segunda-feira, 11 de junho de 2012

Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - 29

Cerveja não engorda? Think again...
Retirado de Free Words
A cerveja tem bastante calorias. E no cálculo do engordar/emagrecer são as calorias que importam. Não é a quantidade de massa, mas a quantidade de energia. E claro, precisamos ser "equipados" para retirar a energia química do alimento. Enquanto 1 litro de gasolina tem cerca de 35 MJ, 1 quilo de carne tem 2350 Calorias, ou  9.87 MJ. Não adianta beber 300 ml de gasolina e dizer que comeu uma carne - nós não aproveitamos a energia química da gasolina. Felizmente aproveitamos sim a energia química em um bife.
Retirado de Diário de Rio Claro
E nisso a cerveja tem energia! Uma lata de 350 ml de cerveja tem cerca de 147 Calorias, ou 0.42 Calorias/ml, ou 420 calorias/ml ou 1.8 kJ/ml. E não pense que dá para escapar com outras bebidas ( Whisky é 2.4 Calorias/ml, Cachaça é a mesma coisa, e vinho varia entre 0.9 Calorias/ml a 1.4 Calorias/ml). Então bizarramente, a cerveja ainda é a melhor opção nesse ponto (mas a Coca-Cola tem 0.35 Calorias/ml e o Guaraná tem 0.31 Calorias/ml).
Retirado de Lu Francesa
Isto significa que se você tomar 1 litro de cerveja é  mesmo que ingerir 420 Calorias (ou 1.8 MJ). Cinco litros são equivalentes à aquele quilo de carne que mencionamos anteriormente - ou seja, mais do que a sua necessidade alimentar pelo dia todo.

Quanto são cinco litros de cerveja? Parece muito, não? Bem, depende de quanto tempo você gasta para beber estes cinco litros. Um latinha a cada 15 minutos, durante 4 horas são 5.6 litros de cerveja. Claro que isto não significa que todo o excesso irá virar a famosa "barriga de cerveja".
Retirado de Blog das Faculdades ESEFAP.
E quatro horas é um churrasco rápido. E olhe que nessa conta do balanço do dia ainda tem a carne...

domingo, 10 de junho de 2012

Bean

A pérola de hoje é o seriado britânico Mr. Bean.

A série é produto genial da mente de Rowan Atkinson (que se formou em Engenharia Elétrica - o que não quer dizer que todo engenheiro é bom comediante, naturalmente).

O melhor é que realmente você não precisa saber inglês para aproveitar o talento cômico da série.

Mas certamente ajuda...

sábado, 9 de junho de 2012

Pequenas Pérolas do Cinema - 63

Original de Listal
E já se vão mais de 30 anos. O filme de hoje é Raiders of the Lost Ark.

Creio que nem adianta falar muito sobre o filme, já que o mesmo é conhecido por praticamente todo mundo. A dupla Lucas/Spielberg fez um clássico baseado nos seriados antigos.

A trilha é inesquecível.

E o ator escolhido para dar vida ao personagem principal é Harrison Ford (e não Tom Selleck, John Shea ou Peter Coyote).

Mas algo que você não imagina é que a figura de Indiana Jones foi baseada em um personagem de Charlton Heston. Duvida? Então veja com seus próprios olhos.

É mais uma prova que muito do que pensamos ser original é, a na realidade, uma conjunção de cópias empacotadas de forma diferente (frequentemente de modo melhor).

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Coisas Interessantes sobre a Evasão


Muito tempo atrás, eu montei um modelo matemático para representar o fluxo em um curso. O modelo trazia muitos pontos interessante, que não me lembro de terem sido divulgados em outros locais.

Agora tive em minhas mãos uma pesquisa sobre a evasão na Engenharia Elétrica. Como este sempre foi um dos dados que faltavam nas minhas análises, vou aproveitar para divulga-lo agora.

Segundo os gráfico que tive acesso, a evasão de 2002-2010 esteve entre 22% e 37%. Este número não é ruim considerando a taxa de evasão de outros locais. A média é de 27% e do desvio de 6%.

Naturalmente, estes dados não são exatamente representativos. Mas pelo menos permitem que se estabeleça uma linha base para avaliação. A evasão pode ser dita como entre 1 em cada 5 e 1 em cada 3 (mais próximo de 1 em cada 4).

Para termos um valor mais próximo temos de supor que a evasão tem uma média constante no tempo. Isto pode ser visto olhando os diversos tipos de evsão: desligamento voluntário, abandono, não condição e outros. Olhando os diversos componentes da evasão, vemos que isto não é uma suposição exagerada.

Os valores são:
  • Evasão Total: média de 27.25 e desvio de 5.53
  • Evasão por Abandono: média de 22.13 e desvio de 5.37
  • Evasão por Não Condição: média de 24.79 e desvio de 5.37
  • Evasão por Desligamento Voluntário: média de 21.49 e desvio de 9.22
  • Evasão por Outros motivos: média de 31.92 e desvio de 14.68
Mas se usarmos os dados totais de 2002 a 2010 chegamos a 223 de cada 819 evadidos (o que é muito perto do 1 em cada 4 calculado anteriormente - dá 27.22%).

Um dado interessante é verificar a evasão por forma de entrada. A do vestibular é de 22% e a do PAS é de 30%. Isto parece contra intuitivo até vermos que o universo de contagem do vestibular é de 548 e do PAS é de 185.

Se aplicassemos as regras da estatística, esta informação fica mais clara. Uma amostra de 185 tem 7.17% de margem de erro para um intervalo de confiança de 95%. Já uma de 548 tem uma margem de erro de 4.13% no mesmo intervalo de confiança.

