sexta-feira, 27 de março de 2015

Sobre inflação

Bem, não tem como dourar a pílula: a coisa ainda pode piorar bastante para o lado da inflação.

Se tudo seguir como antes - ou seja na média da inflação do governo Dilma:
DEZ5,91%6,50%5,84% 5,91%  6,41%
Temos uma média de 6.1% aproximadamente. O que dá perto de 0.5% ao mês. Como já temos 1.24% em janeiro e 1.22% em fevereiro, teremos pelo menos 7.46% de inflação acumulada até dezembro.

O topo da meta de 6.5% não deve ser cumprido. Vou investigar sobre pior e melhor cenário nestas circunstâncias.

Mas não dá para ser muito otimista não.

PS: Inflação de 7 a 15% não é o fim do mundo não. Há espaço para recuperação, mas para fazer isso tem que mudar muita coisa - e isso vai desagradar muita gente mesmo.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Sobre a manifestação e o futuro

Como já havia dito antes, eu tinha planos para ir na manifestação de domingo.

E isso nada tinha a ver com golpe, impeachment ou coisa parecida. Era mesmo para expressar insatisfação com a situação - e, quiça, deixar claro que a mentira não teria a mesma tolerância usual.

Bem, eu fui. Foi bastante interessante e tinha muita gente.
Foto de http://leiase.com.br/protestos-se-espalham-pelo-brasil/ 
Quantas pessoas? Não faço ideia. Creio que ocuparam parte da área do congresso nacional (cerca de 150 por 200 metros - ou cerca de 30 mil metros quadrados). Supondo 1 pessoa por metro quadrado dá cerca de 30 mil pessoas). Se supormos mais pessoas por metro quadrado, este número aumenta.

Já em São Paulo fala-se em algo entre 200 mil e 1 milhão de pessoas.

Mas os números não são importantes em si.

A importância é o recado que foi dado: insatisfação.

Claro que haviam outras agendas (intervenção militar - cruz credo, impeachment, prisão, e etc...).

Mas a pauta comum foi insatisfação.

Depois disso eu tive que ler o que outros escreveram a respeito. Mas isso eu entro em detalhes em outro post.

sábado, 7 de março de 2015

Sobre um impeachment

Bom, vou deixar claro uma coisa: eu planejo ir na manifestação de 15 de março, mas sou contrário ao impeachment da atual presidente.

É uma contradição? Bom, em termos. Não acredito que as informações até agora divulgadas sejam justificativa suficiente para um impeachment. Claro que com mais informações pode ser que isso mude como vejo a situação.

Mas pretendo ir mesmo assim. A razão? Acredito que é necessário demonstrar que a insatisfação é generalizada. Não creio em impeachment, mas creio que a população pode e deve mostrar quando não está satisfeita com o andar da carruagem.

E por população, eu não estou falando das figurinhas carimbadas que se auto intitulam de movimentos sociais - sendo que na verdade são compostos primariamente de pessoas pertencentes a classe alta que se consideram arautos do pensamento do povo.

A verdade é que o melhor para todos é que a atual presidente siga com seu mandato até o término. Mesmo que o final seja bem pior do que o começo.


Por que? Simples, se houver impeachment teremos um acirramento das tensões já existentes. Mas se tudo seguir conforme o programada, as chances são que o grupo político atualmente no poder seja defenestrado nas próximas eleições - ficando fora do poder possivelmente por um longo, longo tempo.

E Lula? O que acontecerá se ele concorrer em 2018? Aí eu digo o seguinte: as chances são que um processo de impeachment, por mais legítimo que fosse, iria facilitar e fortalecer a candidatura do mesmo. Ao contrário do que aconteceria se as coisas fosse deixadas seguir seu ritmo natural.

Isso é como vejo as coisas.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Olhando no Espelho

Por uma dessas coincidências do destino, encontrei um discurso de Gloria Alvarez que toca fundo em um dos maiores (se não for o maior) problemas aqui na America Latina.

