de José Dirceu (e de outro José, o Genoíno) após a condenação há a tentativa de se transmutar do papel de vilão para o papel de vítima. Mas e quando o malfeito estava ocorrendo, o que estes senhores diziam para si mesmos?
Revolução Cultural: Uma grande idéia pelo "bem maior"?
Suspeito que o papel era o de salvadores da pátria, que estariam fazendo coisas erradas pelo "bem maior" (a história está cheia de gente assim - alguns até podem ser caracterizados como assassinos em massa, mas este são casos extremos). No caso em questão, o problema é o desvio de recursos para finalidades fora da alçada do que o executivo poderia fazer.
Companhia de Envio ao Campo: Outra grande idéia pelo "bem maior"?
Mas, ainda assim, continua sendo errado. E continua sendo crime.
No tempo delle o entendimento era outro.
Mas dito tudo isso, há um ponto importante a salientar: do julgamento do STF de Collor para o julgamento do STF do Mensalão ocorreu uma mudança na interpretação do que constituiria "prova" para condenação. E neste ponto, o choramingar dos condenados tem um ponto de razão: o espírito mudou de 1994 para cá.

Muita água passou debaixo da ponte...

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Eu estava só Brincando...

Caro leitor, você já se viu em uma situação aonde uma pessoa faz um comentário inapropriado (ou às vezes ofensivo), apenas para depois dizer que é "Brincadeira apenas, gente"?

Pois é, o advogado de Delúbio Soares fez algo assim "Para nós, fotógrafo e jornalista bom é jornalista morto"

Naturalmente, lendo a notícia, dá a entender que o comentário foi feito em tom jocoso. Mas e se fosse com os comunistas, reis, capitalistas, advogados, ou coisa parecida?
Se bem que há casos aonde, mesmo mortos, eles ainda se tornam atração turística
E há outros casos em que, mesmo mortos, eles seguem em carreira de sucesso no entretenimento.
A pergunta aqui é que se trocarmos "fotógrafo e jornalista" por outra profissão (policial, político, professor...), orientação sexual (heterossexual, homossexual), religiosa (cristão, ateu, muçulmano) ou que valha (capitalista, comunista, socialista...), será que ainda dá para argumentar que é brincadeirinha?

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Confiança

Acabei de ver o documentário Chasing Madoff.

O filme trata da luta de Harry Markopolos para derrubar o esquema Ponzi de Bernard Madoff.
Esta figura ajuda a entender porque o esquema entra em colapso.
Um esquema Ponzi é essencialmente um golpe do tipo pirâmide. Estes esquemas são famosos e costumam reaparecer com frequência. Mas o que interessou no filme foi a inação dos orgãos de controle americanos, a inação dos investidores interessados e a inação da imprensa no caso.
Quem vê cara, vê coração?
Vendo algo assim, a primeira impressão é de uma gigantesca conspiração aonde todos estavam envolvidos.
Conspirações: só para pessoas que se vestem como  em Assassins Creed.
E vendo as opiniões de Markopolos, esta impressão é reforçada.
Este é o tipo de imagem que não ajuda a estabelecer confiança.
Só que suspeito que algo mais complexo estava em jogo: a confiança que todos tinham no esquema. Digo isto por dois motivos:

  1. Quem vê a imagem de Markopolos no documentário fica com impressão que o camarada é um tanto paranóico e amalucado (o que não invalida seus argumentos, mas danifica sua credibilidade).
  2. As pessoas que foram alertadas sobre Madoff pareciam escolher não acreditar no que estava sendo dito, não importando quantas provas fossem fornecidas a respeito.

E claro que além disso, desconfio muito de argumentos baseados em conspirações multinacionais com tentáculos em todos os níveis.

Não é incomum que haja algum tipo de polarização cognitiva por trás destes casos. Eu vejo isto frequentemente em política, futebol, religião...
Evidentemente que há algo errado com isso.
A lição aqui é a seguinte: preste atenção às evidências. Ignorar sua existência pode custar caro.

domingo, 7 de outubro de 2012

O Valor de Um Voto

Muito se fala na impessoalidade da democracia, e como o voto individual não vale nada.

Bom, venho aqui apresentar dois casos, talvez não extraordinários, mas que pelo menos exemplificam que a idéia acima está equivocada.

Conheçam o resultado da eleição de dois municípios: Balsa Nova e Bananal.


Prefeito

E EleitoRe Reeleito2ºT 2º Turno

  • Foto de Luiz CostaLuiz CostaPMDBE46,26%3.869 VOTOS
  • Foto de Marcos ZanettiMarcos ZanettiPDT46,26%3.869 VOTOS
  • Foto de VicoVicoPSDB7,47%625 VOTOS
  • BRANCOS1,45% (127)
  • NULOS2,84% (248)
  • VOTOS VÁLIDOS95,71% (8.363)



Prefeito

E EleitoRe Reeleito2ºT 2º Turno

  • Foto de Mirian BrunoMirian BrunoPVE28,54%1.849 VOTOS
  • Foto de PelecoPelecoPSDB28,54%1.849 VOTOS
  • Foto de GodôGodôPP23,97%1.553 VOTOS
  • Foto de David MoraisDavid MoraisPSB18,94%1.227 VOTOS
  • BRANCOS2,20% (153)
  • NULOS4,71% (328)
  • VOTOS VÁLIDOS93,09% (6.478)

Notem que o número de votos para os candidatos foi igual. O resultado é que o mais velho é eleito.

Apenas 1 voto desempataria e levaria um deles à prefeitura (nem vou falar dos casos que o candidato foi eleito por apenas 1 voto). A lição aqui é a seguinte: cada voto conta.

sábado, 6 de outubro de 2012

Arrakis

Uma das minha adaptações preferidas de um livro para filme é Dune.