Portanto, poderíamos dizer que o valor entre os dois casos pode ser considerado praticamente igual. Pelo que pude ver em outros artigos, o nível de evasão é na engenharia elétrica pode variar de 20% a 40%.

Então, até que não estamos tão ruins...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Sobre a Paridade

Eu sei que já mencionei isso antes, mas vale a pena deixar claro: sou contrário a paridade de votos para escolha de reitor.

Ora bolas, nem acho que professores deviam votar para isso...

Creio que há dois problemas aqui: a confusão do que é democracia, e os interesses intrínsecos de pessoas. O que acontece é que estes interesses se vestem de interesses da comunidade, e usando o argumento errôneo de democracia, tentam avançar sua própria agenda.
Fonte da Foto: Blog Ciência Brasil.
Isto é muito comum, e não é privilégio de pessoas com ideologia A ou B. Aliás, frequentemente estas pessoas tentam justificar seus interesses usando a ideologia A ou B como bandeira.

Mas não é nada disso.

Não existe nada mais fácil do que convencer uma pessoa a fazer o que ela quer. Mais ainda, o melhor jeito de convencer Y a fazer algo que só beneficiará X é convencê-lá que a ação irá beneficiar a todos.

É assim que caminha a humanidade.

E é este o caso do discurso da paridade. Ao confundir o conceito de democracia (aonde os cidadãos tem voz, e o processo de escolha é coletivo), com o conceito de eleição (aonde as pessoas votam para eleger alguém para ocupar um cargo), os interessados tentam avançar seus interesses. É mais ou menos como confundir o reitor com o prefeito, governador ou presidente.

Como a enorme maioria das pessoas não entende patavina do que seja democracia, direitos ou leis, então a mistificação funciona direitinho. Aí fica fácil convencê-la que eleger o reitor é o melhor para todo mundo.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Uma opinião com a qual concordo

Mais uma vez, a UnB anda fazendo das suas. Depois de revogar a causalidade, agora decidiu em uma única reunião a questão da paridade.

A bem da verdade, isso já havia sido feito antes por outros grupos, mas sob circunstâncias diferentes. Ou seja, não é exatamente privilégio de grupos (o que também permite dizer que o grupo atual também segue a linha de democracia até quando interessa).

Felizmente, ainda existem vozes da razão e do bom senso na universidade de Brasília (o minúsculo é proposital mesmo). Coloco aqui uma carta que foi divulgada no e-mail da Adunb, mas que encontrei aqui:


Somos mesmo bons guardiães da Universidade Pública?
“O que está acontecendo é que a eleição do reitor virou uma eleição partidária, com cartazes, com ofertas de vantagem, de emprego, com suborno para conquistar o voto de funcionário e o voto dos alunos. Para evitar essa corrupção tem que deixar essa escolha para os professores. Eles são responsáveis e têm que ser responsabilizados. São eles que fazem o corpo de governo da universidade, é assim no mundo inteiro. Aqui foi partidarismo, sectarismo e corporativismo que fizeram diferente.”
(Darcy Ribeiro)

Peço desculpas por iniciar, de novo, uma carta com uma frase de Darcy Ribeiro. A verdade é que Darcy Ribeiro morreu! Assim como Anísio Teixeira e outros que tentaram construir uma grande Universidade. Eles fizeram a parte deles em vida. Pedi desculpas aqui porque, por vezes, me parece que não temos atualmente substitutos à altura, pois nós, os vivos, é que deveríamos estar fazendo a nossa parte – eles não têm mais condição de fazer nada de onde estão.
Na última sexta-feira, o CONSUNI aprovou uma eleição paritária para reitor. O CONSUNI foi construído com 70% dos votos dos docentes porque quem o construiu assim considerou que a Universidade funcionaria melhor se a posição dos docentes – mais experientes e com maior conhecimento nas questões da Universidade – fosse predominante nas decisões de mais alto nível na Universidade. Essa convicção, expressa de forma sempre veemente por Darcy Ribeiro e por outros da mesma estatura, não veio de conceitos abstratos – veio da experiência de muitos que criaram e administraram universidades e que se empenharam em conhecer a fundo a história das melhores Universidades no mundo.
Pois bem, apesar de o plebiscito organizado pela ADUNB ter revelado que 80% dos docentes é contra a eleição paritária, o CONSUNI a aprovou, na última sexta-feira, dia 01/06/12, que ficará registrado na história da UnB como o dia da insensatez. Sob a liderança do Reitor José Geraldo impôs-se o desrespeito aos valores democráticos do projeto de fundação da UnB, aos docentes e à legalidade.
Tudo foi feito de forma planejada. No dia 29/05/12, foi enviada aos conselheiros a convocação da reunião do CONSUNI, incluindo em sua pauta o item 2.2, relativo ao “Calendário e procedimento para a elaboração da lista tríplice para a escolha de Reitor”. Mas, somente no dia anterior à reunião (dia 31/05/12) foi enviada aos conselheiros a proposta, assinada pelo reitor, do “processo de indicação do Reitor para o período de 2012 a 2016” (Memorando 0006/2012, de 31/05/12). E, na reunião, o Reitor impôs a votação na própria sexta-feira, não cedendo aos apelos para que o procedimento proposto fosse examinado com mais cuidado nas unidades acadêmicas.
Então, iniciamos novamente a loucura. O que veremos agora será um espetáculo eleitoral deprimente, que, parece, dividirá de forma ainda mais severa a comunidade universitária.
Com tudo isso, fico com uma dúvida. O modelo da Universidade, com colegiados e conselhos, está embasado na pressuposição de que os professores são naturais defensores do interesse da Universidade e da Sociedade em geral. Sempre acreditei nisso. Ultimamente, vejo que isso está sendo colocado em dúvida. Espero, na continuação, não ficar em dúvida, também, se os próprios docentes deveriam estar escolhendo o reitor por voto universal.
Qualquer docente, quando está em uma Assembleia Sindical, tem todo o direito de lutar por seu salário e por melhores condições de trabalho. Entretanto, quando esse mesmo docente está em um Conselho, sua função é defender o interesse da sociedade e da Universidade – esse é um pressuposto básico do modelo sobre o qual a Universidade está fundamentada.
Minha pergunta a todos é: isso está mesmo acontecendo? E, retornando ao título desta mensagem, será mesmo que estamos nos mostrando defensores adequados de uma universidade de qualidade?
Para concluir, volto à frase inicial, de Darcy Ribeiro: será que o que vamos ver, na campanha eleitoral que se inicia, será “partidarismo, sectarismo e corporativismo” ou “ofertas de vantagem, de emprego, com suborno”? Veremos candidatos oferecendo o que não lhes pertence? Vamos ver, como comumente ocorre, cenas de violência, campanhas de difamação e ataques pessoais? Por fim, vamos eleger, mais uma vez, um reitor cujo grupo possível de colaboradores estará restrito a uma pequena parcela da comunidade universitária?
Darcy está morto! Mas estaremos à altura de sua herança? Será que surgirão outras pessoas que levantarão sua voz contra a degradação que assola cada vez mais a nossa universidade?
Saudações,
Prof. Adson Ferreira da Rocha
Faculdade UnB Gama
*Agradeço ao Professor Carlos Alberto Torres por suas sugestões.