O texto está aqui.

Minha opinião? Ah... Infelizmente a tecnologia não costuma funcionar assim. É verdade que ela acaba com problemas, mas ao mesmo tempo costuma criar outros tantos.

Não acredito que o populismo possa ser eliminado pela tecnologia. Muito pelo contrário: acredito que novas formas de populismo irão surgir através do uso da tecnologia.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Problemas com a inflação

A inflação de janeiro de 2015 chegou a 1.24%. Isto é um problema ou não?

Bem, o modelo que usei para as últimas previsões tomava os últimos 12 anos como base para os cálculos estatísticos. Então este ponto não pode ser predito com acurácia pelo modelo. Isto quer dizer que o modelo tem média 0.45% e desvio 0.2%. Mas há uma componente sazonal (de doze anos) com amplitude 0.17%.

Isto quer dizer que o valor deveria ficar (dentro de um desvio padrão) entre 0.45+0.2+0.17= 0.81% e 0.45-0.2+0.17=0.42%

Se assumissemos normalidade então o valor ficaria entre 1.22% e 0.02% (Com mais de 99% de confiança).

Mas o fato é que suposição de normalidade (que não pode ser verificada devido ao pequeno número de dados) é um pouco forte.

Se olharmos a série do IPCA, veremos que este é o maior valor desde 2003 e o quarto valor mais alto desde o plano real. Não dá para dizer muito, mas é possível fazer um chute educado.

  • Em 1995, a inflação em janeiro foi de 1.7% e o total do ano ficou em 22.4%
  • Em 1996, a inflação em janeiro foi de 1.3% e o total do ano ficou em 9.6%
  • Em 2003, a inflação em janeiro foi de 2.3% e o total do ano ficou em 9.3%
Via de regra, uma inflação de 1% ao mês resulta em 12.7% ao ano. E uma inflação de 2% ao mês resulta em 26.8%.

Então como ficamos? É possível ter uma inflação em janeiro maior que 1% e terminar o ano com menos de 10%? Sim! Foi o que aconteceu em 1996, 1997 e 2003.

Não é impossível, mas não é exatamente fácil - exige arrocho.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Jogando para Empatar

"Bem RAX, você sempre fala de estatística. Mas tem alguma coisa aí que pode me ajudar a ganhar em um Casino?"

Aposto que alguns leitores já pensaram sobre a questão acima.

A resposta é... SIM

Mas como eu não quero levar ninguém a ruína, vou ensinar com o empatar SEMPRE em um jogo.

Claro que existem simplificações importantes, a primeira delas é que vou apresentar um modo para o jogo de cara ou coroa - mas isso pode ser generalizado para qualquer jogo. As outras simplificações tem maiores consequências: tanto o jogador quanto o Casino tem quantidade virtualmente ilimitada de dinheiro e o jogo é puramente de chance.

Regra fundamental:  QUANDO GANHAR, PARE IMEDIATAMENTE

Então vamos ao exemplo: cara ou coroa

  • Na primeira jogada, a aposta é de 1 real. Caso ele perca, terá perdido R$ 1,00. Caso ganhe, ele ganha R$ 2,00. Se ele ganhou, saiu no lucro com R$ 1,00 e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na segunda jogada, a aposta é de 1 real. Caso ele perca, terá perdido R$ 2,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$ 2,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na terceira jogada, a aposta é de 2 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 4,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$4,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na quarta jogada, a aposta é de 4 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 8,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$8,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na quinta jogada, a aposta é de 8 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 16,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$16,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na sexta jogada, a aposta é de 16 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 32,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$32,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na sétima jogada, a aposta é de 32 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 64,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$64,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na oitava jogada, a aposta é de 64 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 128,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$128,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na nona jogada, a aposta é de 128 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 256,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$256,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
  • Na décima jogada, a aposta é de 256 reais. Caso ele perca, terá perdido R$ 512,00 no total. Caso ganhe, ele ganha R$512,00. Se ele ganhou, empatou (zero perda) e parou. Se ele perdeu, então continue...
E assim por diante...

