Devo lembrar ainda o problema do anacronismo. Em poucas palavras neste caso é olhar o passado com os olhos de hoje.
Isto é uma falácia lógica primariamente pelo problema da cronologia: a análise feita hoje se beneficia do desenlace do processo. Isto é bem diferente da tomada de decisão enquanto o processo ocorre.
Este tipo de falácia é muito comum. Um exemplo: há os que acreditam que o processo de privatização estava fadado ao sucesso devido a venda ter sido a preço de banana. Ah, mas foi a preço de banana? 18 meses depois e a Telebrás não valeria metade do seu valor de venda (o que aconteceu 18 meses depois? Eu não vou falar, afinal como se pode ser profeta do passado se nem o passado se conhece direito?).
Outra falácia lógica é da evolução tecnológica. Essa é particularmente divertida pois assume uma direcionalidade que na realidade não aconteceu de modo algum. Um exemplo? Em 2001, a tecnologia TDMA ficou em um beco sem saída. Com a decisão da At&T wireless de não prosseguir o caminho evolutivo do TDMA para o 3G, então isto praticamente encerrou o caminho evolutivo do TDMA.
Portanto, nada mais de evolução para 3G a partir do TDMA. Opa, e as operadoras que apostaram no TDMA?
Ora, tiveram que se virar. E torrar uma grana preta para arranjar um caminho evolutivo (que acabou sendo o GSM).
Nada linear como pode ser visto.
Agora vamos fazer o exercício teórico de imaginar que ao invés de operadoras privadas, tivéssemos ainda um sistema estatal.
E aí? Quem é que iria pagar a conta, levar a culpa e ser crucificado em praça pública pela decisão de torrar BILHÕES em um sistema como o TDMA na telefonia celular brasileira.
Ou seja, fácil fazer conjecturas quando se sabe o desenlace e não se sabe todos os percalços que levaram a este desenlace.