terça-feira, 5 de junho de 2012

BB Code

Como eu já havia mencionado antes, existem soluções de segurança bastante inteligentes. Conheça o código QR.
A imagem acima tem o seguinte código (gerado aqui):
        require_once("Image/QRCode.php");

       
$options = array(
        
"image_type" => "jpeg",
        
"module_size" => 12,
        
"error_correct" => "H",
        
"version" => 5,
        
"output_type" => "display"
       
);

       
$qr = new Image_QRCode();
       
$qrcode $qr->makeCode("http://semverdades.blogspot.com.br/",$options);
   
?>
O QR Code é usado em smartphones no mundo inteiro.

Com isso eu aproveito para falar sobre o BBCode.
"Pessoal, o BB Code é um sistema de segurança baseado no uso de smartphone. Ele será disponibilizado em breve para clientes do Banco do Brasil e servirá para autorizar transações bancárias feitas pela Internet. Inicialmente, o BB Code estará disponível nos sistemas Android e iOS (Iphone).

Com este sistema, o cliente poderá, através da câmera fotográfica de seu smartphone, ler uma transação apresentada na tela de seu computador por um código 2D QRCode e confirmar  as informações de maneira segura e simples, sem a necessidade de qualquer conexão de dados.

Este sistema está atualmente em testes internos e em breve será disponibilizado para clientes pessoa física do BB."
Acreditem se quiser, esta grande solução foi produto das mentes criativas da UnB. Mas isso é mais a despeito da situação da UnB do que por causa da situação na UnB.

Atualização: você pode ler mais o sistema aqui.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - 28

"Individual rights are not subject to a public vote; a majority has no right to vote away the rights of a minority; the political function of rights is precisely to protect minorities from oppression by majorities (and the smallest minority on earth is the individual)." Ayn Rand.
Hoje resolvi começar esta post tratando de uma das últimas decisões que o CEPE da UnB tomou.

O CEPE decidiu adiar as datas finais do calendário acadêmico do primeiro semestre de 2012. O que foi divulgado pode ser visto aqui. Mas de modo resumido
1. Reconhecimento da greve dos professores. A Universidade de Brasília oficialmente reconhece que suas atividades estão prejudicadas pela paralisação decretada em assembleia da ADUnB. 
2. Reposição integral das aulas. Após a greve, os alunos têm direito de receber do professor todo o conteúdo ministrado a partir de 21 de maio, dia de início da paralisação, mesmo que o docente tenha continuado a dar aulas após essa data. Ou seja, professores que continuam dando aula podem ter que repor o conteúdo para alunos que não vieram à UnB durante a greve. Da mesma forma, notas dadas durante esse período podem ser contestadas pelos estudantes.
3. As datas finais do calendário estão suspensas. Isso significa que os prazos máximos para encerramento de atividades acadêmicas, como emissão de notas e pedidos de recursos, terão de ser revistos após o fim da greve dos professores. Atividades administrativas, de pesquisa e extensão continuam mantidas.
O problema está exatamente no ponto 2. Mais especificamente:"Após a greve, os alunos têm direito de receber do professor todo o conteúdo ministrado a partir de 21 de maio, dia de início da paralisação, mesmo que o docente tenha continuado a dar aulas após essa data. Ou seja, professores que continuam dando aula podem ter que repor o conteúdo para alunos que não vieram à UnB durante a greve. Da mesma forma, notas dadas durante esse período podem ser contestadas pelos estudantes.". Esta decisão não apenas fere o direito de greve, mas a causalidade. Em suma, é uma forma de forçar a adesão dos professores à greve.