Também tive a sorte de encontrar o filme em duas partes no Youtube. Parte 1.

Parte 2.

Apesar de existir uma outra versão de 1984, eu prefiro a minissérie
.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Culpando o Vento.

Saiu um artigo de Joaquim Falcão sobre a abilolada prisão do presidente do Google do Brasil.
Este camarada é o presidente da Google do Brasil.
O artigo intitulado os Legisladores prenderam o diretor do Google fala sobre a inadequação da legislação brasileira (em particular a eleitoral) aos novos meios de comunicação.

O artigo toca em um ponto muito relevante: realmente fica difícil conciliar o que foi escrito em termos da legislação eleitoral às novas formas de interação online. Vou até mais além dizendo que, pela própria natureza adaptativa e evolutiva destas formas de comunicação, legislar sobre elas é provavelmente fútil - pelo menos no ponto de controle.

Mas enquanto tudo isso está certo, tem um parágrafo final que meio que estraga o artigo: De resto é improvável que um juiz mandasse prender o editor responsável da Folha ou do Globo, mas quem prendeu o gerente da Google foi a legislação, a atual regulação eleitoral da internet. Não foram os juízes. É preciso mudar. 

E aí o raciocínio derrapa...

Como mostrar a falha do raciocínio? Bem, logo depois o mesmo juiz mandou soltar o presidente. Isto significa que entre a decisão da prisão e a decisão da soltura algo aconteceu. Ou em outras palavras: algo mudou.

O que mudou? O diretor não fez nada encarcerado que mudasse a situação.

O que mudou? A legislação não se alterou enquanto o diretor estava encarcerado.

O que mudou? O que mudou foi a opinião do juiz.

A única coisa que mudou foi a opinião do juiz. O papel do juiz é exatamente o de mediar a letra da lei com a realidade. Se ele percebeu que cometeu uma injustiça, ou se deu conta do ridículo da situação isto não importa. O que é importa é que o resultado foi a liberação do diretor.

Essa situação me parece análoga ao do atleta que culpa o resultado ruim devido ao vento. Podem até ocorrer casos aonde isto é verdade, mas frequentemente cai na categoria de My Dog Ate My Homework.
Yeah, right...
Não, excelência, quem prendeu o diretor do Google no Brasil foi o juiz. E foi Ridículo!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O Efeito Highlander II

Este é o nome que dou a determinadas ações ou acontecimentos que estragam não só a atuação presente das pessoas, como também lançam dúvidas sobre atuações passadas.
O efeito é uma "homenagem" ao filme com mesmo nome.
O nome é uma brincadeira com o filme Highlander II. O filme, que deveria ser uma sequência de Highlander,  é tão ruim que acaba não apenas por se destruir, como também estragar um pouco o seu predecessor. O mesmo quase destruiu a franquia.
Até hoje saem "edições especiais" tentando desfazer o estrago.
Infelizmente, este efeito costuma ocorrer com frequência.
Os sorrisos são até parecidos, não?
Talvez seja um problema de supormos coerência em um mundo incoerente, com pessoas incoerentes. Mas o fato é que vez por outra, o efeito ocorre e ficamos entre duas opções: conformamos que nos enganamos sobre o que acreditavamos, ou negarmos o que está diante dos nossos olhos...
Até no meu mundinho... Vê se pode...
Mas ainda mais interessante que este efeito é a surpreendente negação de diversas pessoas quando ele ocorre. Eu já vi isto ocorrendo em política, em economia, no entretenimento, e mesmo no meu mundinho. O que acontece é o seguinte: as coisas dão errado de modo particularmente espetacular, mas as pessoas insistem na seguinte sequência:

  1. Não ocorreu, é você que está imaginando coisas
  2. Ocorreu, mas não foi da forma que você entendeu
  3. Você é um perseguidor filho da p.

Eppur si muove...

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Densidade de Energia é a Chave

Como já disse diversas vezes, estou em perdendo peso de acordo com a técnica de restrição calórica (basicamente contar calorias). Mas ao mesmo tempo venho fazendo exercícios também.
Tem de ser claro: restringir calorias não significa comer pouco.
Na realidade a maioria das pessoas acredita que só o exercício emagrece. Mas, apesar do mesmo emagrecer, o efeito é bem menor do que se espera. Um exemplo é que uma corrida de 15 minutos gasta 150 Calorias (quase o equivalente a uma barra de chocolate de 25 gramas). Um exemplo mais claro é que se você andar por quinze minutos, ao tomar uma lata de coca-cola irá ganhar não só todas as calorias perdidas na caminhada, mas também algumas extras.
Delicioso perigo à vista
Então, a idéia de emagrecer só com exercícios demanda uma quantidade absurda de atividade física diária. E isto significa que o melhor modo de perder peso é mesmo combinar atividade física com diminuição do consumo de calorias. É possível comer de tudo, desde que o balanço calórico diário seja negativo. Isso é simples, desde que se saiba quantas calorias tem cada item da alimentação.
Bebidas Esportivas: uma boa idéia para esportistas. Mas apenas para  atletas de verdade, não para os de mentirinha.
Mas há um segundo ponto aqui: certos alimentos tem maior densidade de energia (mais calorias por grama). Mas o nosso corpo não "sinaliza" a satisfação alimentar pela quantidade de calorias, mas pelo volume consumido. Então um truque é comer mais alimentos com menor densidade de energia. E assim podemos nos sentir satisfeitos com menos calorias. Um exemplo: uma fatia de melancia de 100 gramas tem 24 Calorias (ou seja 0.24 Calorias/grama), mas uma fatia de 10 gramas de bacon tem 54 Calorias (ou seja 5.4 Calorias/grama).
Evidentemente, não é este  o bacon em questão.