Claro que a pergunta vem a mente: " Mas o que garante que em 10 jogadas eu irei ganhar?"

De novo as probabilidades: a chance de perder 10 vezes consecutivas é 1/1024 - ou menos de 0.1%.

Não tem erro...

"Mas RAX, e isso é cara ou coroa. Você não tem algo para roleta por exemplo?"

Esta técnica pode ser usada com modificações na roleta apostando no vermelho/preto (há o zero e o duplo zero que estragam um pouco - mas nem tanto assim). Mas note que as apostas sobem com 2^(N-2). Ou seja, lá pela décima sgunda jogada é necessário que o jogador aposta R$ 1024,00 e na vigésima-segunda jogada o jogador deve apostar R$ 1.048.576,00

sábado, 17 de janeiro de 2015

Inflação de 2014

Então como as previsões se comportaram?
  • Para novembro a previsão foi de 0.53% [0.34,0.72]e a realidade foi de 0.51%
  • Para dezembro a previsão foi de 0.59% [0.4,0.78] e a realidade foi de 0.78%
E o resultado anual?
  • A previsão foi de 6.2% [5.8,6.6] e a realidade foi de 6.4%
Nada mal

Sem juros?

Bem, isso não existe. O preço à vista e o preço parcelado não podem ser iguais. A razão é que o valor à vista pode ser atingido após um tempo simplesmente aplicando o dinheiro.

Existe um custo associado a diferença entre pagar na hora e pagar em prestações.

Mas então como é que várias lojas fazem isso?

Bom, a verdade é que o preço "à vista" já inclui o valor do juro. Geralmente por um período de 6 meses (mas podendo ser maior).

Então qual é o preço real.

Bem, é possível calcular. Mas em um ambiente de inflação baixa é de supor que o mesmo contém pelo menos a inflação do período.

Supondo 6% a inflação anual temos então algo como 3% em seis meses (próximo disso, pelo menos). Então para cada R$ 1,00 do custo temos algo como R$ 0,97 no custo "verdadeiro".

Mas isso é só assumindo a inflação. Assumindo a SELIC temos algo na vizinhança de R$ 0,95 para cada R$ 1,00.

Dado que a SELIC é a taxa básica, não é de se supreender se o valor esteja entre R$ 0,90 e R$ 0,95 para cada R$ 1,00.

Então, qual o valor real?

Simples basta multiplicar o valor "à vista" por 0,95 no caso de 6 meses, e o leitor terá uma boa idéia do valor real. Já para um ano multiplique por 0,9

Assim esta TV de R$ 2879,10 tem o seu valor real próximo a R$ 2591,20

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Charlie Hebdo e a Liberdade de Expressão

Após o terrível ato terrorista contra o Jornal Satírico Charlie Hebdo estamos vivendo uma situação muito curiosa e, poderíamos dizer, até cômica se olhada na posição de um extraterrestre que estivesse visitando nosso país.

Estamos na situação da "Liberdade de Expressão, mas..."

E aí eu tenho que deixar bem claro: os que falam este "mas" em sentenças correlatas não são a favor da liberdade de expressão.

Eles são a favor de "certas liberdades de expressão".

Geralmente, estas estão ligadas aos interesses dessas pessoas e grupos. Qualquer coisa fora disso não é considerado "sagrado".

Perceba, caro leitor, liberdade de expressão implica em responsabilidade também. Caso esta comece a prejudicar as pessoas, ou instituições (calúnia é um exemplo que vem a mente), os prejudicados sempre podem exigir reparação judicial.

Bem, pelo menos essa é a teoria. Na prática, a coisa é bem mais complicada (a justiça, por exemplo, nem sempre é confiável - em particular aqui na terrinha).