Naturalmente, é interessante observar que esta decisão foi unânime. Apesar da assembléia que decretou a greve ter sido decidida por 176 pessoas (de um universo de mais de 2200). Apesar da mesa sugerir que para esta decisão fosse necessário realizar uma consulta mais ampla, os professores pró-greve insistiram que a Assembléia era soberana, e que a consulta minava a força da assembléia.
"Remember also that the smallest minority on earth is the individual. Those who deny individual rights, cannot claim to be defenders of minorities.Ayn Rand
É interessante que no final temos um curioso impasse: ao invés de uma maioria forçando sua vontade em uma minoria, temos precisamente o contrário. A minoria se vestindo como maioria e impondo sua agenda. Nessa situação, pouco importa a lógica ou o bom senso. Vale quem grita mais...
"When the common good of a society is regarded as something apart from and superior to the individual good of its members, it means that the good of some men takes precedence over the good of others, with those others consigned to the status of sacrificial animalsAyn Rand

domingo, 3 de junho de 2012

A Hora do Rádio

Hoje trago um dos meus sitcoms americanos favoritos: NewsRadio.

Foi o último seriado que contou com o talentoso Phil Hartman.

Um dos meus episódios favoritos é Super Karate Death Monkey Car.


sábado, 2 de junho de 2012

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Crimes e suas Taxas

Com as recente manifestação da Marcha das Vadias e a entrevista da Xuxa ao Fantástico, eu fiquei curioso em saber qual é o tamanho do problema de crimes sexuais no Brasil.

Qual foi minha surpresa que ao procurar a informação no UNODC, eu não encontrei os dados relativos ao nosso país.

Mas isso não me desanimou (apesar de ser um claro indicador que não sabemos direito pelo menos o tamanho do problema), pois acabei encontrando alguns dados.

No caso, as taxas estão por 100.00 habitantes. Então podem ser colocadas em termos de probabilidades, se for o caso. Mas vamos aos dados, em 2005 tivemos as taxas (cados de estupro por centena de milhar) arredondadas:
  • Brasil: 17
  • Canadá: 2
  • Estados Unidos: 31
  • Suécia: 37
  • França:  17
Há outros ainda, mas dá para ver que o tamanho do problema é maior em países que normalmente não iríamos considerar problemáticos. Uma possível explicação é que esta taxa trata de estupros reportados, não contendo os casos não conhecidos. Mas mesmo no Brasil, os números não são uniformes:
  • Região Norte: 23
  • Região Nordeste: 11
  • Região Sudeste: 16
  • Região Centro-Oeste: 25
  • Região Sul: 24
Surpreendentemente, os números são maiores tanto nas áreas com menor taxas de escolaridade, quanto nas com maior taxa de escolaridade. No caso do Distrito Federal a taxa chega a 28 por centena de milhar.

Temos a famosa frase que a cada 12 segundos uma mulher é estuprada. Isso corresponde a 2.7 milhões de mulheres por ano (será somente no Brasil?). Isto geraria a inacreditável taxa de 1314 estupros a cada 100.000 habitantes. O problema com esta estatística é que ninguém sabe de onde veio (se bem que tenho alguns palpites).

Nesse caso eu suspeito de um problema estatístico bastante comum: estimar probabilidades pequenas. Um amostra com 1000 ou 10.000 pessoas não consegue enxergar direito taxas abaixo de 1%. No caso de 100 por centena de milhar, estamos falando de uma taxa de 0.1%. Naturalmente, com um erro de mais de 1% é impossível determinar com exatidão uma taxa abaixo de 0.1%.

Então sugiro aos interessados tomar o dado de estupro a cada 12 segundos com bastante cuidado.

Já a questão do abuso sexual de menores ainda é mais complicada. Há o crime sexual contra menores, que pode ou não envolver estupro, mas as taxas são as seguinte:
  • Canadá: 0.2
  • Suécia: 8.1
  • França:  22.2
  • Brasil: 30
Como se vê, o problema é determinar a magnitude do que acontece. Se já havia dificuldades no caso anterior de estupro, no caso com menores a complicação é maior ainda. Se olharmos os casos de crimes sexuais nesses países, teremos:
  • Canadá: 81.6
  • Suécia: 129
  • França:  39
Portanto, existe grande discrepância entre os números totais e os percentuais país-a-país: Canada (0.25%), Suécia (6.3%) e França (56.4%). No Brasil, o fato é que ninguém sabe, mas aparentemente os números são controversos (veja aqui e aqui).

A verdade? Ninguém sabe o tamanho do problema real!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Um Pouco sobre Segurança

Há muito na literatura sobre formas seguras de se realizar uma transação. Mas pensando em um problema real, creio que acabei de chegar até uma possível solução*.

A questão é a de como evitar que um equipamento como o chupa-cabras acabe por roubar informações suficientes para que outra pessoa faça o saque?
Pois bem, este problema é mais genérico do que isso: se você não confia no instrumento que recebe informações que você forneceu, como garantir que o resultado não será adulteração/ roubo da informação recebida?

Pensando sobre isso, visualizei um esquema aonde um segundo canal seria usado para comunicação. Um canal aonde o chupa-cabras não tivesse nenhuma influência. Então a ideia seria esta:
  1. O atendente passa o cartão na máquina - que pode ou não ter um chupa-cabras.
  2. O banco recebe o pedido e gera um número aleatório.
  3. Este número gerado é enviado ao usuário pelo canal adicional - que pode ser o celular, por exemplo
  4. O usuário recebe o número enviado pelo banco. Este número é a senha da transação.
  5. O usuário entra esta senha no equipamento.
  6. O equipamento envia esta senha para o banco - caso seja a mesma a transação é confirmada.
  7. Na próxima transação, o banco irá gerar outro número aleatório.
Um esquema similar com um segundo canal poderia ser utilizado na situação da urna eletrônica, por exemplo. Nesse caso é necessário um, ou mais servidores que gerariam um número de transação que enviaria a informação do voto, por exemplo.

Mas isso merece um pouco mais de tempo pensante ainda.

*Post Scriptum
Na realidade, acabei de ver uma solução bem mais interessante de um amigo professor da UnB.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Não é Irônico?

Deixo claro aqui e agora: sou contra o desarmamento.
Retirado do site Sem Hipocrisia
As razões são muito variadas, mas o principal é uma questão de direito (está até na constituição americana - eu li).

Mas o que dizer de ex-guerrilheiros que orgulham do seu passado, mas apoiam o desarmamento?

Como é que é mesmo o nome daquela pessoa que fala para você não fazer uma coisa, mas ela mesma se valeu daquilo?

Sim, isto é verdade mesmo! José Dirceu é um deles. Naturalmente, ter orgulho de um passado de guerrilheiro, quando pegou em armas para "defender a democracia", e querer avançar a agenda do desarmamento não é apenas contraditório.
Retirado do Fotolog
É algo bem menos nobre

terça-feira, 29 de maio de 2012

A Greve a a Enrolação

Eu acho extraordinário como as notícias são distorcidas de modo sem vergonha. E na minha universidade...

Que papelão...

Mas vamos ao que saiu (antes que alterem). Eu vou grifar as partes relevantes...

Estudantes da UnB também decidem entrar em greve
Paralisação foi definida em uma das maiores assembleias dos últimos anos. Apoio à greve docente também foi aprovado

Pedro Rafael Ferreira - Da Secretaria de Comunicação da UnB

 Tamanho do Texto

A assembleia geral dos estudantes da Universidade de Brasília deflagrou greve da categoria no início da tarde desta quinta-feira, 24 de maio. O movimento segue a paralisação dos professores da instituição, iniciada há uma semana, e contou com o apoio quase unânime dos alunos presentes. Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), a lista de presença teve 431 assinaturas, mas o vão da entrada norte do Instituto Central de Ciências (ICC), local conhecido por Ceubinho, ficou praticamente lotado, indicando uma presença de aproximadamente 600 estudantes.
Veja as imagens da assembleia no flickr da UnB Agência.
O número supera as assembleias estudantis realizadas nos últimos quatro anos. “Só é comparável à ocupação da reitoria, em 2008”, avaliou Heitor Claro, estudante de Economia, em referência às mobilizações que culminaram na queda do então reitor Timothy Mulholland. “Das assembleias que já participei, sem dúvida essa foi a mais lotada desde a ocupação”, concordou Pedro Henrique, estudante do 10º semestre de Medicina e que acompanhou o movimento da época.
Os alunos também aprovaram a pauta de reivindicações, que exige investimento equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação no país, melhoria na assistência estudantil, paridade nas eleições para reitor da UnB e interrupção do calendário acadêmico. Aprovaram ainda moção de apoio à greve dos professores. “A pauta dos professores não é exclusivamente salarial, mas por melhores condições de trabalho, como plano de carreira, e isso tem a ver com os estudantes. Nossa responsabilidade é dar continuidade ao processo nacional”, afirmou Lucas Brito, estudante de Serviço Social.“A greve já tem mais de 40 universidades e institutos federais envolvidos. Com uma adesão dessas, alguma coisa só pode estar errada”, comentou Isabela Aysha, estudante de Letras. 
AGENDA – À noite, o comando se reuniu para traçar as primeiras estratégias de mobilização. A ideia é iniciar uma campanha de sala a sala. “Mais do que fazer barulho, precisamos estruturar uma movimentação em sala de aula, junto com o comando de greve dos professores e representantes dos funcionários, além do próprio comando de greve estudantil, explicando o porquê da greve, convidando para as discussões”, comentou Heitor Zanini, estudante de Ciências Sociais.
O comando de greve estudantil também definiu a elaboração de um informativo sobre a greve, que será distribuído entre os estudantes. “Eu, por exemplo, não sei direito o que é uma greve estudantil. Precisamos esclarecer isso melhor para mobilizar toda a comunidade”, observou Luana Weyl, estudante de Serviço Social.
O professor Rodrigo Dantas, do Departamento de Filosofia, e membro do comando local de greve dos docentes, convidou os estudantes para uma articulação conjunta entre os dois segmentos. “Vamos construir uma agenda local comum de greve”, falou. Nesta sexta-feira, 25 de maio, os comandos de greve de estudantes e professores se reunirão, às 10h, na sede da Associação dos Docentes da UnB para discutir os desdobramentos da greve.
QUÓRUM - “O movimento estudantil, historicamente, nunca se posicionou contra uma greve. É um instrumento de luta e temos nossa própria pauta”, comentou Diogo Ramalho, estudante de Letras, que fez uma das falas de apoio à declaração de greve.
Para o DCE, no entanto, a decisão tem caráter apenas consultivo, já que não houve quórum mínimo, que é de 1.087 estudantes. “Nós [do DCE] consideramos a assembleia legítima, apesar de não ter tido quórum representativo para deliberação”, avaliou Octávio Torres, estudante de Direito e coordenador-geral do diretório. “Temos que avaliar comparando com a realidade, comparando com as assembleias anteriores. Foi muito representativa sim”, discordou Lorena Fernandes, do curso de Serviço Social. “O fato de não ter tido quórum mínimo não deslegitima em nada a decisão de greve”, acrescentou Cynthia Funchal, estudante de Letras. “Na Universidade Federal Fluminense, a assembleia que decidiu pela greve estudantil contou com 700 estudantes. Na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, foram 800 alunos e na Universidade Federal de Uberlândia, cerca de 500”, comparou Lorena Fernandes.
CRÍTICAS – Muitos alunos foram ao microfone para criticar um suposto desinteresse do DCE na divulgação da assembleia. “Na hora de colar cartazes pedindo a presença da polícia no campus, o DCE vai em todas as faculdades. Quando é para convidar para uma assembleia, principal espaço de deliberação estudantil, o DCE só divulga pela internet e não de sala em sala, como deveria ser. Não se faz movimento estudantil pela internet”, protestou Nunes Rio, estudante de Economia.
“Grupos de oposição ao DCE reuniram 31 assinaturas de Centros Acadêmicos pressionando por uma reunião do Conselho de Entidades de Base ou uma assembleia. Foi só depois de muita pressão que o Diretório cedeu e chamou a assembleia”, afirmou Lucas Barbosa, estudante de Letras e membro do Coletivo Mobiliza UnB.
Há duas formas de convocar uma assembleia: uma lista com 3,5 mil assinaturas de estudantes ou uma convocatória do DCE. Para Octávio Torres, coordenador-geral do diretório, não houve “corpo-mole”. “O DCE se reuniu com todas as forças políticas do movimento estudantil para decidir o que fazer. Propomos incialmente que fosse na sexta-feira, para termos tempo de divulgação, mas os grupos preferiram que fosse hoje. Divulgamos em nossos meios de comunicação, como Facebook e blog. Na minha visão, tentamos construir da melhor maneira”, rebateu.