Ainda com essa questão da justiça poder falhar, a liberdade de expressão não pode e não deve ser cerceada por causa disso.

E claro, vários grupos islâmicos de enorme poder econômico poderiam ter retalidado economicamente, tudo dentro da lei.

Já sair por aí atirando em quem fala o que não gostamos - bem, isso está errado.

Mas há outro problema aí - nesse atentado há duas forças que fazem o tico e o teco dos "detentores do bem maior" entrar em curto: os grupos islâmicos são minorias (não são) e oprimidos (também não são - alguns grupos são, mas nem todos). Portanto temos o caso de um oprimido se virando contra um opressor, não?

Eh... não!

Os oprimidos nesse caso é o que estavam do lado errado das AK-47 usadas no crime. Só que eles eram brancos, bem de vida e... isso bagunça o "bem e o mal" na cabeça das pessoas.

Então, caro leitor, você deve ter lido ao lado do "Je suis Charlie", alguns "Je ne suis pas Charlie". As vezes falando obliquamente, as vezes falando claramente que as vítimas na realidade são culpadas pelo que aconteceu.

Bem, em defesa desse pessoal: Usar a liberdade de expressão requer um bocado de coragem em algumas situações. E por vezes que a usa se queima (figurativamente e por vezes literalmente). E ficar meio no seu canto, ou em cima do muro, é conveniente e pode levar a uma vida longa.

E por fim existem os defensores da liberdade de expressão desde que não aqui. Esses são de longe os mais cômicos: eles acham um absurdo o que aconteceu na França, mas quando o caso é no Brasil, para eles a situação é diferente. Um caso que vem a mente foi o de Rafinha Bastos com suas piadas sem graça.

Mas a lista é longa (Bolsonaro, Jean Willys, etc...).

Ah, e quase tinha me esquecido: existe mais um caso - o do relativista sem vergonha. Por que sem vergonha? Porque normalmente começa falando "Ah, mas no país XXX morreram 10, 100 ou 1000 vezes mais que na França no mesmo dia."

Bom, isso não justifica, redime, ou move uma palha sobre o que aconteceu na França.

Normalmente, é simplesmente uma forma de mostrar "superioridade moral" indicando que o destaque de um massacre foi menor do que o de outro massacre.

Na boa... alguém acredita mesmo que isso é argumento que se use?

Sim, caro leitor, eu realmente estou de saco cheio dessas pessoas. E por esse motivo estou colocando aqui as motivações reais delas.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Quando o cientista vira ativista

Esse é o pesadelo social transformado em realidade: quando o cientista vira ativista, ele costuma deixar a ciência de lado e torna-se mais um pregador do que um cientista.

Exagero?

Vejamos alguns casos...

O primeiro é particularmente interessante pois está ligado a questão da dieta das pessoas. Ok, verdadeiro ou falso? Gorduras saturadas são a principal causa de ataques cardíacos!

Essa é fácil, né?

Não é verdade (quem já leu este blog já encontrou uma postagem interessante sobre esse ponto antes). O problema é que Ancel Keys se convenceu, e convenceu praticamente todo mundo que isso era o que acontecia. Através de um estudo, ele praticamente criou a "certeza".

Só que a ciência não parou. E o que vemos hoje foi que as convicções de um homem (em conjunto com de outros) criaram a lipofobia.

Bem, em defesa dele, há muito que não se entende a respeito de como o corpo humano assimila os alimentos. Mas o ponto é que a "verdade científica" foi substituída pelas convicções de uma pessoa.

Mas esse não é de longe nem o único caso...

Sal, por exemplo, é outro. Graças Lewis Dahl todo mundo ficou apavorado com os efeitos perniciosos do sal. E, naturalmente, a coisa não é bem assim.

Só que agora, o dano está feito...

Outro exemplo?

Que tal, Óleo de Peixe prevente doenças cardiacas? Pois é, Jorn Deyerberg fez um estudo a respeito.  Só que a base de estudo era um tanto quanto fraca.