Bem, afinal são 431 ou 600? Os estudantes estão ou não de greve? Bem, vamos ver o que o DCE escreveu:

Comunicado Oficial do DCE: Assembleia Geral dos Estudantes da Universidade de Brasília (24/05/12)

24 de maio de 2012 em Assembleia GeralAssistência EstudantilNotas
O Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães pre­si­diu a Assembleia Geral Extraordinária dos Estudantes da Universidade de Brasília hoje, 24 de maio, às 12h no Ceubinho, Campus Darcy Ribeiro. A pauta tra­tou da Greve Nacional dos Docentes das Universidades Federais e da situ­a­ção da Assistência Estudantil.
Durante a Assembleia 431 estu­dan­tes assi­na­ram a lista de pre­sença. Não se atin­giu, por­tanto, o quó­rum mínimo de 3% do total de estu­dan­tes de nossa Universidade, o qual cor­res­ponde à 1097 estu­dan­tes. Conforme deter­mi­na­ção do Estatuto do DCE/UnB, art. 20, não se atin­gindo o quó­rum mínimo a Assembleia tem cará­ter con­sul­tivo e não deliberativo.
Após os tra­di­ci­o­nais infor­mes, iniciou-se a Assembleia pelo ponto da greve dos docen­tes. Foi aberto, em seguida, um período para as ins­cri­ções aos favo­rá­veis e aos con­trá­rios à greve naci­o­nal. Após as falas, foi enca­mi­nhado pela Mesa a vota­ção de uma moção de apoio a greve naci­o­nal dos docen­tes das Universidades Federais, que por con­tra­taste foi aprovada.
Posteriormente, sugeriu-se a Mesa que fosse enca­mi­nhada a vota­ção de uma greve dis­cente em apoio a greve dos pro­fes­so­res e pela qua­li­dade da edu­ca­ção naci­o­nal. A mai­o­ria dos pre­sen­tes votou pela greve dos estu­dan­tes, tendo como pauta: 10% do PIB para edu­ca­ção, assis­tên­cia estu­dan­til, pari­dade e a sus­pen­são do calen­dá­rio acadêmico.
Os pre­sen­tes na Assembleia ainda mar­ca­ram uma reu­nião para ins­ti­tuir um Comando Local de Greve, hoje às 18h, no Mezanino da Entrada do ICC-Norte (Ceubinho). Nesta reu­nião serão defi­nidos os pró­xi­mos pas­sos da mobi­li­za­ção estudantil.
Finalmente, a Gestão do DCE con­vo­ca­ para terça-feira pró­xima, 29 de maio, o Conselho de Entidades de Base (CEB) —  cole­gi­ado de Centros Acadêmicos desta Universidade — para homo­lo­gar ou não as deci­sões con­sul­ti­vas toma­das pela Assembleia Geral  Estudantil da Universidade de Brasília rea­li­zada neste 24 de maio.

Pois é os estudantes não entraram de greve pois a assembléia não atingiu o quorum mínimo.

Olha só que coisa... O chato é que a notícia também já foi replicada para jornais.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Coisas que Mentimos para Nós Mesmos - 27

Está no ar a comissão da verdade.