Bem, pelo menos a indústria do tal Omega-3 ganhou um fólego antes inexistente...

E a lista continua...

Ano Novo, Vida Nova

Como o ano de 2014 foi marcado por uma intensa falta de postagens no blog, vou tentar mudar um pouco em 2015.

A bem da verdade, em parte, eu estava um tanto cansado com que via nas mídias sociais. Eleições - principalmente!

Então vamos começar o Ano Novo com posts novos (além deste de Boas Vindas).

Então vamos começar!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Sobre anonimidade

No dia de hoje recebi a notícia que um auditor da ANEEL foi detido na suspeita de propina.

Bem, isso não é insuspeito no Brasil, então por que eu estaria trazendo isso como postagem?

O ponto dessa postagem não é tanto sobre a prisão, mas como é simples encontrar informação a respeito de alguém a partir de pequenos pedaços. Neste caso:
Qual a lição de tudo isso? Muito cuidado com a informação nos dias de hoje.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Descontruindo a Desconstrução IV

Caros leitores, hoje vamos dar uma olhada na dívida do FMI
Então, Lula pagou a dívida com o FMI?  A resposta simples é sim.

Mas tem alguns poréns:

  1. Pagar a dívida com o FMI não é o mesmo que pagar a dívida externa. Na realidade, as duas coisas são muito diferentes: "O Brasil saldou em dezembro passado, de maneira antecipada, toda a dívida que havia contraído com o FMI por US$ 15,57 bilhões. Esse era o valor que restava ser pago em 2006 e 2007 de um empréstimo de US$ 41,75 bilhões negociado com a entidade multilateral em 2002."
  2. Mesmo dentro das "esquerdas" este pagamento não foi exatamente comemorado na época.
  3. Na realidade, tanto o pagamento da dívida pública externa quanto do empréstimo do FMI foram feitos com emissão de títulos públicos, ou seja aumento da dívida interna.

Então o que foi falado é verdade? Bem, estritamente falando o empréstimo com o FMI realmente foi pago. E quanto ao preço? Bem, aí o Leitor decide...

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Sobre Inflação

Eu parei de postar sobre inflação desde agosto. A verdade é que eu fiquei com preguiça.

Então vou me colocar em dia.
  • IPCA previsto de Agosto: 0.31% (intervalo entre 0.12 e 0.5%). Valor real: 0.25%
  • IPCA previsto de Setembro: 0.37% (intervalo entre 0.18 e 0.56%). Valor real: 0.57% 
  • IPCA previsto de Outubro: 0.45% (intervalo entre 0.26 e 0.64%). Valor real: 0.42% 
Já os de novembro e dezembro estão estimados em:
  • IPCA previsto de Novembro: 0.53% (intervalo entre 0.34 e 0.72%). 
  • IPCA previsto de Dezembro: 0.59% (intervalo entre 0.4 e 0.78%).
E a previsão de inflação para o ano? Bom podemos pegar o menor e o maior cenários e ver como fica.
  • Melhor cenário: 5.8%
  • Pior cenário: 6.6%
Já o Valor esperado é: 6.2%

Vamos ver como fica

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Desconstruindo a Desconstrução III

Caro leitor, hoje vamos voltar a tabelinha e analisar o dólar
Bem, então o dólar chegou a R$ 3,00 reais durante FHC e o R$ 1,78 durante Lula? Bem vamos dar uma olhada no gráfico desde 1999 (em 1994 R$ 1,00 = US$ 1,00).
Certamente houve grande variações. No dia 2 de janeiro de 2003 (início do governo Lula) US$ 1,00 = R$ 3,54. Já no dia 2 de janeiro de 2011 (início do governo Dilma) US$ 1,00 = R$ 1,65.

A verdade é que a variação é bem grande ao longo do tempo, tanto que temos praticamente US$ 1,00 = R$ 4,00 no dia 10 de outubro de 2002. E em outras épocas, como por exemplo no dia 4 de janeiro de 1999, US$ 1,00 = R$ 1,21.

Então, aonde está a verdade? Infelizmente, essa é uma daquelas coisas que é difícil provar que está certo ou errado. Se o valor na tabela fosse a cotação média do mandato, ao qualquer outra forma que caracterizasse que não é apenas um número escolhido da forma que quiser, então eu poderia criticar de forma consistente.

Neste caso, o máximo que eu posso dizer é que Lula recebeu o mandato com o dólar a R$ 3,54 e entregou o mandato com o dólar a R$ 1,65. Já FHC recebeu o mandato com o dólar a R$ 0,84  (ou R$ 1,21 se contarmos a partir do segundo mandato) e entregou com o dólar a R$ 3,54.

Portanto: o governo Lula teve um dólar mais baixo que o governo FHC.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Desconstruindo a Desconstrução - II

Agora chegou a vez o salário mínimo. Vamos de novo a tabela.
Mas agora também vou incluir uma outra.
E então? O salário foi de US$ 78, 00 em FHC e US$ 287,00 em Lula? Bem, segundo esta tabela acima isto não é verdade (mesmo documentos do PT usam dados das mesmas fontes da tabela).

Mas o que isto significa? Caro leitor, a própria cartilha do PT dá o valor (em valores de 2014) do salário mínimo no final do mandato de FHC como R$ 406,00, e em 2013 como R$ 706,00 (vide a página 8 do documento). O valor hoje é de R$ 724,00.

Em suma: os dados sobre salário mínimo da tabela comparando Lula a FHC são distorcidos!

Por que a discrepância? Não há porque negar que o salário mínimo cresceu na era Lula-Dilma em relação a FHC. Mas por que maquiar os dados para tornar o ganho maior ou diminuir o que foi feito no governo anterior? De novo, minhas suspeitas se voltam para desconstrução do governo FHC.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Desconstruindo a Desconstrução

Agora vamos entrar em outro ponto da tabela: o risco brasil

A questão é sobre como assim o risco é de 2700 pontos no FHC e 200 pontos no Lula? Isso é verdade?

Bem, vamos dar uma olhada no gráfico
Está vendo, caro leitor? O valor máximo do risco nunca chegou a 2700 pontos, mas chegou a 2446 pontos (ou 2436 dependendo da contagem).

E claro, variou também bastante durante o governo Lula - chegando ao valor mínimo de 137 pontos (2007 - ou 142 pontos dependendo de como se conta).

E hoje? Hoje o custo fica na faixa de 240 pontos.

Em resumo o governo de Lula e Dilma mantiveram o risco bem abaixo do governo de FHC sim.

O único problema é que a tabela foi feita com dados escolhidos a dedo - o valor de 2700 para FHC e o de 200 para Lula.

Suspeito que 200 deve ter sido o risco em alguma data que a tabela foi feita. Seria melhor que usassem os dados reais (do próprio PT)

  • Risco Brasil FHC: 868 pontos
  • Risco Brasil Lula: 377 pontos
  • Risco Brasil Dilma: 193 pontos

Os dados são favoráveis ao governo do PT, mas parece que os respectivos estão mais interessados em desconstruir o que FHC fez do que exaltar suas conquistas reais. Do contrário porque insistir na mentira de 2700 contra 200?

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

E eu não sabia

Já há muito tempo segue pela internet uma das peças na desconstrução de FHC que é cheia de meias verdades.

Bem, creio que chegou a hora de desconstruir a desconstrução. E por que não começar com algo que sempre achei que fosse verdade, mas não é.

Qual é o ponto? FHC não criou nenhuma universidade!

Bem, isso é mentira.

Duas universidades foram criadas por FHC (Univasf e UFT) e Cinco por Lula (UFABC, Unipampa,  Unila,  Unilab e Ufesba).