Como de esperar há um certo ar de revanchismo no meio. Se olharmos o documento que descreve os objetivos da comissão parece não haver esta motivação.
O primeiro objetivo de uma Comissão da Verdade é DESCOBRIR, ESCLARECER e RECONHECER ABUSOS DO PASSADO, DANDO VOZ ÀS VÍTIMAS. Isso significa que a Comissão deve estabelecer um registro apurado do passado histórico, através do processo testemunhal das vítimas. Somente entrevistando livremente os que foram submetidos a abusos e dando voz aos que, muitas vezes ainda hoje, permanecem em silêncio é que se poderá constituir a “História silenciada” do período.
Mesmo os objetivos adicionais parecem bastante razoáveis.
  • COMBATER A IMPUNIDADE
  • RESTAURAR A DIGNIDADE E FACILITAR O DIREITO DAS VÍTIMAS À VERDADE
  • ACENTUAR A RESPONSABILIDADE DO ESTADO E RECOMENDAR REFORMAS DO APARATO INSTITUCIONAL
  • CONTRIBUIR PARA A JUSTIÇA E A REPARAÇÃO
  • REDUZIR CONFLITOS E PROMOVER A RECONCILIAÇÃO E A PAZ
Ou seja, o propósito é o de esclarecer os abusos passados para se mover para frente.

Bem, pelo menos é o que se pode acreditar até ler isto aqui:

“Os crimes eventualmente praticados pela oposição, vamos dizer assim, já foram julgados. Só na Junta Militar de São Paulo existem mais de três mil processos. O Estado combateu aqueles crimes, julgou as pessoas, quando não foram desaparecidas, e puniu. O direito, ainda que um direito autoritário, foi aplicado. A presidente Dilma foi presa, acusada de pertencer a determinado grupo, e condenada (*). Não há dúvida sobre isso. Por que razão a Comissão da Verdade iria verificar tudo de novo, se os autos desses processos são públicos? Podemos dizer que se trata até de uma questão de economia processual.”

O problema é que isso é mentira. Ou, sendo mais diplomático, o problema é que isso é uma falácia.

É verdade que algumas pessoas foram presas e julgadas. É verdade que muito foram condenados. Mas não é absolutamente verdade que todos os crimes tenham sido julgados.

É aquela velha falácia das partes pelo todo (falácia da composição): Se alguns foram julgados e condenados, então todos foram julgados e condenados.

É uma daquelas falácias bem básicas, mas que mesmo diretores da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas fazem uso (ou caem nela) de vez em quando.

domingo, 27 de maio de 2012

Monty Python Brasileiro

Hoje trago um bom momento da TV Brasileira: TV Pirata.

Há muitos momentos impagáveis no seriado.

Essa aqui é uma das minhas favoritas

1 saco de pitombas passa a valer uma Narjara Turetta.

sábado, 26 de maio de 2012

Pequenas Pérolas do Cinema - 61

Hoje é dia de um filme de ação de primeira grandeza: Dirty Harry.

Aliás, uma das maiores diversões é ver as tiradas que Harry Callahan fala ao longo do filme. Aqui vão duas das minhas favoritas, a do começo:

E a do final.

A música também é de excelente qualidade, composta por Lalo Schifrin.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Triste Violência

Saiu recentemente os resultados do Mapa da Violência do Instituto Sangari.

Mais uma vez vemos que as pessoas não entendem patavina de estatística, ou que preferem dar o "spin" que lhes interessa.

Muitos divulgaram os números dos homicídios de mulheres no Brasil com espanto e horror!

Mas na realidade não é nada disso. Os números são claros, já as interpretações...quanta diferença. O Brasil tem uma taxa de homicídios de 26.2 por centena de milhar. Vamos arredondar para os números (no caso 25) para facilitar a explicação. 25 em 100.000 corresponde a 1 chance em 4.000.

Não é um número bonito, mas vamos dar uma olhada com mais detalhes.
  • No caso da cor: Brancos tem índice de 3 a cada 20.000 enquanto Negros de 7 a cada 20.000.
  • No caso do gênero: Homens tem índice de 9 a cada 25.000 enquanto Mulheres de 1 a cada 25.000.
  • No caso de idade: Jovens tem índice de 1 a cada 2.000 enquanto Não Jovens de 1 a cada 5.000
Tudo isso pode ser sumarizado nas probabilidade condicionais.
  • p(Negro |  Homicídio ) = 2.33 *p(Não Negro |  Homicídio)
  • p(Homem |  Homicídio ) = 9* p(Mulher |  Homicídio )
  • p(Jovem |  Homicídio ) = 2.5 * p(Não Jovem |  Homicídio )
No entanto, p(X | Homicídio) (a probabilidade de ser X dado que foi morte por homicídio) é diferente de p(Homicídio| X) (a probabilidade de morte por homicídio dado que ser X). Então para enxergar a coisa do modo correto temos de usar o Teorema de Bayes. No caso da mulher:

p(Homicídio | Mulher) = p(Mulher | Homicídio) * p(Homicídio)/p(Mulher)

Mas estamos interessados não exatamente nisso, mas na relação entre os casos Homens versus Mulheres. No caso:
p(Homicídio | Mulher)/p(Homicídio | Homem) = [p(Mulher | Homicídio) * p(Homicídio)/p(Mulher)]/ [p(Homem | Homicídio) * p(Homicídio)/p(Homem)] =[p(Mulher | Homicídio) * p(Homem)]/ [p(Homem | Homicídio) * p(Mulher)] =[p(Mulher | Homicídio)/p(Homem | Homicídio) ]  * [p(Homem)/p(Mulher)]

Fazendo as contas:
p(Mulher| Homicídio)/p(Homem| Homicídio) = 1/9
p(Homem) = 0.49
p(Mulher) = 0.51

Então chegamos a p(Homicídio | Homem ) = 9.4* p( Homicídio  | Mulher)

No caso do Negro, a situação é mais emblemática. A questão é se consideramos Negro como Pardo + Negro (50% da população) ou somente Negro (8% da população). A verdade é que as respostas são diferentes:

p(Homicídio | Negro)/p(Homicídio | Não Negro) = [p(Negro | Homicídio)/p(Não Negro | Homicídio) ]  * [p(Não Negro)/p(Negro)]

Caso de 8%:
p(Homicídio | Negro) = 27 * p(Homicídio | Não Negro)
Caso de 50%:
p(Homicídio | Negro) = 2.33 * p(Homicídio | Não Negro)

Então, temos de enxergar as coisas em perspectiva: dos quase 50.000 homicídio de 2010, cerca de 46 mil foram de homens e 4 mil de mulheres. Ou seja, se dividirmos pelo número de horas em um ano teremos que enquanto morre 1 mulher a cada 2 horas (em média), morre 1 homem a cada 12 minutos.

O problema é que isso é politicamente incorreto.

Neste mesmo assunto, um detalhe na notícia me chamou a atenção:
El Salvador lidera o ranking, com taxa de 10,3 vítimas para cada 100 mil mulheres. Na frente do Brasil ainda aparecem Trinidad e Tobago (7,9), Guatemala (7,9), Rússia (7,1), Colômbia (6,2) e Belize (4,6).
Com taxa zero, Marrocos, Egito, Bahrein, Arábia Saudita e Islândia estão na outra ponta do índice de homicídios entre as mulheres.
Zero? A Islândia vá lá, mas e o resto? Nenhuma mulher no Egito, Marrocos, Arábia Saudita e Bahrein foi assassinada em 2010? Só homens?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Greve, greve, e mais greve...

Novamente os professores estão de greve na UnB. Eu sou professor e não estou de greve.

Logo não são todos os professores que estão de greve.

Aliás suspeito que o número será pequeno desta vez. A verdade é que ainda não sei por que motivo para ter greve. O governo está negociando, o salário não está tão ruim assim (pelas minhas contas, com mais 5.3% teríamos reposição completa da inflação de 1998 até hoje - já contando os 4% de aumento).

Mas tenho minhas suspeitas: não tem nada a ver com os interesses dos professores.

Na realidade, já me explicaram quais seriam as razões, mas como só tenho informações parciais, eu prefiro ter mais detalhes. Ah, sim... as explicações confirmam que não tem nada a ver com o interesse dos professores.

No entanto, não creio que as pessoas que tomaram a decisão pela greve tem todas as informações. Suspeito que tomaram a decisão baseado no conjunto restrito de informações que foram fornecidas na hora.

Neste ponto de vista, concordar cegamente com o que um dos lados fala é bastante natural para a maioria das pessoas. Infelizmente é um tanto que imperdoável para alguém que busca conhecimento e a verdade (como um professor deveria fazer). Mas sabemos que esta definição de professor não serve para muita gente mesmo, não?

Minha suposição é que nem é esse o motivo. Minha suposição é que essa decisão foi tomada apenas emocionalmente. O que termina sendo ainda pior, para alguém que deseja essa busca de conhecimento, verdade e tal...

Talvez eu esteja sendo injusto. Mas uma coisa eu não vou mais ser: não vou ficar calado como fiz no caso da URP a respeito de barbeiragens sindicais. Eu fiquei sem muita paciência para este tipo de corporativismo.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

E quando o Interlocutor é doido?

Claro que o interlocutor não é doido (ou pelo menos acho eu). Mas a simulação de atitudes irresponsáveis, irreais, mas pecaminosamente sedutoras pode ser usada como tática de debate.

Da mesma forma que a distração (misdirection é o termo mais exato), a criação de uma explicação perfeita ou de uma denominação perfeita, porém falsa, pode funcionar como uma forma de conduzir o debate para o lado que se deseja.

Com este comportamento aparentemente irracional, o debatedor pode escapar de ser encurralado porque simplesmente apresenta seus argumentos como age com um bêbado indo de um lado para outro aleatoriamente. Isto confunde o debate e torna-o menos racional - mas até divertido para um espectador fã de futebol (ou artes dramáticas), mas não de lógica.

Por que estou falando isto? Porque as assembleias de professores que já fui são cheias desses exemplos. As pessoas que descrevo não estão lá para fazer sentido, mas para fazer vencer seus interesses. Os discursos tem pouca racionalidade e com isso frequentemente cometem erros básicos: tentam criar sempre um "inimigo comum" (a tática de união mais antiga que existe, provavelmente).

Mas ao fazer isto, ao inventar um inimigo, estas pessoas acabam revelando a si mesmas. Como o inimigo é imaginário,ou se tem muito pouca informação a respeito, então a solução é completar as lacunas com o que se tem. No caso destes interlocutores, frequentemente eles completam os vícios do inimigo imaginário com seus próprios vícios.

O problema é que as pessoas não enxergam isso. Ou não querem enxergar, não sei...

Caso em questão: o pedido de suspensão de calendário acadêmico na UnB.

Qual o problema? Bem, a greve começou nesta segunda-feira (21/05/2012). Já estão pedindo a suspensão do calendário acadêmico?

Em outras greves isto só acontecia depois de várias semanas.

Por que então o pedido no segundo dia de greve?

Minha suspeita é que a adesão está bastante baixa. Como divulgar isto em público atrapalha os objetivos da greve, a ordem é dizer que as assembleias estão "levantando a massa". Mas se isso está acontecendo, então por que pedir a suspensão do calendário com apenas um dia de greve?
Foto da Agência UnB
Resposta? Forçar os professores a encarar a greve: seja aderindo (o que é desejado), ou lutando fortemente contra ela.

Suspeito que há um risco grande de o tiro sair pela culatra.