Mas e o restante? A figura acima fala de 10 universidades. Então o que se passa?

Em resumo, o panfleto é de antes do final do governo Lula (2010). E ainda não tinham contado as "criações" de Dilma.

Então o que são as outras universidades? São essencialmente mudança de nome ou desmembramento.

Ou seja a lista completa é essa:
  1. Universidade Federal do ABC (UFABC) - criada por Lula
  2. Universidade Federal de Ciências da Saúde de PA (FUFCSPA) - mudança de nome da Faculdade Católica de Medicina de Porto Alegre
  3. Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL) - mudança de nome da Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas
  4. Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) - mudança de nome da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro
  5. Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) - mudança de nome da Faculdade de Odontologia de Diamantina
  6. Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) - mudança de nome da Escola Superior de Agricultura de Mossoró
  7. Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) - mudança do CEFET-PR
  8. Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) - mudança de nome da UEMT
  9. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) - criada por desmembramento da Universidade Federal da Bahia
  10. Universidade Federal do Tocantins (UFT) - criada por FHC
  11. Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) - criada por Lula
  12. Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) - criada por FHC
  13. Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) - criada por Lula
  14. Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira (UNILAB) - criada por Lula
  15. Universidade Federal do Cariri (UFCA) - criada por desmembramento da Universidade Federal do Ceará
  16. Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) - criada por desmembramento da universidade federal do Pará
  17. Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) - criada por desmembramento da Universidade Federal da Bahia
  18. Universidade Federal do Sul da Bahia (UFESBA) - criada por Lula
Bem, Note, caro leitor, que tanto a UFT como a Univasf foram listadas como criadas por Lula, mas foram criadas por FHC...

domingo, 26 de outubro de 2014

Sobre a Eleição

Bom, ela finalmente acabou. Dilma com quase 52 e Aécio com pouco mais de 48%. Este resultado foi bem próximo do que a pesquisa Ibope divulgou ontem.

Neste turno os institutos de pesquisa não erraram tanto (pelo menos com relação a disputa para presidente).

Aliás, neste assunto, após uma entrevista da diretora do Ibope à Miriam Leitão, ficou claro que a margem de erro listada é na realidade de mentirinha. E isso meio que atrapalha todo aquele belo raciocínio matemático que listei no último post - afinal tudo aquilo foi feito considerando pesquisa probabilística, que não é o caso nem da pesquisa do Ibope, nem do Datafolha.

Mas o post de hoje é mais para colocar alguns pontos sobre o pós-eleição: já tive tanto do lado vitorioso, quanto do lado perdedor (que é o caso aqui). E o importante é entender que um resultado de eleição não pode definir quem você é.

Esse só será o caso se você deixar. Há horas que se ganha, há horas que se perde. Mas o importante é continuar, mesmo ganhando ou perdendo. Sei que há um investimento emocional ao se "adotar um candidato" e também sei que há um custo intrínseco quando as coisas não saem do jeito que a gente quer. Mas a gravidade disto está nas mãos de cada um.

Naturalmente, nem tudo são flores. Nesta eleição tivemos discurso de ódio vindo de apoiadores dos dois candidatos. Da minha parte, decidi que quem espalha discurso de ódio não merece minha atenção - seja torcedor (essa sim uma palavra correta) de Dilma ou de Aécio.

Então, um dos saldos dessa eleição foi que deixei de seguir algumas pessoas no facebook. Discurso de ódio não ajuda e sarcarsmo também não ajuda muito.

Agora que saíu o resultado só posso fazer uma coisa: parabenizar os vitoriosos! Não irei parar de trabalhar, nem deixarei de seguir com minhas tarefas.

E claro, vou torcer loucamente para que as minhas análises sobre mais quatro anos de PT estejam fundamentalmente erradas. Caso isso se verifique então ficarei bastante feliz... mas...caso as análises tenham realmente fundamento, bem... vamos todos ter que aguentar de um jeito ou de outro não?